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22.12.07

por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas 09:16:45.

Ethan Hawke adapta e dirige o seu próprio romance The Hottest State, que aqui ficou sendo Um Amor Jovem. O título original se refere ao Texas, o Estado em que as temperaturas do verão atingem as maiores marcas, segundo um dos personagens da história. Refere-se também a esse sempre interessante e, por vezes dilacerante, encontro de um rapaz com seu objeto de desejo.

William (Mark Webber, de Querida Wendy) é um candidato a ator que conhece Sara (Catalina Sandino Morena, de Maria Cheia de Graça) e se apaixona por ela. É um amor assimétrico, porque o rapaz está apaixonado e talvez a moça também; só que ela não quer compromisso fixo. Saiu do interior para a cidade grande para viver só, livre e solta. Não consente em se 'amarrar', como se dizia por aqui em tempos idos, uma gíria cheia de precisão, na verdade.

As idas e vindas desse amor difícil dão um encanto juvenil a esse filme bem dirigido, e sem nenhuma pretensão além de contar uma boa história e nela colocar alguns estados de alma. O espectador brasileiro terá também a curiosidade de rever Sonia Braga em um dos seu inúmeros pequenos papéis de sua carreira nos Estados Unidos. Sonia faz a mãe da moça, uma imigrante que mora em Connecticut e bastante inquieta com o futuro da geniosa Sara, uma cantora iniciante e disposta a fazer carreira.

O calor a que se refere o título é o da juventude e não diz respeito apenas à alta temperatura sexual de uma idade rica em produção hormonal. Quer chamar a atenção, nesse relato semi-autobiográfico de Hawke, para essa fase da vida em que tudo é levado a ferro e a fogo, em especial no domínio amoroso. François Truffaut falou de tudo isso em Antoine e Colette. O amor aos 20 anos. As feridas se abrem com violência, mas tendem a cicatrizar melhor.

Serviço
Um Amor Jovem. (The Hottest State/EUA/2006). 117 min.Drama. 14 anos. Cotação: Bom

(Caderno 2, 20/12/07)

 

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Comentários:

Comentário de: john [Visitante]
22.12.07 @ 14:40
Sr. Zanin, tu nao assististe A vida secreta das palavras, está fora da sua lista de melhores do ano, e na minha opinião foi um dos melhores do ano. não concorda?


Abraços

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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo





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