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04.02.09

por Luiz Zanin, Seção: Atualidades 13:15:13.

Leio, com prazer, a coluna de Francisco Bosco na Revista Cult deste mês, com o título de Ser Provinciano é...

Bosco (que, descobri depois, é filho do grande compositor e cantor João Bosco) toma como ponto de partida para reflexão um detalhe de uma entrevista dada por Danusa Leão ao lançar seu livro Fazendo as Malas. Danusa, com ar de superioridade blasé, comenta que em qualquer lugar do mundo se pede um copo de vinho ou champanha. “Só no Brasil existe o hábito de pedir uma taça de vinho, ou uma tacinha, pior ainda”.

É um pequeno caso concreto, que contém um subtexto típico da “elite brasileira” da qual a colunista se faz porta-voz (basta lembrar de como ridicularizou a presença de Lula numa festa junina, coisa de caipiras, claro): “Tacinha é desprezível, no limite, porque o Brasil é desprezível” – aponta Bosco, de maneira certeira.

O texto revela de modo agudo o provincianismo, a estreiteza mental e colonizada que se escondem atrás desse falso cosmopolitismo. Vale a pena comprar a revista e ler.

 

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Comentários:

Comentário de: Cláudia [Visitante]
04.02.09 @ 13:58
O certo é copo então? Meu deus, quero dizer, my god, como pude viver até hoje sem essa informação?
Comentário de: Zanin [Membro]
04.02.09 @ 14:00
Sim, porque no Primeiro Mundo se diz glass of wine ou verre de vin. Segundo a Danusa, sem essa informação você viveu apenas pela metade. Ou menos.
Comentário de: Cristine [Visitante]
04.02.09 @ 15:44
ahn? quer dizer q deveria ler uma revista q marginaliza mais ainda as pessoas q nao tem acesso a educacao e cultura.
tipo falta abrir uma ku klux kan tb...hehehehe
Comentário de: Marcia Barbosa [Visitante] · http://www.if.ufrgs.br/~barbosa
04.02.09 @ 17:56
Qual foi a grande contribuicao
para a sociedade brasileira
que a Danusa deu?

Que comentário inútil.

Fico pasma como alguns brasileiros
desprezam o Brasil como se eles
fossem melhores do que o país
que construímos.

Há milhares de expressões que usamos
de forma diferente e nem por isso somos
piores ou melhores.

Alguma até são boas como bowlshit. Aliás
que bem define o que o Bosco e a Danusa escreveram.
Comentário de: Paulo Moreira [Visitante] · http://paulodaluzmoreira.blogspot.com
04.02.09 @ 18:39
Um crítico perspicaz da obra de Gregório de Mattos chamou sua forma de ver o mundo como "Complexo de Mazombo" [Mazombo era o termo para brancos nascidos na colônia, como o "criollo" no castelhano]. Tudo o que ele vê está filtrado pelo seu ressentimento e até indignação, motivados pela convicção do Mazombo de que ele é melhor do que o lugar onde vive, de que o lugar onde ele nasceu ou onde vive não merece suas qualidades culturais e morais superiores. Junte-se a isso a convicção de que negatividade é necessariamente agudeza de juízo; que grosseria é firmeza de príncipios e um imensa vontade de distanciamento, de não se sentir responsável, co-autor da realidade onde vive e temos o quadro completo. Agora, cá entre nós, bater na Danusa é brigar com cachorro morto. Existem por aí casos bem mais sofisticados do Complexo de Mazombo, mesmo porque desde o pós-ditadura ele é quase uma epidemia entre as elites brasileiras.
Comentário de: Maurício [Visitante]
05.02.09 @ 00:10
Danuza não é cachorro morto coisa nenhuma, é referência para muita gente e escreve para várias publicações de circulação nacional. Ela é praticamente jornalista porque vive do exercício da profissão. Por que, então, poupa-la? Falou besteira,aliás, ela fala muita besteira e ninguém se manifesta? Gostei do artigo do Francisco Bosco.Corajoso e lúcido. Gostei tanto que já mandei para vários amigos.
Comentário de: Leandro Moraes [Visitante] · http://www.alivenotdead.com/leandro
05.02.09 @ 05:14
Danusa Leão é aquela cantora popular? Por que se não for é uma imitadora, com certeza.
Comentário de: Nelson Rodrigues de Souza [Visitante] · http://www.pelaluzdosmeusolhos.blogspot.com/
05.02.09 @ 12:09
Zanin,

Olhe mais uma confirmação do que são capazes filhos provincianos ( e deliquentes) da elite brasileira:

"Folha de São Paulo, quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Alunos são acusados de dar trote e agredir morador de rua

Testemunhas confirmam agressões praticadas por grupo de universitários em Campinas

Levados à delegacia, dois alunos negaram acusações; morador de rua diz que, além de agredido, teve cabelo e sobrancelha raspados

Irenaldo Onofre Salvador Jr., 42, diz que seu cabelo e sua sobrancelha foram raspados à força

MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Dois estudantes de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em Campinas (93 km de SP), foram parar na delegacia ontem durante um trote em uma praça ao lado da universidade após pessoas ligarem para a polícia dizendo que um morador de rua estava sofrendo agressões e humilhações.
Nascido em Recife (PE), Irenaldo Onofre Salvador Jr., 42, teve o cabelo e a sobrancelha raspados à força e tinta foi jogada pelo seu corpo. Ele disse que foi agarrado, jogado no chão e agredido com socos e pontapés por um grupo de estudantes.
Os alunos Victor Hugo Guerra Bovelin, 21, e Thiago Godilho Blanco Fernandez Rodrigues, 23, foram ouvidos no 3º DP de Campinas e liberados em seguida. Eles não quiseram comentar as acusações. Em depoimento, negaram os fatos.
Salvador Jr., que passou por exame de corpo de delito, disse à Folha que o grupo despejou pinga em seu rosto com uma caneca em formato de pênis enquanto ele era segurado por outros alunos. Ele afirmou que a única coisa que carregava era uma Bíblia, com cópias de documentos dentro e uma quantia em dinheiro não especificada. "Minha Bíblia sumiu durante a agressão", disse ele, que se identificou como artesão e morador de rua.
Segundo a PM, havia cerca de 50 estudantes no local, e eles realizavam um trote de alunos novatos no curso de direito nas imediações da universidade, no Jardim Guanabara.
Duas testemunhas que trabalham em estabelecimentos em frente à universidade confirmaram a agressão à polícia.
"Eles [estudantes] me atraíram com o álcool, pois sou alcoólatra. Uns seis estudantes me jogaram no chão e deram socos e chutes. Depois me agarraram e pegaram uma máquina de raspar. Passaram na minha cabeça e na minha sobrancelha. Também jogaram tinta", disse Salvador Jr. à Folha.
Uma testemunha que trabalha em uma concessionária de veículos nas proximidades da universidade contou à Folha que o morador de rua foi agarrado e derrubado no chão por um grupo de estudantes. Depois, segundo a testemunha, houve uma série de agressões.
"Na hora eu tentei reagir, tentei me defender, mas eram muitos em cima. Tinha até mulheres no meio. Quero que todos eles sejam julgados e condenados", disse Salvador Jr.
O soldado da PM Sérgio Luís Matias, que atendeu à ocorrência, confirmou que, ao chegar ao local, ainda havia um grupo de estudantes e bebidas alcoólicas na rua e na calçada.
A Polícia Civil registrou contra os dois estudantes levados ao 3º DP um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), por lesão corporal, que prevê pena de três meses a um ano de prisão. De acordo com a polícia, o TCO é um registro de um fato tipificado como infração de menor potencial ofensivo, com pena máxima de até dois anos de prisão ou multa.
O delegado Luís Paulo de Oliveira Silva disse que Salvador Jr. reconheceu apenas um aluno. A polícia tentará identificar os demais envolvidos".

Abraços,
Nelson





Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
06.02.09 @ 00:06
Que discussão mais besta!

Bom, só pra avisar os navegantes,
aqui no Brasil nós costumamos beber cerveja, de preferência no tradicional copo americano.
Esse negócio de taça, tacinha ou copo de vinho é para emergentes, gente que ainda não se estabeleceu no mercado.

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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo





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