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30.07.07
Acabei de saber da morte de Ingmar Bergman, aos 89 anos. Morreu de causas desconhecidas, em sua casa, na ilha de Faro. Ok, morreu de velhice, de vida bem vivida. Muito vai se escrever agora sobre ele, que era um dos últimos mestres do cinema ainda em vida. Nesse primeiro momento, quero apenas registrar que um homem que nos deu filmes como Noites de Circo, O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Através de um Espelho, O Silêncio, Cenas de um Casamento, Persona (me recuso a usar o título brasileiro Quando Duas Mulheres Pecam), Gritos e Sussurros e Fanny & Alexander, ficará para sempre na história do cinema como um dos seus grandes.
Haverá mesmo quem sustente que foi o maior de todos, usando a sua arte para o mais radical mergulho na alma humana, naquilo que ela tem de tenebroso e de sublime. Bergman, muitas vezes trabalhando com seu fotógrafo favorito, Sven Nykvist, esculpia em luz e sombras as contradições humanas, em especial quando elas se defrontam com a experiência amorosa. Seus personagens são seres atormentados, em busca de algum sentido mais transcendente, ou da simples felicidade, vista por ele como impossibilidade radical em seu aspecto mais ingênuo.
Bergman fazia um cinema profundo mas não por acaso. Era um homem profundo, meditativo e, ao se tornar cineasta, foi em busca dos meios formais para expressar em luz e som essa profundidade. É a diferença em relação a quem dispõe apenas de meios técnicos mas não articula essa relação complexa com a existência. Cinema, qualquer arte, aliás, se faz primeiro na mente.
Em sua longa trajetória de mais de 60 anos dedicados a esta arte maltratada, Bergman refletiu sobre a os sofrimentos da infância, os dilemas da vida adulta, o medo da velhice; sobre os impasses do amor, a busca inútil da felicidade, a procura da paz íntima, o enigma da morte. Dizer que foi o cineasta dos relacionamentos amorosos é muito pouco. Procurava no amor aquilo que ele tem de trágico e ia além. Fez do cinema uma metafísica e procurou por o dedo em questões tão complexas que dificilmente são abordadas por uma arte que alguns dizem industrial. Seu legado ainda vai nos abastecer de problemas não resolvidos por algumas gerações de críticos e estudiosos do cinema.
Cabe ainda registrar que Bergman afirmou que se aposentava do cinema com Fanny e Alexander, em 1982. Voltou-se para o seu amado teatro, para seu adorado Strindberg, mas continuou escrevendo roteiros, eventualmente filmados por outros, inclusive por sua ex-mulher Liv Ullmann, que dele dirigiu Infiel, há pouco lançado em DVD.
Mas Bergman ainda voltou a dirigir. Seu último trabalho fica sendo Saraband, espécie de continuação de Cenas de um Casamento, com a mesma dupla de atores, Liv Ullman e Erland Josephson, que saiu aqui direto em DVD, sem passar pelo cinema, o que vale como um comentário à sensibilidade artística do nosso circuito exibidor.
Quem gosta de cinema para valer, tem de se perguntar agora qual ou quais são seus Bergmans favoritos. Eu fico entre Persona e Gritos e Sussurros – este último talvez o mais radical enfrentamento com a questão da morte já ensaiado pelo cinema. Mas guardo um lugar muito grande no coração cinéfilo para Morangos Silvestres, o longo caminho do frio dr. Isak Borg (Victor Sjöström) ao encontro consigo mesmo. É um dos filmes mais comoventes que conheço.
Comentários:
Comentário de: césar de paula [Visitante]
30.07.07 @ 10:28Foi-se o cineasta dos interiores do ser humano. Hoje estou mais triste. Gosto de vários de seus filmes, mas O Sétimo Selo é um filme que sempre me vem à cabeça.
Comentário de: J.M. Jesus [Visitante]
30.07.07 @ 10:33Bergman foi genial em tudo que fez, no entanto, em O OVO DA SERPENTE ele ultrapassou os limites da genialidade cinematográfica para produzir a obra mais importante sobre a gênese do nazismo, quer no campo das artes, das ciências ou da história. Sua obra já seria genial apenas com o OVO DA SERPENTE, mas generoso ele nos proporcionou muito mais.
O mundo fica mais pobre e mais mesquinho sem Bergman
saudações
J.M.Jesus
Comentário de: Saymon Nascimento [Visitante] · http://esperandogodard.blogspot.com
30.07.07 @ 10:52Cinco cenas:
5 - O coitado do palhaço, em Noites de Circo
4 - O final de A paixão de Ana, Max von Sydow sozinho no gelo
3 - A Carroça Fantasma, em Morangos Silvestres
2 - O ritual de vingança de Max von Sydow, em A Fonte da Donzela
1 - O sermão do padre no velório de Agnes, em Gritos e Sussurros
Comentário de: Jotha [Visitante]
30.07.07 @ 10:52Quando adolescente, vivendo do interior, li o roteiro de Ovo da Serpente e sem ter como ver o filme, quase enlouqueci de angústia. Mais tarde, encharquei-me de Ingmar Bergman e continuarei pelo resto da vida a fascinar-me com o seu talento extraordinário.
Comentário de: alex [Visitante]
30.07.07 @ 11:19A obra de Bergman e' tao concisa e marcante que fica dificil escolher filmes. Gosto de quase todos. Quase todos que vi sao obras-primas. Deixaria de fora apenas: Ovo da Sarpente e Shame (titulo em ingles)
Comentário de: Fabio Negro [Visitante] · http://www.joio.com.br
30.07.07 @ 11:42Quem será? Quem será o primeiro cidadão do mundo a publicar na internet ou em jornal um desenho do Bergman jogando xadrez com a morte?
Comentário de: Patrícia [Visitante]
30.07.07 @ 11:44Grande perda para o cinema, para o teatro e para a literatura.
Sem dúvida, o mundo empobreceu um pouco mais sem ele...
Difícil dizer o que de melhor ele produziu dentre tantas obras primas.
Mas eu particularmente sempre fico tocada com "Gritos e Sussurros", não importa quantas vezes já tenha visto.
"A vida vale a pena ser vivida nem que seja somente por um momento."
Comentário de: Antonio Bezerra Neto [Visitante]
30.07.07 @ 11:54
Seus filmes tinha a tristeza necessária que a vida exigia. Nunca foi piegas. Permitiu as ambiguidades humanas. Foi Bergman que aproximou a Suécia da Europa Continental. Uma lástima sua partida.
Comentário de: Nelson Rodrigues de Souza [Visitante]
30.07.07 @ 12:28
Morreu o cineasta que mais amo na vida. Chorei compulsivamente assim que soube da notícia.
Bergman resistiu bravamente em seu jogo de xadrez implacável (que todos travamos) com a morte, por 89 anos. Não deixem de assistir "Saraband" seu último e genial filme, implacavelmente só lançado em DVD: mais uma meditação poética e dolorosa sobre o significado da morte, da vida e do amor.
A importância de Bergman para a cultura humana transcende a arte. Ele pode ser colocado ao lado dos grandes perscrutadores deste mistério que se chama alma humana. Li muito pouca coisa de Freud. Os meus Yungs, a rigor, estão por serem lidos. Fiz psicanálise lacaniana por alguns anos, o que é um grande aprendizado. Mas ouso dizer que nenhum pensador chegou tão próximo deste mistério que atende sobre o nome "alma humana" como ele. Acredito que só Dostoiévski se iguala a ele.
Quando dos seus 80 anos, houve uma retrospectiva sua, incluindo obras com roteiro dele no Estação Botafogo 1 e MAM. Vi mais de trinta filmes dele em quinze dias, extasiado. Alguns eram revisões. Em paralelo lia o maravilhoso "Imagens" onde ele comenta seus filmes com rigor, para mim, até excessivo. Era dezembro. As coisas no meu trabalho estavam mais tranqüilas e pude mergulhar em Bergman. Num sábado vi em seguida três de seus filmes "mais encalacrados", sua fase mais difícil em termos de comunicação com o publico: "A Paixão de Ana", "A Hora do Lobo" e "Vergonha". Algo deliciosamente enlouquecedor.
Depois que assisti a duas sessões seguidas no Paulistano de "Gritos e Sussurros" na época do lançamento entrei em crise com o cinema. Tudo o que assisti depois no espaço de um mês me pareceu muito ligeiro e superficial. Achei, assustado, que tinha perdido o amor pelo cinema. Lembro-me que um dos filmes que vi foi "O Emissário de Mackintosh" de John Houston. Achei uma bobagem. Era porque estava com "o parâmetro Bergman" na minha cabeça. Depois fui me recuperando "desta doença doce"...
O primeiro Bergman que assisti foi "A Paixão de Ana", no cine Bijou em reprise. Fiquei pasmo: como havia mistérios ocultos na alma destes personagens que Bergman ia aos poucos nos desnudando! Os atores comentando seus personagens era algo que nunca tinha visto. O filme é assombroso. No cartaz uma frase inesquecível: O Homem é o Rei dos Animais...
Paulo Francis, com quem tive sérias desconfianças nos seus últimos anos de vida ( tornou-se um republicano americano de extrema direita) no que dizia respeito a Bergman tinha a mesma admiração minha. Quando chegava a pensar que o cinema fosse uma arte menor em relação à literatura, lembrava-se de Bergman. Este está à altura de Dostoiévski sem nenhum favor. Francis nos alertou para a grandeza de “A Hora do Amor”, filme em inglês com Elliot Gold que foi desprezado. Vi o filme no festival e concordei com Francis. Também é um grande Bergman.
Dói-me muito quando leio gente da crítica independente escrever que com exceção de "Cenas de Um Casamento" e "Saraband", sua obra envelheceu....(sic). Numa sessão do Cine Clube do Odeon com "Gritos e Sussurros" (devia ser a oitava/nona vez que via este filme no cinema) ouvi que ao contrário do que dizem, Bergman não é um cineasta da alma humana...(sic).
É preciso ver e rever Bergman sempre. Seu texto é tão fabuloso que mesmo que num tom bem menor que os filmes, no Teatro, "Cenas de Um Casamento"( com Regina Braga e Tony Ramos) e "Sonata de Outuno ( com Marieta Severo e Andrea Beltrão") foram espetáculos bastante respeitáveis e emocionantes.
O único Bergman que não me agradou foi “O Ovo da Serpente”. Achei que ele se perdeu em meio a esta sua primeira superprodução com belíssima reconstituição de época. Mas quero rever o filme com urgência. Vi só uma vez.
Para Bergman o sistema de ensino é fundamentado na humilhação. Isto na Suécia. Eu que estudei engenharia no ITA em São José dos Campos e me formei às duras penas, com crises permanentes, sei bem do que ele está falando. Bergman também nos fala da educação familiar. A minha o confirma.
Quando foi acusado injustamente de estar sonegando imposto de renda , Bergman teve de ser internado. Diz desta experiência que a sensação de estar fora do ar, “pirado”, não consciente dos seus atos, foi nova e agradável. Ao sair deste “surto”, exilou-se e mais tarde recebeu desculpas oficiais do governo de então.
Se tiver de ressaltar uma única seqüência dos filmes de Bergman fico com “Gritos e Sussurros” e Agnes no balanço com as irmãs, numa paisagem plena de amarelo depois de um vermelho e preto opressivos, numa visão do que a criada lê como memória num diário. Agnes, que tanto sofreu em sua doença e mesmo depois da morte “volta” angustiada, nos diz que naquele momento com as irmãs, experimentou/soube o que era felicidade. Em “Noites Brancas”, Dostoiévski também nos passa esta sensação/idéia: a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes.Pode ser uma quase platitude mas como nos esquecemos disso! Ao seu modo, num tom bem menor, Alexander Payne nos passa esta sensação no belo episódio da turista americana de Denver em “Paris, eu te amo”.
Depois do choro convulsivo estou aqui feliz por de uma forma ainda que descontínua e atabalhoada estar homenageando meu amado Bergman.
Muito mais eu gostaria de escrever sobre ele e sua obra. Mas paro por aqui pois sei que meu pranto por ele tem a ver com minha consciência que ficou mais aguçada da inexorabilidade da morte. Até Bergman morre!!!Imagine eu...Até a nossa “Hora da Estrela” vamos procurar ao máximo viver nossos momentos felizes que nos cabem, que conquistarmos ou nos forem presenteados pelo acaso.
Abraços emocionados a todos,
Nelson
Comentário de: CELIO LEVYMAN [Visitante]
30.07.07 @ 12:52Zanin,visitantes.Creio que pouco há a acrescentar ao que está sendo dito,e provávelmente muito mais virá,sôbre Bergman.A arte perde mais um de seus engenheiros.
Como há a questão pessoal de filmes prediletos,também me associo à turma que mantém firmes "Morangos Silvestres","Gritos e Sussurros" e "Persona".Mas,talvez por ser ainda muito ligado a um gênero musical datado,sem dúvida foi um gênio - Bergman,sôbre o trabalho de outro - Mozart,"A Flauta Mágica".Filme feito para a TV sueca para comemorar um Natal da década de 1970,e na falta do estéreo usou-se o expediente de um canal de som ir pela TV convencional e o outro por rádio FM...
Mas o filme consegue aprofundar ainda mais as questões levantadas pela ópera,que serve como atrativo infantil a pesadas considerações filosóficas,passando pela sempre lembrada característica de ter simbologia maçônica.E Bergman fez um belo trabalho com esse filme,filmado em um pequeno teatro e não ópera transformada em cinema,com um único senão:é cantada em sueco;em ópera,o idioma original é sempre melhor,no caso o alemão,mesmo com legendas.
No mais,a imagem do jogo de xadrez do "Sétimo Selo" e tantas outras irão permear a memória.Ao menos temos os filmes disponíveis em várias mídias.
Comentário de: gerson luis miltzarek [Visitante]
30.07.07 @ 13:19Morangos Silvestres iria passar na sessão da meia-noite do cinema ABC, hoje extinto, em Porto Alegre. Eu já tinha assistido anteriormente. Era uma noite de sábado muito fria de inverno. Eu pensei: tenho que ir ver. E se for esta a última vez que eu possa assistir a este filme?
Comentário de: Rogério [Visitante] · http://www.rogersil.blogpsot.com
30.07.07 @ 14:06Bergman construiu um mundo onde podíamos respirar, viver enfim.... com sua passagem fica a sensação de ar rarefieto....sufocamento...
Comentário de: André Felipe [Visitante]
30.07.07 @ 14:53Inestimável perda para a Arte. Muito triste para nós fãs. Mas, provavelmente, Bergman tem, hoje, o seu grande dia. O dia do seu enconto direto com Deus, seu maior interlocutor. Quando todos seus questionamentos estarão sendo desfeitos e as sombras iluminadas. Assim espero.
Não podemos esquecer também das obras Hora do Lobo, Através de um espelho, O Silêncio, Verão com Mônica, Fanny e Alexander, ... todos filmes eternos da cinemateca mundial. Obrigado mestre.
Comentário de: Rober Machado [Visitante]
30.07.07 @ 15:23A cena da morte jogando xadrez é algo que entrou para o imaginário mundial, conhecida até por quem nunca viu o filme. Só isso seria suficiente para imortalizar Bergman, mas ele fez muito mais....
Comentário de: Takako [Visitante] · http://Visitante
30.07.07 @ 16:35Sem o Bergman o cinema se cala. Espero que outros excelentes diretores venham a se não substituí-lo apresentem o melhor da sétima arte tanto quanto ele.E continuem a mostrar a magia do cinema.
Comentário de: Takako [Visitante] · http://Visitante
30.07.07 @ 16:35Sem o Bergman o cinema se cala. Espero que outros excelentes diretores venham a se não substituí-lo apresentem o melhor da sétima arte tanto quanto ele.E continuem a mostrar a magia do cinema.
Comentário de: Marco Antônio Castro [Visitante]
30.07.07 @ 16:39Nelson Rodrigues de Souza, belíssimo texto, mas, por que chorar tanto? Por que tanto desespero? Bergman já estava com quase 90! O cara teve uma vida fantástica (afinal, ele era uma "criança de domingo", nascido num domingo o que, na Suécia, se diz ser algo muito especial e no caso dele foi mesmo), fez os filmes maravilhosos que fez, teve as mulheres que amou, se fez conhecido e respeitado em todo o planeta, deixa uma herança fantástica no cinema e no teatro. Por que chorar tanto? Sempre que morre alguém célebre e há essas cenas de desespero total eu me lembro das mortes de alguns papas (e olha que eu tenho idade para ter convivido com seis papas!). As beatas se desesperam, choram como carpideiras, enlouquecidas. Queriam o quê? Que o papa fosse eterno?!
A melhor lembrança que tenho de Bergman (que eu sempre adorei) foi a reação de uma namorada que tive, há muito tempo. Ela era meio porra-louca e se encheu de me ouvir falar de Bergman e seus filmes. Aí, por coincidência, O Sétimo Selo foi reprisado num cineminha do Bixiga. Levei a moça para assistir. Detalhe, ela era do tipo Disney,
Mickey Mouse. Pois a guria saiu muda do cinema. Só conseguiu falar umas duas horas após o fim do filme. Doce vingança.
Marcão
Comentário de: Osvaldo Ormazabal Duarte [Visitante]
30.07.07 @ 17:04Para Nelson Rodrigues e Marco Antônio : Pessoal : belos textos, gostei demais. Realmente, Bergman fez do cinema uma arte e sua partida, para quem gosta desta arte, de qualquer forma deixa uma sensação de vazio, queramos ou não.
Comentário de: João César [Visitante]
30.07.07 @ 17:17"Morangos Silvestres" é o meu favorito e filme de coração. Inesquecível...
Comentário de: Luiz Eduardo [Visitante] · http://www.tarantula.blogger.com.br
30.07.07 @ 17:32Saúdo àquele que nos instruiu sobremaneira com sua rica obra. Acalento àqueles cujos corações tremulam ao defrontar-se com a morte. Não se olvide de que o último suspiro representa apenas o início de uma eterna cruzada....
Caloroso abraço a todos(as)!
Que a força esteja com voçes...
Comentário de: Jotha [Visitante]
30.07.07 @ 17:38Marco Antonio de Castro: Você diz que já tem idade para ter convivido com pelo menos seis papas, é portanto um homem com domínio dos sentimentos, sabedoria para encarar as grandes perdas - assim, tem que perdoar àqueles que vivem com a emoção à flor da pele e têm dificuldade em lidar com o inexorável. O extravasamento da dor neste espaço é antes de tudo uma busca de conforto entre os muitos visitantes apaixonados por Bergman. Nada mais que isso.
Comentário de: Miriam [Visitante]
30.07.07 @ 18:06Nào passei incólume por nenhum dos filmes dele! E ao lembrá-los hoje, quando li sobre sua marte, me ocorreu que não vi outros filmes que tenham me tocado tanto. Seus filmes me reportam a uma época tão especial, anos em que tive a sorte de ver, pensar e discutir, com paixão, os sinais e significados daqueles densos filmes. E me ocorreu que hoje não há mais isso! Além de ter ficado mais velha, o que de fato aconteceu?
Comentário de: lulopret [Visitante]
30.07.07 @ 18:19Foi-se Bergman, Responsavel pelos momentos mais importantes que ja passei dentro de um cinema.
Acho que é o ultimo dessa geraçao de genios. Ou ainda ha alguém em atividade?
Concordo com sua lista, mas acrescento sua versao de a Flauta Magica, O Ovo da Serpente e Fanny e Alexandre, comovente.
Comentário de: Antônio [Visitante]
30.07.07 @ 18:53O cinema é uma arte que permite com mais facilidade ao apreciador jogar-se dentro dela. Myra Y Lopes queria que uma luz ficasse acesa nas salas de exibição, para que os espectadores não confundissem ficção e realidade. Foi esta característica que tornou seu surgimento um furor que sacudiu multidões, liberando as paixões de seus fãs. A industrialização do filme tornou-o um produto em série, que já não desperta os espíritos como no início. Hoje é tudo produção, exibição, estrelismo, consumismo. A entrega do espectador ao filme não existe mais, porque os sentimentos agora são contidos e até suprimidos pelo medo do vexame, que é uma certeza para quem se abre. Parecer é o mote de hoje em dia e ser tornou-se fora de moda. Tanta conversa para declarar uma visão de "Morangos Silvestres", justamente uma volta do cinema a suas origens, a viagem de um homem para dentro de seu conteúdo humano, a explosão do sentimento de ser gente e, assim, atingir a plenitude. Talvez Bergman gostasse de se dizer que seu filme foi o último do cinema mudo.
Comentário de: Henrique [Visitante]
30.07.07 @ 20:50Zanin, Os seus dois filmes preferidos do Bergman eram também os que ele mais gostava. No documentário Bergman Completo ele falava que seus dois melhores filmes eram Persona e Gritos e Sussurros. Para mim Gritos não é apenas o melhor Bergman mas também meu filme favorito. O mundo está menos bonito e menos poético hoje, sem ele. Concordo com o que vc disse que alguns dirão que ele foi o maior te todos.. Para mim realmente Bergman foi o maior diretor e continuará sendo.
Comentário de: Ivan Viveiros [Visitante]
30.07.07 @ 20:58Morre um dos grandes.
Grande influência exerceu em minha vida, quando na década de 70, cineclubista na Filosofia de Lins, sob a coordenação de Irmã Ruth da Costa, saboreávamos Bergman, e discutíamos estasiados suas obras.
Certamente a Irmã Ruth foi esperá-lo naquela dimensão onde os grandes se encontram.
Comentário de: Alex Silva [Visitante]
30.07.07 @ 22:25Assisti poucos filmes de Bergman. Considerei todos ótimos, mas o meu favorito é um dos mais subestimados pela crítica: "Sonata de Outono". Filmaço.
Comentário de: Alex Silva [Visitante]
30.07.07 @ 22:27Assisti a poucos filmes de Bergman. Considerei todos ótimos, mas o meu favorito é um dos mais subestimados pela crítica: "Sonata de Outono". Filmaço.
Comentário de: Elmer Hellstrom [Visitante]
30.07.07 @ 22:38Grandes diretores se vão. Cansei de tantas mortes e choros. Saudades de "O Corintiano" e "Fuzileiro do Amor" O Brasil está de luto. Abraços a todos. Elmer
Comentário de: Mariano [Visitante]
30.07.07 @ 22:51Concordo com quase tudo.
Obra-prima, entretanto, para mim é Morangos Silvestres.
Comentário de: lulopret [Visitante]
30.07.07 @ 23:36Sera que voltaremos a sentir o mesmo impacto transmitido por Gritos e Sussurros em tela grande, realmente grande?
Seja um filme de Bergman, seja de algum diretor mais recente, hoje ja nao se consegue ver cinema como se via ha algum tempo. Parece que o enfoque mudou. As pessoas nao veem mais os filmes da mesma forma.
Talvez valesse a pe na um teste, um tipo de revival com a projeçao de um Bergman em grande formato e assistido com o mesmo respeito ritualistoco com que nera visto em suas estreias. e por que nao, repetir o teste com outros diretores, mais novos. Acho que poderia haver uma redescoberta do cinema.
Além de ser uma apropriadissima homagem a Bergam e a todos os genios que estao desaparecendo.
Comentário de: Renato [Visitante]
30.07.07 @ 23:56Não há o que dizer, morreu um grande cineasta, alguem que realmente desnudou a alma humana, um verdadeiro artista que uniu o cinema e o teatro, morreu um Shakespeare do cinema.
Comentário de: Eli [Visitante]
31.07.07 @ 03:23Caro Luiz Zanin,
Pois é, diante da mediocridade de muitos figurões, Ingmar Bergman morreu sob o manto da discreção, inteligente como foi.
Um Mestre se vai, mas ficam suas lições no Cinema (a Avant-Garde francesa está de luto).
Outro grande das telas que morreu anteontem foi o ator Michel Serrault, muito querido também no país dele.
E la nave va, como diria Fellini.
Comentário de: Régis [Visitante] · http://www.cineplayers.com
31.07.07 @ 08:55Ontem, o Bergman.
Hoje, o Antonioni...
Comentário de: Marco Antônio Castro [Visitante]
31.07.07 @ 11:20O.O. Duarte, obrigado pela concordância.
Jotha, você tem razão: 59 anos, a morte da esposa e a doença de um filho dão uma crosta (ou pátina, depende do ponto de vista) que me permite olhar com alguma calma. Ao contrário de chorar, dou um sorriso que sei que Bergman entenderia. Não condeno quem coloca a dor e o desespero pra fora, mas vejo tudo mais com a alma do que com a emoção.
Antonio, discordo respeitosamente do Myra y Lopez. O escuro da sala, a grande tela iluminada, os atores e atrizes numa dimensão maior do que a própria vida. Isso é cinema.
Sempre levei meus filhos ao cinema e ao teatro desde pequenos (hoje têm 28 e 27 anos e eles é que me levam...). O primeiro filme que os levei foi Fantasia. Uma experiência única. A luz se apagou, a tela se iluminou e começou o filme. Ambos (menino e menina), sentados nas minhas pernas (o cinema estava lotadíssimo), ficaram boquiabertos com o que viam. De repente, a perna ficou quente. Um deles se urinou de emoção. Isso é cinema! Uma luz acesa na sala não permitiria a magia.
Desculpem-me o excesso de parêntesis.
Marcão
Comentário de: Marco Antônio Castro [Visitante]
31.07.07 @ 11:24Tem uma conspiração em algum lugar! Bergman, Antonioni, Michel Serrault... vamos parar com isso!
Enquanto isso os Transformers, os Harry Poters e os Senhores do Anéis estão aí, impávidos colossos.
Marcão
Comentário de: martin [Visitante] · http://mfroener.blogspot.com
31.07.07 @ 12:33sim, a fonte da donzela e esse (http://mfroener.blogspot.com) tb, em homenagem ao jabor e suas declarações vagabundas.
Comentário de: Marques [Visitante]
09.09.08 @ 12:53Sou estudante de filosofia e admiro os filmes de Bergman pela densidade com a qual ele discute os dilemas existenciais. Na Verdade, Bergman não é apenas um cineasta, é um filósofo que filosofa através da câmera. Gosto em especial da Trilogia do silêncio e de O sétimo selo. Marques
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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo
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