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19.10.09

por Luiz Zanin, Seção: Cinema 23:17:34.

Amigos, a respeito dos problemas das projeções digitais, recebi no blog a seguinte mensagem da gerência de marketing da Rain, que transcrevo abaixo:

"Parabenizamos a iniciativa do autor do manifesto publicado no blog da revista Moviola e aproveitamos a oportunidade para esclarecer alguns dos pontos mencionados.
Entendemos que o grande fato gerador tem sido as exibições em Festivais, notadamente o Festival do Rio e Mostra de São Paulo que são as maiores portas de acesso aos filmes independentes do Brasil.

No último Festival do Rio foram exibidos mais de 300 títulos. Destes, 19% foram filmes efetivamente digitalizados e exibidos em HD (alta definição), respeitando a janela e a velocidade da master do filme entregue à Rain por distribuidores ou pelo Festival. A Rain, no processo de digitalização, não realiza qualquer alteração de janelas, de aspect ratio, velocidade ou canais de áudio.

Para 60% dos títulos exibidos excepcionalmente em festivais o formato é eletrônico, ou seja, por caráter logístico e/ou econômico, os filmes são exibidos a partir de fitas. Por decisão dos festivais, mais uma vez logística e/ou econômica, o formato mais comumente adotado são fitas DVCam, o que, na maioria dos casos gera perda de qualidade por conta da menor resolução de imagem, da compressão de cor e da capacidade de reprodução de áudio restrita a 2 canais.

A grande diversidade de materiais oriundos de diversas partes do mundo com formatos de diferentes velocidades e resolução gera um enorme problema técnico aos organizadores do Festival que não poderiam contar com diversos players de diversos formatos para cada sala. Acrescente a isso o fato de muitos diretores e produtores se aproveitarem do formato em fita para enviar filmes que ainda não estão em seu corte final ou sem masterização para testar a receptividade de seus filmes durante os festivais, além de possibilitar que ele possa “viajar” de maneira econômica. Esta dinâmica é fruto do momento de transição que o mercado do audiovisual está passando. E seguirá evoluindo nos próximos anos.

A Rain preza pela manutenção da qualidade da master entregue e estipula as especificações claras em seu site:
http://www.rain.com.br/Publicos/SeuFilmeEmDigital/Pages/ESPECIFICAÇÕESPARAENTREGASDECONTEÚDO.aspx

Obrigada pela oportunidade de esclarecimento.

Danielle Callas - Gerente de Marketing da Rain"

 

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Comentários:

Comentário de: Luiz Fernando Gallego [Visitante] · http://www.criticos.com.br
20.10.09 @ 09:41
O "fato gerador" da petição não foi apenas o que se viu (e o que se deixa de ver) em projeções de filmes nos festivais, mas o que acontece cotidianamente. Quando podemos ver o mesmo filme mais de uma vez, em película e posteriormente em projeção dgital, a diferença é enorme no segundo caso: as cores parecem "lavadas", há perda de nitdez e, não raramente, janelas erradas - dentre outros problemas que comprometem o filme. Muitas vezes, tenho oportunidade de assisitir um filme em cabine para críticos, e se, por exemplo, vi em película, mas volto a ver o mesmo filme com minha mulher quando do lançamento comercial nas salas de cinema em projeção digital, não raramente vejo "outro" filme, com caracterísitcas técnicas muito inferiores de exibição. Então, faltam esclarecimentos do que se passa no dia-a-dia, fora dos festivais, porque o grande público raramentetem condições de comparar mas está pagando por algo que não recebe condignamente. Questão de direitos do consumidor !
Comentário de: Carlos Alberto Mattos [Visitante] · http://carmattos.wordpress.com/
21.10.09 @ 14:12
A resposta da Rain minimiza o sentido do manifesto. Não se trata apenas de festivais, mas de lançamentos com cópias escuras, desbotadas, sem contraste e brilho, quando não deturpadas no formato. Entendo que isso nem sempre depende da projeção, mas dos materiais distribuídos aos cinemas. Por isso o manifesto dos críticos se dirige não apenas à Rain, mas a todos os envolvidos na cadeia distribuição-exibição-festivais.

Meu caro, acho que esta questão do cinema digital está exigindo uma ampla reflexão da nossa parte. abs.

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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo





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