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20.11.08
O cantor e ator passou rapidamente por Brasília. Está em dois filmes, ambos da mostra em 16mm. Um deles é Marcelo Bousada, Quem?, de Denílson Felix, que mostra um compositor tentando levar sua música para Ney Matogrosso ouvir e, se gostar, gravar. O outro é Depois de Tudo, em que Ney e Nildo Parente fazem um casal gay. Aliás, o filme foi pivô de uma saia-justa. Como a Sala Martins Pena, onde se realiza a mostra em 16 mm, estava cheia de crianças, Ney disse que considerava seu filme inadequado para menores e pediu que elas saíssem da sala. Depois de algum debate e troca de opiniões contrárias, as crianças tiveram de deixar o cinema. Não sem antes assistir ao primeiro filme, Medo do Escuro, que tem por tema crianças molestadas sexualmente.
Comentários:
Comentário de: silvio [Visitante]
20.11.08 @ 17:09Ney Matogrosso é um artista transgressor, ousado, e, quem sabe por isso mesmo, é um cidadão absolutamente consciente da realidade que o cerca. Ele tem toda razão de ter pedido p/ que as crianças deixassem a sala. "Depois de tudo" é belíssimo, sensível, um filme que tem a coragem de abordar um certo tipo de realidade que a sociedade e o próprio mundo do cinema insiste em ignorar. Mas realmente é impróprio p/ crianças. Bastaria vazar que a sala estava cheia de crianças durante a exibição p/ a opinião pública crucificar o cantor, o diretor e todos os envolvidos na realização do festival. A sociedade é raivosa e hipócrita e Ney sabe disso melhor do que ninguem.
Comentário de: Rita Vicente [Visitante]
20.11.08 @ 17:26Ressalte-se, como Ney fez questão de frisar, que ele não estava pedindo que as crianças fossem retiradas da sala, mas sim que o filme não fosse exibido na presença delas. Isto antes que se diga que ele quis expulsar as crianças ou coisa que o valha...
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
23.11.08 @ 06:59Tô com vocês!
O Ney foi corajoso duas vezes, ao fazer o filme e ao manifestar sua opinião no tocante à exibição para as crianças. Prova de que não só é um grande artista mas uma pessoa digna e consciente.
... muito distante da discussãozinha entre a Gal Costa e a Marina Lima!
Comentário de: José Luís [Visitante]
24.11.08 @ 02:54Valeu Guilherme! Pensei a mesma coisa. Enquanto Marina e Gal travam uma discussão tola sobre algo ocorrido há mais de 30 anos, c/ o mesquinho propósito de retornarem à mídia, o grande Ney Matogrosso dá um banho de civilidade e coerência, tendo a coragem de se manifestar diante de uma situação bastante delicada. Quanto ao filme, realmente muito bonito. Esse jovem diretor, Rafael Saar, parece ter vindo para ficar.
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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo
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