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21.11.09
Com Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel, o público de Brasília teve uma experiência diferente. Acostumado o cinema falado (e às vezes gritado) que predomina, curtiu um filme feito de imagens, música, silêncio. As personagens: as quebradeiras de coco-babaçu da região do Bico do Papagaio, entre Maranhão e Tocantins. O documentário oferece um mergulho no cotidiano das mulheres; em seu trabalho, seu lazer, suas danças e cantos tradicionais. Nada folclorizante, pelo contrário, constroi um retrato da beleza e da dignidade daquele povo. Houve quem se queixasse da falta de informações sobre as trabalhadoras, o coco, as condições de trabalho e o que mais fosse. Não eu. Dei-me satisfeito pela curtição audiovisual que me foi oferecida. Se quiser saber mais, vou ao Google. O cinema não tem obrigação de ser didático. Tem de impactar, poeticamente. E isso Quebradeiras faz.
Comentários:
Comentário de: Guilherme [Visitante]
21.11.09 @ 23:41Só a fotografia já valeria o filme, mas ainda temos o retrato humano, sincero, e, como muito bem disse o Zanin, nada folclorizante, o que é raro no nosso cinema (especialmente tratando-se de documentários).
A música na medida certa, os sons naturais, a ausência deles... Tudo muito bem construído.
Todas as cenas são impactantes e poéticas. A cena final é um delírio visual.
Mais do que nos ensinar quem são, nos faz sentir quem são, as quebradeiras.
Excelente!
Comentário de: Carlos Alberto Mattos [Visitante] · http://carmattos.wordpress.com/
22.11.09 @ 21:01A relação das mulheres com a água e a paisagem é lindamente mostrada. Estamos no terreno da etnopoesia. Ainda bem que Evaldo dispensou as palavras.
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Crítico de cinema, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo
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