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24.07.08

Link permanente Salve o cinema brasileiro
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Atualidades s 11:16:45.

Tenho acompanhado a luta dos cineastas brasileiros para exibir seus filmes nos nossos circuitos tão congestionados pelos blockbusters. A iniciativa mais recente foi de Murilo Salles, que convocou amigos e simpatizantes,pelo blog, para prestigiar seu novo longa, Nome Próprio. O Caderno 2 registrou o fato. Acho legal. Há que inventar maneiras criativas de furar o cerco, enquanto se aguarda uma política para o setor, que nunca sai porque tem muita gente poderosa que não quer que se mexa no que aí está.

Tenho sentido, também, uma tensão muito grande dos cineastas em relação aos jornalistas, aos críticos de cinema em especial. Como se eles desejassem uma certa cumplicidade para este momento difícil, a exemplo do que aconteceu na época pós-desmanche de Collor & Ipojuca. Isso é o que não pode ser. Temos obrigações para com o cinema nacional, mas elogiar cada filme brasileiro lançado porque, em tese, isso beneficiaria sua carreira, não está entre elas.Vamos ficar assim: os cineastas fazem o trabalho deles e nós fazemos o nosso.

Já escrevi isso alguns anos atrás e repito: o cinema brasileiro não merece o insulto da condescendência.

 


22.07.08

Link permanente Entre a modéstia e a ambição
por Luiz Zanin, Seção: Futebol s 14:05:11.

O campeonato ganha dinâmica própria e cria fatos às vezes estranhos. Por exemplo: fui domingo à Vila e presenciei uma cena que me pareceu inusitada. Depois da sofrida vitória do Santos sobre o Sport, mísero 1 a 0 com direito a sufoco do time pernambucano, vi a exigente torcida do Santos comemorar como se fosse um título. A galera cantou o hino do clube (o oficial) e os jogadores, reunidos no círculo central, agradeceram pelo apoio. Uma confraternização.

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Link permanente Dercy em Paulínia: a última aparição de uma rainha
por Luiz Zanin, Seção: Personagens, Atualidades s 14:03:47.

A reportagem do Estado esteve presente a uma das últimas aparições públicas de Dercy Gonçalves. Foi no recém-encerrado Festival de Cinema de Paulínia, quando a atriz recebeu homenagem. Desbocada, Dercy subiu ao palco para receber o troféu e agradeceu desejando um beijo na b... de todos os que estavam no Theatro Municipal da cidade. Disse ainda que estava surda para c... e que, então, era para não prestarem atenção nas bobagens que pudesse cometer. Todo mundo riu e aplaudiu demais. Assim era Dercy, que morreu sábado com 101 anos de idade.

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21.07.08

Link permanente Ilha da Imaginação
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas s 18:48:39.

Até que tem certa graça essa história de aventura infanto-juevnil sobre uma garota que vive com o pai, cientista, isolada numa ilha. O filme , dirigido por Jennifer Flackett, é baseado no livro de Wendy Orr, que também foi lançado em português.

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Link permanente Maus Hábitos
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas s 18:47:00.

O México cultiva a tradição da estranheza no cinema - basta pensar em Arturo Ripstein, por exemplo, ou, entre os mais jovens, em Carlos Reygadas (de Japón e Luz Silenciosa). Nunca é demais lembrar, aliás, que mestre Buñuel filmou no México, lá passou seus últimos anos e morreu. Em sua autobiografia, Meu Último Suspiro, se dizia sensibilizado pelo clima de leve absurdo que cercava o cotidiano mexicano, a devoção religiosa, o culto um tanto carnavalizado à morte. É nessa linha que se inscreve o cinema de outro diretor da geração de Reygadas, Simón Bross, autor de Maus Hábitos, que chega agora aos cinemas brasileiros. O primeiro aviso a ser dado ao espectador é para não confundi-lo com o filme homônimo de Pedro Almodóvar. Aliás, o nome igual não é fruto de nenhuma má intenção, do tipo ''pegar carona no mais conhecido''. É que o título em espanhol é mesmo Malos Habitos. E, no caso, foi com o filme de Almodóvar que a tradução brasileira se revelou criativa, ao traduzir por Maus Hábitos o muito mais alusivo Entre Tenieblas.

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Link permanente Os 90 anos de Antonio Candido
por Luiz Zanin, Seção: Personagens, Livros s 16:25:48.

Acho que chamar Antonio Candido de nosso maior crítico literário é ainda um elogio conservador. Candido é muito mais do que isso, bastando lembrar alguns títulos por ele lançados como Formação da Literatura Brasileira, Tese e Antítese, Literatura e Sociedade. Grande presença na vida intelectual brasileira. Ontem, o Cultura deu um especial sobre ele, para marcar seu 90º aniversário. Aconselho uma lida.

 


Link permanente Dercy
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Personagens s 13:20:48.

Fiquei devendo um post sobre Dercy Gonçalves, que morreu no sábado com 101 anos. Bem, acontece que eu estava em Santos, ouvindo chorinho na praça, quando avisaram a morte de Dercy. Voltei correndo para casa, porque sabia que o jornal ia querer alguma coisa sobre ela. Não deu outra. Escrevi correndo, não consegui conexão, tive de ditar a matéria por celular e mesmo assim não entrou na edição de domingo, porque o texto chegou atrasado. Sai amanhã no Caderno 2 e depois coloco aqui.

Por enquanto, fica o seguinte. Dercy, com seu jeito desbocado, era mesmo engraçada. Vinha do burlesco e da chanchada, gênero muito mal visto por intelectuais até ser reabilitado por Sérgio Augusto em seu belo livro Esse Mundo É um Pandeiro. Era uma vida brasileira aquela, que já não existe mais. Um tipo de humor malandro, sinuoso. Há um ator que adoro naquelas comédias, tirando Oscarito e Grande Otelo, que eram enormes: refiro-me a Zé Trindade. Mas Zé era um rei do subentendido, enquanto Dercy jogava de outra maneira e dizia tudo às claras.

Como bem notou Ari Fontoura, ela criou uma verdadeira contradição em termos que é o palavrão carinhoso. Ninguém se sentia ofendido por eles. E, nesse papel de sempre, Dercy aparece pela última vez na tela em Nossa Vida não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro, como uma vovó que repele um assalto com revólver na mão e impropérios na boca. Vi Dercy, pela última vez, no Festival de Paulínia. Parecia bem, para uma pessoa com cem anos nas costas. Continuava com a boca suja. E alegre, até o fim.

 


19.07.08

Link permanente Molière
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas s 08:39:01.

Um Molière moderno, sexy, cheio de energia - assim o diretor Laurent Tirard retratou uma das glórias do seu país, o dramaturgo, aliás, comediógrafo, Jean-Baptiste Poquelin (1622-1673), autor de clássicos como O Burguês Fidalgo, O Doente Imaginário e Escola de Mulheres. Retratá-lo significava um risco para Tirard. Poderia fazer uma leitura reverente da vida de Molière - afinal, ele é um dos autores mais estudados do seu país e fundador da Comédie Française. Mas então haveria o perigo de deixar em segundo plano uma das melhores características de Molière, a irreverência, a inteligência mordaz. Poderia, por outro lado, tentar ver o que há de atual nos textos e na vida desse autor do século 17 - e, nesse caso, haveria o risco de despertar a ira daqueles que o cultuam como um dos fundadores do teatro moderno, isto é, um clássico intocável.

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18.07.08

Link permanente Nome Próprio
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas s 19:35:47.

Como nas guerras ou nas tramas de espionagem, há muita desinformação em torno de Nome Próprio, novo longa-metragem de Murilo Salles. Ok, é baseado, ou inspirado, nos livros Máquina de Pinball e Vida de Gato, além de textos de blogs de Clarah Averbuck. A autora, que afeta personalidade difícil, não gosta de ser chamada de blogueira. É escritora. Certo. Não se sabe também se gostou ou não da versão de seus textos para a tela. Afinal, participa de debates de lançamento com o diretor, e fez restrições ao filme no blog - o atual Adios Lounge. O quanto de sinceridade existe nisso tudo, ou é apenas um daqueles casos em que o autor fica tomado pelo personagem?

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Link permanente Eles e nós
por Luiz Zanin, Seção: Futebol s 19:31:18.

Leio agora que o Chelsea formalizou proposta de 100 milhões de euros por Kaká. Pelo que me lembro, o São Paulo vendeu Kaká ao Milan por algo como oito milhões de dólares na época. Acho que isso explica tudo, ou quase tudo, não?

Quando vou à Europa e vejo nas vitrines um daqueles maravilhosos casacos de couro, custando algumas boas centenas de euros, penso que um dia ele já vestiu o lombo de algum boi brasileiro - comprado a preço de banana por algum europeu esperto.

 


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Luiz Zanin é crítico e colunista do Estadão. Edita o suplemento Cultura





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