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		<title>Luiz Carlos Merten</title>
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			<pubDate>Mon,  8 Feb 2010 15:23:12 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58953@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>N&#227;o hesito em comentar o que est&#225; na capa da concorr&#234;ncia. Tarifa de celular (no Brasil) &#233; a 2&#170; maior do mundo. S&#243; na &#193;frica do Sul os usu&#225;rios do sistema pagam mais. Se dependesse de mim, essa gente morria toda de fome. Oi, Tim, Vivo. Nem por ouro nem por prata uso celular. Morro resistindo. Se &#233; para pagar caro, prefiro gastar dinheiro com outras coisas.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>N&#227;o hesito em comentar o que est&#225; na capa da concorr&#234;ncia. Tarifa de celular (no Brasil) &#233; a 2&#170; maior do mundo. S&#243; na &#193;frica do Sul os usu&#225;rios do sistema pagam mais. Se dependesse de mim, essa gente morria toda de fome. Oi, Tim, Vivo. Nem por ouro nem por prata uso celular. Morro resistindo. Se &#233; para pagar caro, prefiro gastar dinheiro com outras coisas.
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			<title>Meia palavra</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=meia_palavra&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Mon,  8 Feb 2010 14:33:15 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58948@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>Na sexta, estava em Belo Horizonte, era a estreia de 'Guerra ao Terror', e vi que 'O Estado de Minas' transcreveu o texto de Luiz Zanin Oricchio sobre o filme da poderosa Kathryn Bigelow. N&#227;o li, mas n&#227;o foi por nenhum parti-pris. No s&#225;bado, o jornal voltou ao filme da ex-senhora James Cameron, uma mat&#233;ria enorme, sem assinatura. Achei curioso - afinal, no dia anterior o jornal j&#225; tratara do assunto - e comecei a ler. Era a minha mat&#233;ria do 'Caderno 2'! Queria ter visto o filme de Kathryn ontem, mas me enrolei e perdi a hora. Coloquei visto - e n&#227;o (re)visto -, porque tenho essa desagrad&#225;vel sensa&#231;&#227;o de que vou ver outro filme ao assistir a 'Guerra ao Terror' na tela grande (vi o filme em DVD, no formato pequeno). Feita a ressalva, volto ao jornal mineiro porque, em Tiradentes, num s&#225;bado, descobri a p&#225;gina de Cyro Siqueira no 'Cultura'. N&#227;o conhe&#231;o o jornalista em quest&#227;o, mas o Cyro escrevia, no primeiro s&#225;bado, sobre filmes como 'Del&#237;rio de Loucura' (Bigger than Life), de Nicholas Ray, e 'O C&#250;mplice das Sombras', de Joseph Losey. Oba! Fiquei nos cascos, achando que estavam saindo em DVD, e s&#243; depois descobri que o Cyro mant&#233;m essa p&#225;gina com informa&#231;&#245;es e reflex&#245;es sobre cinema, que n&#227;o est&#225; necessariamente conectada ao circuito (seja de cinema, TV ou DVD). Ele viaja no seu imagin&#225;rio e, se o jornal banca uma p&#225;gina inteira como material de leitura, no fim de semana, &#233; porque deve ter p&#250;blico, &#243; xente. Neste s&#225;bado, o jornalista abordou, sob o t&#237;tulo 'Mist&#233;rios Inexplicados de Uma Narrativa', outro filme que me interessa particularmente - 'O Tesouro do Barba Rubra' (Moonfleet), de Fritz Lang. Em Paris, o Action Christine exibia, em suas duas salas, uma retrospectiva de Lang e outra de com&#233;dias rom&#226;nticas. Por uma quest&#227;o de hor&#225;rio, assisti a filmes de George Stevens e Ernst Lubitsch e at&#233; revi 'Le Tombau Indien', segunda parte de 'O Tigre da &#205;ndia', de Lang, quando queria ter revisto 'Moonfleet'. Vi o filme com Stewart Granger quando garoto, e era s&#243; uma aventura de pirataria (mais uma) para mim. No seu livro sobre o grande diretor, 'Fritz Lang in America', Peter Bogdanovich p&#245;e 'O Tesouro do Barba Rubra' nas nuvens, destacando o relato g&#243;tico - e noturno - como um daqueles pesadelos em que Lang era mestre, ao criar. Pois bem, em Ouro Preto, descobri a loja da editora da UFMG, a Universidade Federal de Minas Gerais e nela uma cole&#231;&#227;o com v&#225;rios volumes. 'A Inf&#226;ncia Vai ao Cinema', 'A Mulher...' S&#227;o livros de ensaios. Comprei o livro da inf&#226;ncia justamente porque, na contracapa, entre os filmes citados, descobri que estava 'O Tesouro'. Li o texto de um cr&#237;tico espanhol, Carlos Llosada - acho que &#233; isso -, e achei muito bacana. Ele faz uma leitura atravessada que muito me atraiu. De acordo com ela, o filme de Lang tem seu oposto, mas tamb&#233;m complemento, num Minnelli que adoro, 'Papai Precisa Casar' (The Courtship of Eddie's Father). Amanh&#227;, embarco para Berlim e, na volta, espero ficar mais dois ou tr&#234;s dias em Paris, para ver Isabelle Huppert como Blanche Dubvois no teatro. Duvido que a retrospectiva de Lang ainda esteja rodando, mas bem que adoraria (re)ver 'Moonfleet'. N&#227;o vou ficar recomendando que voc&#234;s baixem o filme na internet, porque n&#227;o pega bem, mas, para bom entendedor, meia palavra basta.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Na sexta, estava em Belo Horizonte, era a estreia de 'Guerra ao Terror', e vi que 'O Estado de Minas' transcreveu o texto de Luiz Zanin Oricchio sobre o filme da poderosa Kathryn Bigelow. N&#227;o li, mas n&#227;o foi por nenhum parti-pris. No s&#225;bado, o jornal voltou ao filme da ex-senhora James Cameron, uma mat&#233;ria enorme, sem assinatura. Achei curioso - afinal, no dia anterior o jornal j&#225; tratara do assunto - e comecei a ler. Era a minha mat&#233;ria do 'Caderno 2'! Queria ter visto o filme de Kathryn ontem, mas me enrolei e perdi a hora. Coloquei visto - e n&#227;o (re)visto -, porque tenho essa desagrad&#225;vel sensa&#231;&#227;o de que vou ver outro filme ao assistir a 'Guerra ao Terror' na tela grande (vi o filme em DVD, no formato pequeno). Feita a ressalva, volto ao jornal mineiro porque, em Tiradentes, num s&#225;bado, descobri a p&#225;gina de Cyro Siqueira no 'Cultura'. N&#227;o conhe&#231;o o jornalista em quest&#227;o, mas o Cyro escrevia, no primeiro s&#225;bado, sobre filmes como 'Del&#237;rio de Loucura' (Bigger than Life), de Nicholas Ray, e 'O C&#250;mplice das Sombras', de Joseph Losey. Oba! Fiquei nos cascos, achando que estavam saindo em DVD, e s&#243; depois descobri que o Cyro mant&#233;m essa p&#225;gina com informa&#231;&#245;es e reflex&#245;es sobre cinema, que n&#227;o est&#225; necessariamente conectada ao circuito (seja de cinema, TV ou DVD). Ele viaja no seu imagin&#225;rio e, se o jornal banca uma p&#225;gina inteira como material de leitura, no fim de semana, &#233; porque deve ter p&#250;blico, &#243; xente. Neste s&#225;bado, o jornalista abordou, sob o t&#237;tulo 'Mist&#233;rios Inexplicados de Uma Narrativa', outro filme que me interessa particularmente - 'O Tesouro do Barba Rubra' (Moonfleet), de Fritz Lang. Em Paris, o Action Christine exibia, em suas duas salas, uma retrospectiva de Lang e outra de com&#233;dias rom&#226;nticas. Por uma quest&#227;o de hor&#225;rio, assisti a filmes de George Stevens e Ernst Lubitsch e at&#233; revi 'Le Tombau Indien', segunda parte de 'O Tigre da &#205;ndia', de Lang, quando queria ter revisto 'Moonfleet'. Vi o filme com Stewart Granger quando garoto, e era s&#243; uma aventura de pirataria (mais uma) para mim. No seu livro sobre o grande diretor, 'Fritz Lang in America', Peter Bogdanovich p&#245;e 'O Tesouro do Barba Rubra' nas nuvens, destacando o relato g&#243;tico - e noturno - como um daqueles pesadelos em que Lang era mestre, ao criar. Pois bem, em Ouro Preto, descobri a loja da editora da UFMG, a Universidade Federal de Minas Gerais e nela uma cole&#231;&#227;o com v&#225;rios volumes. 'A Inf&#226;ncia Vai ao Cinema', 'A Mulher...' S&#227;o livros de ensaios. Comprei o livro da inf&#226;ncia justamente porque, na contracapa, entre os filmes citados, descobri que estava 'O Tesouro'. Li o texto de um cr&#237;tico espanhol, Carlos Llosada - acho que &#233; isso -, e achei muito bacana. Ele faz uma leitura atravessada que muito me atraiu. De acordo com ela, o filme de Lang tem seu oposto, mas tamb&#233;m complemento, num Minnelli que adoro, 'Papai Precisa Casar' (The Courtship of Eddie's Father). Amanh&#227;, embarco para Berlim e, na volta, espero ficar mais dois ou tr&#234;s dias em Paris, para ver Isabelle Huppert como Blanche Dubvois no teatro. Duvido que a retrospectiva de Lang ainda esteja rodando, mas bem que adoraria (re)ver 'Moonfleet'. N&#227;o vou ficar recomendando que voc&#234;s baixem o filme na internet, porque n&#227;o pega bem, mas, para bom entendedor, meia palavra basta.
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			<title>Cabe&#231;a de Oscar?</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=cabeca_de_oscar&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Mon,  8 Feb 2010 13:48:54 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58945@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>At&#233; agora n&#227;o olhei direito a lista de indicados para o Oscar e, por isso mesmo, tenho trocado os p&#233;s pela m&#227;o em certas observa&#231;&#245;es. mas a verdade &#233; que, no fundo, n&#227;o ligo muito pro tal maior pr&#234;mio do mundo, at&#233; porque nunca estou em sintonia com os acad&#234;micos. &#201; raro eu acertar as indica&#231;&#245;es e, menos ainda, os vitoriosos. Por exemplo, a Miss Avon, Reese Whiterspoon, foi melhor atriz por 'Johnny e June'. Com  meu voto, ela n&#227;o seria nunca. At&#233; agora, n&#227;o fiz nenhum coment&#225;rio sobre uma categoria que me interessa especialmente, a de melhor filme estrangeiro. Vou misturar dois racioc&#237;nios. Integrei certa vez a comiss&#227;o que escolhe o representante brasileiro. Foi no ano em que 'Abril Despeda&#231;ado' foi indicado e uma revista semanal fez a grande den&#250;ncia sobre a 'conspira&#231;&#227;o' para indicar o filme de Walter Salles. Justamente naquele ano havia sido voto vencido porque meu candidato era 'Bicho de Sete Cabe&#231;as', que talvez tamb&#233;m n&#227;o tivesse concorrido ao pr&#234;mio da Academia de Hollywood, mas teria me deixado muito mais contente. Todo ano, &#233; sempre a mesma ladainha. A comiss&#227;o brasileira tenta pensar com a cabe&#231;a do Oscar, seja l&#225; o que isso representa. Eu acho que a gente tem de escolher o melhor, o mais representativo, e f...-se. Entre os indicados deste ano est&#225; 'La Teta Asustada', de Claudia Llosa. Decididamente, n&#227;o tem cara de Oscar, seja l&#225; qual seja, mas est&#225; entre os cinco. Os demais indicados s&#227;o - 'A Fita Branca', de Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro no ano passado; 'Un Proph&#232;te', de Jacques Audiard, que eu amo e pelo qual vou torcer, mesmo que, como filme de g&#226;ngsteres, por mais forte (e interessante, inovador) que seja seu recorte, possa dar a impress&#227;o de percorrer um territ&#243;rio j&#225; mapeado por Hollywood; o israelense 'Ajami', que teve apoio do World Fund do Festival de Berlim ('La Teta' ganhou o Urso em 2009, n&#227;o se esque&#231;am); e, finalmente, o argentino 'O Segredo de Seus Olhos', de Juan Jos&#233; Campanella, do qual gostei bastante, quando o vi no Festival do Rio, no ano passado. O pr&#243;prio Campanella estava no Rio e fiz uma entrevista longa com ele, conversando sobre 'O Filho da Noiva', que j&#225; lhe valera uma indica&#231;&#227;o para o pr&#234;mio da academia - e o assunto, claro, tamb&#233;m foram as possibilidades do novo filme este ano -, al&#233;m de falarmos sobre sua atividade como diretor de 'House'. Pelo que entendi, ele soube da indica&#231;&#227;o justamente no set de 'House', quando dirigia mais um epis&#243;dio da s&#233;rie com Hugh Lurie, nos EUA. O legal &#233; que a lista de indicados da categoria neste ano &#233; muito boa. Num certo sentido, o concorrente mais tradicional &#233; o argentino, que se baseia no livro 'La Pregunta de Sus Ojos', de Eduardo Sacheri, sobre aposentado do Tribunal Penal (Ricardo Dar&#237;n) que decide escrever um romance baseado num caso de assassinato que o perturba h&#225; mais de 25 anos. Misturando romance e suspense, Campanella cria um s&#243;lido - e sombrio - exemplar de cinema de g&#234;nero e o filme carrega um subtexto pol&#237;tico perturbador sobre os anos de chumbo no pa&#237;s vizinho. Vi que o cartaz de 'O Segredo de Seus Olhos' j&#225; est&#225; em exposi&#231;&#227;o no Arteplex, mas n&#227;o creio que v&#225; estrear antes do Oscar. Tomara que sim. 'A Fita Branca' j&#225; entra sexta. E o 'Profeta'? Sinceramente, n&#227;o sei. Algu&#233;m me d&#225; not&#237;cias do filme de Audiard?</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>At&#233; agora n&#227;o olhei direito a lista de indicados para o Oscar e, por isso mesmo, tenho trocado os p&#233;s pela m&#227;o em certas observa&#231;&#245;es. mas a verdade &#233; que, no fundo, n&#227;o ligo muito pro tal maior pr&#234;mio do mundo, at&#233; porque nunca estou em sintonia com os acad&#234;micos. &#201; raro eu acertar as indica&#231;&#245;es e, menos ainda, os vitoriosos. Por exemplo, a Miss Avon, Reese Whiterspoon, foi melhor atriz por 'Johnny e June'. Com  meu voto, ela n&#227;o seria nunca. At&#233; agora, n&#227;o fiz nenhum coment&#225;rio sobre uma categoria que me interessa especialmente, a de melhor filme estrangeiro. Vou misturar dois racioc&#237;nios. Integrei certa vez a comiss&#227;o que escolhe o representante brasileiro. Foi no ano em que 'Abril Despeda&#231;ado' foi indicado e uma revista semanal fez a grande den&#250;ncia sobre a 'conspira&#231;&#227;o' para indicar o filme de Walter Salles. Justamente naquele ano havia sido voto vencido porque meu candidato era 'Bicho de Sete Cabe&#231;as', que talvez tamb&#233;m n&#227;o tivesse concorrido ao pr&#234;mio da Academia de Hollywood, mas teria me deixado muito mais contente. Todo ano, &#233; sempre a mesma ladainha. A comiss&#227;o brasileira tenta pensar com a cabe&#231;a do Oscar, seja l&#225; o que isso representa. Eu acho que a gente tem de escolher o melhor, o mais representativo, e f...-se. Entre os indicados deste ano est&#225; 'La Teta Asustada', de Claudia Llosa. Decididamente, n&#227;o tem cara de Oscar, seja l&#225; qual seja, mas est&#225; entre os cinco. Os demais indicados s&#227;o - 'A Fita Branca', de Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro no ano passado; 'Un Proph&#232;te', de Jacques Audiard, que eu amo e pelo qual vou torcer, mesmo que, como filme de g&#226;ngsteres, por mais forte (e interessante, inovador) que seja seu recorte, possa dar a impress&#227;o de percorrer um territ&#243;rio j&#225; mapeado por Hollywood; o israelense 'Ajami', que teve apoio do World Fund do Festival de Berlim ('La Teta' ganhou o Urso em 2009, n&#227;o se esque&#231;am); e, finalmente, o argentino 'O Segredo de Seus Olhos', de Juan Jos&#233; Campanella, do qual gostei bastante, quando o vi no Festival do Rio, no ano passado. O pr&#243;prio Campanella estava no Rio e fiz uma entrevista longa com ele, conversando sobre 'O Filho da Noiva', que j&#225; lhe valera uma indica&#231;&#227;o para o pr&#234;mio da academia - e o assunto, claro, tamb&#233;m foram as possibilidades do novo filme este ano -, al&#233;m de falarmos sobre sua atividade como diretor de 'House'. Pelo que entendi, ele soube da indica&#231;&#227;o justamente no set de 'House', quando dirigia mais um epis&#243;dio da s&#233;rie com Hugh Lurie, nos EUA. O legal &#233; que a lista de indicados da categoria neste ano &#233; muito boa. Num certo sentido, o concorrente mais tradicional &#233; o argentino, que se baseia no livro 'La Pregunta de Sus Ojos', de Eduardo Sacheri, sobre aposentado do Tribunal Penal (Ricardo Dar&#237;n) que decide escrever um romance baseado num caso de assassinato que o perturba h&#225; mais de 25 anos. Misturando romance e suspense, Campanella cria um s&#243;lido - e sombrio - exemplar de cinema de g&#234;nero e o filme carrega um subtexto pol&#237;tico perturbador sobre os anos de chumbo no pa&#237;s vizinho. Vi que o cartaz de 'O Segredo de Seus Olhos' j&#225; est&#225; em exposi&#231;&#227;o no Arteplex, mas n&#227;o creio que v&#225; estrear antes do Oscar. Tomara que sim. 'A Fita Branca' j&#225; entra sexta. E o 'Profeta'? Sinceramente, n&#227;o sei. Algu&#233;m me d&#225; not&#237;cias do filme de Audiard?
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			<title>'Winchester 53'?</title>
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			<pubDate>Mon,  8 Feb 2010 12:53:31 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58938@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>Pedro Ferreira me puxa a orelha, e com toda raz&#227;o. Observa que, na coluna de Filmes na TV do 'Caderno 2', reintitulei o western 'Winchester 73', do grande Anthony Mann, como 'Winchester 53'. Pedro tem toda raz&#227;o e n&#227;o h&#225; como me defender, mas o curioso &#233; que havia escrito certo, mas a&#237;, ao colocar a data da produ&#231;&#227;o, 1950, fiz sei l&#225; que confus&#227;o na minha cabe&#231;a e resolvi corrigir o n&#250;mero da Winchester. Um a zero para o Pedro. J&#225; o Marcos Sampaio, que tamb&#233;m me cobrou uma informa&#231;&#227;o sobre outro filme, ou diretor, n&#227;o tem raz&#227;o. Na entrevista com Elia Suleiman, tamb&#233;m no 'Caderno 2', disse que 'Interven&#231;&#227;o Divina' n&#227;o havia sido aceito como candidato ao Oscar porque a academia n&#227;o reconhecia a Palestina como pa&#237;s. Foi justamente a pol&#234;mica originada pela decis&#227;o que possibilitou, acho que tr&#234;s ou quatro anos mais tarde, que 'Paradise Now' concorresse ao pr&#234;mio. Quem me acompanha sabe que amo o filme de Hany Abu Assad, que me forneceu um complemento indispens&#225;vel para o 'Munique' de Spielberg. Muito me surpreendeu, tenho de admitir, descobrir recentemente que Abu Assad vai adaptar o Paulo Coelho, j&#225; tendo feito inclusive pesquisa de loca&#231;&#245;es no Brasil (no Rio). N&#227;o sei se j&#225; filmou, mas, enfim, fica sa&#243; o registro, porque o tema do post n&#227;o era esse. Queria s&#243; esclarecer os pontos com o Pedro e o Marcos, semopre muito bem-vindos aqui no blog.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Pedro Ferreira me puxa a orelha, e com toda raz&#227;o. Observa que, na coluna de Filmes na TV do 'Caderno 2', reintitulei o western 'Winchester 73', do grande Anthony Mann, como 'Winchester 53'. Pedro tem toda raz&#227;o e n&#227;o h&#225; como me defender, mas o curioso &#233; que havia escrito certo, mas a&#237;, ao colocar a data da produ&#231;&#227;o, 1950, fiz sei l&#225; que confus&#227;o na minha cabe&#231;a e resolvi corrigir o n&#250;mero da Winchester. Um a zero para o Pedro. J&#225; o Marcos Sampaio, que tamb&#233;m me cobrou uma informa&#231;&#227;o sobre outro filme, ou diretor, n&#227;o tem raz&#227;o. Na entrevista com Elia Suleiman, tamb&#233;m no 'Caderno 2', disse que 'Interven&#231;&#227;o Divina' n&#227;o havia sido aceito como candidato ao Oscar porque a academia n&#227;o reconhecia a Palestina como pa&#237;s. Foi justamente a pol&#234;mica originada pela decis&#227;o que possibilitou, acho que tr&#234;s ou quatro anos mais tarde, que 'Paradise Now' concorresse ao pr&#234;mio. Quem me acompanha sabe que amo o filme de Hany Abu Assad, que me forneceu um complemento indispens&#225;vel para o 'Munique' de Spielberg. Muito me surpreendeu, tenho de admitir, descobrir recentemente que Abu Assad vai adaptar o Paulo Coelho, j&#225; tendo feito inclusive pesquisa de loca&#231;&#245;es no Brasil (no Rio). N&#227;o sei se j&#225; filmou, mas, enfim, fica sa&#243; o registro, porque o tema do post n&#227;o era esse. Queria s&#243; esclarecer os pontos com o Pedro e o Marcos, semopre muito bem-vindos aqui no blog.
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			<title>Mais!</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=mais_1&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Sun,  7 Feb 2010 15:46:03 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58900@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>Cheguei ontem &#224; tarde e, em casa, zapeando na TV paga, vi que havia um Minnelli na rede Telecine. 'Um Amor do Outro Mundo' (Goodbye, Charlie), de 1964. A com&#233;dia com Tony Curtis e Debbie Reynolds se situa entre dois filmes do diretor que me agradam mais - 'Papai Precisa Casar', com o menino Ron Howard, e 'Adeus &#224;s Ilus&#245;es' (The Sandpiper), com o casal Burton/Taylor. N&#227;o resisti e fiquei vendo, mas j&#225; estava terminando. Sa&#237; e peguei uma condu&#231;&#227;o para o centro. Mal desci do &#244;nibus e desabou o mundo. Corri para uma marquise e fiquei mais de uma hora vendo o mundo passar e a &#225;gua cair. Eh, S&#227;o Paulo... &#192; noite, fui rever 'Nine'. N&#227;o quero polemizar com o Silva e muito menos com meu colega Ubiratan Brasil, o Bira, que deu de ver o musical pela cartilha da dupla Muller/Botelho, Deus me livre! Mas eu gostei ainda mais de 'Nine'. Marion Cotillard &#233; uma loucura, Daniel Day-Lewis &#233; um arraso e alguns n&#250;meros  musicais tocam a perfei&#231;&#227;o, entre eles, claro, o de Saraghina, com Fergie. Para mim, o filme funciona (muito) e Rob Marshall, sob certos aspectos, vai adiante do pr&#243;prio Fellini, porque seu musical, mesmo pegando carona em 'Oito e Meio', como a pe&#231;a que lhe deu origem, tem recuo para falar sobre a totalidade do autor italiano, que morreu h&#225; quase dez anos (1991). H&#225; uma discuss&#227;o muito interessante sobre a moralidade do artista, e n&#227;o apenas dele, que pode ser aplicada aos personagens fellinianos de 'Os Boas Vidas', 'A Estrada da Vida', 'A Trapa&#231;a', 'A Doce Vida' etc. Confesso que a revis&#227;o do filme me trouxe uma descoberta - Sophia Loren. N&#227;o havia captado a sutileza daquela mamma e o que a persona de Sophia lhe acrescenta, mas quando o menino pula na grua com Daniel Day-Lewis e o aparelho descreve aquele movimento eu estava em &#234;xtase. Tive a mesma sensa&#231;&#227;o de euforia que experimentei ao ver 'Nine' pela primeira vez em Santa Monika, no come&#231;o de janeiro. Ali&#225;s, maior. Queria mais. Revi 'Nine' na &#250;ltima sess&#227;o de ontem do Espa&#231;o Unibanco. Se come&#231;asse outra sess&#227;o em seguida, teriam de me expulsar da sala. Queria ver tudo de novo.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Cheguei ontem &#224; tarde e, em casa, zapeando na TV paga, vi que havia um Minnelli na rede Telecine. 'Um Amor do Outro Mundo' (Goodbye, Charlie), de 1964. A com&#233;dia com Tony Curtis e Debbie Reynolds se situa entre dois filmes do diretor que me agradam mais - 'Papai Precisa Casar', com o menino Ron Howard, e 'Adeus &#224;s Ilus&#245;es' (The Sandpiper), com o casal Burton/Taylor. N&#227;o resisti e fiquei vendo, mas j&#225; estava terminando. Sa&#237; e peguei uma condu&#231;&#227;o para o centro. Mal desci do &#244;nibus e desabou o mundo. Corri para uma marquise e fiquei mais de uma hora vendo o mundo passar e a &#225;gua cair. Eh, S&#227;o Paulo... &#192; noite, fui rever 'Nine'. N&#227;o quero polemizar com o Silva e muito menos com meu colega Ubiratan Brasil, o Bira, que deu de ver o musical pela cartilha da dupla Muller/Botelho, Deus me livre! Mas eu gostei ainda mais de 'Nine'. Marion Cotillard &#233; uma loucura, Daniel Day-Lewis &#233; um arraso e alguns n&#250;meros  musicais tocam a perfei&#231;&#227;o, entre eles, claro, o de Saraghina, com Fergie. Para mim, o filme funciona (muito) e Rob Marshall, sob certos aspectos, vai adiante do pr&#243;prio Fellini, porque seu musical, mesmo pegando carona em 'Oito e Meio', como a pe&#231;a que lhe deu origem, tem recuo para falar sobre a totalidade do autor italiano, que morreu h&#225; quase dez anos (1991). H&#225; uma discuss&#227;o muito interessante sobre a moralidade do artista, e n&#227;o apenas dele, que pode ser aplicada aos personagens fellinianos de 'Os Boas Vidas', 'A Estrada da Vida', 'A Trapa&#231;a', 'A Doce Vida' etc. Confesso que a revis&#227;o do filme me trouxe uma descoberta - Sophia Loren. N&#227;o havia captado a sutileza daquela mamma e o que a persona de Sophia lhe acrescenta, mas quando o menino pula na grua com Daniel Day-Lewis e o aparelho descreve aquele movimento eu estava em &#234;xtase. Tive a mesma sensa&#231;&#227;o de euforia que experimentei ao ver 'Nine' pela primeira vez em Santa Monika, no come&#231;o de janeiro. Ali&#225;s, maior. Queria mais. Revi 'Nine' na &#250;ltima sess&#227;o de ontem do Espa&#231;o Unibanco. Se come&#231;asse outra sess&#227;o em seguida, teriam de me expulsar da sala. Queria ver tudo de novo.
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			<title>Na rede</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=na_rede&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Sat,  6 Feb 2010 11:32:59 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58882@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>BELO HORIZONTE - Preciso tomar caf&#233; e arrumar a mala, o que deixo sempre para a &#250;ltima hora, mas n&#227;o resisto a mais um post. Ao falar sobre o filme de Coutinho no post anterior, n&#227;o me vinha o t&#237;tulo e eu tive de entrar na rede, numa pesquisa, para me lembrar de 'Moscou'. Encontrei a dica - Eduardo Coutinho est&#225; no Facebook. Este &#233; um territ&#243;rio estranho para mim, mas fica a informa&#231;&#227;o (que muitos de voc&#234;s j&#225; devem saber). Ao redigir a entrevista de Bong Joon-ho que est&#225; hoje no 'Caderno 2', falei nos dois filmes sul-coreanos que participavam da sele&#231;&#227;o oficial de Cannes no ano passado. O concorrente era assinado por Park Chan-wook, diretor da trilogia da vingan&#231;a. Escrevi 'Thirsty' e me bateu que n&#227;o era - &#233; 'Thirst'. Tamb&#233;m precisei pesquisar na rede e descobri o site de Park Chan-wook. Voc&#234;s conhecem? Quem for tiete do diretor, n&#227;o sabe o que est&#225; perdendo...</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>BELO HORIZONTE - Preciso tomar caf&#233; e arrumar a mala, o que deixo sempre para a &#250;ltima hora, mas n&#227;o resisto a mais um post. Ao falar sobre o filme de Coutinho no post anterior, n&#227;o me vinha o t&#237;tulo e eu tive de entrar na rede, numa pesquisa, para me lembrar de 'Moscou'. Encontrei a dica - Eduardo Coutinho est&#225; no Facebook. Este &#233; um territ&#243;rio estranho para mim, mas fica a informa&#231;&#227;o (que muitos de voc&#234;s j&#225; devem saber). Ao redigir a entrevista de Bong Joon-ho que est&#225; hoje no 'Caderno 2', falei nos dois filmes sul-coreanos que participavam da sele&#231;&#227;o oficial de Cannes no ano passado. O concorrente era assinado por Park Chan-wook, diretor da trilogia da vingan&#231;a. Escrevi 'Thirsty' e me bateu que n&#227;o era - &#233; 'Thirst'. Tamb&#233;m precisei pesquisar na rede e descobri o site de Park Chan-wook. Voc&#234;s conhecem? Quem for tiete do diretor, n&#227;o sabe o que est&#225; perdendo...
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			<title>Processos</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=processos&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Sat,  6 Feb 2010 11:19:18 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58880@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>BELO HORIZONTE - Daqui a pouco, o motorista passa no hotel e leva a gente para o aeroporto de Confins. Ciao, Minas. Acrescentei o post anterior, enorme, na expectativa de que algumas pessoas - muitas! - ficassem com vontade conhecer o Topo do mundo e a capelinha de Nossa Senhora do &#211;, rel&#237;quia mineira e tesouro da humanidade. O jantar de ontem foi delicioso. Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna nos levaram a um restaurante italiano no bairro Sagrado Fam&#237;lia - Osteria? Orat&#243;rio? -, um lugar muito simples por fora, mas que por dentro &#233; um luxo. E a comida? Deliciosa! Del&#237;cia tamb&#233;m foi a prosa. Fernanda e Rodolfo s&#227;o atores do Galp&#227;o e participaram do filme de Eduardo Coutinho com o grupo mineiro de teatro. Adoraram a experi&#234;ncia. Ouvi as hist&#243;rias de bastidores e me bateu uma vontade danada de correr a rever 'Moscou', at&#233; porque, com todas as qualidades que possa ter, me parece um Coutinho falho. Em todos os encontros - falo em todos, mas foram s&#243; dois -, Coutinho me passava um sentimento de d&#250;vida como nunca senti em rela&#231;&#227;o a seu trabalho. Ele cortou o Rodolfo do filme, como cortou outros atores do grupo. Fernanda, pelo contr&#225;rio, resplandece. &#201; uma atriz talentosa, com forma&#231;&#227;o de bailarina, sobrinha do lend&#225;rio Klauss Vianna, e uma mulher muito bonita. Esse Rodolfo n&#227;o &#233; mole! 'Moscou' mostra, mesmo que n&#227;o seja um making of, o processo do Galp&#227;o preparando uma montagem de 'As Tr&#234;s Irm&#227;s'. A pe&#231;a, e Chekhov, n&#227;o fazem parte do repert&#243;rio do grupo e espero n&#227;o criar nenhum constrangimento para ningu&#233;m - n&#227;o me lembro de ter conversado sobre isso com Coutinho -, mas quem ia dirigir a pe&#231;a dentro do filme era Bia Lessa e, como Enrique Diaz, o nome de Gabriel Villela tamb&#233;m foi jogado na mesa. J&#225; que se tratava de uma experi&#234;ncia nova, Enrique foi o escolhido (Gabriel j&#225; trabalhara com o grupo). Na hora de dormir, fiquei meio que devaneando. Se fosse outro o diretor de 'As Tr&#234;s Irm&#227;s' em 'Moscou', o filme teria mudado? E o que teria mudado? Insisto que estou morrendo de vontade de rever 'Moscou'. De volta a nossos amigos, &#224; tarde, no carro, Rodolfo Vaz nos contara sua experi&#234;ncia como jogador de futebol do Cruzeiro - foi lateral - e a liga&#231;&#227;o com o clube, que permanece. Seu filho, Lucas, de 12 anos, &#233; bom de bola e tamb&#233;m ia seguir carreira no futebol - aonde mais, sen&#227;o no Cruzeiro? -, mas agora o guri descobriu a street dance e est&#225; dividido. Nunca tive desejo de fazer um filme, e continuo n&#227;o tendo. Minha praia no cinema &#233; outra. Mas, nessas andan&#231;as por Minas, tudo vira filme para mim. Este post j&#225; teria dado uns tr&#234;s filmes. Quais?</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>BELO HORIZONTE - Daqui a pouco, o motorista passa no hotel e leva a gente para o aeroporto de Confins. Ciao, Minas. Acrescentei o post anterior, enorme, na expectativa de que algumas pessoas - muitas! - ficassem com vontade conhecer o Topo do mundo e a capelinha de Nossa Senhora do &#211;, rel&#237;quia mineira e tesouro da humanidade. O jantar de ontem foi delicioso. Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna nos levaram a um restaurante italiano no bairro Sagrado Fam&#237;lia - Osteria? Orat&#243;rio? -, um lugar muito simples por fora, mas que por dentro &#233; um luxo. E a comida? Deliciosa! Del&#237;cia tamb&#233;m foi a prosa. Fernanda e Rodolfo s&#227;o atores do Galp&#227;o e participaram do filme de Eduardo Coutinho com o grupo mineiro de teatro. Adoraram a experi&#234;ncia. Ouvi as hist&#243;rias de bastidores e me bateu uma vontade danada de correr a rever 'Moscou', at&#233; porque, com todas as qualidades que possa ter, me parece um Coutinho falho. Em todos os encontros - falo em todos, mas foram s&#243; dois -, Coutinho me passava um sentimento de d&#250;vida como nunca senti em rela&#231;&#227;o a seu trabalho. Ele cortou o Rodolfo do filme, como cortou outros atores do grupo. Fernanda, pelo contr&#225;rio, resplandece. &#201; uma atriz talentosa, com forma&#231;&#227;o de bailarina, sobrinha do lend&#225;rio Klauss Vianna, e uma mulher muito bonita. Esse Rodolfo n&#227;o &#233; mole! 'Moscou' mostra, mesmo que n&#227;o seja um making of, o processo do Galp&#227;o preparando uma montagem de 'As Tr&#234;s Irm&#227;s'. A pe&#231;a, e Chekhov, n&#227;o fazem parte do repert&#243;rio do grupo e espero n&#227;o criar nenhum constrangimento para ningu&#233;m - n&#227;o me lembro de ter conversado sobre isso com Coutinho -, mas quem ia dirigir a pe&#231;a dentro do filme era Bia Lessa e, como Enrique Diaz, o nome de Gabriel Villela tamb&#233;m foi jogado na mesa. J&#225; que se tratava de uma experi&#234;ncia nova, Enrique foi o escolhido (Gabriel j&#225; trabalhara com o grupo). Na hora de dormir, fiquei meio que devaneando. Se fosse outro o diretor de 'As Tr&#234;s Irm&#227;s' em 'Moscou', o filme teria mudado? E o que teria mudado? Insisto que estou morrendo de vontade de rever 'Moscou'. De volta a nossos amigos, &#224; tarde, no carro, Rodolfo Vaz nos contara sua experi&#234;ncia como jogador de futebol do Cruzeiro - foi lateral - e a liga&#231;&#227;o com o clube, que permanece. Seu filho, Lucas, de 12 anos, &#233; bom de bola e tamb&#233;m ia seguir carreira no futebol - aonde mais, sen&#227;o no Cruzeiro? -, mas agora o guri descobriu a street dance e est&#225; dividido. Nunca tive desejo de fazer um filme, e continuo n&#227;o tendo. Minha praia no cinema &#233; outra. Mas, nessas andan&#231;as por Minas, tudo vira filme para mim. Este post j&#225; teria dado uns tr&#234;s filmes. Quais?
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			<title>Mexam-se!</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=mexam_se&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Sat,  6 Feb 2010 10:42:31 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58879@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>BELO HORIZONTE - Preparem-se que o post vai ser longo, e sem par&#225;grafos. E de in&#237;cio, um esclarecimento. Escrevi este post ontem &#224; noite, sexta, enquanto aguardava, no lobby do hotel, a chegada de meus amigos, os atores Rodfolfo Vaz e Fernanda Vianna, para jantarmos. N&#227;o consegui salv&#225;-lo no blog e, por via das d&#250;vidas, copiei como e-mail para mim, para tentar postar mais tarde, o que fa&#231;o somente agora, j&#225; na manh&#227; de s&#225;bado. Vamos ao post.
Quantos dias sem dar not&#237;cias? Desde que deixei Ouro Preto, na segunda-feira, sem conseguir validar os coment&#225;rios que estavam chegando... Viemos, meu amigo Dib Carneiro e eu, para BH. No caminho, passamos por Sabar&#225; e eu pude rever a capelinha de Nossa Senhora do &#211;, que conheci h&#225; 34 anos, por a&#237;. Brinquei com a funcion&#225;ria que tomava conta do local - ela n&#227;o era nascida, quando l&#225; estive pela primeira vez. E n&#227;o era mesmo. Vi coisas bel&#237;ssimas nessa viagem a Minas, mas nada, nem a estatu&#225;ria do Aleijadinho em Congonhas do Campo nem as pinturas de mestre Ata&#237;de em OP, supera o impacto que, para mim, tem essa mistura rara de barroco mineiro e 'chinesice' que &#233; a capelinha do &#211;. Quando me despedi dela, jovem ainda, achei que nunca mais voltaria. Nunca mais &#233; uma palavra muito dura, ainda mais para quem, como eu, mesmo atra&#237;do pelas descobertas, gosta sempre de retomar velhos caminhos, velhos lugares. Na minha vida, estou sempre querendo voltar aos lugares que me marcaram, e tenho conseguido. Assisti a um filme, 'O Fim da Escurid&#227;o', a outro filme, 'High School Musical - O Desafio', e a uma pe&#231;a, 'Chico Rosa', aqui na capital de Minas. Pretendo falar sobre todos, mas agora quero relatar um pouco o que foi meu dia de hoje. Desde o tempo de 'Salmo 91', e atrav&#233;s de Gabriel Villela, Dib Carneiro fez amizade com uma mineirada bacana. Quer&#237;amos ir a Inhotim e Rodolfo Vaz, o grande ator do Galp&#227;o que venceu o Shell pelo 'Salmo 91', nos levou de carro. Rodolfo fez n&#227;o sei se o caminho mais longo, mas o mais belo, com certeza. Fomos pela Serra da Moeda, passando pelo restaurante que &#233; ponto de largada para v&#244;os livres. O restaurante tem o sugestivo nome de Topo do Mundo. Na ida para Tiradentes, na van da Mostra, acho que escandalizei meus companheiros de viagem. Sou um cara 100% urbano, n&#227;o curto serra nem mar. Olho uma vista bonita, registro o que vi e pronto. Hoje, queria que todo o povo daquela van estivesse no Topo do Mundo comigo - ave, James Cameron! - para viajar naquela imensid&#227;o de verdes. Um mundar&#233;u de serras sem fim, diferente das coxilhas e lhanuras do Rio Grande. E a descida da Serra da Moeda, rumo a Inhotim, teve direito a trilha sonora do grupo Uakti. Rodolfo caprichou no translado. E ele ainda contava hist&#243;rias de teatro e cinema. Rodolfo foi ator de 'As Tenta&#231;&#245;es do Irm&#227;o Sebasti&#227;o', de Jos&#233; Ara&#250;jo e contou hist&#243;rias da filmagem, epis&#243;dios dignos de Werner Herzog em seus momentos mais delirantes. O filme trabalha com sincretismo religioso e o diretor Jos&#233; Ara&#250;jo rodou cenas inteiras com m&#233;diuns incorporados com as entidades do candombl&#233;, como se estivessem em transe hipn&#243;tico. N&#227;o me sinto autorizado aqui a repetir aqueles relatos, muitos deles bastante &#237;ntimos sobre pessoas que n&#227;o conhe&#231;o, mas o Rodolfo falava e eu ia visualizando os filmes, como se tudo aquilo fosse um cinema falado. Quantos filmes ele nos contou? Pelo estranhamenmto, seriam programas para o pr&#243;ximo Festival de Tiradentes... Inhotim foi uma descoberta. Jotab&#234; Medeiros fez uma mat&#233;ria de den&#250;ncia no 'Caderno 2', coisas de verbas, favorecimentos, mas o que Inhotim oferece n&#227;o est&#225; no gibi. Os pavilh&#245;es montados no meio da mata encerram experi&#234;ncias audiovisuais &#250;nicas. Voc&#234; j&#225; pensou em ouvir o som da terra? V&#225; a Inhotim. Aproveite e ou&#231;a a trilha que Steve McQueen, hom&#244;nimo do astro de 'Bullitt' e diretor de 'Hunger', criou para imagens que a Nasa selecionou para lan&#231;ar ao espa&#231;o, como cartas a outras civiliza&#231;&#245;es, com testemunhos sobre a ra&#231;a humana. Minha imagina&#231;&#227;o come&#231;ou a funcionar. Alguns pavilh&#245;es s&#227;o t&#227;o futuristas que poderiam servir de cen&#225;rio para as aventuras de James Bond. Eu j&#225; via o Daniel Craig solto por ali, batendo e arrebentando. De volta ao hotel, vou jantar daqui a pouco com Rodolfo Vaz e sua mulher, a atriz Fernanda Vianna, que acaba de fazer uma participa&#231;&#227;o no novo filme de Eryk Rocha. Espero ouvir muitas mais hist&#243;rias de cinema. Amanh&#227;, volto para S&#227;o Paulo, mas ser&#225; por pouco tempo. Na ter&#231;a. j&#225; estarei voando para Berlim. Embora oficialmente em f&#233;rias, n&#227;o deixei de fazer os filmes na TV do 'Caderno 2' nem numerosas entrevistas. Entre outras, com Elia Suleiman, diretor de 'The Time That Remains', no 'Caderno 2' de hoje, e Bong Joon-ho, de 'Mother', no de amanh&#227;. N&#227;o percam o filme de Suleiman nem o de Joon-ho. Haviam dois filmes sul-coreanos no Festival de Cannes do ano passado. O melhor, o de Joon-ho, estava na mostra Un Certain REgard. Uma hist&#243;ria sobre maternidade levada a extremos, estrelada por Kim Hye-jo (ou ja?), a Fernanda Montenegro da Coreia do Sul, famosa por seus pap&#233;is de m&#227;e, mas que nunca fez uma hero&#237;na como a desse filme forte, raro e, no desfecho,sombrio. E a&#237;? Mexam-se! Saiam de casa para ver Suleiman e Joon-ho. Vai ser bom...</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>BELO HORIZONTE - Preparem-se que o post vai ser longo, e sem par&#225;grafos. E de in&#237;cio, um esclarecimento. Escrevi este post ontem &#224; noite, sexta, enquanto aguardava, no lobby do hotel, a chegada de meus amigos, os atores Rodfolfo Vaz e Fernanda Vianna, para jantarmos. N&#227;o consegui salv&#225;-lo no blog e, por via das d&#250;vidas, copiei como e-mail para mim, para tentar postar mais tarde, o que fa&#231;o somente agora, j&#225; na manh&#227; de s&#225;bado. Vamos ao post.<br />
Quantos dias sem dar not&#237;cias? Desde que deixei Ouro Preto, na segunda-feira, sem conseguir validar os coment&#225;rios que estavam chegando... Viemos, meu amigo Dib Carneiro e eu, para BH. No caminho, passamos por Sabar&#225; e eu pude rever a capelinha de Nossa Senhora do &#211;, que conheci h&#225; 34 anos, por a&#237;. Brinquei com a funcion&#225;ria que tomava conta do local - ela n&#227;o era nascida, quando l&#225; estive pela primeira vez. E n&#227;o era mesmo. Vi coisas bel&#237;ssimas nessa viagem a Minas, mas nada, nem a estatu&#225;ria do Aleijadinho em Congonhas do Campo nem as pinturas de mestre Ata&#237;de em OP, supera o impacto que, para mim, tem essa mistura rara de barroco mineiro e 'chinesice' que &#233; a capelinha do &#211;. Quando me despedi dela, jovem ainda, achei que nunca mais voltaria. Nunca mais &#233; uma palavra muito dura, ainda mais para quem, como eu, mesmo atra&#237;do pelas descobertas, gosta sempre de retomar velhos caminhos, velhos lugares. Na minha vida, estou sempre querendo voltar aos lugares que me marcaram, e tenho conseguido. Assisti a um filme, 'O Fim da Escurid&#227;o', a outro filme, 'High School Musical - O Desafio', e a uma pe&#231;a, 'Chico Rosa', aqui na capital de Minas. Pretendo falar sobre todos, mas agora quero relatar um pouco o que foi meu dia de hoje. Desde o tempo de 'Salmo 91', e atrav&#233;s de Gabriel Villela, Dib Carneiro fez amizade com uma mineirada bacana. Quer&#237;amos ir a Inhotim e Rodolfo Vaz, o grande ator do Galp&#227;o que venceu o Shell pelo 'Salmo 91', nos levou de carro. Rodolfo fez n&#227;o sei se o caminho mais longo, mas o mais belo, com certeza. Fomos pela Serra da Moeda, passando pelo restaurante que &#233; ponto de largada para v&#244;os livres. O restaurante tem o sugestivo nome de Topo do Mundo. Na ida para Tiradentes, na van da Mostra, acho que escandalizei meus companheiros de viagem. Sou um cara 100% urbano, n&#227;o curto serra nem mar. Olho uma vista bonita, registro o que vi e pronto. Hoje, queria que todo o povo daquela van estivesse no Topo do Mundo comigo - ave, James Cameron! - para viajar naquela imensid&#227;o de verdes. Um mundar&#233;u de serras sem fim, diferente das coxilhas e lhanuras do Rio Grande. E a descida da Serra da Moeda, rumo a Inhotim, teve direito a trilha sonora do grupo Uakti. Rodolfo caprichou no translado. E ele ainda contava hist&#243;rias de teatro e cinema. Rodolfo foi ator de 'As Tenta&#231;&#245;es do Irm&#227;o Sebasti&#227;o', de Jos&#233; Ara&#250;jo e contou hist&#243;rias da filmagem, epis&#243;dios dignos de Werner Herzog em seus momentos mais delirantes. O filme trabalha com sincretismo religioso e o diretor Jos&#233; Ara&#250;jo rodou cenas inteiras com m&#233;diuns incorporados com as entidades do candombl&#233;, como se estivessem em transe hipn&#243;tico. N&#227;o me sinto autorizado aqui a repetir aqueles relatos, muitos deles bastante &#237;ntimos sobre pessoas que n&#227;o conhe&#231;o, mas o Rodolfo falava e eu ia visualizando os filmes, como se tudo aquilo fosse um cinema falado. Quantos filmes ele nos contou? Pelo estranhamenmto, seriam programas para o pr&#243;ximo Festival de Tiradentes... Inhotim foi uma descoberta. Jotab&#234; Medeiros fez uma mat&#233;ria de den&#250;ncia no 'Caderno 2', coisas de verbas, favorecimentos, mas o que Inhotim oferece n&#227;o est&#225; no gibi. Os pavilh&#245;es montados no meio da mata encerram experi&#234;ncias audiovisuais &#250;nicas. Voc&#234; j&#225; pensou em ouvir o som da terra? V&#225; a Inhotim. Aproveite e ou&#231;a a trilha que Steve McQueen, hom&#244;nimo do astro de 'Bullitt' e diretor de 'Hunger', criou para imagens que a Nasa selecionou para lan&#231;ar ao espa&#231;o, como cartas a outras civiliza&#231;&#245;es, com testemunhos sobre a ra&#231;a humana. Minha imagina&#231;&#227;o come&#231;ou a funcionar. Alguns pavilh&#245;es s&#227;o t&#227;o futuristas que poderiam servir de cen&#225;rio para as aventuras de James Bond. Eu j&#225; via o Daniel Craig solto por ali, batendo e arrebentando. De volta ao hotel, vou jantar daqui a pouco com Rodolfo Vaz e sua mulher, a atriz Fernanda Vianna, que acaba de fazer uma participa&#231;&#227;o no novo filme de Eryk Rocha. Espero ouvir muitas mais hist&#243;rias de cinema. Amanh&#227;, volto para S&#227;o Paulo, mas ser&#225; por pouco tempo. Na ter&#231;a. j&#225; estarei voando para Berlim. Embora oficialmente em f&#233;rias, n&#227;o deixei de fazer os filmes na TV do 'Caderno 2' nem numerosas entrevistas. Entre outras, com Elia Suleiman, diretor de 'The Time That Remains', no 'Caderno 2' de hoje, e Bong Joon-ho, de 'Mother', no de amanh&#227;. N&#227;o percam o filme de Suleiman nem o de Joon-ho. Haviam dois filmes sul-coreanos no Festival de Cannes do ano passado. O melhor, o de Joon-ho, estava na mostra Un Certain REgard. Uma hist&#243;ria sobre maternidade levada a extremos, estrelada por Kim Hye-jo (ou ja?), a Fernanda Montenegro da Coreia do Sul, famosa por seus pap&#233;is de m&#227;e, mas que nunca fez uma hero&#237;na como a desse filme forte, raro e, no desfecho,sombrio. E a&#237;? Mexam-se! Saiam de casa para ver Suleiman e Joon-ho. Vai ser bom...
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			<title>Socorro!</title>
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			<pubDate>Wed,  3 Feb 2010 11:10:20 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58529@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>OURO PRETO - Havia dito ontem &#224; noite que meu pr&#243;ximo post seria acrescentado de BH, mas n&#227;o. Levantei-me cedo para fazer os filmes na TV de amanh&#227;. Aproveitei e dei uma conferida nos e-mails e n&#227;o estou conseguindo postar coment&#225;rios como o da Xokita, sobre as indica&#231;&#245;es para o Oscar (e para o pr&#234;mio Framboesa). Apareceu para mim aqui uma mudan&#231;a de formata&#231;&#227;o da qual n&#227;o estava informado. Vamos ver do que se trata. Enquanto isso, Xokita e Paulo aguardem, por favor Aproveito para fazer uma retifica&#231;&#227;o. Estava no banho quando me caiu a ficha. 'Vivacious Ladyu', Que Papai n&#227;o Saiba, de George Stevens, com Ginger Rogers, n&#227;o &#233; com Cary Grant e sim, com James Stewart. Assisti ao filme, e tamb&#233;m aos dois de Lubitsch a que me referi no texto, num ciclo sobre com&#233;dias rom&#226;nticas dos anos 1930 e 40, no Action Christine um pequeno cinema de arte da Rive Gauche que &#233; um dos meus favoritos, quando estou em Paris. Tenho de agradecer ao meu trrabalho, que me tem permiotrido viajar tanto, conhecendo o Brasil o mundo e, principalmente, conhecendo gente, que &#233; o que mais importa. Volto s&#225;bado a S&#227;o Paulo - n&#227;o, Xokita, n&#227;o participo de nenhum evento em BH de hoje a sexta. Fico um pouquinho em S&#227;o Paulo e, na ter&#231;a, j&#225; embarco para Berlim. Embora deva ir a Londres para a junkett de 'Alice' - n&#227;o entendo por que tenha de entrevistar Tim Burton e JOhnny Depp na capital inglesa, se ambos estar&#227;o na Berlinale -, espero passar mais dois ou tr&#234;s dias em Paris, onde Isabelle Huppert estreia em fevereiro 'Um Bonde Chamado Desejo', d'apr&#232;s Tennessee Williams.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>OURO PRETO - Havia dito ontem &#224; noite que meu pr&#243;ximo post seria acrescentado de BH, mas n&#227;o. Levantei-me cedo para fazer os filmes na TV de amanh&#227;. Aproveitei e dei uma conferida nos e-mails e n&#227;o estou conseguindo postar coment&#225;rios como o da Xokita, sobre as indica&#231;&#245;es para o Oscar (e para o pr&#234;mio Framboesa). Apareceu para mim aqui uma mudan&#231;a de formata&#231;&#227;o da qual n&#227;o estava informado. Vamos ver do que se trata. Enquanto isso, Xokita e Paulo aguardem, por favor Aproveito para fazer uma retifica&#231;&#227;o. Estava no banho quando me caiu a ficha. 'Vivacious Ladyu', Que Papai n&#227;o Saiba, de George Stevens, com Ginger Rogers, n&#227;o &#233; com Cary Grant e sim, com James Stewart. Assisti ao filme, e tamb&#233;m aos dois de Lubitsch a que me referi no texto, num ciclo sobre com&#233;dias rom&#226;nticas dos anos 1930 e 40, no Action Christine um pequeno cinema de arte da Rive Gauche que &#233; um dos meus favoritos, quando estou em Paris. Tenho de agradecer ao meu trrabalho, que me tem permiotrido viajar tanto, conhecendo o Brasil o mundo e, principalmente, conhecendo gente, que &#233; o que mais importa. Volto s&#225;bado a S&#227;o Paulo - n&#227;o, Xokita, n&#227;o participo de nenhum evento em BH de hoje a sexta. Fico um pouquinho em S&#227;o Paulo e, na ter&#231;a, j&#225; embarco para Berlim. Embora deva ir a Londres para a junkett de 'Alice' - n&#227;o entendo por que tenha de entrevistar Tim Burton e JOhnny Depp na capital inglesa, se ambos estar&#227;o na Berlinale -, espero passar mais dois ou tr&#234;s dias em Paris, onde Isabelle Huppert estreia em fevereiro 'Um Bonde Chamado Desejo', d'apr&#232;s Tennessee Williams.
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			<title>Algo que voc&#234;s precisam saber</title>
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			<pubDate>Wed,  3 Feb 2010 00:53:22 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58484@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>OURO PRETO - Pela proced&#234;ncia, voc&#234;s j&#225; viram onde estou. Desde ontem. Cheguei no fim da tarde, depois de deixar Tiradentes de manh&#227; e passar por Congonhas do Campo, onde visitei, mais uma vez, o santu&#225;rio de Bom Jesus de Matosinhos. A igreja estava fechada, as capelas continuam em reforma, como no ano passado, quando estive no local com a L&#250;cia, minha filha. Mas pelo menos duas j&#225; est&#227;o prontas e se pode conferir a genialidade do trabalho de Aleijadinho. N&#227;o sei dizer dizer exatamente quando - o ano -, mas j&#225; estive ali, e me hospedei no Hotel Cova de Daniel em companhia de minha ex, Doris Bittencourt. O ano devia ser 1973 ou 74, porque eu rec&#233;m havia visto 'Irm&#227;o Sol, Irm&#227; Lua', de Zeffirelli, sobre S&#227;o Francisco de Assis, e me encantou, como no filme, assistir a uma missa, de manh&#227; cedo, em que cachorros e aves, at&#233; um galo - me lembro -, entravam na igreja, e ningu&#233;m ficava a expuls&#225;-los (o irm&#227;o cachorro, o irm&#227;o galo). Ontem, me senti como parte de um enredo de Dan Brown, com aquele guia que tecia hist&#243;rias de conspira&#231;&#227;o, sobre como o Aleijadinho escolheu os profetas, e alguns nem eram profetas de verdade, para que as iniciais dos nomes formassem o dele. Al&#233;m das refer&#234;ncias &#224; ma&#231;onaria, presentes na arte sacra mineira, existem elementos que ligam os profetas de Congonhas aos inconfidentes. Tudo aquilo me excita a imagina&#231;&#227;o. Hoje, fiquei sabendo do Oscar via um telefonema de Gabriel Villela. Ent&#227;o &#233; certo - 'Avatar' e 'Guerra ao Terror' est&#227;o entre os indicados para melhor filme; 'Up, Altas Aventuras', tamb&#233;m. James Cameron e sua ex, Kathryn Bigelow concorrem ao pr&#234;mio de dire&#231;&#227;o; Casey Mulligan, de 'An Education', que entrevistei na sexta, ao de melhor atriz; e 'Um Profeta', de Jacques Audiard, representando a Fran&#231;a, briga pelo pr&#234;mio de melhor filme estrangeiro (com um da Argentina e outro da Alemanha, justamente 'A Fita Branca', de Michael Haneke). Vamos ter oportunidade de falar sobre todos esses filmes, mas agora quero dizer que assisti, &#224; noite, no &#250;nico cinema de Ouro Preto, a 'Quelque Chose &#224;s Te Dire', longa de C&#233;cile Telerman que, fui pesquisar na internet, deve ter estreado no Pa&#237;s em 2 de outubro do ano passado. Onde estava que n&#227;o o vi? No Festival do Rio? Achei muito legal o filme, que no Brasil se chama 'Algo Que Voc&#234; Precisa Saber', sobre segredos de fam&#237;lia. 'Quelque Chose' tem duas atrizes que amo, Mathilde Seigner e Charlotte Rampling e a cena em que Charlotte diz para a filha que sente muito, mas n&#227;o consegue expressar o amor que sente por ela, &#233; de uma beleza que me tocou profundamente. Valente (Eduardo?) me pede que comente os demais filmes que integraram a Mostra Aurora, em Tiradentes, e n&#227;o apenas o vencedor, 'Caminho para Ythaca', como fiz aqui. Pretendo faz&#234;-lo, Valente, mas n&#227;o agora. Tamb&#233;m n&#227;o tive tempo, ainda, de comentar v&#225;rios filmes a que assisti em Paris - 'A Oitava Esposa do Barba Azul' e 'Angel', de Ernst Lubitsch; um de George Stevens que me escandalizou pelo teor racista da representa&#231;&#227;o do negro, 'Que Papai n&#227;o Saiba', com Cary Grant e Ginger Rogers, e eu desconfio que ele fez depois 'Assim Caminha a Humanidade' e 'O Di&#225;rio de Anne Frank' para se purgar; e 'Paix&#245;es Que Alucinam', Shock Corridor, de Samuel Fuller, sobre o qual havia falado, recentemente, a prop&#243;sito da prefer&#234;ncia que os 'autores' da nouvelle vague tinham por Fuller. Foi uma experi&#234;ncia e tanto rever o cinema demencial e essencialmente f&#237;sico de Fuller. Ando em &#234;xtase com tantos filmes bons que tenho visto. Mesmo aqueles de que n&#227;o gostei muito em Tiradentes e Paris levantaram quest&#245;es interessantes sobre o pr&#243;prio cinema e elas permanecem comigo. Cada vez me conven&#231;o mais que n&#227;o s&#227;o s&#243; os filmes de que a gente gosta que nos acompanham. N&#227;o resisto a provocar o Silva - quer dizer que o enfadonho 'Nine' ficou entre os dez indicados para o pr&#234;mio da academia? Como era mesmo? Enfadonho e que n&#227;o funciona? Achei excessivo que o musical de Rob Marshall tenha candidatado Penelope Cruz para o Oscar de coadjuvante. Quem deveria ter sido indicada era a Marion Cotillard, mas, enfim, vejam que n&#227;o &#233; todo mundo que acha 'Nine' enfadonho e eu continuo insistindo naquele n&#250;mero da Saraghina como coisa de louco. Enfim, &#233; tarde, tive um dia cheio - andei at&#233; em minas, falo em minas de verdade, o que me reativou a lembran&#231;a de filmes que amo, especialmente 'Ver-Te-Ei no Inferno', The Molly Maguires, de Martin Ritt. Mas &#233; misturar demais as coisas. Muitos de voc&#234;s j&#225; devem ter desistido desse post t&#227;o ca&#243;tico (e longo, e sem par&#225;grafos. &#201; para ser um desafio mesmo.) Quis s&#243; dar not&#237;cias. Amanh&#227; eu volto a postar. Em BH.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>OURO PRETO - Pela proced&#234;ncia, voc&#234;s j&#225; viram onde estou. Desde ontem. Cheguei no fim da tarde, depois de deixar Tiradentes de manh&#227; e passar por Congonhas do Campo, onde visitei, mais uma vez, o santu&#225;rio de Bom Jesus de Matosinhos. A igreja estava fechada, as capelas continuam em reforma, como no ano passado, quando estive no local com a L&#250;cia, minha filha. Mas pelo menos duas j&#225; est&#227;o prontas e se pode conferir a genialidade do trabalho de Aleijadinho. N&#227;o sei dizer dizer exatamente quando - o ano -, mas j&#225; estive ali, e me hospedei no Hotel Cova de Daniel em companhia de minha ex, Doris Bittencourt. O ano devia ser 1973 ou 74, porque eu rec&#233;m havia visto 'Irm&#227;o Sol, Irm&#227; Lua', de Zeffirelli, sobre S&#227;o Francisco de Assis, e me encantou, como no filme, assistir a uma missa, de manh&#227; cedo, em que cachorros e aves, at&#233; um galo - me lembro -, entravam na igreja, e ningu&#233;m ficava a expuls&#225;-los (o irm&#227;o cachorro, o irm&#227;o galo). Ontem, me senti como parte de um enredo de Dan Brown, com aquele guia que tecia hist&#243;rias de conspira&#231;&#227;o, sobre como o Aleijadinho escolheu os profetas, e alguns nem eram profetas de verdade, para que as iniciais dos nomes formassem o dele. Al&#233;m das refer&#234;ncias &#224; ma&#231;onaria, presentes na arte sacra mineira, existem elementos que ligam os profetas de Congonhas aos inconfidentes. Tudo aquilo me excita a imagina&#231;&#227;o. Hoje, fiquei sabendo do Oscar via um telefonema de Gabriel Villela. Ent&#227;o &#233; certo - 'Avatar' e 'Guerra ao Terror' est&#227;o entre os indicados para melhor filme; 'Up, Altas Aventuras', tamb&#233;m. James Cameron e sua ex, Kathryn Bigelow concorrem ao pr&#234;mio de dire&#231;&#227;o; Casey Mulligan, de 'An Education', que entrevistei na sexta, ao de melhor atriz; e 'Um Profeta', de Jacques Audiard, representando a Fran&#231;a, briga pelo pr&#234;mio de melhor filme estrangeiro (com um da Argentina e outro da Alemanha, justamente 'A Fita Branca', de Michael Haneke). Vamos ter oportunidade de falar sobre todos esses filmes, mas agora quero dizer que assisti, &#224; noite, no &#250;nico cinema de Ouro Preto, a 'Quelque Chose &#224;s Te Dire', longa de C&#233;cile Telerman que, fui pesquisar na internet, deve ter estreado no Pa&#237;s em 2 de outubro do ano passado. Onde estava que n&#227;o o vi? No Festival do Rio? Achei muito legal o filme, que no Brasil se chama 'Algo Que Voc&#234; Precisa Saber', sobre segredos de fam&#237;lia. 'Quelque Chose' tem duas atrizes que amo, Mathilde Seigner e Charlotte Rampling e a cena em que Charlotte diz para a filha que sente muito, mas n&#227;o consegue expressar o amor que sente por ela, &#233; de uma beleza que me tocou profundamente. Valente (Eduardo?) me pede que comente os demais filmes que integraram a Mostra Aurora, em Tiradentes, e n&#227;o apenas o vencedor, 'Caminho para Ythaca', como fiz aqui. Pretendo faz&#234;-lo, Valente, mas n&#227;o agora. Tamb&#233;m n&#227;o tive tempo, ainda, de comentar v&#225;rios filmes a que assisti em Paris - 'A Oitava Esposa do Barba Azul' e 'Angel', de Ernst Lubitsch; um de George Stevens que me escandalizou pelo teor racista da representa&#231;&#227;o do negro, 'Que Papai n&#227;o Saiba', com Cary Grant e Ginger Rogers, e eu desconfio que ele fez depois 'Assim Caminha a Humanidade' e 'O Di&#225;rio de Anne Frank' para se purgar; e 'Paix&#245;es Que Alucinam', Shock Corridor, de Samuel Fuller, sobre o qual havia falado, recentemente, a prop&#243;sito da prefer&#234;ncia que os 'autores' da nouvelle vague tinham por Fuller. Foi uma experi&#234;ncia e tanto rever o cinema demencial e essencialmente f&#237;sico de Fuller. Ando em &#234;xtase com tantos filmes bons que tenho visto. Mesmo aqueles de que n&#227;o gostei muito em Tiradentes e Paris levantaram quest&#245;es interessantes sobre o pr&#243;prio cinema e elas permanecem comigo. Cada vez me conven&#231;o mais que n&#227;o s&#227;o s&#243; os filmes de que a gente gosta que nos acompanham. N&#227;o resisto a provocar o Silva - quer dizer que o enfadonho 'Nine' ficou entre os dez indicados para o pr&#234;mio da academia? Como era mesmo? Enfadonho e que n&#227;o funciona? Achei excessivo que o musical de Rob Marshall tenha candidatado Penelope Cruz para o Oscar de coadjuvante. Quem deveria ter sido indicada era a Marion Cotillard, mas, enfim, vejam que n&#227;o &#233; todo mundo que acha 'Nine' enfadonho e eu continuo insistindo naquele n&#250;mero da Saraghina como coisa de louco. Enfim, &#233; tarde, tive um dia cheio - andei at&#233; em minas, falo em minas de verdade, o que me reativou a lembran&#231;a de filmes que amo, especialmente 'Ver-Te-Ei no Inferno', The Molly Maguires, de Martin Ritt. Mas &#233; misturar demais as coisas. Muitos de voc&#234;s j&#225; devem ter desistido desse post t&#227;o ca&#243;tico (e longo, e sem par&#225;grafos. &#201; para ser um desafio mesmo.) Quis s&#243; dar not&#237;cias. Amanh&#227; eu volto a postar. Em BH.
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			<title>Ainda 'Ythaca'</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=ainda_ythaca&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Mon,  1 Feb 2010 12:20:18 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58264@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - N&#227;o passei bem a noite - tive problemas de intestinos, mas vou poup&#225;-los dos detalhes - e agora de manh&#227; j&#225; redigi os filmes na TV de ter&#231;a. Ainda n&#227;o consegui, por problemas de espa&#231;o, emplacar uma mat&#233;ria sobre o encerramento da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, que terminou s&#225;bado &#224; noite. Ontem, postei rapidamente, antes de tentar dormir, algumas impress&#245;es gerais. Mas n&#227;o assinalei o que talvez mais me tenha impressionado aqui em Tiradentes. Muitos, se n&#227;o todos os filmes da Mostra Aurora, mostraram personagens solit&#225;rios ou ilhados. Tr&#234;s mulheres que quase n&#227;o se comunicam numa casa ('Mulher &#224; Tarde'), os moradores de coberturas ('Um Lugar ao Sol'), gente num cruzeiro ('Pacific'), habitantes numa terra de ningu&#233;m, a fronteira entre Brasil, Col&#244;mbia e Peru ('Terras'), os pr&#243;prios garotos que caem na estrada em 'Ythaca' e que n&#227;o interagem com o mundo que segue estagnado, enquanto eles v&#227;o passando. S&#227;o filmes p&#243;s-modernos (a maioria) e p&#243;s-ut&#243;picos (todos) e o que me ganhou em 'Ythaca', a par da reinven&#231;&#227;o formal (e como m&#233;todo de produ&#231;&#227;o) do Cinema Marginal, foi o tema da amizade entre aqueles garotos. Eles choram a morte de um companheiro, mas n&#227;o se desagregam. Permanecem solid&#225;rios, talvez sem um projeto de verdade, mas unidos no companheirismo e os quatro atores, produtores, diretores, roteiristas e montadores, entre um porre e outro, um choro e outro, permanecem unidos como os dedos de uma m&#227;o, &#224; qual falta agora um integrante (um dedo?). 'Ythaca' irritou a algumas pessoas, a amigos inclusive - 'um filme sem assunto', tive de ouvir muito -, mas nunca vi filme sem assunto que tivesse tanta coisa a dizer. Os quatro (anti)her&#243;is passam pelo filme barbudos. Num determinado momento, ocorre uma ruptura (uma transforma&#231;&#227;o?) e eles avan&#231;am mudados para a c&#226;mera. Na ideia original, estariam nus, mas os irm&#227;os Pretti e seus c&#250;mplices, os primos Parente, acharam que seria excessivo e prop&#245;em outra coisa. Aquele pequeno ex&#233;rcito de Brancaleone me tocou muito. A reinven&#231;&#227;o do mundo e do cinema, a reinven&#231;&#227;o do mundo pelo cinema. Chorei que foi uma beleza.
Estou abrindo um par&#225;grafo. Ia acrescentar outro post, porque o assunto vai mudar muito, mas o carro me apanha daqui a pouco para seguir para Ouro Preto, com passagem por Congonhas do Campo. Tenho pressa. O recado &#233; para o Silva, que tira sarro. O que seria de filmes enfadonhos e que n&#227;o funcionam, como 'Nine', se n&#227;o fosse eu. Acreditem que, com todas as diferen&#231;as, ouvi exatamente isso, a parte do enfadonho e do n&#227;o funciona, sobre o filme do coletivo de Fortaleza? Ainda bem que existimos, meus colegas de j&#250;ri e eu. Espero que tenhamos ficado tamb&#233;m amigos, solid&#225;rios. Adorei-os. E, Silva, sem querer polemizar. Tanta gente falou mal de 'Nine', acho que todo mundo. Fica com eles, que fornecem o respaldo de uma confort&#225;vel maioria. Eu, quando todo o mundo &#233; contra, desconfio. Era, ali&#225;s, o tema do Simenon que estava lendo, nos raros momentos de folga. 'O Amigo de Inf&#226;ncia de Maigret'. Todas as evid&#234;ncias apontam que o cara teria cometido um assassinato. Maigret nem gostava dele na escola. Acha que o cara ficou ainda mais abjeto do que j&#225; era. Mas ele rejeita, acha excessivo, o ac&#250;mulo de pistas. De minha parte, tenho &#233; pena de quem n&#227;o capta, no musical, a espessura dram&#225;tica das cenas de Daniel Day-Lewis e da sublime Marion Cotillard - ele, confesso, me surpreendeu mais do que no filme do petr&#243;leo, que lhe deu o Oscar; l&#225;, Day-Lewis exibiu o que eu esperava de um grande ator fazendo seu n&#250;mero -, isso para n&#227;o falar de Stacy Ferguson como Saraghina. Ningu&#233;m me tira da cabe&#231;a que o pr&#243;prio Fellini teria amado aquela coreografia na falsa praia.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - N&#227;o passei bem a noite - tive problemas de intestinos, mas vou poup&#225;-los dos detalhes - e agora de manh&#227; j&#225; redigi os filmes na TV de ter&#231;a. Ainda n&#227;o consegui, por problemas de espa&#231;o, emplacar uma mat&#233;ria sobre o encerramento da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, que terminou s&#225;bado &#224; noite. Ontem, postei rapidamente, antes de tentar dormir, algumas impress&#245;es gerais. Mas n&#227;o assinalei o que talvez mais me tenha impressionado aqui em Tiradentes. Muitos, se n&#227;o todos os filmes da Mostra Aurora, mostraram personagens solit&#225;rios ou ilhados. Tr&#234;s mulheres que quase n&#227;o se comunicam numa casa ('Mulher &#224; Tarde'), os moradores de coberturas ('Um Lugar ao Sol'), gente num cruzeiro ('Pacific'), habitantes numa terra de ningu&#233;m, a fronteira entre Brasil, Col&#244;mbia e Peru ('Terras'), os pr&#243;prios garotos que caem na estrada em 'Ythaca' e que n&#227;o interagem com o mundo que segue estagnado, enquanto eles v&#227;o passando. S&#227;o filmes p&#243;s-modernos (a maioria) e p&#243;s-ut&#243;picos (todos) e o que me ganhou em 'Ythaca', a par da reinven&#231;&#227;o formal (e como m&#233;todo de produ&#231;&#227;o) do Cinema Marginal, foi o tema da amizade entre aqueles garotos. Eles choram a morte de um companheiro, mas n&#227;o se desagregam. Permanecem solid&#225;rios, talvez sem um projeto de verdade, mas unidos no companheirismo e os quatro atores, produtores, diretores, roteiristas e montadores, entre um porre e outro, um choro e outro, permanecem unidos como os dedos de uma m&#227;o, &#224; qual falta agora um integrante (um dedo?). 'Ythaca' irritou a algumas pessoas, a amigos inclusive - 'um filme sem assunto', tive de ouvir muito -, mas nunca vi filme sem assunto que tivesse tanta coisa a dizer. Os quatro (anti)her&#243;is passam pelo filme barbudos. Num determinado momento, ocorre uma ruptura (uma transforma&#231;&#227;o?) e eles avan&#231;am mudados para a c&#226;mera. Na ideia original, estariam nus, mas os irm&#227;os Pretti e seus c&#250;mplices, os primos Parente, acharam que seria excessivo e prop&#245;em outra coisa. Aquele pequeno ex&#233;rcito de Brancaleone me tocou muito. A reinven&#231;&#227;o do mundo e do cinema, a reinven&#231;&#227;o do mundo pelo cinema. Chorei que foi uma beleza.<br />
Estou abrindo um par&#225;grafo. Ia acrescentar outro post, porque o assunto vai mudar muito, mas o carro me apanha daqui a pouco para seguir para Ouro Preto, com passagem por Congonhas do Campo. Tenho pressa. O recado &#233; para o Silva, que tira sarro. O que seria de filmes enfadonhos e que n&#227;o funcionam, como 'Nine', se n&#227;o fosse eu. Acreditem que, com todas as diferen&#231;as, ouvi exatamente isso, a parte do enfadonho e do n&#227;o funciona, sobre o filme do coletivo de Fortaleza? Ainda bem que existimos, meus colegas de j&#250;ri e eu. Espero que tenhamos ficado tamb&#233;m amigos, solid&#225;rios. Adorei-os. E, Silva, sem querer polemizar. Tanta gente falou mal de 'Nine', acho que todo mundo. Fica com eles, que fornecem o respaldo de uma confort&#225;vel maioria. Eu, quando todo o mundo &#233; contra, desconfio. Era, ali&#225;s, o tema do Simenon que estava lendo, nos raros momentos de folga. 'O Amigo de Inf&#226;ncia de Maigret'. Todas as evid&#234;ncias apontam que o cara teria cometido um assassinato. Maigret nem gostava dele na escola. Acha que o cara ficou ainda mais abjeto do que j&#225; era. Mas ele rejeita, acha excessivo, o ac&#250;mulo de pistas. De minha parte, tenho &#233; pena de quem n&#227;o capta, no musical, a espessura dram&#225;tica das cenas de Daniel Day-Lewis e da sublime Marion Cotillard - ele, confesso, me surpreendeu mais do que no filme do petr&#243;leo, que lhe deu o Oscar; l&#225;, Day-Lewis exibiu o que eu esperava de um grande ator fazendo seu n&#250;mero -, isso para n&#227;o falar de Stacy Ferguson como Saraghina. Ningu&#233;m me tira da cabe&#231;a que o pr&#243;prio Fellini teria amado aquela coreografia na falsa praia.
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			<title>'Elvis e Madonna'</title>
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			<pubDate>Mon,  1 Feb 2010 00:13:08 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58241@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Ontem &#224; noite, precedendo a cerim&#244;nia de premia&#231;&#227;o da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, foram exibidos dois longas fora de concurso. O novo document&#225;rio de Mar&#237;lia Rocha, 'A Falta Que nos Faz', que aborda o universo feminino, como o anterior, 'Aboio', falava do masculino, e 'Elvis e Madonna'. Conhe&#231;o o diretor do segundo desde que integramos, Marcelo Laffite e eu, uma comiss&#227;o da Petrobras que avaliava roteiros. N&#227;o vou lhe fazer a ofensa de dizer que n&#227;o esperava nada do longa, mas a hist&#243;ria da l&#233;sbica que engravida do travesti me surpreendeu, e encantou. 'Elvis e Madonna' &#233; transgressivo sem deixar de ser sedutor para o grande p&#250;blico. Passou no Cine-Tenda, mas foi visto com o mesmo carinho que 'Bail&#227;o', o curta de Marcelo Caetano, na pra&#231;a. 'Elvis e Madonna' &#233; muito simp&#225;tico. N&#227;o &#233; perfeito, o que, no limite, 'Estrada para Ythaca' tamb&#233;m n&#227;o &#233;, e no final talvez recorra a facilidades para se 'solucionar'. Afinal, &#233; um filme sobre gente que persegue seu sonho e n&#243;s, o p&#250;blico - eu, pelo menos -, torcemos para que d&#234; certo. 'Elvis e Madonna' &#233; inteligente, bem realizado - Luiz Carlos Lacerda, que ministrava aqui uma oficina, provocou: disse que o filme de Marcelo Laffite, seu ex-assistente, era um corpo estranho no universo experimental da Mostra de Tiradentes, justamente por ser um filme com roteiro, com come&#231;o, meio e fim -, mas eu acho que o que realmente faz a diferen&#231;a &#233; o elenco. Simone Spoladore, mais uma vez maravilhosa, agora no papel de l&#233;sbica, e Ivo Cotrim, que faz o travesti. Simone est&#225; na Record, na novela 'Bela, a Feia'. Ivo tamb&#233;m est&#225; na Record, no reality show 'Fazenda'. S&#227;o bons demais da conta, como se diz aqui em Minas. As cenas de sexo d&#227;o um n&#243; da cabe&#231;a do p&#250;blico e pode at&#233; parecer voyeurismo, mas quando Simone acusa a penetra&#231;&#227;o, voc&#234; n&#227;o precisa ver para perceber o que est&#225; ocorrendo. Simone &#233; f... em tudo o que faz. E o Ivo, que n&#227;o conhecia, vai fundo na sua Madonna, vivendo o papel com, absoluto despudor. Encontrei Marcelo Laffite na festa de encerramento e ele me disse que est&#225; conversando com Adhemar de Oliveira, do Espa&#231;o Unibanco. Seu filme tamb&#233;m n&#227;o tem distribuidor. Embora com come&#231;o, meio e fim, &#233; outro filme sem circuito. N&#227;o &#233; 'mainstream' e n&#227;o tem cara de cinema de inven&#231;&#227;o. Quem vai defend&#234;-lo? Eu, e espero que voc&#234;s. Um circuito para 'Elvis e Madonna'. E, depois, quando estrear, me digam se n&#227;o &#233; bom...</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Ontem &#224; noite, precedendo a cerim&#244;nia de premia&#231;&#227;o da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, foram exibidos dois longas fora de concurso. O novo document&#225;rio de Mar&#237;lia Rocha, 'A Falta Que nos Faz', que aborda o universo feminino, como o anterior, 'Aboio', falava do masculino, e 'Elvis e Madonna'. Conhe&#231;o o diretor do segundo desde que integramos, Marcelo Laffite e eu, uma comiss&#227;o da Petrobras que avaliava roteiros. N&#227;o vou lhe fazer a ofensa de dizer que n&#227;o esperava nada do longa, mas a hist&#243;ria da l&#233;sbica que engravida do travesti me surpreendeu, e encantou. 'Elvis e Madonna' &#233; transgressivo sem deixar de ser sedutor para o grande p&#250;blico. Passou no Cine-Tenda, mas foi visto com o mesmo carinho que 'Bail&#227;o', o curta de Marcelo Caetano, na pra&#231;a. 'Elvis e Madonna' &#233; muito simp&#225;tico. N&#227;o &#233; perfeito, o que, no limite, 'Estrada para Ythaca' tamb&#233;m n&#227;o &#233;, e no final talvez recorra a facilidades para se 'solucionar'. Afinal, &#233; um filme sobre gente que persegue seu sonho e n&#243;s, o p&#250;blico - eu, pelo menos -, torcemos para que d&#234; certo. 'Elvis e Madonna' &#233; inteligente, bem realizado - Luiz Carlos Lacerda, que ministrava aqui uma oficina, provocou: disse que o filme de Marcelo Laffite, seu ex-assistente, era um corpo estranho no universo experimental da Mostra de Tiradentes, justamente por ser um filme com roteiro, com come&#231;o, meio e fim -, mas eu acho que o que realmente faz a diferen&#231;a &#233; o elenco. Simone Spoladore, mais uma vez maravilhosa, agora no papel de l&#233;sbica, e Ivo Cotrim, que faz o travesti. Simone est&#225; na Record, na novela 'Bela, a Feia'. Ivo tamb&#233;m est&#225; na Record, no reality show 'Fazenda'. S&#227;o bons demais da conta, como se diz aqui em Minas. As cenas de sexo d&#227;o um n&#243; da cabe&#231;a do p&#250;blico e pode at&#233; parecer voyeurismo, mas quando Simone acusa a penetra&#231;&#227;o, voc&#234; n&#227;o precisa ver para perceber o que est&#225; ocorrendo. Simone &#233; f... em tudo o que faz. E o Ivo, que n&#227;o conhecia, vai fundo na sua Madonna, vivendo o papel com, absoluto despudor. Encontrei Marcelo Laffite na festa de encerramento e ele me disse que est&#225; conversando com Adhemar de Oliveira, do Espa&#231;o Unibanco. Seu filme tamb&#233;m n&#227;o tem distribuidor. Embora com come&#231;o, meio e fim, &#233; outro filme sem circuito. N&#227;o &#233; 'mainstream' e n&#227;o tem cara de cinema de inven&#231;&#227;o. Quem vai defend&#234;-lo? Eu, e espero que voc&#234;s. Um circuito para 'Elvis e Madonna'. E, depois, quando estrear, me digam se n&#227;o &#233; bom...
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			<title>'Ythaca'!</title>
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			<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 23:45:02 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58240@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Passei um dia hoje delicioso, aqui em Tiradentes, p&#243;s-mostra. Meu amigo Dib Carneiro estava em Ouro Preto, concluindo sua nova pe&#231;a, adaptada do romance 'Cr&#244;nica da Casa Assassinada', de L&#250;cio Cardoso - uma encomenda de Gabriel Villela - e veio ao meu encontro. Fomos a S&#227;o Jo&#227;o del Rei, andamos de maria fuma&#231;a e agora, de volta ao hotel - &#224; pousada -, tenho tempo de acrescentar este post. Me coube ontem, em nome do j&#250;ri da cr&#237;tica, ler o texto que justificava nossa premia&#231;&#227;o. Fi-lo, como diria o J&#226;nio, com gosto porque desde a primeira hora n&#227;o tive d&#250;vidas de que 'Caminho para Ythaca' era a coisa mais estimulante que a 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes estava me propondo. Ia vendo os demais filmes - 'Ythaca' passou no segundo dia - e ficava sempre ruminando a obra de um coletivo cearense, os irm&#227;os Pretti e os primos Parentes, que apresenta quatro amigos que caem na estrada para celebrar sua amizade e purgar a perda de um quinto elemento do grupo. No final da hist&#243;ria, que n&#227;o &#233; uma 'hist&#243;ria', um poema do poeta grego Constantin Sefardis fala de Ythaca como esse lugar m&#237;tico que n&#227;o interessa muito como objetivo. Mais importante &#233; a estrada, o deslocamento, e o ibjetivo, como met&#225;fora da pr&#243;pria vida, passa a ser prolongar o prazer que a estrada - a exist&#234;ncia? - proporciona. Numa cena, o amigo morto reaparece como barbudo, num filme dentro do filme, numa encruzilhada, reproduzindo o discurso famoso de Glauber Rocha em 'Vento Leste', de Jean-Luc Godard. A estrada assume ali uma bifurca&#231;&#227;o. Por esse lado, diz J&#250;lio, o amigo, prof&#233;tico como Glauber, segue o cinema da aventura; do outro, a via do 3&#176; Mundo. A sess&#227;o foi maravilhosa. Um sujeito gritou - 'Mata Glauber, pega a via da direita', a da aventura. Mas os irm&#227;os e os primos, os camaradas, seguem a via do 3&#176; Mundo, o que n&#227;o significa que o quarteto Pretti/Parente esteja reinventando Glauber, ou o Cinema Novo. Uma das coisas que ficaram claras para mim, aqui em Tiradentes, assistindo n&#227;o apenas aos longas da Mostra Aurora, que tem curadoria de Cleber Eduardo, mas tamb&#233;m aos curtas da mostra acho que Foco, cujo curador &#233; Eduardo Valente, tive essa sensa&#231;&#227;o de que a garotada - Tiradentes &#233; uma mostra de primeiros e segundos filmes - dialoga muito mais com a heran&#231;a do cinema marginal do que com a do Cinema Novo. E, por isso mesmo, acho que 'eles' - Sganzerla, Bressane, Andrea Tonacci - venceram e o cinema marginal, mesmo que Bressane considere a etiqueta 'negativa', est&#225; muito vivo. Conversei com meu amigo Jos&#233; Carlos Avellar e ele me corrigiu uma informa&#231;&#227;o. Os filmes da empresa Belair, os sete que Rog&#233;rio Sganzerla e J&#250;lio Bressane fizeram durante 3 meses de 1970, n&#227;o permanecem in&#233;ditos, como fui induzido a crer, a partir do que foi dito no debate. Eles foram lan&#231;ados, sim, mas tiveram uma circula&#231;&#227;o reduzida, como em geral ocorre com esse cinema de inven&#231;&#227;o, que n&#227;o &#233; o de mercado. Nem me passa pela cabe&#231;a que o cinema de inven&#231;&#227;o substitua o de mercado, o que eu quero, e acho que qualquer pessoa comprometida, engajada, vai querer, e defender, &#233; que ele tenha um espa&#231;o. Se depender de mim, 'Ythaca' vai ter um distribuidor, vai passar no Espa&#231;o Unibanco, na Reserva Cultural ou no HSBC Belas Artes, que s&#227;o os espa&#231;os para essa produ&#231;&#227;o mais alternativa. N&#227;o gostaria que ocorresse com 'Ythaca' o que houve com 'A Fuga da Mulher Gorila', que ganhou a Mostra Aurora do ano passado e at&#233; hoje est&#225; in&#233;dito. Francisco C&#233;sar Filho, o Chiquinho, que coordenava os debates, teve o mesmo encantamento que eu por 'Ythaca' e por sua abordagem do universo masculino, da amizade. Chiquinho jura que 'Mulher Gorila' &#233; t&#227;o bom quanto. Me disse ele que se trata de outro filme de estrada, com duas mulheres. Quero 'A Mulher Gorila', como amei 'Ythaca', mas n&#227;o me passa pela cabe&#231;a que o filme do coletivo de Fortaleza ambicione o p&#250;blico, ou o circuito, de 'High School Musical - O Desafio', que estreia na pr&#243;xima sexta-feira. Mas clamo aqui por um circuito para a inven&#231;&#227;o, para 'Ythaca', pelamor de Deus.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Passei um dia hoje delicioso, aqui em Tiradentes, p&#243;s-mostra. Meu amigo Dib Carneiro estava em Ouro Preto, concluindo sua nova pe&#231;a, adaptada do romance 'Cr&#244;nica da Casa Assassinada', de L&#250;cio Cardoso - uma encomenda de Gabriel Villela - e veio ao meu encontro. Fomos a S&#227;o Jo&#227;o del Rei, andamos de maria fuma&#231;a e agora, de volta ao hotel - &#224; pousada -, tenho tempo de acrescentar este post. Me coube ontem, em nome do j&#250;ri da cr&#237;tica, ler o texto que justificava nossa premia&#231;&#227;o. Fi-lo, como diria o J&#226;nio, com gosto porque desde a primeira hora n&#227;o tive d&#250;vidas de que 'Caminho para Ythaca' era a coisa mais estimulante que a 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes estava me propondo. Ia vendo os demais filmes - 'Ythaca' passou no segundo dia - e ficava sempre ruminando a obra de um coletivo cearense, os irm&#227;os Pretti e os primos Parentes, que apresenta quatro amigos que caem na estrada para celebrar sua amizade e purgar a perda de um quinto elemento do grupo. No final da hist&#243;ria, que n&#227;o &#233; uma 'hist&#243;ria', um poema do poeta grego Constantin Sefardis fala de Ythaca como esse lugar m&#237;tico que n&#227;o interessa muito como objetivo. Mais importante &#233; a estrada, o deslocamento, e o ibjetivo, como met&#225;fora da pr&#243;pria vida, passa a ser prolongar o prazer que a estrada - a exist&#234;ncia? - proporciona. Numa cena, o amigo morto reaparece como barbudo, num filme dentro do filme, numa encruzilhada, reproduzindo o discurso famoso de Glauber Rocha em 'Vento Leste', de Jean-Luc Godard. A estrada assume ali uma bifurca&#231;&#227;o. Por esse lado, diz J&#250;lio, o amigo, prof&#233;tico como Glauber, segue o cinema da aventura; do outro, a via do 3&#176; Mundo. A sess&#227;o foi maravilhosa. Um sujeito gritou - 'Mata Glauber, pega a via da direita', a da aventura. Mas os irm&#227;os e os primos, os camaradas, seguem a via do 3&#176; Mundo, o que n&#227;o significa que o quarteto Pretti/Parente esteja reinventando Glauber, ou o Cinema Novo. Uma das coisas que ficaram claras para mim, aqui em Tiradentes, assistindo n&#227;o apenas aos longas da Mostra Aurora, que tem curadoria de Cleber Eduardo, mas tamb&#233;m aos curtas da mostra acho que Foco, cujo curador &#233; Eduardo Valente, tive essa sensa&#231;&#227;o de que a garotada - Tiradentes &#233; uma mostra de primeiros e segundos filmes - dialoga muito mais com a heran&#231;a do cinema marginal do que com a do Cinema Novo. E, por isso mesmo, acho que 'eles' - Sganzerla, Bressane, Andrea Tonacci - venceram e o cinema marginal, mesmo que Bressane considere a etiqueta 'negativa', est&#225; muito vivo. Conversei com meu amigo Jos&#233; Carlos Avellar e ele me corrigiu uma informa&#231;&#227;o. Os filmes da empresa Belair, os sete que Rog&#233;rio Sganzerla e J&#250;lio Bressane fizeram durante 3 meses de 1970, n&#227;o permanecem in&#233;ditos, como fui induzido a crer, a partir do que foi dito no debate. Eles foram lan&#231;ados, sim, mas tiveram uma circula&#231;&#227;o reduzida, como em geral ocorre com esse cinema de inven&#231;&#227;o, que n&#227;o &#233; o de mercado. Nem me passa pela cabe&#231;a que o cinema de inven&#231;&#227;o substitua o de mercado, o que eu quero, e acho que qualquer pessoa comprometida, engajada, vai querer, e defender, &#233; que ele tenha um espa&#231;o. Se depender de mim, 'Ythaca' vai ter um distribuidor, vai passar no Espa&#231;o Unibanco, na Reserva Cultural ou no HSBC Belas Artes, que s&#227;o os espa&#231;os para essa produ&#231;&#227;o mais alternativa. N&#227;o gostaria que ocorresse com 'Ythaca' o que houve com 'A Fuga da Mulher Gorila', que ganhou a Mostra Aurora do ano passado e at&#233; hoje est&#225; in&#233;dito. Francisco C&#233;sar Filho, o Chiquinho, que coordenava os debates, teve o mesmo encantamento que eu por 'Ythaca' e por sua abordagem do universo masculino, da amizade. Chiquinho jura que 'Mulher Gorila' &#233; t&#227;o bom quanto. Me disse ele que se trata de outro filme de estrada, com duas mulheres. Quero 'A Mulher Gorila', como amei 'Ythaca', mas n&#227;o me passa pela cabe&#231;a que o filme do coletivo de Fortaleza ambicione o p&#250;blico, ou o circuito, de 'High School Musical - O Desafio', que estreia na pr&#243;xima sexta-feira. Mas clamo aqui por um circuito para a inven&#231;&#227;o, para 'Ythaca', pelamor de Deus.
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			<title>Dicas</title>
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			<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 12:12:33 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58192@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - N&#227;o se esque&#231;am de que tem Resnais, 'Stavisky', daqui a pouco, a&#237; em S&#227;o Paulo, na Sess&#227;o Cin&#233;fila do Espa&#231;o Unibanco, ao meio-dia. Leiam tamb&#233;m minha cr&#237;tica sobre 'Nine', no 'Caderno 2' de hoje. Sei que um monte de gente caiu matando no musical de Rob Marshall, mas uma oplhada na internet me deu a medida que as obje&#231;&#245;es - luxo, kitsch, superficialidade - s&#227;o as mesmas que foram endere&#231;adas a 'Moulin Rouge' e o filme &#233; aquele monumento que eu, pelo menos, defendo. Acho at&#233; que 'Chicago' se beneficiou do esquecimento de 'Moulin Rouge' pela Academia de Hollywood, que resolveu se purgar dando o Oscar ao primeiro musical que surgiu depois, e foi o de Marshall. Vou cometer o sacril&#233;gio de dizer que 'Nine' me interessou muito mais e ouso dizer que o pr&#243;prio Fellini teria am,ado o n&#250;mero sobre Saraghina, com Stacy Ferguson (e tamb&#233;m o de Kate Hudson). Para concluir, uma terceira indica&#231;&#227;o. Encontrei meu amigo Rodrigo Fonseca e lhe disse que, ap&#243;s uma semana de 'experimenta&#231;&#227;o', estava louco para ver o novo Mel Gibson, 'O Fim da Escuidr&#227;o', que estreou ontem em todo o Pa&#237;s. Rodrigo &#233; mais punk que eu e me disse que o filme &#233; genial, acrescentando que os coleguinhas n&#227;o t&#234;m capacidade - por seus preconceitos? - de captar toda a pot&#234;ncia formal e a multiplicidade de subtemas presentes no relato. Fiquei, como se diz, nos cascos.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - N&#227;o se esque&#231;am de que tem Resnais, 'Stavisky', daqui a pouco, a&#237; em S&#227;o Paulo, na Sess&#227;o Cin&#233;fila do Espa&#231;o Unibanco, ao meio-dia. Leiam tamb&#233;m minha cr&#237;tica sobre 'Nine', no 'Caderno 2' de hoje. Sei que um monte de gente caiu matando no musical de Rob Marshall, mas uma oplhada na internet me deu a medida que as obje&#231;&#245;es - luxo, kitsch, superficialidade - s&#227;o as mesmas que foram endere&#231;adas a 'Moulin Rouge' e o filme &#233; aquele monumento que eu, pelo menos, defendo. Acho at&#233; que 'Chicago' se beneficiou do esquecimento de 'Moulin Rouge' pela Academia de Hollywood, que resolveu se purgar dando o Oscar ao primeiro musical que surgiu depois, e foi o de Marshall. Vou cometer o sacril&#233;gio de dizer que 'Nine' me interessou muito mais e ouso dizer que o pr&#243;prio Fellini teria am,ado o n&#250;mero sobre Saraghina, com Stacy Ferguson (e tamb&#233;m o de Kate Hudson). Para concluir, uma terceira indica&#231;&#227;o. Encontrei meu amigo Rodrigo Fonseca e lhe disse que, ap&#243;s uma semana de 'experimenta&#231;&#227;o', estava louco para ver o novo Mel Gibson, 'O Fim da Escuidr&#227;o', que estreou ontem em todo o Pa&#237;s. Rodrigo &#233; mais punk que eu e me disse que o filme &#233; genial, acrescentando que os coleguinhas n&#227;o t&#234;m capacidade - por seus preconceitos? - de captar toda a pot&#234;ncia formal e a multiplicidade de subtemas presentes no relato. Fiquei, como se diz, nos cascos.
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			<title>&#201; hoje!</title>
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			<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 11:58:52 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58190@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - E a 13&#170; Mostra de Cinema termina hoje &#224; noite, com a entrega dos pr&#234;mios aos vencedores. Falo em pr&#234;mios, no plural,  porque existem aqui tr&#234;s j&#250;ris - o da cr&#237;tica, na Mostra Aurora, que integro; o da cr&#237;tica jovem; e o do p&#250;blico. Somos orientados a outorgar um pr&#234;mio, apenas, embora, eventualmente, possa ser conferida uma men&#231;&#227;o especial. Daqui a pouco nos reunimos para as delibera&#231;&#245;es. Acredito que ser&#227;o tranquilas, precedidas, como foram, por outras discuss&#245;es que j&#225; apontaram para uma defini&#231;&#227;o. Vai acabar meu voto de sil&#234;ncio. Arre! Do que posso falar, sobre os filmes fora de concurso, j&#225; disse quanto adorei o filme de Gustavo Spolidoro 'Morro do C&#233;u', o &#250;nico a bagun&#231;ar minha prefer&#234;ncia pelo que considero melhor na Mostra Aurora. Mas eu tamb&#233;m gostei muito de 'Bel Air' e gostei principalmente de ter revisto o document&#225;rio de Bruno Safadi e Noa Sganzerla (a que assisti pela primeira vez no Festival do Rio) sobre a produtora fundada pelo pai dela, em parceria com J&#250;lio Bressane, e que em tr&#234;s meses fez sete filmes. O ano era 1970. o Pa&#237;s vivia sob uma ditadura feroz e as pesquisas de Rog&#233;rio Sganzerla e Bressane foram consideradas perigosamente subversivas, integrantes de um plano com ramifica&#231;&#245;es na guerrilha urbana. A Belair estaria lan&#231;ando suas bombas no cinema, o que n&#227;o deixa de ser verdade (mas n&#227;o a alian&#231;a da guerrilha art&#237;stica com a guerrilha armada). A press&#227;o foi tanta que Sgarnzerla, Bressane e Helena Ignez partiram para o ex&#237;lio. Todos esses filmes permanecem in&#233;ditos, embora j&#225; tivessem sido parcialmente resgatados em 'A Miss e o Dinossauro', esp&#233;cie de making of que Helena fez de 'Sem Essa, Aranha' e 'Cuidado, Madame', dois marcos da Belair. Seria interessante recolocar todos esses filmes em circula&#231;&#227;o, em DVD, se n&#227;o necessariamente nas salas, como tantos resgates que t&#234;m sido feitos ultimamente. Na verdade, acho que merecem voltar ao cinema e ser&#227;o descobertas enriquecedoras, embora n&#227;o para todos os gostos, claro. O pr&#243;prio fato de ter percebido o potencial de biscoito fino desses filmes da Belair n&#227;o me leva a defender que o cinema brasileiro tenha de ser assim. Deus me livre! N&#227;o quero fazer uma defesa babaca da diversidade, mas tamb&#233;m n&#227;o vou entrar nos tais 'paradoxos da contemporaneidade', tema da Mostra de Tiradentes deste ano, com direito a debate que ocorre agora &#224; tarde. Seria como tentar defender Sundance como alternativa a Hollywood, quando Sundance j&#225; engendrou uma nova f&#243;rmula, ou novo academicismo, enquanto o cinem&#227;o se renova com muito mais vigor e intelig&#234;ncia. (A rela&#231;&#227;o entre cinema de autor e comercial no Brasil n&#227;o &#233; a mesma, ressalte-se.) Mas vejam 'Precious', no caso do embate Sundance/Hollywood, e depois me digam se n&#227;o. Sei que J&#250;lio Bressane &#233; reticente ao r&#243;tulo de marginal, que considera pejorativo para o cinema que Sganzerla e ele faziam no come&#231;o de suas respectivas carreiras, mas Bressane rompe seu v&#233;u de sil&#234;ncio - talvez por causa de Noa Sganzerla - e desembesta a falar coisas muito legais sobre a Bel-Air. (Ali&#225;s, se fa&#231;o agora uma cr&#237;tica negativa &#233; ao n&#250;mero de entrevistas listadas no final, com 1001 pessoas. Onde foram parar?) Gosto demais do filme e apoio muitas coisas que Daniel Caetano disse no debate, como cr&#237;tico convidado para debater 'Belair', substituindo In&#225;cio Ara&#250;jo, que n&#227;o deu as caras. N&#227;o fiquei at&#233; o fim do debate, porque tinha compromisso, mas gostei da abordagem de Caetano - seu foco foi na Belair como representa&#231;&#227;o de um cinema de resist&#234;ncia e, falando de ontem, na verdade ele falava de hoje, tomando posi&#231;&#227;o -, mas n&#227;o concordo com seu sentimento de derrota. Ele disse que chegou ao final de 'Belair' triste. Encontrei Bruno Safadi &#224; tarde e lhe disse que meu sentimento foi inverso, de j&#250;bilo. O filme resgata coisas &#243;timas, imagens que me impactaram e traz aquela Helena Ignez divina-maravilhosa, e na verdade 'eles' venceram, sim. Bressane foi o homenageado de Gramado, no ano passado, recebendo o maior pr&#234;mio de carreira do festival que antes o ignorava. Helena venceu o Kikito e com um filme, 'Can&#231;&#227;o de Baal', na melhor tradi&#231;&#227;o do cinema marginal. Esta tradi&#231;&#227;o est&#225; viva aqui em Tiradentes, num filme que amei particularmente. Vou ter um dia cheio, n&#227;o poderei postar muita coisa. Espero retomar a conversa amanh&#227;.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - E a 13&#170; Mostra de Cinema termina hoje &#224; noite, com a entrega dos pr&#234;mios aos vencedores. Falo em pr&#234;mios, no plural,  porque existem aqui tr&#234;s j&#250;ris - o da cr&#237;tica, na Mostra Aurora, que integro; o da cr&#237;tica jovem; e o do p&#250;blico. Somos orientados a outorgar um pr&#234;mio, apenas, embora, eventualmente, possa ser conferida uma men&#231;&#227;o especial. Daqui a pouco nos reunimos para as delibera&#231;&#245;es. Acredito que ser&#227;o tranquilas, precedidas, como foram, por outras discuss&#245;es que j&#225; apontaram para uma defini&#231;&#227;o. Vai acabar meu voto de sil&#234;ncio. Arre! Do que posso falar, sobre os filmes fora de concurso, j&#225; disse quanto adorei o filme de Gustavo Spolidoro 'Morro do C&#233;u', o &#250;nico a bagun&#231;ar minha prefer&#234;ncia pelo que considero melhor na Mostra Aurora. Mas eu tamb&#233;m gostei muito de 'Bel Air' e gostei principalmente de ter revisto o document&#225;rio de Bruno Safadi e Noa Sganzerla (a que assisti pela primeira vez no Festival do Rio) sobre a produtora fundada pelo pai dela, em parceria com J&#250;lio Bressane, e que em tr&#234;s meses fez sete filmes. O ano era 1970. o Pa&#237;s vivia sob uma ditadura feroz e as pesquisas de Rog&#233;rio Sganzerla e Bressane foram consideradas perigosamente subversivas, integrantes de um plano com ramifica&#231;&#245;es na guerrilha urbana. A Belair estaria lan&#231;ando suas bombas no cinema, o que n&#227;o deixa de ser verdade (mas n&#227;o a alian&#231;a da guerrilha art&#237;stica com a guerrilha armada). A press&#227;o foi tanta que Sgarnzerla, Bressane e Helena Ignez partiram para o ex&#237;lio. Todos esses filmes permanecem in&#233;ditos, embora j&#225; tivessem sido parcialmente resgatados em 'A Miss e o Dinossauro', esp&#233;cie de making of que Helena fez de 'Sem Essa, Aranha' e 'Cuidado, Madame', dois marcos da Belair. Seria interessante recolocar todos esses filmes em circula&#231;&#227;o, em DVD, se n&#227;o necessariamente nas salas, como tantos resgates que t&#234;m sido feitos ultimamente. Na verdade, acho que merecem voltar ao cinema e ser&#227;o descobertas enriquecedoras, embora n&#227;o para todos os gostos, claro. O pr&#243;prio fato de ter percebido o potencial de biscoito fino desses filmes da Belair n&#227;o me leva a defender que o cinema brasileiro tenha de ser assim. Deus me livre! N&#227;o quero fazer uma defesa babaca da diversidade, mas tamb&#233;m n&#227;o vou entrar nos tais 'paradoxos da contemporaneidade', tema da Mostra de Tiradentes deste ano, com direito a debate que ocorre agora &#224; tarde. Seria como tentar defender Sundance como alternativa a Hollywood, quando Sundance j&#225; engendrou uma nova f&#243;rmula, ou novo academicismo, enquanto o cinem&#227;o se renova com muito mais vigor e intelig&#234;ncia. (A rela&#231;&#227;o entre cinema de autor e comercial no Brasil n&#227;o &#233; a mesma, ressalte-se.) Mas vejam 'Precious', no caso do embate Sundance/Hollywood, e depois me digam se n&#227;o. Sei que J&#250;lio Bressane &#233; reticente ao r&#243;tulo de marginal, que considera pejorativo para o cinema que Sganzerla e ele faziam no come&#231;o de suas respectivas carreiras, mas Bressane rompe seu v&#233;u de sil&#234;ncio - talvez por causa de Noa Sganzerla - e desembesta a falar coisas muito legais sobre a Bel-Air. (Ali&#225;s, se fa&#231;o agora uma cr&#237;tica negativa &#233; ao n&#250;mero de entrevistas listadas no final, com 1001 pessoas. Onde foram parar?) Gosto demais do filme e apoio muitas coisas que Daniel Caetano disse no debate, como cr&#237;tico convidado para debater 'Belair', substituindo In&#225;cio Ara&#250;jo, que n&#227;o deu as caras. N&#227;o fiquei at&#233; o fim do debate, porque tinha compromisso, mas gostei da abordagem de Caetano - seu foco foi na Belair como representa&#231;&#227;o de um cinema de resist&#234;ncia e, falando de ontem, na verdade ele falava de hoje, tomando posi&#231;&#227;o -, mas n&#227;o concordo com seu sentimento de derrota. Ele disse que chegou ao final de 'Belair' triste. Encontrei Bruno Safadi &#224; tarde e lhe disse que meu sentimento foi inverso, de j&#250;bilo. O filme resgata coisas &#243;timas, imagens que me impactaram e traz aquela Helena Ignez divina-maravilhosa, e na verdade 'eles' venceram, sim. Bressane foi o homenageado de Gramado, no ano passado, recebendo o maior pr&#234;mio de carreira do festival que antes o ignorava. Helena venceu o Kikito e com um filme, 'Can&#231;&#227;o de Baal', na melhor tradi&#231;&#227;o do cinema marginal. Esta tradi&#231;&#227;o est&#225; viva aqui em Tiradentes, num filme que amei particularmente. Vou ter um dia cheio, n&#227;o poderei postar muita coisa. Espero retomar a conversa amanh&#227;.
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			<title>Salinger!</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=salinger&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 11:30:49 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">58050@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Estava ontem entre sess&#245;es da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes quando liguei, por volta das 8 da noite, para meu colega - e editor interino - Ubiratan Brasil, para discutir algumas pautas, e ele me disse que estava na pauleira, porque havia morrido J.D. Salinger. Na hora, n&#227;o tive tempo de processar a informa&#231;&#227;o e embarquei numa viagem de filmes, um ap&#243;s o outro, que durou at&#233; passado da meia-noite. S&#243; no hotel, bem mais tarde, lembrei-me da morte e fiquei ruminando... Salinger! Era muito jovem quando lki, no come&#231;o dos anos 1960, 'O Apanhador no Campo de Centeio'. Salinger captou t&#227;o bem o sentimento de revolta da juventude, a sensa&#231;&#227;o de sentir deslocado no mundo 'quadrad&#227;o', que cheguei a pensar que seu personagem, Holden Caulfield, era eu. Li depois os contos com os geniozinhos da fam&#237;lia Grass em 'Pra Cima com a Viga, Mo&#231;ada!' e continuei achando que ele era um grande escritor. Nos anos e d&#233;cadas seguintes, acompanhei a saga do misantropo das letras norte-americanas, que se afastou do conv&#237;vio social e estaria escrevendo, na surdina, o grande romance de seu pa&#237;s. Pois a verdade &#233; que sempre ouvi dizer que Salinger, noi seu ex&#237;lio interno, nunca dreixou de escrever, embora n&#227;o publicasse. 'O Apanhador' surgiu em 1951, antecipando um mal-estar e uma revolta da juventude - 'transviada' - que o cinema iria explorar largamente. N&#227;o me lembro, sinceramente, se houve uma adapta&#231;&#227;o do 'Apanhador', e se houve n&#227;o a vi, mas a influ&#234;ncia do filme atravessa obras importantes, incluindo 'O Colecionador', de William Wyler, e com certeza Gus Van Sant teve Salinger como modelo do escritor recluso que Sean Connery interpretava em 'Encontrando Forrester'. Essa reclus&#227;o somente aumentou o mito do escritor, que ele pr&#243;prio cultivava. Lembro-me da controv&#233;rsia quando aquele cara matou John Lennon e levava junto um exemplar de 'O Apanhador', que teria lhe dado as respostas para as interroga&#231;&#245;es que o consumiam. (Na &#233;poca, produzia o programa de r&#225;dio de T&#226;nia Carvalho na R&#225;dio Ga&#250;cha. Havia chegado muito cedo, pois o programa come&#231;ava &#224;s 9 ou 9 e pouco, e a not&#237;cia desmontou a pauta que j&#225; estava definida. Nem dava para pensar em nada, correndo atr&#225;s de gente que pudesse falar, e refletir sobre o fato. Essa adrenalina &#233; o que at&#233; hoje me move no jornalismo,  mesmo que seja o cultural, que trabalha muito com agenda e, neste sentido, &#233; mais tranquilo que o pol&#237;tico ou econ&#244;mico.) Mas volto ao Salinger. No hotel,. antes de vir para a sala de imprensa da Mostra de Tiradentes, li o texto com o obitu&#225;rio de Salinger no 'Estado de Minas'. &#201; assinado por Jo&#227;o Paulo, que n&#227;o conhe&#231;o, mas &#233; um belo texto, o texto que eu gostaria de ter escrito sobre ele. Ele destaca que n&#227;o era s&#243; a vis&#227;o de mundo que seduzia e faz, at&#233; hoje, do livro uma das obras mais publicadas do mundo. Todo ano vendem-se pelo menos 250 mil exemplares. A escrita de Salinger tamb&#233;m &#233; sedutora, uma simplicidade que n&#227;o &#233; pobreza nem simplifica&#231;&#227;o, mas, pelo contr&#225;rio, resultado de uma grande elabora&#231;&#227;o. Jo&#227;o Paulo fala da epifania tocada por meio de g&#237;rias. Suas palavras ficaram aqui gravitando na minha cabe&#231;a e n&#227;o resisti a acrescentar logo o post.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Estava ontem entre sess&#245;es da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes quando liguei, por volta das 8 da noite, para meu colega - e editor interino - Ubiratan Brasil, para discutir algumas pautas, e ele me disse que estava na pauleira, porque havia morrido J.D. Salinger. Na hora, n&#227;o tive tempo de processar a informa&#231;&#227;o e embarquei numa viagem de filmes, um ap&#243;s o outro, que durou at&#233; passado da meia-noite. S&#243; no hotel, bem mais tarde, lembrei-me da morte e fiquei ruminando... Salinger! Era muito jovem quando lki, no come&#231;o dos anos 1960, 'O Apanhador no Campo de Centeio'. Salinger captou t&#227;o bem o sentimento de revolta da juventude, a sensa&#231;&#227;o de sentir deslocado no mundo 'quadrad&#227;o', que cheguei a pensar que seu personagem, Holden Caulfield, era eu. Li depois os contos com os geniozinhos da fam&#237;lia Grass em 'Pra Cima com a Viga, Mo&#231;ada!' e continuei achando que ele era um grande escritor. Nos anos e d&#233;cadas seguintes, acompanhei a saga do misantropo das letras norte-americanas, que se afastou do conv&#237;vio social e estaria escrevendo, na surdina, o grande romance de seu pa&#237;s. Pois a verdade &#233; que sempre ouvi dizer que Salinger, noi seu ex&#237;lio interno, nunca dreixou de escrever, embora n&#227;o publicasse. 'O Apanhador' surgiu em 1951, antecipando um mal-estar e uma revolta da juventude - 'transviada' - que o cinema iria explorar largamente. N&#227;o me lembro, sinceramente, se houve uma adapta&#231;&#227;o do 'Apanhador', e se houve n&#227;o a vi, mas a influ&#234;ncia do filme atravessa obras importantes, incluindo 'O Colecionador', de William Wyler, e com certeza Gus Van Sant teve Salinger como modelo do escritor recluso que Sean Connery interpretava em 'Encontrando Forrester'. Essa reclus&#227;o somente aumentou o mito do escritor, que ele pr&#243;prio cultivava. Lembro-me da controv&#233;rsia quando aquele cara matou John Lennon e levava junto um exemplar de 'O Apanhador', que teria lhe dado as respostas para as interroga&#231;&#245;es que o consumiam. (Na &#233;poca, produzia o programa de r&#225;dio de T&#226;nia Carvalho na R&#225;dio Ga&#250;cha. Havia chegado muito cedo, pois o programa come&#231;ava &#224;s 9 ou 9 e pouco, e a not&#237;cia desmontou a pauta que j&#225; estava definida. Nem dava para pensar em nada, correndo atr&#225;s de gente que pudesse falar, e refletir sobre o fato. Essa adrenalina &#233; o que at&#233; hoje me move no jornalismo,  mesmo que seja o cultural, que trabalha muito com agenda e, neste sentido, &#233; mais tranquilo que o pol&#237;tico ou econ&#244;mico.) Mas volto ao Salinger. No hotel,. antes de vir para a sala de imprensa da Mostra de Tiradentes, li o texto com o obitu&#225;rio de Salinger no 'Estado de Minas'. &#201; assinado por Jo&#227;o Paulo, que n&#227;o conhe&#231;o, mas &#233; um belo texto, o texto que eu gostaria de ter escrito sobre ele. Ele destaca que n&#227;o era s&#243; a vis&#227;o de mundo que seduzia e faz, at&#233; hoje, do livro uma das obras mais publicadas do mundo. Todo ano vendem-se pelo menos 250 mil exemplares. A escrita de Salinger tamb&#233;m &#233; sedutora, uma simplicidade que n&#227;o &#233; pobreza nem simplifica&#231;&#227;o, mas, pelo contr&#225;rio, resultado de uma grande elabora&#231;&#227;o. Jo&#227;o Paulo fala da epifania tocada por meio de g&#237;rias. Suas palavras ficaram aqui gravitando na minha cabe&#231;a e n&#227;o resisti a acrescentar logo o post.
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			<title>'Stavisky'</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=stavisky&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 18:09:51 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">57953@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Se estivesse em S&#227;o Paulo, teria endere&#231;o certo no s&#225;bado, meio-dia. J&#225; contei da emo&#231;&#227;o que foi rever, no come&#231;o do m&#234;s, 'Hiroshima, Meu Amor', que abriu a s&#233;rie de homenagens que a Sess&#227;o Cin&#233;fila do Espa&#231;o Unibanco presta a Alain Resnais, em janeiro de 2010, pegando carona na estreia de 'Ervas Daninhas'. 'Hiroshima' &#233; um dos meus cults, um dos filmes que carrego comigo, num pante&#227;o muito particular. Neste s&#225;bado, a Sess&#227;o Cin&#233;fila resgata outro Resnais que me encanta. 'Stavisky', com Jean Paul Belmondo, &#233; considerado o filme mais 'comercial' do autor. O personagem existiu e foi um escroque que marcou a vida francesa nos anos 1930. H&#225; muita controv&#233;rsia sobre quem de fato foi esse emigrado russo que se instalou na Fran&#231;a e, &#224; custa de golpes, conseguiu dominar/influenciar o sistema banc&#225;rio, com repercuss&#245;es na vida das pessoas comuns. Resnais trabalhou sobre um roteiro de Jorge Semprun, seu roteirista na obra-prima 'A Guerra Acabou'. Quero dizer que, mesmo adorando 'La Guerre Est Finie' - e me arriscando a tomar porrada - meu fasc&#237;nio por 'Stavisky' &#233; maior. Tecnicamente impec&#225;vel, o filme explora todo o carisma de Belmondo no papel principal, mas o que me encanta em 'Stavisky' &#233; a presen&#231;a de Annie Duperey, bela e misteriosa como a Delphine Seyrig de 'Marienbad', e mais ainda a partitura de Stephen Sondheim. Fecho os olhos e sou capaz de 'ouvir' a trilha de 'Stavisky'. Com ela, vem as imagens suntuosas do filme, exatamente como quando penso em 'Hiroshima' (e 'ou&#231;o' os temas de Giovanni Fusco e Gerges Delerue). Vejam ou revejam 'Stavisky', por mim. Duvido muito que algu&#233;m vg&#225; se arrepender, depois.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Se estivesse em S&#227;o Paulo, teria endere&#231;o certo no s&#225;bado, meio-dia. J&#225; contei da emo&#231;&#227;o que foi rever, no come&#231;o do m&#234;s, 'Hiroshima, Meu Amor', que abriu a s&#233;rie de homenagens que a Sess&#227;o Cin&#233;fila do Espa&#231;o Unibanco presta a Alain Resnais, em janeiro de 2010, pegando carona na estreia de 'Ervas Daninhas'. 'Hiroshima' &#233; um dos meus cults, um dos filmes que carrego comigo, num pante&#227;o muito particular. Neste s&#225;bado, a Sess&#227;o Cin&#233;fila resgata outro Resnais que me encanta. 'Stavisky', com Jean Paul Belmondo, &#233; considerado o filme mais 'comercial' do autor. O personagem existiu e foi um escroque que marcou a vida francesa nos anos 1930. H&#225; muita controv&#233;rsia sobre quem de fato foi esse emigrado russo que se instalou na Fran&#231;a e, &#224; custa de golpes, conseguiu dominar/influenciar o sistema banc&#225;rio, com repercuss&#245;es na vida das pessoas comuns. Resnais trabalhou sobre um roteiro de Jorge Semprun, seu roteirista na obra-prima 'A Guerra Acabou'. Quero dizer que, mesmo adorando 'La Guerre Est Finie' - e me arriscando a tomar porrada - meu fasc&#237;nio por 'Stavisky' &#233; maior. Tecnicamente impec&#225;vel, o filme explora todo o carisma de Belmondo no papel principal, mas o que me encanta em 'Stavisky' &#233; a presen&#231;a de Annie Duperey, bela e misteriosa como a Delphine Seyrig de 'Marienbad', e mais ainda a partitura de Stephen Sondheim. Fecho os olhos e sou capaz de 'ouvir' a trilha de 'Stavisky'. Com ela, vem as imagens suntuosas do filme, exatamente como quando penso em 'Hiroshima' (e 'ou&#231;o' os temas de Giovanni Fusco e Gerges Delerue). Vejam ou revejam 'Stavisky', por mim. Duvido muito que algu&#233;m vg&#225; se arrepender, depois.
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			<title>N&#227;o percam!</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=nao_percam_3&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 17:52:35 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">57950@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Nossa capa de hoje, no 'Caderno 2', &#233; a entrevista que havia feito com Michelle Pfeiffer e com a dupla criadora por tr&#225;s das c&#226;meras de 'Ch&#233;ri' - o diretor Stephen Frears e o roteirista Christopher Hampton -, no Festival de Berlim do ano passado. Nessa hist&#243;ria de viajar para c&#225; e para l&#225; - Los Angeles, Paris e agora Tiradentes - perdi a estreia de 'Ch&#233;ri' e, quando vi, o filme j&#225; estava em cartaz. S&#243; muito superficialmente o longa adaptado de Colette pode ser visto como 'Rela&#231;&#245;es Perigosas 2', mas foi assim que foi recebido na Berlinale de 2009. Gostei de 'Ch&#233;ri', gostei de Michelle Pfeiffer e simplesmente surtei com a musicalidade dos di&#225;logos, muito bem escritos, que Hampton, mesmo quando teve de modificar, atribuiu &#224; escritora, afirmando que ela &#233; muito maior do que a fama que ostenta. Voc&#234;s j&#225; viram 'Ch&#233;ri'? ESpero que sim. Mal refeito da descoberta de que o filme de Frears estreara, descobri tamb&#233;m que j&#225; est&#225; em cartaz 'O Fada do Dente'. N&#226;o h&#225; compara&#231;&#227;o poss&#237;vel entre ambos, mas a nova com&#233;dia de Dwaynne Johnson, o ex-The Rock, me permitiu entrevistar Julie Andrews. Mary Poppins! A novi&#231;a rebelde! Victor/Victoria! A entrevista estar&#225; no 'Caderno 2' de amanh&#227;. N&#227;o percam!</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Nossa capa de hoje, no 'Caderno 2', &#233; a entrevista que havia feito com Michelle Pfeiffer e com a dupla criadora por tr&#225;s das c&#226;meras de 'Ch&#233;ri' - o diretor Stephen Frears e o roteirista Christopher Hampton -, no Festival de Berlim do ano passado. Nessa hist&#243;ria de viajar para c&#225; e para l&#225; - Los Angeles, Paris e agora Tiradentes - perdi a estreia de 'Ch&#233;ri' e, quando vi, o filme j&#225; estava em cartaz. S&#243; muito superficialmente o longa adaptado de Colette pode ser visto como 'Rela&#231;&#245;es Perigosas 2', mas foi assim que foi recebido na Berlinale de 2009. Gostei de 'Ch&#233;ri', gostei de Michelle Pfeiffer e simplesmente surtei com a musicalidade dos di&#225;logos, muito bem escritos, que Hampton, mesmo quando teve de modificar, atribuiu &#224; escritora, afirmando que ela &#233; muito maior do que a fama que ostenta. Voc&#234;s j&#225; viram 'Ch&#233;ri'? ESpero que sim. Mal refeito da descoberta de que o filme de Frears estreara, descobri tamb&#233;m que j&#225; est&#225; em cartaz 'O Fada do Dente'. N&#226;o h&#225; compara&#231;&#227;o poss&#237;vel entre ambos, mas a nova com&#233;dia de Dwaynne Johnson, o ex-The Rock, me permitiu entrevistar Julie Andrews. Mary Poppins! A novi&#231;a rebelde! Victor/Victoria! A entrevista estar&#225; no 'Caderno 2' de amanh&#227;. N&#227;o percam!
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			<title>N&#227;o percam!</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=nao_percam_2&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 17:51:26 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">57949@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - Nossa capa de hoje, no 'Caderno 2', &#233; a entrevista que havia feito com Michelle Pfeiffer e com a dupla criadora por tr&#225;s das c&#226;meras de 'Ch&#233;ri' - o diretor Stephen Frears e o roteirista Christopher Hampton -, no Festival de Berlim do ano passado. Nessa hist&#243;ria de viajar para c&#225; e para l&#225; - Los Angeles, Paris e agora Tiradentes - perdi a estreia de 'Ch&#233;ri' e, quando vi, o filme j&#225; estava em cartaz. S&#243; muito superficialmente o longa adaptado de Colette pode ser visto como 'Rela&#231;&#245;es Perigosas 2', mas foi assim que foi recebido na Berlinale de 2009. Gostei de 'Ch&#233;ri', gostei de Michelle Pfeiffer e simplesmente surtei com a musicalidade dos di&#225;logos, muito bem escritos, que Hampton, mesmo quando teve de modificar, atribuiu &#224; escritora, afirmando que ela &#233; muito maior do que a fama que ostenta. Voc&#234;s j&#225; viram 'Ch&#233;ri'? ESpero que sim. Mal refeito da descoberta de que o filme de Frears estreara, descobri tamb&#233;m que j&#225; est&#225; em cartaz 'O Fada do Dente'. N&#226;o h&#225; compara&#231;&#227;o poss&#237;vel entre ambos, mas a nova com&#233;dia de Dwaynne Johnson, o ex-The Rock, me permitiu entrevistar Julie Andrews. Mary Poppins! A novi&#231;a rebelde! Victor/Victoria! A entrevista estar&#225; no 'Caderno 2' de amanh&#227;. N&#227;o percam!</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - Nossa capa de hoje, no 'Caderno 2', &#233; a entrevista que havia feito com Michelle Pfeiffer e com a dupla criadora por tr&#225;s das c&#226;meras de 'Ch&#233;ri' - o diretor Stephen Frears e o roteirista Christopher Hampton -, no Festival de Berlim do ano passado. Nessa hist&#243;ria de viajar para c&#225; e para l&#225; - Los Angeles, Paris e agora Tiradentes - perdi a estreia de 'Ch&#233;ri' e, quando vi, o filme j&#225; estava em cartaz. S&#243; muito superficialmente o longa adaptado de Colette pode ser visto como 'Rela&#231;&#245;es Perigosas 2', mas foi assim que foi recebido na Berlinale de 2009. Gostei de 'Ch&#233;ri', gostei de Michelle Pfeiffer e simplesmente surtei com a musicalidade dos di&#225;logos, muito bem escritos, que Hampton, mesmo quando teve de modificar, atribuiu &#224; escritora, afirmando que ela &#233; muito maior do que a fama que ostenta. Voc&#234;s j&#225; viram 'Ch&#233;ri'? ESpero que sim. Mal refeito da descoberta de que o filme de Frears estreara, descobri tamb&#233;m que j&#225; est&#225; em cartaz 'O Fada do Dente'. N&#226;o h&#225; compara&#231;&#227;o poss&#237;vel entre ambos, mas a nova com&#233;dia de Dwaynne Johnson, o ex-The Rock, me permitiu entrevistar Julie Andrews. Mary Poppins! A novi&#231;a rebelde! Victor/Victoria! A entrevista estar&#225; no 'Caderno 2' de amanh&#227;. N&#227;o percam!
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			<title>Morram de inveja</title>
			<link>http://blog.estadao.com.br/blog/merten?title=morram_de_inveja&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1</link>
			<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 17:37:15 +0000</pubDate>
						<category domain="main">Cinema</category>			<guid isPermaLink="false">57947@http://blog.estadao.com.br/blog</guid>
			<description>TIRADENTES - C&#225; estou em em Minas, acrescentando estes posts com proced&#234;ncia local, mas impossibilitado de falar sobre os filmes da competi&#231;&#227;o da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, justamente por integrar o j&#250;ri da cr&#237;tica que vai atribuir os pr&#234;mios da Mostra Aurora. Tenho assistido aos debates e ando nos cascos para meter a minha colher, falando de 'Terras', de Maya Dar-Rin; de 'Viagem para Ythaca', de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Di&#243;genes e Ricardo Pretti; e 'Um Lugar ao Sol', de Gabriel Mascaro, os tr&#234;s longas a que j&#225; assisti. Me aguardem, quando acabar esse voto de sil&#234;ncio. Foi muito interessante - vou tentar falar sem emitir nenhum ju&#237;zo de valor - assistir ontem a 'A Alma do Osso', de Cao Guimar&#227;es, e ao filme de Mascaro. Ambos s&#227;o document&#225;rios. 'Um Lugar ao Sol' entrevista integrantes da elite brasileira, pessoas que moram em coberturas no Recife e no Rio e em S&#227;o Paulo. Numa cena, uma das personagens diz que entre outras coisas, a cobertura lhe permite falar diretamente com Deus, basta olhar para cima, para a imensid&#227;o do c&#233;u. O filme de Cao conta a hist&#243;ria de um ermit&#227;o que mora numa caverna de Minas. Ele tamb&#233;m olha para o c&#233;u e v&#234; a imensid&#227;o do cosmo, mas n&#227;o tem esse del&#237;rio de estar falando diretamente com o todo-poderoso. Seria interessante ver a tal madame se instalar na caverna para ter esse momento di-vi-no. Estou jogando conversa fora, e tentando n&#227;o opinar, embora nada me impe&#231;a de comentar o document&#225;rio de Cao Guimar&#227;es, que j&#225; tinha visto no &#201; Tudo Verdade, h&#225; alguns (v&#225;rios?) anos. Cao retomou 'A Alma do Osso' porque entrou num edital, ganhou uma verba para lan&#231;amento e agora promete lan&#231;ar o filme em mar&#231;o ou abril. O filme n&#227;o foi remontado, mas Cao efetuou uma mudan&#231;a no quadro, para dar a seu filme o formato de cinema. N&#227;o acredito que tenha sido isso que mudou substancialmente 'A Alma do Osso'. Talvez tenha mudado eu, porque o filme n&#227;o me havia impressionado muito, anteriormente, e desta vez me deixou chapado, desde a cita&#231;&#227;o inicial de Guimar&#227;es Rosa - 'Solid&#227;o &#233; eu demais'. O filme tem muito sil&#234;ncio, mas quando o ermit&#227;o fala - a hist&#243;ria que justifica o t&#237;tulo e o encontro dele com o morto, na ponte - suas frases incompreens&#237;veis, que necessitam de legendas, me produriram o mesmo encantando que o dialeto dos adolescentes de 'Morro do C&#233;u', de Gustavo Spolidoro. Pretendo voltar aos filmes da Mostra Aurora, t&#227;o logo me desincompatibilize do voto de sil&#234;ncio a que me obriga a posi&#231;&#227;o de jurado. Posso falar, em compensa&#231;&#227;o, sobre os curtas e ontem vi tr&#234;s nos quais estava particularmente interessado. Integraram o mesmo programa, passando, &#224;s 9 da noite, na pra&#231;a central de Tiradentes. N&#227;o gostei do curta ga&#250;cho 'Quarto de Espera', que dialoga com o cinema marginal, por meio de 'Bang Bang', de Andrra Tonacci, que me havia sido vendido, o curta n&#227;o o longa de Tonacci, como o melhor filme brasileiro, independentemente de dura&#231;&#227;o, dos &#250;ltimos tempos. Est&#227;o loucos? Talvez tivesse uma expectativa exagerada por 'Bail&#227;o', que foi premiado em Bras&#237;lia, porque conhe&#231;o seu jovem diretor, Marcelo Caetano, da casa de minha amiga Leila Reis. Marcelo &#233; amigo da filha de minha amiga, a Ana Terra, e eu j&#225; sabia do furor que seu filme provocou na comunidade dos 'ursos', na internet. Gostei, mas sem paix&#227;o, e o filme terminou me impressionando muito mais como fen&#244;meno 'comportamental' do que est&#233;tico. O pr&#243;prio Marcelo definiu seu curta como tratando de 'sobreviventes', velhos gays que sobreviveram a tudo - ao preconceito, &#224; aids - e se encontram nesse bail&#227;o de S&#227;o Paulo. O filme passou na pra&#231;a, com crian&#231;as, adolescentes, fam&#237;lias inteiras formando a plateia. Homens abra&#231;ados, dan&#231;ando de rosto colado e contando hist&#243;rias de 'pega&#231;&#227;o'. N&#227;o ouvi uma piada, o povo permaneceu atento e aplaudiu bastante. Marcelo Caetano &#233; mineiro. Talvez tenha feito uma pequena revolu&#231;&#227;o ao voltar para casa, para mostrar seu trabalho. O respeito com que as pessoas receberam 'Bail&#227;o' sinaliza para alguma coisa. Uma mudan&#231;a, pequena que seja? Na sequ&#234;ncia veio 'Fa&#231;o de Mim o Que Quero', de S&#233;rgio Oliveira, que metaforiza a pr&#243;pria proposta na magn&#237;fica sequ&#234;ncia de cr&#233;ditos, no final. Os nomes dos integrantes da equipe s&#227;o escritos no pr&#243;prio corpo dos personagens desse document&#225;rio que, embora diferente - um sobre gays, outro sobre bregas -, n&#227;o deixa de oferecer um contraponto (ou ser&#225; complementa&#231;&#227;o?) a 'Bail&#227;o'. Finalmente, 'Recife Frio', de Kleber Mendon&#231;a Filho. O filme foi superpremiado em Bras&#237;lia, recebeu, sei l&#225;, oito pr&#234;mios na categoria de curtas, mas n&#227;o o principal. Uma mudan&#231;a clim&#225;tica, um fen&#244;meno local, uma nuvem que paira sobre a cidade, modifica a paisagem do Recife. Sai o calor e entra o frio, o inverno substituindo o ver&#227;o. Kleber deu a seu filme o formato de um falso document&#225;rio do Discovery Channel. Numa cena, um franc&#234;s que possui uma pousada diz que o tempo estragou seu neg&#243;cio. Ele ainda continuou recebendo pedidos de reservas de europeus, mas a&#237; o canal Discovery enviou uma equipe e... Bye bye! 'Recife Frio' teve a maior ova&#231;&#227;o da Mostra de Tiradentes, at&#233; agora. Me disseram que, em Bras&#237;lia, a rea&#231;&#227;o foi a mesma. Que j&#250;ri ter&#225; resistido a atribuir a 'Recife Frio' o Candango de melhor curta? Kleber deve estar, me desculpem, c... Ele est&#225; levando seu filme a Roterd&#227;, onde recebe a homenagem do festival.</description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>TIRADENTES - C&#225; estou em em Minas, acrescentando estes posts com proced&#234;ncia local, mas impossibilitado de falar sobre os filmes da competi&#231;&#227;o da 13&#170; Mostra de Cinema de Tiradentes, justamente por integrar o j&#250;ri da cr&#237;tica que vai atribuir os pr&#234;mios da Mostra Aurora. Tenho assistido aos debates e ando nos cascos para meter a minha colher, falando de 'Terras', de Maya Dar-Rin; de 'Viagem para Ythaca', de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Di&#243;genes e Ricardo Pretti; e 'Um Lugar ao Sol', de Gabriel Mascaro, os tr&#234;s longas a que j&#225; assisti. Me aguardem, quando acabar esse voto de sil&#234;ncio. Foi muito interessante - vou tentar falar sem emitir nenhum ju&#237;zo de valor - assistir ontem a 'A Alma do Osso', de Cao Guimar&#227;es, e ao filme de Mascaro. Ambos s&#227;o document&#225;rios. 'Um Lugar ao Sol' entrevista integrantes da elite brasileira, pessoas que moram em coberturas no Recife e no Rio e em S&#227;o Paulo. Numa cena, uma das personagens diz que entre outras coisas, a cobertura lhe permite falar diretamente com Deus, basta olhar para cima, para a imensid&#227;o do c&#233;u. O filme de Cao conta a hist&#243;ria de um ermit&#227;o que mora numa caverna de Minas. Ele tamb&#233;m olha para o c&#233;u e v&#234; a imensid&#227;o do cosmo, mas n&#227;o tem esse del&#237;rio de estar falando diretamente com o todo-poderoso. Seria interessante ver a tal madame se instalar na caverna para ter esse momento di-vi-no. Estou jogando conversa fora, e tentando n&#227;o opinar, embora nada me impe&#231;a de comentar o document&#225;rio de Cao Guimar&#227;es, que j&#225; tinha visto no &#201; Tudo Verdade, h&#225; alguns (v&#225;rios?) anos. Cao retomou 'A Alma do Osso' porque entrou num edital, ganhou uma verba para lan&#231;amento e agora promete lan&#231;ar o filme em mar&#231;o ou abril. O filme n&#227;o foi remontado, mas Cao efetuou uma mudan&#231;a no quadro, para dar a seu filme o formato de cinema. N&#227;o acredito que tenha sido isso que mudou substancialmente 'A Alma do Osso'. Talvez tenha mudado eu, porque o filme n&#227;o me havia impressionado muito, anteriormente, e desta vez me deixou chapado, desde a cita&#231;&#227;o inicial de Guimar&#227;es Rosa - 'Solid&#227;o &#233; eu demais'. O filme tem muito sil&#234;ncio, mas quando o ermit&#227;o fala - a hist&#243;ria que justifica o t&#237;tulo e o encontro dele com o morto, na ponte - suas frases incompreens&#237;veis, que necessitam de legendas, me produriram o mesmo encantando que o dialeto dos adolescentes de 'Morro do C&#233;u', de Gustavo Spolidoro. Pretendo voltar aos filmes da Mostra Aurora, t&#227;o logo me desincompatibilize do voto de sil&#234;ncio a que me obriga a posi&#231;&#227;o de jurado. Posso falar, em compensa&#231;&#227;o, sobre os curtas e ontem vi tr&#234;s nos quais estava particularmente interessado. Integraram o mesmo programa, passando, &#224;s 9 da noite, na pra&#231;a central de Tiradentes. N&#227;o gostei do curta ga&#250;cho 'Quarto de Espera', que dialoga com o cinema marginal, por meio de 'Bang Bang', de Andrra Tonacci, que me havia sido vendido, o curta n&#227;o o longa de Tonacci, como o melhor filme brasileiro, independentemente de dura&#231;&#227;o, dos &#250;ltimos tempos. Est&#227;o loucos? Talvez tivesse uma expectativa exagerada por 'Bail&#227;o', que foi premiado em Bras&#237;lia, porque conhe&#231;o seu jovem diretor, Marcelo Caetano, da casa de minha amiga Leila Reis. Marcelo &#233; amigo da filha de minha amiga, a Ana Terra, e eu j&#225; sabia do furor que seu filme provocou na comunidade dos 'ursos', na internet. Gostei, mas sem paix&#227;o, e o filme terminou me impressionando muito mais como fen&#244;meno 'comportamental' do que est&#233;tico. O pr&#243;prio Marcelo definiu seu curta como tratando de 'sobreviventes', velhos gays que sobreviveram a tudo - ao preconceito, &#224; aids - e se encontram nesse bail&#227;o de S&#227;o Paulo. O filme passou na pra&#231;a, com crian&#231;as, adolescentes, fam&#237;lias inteiras formando a plateia. Homens abra&#231;ados, dan&#231;ando de rosto colado e contando hist&#243;rias de 'pega&#231;&#227;o'. N&#227;o ouvi uma piada, o povo permaneceu atento e aplaudiu bastante. Marcelo Caetano &#233; mineiro. Talvez tenha feito uma pequena revolu&#231;&#227;o ao voltar para casa, para mostrar seu trabalho. O respeito com que as pessoas receberam 'Bail&#227;o' sinaliza para alguma coisa. Uma mudan&#231;a, pequena que seja? Na sequ&#234;ncia veio 'Fa&#231;o de Mim o Que Quero', de S&#233;rgio Oliveira, que metaforiza a pr&#243;pria proposta na magn&#237;fica sequ&#234;ncia de cr&#233;ditos, no final. Os nomes dos integrantes da equipe s&#227;o escritos no pr&#243;prio corpo dos personagens desse document&#225;rio que, embora diferente - um sobre gays, outro sobre bregas -, n&#227;o deixa de oferecer um contraponto (ou ser&#225; complementa&#231;&#227;o?) a 'Bail&#227;o'. Finalmente, 'Recife Frio', de Kleber Mendon&#231;a Filho. O filme foi superpremiado em Bras&#237;lia, recebeu, sei l&#225;, oito pr&#234;mios na categoria de curtas, mas n&#227;o o principal. Uma mudan&#231;a clim&#225;tica, um fen&#244;meno local, uma nuvem que paira sobre a cidade, modifica a paisagem do Recife. Sai o calor e entra o frio, o inverno substituindo o ver&#227;o. Kleber deu a seu filme o formato de um falso document&#225;rio do Discovery Channel. Numa cena, um franc&#234;s que possui uma pousada diz que o tempo estragou seu neg&#243;cio. Ele ainda continuou recebendo pedidos de reservas de europeus, mas a&#237; o canal Discovery enviou uma equipe e... Bye bye! 'Recife Frio' teve a maior ova&#231;&#227;o da Mostra de Tiradentes, at&#233; agora. Me disseram que, em Bras&#237;lia, a rea&#231;&#227;o foi a mesma. Que j&#250;ri ter&#225; resistido a atribuir a 'Recife Frio' o Candango de melhor curta? Kleber deve estar, me desculpem, c... Ele est&#225; levando seu filme a Roterd&#227;, onde recebe a homenagem do festival.
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