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25.11.09
O Brasil perder R$ 3,6 trilhões até 2050 em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas no País, o que equivaleria a jogar fora um ano de crescimento econômico nos próximos 40 anos. A informação faz parte do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil, divulgado hoje, que reuniu equipes de instituições reconhecidas como USP, UFRJ, Unicamp, Inpe, Embrapa e Fiocruz.
A ideia do relatório foi traçar, para o cenário brasileiro, um panorama semelhante ao desenhado pelo economista Nicholas Stern em 2006. Na ocasião, Stern traçou, a pedido do governo britânico, um estudo sobre os custos financeiros da mudança climática - este que ficou conhecido como Relatório Stern. A síntese do estudo enunciou que os investimentos necessários para atenuar os efeitos das mudanças climáticas consumiriam 1% do PIB mundial, ao ano. O mesmo relatório ponderou que, se nada fosse feito para combater a crise do clima, o estrago pode custar até 20% do PIB mundial.
Apesar das perdas econômicas que o País poderá sofrar, o estudo também aponta oportunidades. E todas ligadas à chamada economia verde, ou de baixo carbono. A agricultura, por exemplo, perde em produtividade e áreas cultiváveis (em especial as culturas de soja, milho e café). Mas a cana-de-açúcar pode aumentar sua área plantada em até 147% ao longo deste século - oportunidade de ouro para o setor de biocombustíveis. A substituição de combustíveis fósseis, aliás, evitaria a emissão doméstica de até 203 milhões de toneladas de CO2 até 2035.
Outra oportunidade apontada pelo relatório é o pagamento por serviços ambientais. Segundo o estudo, a preservação da floresta amazônica pode render até US$ 450 por hectare, o equivalente a US$ 3 por tonelada de carbono que deixar de ser lançada na atmosfera. Esse pagamento, segundo as instituições, desestimularia o desmatamento voltado à pecuária. Só não se sabe ainda quem vai pagar essa conta.
Leia mais: Brasil pode perder R$ 3,6 trilhões por causa do aquecimento global
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Comentários:
Comentário de: leonardo saboia de azevedo [Visitante]
27.11.09 @ 09:32Por mais que se criem mecanismos para atenuar os efeitos do efeito estufa, de nada adiantará se os grandes fabricantes de eletros domésticos e eletros eletrônicos basearem seus processos produtivos no que é chamado de obsolescência programada, nome dado a vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. De nada adiantará se a mídia em geral não criar critérios na hora de vincular em sua rede o lançamento de um novo produto, geralmente com as características de vida útil curta.
Os governantes, mesmo que tardiamente, já se deram conta da importância de uma política de desenvolvimento sustentável. A população em geral, pelo menos aqueles que cursaram o Ensino Fundamental nos anos 80 e 90, também já sabem de cor o texto da ecologia e preservação. Mas as grandes indústrias e conseqüentemente a mídia ainda não se deram conta que determinadas práticas, como essa da obsolescência projetada e propagandas mirabolantes de estimulo ao consumo acabam por dificultar a redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera.
Comentário de: Edu [Visitante] · http://www.ateamargemdogranderio.blogspot.com
27.11.09 @ 11:10Um ano perdido ? Isso não é nada, entre Sarney e Collor perdemos uns oito.
E continuamos perdendo muito mais com os desperdícios de burocracia e corrupção.
Aliás, convenhamos, o sistema todo é só de perdas.
Comentário de: Pedro Gadelha [Visitante] · http://pgadelha@gmail.com
01.12.09 @ 09:40Bom dia Andrea,
parabéns pelo seu blog, que acompanho há meses...gostaria porém de lhe perguntar por que não houve ainda nenhum artigo relacionado à bicicleta como alternativa de transporte e ao cicloativismo, um movimento que vem crescendo (devagar e sempre) em São Paulo. Recomendo uma visita a sites como o ciclobr, o apocalipse motorizado ou o transporte ativo, que se envolvem seriamente com esse tema. Muito obrigado.
Comentário de: Evandro Carlos [Visitante] · http://www.hiperguia.com.br
10.12.09 @ 18:20Um ano perdido, que, se foi fosse usado poderia acabar com muitos problemas enfrentados hoje: sistemas de saúde e educação em ruínas, segurança pública de péssima qualidade, transposte, etc.
A sustentabilidade é e sempre será um bom negócio.
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Andrea Vialli é jornalista com especialização em sustentabilidade pela Schumacher College, do Reino Unido. Desde 2004 escreve uma coluna voltada para o tema no caderno de Economia&Negócios do Estadão.
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