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26.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Agenda 00:15:29.

Estou em Bogotá, Colômbia, para onde viajei a convite da Fundação Avina e Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano (Fnpi), para acompanhar o seminário Colombia Responsable - o maior evento sobre sustentabilidade e responsabilidade social corporativa do país, realizado pelo segundo ano consecutivo.

Participei de uma série de palestras especiais sobre meios de comunicação e sustentabilidade. É crescente o interesse dos jornais e revistas daqui sobre o assunto. Pude compartilhar com os colegas latinoamericanos minha experiência com o tema no Estadão e aqui no blog, e também dei uma palestra sobre relatórios de responsabilidade corporativa. Editamos o nosso desde 2006, nos padrões internacionais GRI, o que despertou a atenção de outros grupos de mídia e resultou no convite para contar nossa experiência.

Vou conhecer amanhã um estudo sobre o envolvimento dos grupos de comunicação na América Latina com o tema sustentabilidade. Mando notícias!
Hasta luego!


O Corferias, centro de convenções e feiras de negócios em Bogotá, que sedia o Colombia Responsable

 


22.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Uma nova economia, Cadeias produtivas, Consumo 20:03:58.


Plantação de soja, em foto de Dida Sampaio/AE

Depois da pegada ecológica (ecological footprint) e da pegada do carbono (carbon footprint), tudo indica que vamos começar a ouvir falar muito da pegada florestal (forest footprint). O impacto das cadeias produtivas sobre os recursos florestais que ainda restam no mundo caminha para ser o grande tema das discussões sobre sustentabilidade empresarial nos próximos anos.

Se alguém duvida disso, basta ver o exemplo do setor de pecuária no Brasil, que abordamos por aqui. A celeuma causada pelo relatório do Greenpeace está levando muitas empresas a reverem seus negócios, para salvaguardar sua própria reputação. Primeiro foram as grandes cadeias de supermercados. Esta semana, frigoríficos como Marfrig e Bertin já assumiram publicamente o compromisso de não comprar carne de fazendas localizadas em áreas de desmatamento na Amazônia.

E para corroborar a tendência, foi lançado na semana passada o Forest Footprint Disclosure Project - algo como Projeto de Transparência da Pegada Florestal, em tradução livre. O projeto pretende ser uma ampla tentativa de mapear a relação entre o comércio de commodities no mundo e a perda da biodiversidade. Para isso, 150 das maiores multinacionais globais serão convidadas a abrir dados sobre suas cadeias produtivas e a origem de suas matérias-primas.

O modelo é o mesmo seguido pelo Carbon Disclosure Project, que reúne informações sobre as emissões de gases estufa de grandes grupos em todo o mundo. Essas informações são acompanhadas de perto por entidades financeiras e investidores institucionais, como fundos de pensão, que podem usá-las como ferramenta de análise de riscos.

Os primeiros resultados do Forest Footprint estão previstos para o início de 2010. Mas uma prévia do que os resultados devem mostrar já estão disponíveis no documento inicial do projeto, que pode ser acessado aqui. O estudo prévio demonstra que seis commodities globais - soja, carne bovina, couro, madeira, biocombustíveis e óleo de palma - estão impulsionando a destruição das florestas em todo o planeta, uma história que, infelizmente, conhecemos bem.

Alguns argumentos
E antes que os adeptos do crescimento a qualquer custo se revoltem contra a proposta, é bom lembrar que antes que um obstáculo ao desenvolvimento de nossa economia (grande exportadora de boa parte das commodities acima mencionadas), a manutenção das florestas em pé será essencial para o próprio sistema econômico nos próximos anos. Isso porque:

- Os chamados serviços ambientais providos pelos ecossistemas selvagens (regulação do clima e das temperaturas, produção de água, polinização) são essenciais para a segurança alimentar e energética do mundo;

- No Brasil, os setores de soja, energia hidrelétrica e biocombustíveis se beneficiam diretamente das cerca de 20 bilhões de toneladas de água que evaporam da Amazônia diariamente;

- Estancar a sangria do desmatamento poderia prover para a economia global entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões por ano em serviços ambientais;

- Os setores da economia mais vulneráveis são justamente aqueles que contam com a disponibilidade de recursos naturais e com ecossistemas saudáveis, como o agronegócio, os biocombustíveis, a indústria de alimentos e bebidas. A perda antecipada dos serviços ambientais afetará o retorno financeiro de todos esses setores. Sem contar o turismo.

- A vigilância dos consumidores sobre o uso de matérias-primas produzidas de forma não sustentável é uma ameça à reputação de marcas globais.

Alguém ainda acha que dá para prescindir da natureza?

 


18.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Agenda 20:55:27.

A Universidade Federal do Tocantins vai sediar, entre os dias 22 e 24 de Junho, o Seminário Internacional "Crise Civilizacional: Distintos Olhares – Transição de Paradigma de Desenvolvimento nos Países do Sul".
Promovido pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre Política Civilizacional, com sede na França, o seminário é realizado duas vezes ao ano, uma no hemisfério Sul e outra no Norte, com o objetivo de debater as transformações que vêm ocorrendo no mundo.

A escolha do Brasil coincide com as celebrações do ano da França no País e, nesse contexto, participarão dos debates acadêmicos como o filósofo e historiador francês Edgar Morin, que aos 88 anos é considerado um dos maiores pensadores da atualidade. Idealizador do seminário, Morin dividirá atenções com seu conterrâneo Michel Brunet, paleontólogo que descobriu, no início deste século, o fóssil do mais antigo ancestral do homem.

O seminário contará com a participação de figuras políticas e acadêmicos da Universidade de Nova York, Brasília e Paris. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.distintosolhares.com. A participação é aberta ao público e todo o conteúdo das palestras poderá também ser acessado pela internet.

 


17.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Cadeias produtivas, Consumo 20:18:38.

É o Assunto da semana. Os produtores de carne estão vivendo um verdadeiro inferno astral, que começou com a publicação do relatório A Farra do Boi na Amazônia, divulgado pelo Greenpeace há duas semanas. Nele, a ONG lista as empresas que, por meio de sua cadeia de fornecedores, contribuem de forma direta para o desmatamento da Amazônia. São citados nominalmente de grandes frigoríficos, como JBS Friboi, Marfrig e Bertin, cadeias de supermercado como Wal-Mart e Carrefour, a marcas de renome como Adidas, Nike e Gucci, que também utilizariam como matéria-prima o couro do boi do desmatamento.

A história não é exatamente novidade. Depois da soja, a pecuária extensiva tem sido apontada por entidades sociais e ambientalistas como o grande vetor de desmate e do trabalho escravo nos rincões da Amazônia. Só que agora a situação ganhou novos contornos e desencadeou uma série de acontencimentos.

O estudo do Greenpeace chamou a atenção do Ministério Público Federal do Pará, que começou a investigar essa cadeia. Por recomendação do MPF, as três maiores redes de supermercados que operam no País - Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart - e a Abras, entidade que representa o setor, anunciaram um boicote à carne produzida no Pará.

Na esteira, o IFC, braço de financiamentos à iniciativa privada do Banco Mundial, rescindiu esta semana o contrato com o frigorífico Bertin. O grupo deixou de receber uma parcela de US$ 30 milhões de um financiamento e terá de devolver outros US$ 60 milhões de um contrato firmado em 2007.

No meio desse turbilhão, a Abiec, entidade que representa os exportadores de carne, esperneou. Ameaçou processar o Greenpeace, alegando que o relatório não diferencia os bons criadores, que usam práticas modernas de pecuária, dos matadouros de fundo de quintal. O presidente da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca, em parte tem razão. Há o boi criado com rastreabilidade e tecnologia. Mas o que está sob os holofotes é a pecuária que invade terras, desmata e ainda escraviza pessoas.

Lentidão
Só que o setor de carnes, tão atento a exigências sanitárias, demorou muito a considerar que a sustentabilidade da produção pode abrir mercados, e que a falta dela pode fechar portas - as chamadas barreiras não tarifárias. As indústrias de soja e de cana-de-açúcar foram muito mais espertas e hoje investem em certificações socioambientais para separar o joio do trigo. O próprio varejo, temeroso de ficar com a imagem chamuscada perante consumidores e acionistas, tratou de limpar sua barra rapidamente.

Fica mais uma lição para os líderes do agronegócio. (Por falar nisso, por que o ministro Reinhold Stephanes não se pronunciou ainda sobre o assunto? Alguém sabe?). Os tempos mudaram, ou estão em processo de mudança, e não dá mais para considerar sustentabilidade como um modismo ou perfumaria. Os frigoríficos já estão sentindo no bolso.

 


10.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Consumo 00:31:52.

Você deve se lembrar da época em que os alimentos eram vendidos a granel, sem o excesso de embalagens que hoje se avolumam na nossa vida moderna. Pois uma loja especializada em orgânicos de Londres, a Unpackaged, foi além do "reduzir, reutilizar e reciclar" e resolveu banir de vez as embalagens de boa parte dos produtos que vende.

Os fregueses são convidados a levar das próprias casas seus próprios recipientes - que vão desde as já manjadas sacolas retornáveis de pano até vidros, tuperwares, ou qualquer outra coisa que possa acomodar as compras. Mas quem não tiver um vasilhame à mão pode pegar emprestado na própria loja - desde que traga de volta.

Além da preocupação com as embalagens, a Unpackaged mantém outros princípios ligados a sustentabilidade, como a compra da produção de pequenos fornecedores das redondezas, como cooperativas e grupos sociais. Também buscam produtos com selo orgânico e 'fair trade', de comércio justo.

Vale lembrar que especialistas em embalagens no mundo todo já assumem que o resgate da embalagem retornável, ou reutilizável, é uma das fortes tendências do momento. Uma volta a um tempo que já conhecemos, menos ditado pelo descartável e pelo desperdício de materiais - as embalagens podem ser úteis, mas na maior parte das vezes vão parar no lugar errado. Como as sacolinhas plásticas, hoje uma das grandes causadoras da morte de animais marinhos.

Acho que podemos nos inspirar e diminuir o consumo de embalagens, não?

 


05.06.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Uma nova economia 18:57:38.

Entrou no ar hoje o novo portal do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes), com muita informação, e de qualidade, sobre o assunto. O ambiente digital vai reunir conteúdo nas áreas de consumo, produção, finanças, educação, políticas públicas e atuação das empresas, e em vários formatos: vídeos, podcasts, estudos e documentos disponíveis on line, além de interface com o Twitter.

O GVCes tem se consolidado como um dos mais atuantes centro de pesquisas em sustentabilidade no Brasil atualmente. Está por trás de iniciativas como o Catálogo Sustentável, o Observatório do Clima, a Rede Amigos da Amazônia e o programa New Ventures, de estímulo ao empreendedorismo verde.

O objetivo da nova plataforma, lançada no dia do Meio Ambiente, é "ir além da reciclagem, do feche a torneira e do plante uma árvore."

O endereço é www.fgv.br/ces.

 


por Andrea Vialli, Seção: Notícias 00:24:35.

Já está prontinho o nosso caderno especial Vida & Sustentabilidade - Especial Dia do Meio Ambiente. A edição em papel circula hoje nos jornais Estadão e Jornal da Tarde, e o conteúdo digital pode ser acessado aqui.

Nesta edição, procuramos destacar o papel do indivíduo na busca pela sustentabilidade, em especial face ao desafio das mudanças climáticas. Temos histórias de empreendedores 'verdes' e sua luta para inovar nos modelos de negócios; temos avaliações de especialistas sobre o que avançou e o que retrocedeu na questão ambiental no Brasil.

E também matérias especiais sobre o problema do gás CFC dos refrigeradores antigos; a falta de alternativas para a gestão do lixo; a Política Nacional de Resíduos, que chegou à "maioridade" parada no Congresso, e sobre o risco que a zona costeira brasileira sofre de se tornar uma zona morta.

Boa leitura!

 


28.05.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Finanças 18:56:55.

Os chamados fundos de 'investimentos sustentáveis' , que privilegiam papéis de empresas com boas práticas socioambientais e de governança corporativa, crescem mais nos países emergentes do que no resto do mundo. O patrimônio administrado em fundos com esse perfil cresceu 400% entre 2003 e 2008 e chegou a US$ 50 bilhões no ano passado. Nos países desenvolvidos, essa indústria cresceu 70% no período.

Esse patrimônio pode ser ainda maior, de US$ 300 bilhões, se forem considerados os fundos tradicionais que analisam as variáveis sociais, ambientais e de governança corporativa na escolha dos investimentos. É o que mostra um estudo do International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para investimentos privados.

Foram pesquisados 515 gestores de ações em todo o mundo, sendo que 177 deles estão localizados no Brasil, China, Índia e Coréia do Sul. Quase a metade (46%) das gestoras de recursos nesses países possuem políticas de análise socioambiental dos investimentos – embora apenas 7% dos fundos sejam classificados como ‘sustentáveis’.

“Esse crescimento é fruto de uma visão mais abrangente de sustentabilidade, pois considera investimentos de longo prazo e em companhias mais sólidas, com padrões de governança”, diz Mário Fleck, presidente da Rio Bravo, gestora de recursos mencionada no estudo.

Brasil
No Brasil, a indústria de fundos sustentáveis tomou corpo em 2005, com a criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa. Chegou a movimentar R$ 2 bilhões no início de 2008, antes do agravamento da crise financeira, que provocou perdas na bolsa de valores. Hoje, 12 fundos com esse perfil administram um patrimônio de R$ 1,1 bilhão.
“Os fundos sustentáveis registraram perdas com a crise. Mas o cenário agora é de recuperação”, diz Pedro Villani, gestor dos fundos Ethical, do Banco Real, que contam com patrimônio de R$ 500 milhões.

O HSBC, que possui um fundo que replica a carteira do ISE, deve lançar, no segundo semestre, um novo produto com esse perfil. “Como a carteira do ISE concentra bancos e empresas de energia, a atratividade do fundo tem ficado aquém do esperado”, diz Eduardo Favrin, diretor de renda variável do HSBC Asset Management. “A ideia é lançar um produto que preserve a matriz de governança e sustentabilidade, mas mais abrangente em setores.”

Para Roberto González, assessor de sustentabilidade da Apimec, entidade que representa os profissionais do mercado de capitais, a indústria nacional de fundos 'verdes' não deve assistir a uma maior expansão nos próximos anos. A tendência, aponta, é de que outros agentes financeiros, como fundos de private equity (que compram participações em empresas) e capital de risco passem a realizar seus investimentos levando em consideração o quesito sustentabilidade das empresas. "Esse olhar de sustentabilidade não é só investir em companhias de energia limpa. E sim a aplicação do conceito na estratégia do negócio, seja de que setor for."

Foto de Nilton Fukuda/AE

 


21.05.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Uma nova economia, Cadeias produtivas 21:10:54.


Minério de ferro, em foto de Marcos D'Paula/AE

A crise econômica mundial evitou emissões de quase 1,8 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa no Brasil, entre outubro de 2008 e janeiro deste ano. É o que mostra o estudo “Impactos da crise financeira internacional na biodiversidade brasileira”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento. A informação vem do portal Eco-Finanças.

O relatório traz análises de setores intensivos na emissão de carbono e que são fabricantes de produtos importantes na pauta de exportações do Brasil: alumínio, automóveis, ferro e aço e cimento. Em todos eles, houve retração na produção e nas vendas, em razão da crise econômica.

O setor que registrou os maiores impactos foio de ferro e aço. Com a perda nas exportações, o País deixou de emitir o equivalente a 1,1 bilhão de toneladas de CO2. No caso do alumínio, foram 40,1 mil toneladas a menos e, em automóveis, 569,4 mil toneladas de emissões evitadas. A indústria de cimentos deixou de emitir 53,5 mil toneladas de gases estufa no período de novembro e dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Segundo o estudo, a redução da poluição motivada pela crise financeira tem se mostrado uma tendência global e deverá ser considerada nos próximos relatórios do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU.

Alívio
“Os reflexos da crise aliviaram os ecossistemas brasileiros, permitindo uma queda ainda que no curto prazo dos níveis de gradiente do estresse ambiental. Mesmo assim, observando-se as séries históricas se percebe que a pauta de exportações não acarretou perdas monetárias, já que a paridade do real para o dólar é favorável ao setor exportador nacional. Assim, os principais setores da pauta de exportação do Brasil deixaram de emitir em equivalente de carbono 1,8 milhão de toneladas de carbono”, diz o estudo, que não considerou outros impactos da crise, como a perda de empregos.

Como conclusão, os pesquisadores do Ipea sugerem que, se a turbulência global teve um efeito benéfico – o de redução nos níveis dos poluentes e da pressão sobre os ecossistemas – isso é também um sinal de que o crescimento econômico em níveis exponenciais não se sustenta e esse padrão precisará ser revisto. Bem como os mecanismos de compensação, como os mercados de créditos de carbono precisarão ser incentivados.

Os adeptos do crescimento a qualquer custo vão chiar.

 


15.05.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Uma nova economia 18:08:26.

Está nas bancas hoje, nas edições do Estadão e Jornal da Tarde, nosso especial Vida& Sustentabilidade, que vocês podem acompanhar também por aqui. Nesta edição, uma matéria especial sobre o projeto do novo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), que está sendo realizado por um grupo de especialistas, entre eles os Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Amartya Sen. A ideia é que a medida de riqueza também leve em consideração as questões sociais e ambientais do nosso tempo.

 


14.05.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Consumo 01:05:16.

Computadores, notebooks, iPods, agendas eletrônicas, TVs,celulares... Todas essas maravilhas modernas da comunicação trazem junto um problema: poderão triplicar o consumo de energia até 2030. O alerta foi dado pela Agência Internacional de Energia (IEA), em um relatório divulgado nesta quarta em Paris.

Os gadgets e outros aparelhos eletrônicos já correspondem por 15% do consumo doméstico em todo o mundo. Até 2030, a conta de energia do mundo será de US$ 200 bilhões ao ano, o equivalente a um consumo de 1.700 terawatt/hora (o que corresponde ao consumo atual dos Estados Unidos e Japão juntos, dois países que figuram como os mais eletrointensivos do mundo.)

Paul Waide, analista da IEA, afirma que o crescimento maior do número de eletroeletrônicos se dará nos países em desenvolvimento, onde o consumo de modo geral cresce a taxas mais aceleradas e há menos políticas de eficiência energética. Existe também o problema dos aparelhos eletrônicos de qualidade inferior e, portanto, menos econômicos."Isso vai colocar em risco os esforços para aumentar a segurança energética do mundo e para reduzir a emissão de gases estufa", afirmou a agência.

A tecnologia é bem-vinda - afinal, sem esses equipamentos não teríamos esse canal de contato -porém as indústrias têm responsabilidades nesse processo, que nem sempre estão dispostas a arcar. Uma é produzir aparelhos de consumo reduzido. Outra é diminuir a chamada 'obsolescência programada' (a data de 'validade' de um produto, que é cada vez mais reduzida, em nome do aumento do consumo) e outra é a responsabilidade pelo bem ao final de sua vida útil. (A respeito disso, veja nossa reportagem - "Empresas recolhem equipamentos usados".)

Em tempo: peço desculpas aos leitores pela ausência prolongada. Estou trabalhando no nosso próximo especial Vida& Sustentabilidade, que circula nos jornais Estado e Jornal da Tarde nesta sexta-feira, 15/05. Vocês saberão mais por aqui.

 


30.04.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências, Cadeias produtivas 17:41:15.


Gado toma conta de área desmatada na Amazônia. Foto de J.F.Diorio/AE

Os brasileiros não estão dispostos a trocar as florestas por produção agroecuária a qualquer custo. É o que aponta a pesquisa conduzida pelo DataFolha, a pedido da organização Amigos da Terra, que colheu impressões de 2.055 pessoas, durante o mês de abril, sobre a postura que o Brasil deve adotar em relação ao desmatamento.

A maioria (94%) dos entrevistados escolheu a opção de "parar o desmatamento, para evitar os custos de desastres ambientais como mudanças climáticas, desmoronamentos, alagamentos, etc.". Outros 3% escolheram a opção de "permitir mais desmatamento, para produzir mais produtos agrícolas". Outros 91% defendem penalidades mais rígidas para os desmatadores. A íntegra do estudo pode ser vista aqui.

A pesquisa veio em um momento em que mais uma vez o Brasil discute o caduco dilema da conservação X desenvolvimento. Nas últimas semanas o País tem visto avançar uma perigosa cruzada contra o Código Florestal, liderada pela bancada ruralista do Congresso e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

O argumento vigente é de que as leis ambientais vigentes impedem o País de aumentar sua produtividade agrícola. Pior: os grandes desmatadores estão usando os agricultores familiares como escudo. Dizem que são eles os maiores penalizados com a rigidez do código florestal.

Nessa toada, Santa Catarina ignorou as tragédias ambientais ocorridas recentemente e aprovou um código florestal próprio para lá de frouxo. São Paulo parece querer copiar a idéia. Enquanto o mundo discute o conceito de desenvolvimento sustentável, que versa justamente sobre como crescer com respeito ao ambiente e às pessoas, estamos avançando no retrocesso, firmando nossa honrosa posição como quarto maior emissor de gases estufa do mundo.

 


22.04.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Cenários e tendências, Comportamento 20:40:44.

Segundo pesquisadores ingleses, sim. As altas taxas de obesidade nos países ricos são responsáveis por até 1 bilhão de toneladas a mais de gases de efeito estufa por ano na atmosfera, em comparação com os países com população mais magra. Esse é o resultado de um estudo que está gerando a maior controvérsia no Reino Unido - até tablóides como o The Sun , estamparam na manchete que “Gordos causam o aquecimento global”.

Os cientistas Phil Edwards e Ian Roberts, da London School of Hygiene e Tropical Medicine, partiram do fato de que as populações mais obesas consomem mais alimentos e energia para se deslocar do que as de nações mais ‘magras’. O tema é preocupante, segundo os estudiosos, porque mais e mais países estão vendo suas populações engordarem - e não entre os ricos.

“A obesidade da população tem impactos ambientais”, disse ao jornal The Guardian o pesquisador Phil Edwards. No estudo, os pesquisadores compararam uma população ‘magra’ de um bilhão de habitantes (com peso médio equivalente a de um país como o Vietnã) com um bilhão de habitantes de um país considerado gordo - como os EUA - onde 40% da população sofre de obesidade.

A conclusão é que a população mais gorda representa maior impacto sobre os recursos naturais. A população mais gorda necessita de 19% a mais de energia dos alimentos para realizar suas atividades cotidianas. Além disso, nos países com sobrepeso há um uso mais intensivo de carros, o que aumenta a emissão de poluentes. “Quanto mais pesado o corpo, mais dependentes do carro as pessoas se tornam”, escreveram os pesquisadores.

As emissões de carbono decorrentes da produção de alimentos e das viagens de carro foram estimadas entre 400 milhões e 1 bilhão de toneladas a mais por ano. É um volume significativo se levarmos em conta que as emissões totais de gases estufa foram de 27 bilhões de toneladas em 2004.

Questão de estilo de vida
Os pesquisadores ressaltam que não se trata de mais uma perseguição aos gordinhos, ao contrário do que andaram noticiando os tablóides ingleses. O estudo foi sobre populações, não sobre indivíduos separadamente. A questão central é que muitos dos fatores que podem levar à obesidade - sedentarismo e consumo em demasia de alimentos industrializados - também tem peso sobre o meio ambiente. Afinal, emite-se muito mais CO2 para se produzir um trio hamburguer-batatas-refrigerante do que para uma refeição a base de vegetais.

 


17.04.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Cadeias produtivas, Consumo 23:17:10.

Sabe o selo do Procel, aquele que indica o grau de consumo dos eletrodomésticos? Foi criado um equivalente para automóveis. Na sexta-feira foi anunciado o ENCE - Etiqueta Nacional de Conservação de Energia - que vai informar, para os consumidores brasileiros, os níveis de consumo de combustíveis de alguns automóveis. Assim, quem quiser optar por modelos mais econômicos/eficientes poderá ter a informação expressa em um selo afixado no próprio carro.

Assim como os eletrodomésticos, o selo ENCE, desenvolvido pelo Inmetro, trará uma classificação que irá de A a E, sendo A destinado aos modelos mais econômicos. Passa a valer a partir de hoje (17/04).

Cinco fabricantes de veículos - Fiat, GM, Honda, Kia e Volkswagen se inscreveram no programa de etiquetagem. As montadoras prometem que este ano 31 modelos de cinco categorias (sub-compacto, compacto, médio, grande e carga) terão suas informações de consumo e eficiência energética disponíveis. Destes, 24 modelos de duas categorias –compacto e sub-compacto - poderão sair das fábricas etiquetados, informa a Anfavea.

As informações de consumo e eficiência dos veículos deverão constar no manual do proprietário e nos pontos de venda. Os dados podem ser consultados em tabela publicada no site do Inmetro.

Pela metade
A medida traz para o Brasil uma informação que os consumidores da União Européia, Japão, Canadá, China e Estados Unidos já tinham acesso - e que é fundamental para se exercer uma compra mais orientada e consciente. Só que olhando mais de perto, a sensação é de que as coisas foram feitas pela metade.

Primeiro, porque a adesão ao programa é voluntária: a montadora adere se quiser, e etiqueta os modelos que achar conveniente. Alguns virão da fábrica com o selo - mas não todos. O que, na prática, faz com que o cidadão fique sem parâmetros para comparar. E, segundo, porque esse selo passa longe da principal tendência dos mercados mais desenvolvidos, que é informar ao consumidor os níveis de emissão de CO2 e outros poluentes dos veículos - o que já ocorre na Europa. Por que não fazer as coisas por inteiro?

 


10.04.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias 16:03:05.



Estamos concorrendo ao prêmio Top Blog!

 


06.04.09

Para se manter à frente na corrida por energias sustentáveis, o Brasil
precisa derrubar alguns mitos e fomentar as cadeias de produção de energia nuclear e eólica, além de investir na nova geração de biocombustíveis, como o etanol a celulose. Essas são algumas das conclusões do estudo “Energy Shift” (“Virada Energética”, em tradução livre), da consultoria Booz & Company, que traçou um panorama do cenário de energia no mundo até 2030.

Em termos globais, é previsto um cenário em que os combustíveis fósseis –petróleo, carvão e gás natural – perdem espaço, mas não deixam de ser importantes. Ao mesmo tempo, as pressões em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa vão obrigar governos e empresas a combinar diferentes fontes de energia.

As chamadas fontes alternativas, como energia eólica, fotovoltaica e geotérmica, ganham espaço, e também a geração nuclear cresce, por ser livre de emissões de CO2 - apesar das polêmicas envolvendo o destino do lixo radioativo.

Inovar é preciso
O estudo observa que o Brasil está bem posicionado em relação à sua matriz energética, com 46% de fontes renováveis. Mas diz ser preciso não se acomodar com as inovações que levaram o País a essa liderança, como hidrelétricas, carros flex e etanol.

“A virada energética no Brasil terá um ritmo diferente dos países desenvolvidos, pois fomos o primeiro país a concentrar esforços em desenvolver fontes renováveis”, explica Arthur Ramos, sócio da Booz & Company no Brasil. “Mas o Brasil tem de almejar estar na linha de frente do desenvolvimento de novas tecnologias em geração de energia. É hora de virar a página e investir em inovação”, diz.“Ainda haverá espaço para os fósseis, mas também para energia eólica, fotovoltaica e gás natural, que é um combustível fóssil, mas bem menos poluente.”

Ou seja: é melhor parar de nos vangloriar de termos hidrelétricas e etanol em grande escala e começar a vislumbrar outros horizontes. E não sujar a matriz com termelétricas a óleo combustível, como já prevê o plano de energia para os próximos anos.

O estudo da Booz & Company tem como objetivo dar pistas sobre o futuro da energia, para que empresas de diferentes setores se preparem para as mudanças. “O conselho para o Brasil seria desenvolver as cadeias produtivas de energia eólica e nuclear”, diz Ramos. Entre as fontes renováveis, a eólica é a que deve alcançar maior escala em menor período de tempo, aponta a pesquisa.

 


25.03.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Cenários e tendências, Energias limpas 20:32:02.

E o governo federal anunciou hoje seu ambicioso plano de construção de um milhão de moradias populares, como foi amplamente noticiado. Se o programa é factível de ser cumprido, se tem caratér eleitoreiro ou se vai ajudar a amenizar os efeitos da crise econômica, são temas que não vamos discutir aqui.

Mas uma informação saltou aos olhos e merece nossa atenção. O ministro do Meio Ambiente Carlos Minc garantiu que as casas populares serão 'verdes'. Terão aquecimento de água por energia solar - já que o chuveiro elétrico é "o predador do consumo de energia", nas palavras do ministro. Sua colega Dilma confirmou. "O uso de energia solar tornará os empreendimentos ambientamente sustentáveis e proporcionará redução de 30% na conta de luz da população de baixa renda", disse a ministra presidenciável.

O governo espera que o aquecimento solar reduza as emissões de gases de efeito estufa em 830 mil toneladas. Também evitaria a necessidade de construção de uma usina hidrelétrica de 520 megawatts (MW) de potência.

Mais: a proposta é que as casas tenham também captação de água de chuva, o que seria implementado "gradualmente", segundo Minc. E a madeira utilizada nas construções deverá ser de origem certificada, ou seja, provenientes de áreas de manejo controlado, com selo de origem.

Além disso, os empreendimentos terão de cumprir alguns requisitos para obter o licenciamento ambiental. Entre eles (não seriam óbvios?): serem construídos fora de regiões de proteção permanente; não poderão estar localizados em áreas de risco e deverão contar com infraestrutura de esgoto. Sem esses requisitos, o governo não dará a licença ambiental, alardeou Minc.

A notícia nos faz pensar: será que finalmente o governo acordou para a necessidade de se construir com menor impacto ambiental e para os benefícios de se usar de modo mais racional os recursos como água e energia? A tendência do 'green building' já aterrissou por aqui há pelo menos uma década, com grandes condomínios, varejo e indústria aderindo paulatinamente. A propósito, leia matéria que publicamos hoje sobre o assunto: "Novas fábricas 'verdes' reduzem o impacto ambiental".

Se assim for feito, teremos motivos para comemorar: estaria o conceito da sustentabilidade finalmente sendo assimilado pela esfera pública? Ou estaria o governo só fazendo greenwash (maquiagem verde) porque isso pega bem nos tempos atuais?
Vamos aguardar.


Alguns conjuntos habitacionais já trazem painéis de aquecimento solar

 


23.03.09

por Andrea Vialli, Seção: Cenários e tendências 18:13:01.

Caros leitores,
Esse é um convite para acessar nosso Especial Dia da Água, publicado na edição de ontem, 22/03 dos jornais Estado e Jornal da Tarde, e cujo conteúdo pode ser lido aqui.

Entre os destaques, estão matérias sobre as iniciativas da indústria de reciclagem de água - conhecidas como reúso; o grande e controverso mercado das águas engarrafadas; Marsilac, o distrito de São Paulo que ainda abriga o rio mais limpo da capital, mas que está sob constante ameaça pela falta de saneamento básico.

Boa leitura!


Estação de tratamento de efluentes de shopping em Campinas. Nela, a água é tratada e volta a circular, sendo utilizada para descargas, lavagem de pisos e para regar plantas nos jardins. Foto de J.F.Diorio/AE

 


19.03.09

por Andrea Vialli, Seção: Notícias, Cenários e tendências 18:55:00.

Queimada no Mato Grosso, em foto de Evelson de Freitas/AE

Mesmo se os países ricos reduzirem a zero suas emissões de gases de efeito estufa até 2050, as nações emergentes precisariam diminuir em até 28% seus níveis de poluição em relação ao ano de 2000, para evitar que o estoque de carbono na atmosfera chegue a 550 partes por milhão (ppm), o que elevaria a temperatura terrestre em 3°C.

As emissões de gases estufa per capita podem crescer 33,3% até 2030 na América Latina e Caribe, se não houver um compromisso maior dos governos e do mercado com a taxação do carbono. Atualmente Brasil e México são os maiores poluidores da América Latina: concentram 60% das emissões de gases de efeito estufa.

Essas são algumas das conclusões do relatório do Banco Mundial "Desenvolvimento com Menos Carbono: Respostas Latino-americanas ao Desafio das Mudanças Climáticas", divulgado ontem. É a primeira vez que o tema mudanças climáticas é o foco de um estudo específico para a América Latina.

O estudo mostra ainda que as consequências de um aumento na temperatura para as florestas da região podem ser tão funestas quanto as motosserras e tratores. Com as alterações climáticas causadas por uma elevação de 3° C na temperatura, até 80% das florestas podem sumir do mapa, com consequências drásticas também para o regime de chuvas do continente.

Mudanças, só se ficar caro poluir
"O único modo de resolver o impasse climático é pela adoção de tecnologias limpas. Mas isso só vai ocorrer se houver um encarecimento da poluição, seja por meio de um imposto sobre o carbono ou pelo subsídio às tecnologias mais sustentáveis", afirma Augusto de La Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe.

Segundo La Torre, os países emergentes precisam ter políticas de mudança do clima, pois os projetos de sequestro de carbono que estão sendo realizados não têm escala suficiente para garantir avanços na proteção ao clima.

O estudo destaca ainda a matriz energética limpa do Brasil e defende a limitação das barreiras alfandegárias para o etanol brasileiro. Leia mais aqui.

 


por Andrea Vialli, Seção: Energias limpas, Uma nova economia, Cadeias produtivas 18:40:43.

As empresas brasileiras investem menos em meio ambiente do que a média internacional. Fora do Brasil, o setor privado investe cerca de 2% do seu faturamento em tecnologias sustentáveis. No Brasil, a maioria – 54 % das empresas – aporta até 1% das receitas em tecnologias. Em 27% das empresas, o total investido oscila entre 1% e 3% das receitas.

Os dados constam do estudo “Tecnologias Sustentáveis no Brasil”, realizado pela consultoria alemã Roland Berger com dois objetivos: o de mapear o tamanho da indústria ambiental no País, que inclui setores de saneamento, controle de poluição e energia limpa, entre outros; e de avaliar o interesse das companhias brasileiras em investir nessas tecnologias. Foram ouvidas 100 companhias de todos os portes no último trimestre de 2008.

De acordo com Thomas Kunze, coordenador do estudo, existe interesse das empresas para investir em melhorias ambientais. No entanto, elas esbarram em barreiras como o alto custo das tecnologias limpas e a falta de acesso a conhecimento técnico sobre o assunto.

“Para 32,5% das empresas pesquisadas, os custos das tecnologias ambientais ainda são incompatíveis com sua realidade”, afirma Kunze. Já o acesso ao crédito é um empecilho para 17,5% das companhias. Para 39% delas, a crise financeira é um fator de adiamento dos investimentos em sustentabilidade no biênio 2009-2010.

Setor ambiental vai crescer mais que automobilístico

O segmento de tecnologias ambientais movimenta US$ 16,9 bilhões no País e tem potencial para crescer 7% ao ano ano até 2020, quando deve alcançar uma receita de de US$ 25,4 bilhões. “O setor de sustentabilidade tem potencial de expansão maior que indústrias tradicionais, como automotiva e química”, avalia Thomas Timm, vice-presidente executivo da Câmara Brasil-Alemanha, que encomendou o estudo. Segundo ele, o Brasil já possui um indústria ambiental consistente. “Mas falta avançar em áreas como saneamento, água e gestão de resíduos.”

De fato: o Brasil possui apenas 51% dos domicílios coletados à rede de esgotos. Não se trata de tratamento, e sim de coleta. Europa e América do Norte, esse índice fica acima de 90%.

 


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Andrea Vialli é jornalista com especialização em sustentabilidade pela Schumacher College, do Reino Unido. Desde 2004 escreve uma coluna voltada para o tema no caderno de Economia&Negócios do Estadão





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