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09.01.10
Caros leitores, desejo a todos um excelente 2010, cheio de conquistas sustentáveis - em todos os sentidos! Apesar do fracasso da COP15, há muitos motivos para pensar que a década que agora se inicia representa um marco para muitos avanços no campo da sustentabilidade.
Veremos temas como biodiversidade, energias limpas, gestão das cadeias produtivas,ecodesign e ecologia industrial ganhar mais dimensão no campo dos negócios. Isso porque o relógio da Terra está correndo em rápida velocidade e sim, é preciso usar os recursos de forma mais inteligente e menos dispendiosa.
Dito isso, um aviso: esse blog fará uma pausa, por motivo de minhas férias. Voltarei em fevereiro com muitas novidades desse universo da sustentabilidade.
Até breve!
29.12.09
Depois das certificações para orgânicos e para produtos florestais que vêm de áreas de manejo controlado, está em desenvolvimento um novo selo verde, voltado a empresas que desenvolvem programas para conservação da biodiversidade ligados aos seus negócios. O selo Life (sigla de Iniciativa Duradoura pela Terra, em inglês) está em fase piloto de certificação e em 2010 já deverá ser aplicado por três empresas brasileiras.
O objetivo da certificação, que foi apresentada durante o seminário “Negócios e Biodiversidade”, realizado este mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é estimular as empresas a incorporar a conservação de florestas e da biodiversidade na estratégia de negócios, dando um passo além nas políticas de gestão ambiental já existentes, como controle da poluição e redução no desperdício de água.
A nova certificação parte da premissa de que as áreas naturais são responsáveis pela prestação dos chamados serviços ambientais – como produção de água, equilíbrio do solo e do clima, sequestro de carbono da atmosfera, polinização de lavouras, entre outros – e que, sem esses serviços, boa parte dos negócios seria inviabilizada.
“A dependência das atividades produtivas da existência de áreas naturais exige das empresas uma evolução do atual modelo de gestão ambiental”, diz Clóvis Borges, presidente do Conselho Diretor do Instituto Life, entidade criada para concessão da certificação Life.
A metodologia foi desenvolvida pelo Instituto Tecnológico do Paraná (TecPar)e atualmente três empresas estão em processo de obtenção do selo: a Posigraf, unidade gráfica do Grupo Positivo, a fabricante de cosméticos O Boticário e a MPX Energia, do empresário Eike Batista. A certificação Life prevê auditoria por organismos independentes e terá validade de cinco anos.
De acordo com Adriana Vasconcelos, gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Posigraf, a certificação piloto deve reforçar a estratégia de gestão ambiental da companhia, que recebe investimentos há mais de uma década e já permitiu a obtenção de selos como o ISO 14001 (meio ambiente) e FSC e Cerflor (procedência do papel usado na gráfica).
“A certificação Life consolida essas iniciativas”, diz Adriana, que também está à frente do processo de obtenção da ISO 14064, que estabelece normas para gestão das emissões de CO2 dentro da empresa.
Segundo ela, a estratégia de compensar as emissões de gases poluentes da atividade da gráfica inclui ainda investimentos na manutenção de remanescentes de Mata Atlântica no Paraná. No caso, a Mata do Uru, uma área de 131 hectares de floresta de araucária localizada no município de Lapa, a 80 km de Curitiba. “A manutenção de áreas verdes é vital para os negócios, embora muitas empresas ainda não enxerguem a relação de dependência. Nossos processos industriais, por exemplo, demandam água e pigmentos que vêm da natureza.”
Para Fernando Veiga, gerente de serviços ambientais da ONG The Nature Conservancy (TNC), já está em andamento, a passos ainda lentos, a construção de um mercado para os serviços ambientais no Brasil. “Exemplos disso são os programas de conservação de água que remuneram produtores rurais que cuidam das nascentes”, diz. Só no município de Extrema (MG), 50 agricultores recebem recursos da prefeitura para manter as áreas verdes intocadas e, assim, garantir a produção de água.

Mata do Uru, no Paraná. Foto de Zig Koch/Divulgação.
10.12.09
O polo industrial de Camaçari, na Bahia, caminha para se tornar também um polo de inovação com foco em sustentabilidade. De lá estão saindo pesquisas no campo de biocompósitos (novos materiais de base vegetal) e biorrefinarias, um novo conceito em refinaria, baseado no uso de matérias primas verdes e a transformação de resíduos em matérias primas e combustíveis. Em 2010, o polo ganhará o primeiro Centro Tecnológico de Biocompósitos da América Latina.
As pesquisas mais adiantadas estão sendo conduzidas pela Cetrel, empresa controlada pela Braskem que presta serviços de tratamento de efluentes e engenharia ambiental para as companhias do polo. Com experiência em gestão de resíduos industriais, a empresa iniciou, de três anos para cá, os estudos para transformar boa parte desses materiais em novos insumos para a indústria. “A ideia central é que os resíduos de uma atividade produtiva se convertam no insumo de outras”, diz Dênio Cidreira, diretor de negócios e inovação da Cetrel.
Entre as frentes de inovação, estão os biocompósitos feitos de bagaço de cana-de-açúcar, um resíduo abundante em praticamente todo o País. “O bagaço da cana, combinado com polietileno e polipropileno pós consumo e cinzas inertes de processos de incineração, pode ser transformado em diversos novos produtos para produção em escala industrial”, diz Cidreira.
No início de 2010, explica, os primeiros produtos resultantes dessa combinação devem começar a ser fabricados. Serão painéis para aquecimento solar, banheiros químicos e madeira plástica, cuja aplicação será na construção civil, como substituta do PVC e da madeira in natura.
As parcerias para a fabricação desses produtos estão sendo definidas. No caso dos painéis para energia solar, a indústria será a Alpina, de São Paulo, e, para fabricação dos banheiros químicos, a Triflex, empresa que faz parte do grupo industrial Sasil. “Com esses parceiros, conseguimos o pulo do gato em termos de inovação sustentável. As placas serão produzidas com bagaço de cana e o polietileno ‘verde’ fabricado pela Braskem, também de cana-de-açúcar. O balanço de carbono será positivo”, diz Cidreira, explicando que os novos produtos fabricados com biocompósitos têm capacidade de retirar mais CO2 da atmosfera do que emitir, ao contrário dos produtos de base petroquímica.
As pesquisas com biocompósitos, que também incluem outros resíduos, como casca de coco e sisal, serão apresentadas esta semana na COP15, a conferência sobre o clima em Copenhague.
"Biorrefinaria"
Os estudos sobre biocompósitos abrem uma nova oportunidade de negócios para as empresas de engenharia ambiental. No caso da Cetrel, que deve fechar 2009 com um faturamento de R$ 110 milhões, a meta é dobrar o faturamento até 2012, com os produtos como foco em inovação e sustentabilidade.
Em paralelo com os biocompósitos, outra tendência que a companhia está apostando suas fichas é no conceito de biorrefinaria, que começa a ganhar corpo na Europa, onde empresas e centros de pesquisa ligados a universidades pesquisam destinos para resíduos agrícolas, como de milho, beterraba, gramíneas e restos de madeira. “O conceito de uma biorrefinaria é semelhante ao de uma refinaria de petróleo, de onde saem vários produtos, como nafta, combustíveis e gás. Na biorrefinaria, podemos ter biocombustível, biopolímeros, biogás”, explica Susana Domingues, gerente de inovação tecnológica da Cetrel.
O interesse na criação de biorrefinarias levou a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, a estimular a criação de ‘clusters’ de empresas agroindustriais, para que esses resíduos sirvam de matéria prima para biorrefinarias com zero emissão de carbono. O projeto, chamado de The Sustainable Carbon Negative Biorefinery of the Future (algo como A Refinaria Sustentável do Futuro com Emissão Zero de Carbono), inclui as universidades de Ghent, na Bélgica, de Manchester, na Inglaterra, e Toulouse, na França, além de um pool de quatro empresas europeias, mais a brasileira Cetrel.

Biomateriais produzidos com base em bagaço de cana. Foto: Leo Azevedo/AE
03.12.09

Colocar chefes de Estado velhinhos e pedindo desculpas por nada terem feito para mitigar a crise climática - essa foi a sacada das ONGs Greenpeace e o movimento TckTckTckTck (no Brasil, TicTacTicTac) para chamar atenção em outdoors espalhados no aeroporto de Copenhague, cidade-sede da COP15. Nos anúncios, Lula, Barack Obama, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, entre outros, envelhecidos por efeitos de computação gráfica e a frase "Desculpe - Podíamos ter impedido a catastrófica crise climática, mas não o fizemos".
Uma campanha que vai direto ao ponto. Só esperamos que fique só no papel - e que chefe de Estado algum se arrependa de erros tomados lá.

Obama também pede desculpas

E Angela Merkel também.

Sarkozy não ficou tão mal no anúncio
02.12.09

Entrou em vigor ontem (01/12) a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&F Bovespa. O índice de ações, que reúne papéis de empresas com boas práticas socioambientais e de governança corporativa, passou pela quinta atualização desde sua criação, em 2005. A nova carteira cresceu em número de papéis em relação à do ano anterior: são 43 ações de 34 companhias, que, juntas, respondem por um valor de mercado de R$ 730 bilhões.
Analistas de mercado apontam que o segmento de investimentos socialmente responsáveis no Brasil se mostrou resistente, mesmo com a crise financeira.
“O investimento em ativos com foco em sustentabilidade passou por solavancos, assim como todo o mercado de ações”, diz Roberto González, analista especializado em sustentabilidade e mercado de capitais. “Mas agora a tendência é de ajuste, com o retorno à Bolsa tanto dos investidores pessoa física como dos institucionais, como fundos de pensão”, diz González. Os fundos de investimentos total ou parcialmente atrelados à carteira do ISE, hoje 12, somam um patrimônio líquido de R$ 940 milhões – o valor já chegou a R$ 1,5 bilhão antes da crise internacional.
Para fazer parte do ISE, as empresas com maior liquidez na Bolsa passam por uma seleção, encabeçada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em critérios sociais, ambientais e de governança. Das 28 empresas que constavam na carteira anterior, 26 foram mantidas na nova carteira.
Empresas estreantes
As oito que ingressam agora e não estavam na anterior são Copel, Even, Itaúsa, Indústrias Romi, Redecard, Sul America, Usiminas e Vivo. “Construção civil, máquinas e equipamentos e seguros são setores ‘estreantes’ na carteira, e mostram que esses setores começam a evoluir em gestão com foco em sustentabilidade”, diz Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&F Bovespa.
Segundo ela, é particularmente expressiva a entrada de uma empresa do setor de construção civil – no caso, a Even – já que o setor tem alto impacto ambiental, além de ter sido um dos responsáveis pelo ‘boom’ da bolsa de valores entre 2006 e 2007. “Da mesma forma, a entrada de uma seguradora também reflete a crescente preocupação do setor com as mudanças climáticas.”
Veja aqui a carteira completa do ISE.
25.11.09
O Brasil perder R$ 3,6 trilhões até 2050 em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas no País, o que equivaleria a jogar fora um ano de crescimento econômico nos próximos 40 anos. A informação faz parte do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil, divulgado hoje, que reuniu equipes de instituições reconhecidas como USP, UFRJ, Unicamp, Inpe, Embrapa e Fiocruz.
A ideia do relatório foi traçar, para o cenário brasileiro, um panorama semelhante ao desenhado pelo economista Nicholas Stern em 2006. Na ocasião, Stern traçou, a pedido do governo britânico, um estudo sobre os custos financeiros da mudança climática - este que ficou conhecido como Relatório Stern. A síntese do estudo enunciou que os investimentos necessários para atenuar os efeitos das mudanças climáticas consumiriam 1% do PIB mundial, ao ano. O mesmo relatório ponderou que, se nada fosse feito para combater a crise do clima, o estrago pode custar até 20% do PIB mundial.
Apesar das perdas econômicas que o País poderá sofrar, o estudo também aponta oportunidades. E todas ligadas à chamada economia verde, ou de baixo carbono. A agricultura, por exemplo, perde em produtividade e áreas cultiváveis (em especial as culturas de soja, milho e café). Mas a cana-de-açúcar pode aumentar sua área plantada em até 147% ao longo deste século - oportunidade de ouro para o setor de biocombustíveis. A substituição de combustíveis fósseis, aliás, evitaria a emissão doméstica de até 203 milhões de toneladas de CO2 até 2035.
Outra oportunidade apontada pelo relatório é o pagamento por serviços ambientais. Segundo o estudo, a preservação da floresta amazônica pode render até US$ 450 por hectare, o equivalente a US$ 3 por tonelada de carbono que deixar de ser lançada na atmosfera. Esse pagamento, segundo as instituições, desestimularia o desmatamento voltado à pecuária. Só não se sabe ainda quem vai pagar essa conta.
Leia mais: Brasil pode perder R$ 3,6 trilhões por causa do aquecimento global
Abastecimento de água e energia seria afetado
Recife já vê efeitos de alta no nível do mar
18.11.09
O Brasil é o campeão, entre os países emergentes, na emissão de CO2 per capita. Cada brasileiro é responsável pela emissão de 10 toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, em média. O número é duas vezes maior do que a média mundial. Os dados são da Rede-Clima, ligada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
"Somos o país em desenvolvimento com a maior média mundial", afirmou Carlos Nobre, um dos coordenadores da Rede-Clima, ao participar de comissão geral na Câmara para discutir a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15).
A meta é de que a média mundial de emissão de CO2 seja de 1,2 tonelada por ano até 2050, para que a temperatura global não aumente 2 graus Celsius. "Ela já subiu 0,8°C nos últimos 100 anos. Falta 1,2°C. Já chegamos muito próximo do limite", disse Nobre.
Concentração de CO2 é a maior em 2 milhões de anos
O balanço anual de emissões feito por cientistas ligados ao Global Carbon Project aponta que as concentrações de gás carbônico (CO2) na atmosfera são as maiores em pelo menos 2 milhões de anos. O estudo, divulgado esta semana pela prestigiada revista científica Nature Geoscience, tem entre seus autores Jean P. Ometto, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe.
Com repercussões diretas no clima, as variações do CO2 na atmosfera terrestre são em grande parte determinadas pelo homem, devido a atividade industrial, queima de combustíveis fósseis, desmatamento e mudanças no uso da terra.
A companhia aérea Azul e a Embraer vão realizar, no início de 2012, o primeiro voo experimental (sem passageiros) com o uso de um querosene obtido de cana-de-açúcar - um 'etanol' para aeronaves, que também está sendo chamado de bioquerosene. A Azul, companhia aérea do americano David Neeleman que começou a voar no final do ano passado aceitou testar o bioquerosene em um dos seus jatos da Embraer. O combustível está em fase de desenvolvimento pela Amyris, da área de biotecnologia. Também participa do projeto a General Electric (GE), fabricante de motores para jatos.
Embora o processo de certificação do novo combustível seja longo, o querosene de origem renovável poderá começar a ser produzido em escala industrial em 2013 como uma alternativa ao de origem fóssil, responsável pela alta carga de emissões de CO2 da aviação, que representa 2% das emissões de gases esfufa do mundo.
Segundo Guilherme Freire, diretor de tecnologias para meio ambiente da Embraer, a busca por combustíveis renováveis mobiliza toda a indústria de aviação diante das pressões pela redução das emissões do tráfego aéreo. As emissões do setor devem chegar a 3% em 2050.
Esta semana, a Gol também anunciou sua entrada em um projeto de pesquisa de biocombustível para aviões – o Sustainable Aviation Fuel Users Group (Safug). Esse programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes renováveis de combustível para aviação.
O grupo trabalha em dois projetos preliminares de pesquisa. O primeiro estuda a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável. E outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que seu uso atende aos critérios de sustentabilidade. O grupo também prevê estudos futuros com outros tipos de matérias-primas.
Hidrocarboneto
No caso do projeto com a cana-de-açúcar, o novo insumo não demanda alteração no projeto dos motores. Segundo a Amyris, empresa que tem entre os sócios o grupo Votorantim, a cana pode repetir na produção de querosene o mesmo porcentual de redução de CO2, entre 80% e 90%, que o etanol representa em relação à gasolina. Isso porque o plantio da gramínea sequestra carbono da atmosfera. Tecnicamente, o bioquerosene de cana é um hidrocarboneto resultante de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que originará o bioquerosene é separado por centrifugação em lugar da destilação.
Para os executivos do setor aéreo, a diversificação da matriz energética da aviação reduz a insegurança em relação à flutuação da cotação internacional do petróleo, já que as companhias têm entre 30 e 40% dos seus custos associados a combustível.
Com informações de Alexandre Rodrigues/AE

13.11.09
A cruzada contra o uso excessivo de sacolas plásticas está criando novas oportunidades de negócio. O apelo verde da sacola de papel inspirou o consultor da área de embalagens Salvatore Privitera e o publicitário Adriano Afonso a investir no projeto Bagnews. Trata-se de uma sacola de papel kraft reutilizável com espaço para publicidade, que começa a ser distribuída por comerciantes da região de Santo Amaro, zona Sul da capital paulista.
No primeiro mês, serão distribuídas cerca de 60 mil sacolas, inicialmente em 83 bancas de jornais da região, que, segundo pesquisas dos empreendedores, consomem em torno de 80 mil sacolas plásticas por mês. Segundo Privitera, o diferencial ecológico das Bagnews - quando descartadas no meio ambiente, as sacolas de papel se degradam em poucas semanas -, aliado ao poder de atrair anunciantes devem tornar a Bagnews um bom negócio. A ideia é chegar a um faturamento de R$ 40 milhões, dentro de três anos. "É um conceito novo, mas que já está chamando a atenção dos comerciantes", diz. Os preços dos anúncios variam de R$ 350 a R$ 21 mil.
O objetivo dos sócios é replicar no Brasil a experiência realizada na Espanha, onde o projeto foi lançado há três anos e deve alcançar o número de 100 milhões de sacolas distribuídas. O projeto ganhou apoio da Prefeitura de São Paulo, que incluiu a iniciativa na campanha "Eu não sou de plástico", que tem o objetivo de reduzir o consumo de embalagens plásticas.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercado (Abras), o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas por ano, o equivalente a 66 sacos por mês por brasileiro. Para Luciana Pellegrino, diretora da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), há espaço para os dois tipos de embalagens. "O importante é conscientizar o consumidor quanto ao descarte adequado."
A fabricante de embalagens Antilhas é outra que está apostando no negócio das sacolas de papel. "A busca por sacolas de papel ou mesmo de plásticos oxidegradáveis, biodegradáveis e compostáveis está mais intensa – reflexo da conscientização crescente das empresas", diz Cláudia Barbosa Sia, da Antilhas. "As sacolas de papel, que já tinham seu espaço consolidado no mercado, tiveram consumo intensificado, fundamentadas nas campanhas de incentivo de substituição da sacolinha plástica de supermercado" explica.
10.11.09
Participei, junto com as colegas jornalistas Ana Luiza Herzog, da revista Exame, e Aline Ribeiro, da Época Negócios, do programa "Notícia em Foco", da rádio CBN. O debate, mediado por Mariza Tavares e Fabíola Sidral, abordou a cobertura jornalística de sustentabilidade.
Ouça: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/noticia-em-foco/NOTICIA-EM-FOCO.htm
08.11.09

O crescente volume de lixo tecnológico, como celulares, computadores e televisores descartados pelos consumidores está movimentando um novo negócio: fábricas que desconstroem equipamentos para recolocar as matérias primas no processo industrial, a chamada manufatura reversa. O segmento começa a ser visto como promissor - vários Estados, como São Paulo, estão criando leis que obrigam os fabricantes a darem destino correto aos eletroeletrônicos ao fim de sua vida útil.
Por ser ainda incipiente, não existem estatísticas precisas sobre o quanto essa indústria movimenta. Mas ela difere dos sucateiros de fundo de quintal, que desmontam equipamentos para retirar apenas os metais preciosos, como ouro e prata, presentes nas placas de computadores. "As empresas que estão se estabelecendo nesse mercado oferecem um serviço especializado e em conformidade com leis ambientais. Não competem com os catadores das ruas", diz Diógenes Del Bel, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), entidade que reúne algumas dessas companhias.
Leia a matéria completa no Estado de hoje, 8/11 ("Lixo tecnológico vira novo negócio", p. B14).
04.11.09

A oferta de produtos financeiros vinculados à sustentabilidade vem crescendo no mercado brasileiro. Além de fundos de investimentos atrelados a índices de empresas com bom desempenho socioambiental, que já chegaram a movimentar R$ 2 bilhões em ativos antes da crise, estão surgindo produtos vinculados ao mercado de créditos de carbono e também plataformas eletrônicas para se averiguar a conformidade das empresas com as leis ambientais.
Este é o caso do produto lançado na semana passada pela empresa de informações financeiras Serasa Experian, batizado de Conformidade Ambiental. Por meio da tecnologia, bancos e outras empresas poderão avaliar o cumprimento das leis ambientais por parte de 1,7 milhão de companhias de setores considerados de alto impacto ambiental e também de produtores rurais. A base de dados serão as informações prestadas por órgãos ambientais em todo o País. "Será uma ferramenta para que os bancos não financiem projetos predatórios. Também ajudará nos processos de compras e licitações com base em critérios de sustentabilidade", explica o Laércio de Oliveira, presidente da Unidade de Negócios Pessoa Jurídica da Serasa Experian.
Carbono
A pouco mais de um mês para a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP 15) em Copenhague, que deverá definir o papel dos países e dos mercados no combate às mudanças climáticas, os bancos também aproveitam o momento para lançar mais produtos financeiros ligados ao mercado de créditos de carbono. Entre eles o Fundo Itaú Índice de Carbono, do Itaú Unibanco, voltado a grandes investidores, com aplicações a partir de R$ 300 mil. O rendimento do fundo terá como base a variação do Barclays Capital Global Carbon Index (BGCI), indicador que monitora o desempenho do mercado de carbono. A expectativa do banco é captar até R$ 300 milhões com o novo produto.
Já o Santander/Real mira as empresas interessadas em implementar projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como captura de gases causadores do efeito estufa em aterros sanitários ou troca de combustíveis em indústrias. Lançou uma linha de crédito de 50 milhões disponível até 2012, quando termina o prazo de vigência do Protocolo de Kyoto, acordo global do clima que criou o mercado de créditos de carbono. De acordo com Maurik Jehe, superintendente da área de créditos de carbono do Santander, as empresas que têm a intenção de vender créditos no mercado internacional podem antecipar o valor desses créditos, o que até então não era comum nesse mercado.
Jehe explica que o mercado de carbono voltou a se aquecer após sofrer um revés com a crise - a tonelada de carbono está sendo negociada em torno de 10 euros. "A tendência, após Copenhague, é que as regras para emissão de poluentes fiquem ainda mais rígidas para os países ricos, então o mercado de carbono tem boas perspectivas no longo prazo."
O lançamento de novos produtos "verdes" mostra abertura das empresas para a questão, na avaliação de Roland Widmer, coordenador de "ecofinanças" da organização Amigos da Terra. Ele ressalta que os bancos devem ficar mais atentos aos reais impactos socioambientais de suas operações. "Não basta só lançar produtos com foco em sustentabilidade e continuar financiando empreendimentos de alto impacto social e ambiental, como as grandes hidrelétricas na Amazônia."
30.10.09

Demorou, mas saiu. O Ministério da Fazenda anunciou ontem que a prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) vale por mais três meses, mas só para os equipamentos que atenderem às classes A e B de consumo de energia. Mais informações aqui.
A medida vale apenas por três meses (prorrogáveis?)e sem dúvida faz parte do esforço do governo para aquecer o consumo no final do ano. Mas é positivo o fato de que, finalmente, o governo passa a acenar com incentivos ao consumo mais ecologicamente correto.
Há quem diga que isso faz parte do "efeito Marina" - a candidatura à presidência da ex-ministra do meio ambiente já estaria levando o atual governo a levantar bandeiras 'verdes'. A própria senadora avaliou como positiva a medida, desde que não ela não passe de uma atitude pontual e que os incentivos aos produtos mais sustentáveis sejam incorporados a uma reforma tributária mais ampla.
Segundo o Inmetro, hoje 76% das geladeiras, 60% dos fogões e 50% das lavadoras estão dentro das classes A e B, mais econômicas, de consumo. A redução do IPI deve provocar uma corrida tecnológica dos fabricantes, para se adequarem aos padrões mais elevados de eficiência energética.
Com viés eleitoreiro ou não, o ministro Mantega já avisou que vem mais por aí. "Não se espantem se, no futuro, adotarmos outras medidas tributárias, não no IPI, mas vinculadas a compromissos ambientais", disse o ministro. O tema é oportuno, pois de fato são necessários incentivos e informações para que os consumidores possam fazer escolhas mais alinhadas com a sustentabilidade.
Nossa matéria de capa do caderno mensal Vida & Sustentabilidade, que circula hoje no Estadão e no Jornal da Tarde, mostra que o brasileiro tem elevada consciência ambiental, mas isso ainda não muda seus hábitos de consumo.
Outra matéria do nosso suplemento, uma entrevista com o veterano ambientalista Lester Brown, mostra sintonia entre a redução do IPI e uma tendência que deve tomar força após a Cúpula do Clima, em Copenhague: a de reestruturas o sistema tributário dos Países, de modo que o mercado 'precifique' os custos da poluição e das mudanças climáticas.
Estamos avançando.
Leia mais: Distância entre Discurso e Prática
Pré sal pode tirar Brasil do rumo certo, diz Lester Brown
14.10.09

Ela é mulher. Ela é cientista política. Ela passou boa parte de sua vida estudando as relações entre populações, os ecossistemas e seu equilíbrio ecológico. Ela é Prêmio Nobel de Economia.
Elinor Ostrom era até então um nome pouco conhecido nas bandas de cá. Mas ela, economista que não é - e talvez por isso - fez em seus estudos a tão necessária ponte entre a economia que gera riqueza para os povos e os recursos naturais que permitem que as engrenagens dessa economia funcionem.
Elinor investigou porque há povos e situações que se adaptam aos seus limites de exploração e conseguem se sustentar enquanto outros simplesmente predam seu patrimônio natural - os chamados bens comuns (solos, água, ar, florestas, estoques pesqueiros, etc).
Uma de suas pesquisas mostrou que pescadores de lagostas no Maine, nos EUA, conseguem se organizar para regular, sem intervenção do governo ou de empresas, a pesca do crustáceo. Com isso,conseguem evitar a superexploração desses recursos, o que representaria o fim de uma atividade econômica importante para a região.
Os estudos de Elinor são importantes para os estudiosos da sustentabilidade, pois desafiam o conceito de "Tragédia dos Comuns", segundo o qual o meio ambiente é penalizado porque os indivíduos levam em conta apenas seus interesses próprios, sem se preocupar com os efeitos sobre as outras pessoas e as próximas gerações. Tanto que, ao receber o Prêmio, Elinor afirmou que seus estudos podem ser bastante úteis nos tempos atuais, em que a economia busca novos caminhos para enfrentar temas complexos como o aquecimento global.
Escolha emblemática
O fato de a Academia de Ciências Sueca eleger uma acadêmica com o perfil de Elinor representa um avanço muito importante. Primeiro, reconhece que a economia não é feita apenas das interações mercado-governo. Há outros agentes importantes no processo, entre eles o próprio meio ambiente, que abastece a economia de matérias primas e outros serviços e sempre foi considerado uma externalidade, algo alheio ao sistema econômico. O desmonte desse paradigma é emblemático e muito atual. Tanto que há um amplo movimento no sentido de incluir as variáveis sociais e ambientais na contabilidade das nações, como mostramos no especial "PIB verde".
Elinor Ostrom parece fazer a academia acordar para a intrínseca relação entre economia e ecologia e representa a ponte que estávamos esperando ser feita. Parabéns Elinor, e que venham mais premiados como ela.
07.10.09
O Brasil não pode se comprometer com uma taxa zero de desmatamento. A declaração, feita nesta terça-feira pelo presidente Lula, durante a Cúpula Brasil-União Europeia, em Estocolmo, deu munição para que a bancada do governo no Congresso e os ruralistas tentassem votar os Projetos de Lei 1876/99 e 5367/09, que tentam amainar vários itens da legislação ambiental brasileira. A ação foi barrada, mas causou grande comoção entre o movimento ambientalista. As principais ONGs divulgaram nota de repúdio (leia mais abaixo).
O tema ganha relevância ainda maior à medida que se aproxima a Cúpula do Clima, em Copenhague, em dezembro, onde os países devem definir um novo acordo global para enfrentar o aquecimento global. E, embora o governo brasileiro tenha dado sinais de que o País pretende liderar uma posição favorável a metas de redução da poluição para os emergentes, a declaração de Lula traz dúvidas sobre um real comprometimento.
O setor privado, especialmente ligado ao agronegócio, também chegou a sinalizar que estaria disposto a colaborar com o governo nas negociações do clima. As entidades representantes da cana-de-açúcar, do papel e celulose e do óleo de soja, entre outras, chegaram a elaborar um documento, a Aliança Brasileira pelo Clima, com sugestões para que o Itamaraty leve na bagagem rumo à Copenhague. Estariam então fazendo greenwashing (maquiagem verde)? Posando de bons moços para a mídia enquanto nos bastidores articulam mais e mais brechas para expandir as suas plantações para além do limite do aceitável?
É justo ressaltar que há vários estudos que mostram que é possível dobrar a produção de alimentos e bioenergia no País sem desmatar mais, apenas fazendo um melhor aproveitamento das terras, especialmente das pastagens subaproveitadas (um boi por hectare está bom?). Acho que todos queremos saber de que lado, afinal, o agronegócio brasileiro está.
Veja abaixo a íntegra da nota assinada pelas ONGs.
Nota das Ongs contra revogação da legislação ambiental brasileira
As organizações abaixo assinadas alertam a sociedade brasileira para a gravidade da proposta da bancada ruralista no Congresso Nacional (PLs 1876/99 e 5367/09) que tramita em comissão especial formada por maioria de parlamentares ligados ao agronegócio.
A proposta revoga ou modifica as principais Leis ambientais brasileiras, como o Código Florestal brasileiro, a Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, a Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Os principais instrumentos de gestão ambiental em vigor como a criação de unidades de conservação, as reservas florestais legais, as áreas de preservação permanente, o licenciamento ambiental, o Conselho Nacional de Meio Ambiente poderão ser revogados ou enfraquecidos para atender exclusivamente por encomenda setorial dos ruralistas.
uma das mais importantes reuniões internacionais de todos os tempos (Conferência do Clima em Copenhagen em dezembro próximo) que tratará de mecanismos e compromissos com a redução de emissões de gases de efeito estufa a bancada ruralista, com a conivência do governo federal, insiste em colocar em pauta e em ritmo acelerado propostas que põem em sério risco as principais leis brasileiras, em especial a que regulamenta o controle do desmatamento em todos os Biomas brasileiros. Ressalte-se que o desmatamento é responsável por mais de 50% das emissões brasileiras.
As organizações abaixo assinadas pedem ao Presidente da República e ao Presidente da Câmara dos Deputados o empenho necessário para que os Projetos de Lei aqui referidos (PL 1876/99 e 5.367/09) sejam rejeitados, ou que, no mínimo, sejam objeto de amplo debate nacional e tramitem ordinariamente nas comissões temáticas pertinentes viabilizando assim a participação ativa e informada de todos os setores interessados no desenvolvimento sustentável no Brasil.
As principais leis ambientais brasileiras a Lei da Mata Atlântica, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, a Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente, a Lei do Sistema Nacional de Meio Ambiente, Lei de Gerenciamento de Recursos Hídricos, Lei de Informações Ambientais e Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação foram objeto de amplo debate no Congresso Nacional sendo inadmissível que este governo permita modificações de leis tão importantes para o desenvolvimento nacional sustentável sem um amplo e aberto debate nacional.
Brasilia, 06 de outubro de 2009
Associação Preserve a Amazônia
Apremavi
Amigos do Futuro
Conservação Internacional
IPAM
Fundação SOS Mata Atlântica
Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia
Greenpeace
Grupo de Trabalho Amazônico
Rede de Ongs da Mata Atlântica
SOS Pantanal
ISA – Instituto Socioambiental
Instituto de Pesquisas Ecológicas
WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal
WWF
02.10.09
Engajamento rock'n'roll para alertar contra as mudanças climáticas. Com a aproximação da COP 15, em dezembro, em Copenhaguen, na Dinamarca, onde os líderes globais decidirão suas posturas frente o aquecimento global, um time de artistas se juntou para regravar "Beds are Burning", hit da banda australiana Midnight Oil nos anos 1990.
O clip, lançado hoje, faz parte da campanha internacional pelo clima TicTac e tem a abertura de ninguém menos que o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan.Depois, vem Lily Allen, Marion Cotillard, Fergie, Duran Duran, Scorpions e outras caras conhecidas.
O curioso é que o ex-vocalista do Midnight Oil, Peter Garrett, um conhecido ativista das causas dos aborígenes, é o atual ministro do meio ambiente da Austrália - país conhecido por ser grande produtor de carvão e refratário a um novo acordo global de redução dos gases de efeito estufa.
24.09.09
A revista Newsweek fez um inédito ranking das 500 empresas mais verdes dos Estados Unidos. Com a ajuda de institutos de pesquisa, as companhias foram analisadas segundo três pilares principais: reputação, políticas de sustentabilidade e impacto ambiental das operações (esse último item, com mais de 700 variáveis).
De modo geral, o resultado coloca as empresas de tecnologia em ótima posição (das 20 primeiras colocadas, nada menos que 10 são de TI e telecom) e também várias do varejo, como a rede Starbucks. Entre os setores que tiveram pior desempenho, estão as de agroquímicos, como Monsanto (485ª posição) e Bunge (493ª no ranking). As empresas de energia também não estão bem-cotadas.
Vale uma visita: http://greenrankings.newsweek.com/top500
As novas tecnologias de informação e telecomunicações podem ajudar as empresas a economizar 43 bilhões de euros em energia elétrica até 2020 e a reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa em até 113 milhões de toneladas por ano só na Europa. Além de reduzir a poluição, tecnologias como o smart grid (rede inteligente de distribuição de energia), os sistemas de teleconferências e automatização dos processos industriais estão entre as 13 grandes oportunidades de negócios que estão sendo geradas pela chamada ‘TI verde’.
É o que mostra o estudo Carbon Connections, realizado pela empresa de consultoria Accenture, que aponta cinco grandes tendências no segmento de tecnologia aliada à redução das emissões de carbono. Entre elas, estão a desmaterialização (sistemas de telepresença, que eliminam a necessidade de viagens e deslocamentos), as redes eficientes de distribuição de energia e a manufatura inteligente, onde perdas são controladas pela automação.
O impacto do uso dessas tecnologias nas emissões de carbono é significativo, e podem representar 2,4% da meta de redução das emissões nos países da União Europeia. Até 2020, os países da UE devem reduzir suas emissões em 20%, e para isso estão sendo feitos investimentos vultosos na área de geração de energias renováveis. Mas a tecnologia de smart grid, por exemplo, pode responder por até 70% da redução nas emissões de gases poluentes, pois evita perdas no sistema de distribuição de energia.
Embora o relatório tenha sido baseado no mercado europeu, a maior parte das tecnologias já estão presentes no Brasil, e podem igualmente auxiliar as empresas no combate ao desperdício de energia e às mudanças climáticas. “O setor de TI, além de baixo emissor de carbono, tem a capacidade de auxiliar outros setores a reduzir seus custos e impactos ambientais”, afirma Petrônio Nogueira, líder para área de telecomunicações e alta tecnologia da Accenture.
O estudo aponta que outras duas grandes tendências do segmento de TI são a de logística inteligente – que reúne as tecnologias de rastreamento via satélite –, e as cidades inteligentes, onde processos como controle de tráfego, iluminação pública e distribuição de água também são feitos por controles automatizados. “Em maior ou menor grau, são tecnologias já conhecidas e que estão em expansão no Brasil.”
17.09.09
O manejo correto do solo na agricultura pode ajudar o setor de agronegócio a sequestrar carbono da atmosfera e reverter a imagem de que a atividade traz danos ao ambiente e aumenta o aquecimento global. Práticas agrícolas como o plantio direto, a rotação de culturas e a agricultura de precisão podem em breve credenciar o setor a vender créditos de carbono no mercado internacional.
"Os atuais 26 milhões de hectares de culturas que utilizam o plantio direto em todo o País são responsáveis pelo sequestro de pelo menos 13 milhões de toneladas de CO2 ao ano", afirma Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq-USP e pesquisador das áreas de bioenergia e mudanças climáticas. Ele explica que o sistema de plantio direto, onde palha e resíduos vegetais são deixados no solo, ajuda a reter grande quantidade de gases estufa, como o carbono e o metano, na terra.
"Existe três vezes mais CO2 fixado no solo do que na atmosfera. Se o solo não for manejado de forma adequada, esse carbono é liberado e contribui para o aquecimento global" explica Cerri. Apesar da pouca idade - Cerri tem 35 anos - ele tem mais de 40 artigos científicos publicados e pesquisou a fundo as mudanças no uso do solo na Amazônia.
A agricultura responde hoje por cerca de 30% das emissões de poluentes do Brasil. "A agricultura tem sido apontada como uma vilã do meio ambiente, mas o fato é que existe tecnologia para minimizar o impacto ambiental das culturas. Basta que isso seja aplicado em maior extensão em todo o País", diz Cerri. Os estudos do professor dizem respeito à fixação de carbono no solo, já que as plantas, naturalmente, já retiram CO2 da atmosfera, no processo de fotossíntese.
No entanto, mesmo com técnicas sofisticadas de manejo do solo, a conversão da floresta em culturas como soja não traz benefícios ambientais. Isso porque, enquanto o plantio direto permite a fixação de 0,5 tonelada de CO2/ano, a floresta tropical intacta tem o poder de fixar 60 toneladas de CO2/ano. "Mesmo com plantio direto, a conversão de áreas de floresta para agricultura é danosa . Por isso é preciso fazer melhor uso das áreas já degradadas, como pastagens", diz.
No campo dos biocombustíveis, a possibilidade de sequestro de CO2 também é alta, principalmente com a cultura de cana-de-açúcar. "A suspensão das queimadas nos canaviais torna a cultura ainda mais interessante em termos de sustentabilidade", explica Cerri.
O Grupo Balbo, de Sertãozinho (SP), que produz açúcar e álcool, foi o pioneiro no Estado a banir as queimadas dos canaviais, ainda na década de 1980. Na época, nem havia máquinas para colher a cana crua. O plantio direto, aliado ao controle biológico de pragas, transformou o Grupo Balbo em uma potência do mercado de orgânicos. Com a marca Native, o grupo é hoje o maior produtor mundial de açúcar orgânico e exporta cerca de 50 mil toneladas por ano.
A experiência da empresa chamou a atenção de grandes compradores, como a rede americana de varejo Whole Foods, especializado em produtos naturais e orgânicos. "Eles viram nosso inventário de emissões de CO2 e se surpreenderam com o fato de que nossas usinas emitem 35% menos carbono que uma indústria convencional", diz Leontino Balbo Júnior, diretor da Native.
Créditos de carbono
A comprovação da redução de carbono pelo uso correto do solo pode permitir a negociação de créditos de carbono. Hoje os projetos de agricultura não são aceitos pelas Nações Unidas, mas há títulos sendo vendidos nas bolsas paralelas de carbono, como a Chicago Climate Exchange (CCX), e o Fundo Protótipo de Carbono, do Banco Mundial.
No Paraná, agricultores se uniram em uma cooperativa, a Coopercarbono, e realizaram a primeira venda de créditos referentes a área de matas ciliares.

03.09.09
Saiu hoje a revisão da carteira de ações do Dow Jones Sustainability Index (DJSI), o índice de sustentabilidade da bolsa de valores de Nova York. A nova carteira vale para os anos de 2009/2010 e reúne sete empresas brasileiras: Aracruz, Bradesco, Cemig, Itaú-Unibanco, Itaúsa, Petrobrás e Redecard - única novata no pedaço, e que também faz parte do conglomerado Itaú.
A carteira anterior tinha oito brasileiras, e desta vez saíram Usiminas e VCP. A "surpresa" foi a permanência da Petrobrás. A exclusão da estatal era cogitada após a perrenga envolvendo a não-redução do enxofre do diesel, conforme obrigava a legislação, que culminou em sua eliminação do ISE - Índice de Sustentabilidade Émpresarial - da Bovespa, como contamos aqui. Pelo visto o santo da petroleira é dos fortes.
Confusões à parte, o fato é que poucas empresas brasileiras conseguem figurar no DJSI, o índice que inspirou outras bolsas a criarem carteiras baseadas no desempenho de sustentabilidade das companhias. E muitas das que estão, permanecem por anos a fio, caso da Cemig e do Itáu Unibanco. Será que nossas empresas de capital aberto não estão fazendo a lição de casa corretamente para figurar na lista? Ou os critérios de rentabilidade dos papéis estão acima dos aspectos de governança e sustentabilidade?
Andrea Vialli é jornalista com especialização em sustentabilidade pela Schumacher College, do Reino Unido. Desde 2004 escreve uma coluna voltada para o tema no caderno de Economia&Negócios do Estadão.
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