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24.06.08
Fim de festa. É sempre essa a sensação que a gente tem quando se acendem as luzes da sala de desfiles ao final da última coleção, com todo mundo cansado, mas feliz. Participar da SPFW é sempre bom, apesar das filas, dos atrasos nos desfiles, da correria para jogar no ar as notícias de cada apresentação, do frio, da caça às celebridades, aos estilistas, às modelos e, desta vez, à Gisele Bündchen. Muita gente se queixa, dá piti, bufa, mas, de minhha parte, assumo sem reclamar: adoro isso. Gosto de moda de verdade, assim como toda equipe que participa da cobertura pelo Grupo Estado: Flavia Guerra, Renata Cafardo, Valéria França, Eduardo Diório, Marcio Oyama e Letícia Santos. Até desse povo que nos escaneia em toda porta de desfile, na platéia, nos lounges e nos corredores a gente tira uma. Fomos trabalhar, não fazer carão. Bem... então é hora de fazer aquele balanço geral. Bjs a todos os que acompanharam a cobertura aqui com a gente e até janeiro de 2009.
Quem brilhou mais: Gisele Bündchen. Quando ela vem, não tem para ninguém.

A modelo Gisele Bündchen. Foto: JF Diório/AE
Quem roubou a cena: O estilista Kenzo, principal convidado do evento, que já andava lépido pela Bienal, totalmente integrado
Ousadia da temporada: as dobrinhas da Karolina Kurkova

Desfile emoção: o jardim rococó de Samuel Cirnansck
Melhor abertura: a levitação da Cavalera
Melhor cenário : o aquário da Ellus

Modelos no aquário montado pela grife Ellus. Foto: Robson Fernandjes/AE
Melhor encerramento: OEstúdio, com os caras tirando som de joysticks
Modelo da vez: Ana Cláudia Michels
New face da hora: Paulo Zago, da Ford Models
Fina estampa: os florais de Erika Ikezili
Troféu você nunca vai me ver na arara: a coleção de fantasias Do Estilista, de Marcelo Sommer
Troféu heróis da resistência: Fause Haten, que fez seu desfile, apesar do bafon com a I'M
Taça labirintite: as estampas gráficas de Mario Queiroz

Desfile do estilista Mario Queiroz. Foto: JF Diório/AE
Taça miçanga: bordados de Alexandre Herchcovitch masculino
Troféu mimeográfo: os tops da Iódice com perfume de Lanvin
Troféu lexotan: para a platéia da Rosa Chá
Troféu depilação: para as micro sungas da Rosa Chá
Troféu malhação: para os micro shorts de Mario Queiroz
Melhor plissado: a salopete de jeans da Huis Clos
Melhor babado: os looks de Alexandre Herchcovitch feminina
Troféu alta gastronomia: Reinaldo Lourenço, que fez banquete com seu chá das cinco e suas bonecas de porcelana
Troféu cozinha brasileira:Maria Bonita e sua visão sem esteriótipos de ícones nacionais
Look eu quero um: macacão da Maria Bonita
O que tinha de sobra: biquínis, biquínis, biquínis que não dizem nada
Topa tudo: Rodrigo Rothem, o modelo que ficou nu e tomou uma chuverada na Rosa Chá
Troféu grilo falante: as casacas verdes da Cavalera

Desfile da Cavalera. Foto: Nilton Fukuda/AE
Acessório necessário: as maxi bijus da Cori e da Neon
Melhor trilha sonora: Dorival Caymmi para Maria Bonita
Troféu tanquinho: para o casting da Rosa Chá
Trofé bolsa escândalo: para as micro bolsas da Simone Nunes
Troféu Eu sei o que vocês fizeram no verão passado: Cia. Marítima. Aquela imagem da loira,bronzeada, cabelão ao vento , já deu, hein?
Taça primeira fila: Adriane Galisteu e Alexandre Iódice, assumindo romance para deleite dos fotógrafos
Troféu BNDES: Wilson Ranieri. Alguém arruma um investidos para esse moço talentoso, por favor?
Momento ninguém merece: o carão de Pedro Lourenço ao final do seu desfile. O menino tem só 18 anos, já pensou o que vem por aí?
Senha fashion da temporada: Delicadeza
Cabeça desfeita: as tranças moicano da Animale
Cabeça feita: as belas tranças de Alexandre Herchcovitch feminino
Taça I'll be back: Paulo Zulu, 45 anos de muita saúde
Melhor pisante: os sapatos estilo masculino, de palha, da Huis Clos
Troféu cadê: Zoomp
Taça volte sempre: Cauã Reymond (Blue Man) e Rodrigo Hilbert (Colcci)
23.06.08
A top Carolina Ribeiro esteve mais uma vez na Bienal - ela já tinha desfilado para Neon, Alexandre Herchcovitch e Rosa Chá -, desta vez para a apresentar o concurso OI Cara Nova, que premiou três modelos "new face": Igor Monteiro, Guilherme Mosmann e Nathalia Haveroth. "Esse concurso é muito importante, eles já começam no melhor evento de moda do país", disse ela, ressaltando que também foi descoberta num concurso.
Embora não tenha acompanhado outros desfiles, Carol disse que no próximo verão vai continuar usando cintura alta. "Gosto desse visual mais fechado, menos nu", explicou. "Estou feliz por que acho que essa é uma das tendências do próximo verão."A top gerou algum tumulto durante sua passagem pela SPFW, mas não causou como Gisele Bündchen.
Marilia Biasi é uma das quatro novas criadoras da Carlota Joakina, que desfilou neste última dia de SPFW. Ela falou sobre o processo criativo e as apostas da marca para a próxima estação.
Como é criar com oito mãos femininas?
É muita loucura, são muitas mulheres juntas. Mas dá certo, não temos problemas. Temos sorte por que as TPMs coincidem.
No que você acredita em termos de silhueta para a próxima estação?
Em volumes, shape mais largo, trapézios e evasês.
E o que será tendência?
Nossos bodys, que podem ser usados tanto na praia como no dia-a-dia, e o comprimento micro, com shorts tão curtos que até aparece um pouquinho do bumbum - claro que usado com estilo, de repente com uma legging por baixo.

Foto: Clayton de Souza/AE
Acabou. Fechando a maratona de desfiles, Lino Villaventura colocou em cena, novamente, seu teatro fashion. Com um colorido intenso, os modelos pareciam robos de brinquedo, lembranças do Castelo Rá-Tim-Bum. O clima é retrô futurista. As formas vêm mais soltas e menos estruturadas. Os geométricos se unem em patchworks que só ele consegue fazer.
Em tecidos finos, como a seda pura, a palha de seda e o xantungue, o estilista constrói vestidos rodados, ricamente bordados."Minha intenção foi subverter a costura tradicional, que seria feita em um tecido plano. Em vez de fazê-la reta, criamos nervuras que deram uma cara geométrica aos looks", explicou o estilista. No masculino, destaque para as camisetas com aplicações de bordados nas costas e no peito, que parecem quadros. "O masculino é mais estruturado e tem mais alfaiataria do que o feminino, mas, ainda assim, são modelos que acompanham a geometria da forma do corpo humano", diz Lino. Se não são comerciais, pouco importa. Lino encerra o show com a competência de sempre, e ajuda a fazer mais um verão repleto de boas imagens.
Foto: André Lessa/AE
A carioca Reserva estreou na SPFW enchendo o verão paulistano de flores e pássaros. Os dois ícones da temporada quente surgiram mesclados ao xadrez e a uma berrante cartela flúor, que incluía o amarelo, o rosa e o azul, em pólos, bermudas, calças, cardigãs e cache-coeurs (aqueles cardigãs com a frente trespassada). Cinzas e marrons procuravam neutralizar tantos reflexos, mas ainda assim a vista se cansou.
O shape veio solto, com calças mais folgadas, tipo saruel (soltas em cima, ajustadas nas canelas e de cavalo baixo), camisetas largas (boa a com gola de zíper colorida nas costas) e até jaquetas volumosas. A marca apostou ainda na malharia de fio pima peruano, bem leve, e no tricô com fios de aço inox, ultratecnológico, usado nos cardigãs. Tafetá e nylon também tiveram vez.
Os cache-coeurs em jacquard finalizados por faixas à quimono e os jeans clarinhos - hits da estação -, inclusive em macaquinhos, puxaram a fila das melhores peças. Ponto ainda para a bermuda cinza com faixa frontal.
"A idéia foi tropicalizar o dândi, desenhar um tipicamente brasileiro", contou Rony Meiser, um dos três sócios da grife e responsável pela área de criação. "Mas a coleção não levanta nenhuma bandeira", completou, explicando que a estréia na semana de moda paulistana não mira um público específico - fashionistas, machões ou intermediários.
Quanto à vinda da marca a São Paulo, Meiser disse que se trata de estratégia comercial. "Já temos 180 pontos de venda no Estado, mas agora queremos abrir uma loja própria."
A Vide Bula foi buscar na obra de David Hamilton a inspiração para criar seu verão que esbanja suavidade. A beleza velada do trabalho do fotógrafo britânico deu o tom a looks suaves e azuis. Se o DNA da Vide Bula é azul, o verão, claro, também. Muito algodão, piquet, tecidos orgânicos e transparências predominaram em uma coleção que, assim como os clicks de Hamilton, não escancaram a sensualizade nem tão pouco a escondem. Muitos decotes, jeans lavados e uma bem-vinda novidade: o tingimento orgânico.
As peças em algodão foram literalmente mergulhadas no café, torcidas e secadas. As camisetas desfiladas pelas tops (com muitos babadinhos nas golas e barras) cheiravam a novo e a café. Uma coleção que cheia a frescor e jovialidade para um verão em que, como bem disseram seus criadores, ‘pode-se tudo’. Do bege ao marron, do xadrezinho ‘toalha de mesa’ às rendas, com direito as coroas de margaridas no melhor espírito ‘flower power’ na cabeça e no pescoço dos moços e moças prontos para curtir o verão fresquinhos, fresquinhos.

Foi uma tarefa hercúlea para os nossos colegas fotógrafos distinguir Vivi Orth de Raquel Zimmermann. Você sabe quem é quem?
Foto: André Lessa/AE
Heterogêneo como sua inspiração, o desfile de verão 2009 da Carlota Joakina buscou inspiração em fontes mais do que variadas para criar sua 'aristocracia sintética'.
E o que vem a ser uma aristocracia sintética? A julgar pelos diversos materiais, cores, texturas, volumes e comprimentos criados pelas estilistas Camila Bertolote, Juliana Pazzuti, Marília Biasi e Regina Zanardi para a segunda grife de Glória Coelho, é a aristocracia que não abre mão da nobreza do bom corte, mas não esquece de se 'atualizar' e usar e abusar dos novos tecisos, cores, combinações e shapes.
Na coleção com cara de 'children's style', ou seja, 'feita sob medida para 'meninas grandes', não faltaram vestidos minis, babados, laços, cintos bem sacados (confeccionados com as fivelas de plástico de mochilas)...
A garota Carlota Joakina vai à praia esbajando looks despojados com cara de 'vou para a natação' de havianas nos pés, passeia num estilo 'montaria' e vai à festas 'embrulhada' em vinil, curtinhos com texturas e volumes. E não desce dos mega saltos (destaque da coleção) ora com cara de 'embotinados' ora mais leves em versões pérola.
Para 'arrematar', Carlota aposta em tons como o azul royal, coral (definitivamente duas cores que entraram para o verão 2009), cinza, chumbo e, porque não?, preto.
Desfile da grife Rosa Chá, de Amir Slama. Foto: André Lessa/AE
Compradores e investidores internacionais vêm a SPFW à procura de algo “fresco, jovem e diferente” que não se encontra mais nas tradicionais moda Européia e Americana
Entra ano, sai ano e a pergunta persiste: Afinal, o que o mundo quer da moda brasileira? Se depender de Armand Hadida, quer algo novo, fresco e jovem que não se pode mais encontrar na moda dos já tradicionais mercados Europeu e norte-americano. “De Paris, Londres e Nova York todo mundo já sabe o que vem. A novidade do mundo da moda hoje em dia vem de quatro lugares: Brasil, Rússia, Índia, China e Japão. E o Brasil está muito bem colocado neste mapa”, dizia Hadida em reunião com Amir Slama e Valdemar Iódice na tarde de ontem no hotel Grand Mercure.
Mas, afinal, quem é Hadida e o que eles faziam no hotel enquanto a Fashion Week corria a toda na Bienal? Hadida é o poderoso empresário francês que está à frente de uma das grandes (e mais badaladas) redes de moda de seu país, a L’Eclaireur. Está no Brasil para acompanhar a SPFW, para conhecer melhor as grifes brasileiras, visitar showrooms, ver desfiles e, claro, fechar negócios. Hadida era um dos mais de 30 empresários convidados pela Abest (Associação Brasileira de Estilistas) para SPFW. Mais que mordomia, o convite da Abest significa uma investida a longo prazo para pôr em prática o que fashionistas e especialistas de plantão sempre apontam como a atual principal meta da indústria da moda brasileira: a profissionalização. Além do convite para vir à SPFW, conhecer a indústria da moda na cidade, os compradores estrangeiros têm um showroom especial montado no hall do hotel, com uma pequena amostra de várias grifes. “O investidor literalmente vê cada arara em exposição. Das que mais gosta, vai conhecer o showroom ou já faz encomendas”, explica Slama, que além de ser criador e hoje diretor da Rosa Chá, é presidente da Abest.
Desfile da Iódice na São Paulo Fashion Week. Foto: Robson Fernandjes/AE
“Discordo um pouco da opinião da Glória Kalil sobre a moda brasileira, quando ela diz que ‘os italianos têm design, os franceses têm marca, os americanos têm mercado interno, os chineses têm preço e nós, temos o que?’? Acho que nós temos o lifestyle”, comenta Slama. “É a mistura brasileira, que combina despojamento, alegria, sofisticação e qualidade que o mundo quer da nossa moda. Quando criamos, mesmo que de olho nas vendas internacionais, é com o brasileiro que queremos dialogar. No mercado externo, é com o comprador que se identifica com o nosso estilo de vida que nos comunicamos. Em Nova York , por exemplo, ainda que seja adaptado, vejo muitas garotas que, durante o verão, reproduzem o estilo de se vestir da brasileira. Muitas camisetinhas de alcinha, chinelinhos. É claro que é preciso sofisticar e profissionalizar sempre, mas isso vem com o tempo. É um plano a longo prazo”, completa Slama foi um dos pioneiros a desfilar em uma semana de moda internacional. No sábado, Slama desfilou pela primeira vez sua coleção masculina na SPFW. E em setembro, desfila sua coleção feminina em Nova York e abre sua loja conceito na cidade, a quarta no mundo (já possui lojas próprias em Lisboa, Miami e Istambul).
Ao lado de Slama, Oskar Metsavaht (da Osklen), Alexandre Herchcovitch, Carlos Miele também estão na lista dos que pertencem à linha de frente. “Mas este avanço, apesar de muito importante, foi muito mais por esforço próprio que por uma ação pensada e organizada. A partir de agora, é questão de trabalhar a construção de marca tanto aqui como no exterior. Os empresários brasileiros querem se firmar no mercado interno e exportar cada vez mais. E quem já possuiu o know-how, como o Slama, que já está me ‘apresentando’ a semana de Nova York ao, repassa esta experiência adiante”, completa Iódice, que, além de estilista da marca que leva o seu nome, é vice-presidente da Abest.
“Eles têm razão. E esta iniciativa está dando resultado. Quando eu comecei a exportar, principalmente para o Japão, claro que foi difícil. Mas, depois que se pega o jeito, exportar é como vender para o interior paulista. Qualidade nós temos. Falta só organizar”, acrescentou Serpui Marie, uma das mais famosas, e bem sucedidas, designers brasileiras. Suas bolsas e acessórios são disputados por nomes como Jennifer Aniston, Gisele Bündchen e Madonna,
Para comprovar por ‘a+b’ que a iniciativa da Abest (que conta com o apoio da Apex – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) dá resultado, eis alguns números: “Desde que começamos esta ação de trazer investidores internacionais, em 2006, as exportações das grifes associadas à Abest cresceram 19%. Em 2006, isso significou 21milhões; em 2007, U$26 milhões. Para este ano, a cifra deve crescer cerca de 18%”, arrematou Slama.

Foto: Clayton de Souza/AE
O cenário escolhido pela estilista Erika Ikezili para a apresentação de sua coleção para o verão 2009 não poderia ter sido mais apropriado: o Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera. Ela só não contava com a frente fria que derrubou a temperatura nesta manhã de segunda-feira (23/6) em São Paulo. Deu sorte a Erika de não chover na hora da apresentação. Só as modelos é que entraram roxinhas e arrepiadas para desfilar. Ainda bem que a coleção compensou todo o frio que a gente teve de passar. Mais uma vez inspirada no centenário da imigração japonesa ao Brasil (na última edição ela celebrou a primeira nikey nascida no país), a estilista - única representante da comunidade nipônica na SPFW - apostou nas misturas provocadas pela fusão das duas culturas. Essa mescla surge traduzida nas estampas, em profusão de cores que geram belas imagens. As formas arredondadas, inspiradas na obra de Tomie Otake, segundo a estilista, se sucedem nos shorts. Lembranças de quimonos surgem na modelagem, mas não espere a obviedade dos transpasses. A influência está mais em uma gola seca, nos tecidos molengos - que ganham volume com rendas e tules sob as saias -, nas texturas de jacquard. O floral vem ora miúdo, ora médio. Especial a paisagem de um jardim, as flores ficam na saia, o céu com nuvens fica nas costas. Rendas largas simulam alças. Até onças e zebras aparecem, mas desfiguradas no meio do mix de imagens. Laços de trajes de gueixas enfeitam as cinturas, mas a japonesa de Erika é como as descendentes brasileiras, multiculturais, donas de uma beleza miscigenada, como a da dentista Karina Nakahara, eleita miss centenário, que fechou o desfile.
Confira a cobertura da equipe do Grupo Estado, com notícias, fofocas, bastidores, análise dos desfiles, vídeos, áudios e galerias de fotos, para que você não perca nenhum detalhe da temporada de verão 2009
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