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02.07.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 11:35:41.

Uma matéria interessante do The New York Times hoje fala que a crise afetou as aulas dadas durante o verão (summer schools) nos Estados Unidos, algo muito tradicional na educação do país. Neste mês, os alunos entram em férias e praticamente todas as escolas públicas americanas ofereciam aulas, tanto de inglês e matemática, quanto atividades esportivas, artes, música, línguas.

Por causa da crise financeira e da falência do estado da Califórnia, 40% das escolas reduziram os programas oferecidos e 20% eliminaram totalmente as aulas durante as férias. Outros Estados, como Nova York, também deixaram de oferecer atividades no verão.

O problema aparece, mesmo depois de o governo federal ter destinado US$ 100 bilhões para escolas públicas, numa iniciativa sem precedentes em um país cuja educação sempre foi extremamente descentralizada. O equivalente ao ministro da Educação dos Estados Unidos, Arne Duncan, havia pedido justamente que esse dinheiro fosse usado também para manter escolas abertas no verão.

Mas, atoladas em dívidas, escolas têm argumentado que os cursos de verão são algo supérfluo e por isso podem ser cortados. A gripe suína também foi um dos motivos alegados pelas escolas para não oferecerem atividades em julho.

O conceito de summer school começou a ganhar mais força nos Estados Unidos nos anos 70 quando uma pesquisa da Universidade Johns Hopkins mostrou que problemas de aprendizagem eram reduzidos durante as atividades nas férias. Crianças pobres que, em vez de frequentarem os programas, trabalharam durante o verão não fixaram grande parte do que tinham aprendido de inglês e matemática. Já os que tiveram alguma estimulação intelectual nas férias se saíram melhor nos exames aplicados pelos pesquisadores.

No Brasil, a situação é pior ainda. Crianças pobres têm quase nenhuma opção durante as férias. A maioria das escolas públicas fecham e não há sequer espaços para prática de atividades esportivas gratuitas. Nas particulares, a fila é grande para programas oferecidos principalmente para crianças pequenas.

 


30.06.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação infantil 14:51:01.

A educação infantil tem ganho cada vez mais importância como uma das melhores formas de estimular corretamente e ajudar no desenvolvimento das crianças. Esse nível de ensino engloba o que conhecemos como creche (crianças entre 0 e 3 anos) e a pré-escola (4 e 5 anos).

No entanto, números do relatório Desigualdades na Escolarização no Brasil, feito por um conselho ligado à presidência da República, mostram que apenas 17% das crianças do Brasil frequentam creches e 77,6% estão na pré-escola.

A situação das crianças de 0 a 3 anos é mais preocupante não só pelo baixo atendimento da população em geral, como pelo limitado acesso de famílias de baixa renda a esse nível de ensino. O relatório mostra que quanto mais pobre é a família menos crianças estão em creches.

Em famílias que ganham até meio salário mínimo per capita apenas 10,8% das crianças são atendidas no Brasil. Na região Norte do País, por exemplo, são só 4,9% das famílias nessa faixa de renda com seus filhos em creches.

Já entre as que ganham entre 2 e 3 salários o índice de atendimento no Brasil é de 32%. E 42% dos filhos de quem recebe mais de 3 salários está em creches.

O problema é que o acesso à educação infantil seria ainda mais relevante para crianças pobres. Uma das razões é o impacto na vida pessoal e familiar, já que facilita a inserção sócio-profissional da mãe, diz o relatório. Fora isso, são justamente essas crianças cujos pais têm menos livros em casa, menos escolaridade e, portanto, mais dificuldade de estimular e desenvolver seus filhos sem a ajuda de educadores.

 


13.06.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 15:05:50.

A reitora da Universidade de São Paulo (USP), Suely Vilela, tem uma semana decisiva pela frente. Depois dos confrontos na semana passada entre policiais, estudantes e funcionários em plena Cidade Universitária, grevistas prometem novos protestos para esta terça-feira. Entre as reivindicações que pretendem ecoar na Avenida Paulista (onde foi marcada a manifestação) estão o jargão "fora Suely".

É consenso que seu mandato tem sido complicado, mas talvez Suely não tenha conseguido se aproveitar do que ele podia trazer de bom para sua imagem. Começou, em 2005, aclamada como a primeira reitora da história da USP, prometia mudanças e inclusão de alunos de escolas públicas. Conseguiu, de fato, aprovar a maior modificação no vestibular da Fuvest: deu pontos a mais para alunos de escolas públicas já começarem em vantagem na competição.

Mas sua aversão à imprensa fez com que a opinião pública não a associasse a mudanças históricas (podem ser polêmicas, mas são históricas, não há dúvida). No início de seu mandato, fiz uma entrevista com ela em que me revelou apreciar Julio Iglesias, Roberto Carlos e livros de autoajuda. Citou um deles: "Como fazer amigos e influenciar pessoas". Era uma mulher desarmada, parecia simples, respondia o que lhe perguntavam.

Mas as declarações foram uma bomba na intelectualidade uspiana, que já começou a olhá-la com maus olhos. Desde então, Suely não gosta de falar com a imprensa, se sente insegura, com medo de prejudicar a si mesma. Deixou sempre as explicações de seus projetos aos pró-reitores, pronunciou-se por meio de notas, apareceu pouco em eventos públicos em que a imprensa estivesse.

Por isso Suely acabou ficando mais conhecida pelas duas greves que teve de enfrentar e das quais não conseguiu desassociar seu nome, mesmo evitando dar entrevistas. Na primeira, em 2007, não permitiu a entrada da polícia na cidade universitária, mesmo com a reitoria ocupada havia 50 dias. Recebeu críticas de todos os lados, se indispôs com o governador. Passou a ser olhada como uma gestora fraca e até desqualificada para o cargo. Na semana passada, pediu a presença da PM para liberar prédios e portaria ocupados e, após provocação de alunos, a USP virou um palco de guerra. Críticas novamente. E agora acompanhadas do perigoso "fora Suely".

O problema é que não só grevistas têm defendido o mesmo, professores importantes têm se pronunciado neste sentido. A USP agora se pergunta o que seria mais prejudicial: a saída da reitora ou a sua permanência.

 


11.05.09

por Renata Cafardo, Seção: notícias 23:36:26.

Estou em férias e por isso os posts devem ficar um pouco mais raros neste mês. Em junho, estou de volta.
Abraços

 


17.04.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 17:33:51.

As mudanças na Fuvest foram aprovadas ontem e há todo tipo de opinião sobre se elas vão melhorar ou piorar o vestibular. Mas o que chama a atenção é a justificativa dada pela pró-reitora de graduação da Universidade de São Paulo (USP), Selma Garrido Pimenta, sobre uma das novidades. A partir de agora, a prova da primeira fase deixará de valer pontos para a nota final.

O que a USP alega é que estudos mostraram que muitos alunos não se saíam bem na primeira etapa, mas depois tinham um bom desempenho na segunda. Desta forma, o acúmulo de pontos estaria os prejudicando. "A primeira fase não é preditiva da segunda", diz Selma.

Só que especialistas e números da própria Fuvest mostram que é difícil encontrar candidados aprovados que foram melhor na segunda fase do que na primeira. Ou seja, não há convocados que conseguiram recuperar e virar o jogo porque tiveram um desempenho muito superior na segunda. Ou, pelo menos, isso não é a regra. "A primeira costuma ser bem preditiva da segunda, não há surpresas", diz um bom entendedor de Fuvest, que preferiu não ter seu nome divulgado.

Veja dois exemplos de curso concorridos e com candidatos de alto nível no vestibular de 2008 (não há dados disponíveis de 2009 ainda no site da Fuvest). Em Direito, os aprovados acertaram em média 82,3% da primeira fase e 65,3% da segunda fase. Já em Medicina, foram quase 90% da primeira e 82% da segunda.

Ou seja, tirar os pontos da primeira fase desse grupo faria com que suas notas finais caíssem. Como os que vão pior na primeira fase provavelmente também se saem mal na segunda talvez a lista de aprovados não mudasse muito. Mas a justificativa da USP talvez não faça muito sentido. Um detalhe: a universidade não apresentou os estudos que comprovam a opinião manifestada pela pró-reitora.

 


15.04.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 11:03:54.

Há hoje uma estranha relação entre o governo do Estado e a Universidade de São Paulo (USP). Desde o episódio da invasão da reitoria em 2007, quando o governador José Serra avaliou que a reitora Suely Vilela demorou demais para resolver a questão, o clima não é dos melhores.

Recentemente, o programa de inclusão da USP fez com que isso se tornasse público novamente. Ontem, o novo secretário da Educação e ex-ministro, Paulo Renato Souza, declarou que a USP não deve interferir no currículo da rede estadual de ensino. "Eu sei bem como é a mentalidade das universidades. Acham que o que é bom para elas é bom para todos", disse em entrevista ao Estado. Ele se referia ao chamado PASUSP, um programa de avaliação seriada, criado no ano passado pela instituição, para avaliar apenas os estudantes das escolas estaduais. Por meio dele, o aluno pode ganhar pontos no vestibular da Fuvest.

Paulo Renato, no entanto, acredita que uma avaliação assim acaba norteando o que será ou não ensinado nas salas de aula das escolas públicas paulistas, já que os alunos terão de se preparar para a prova. E é isso que ele considera interferência.

Opinião semelhante tinha a ex-secretária Maria Helena Guimarães de Castro. Ela comprou briga com a USP ao dizer que não mais financiaria essa mesma avaliação que, em 2008, foi aplicada pela primeira vez. Ela também achava que a USP deveria usar o Saresp, avaliação criada pelo próprio governo, para dar pontos aos alunos.

Já a USP nunca se manifesta. Ouve as críticas declaradas e nada polidas e permanece dizendo que tem uma boa relação com o governo do Estado. E não se sabe se o tal PASUSP vai continuar ou não. Vale lembrar que, apesar de estadual, a USP tem autonomia para decidir sobre seus programas. Mas não é fácil peitar o governo do Estado.

 


06.04.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino médio 11:42:12.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, vai anunciar hoje a mudança definitiva do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova inovou ao cobrar competências e habilidades, de uma maneira interdisciplinar, ao ser feita pela primeira vez em 1998. A ideia agora é que o exame cobre também o conteúdo que deveria ter sido aprendido no ensino médio. Com isso, ele passaria a ser usado como a primeira fase dos vestibulares das 55 universidades federais do País.

Fora a mudança no formato, a novidade é o fato de uma prova só selecionar candidatos para todas as federais, poupando tempo e estresse dos vestibulandos. A inspiração é o SAT, aceito em todas as universidades americanas e que pode ser feito várias vezes ao ano. O aluno envia para a instituiçao em que pretende estudar a melhor de suas notas.

Aqui, também se pensa em oferecer o Enem não só uma vez por ano, o que acabaria de vez com a maior característica do vestibular brasileiro: hoje, uma só prova muitas vezes é decisiva para o futuro de milhares de jovens.

As universidades federais ainda discutem se aceitam ou não a proposta do MEC de mudança do vestibular. O ministro, no entanto, resolveu remodelar o Enem de qualquer jeito, numa tentativa de forçar a aprovação da proposta de novo vestibular pelas federais. Segundo estimativas do ministério, 35 delas já estariam dispostas a dizer "sim" ao ministro

O novo Enem deve passar a ter 200 questões (hoje são 63). A prova seria feita em outubro, em dois dias, e não mais em agosto, como sempre ocorreu. Seriam quatro partes: linguagens, matemática, ciências naturais (química, física, biologia) e ciências humanas (história, geografia, filosofia, sociologia).

 


27.03.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 12:31:52.

O ex-ministro da Educação e deputado federal Paulo Renato Souza comentou agora pouco o convite para assumir o cargo de secretário. Ele afirmou que Maria Helena Guimarães de Castro será sua assessora na área de avaliação e pesquisas. A secretária estava ao lado, ouvindo a ligação, e confirmou que aceitaria.“Não vai mudar nada, o programa vai continuar o mesmo.”

Segundo ele, não houve descontentamento do governador José Serra com o trabalho de Maria Helena. “Serra está reforçar o governo. Trouxe o Geraldo”, comentou Paulo Renato, ao ser questionado se a motivação da troca era política.

Ele assume o cargo no dia 15 de abril. No dia 8, Maria Helena deve divulgar ainda os resultados do Saresp, a avaliação da rede estadual. As provas foram feitas em novembro e têm questões de português, matemática e ciência. As notas do Saresp foram usadas para compor o Idesp, divulgado na semana passada.

 


por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 11:09:29.

A Secretária do Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, pediu demissão do cargo ao governador José Serra. Conversei agora pouco com ela pelo telefone. "Já cumpri minhas metas", disse, referindo-se ao Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp), divulgado na semana passada. Professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela fica no cargo até dia 15 de abril, quando será substituída pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. "Ele tem mais peso político para as eleições de 2010", disse Maria Helena sobre Paulo Renato.

Na semana passada, o governo divulgou os resultados do Idesp, que mostraram que 70% das escolas da rede estadual melhoraram entre 2007 e 2008. Maria Helena, no entanto, diz que tem sofrido pressões da imprensa. Ontem, o Estado divulgou que, mesmo nas escolas melhores avaliadas, a maioria dos alunos estava em níveis de aprendizagem "básico" e "abaixo do básico".

Serra não teria gostado também de reportagens que mostraram erros em livros de geografia distribuídos na rede, em que havia dois Paraguais em mapas da América do Sul. "Não sei ainda o que vou fazer, se volto para a Unicamp ou se adianto a minha aposentadoria", completou Maria Helena.

A educadora, que se tornou especialista em avaliação, trabalhou com Paulo Renato durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Educação (MEC). Foi secretária-executiva do ministério e também presidente do Inep, hoje responsável por avaliações como Enade, Enem, Prova Brasil. Paulo Renato teria convidado Maria Helena a continuar como assessora de área de avaliações na secretaria, mas ela ainda não sabe se aceitará.

 


06.03.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 11:31:45.

Depois da Fuvest, agora é a Unesp que vai mudar seu vestibular. Um documento que foi aprovado ontem na instituição determina que a prova passará a ter duas fases. Hoje, o vestibular da Unesp é o único entre os realizados pelas universidades estaduais paulistas com apenas uma etapa. As provas, no entanto, devem ocorrer todas no fim deste ano (novembro e dezembro), nada ficará para 2010, como ocorre na Fuvest e na Unicamp.

Assim como a Fuvest pretende fazer, haverá mais força para questões interdisplinares. O exame não será dividido em disciplinas e sim em conjuntos, cada um com 30 questões de múltipla escolha na primeira fase. O primeiro deles é Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, com português, língua estrangeira, educação física, arte e tecnologia. O segundo é o de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, com física, química, biologia e matemática. O último é mais diferente porque inclui - além de história e geografia - sociologia, antropologia, política e filosofia. O nome do grupo é Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Acredita-se que a prova se aproxime mais de avaliaçoes como o Enem, aplicado a alunos que terminam o ensino médio pelo governo federal. A prova cobra menos conteúdo e é focada nas competências e habilidades que o jovem deve ter ao terminar a escola. A nova Unesp lembra também a nova Fuvest, discutida no post anterior.

A segunda fase da Unesp terá 18 questões divididas nos mesmos grupos e a redação.

O projeto foi aprovado ontem na Câmara de Graduação da universidade e passará ainda por outra votação nas próximas semanas.

 


03.03.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 10:21:33.

Como noticiou o jornal O Estado de S. Paulo com exclusividade ontem, a Fuvest deve mudar a partir deste ano. Entre as mudanças principais estão a desconsideração da nota da primeira fase na contabilidade total de pontos e uma segunda fase com todas as disciplinas.

Tive acesso ao documento preparado pela Universidade de São Paulo (USP), que ainda estava sendo mantido em segredo. As mudanças foram apresentadas pela pró-reitoria de graduação no dia 19 de fevereiro, pouco antes do carnaval. Agora, as unidades têm prazo até o fim de março para discutir internamente e o documento deve ser votado em abril ou maio.

Segundo especialistas, as mudanças ajudam alunos mais despreparados. Um dos claros focos do texto da USP é o estudante de escola pública que, mesmo não se saindo bem na primeira fase, poderá concorrer de igual para igual com o aluno de escola particular na segunda etapa.

A segunda fase passará a ser dividida em 3 dias. O primeiro terá 10 questões dissertativas de português e a redação, que continuam obrigatórias para todos. No segundo dia haverá agora 18 perguntas de todas as disciplinas, mas 6 delas terão de ser interdisciplinares. No último dia, haverá mais 10 questões de duas matérias relacionadas ao curso prestado.

Alunos esforçados acreditam que a Fuvest vai favorecer quem estuda menos. Professores de cursinhos concordam, já que ninguém precisará mais fazer 10 questões dissertativas de química ou física na segunda fase, por exemplo. Com as 6 interdisciplinares, sobram só 12 questões no segundo dia para serem divididas entre matemática, química, biologia, física, história e geografia, ou seja, 2 perguntas de cada. "É bom para quem não domina a disciplina", diz a professora do Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes.

Em 2006, a USP, por meio da Fuvest, iniciou um programa de inclusão de alunos de escolas públicas. O objetivo é aumentar a quantidade de aprovados com esse perfil na instituição. Atualmente, eles já ganham pontos a mais no vestibular.

 


25.02.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 15:17:38.

Será divulgado até o fim da primeira quinzena de março o Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp), indicador criado no ano passado pelo governo paulista.

O índice é como se fosse uma nota, que varia de 0 a 10, dada para todas as escolas da rede estadual. Ele é elaborado a partir do desempenho dos alunos numa avaliação da secretaria, o Saresp, e na quantidade de alunos na série correta para a idade em cada escola.

O governo faz segredo sobre os resultados de 2008, mas há informações de que a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, ficou contente com o que viu. É possível que muitas escolas (até a maioria delas) tenham superado as metas para 2008 (o Saresp foi feito no ano passado).

A novidade do índice paulista - que é muito parecido com o Ideb, criado anteriormente pela Ministério da Educação (MEC) para todas as escolas do País, com base na Prova Brasil - é o bônus dado àquelas que se saírem melhor.

Pela primeira vez, o governo de São Paulo vai distribuir bônus conforme o desempenho das escolas numa prova. As que alcançarem 100% da meta traçada pela secretaria, por exemplo, levam 100% do dinheiro (repartido proporcionalmente entre todos os funcionários, da merendeira à diretora). Quem chegar a 20% do objetivo ganha 20% do bônus e por aí vai. Pela animação da secretária parece que o governo vai gastar os cerca de R$ 800 milhões destinados ao programa.

Mesmo assim, isso está longe de representar educação de qualidade. As médias gerais em 2007 da rede estadual foram de 1,41 para o ensino médio, 2,54 para 5ª a 8ª séries e 3,23 para 1ª a 4ª. Até 2030, espera-se chegar a 5, 6 e 7, respectivamente.

 


16.02.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 20:49:58.

As eleições são só no fim do ano, mas já começam a surgir nomes prováveis para substituir a atual reitora da Universidade de São Paulo (USP), Suely Vilela.

Os comentários na instituição dão conta de que um dos prováveis candidatos seria o ex-vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz. Como o vice na USP é escolhido numa eleição separada, ele não necessariamente se alinha com a política da reitoria em que trabalhou. Cruz é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA).

Outro nome forte é o do atual diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, João Grandino Rodas, que tem defendido a contribuição em dinheiro de ex-alunos à USP. Ele iniciou um projeto para reformar o prédio principal, de 1936, a partir de doações individuais de R$ 1 mil. Já conseguiu R$ 450 mil, segundo matéria publicada recentemente na Folha de S. Paulo.

O cardiologista José Antonio Franchini Ramires, que reassumiu em dezembro o cargo de diretor clínico do Incor, também está sendo apontado como reitorável. Ramires havia sido afastado em 2005 por problemas financeiros na Fundação Zerbini, órgão de apoio do Incor, responsável por compras e contratações. Na época, ele ocupava a presidência do conselho curador da Zerbini e do conselho diretor do Incor. Por decisão da Justiça e falta de provas, ele voltou ao cargo.

O único nome que viria do interior é o do professor Glaucius Oliva, atual diretor do Instituto de Física de São Carlos. Nenhuma mulher ainda figura entre as eventuais substitutas da primeira reitora da história da USP.

Todos os cerca de 750 professores titulares da USP podem se candidatar para o cargo. Mas, normalmente, menos de 10 manifestam interesse pela vaga e vão atrás de apoios. Os candidatos declarados devem aparecer no meio do ano. A eleição deve ocorrer em outubro ou novembro.

 


05.02.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 15:06:08.

Deve ser votado até o mês que vem uma nova regra que obriga alunos de escolas particulares a participarem do exame realizado pelo governo do Estado. A mudança está sendo pedida pelo Conselho Estadual da Educação (CEE) por meio de um parecer que cita a Constituição Federal, a estadual e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) para mostrar que o Estado tem a responsabilidade de avaliar todo o ensino básico.

O Saresp existe desde 1996 e avalia obrigatoriamente apenas alunos da rede estadual de ensino (atualmente de 2ª, 4ª, 6ª 8ª séries e 3º ano do ensino médio). As provas são de português, matemática e ciências.

Caso o parecer seja aprovado - e há grandes chances de isso acontecer - as escolas particulares terão de inscrever seus alunos no exame já deste ano e ainda pagar cerca de R$ 10 por cada um deles.

Seria a primeira vez que o ensino fundamental e médio privado participaria de um exame oficial. Atualmente, isso acontece no ensino superior - faculdades, centros universitários e universidades são obrigadas (e pagam por isso) a participar do Enade e outras avaliações do MEC. Já os exames feitos para a educação básica no País - Enem, Prova Brasil, Saeb e os estaduais, como o Saresp - têm apenas participação voluntária, e muito restrita, da rede particular.

As escolas não se opuseram à nova medida, mas algumas já reclamam dos rankings que devem ser formados a partir das notas. Pais de alunos acreditam que o Saresp pode passar a ajudar na escolha da escola porque será um critério objetivo de comparação. Mas educadores alertam que a opção deve levar em conta também itens como instalações, professores, localização, sociabilidade e valores defendidos pela escola.

 


02.02.09

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 16:32:38.

O censo da Educação Superior realizado pelo Ministério da Educação (MEC) vai mudar a partir deste ano. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, as universidades agora terão de registrar seus dados - como número de alunos e de professores - com nome, sobrenome e um documento. Até hoje, as instituições mandavam apenas a quantidade de seus estudantes, sem necessidade de comprovação.

“Os números vão ficar bem mais precisos. Hoje a instituição diz que tem três alunos, por exemplo, não tem como checar”, diz Fernandes. O sistema será o mesmo que já está sendo usado no Censo da Educação Básica, chamado de Educacenso. Todos os dados são enviados pela internet.
Segundo Fernandes, o censo será agora também divulgado no mesmo ano em que os dados forem coletados.

O levantamento que está sendo liberado hoje pelo MEC, por exemplo, contém informações de 2007. “Neste ano, vamos fazer dois censos, o de 2008, pelo método antigo, e o de 2009, pelo novo.”

Os dados do censo 2007 mostram que o Brasil tinha 4,8 milhões de alunos no ensino superior. Havia 2.281 instituições, entre faculdades, universidades e centros universitários, 11 a mais que no ano anterior.

 


28.01.09

por Renata Cafardo, Seção: notícias 14:04:34.

O pacote de estímulo à economia americana, lançado pelo novo presidente Barack Obama, deve destinar US$ 150 bilhões à educação em dois anos. O montante, além de mais do que duplicar o atual orçamento da pasta, significa uma grande mudança na política educacional dos Estados Unidos.

A educação no país é considerada responsabilidade de Estados e municípios e o governo federal só investe 9% em escolas públicas. No ensino superior - assim como ocorre no Brasil - o porcentual é um pouco maior, de 19%.

O dinheiro novo - se aprovado pelo Congresso, que poderia votar o projeto hoje - irá para creches, escolas do ensino fundamental e médio, e universidades. Poderá ser usado tanto para reforma de estrutura como para intensificar ações para educação especial (que atende crianças com deficiências) ou para dar bolsas a jovens carentes no ensino superior. Sindicatos de professores e o governo Obama têm dito que o dinheiro vai ajudar as cerca de 15 mil escolas e os vários câmpus universitários que passam por problemas durante a crise financeira. E ainda tentar melhorar a qualidade da educação americana que tem caído, como mostrar avaliações internacionais, como o Pisa, em que o país já não figura mais entre os melhores do mundo.

O financiamento pela esfera federal da educação também tem mudado nos últimos anos no Brasil. Desde que assumiu, o ministro da Educação Fernando Haddad deixou claro que a União passaria a ser também responsável pelo ensino básico público brasileiro.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, diz que Estados e municípios brasileiros devem cuidar do ensino básico (0 a 17 anos), apesar de receberem complementação financeira do governo federal. Já as universidades públicas ficam a cargo do MEC.

A sociedade civil, com o movimento Todos pela Educação, já pressionava para uma mudança dessa cultura em 2006 e, no ano seguinte, Haddad lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com metas a serem cumpridas por escolas de Estados e municípios. Criou ainda o Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica) para medir desempenho de cada escolas, cada cidade, cada Estado. Municípios pior avaliados tiveram de se comprometer com planos de melhora para ganhar ajuda financeira federal.

Mas, quando o Ministério da Educação (MEC) lançou um grande plano de formação de professores ou quando apoiou o piso salarial para a categoria, alguns Estados começaram a reclamar. São Paulo, por exemplo, clamou por "autonomia" e disse que era dele a responsabilidade de formar seus docentes. Minas e Rio Grande do Sul diziam que não tinham como pagar o piso e as horas para atividades extra-classe que a lei também previa.

Interferência do governo federal ou divisão de responsabilidades? A discussão deve durar aqui e nos Estados Unidos de Obama.

 


13.01.09

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 14:00:53.

O Massachusetts Institute of Technology (MIT), instituição referência em ensino superior de ciência, mudou as tradicionais aulas de currículo básico em física. Matéria do jornal The New York Times hoje mostra que a universidade deixou de utilizar uma das suas salas de aula mais famosas, com cerca de 300 lugares, sem janelas, com múltiplas lousas. Agora, no curso introdutório de física, os calouros se dividem em classes pequenas, com aulas essencialmente práticas, interativas. O índice de faltas de alunos já caiu.

MIT não é a única. O ensino de ciências tem mudado em outras instituições americanas, como Harvard, Maryland e Carolina do Norte. O tema preocupa também educadores no Brasil, cujos alunos estão entre os piores colocados em ciência em avaliações internacionais. A falta de professores formados em áreas como física, química e biologia é apontada como uma das razões para o baixa qualidade no ensino de ciências no País.

Eu tive a oportunidade em 2007 de cursar introdução à psicologia na mesma sala do MIT onde eram dadas as aulas básicas (teóricas) de física - chamada de 26-100 (26 é o número do prédio e 100, o da sala). Para mim, estrangeira e bolsista, o ambiente universitário americano, ainda mais numa das melhores instituições do mundo, pareceu interessante.

Mas lembro que o professor abusava de brincadeiras e exemplos curiosos para tentar chamar a atenção dos jovens calouros do MIT. Mesmo assim, me espantava o número de alunos que dormiam (até roncavam), conversavam ou procuravam coisas mais interessantes na internet de seus laptops, abertos durante a explanação do professor, sem qualquer constrangimento.

Agora, no lugar das lousas convencionais, há quadros brancos e telas de plasma gigantes. Com um grupo grande de assistentes (o que é comum no MIT, mas normalmente eles só assistem e não atuam nas aulas), o professor faz apresentações breves sobre princípios gerais e pede aos estudantes que façam experimentos em grupo. A sala fica animada, barulhenta, relata o NYT. Acho que, pelo menos lá, ninguém mais dorme.

 


15.12.08

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 13:10:04.

Enquanto o Brasil discute as cotas em universidades federais, aprovadas na Câmara no mês passado, os Estados Unidos debatem a existência de instituições somente para negros.

O Estado da Geórgia, no sudeste do país, tem duas universidades estaduais centenárias que atendem apenas os chamados afro-americanos. Hoje, o jornal The New York Times publica matéria mostrando que um senador causou polêmica ao apresentar um projeto que pretende fundir as duas universidades negras a duas outras, majoritariamente brancas.

O senador Seth Harp, que preside a comissão de Educação Superior da Geórgia, justificou o projeto dizendo que o Estado não tem condições financeiras de sustentar tantas universidades separadamente. Geórgia registra um déficit de US$ 2 bilhões no orçamento.

"Instituições bancadas pelas pessoas que pagam impostos deveriam promover a diversidade e a educação para homens e mulheres de todas as cores e credos. Não existe mais nenhuma razão para universidades só de negros ou só de brancos", disse Cynthia Tucker, intelectual que escreve artigos em jornais locais. Já quem apóia as universidades separadas por cor diz que elas têm um papel importante na comunidade e no país. "Elas permitiram que um grande número de jovens homens e mulheres que nunca frentariam universidade tivessem acesso à educação", afirmou Dwayne Ashley, de uma instituição que sustenta bolsas para universidades negras.

O projeto do senador propõe a junção da Savannah State University (só para negros e que existe desde 1890 e tem 3.200 estudantes) com a Armstrong State University. A Albany State University (também só para negros, criada em 1917) com o Darton College.

 


09.12.08

por Renata Cafardo, Seção: Educação básica 15:59:30.

Um novo tipo de propaganda apareceu nas últimas semanas na novela das oito. Agora, além de refrigerantes, loja de roupas e cosméticos, vende-se sistema de ensino na TV. Para quem não sabe: sistema de ensino é o nome pelo qual ficaram conhecidos programas de empresas como COC, Positivo ou os mais antigos Objetivo e Anglo. Eles oferecem pacotes completos que incluem apostilas organizadas aula a aula, para professores e alunos, além de formação desses profissionais. Há poucos anos, somente escolas particulares contratavam esse tipo de serviço quando acreditavam que suas propostas pedagógicas próprias não estavam funcionando bem. Recentemente, prefeituras começaram a comprar os pacotes também para suas escolas municipais.

Um estudo divulgado neste mês pela Fundação Lemann mostra que 187 municípios de São Paulo e 439 mil alunos estudam em escolas organizadas por sistemas de ensino. A empresa que tem o maior número de contratos no Estado é o COC, que surgiu como um cursinho pré-vestibular em Ribeirão Preto nos anos 60. Seu sistema chama-se Name e está em escolas de mais de 80 cidades paulistas. O segundo mais atuante é o sistema Positivo, também nascido de um cursinho, mas em Curitiba na década de 70.

É justamente o Positivo que pode ser visto agora na novela das oito. Em "A Favorita" o prefeito da cidade fictícia de Triunfo apresentou o sistema à comunidade, com detalhes em um telão e falou demoradamente da "eficiência do material didático". Numa outra cena, uma mãe da cidade disse ao filho que seu desempenho na escola havia melhorado depois da chegada do sistema Positivo.

Há, de fato, alguns indícios de bom desempenho das escolas que implantaram sistemas de ensino. Atualmente, das dez cidades de São Paulo com o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), sete usam materiais apostilados. O Ideb é o indicador oficial mais importante da educação brasileira e leva em conta rendimento dos alunos em exames nacionais, taxa de repetência e evasão escolar.

Mesmo assim, a opção - e sua consequente propaganda no horário nobre - não deixam de ser polêmicas. Alguns educadores sustentam que as apostilas padronizam a educação, tiram a autonomia e a criatividade do professor. Outros, que defendem o sistema, dizem que é uma maneira de direcionar o trabalho do docente, na maioria das vezes mal formado e sem orientação sobre o que fazer em sala de aula.

A melhor definição que já ouvi sobre o assunto foi da secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. "O professor inseguro precisa de receitas. É como cozinhar. Quando a pessoa é iniciante, não larga a receita. Depois, vai ganhando autonomia, sabedoria e nem olha mais a receita."

 


03.12.08

por Renata Cafardo, Seção: Ensino Superior 14:06:49.

"Ninguém fala em aumentar mensalidades", foi o que garantiu Hermes Figueiredo, presidente do Semesp, que é o Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo. A frase foi uma resposta ao questionamento sobre como (e se) a crise mundial tem afetado as universidades particulares paulistas.

Figueiredo diz acreditar que os efeitos da turbulência financeira serão sentidos só no ano que vem e em 2010. "Os vestibulares estão acontecendo agora e não sabemos também quantos dos nossos alunos vão voltar a se matricular em 2009", afirmou.

Segundo ele, as faculdades, universidades e centros universitários já estudam planos de corte e demissões, mas nada ainda está em curso. No entanto, não se cogita o aumento de mensalidades por causa da concorrência crescente no mercado do ensino superior privado.

Desde os anos 90, o número de instituições cresceu mais de 100%, mas não há aumento correspondente na quantidade de alunos. "As pessoas até querem fazer ensino superior, mas o número das que podem efetivamente pagar a faculdade e as despesas com livros, transporte etc está quase saturado."

 


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Renata Cafardo é jornalista e trabalha desde 2000 no jornal O Estado de S. Paulo. Há mais de cinco anos se dedica principalmente à cobertura de Educação





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