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10.03.07

por Daniel Piza, Seção: livros 20:30:43.

Leio só agora sobre a morte do escritor Gerardo Mello Mourão, aos 90 anos. Politicamente, pertenceu ao integralismo e o continuou defendendo a vida toda. Esteticamente, foi muito influenciado por outro poeta de direita, Ezra Pound, mas com uma dicção diluída pela sentimentalidade latina de Iommi e Neruda, seus grandes amigos. Seu livro "Os Peãs" é carregado de erudição (Gerardo, ex-seminarista, falava nove idiomas, inclusive o holandês e o mandarim, pois morou na China por muitos anos) e tem alguns versos bons, como o refrão "Hei de lavrar nestas terras a escritura do meu canto". Acabo de escrever para a editora Lazuli um prefácio à reedição de "O Valete de Espadas" (1960), um romance expressionista que não funciona como romance, mas tem uma prosa poética com muitos achados. E suas crônicas na "Folha" dos anos 80, depois reunidas em "A Invenção do Saber", são, exceto pelo hiper-elitismo, muito interessantes, pois a melancolia dos que já não acreditam na sobrevivência da chamada alta cultura convive com indicações e interpretações contagiantes sobre grandes autores. Requiescat in pacem.

 

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Comentários:

Comentário de: Miguel Lenz [Visitante]
10.03.07 @ 20:58
Gerardo Mello Mourão foi de uma geração de intelkectuais influenciada pelo nacionalismo xenófabo e que tinha no Fascismo italiano sua essência, posteriormente com influencia Nazista. Do grupo de intelectuais da época, dois se destacaram, Mourão e Miguel Reale (pai)>Este, refugiado na Itália durante parte do período Getulista, nunca negou sua crença no Fascismo, principalmente no tocante à disciplina

Gerardo acreditava nos valores brasileiros, ligando--se ao movimento de Plínio Salgado, surgindo daí uma espécie de “romantismo – nacionalista” e que se apoiava em setores conservadores da Igreja, onde os simbólos de nossa terra acoplados a valores morais e disciplinadores,deveriam servir de base a construção de um novo Brasil. Pena que foram atropelados pelo Getulismo e pela realidade trágica do Fascismo, revelada pós II Guerra Mundial
Comentário de: ricardo moraes [Visitante] · http://paradisecity.blog.terra.com.br
10.03.07 @ 21:19
Daniel, o Gerardo foi um escritor muito interessante. Sua ambição é a que todos nós temos,"ser dante ou nada", como ele dizia. O seu romance O Valete de Espadas é de um preciosismo impressionante.Seu jornalismo de correspondente na China ( quando a Folha mantinha um time espetacular de correspondentes) é realmente uma coisa que nos orgulha como intelectuais brasileiros que, bem ou mal, somos.A questão toda do integralismo ( e só prá variar, penso em Vinicius de Moraes) era a revolta de uma época contra um modelão burguês liberal. Assim, como bem nos explicou o Wilson Martins, ser comunista ou integralista era ser vanguarda, ou pelo menos se pensava nisso. Infelizmente essa escolha foi mal entendida, e a esquerda que sempre pautou o debate intelectual pode ofuscá-lo. Pasrece que ele era parente da Rachel de Queiroz. Você sabe alguma coisa ? Um abraço.
Comentário de: Jakob Ibrahim [Visitante]
10.03.07 @ 21:20
Durante a adolescência, nos anos 80, li com avidez as crônicas de Gerardo Mello Mourão, publicadas na 'Folha de S. Paulo' durante sua estada na China.

Sua erudição era fantástica, mas sua poesia (bastante influenciada pelos Cantos, de Ezra Pound) e obra literária geral são fracas.



Comentário de: Sérgio [Visitante]
11.03.07 @ 01:32
Prezado Piza,

Gerardo Mello Mourão teve suas crônicas jornalísticas reunidas em livro.

Insisto: você, Daniel Piza, não poderia organizar as crônicas de Paulo Francis em um (ou mais) livro?

O "Pasquim" foi editado em livro...

Paulo Francis, organizado em livro, venderia bastante. E seria uma importante contribuição histórica. Inclusive para o Jornalismo.

E seria uma delícia.
Comentário de: Sérgio [Visitante]
11.03.07 @ 01:43
Prezado Piza,

Eu não lia muito Mourão. Quase nada. Não tinha conhecimento suficiente para apreciar. E não tinha tempo para aprender.

Mas não era Melancolia, pelo que me lembro. Era tristesa mesmo.

E o hiper-elitismo era em legítima defesa.

Pena que nem todos se defendam assim.

Há bastante gente inteligente no Brasil. Que gosta e precisa de elitismo.

Pena que quase não tenham com que se defender.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
11.03.07 @ 05:31
Ricardo, ser comunista ou integralista era ser de vanguarda? Posso pensar em vários artistas de vanguarda nos anos 30 que não eram nem uma coisa nem outra, como Joyce e Mann, e em vários comunistas ou integralistas que odiavam a arte de vanguarda, a começar por Stalin e Mussolini. O problema de Gerardo, Sergio, é que continuou a defender essa ideologia nacionalista e autoritária por toda a vida. Elitismo no sentido de escolher o melhor, tudo bem; mas elitismo como reação a tudo que soe "cultura de massas", como esnobismo e passadismo, é demais.
Comentário de: ricardo moraes [Visitante] · http://paradisecity.blog.terra.com.br
11.03.07 @ 09:32
Bem Daniel, em termos de Brasil, sim. Pense na década de 30.A coisa ficou muito dividida. Pense em Oswald e também em Plínio Salgado. Quanto A Joyce, ele não tinha opinião política alguma,seus grilos eram os padres e a sua mãe, além do receio que a Nora tivesse posto chifres nele. Mann nunca foi tão esquerdista quanto o irmão, e era tão esteticista, digamos assim, que cuidou pouco da política. Mas pense em Eliot,em Pound,em Pessoa. Foram bastante reacionários. Sem contar com a forte influência que a Igreja Católica ainda exercia.
Comentário de: Miguel Lenz [Visitante]
11.03.07 @ 10:06
Sr. Ricardo.

Sem pensarmos em Dom Helder Câmara e Gustavo Corçao. Aliás, este o primeiro Integralista "Nazista".Suas teses contra os judeus se assemelhavam às Hitlerianas.
Comentário de: ricardo moraes [Visitante] · http://paradisecity.blog.terra.com.br
11.03.07 @ 10:54
Pois é, Miguel;as idéias só brotam em terras férteis. Havia toda uma mentalidade que permitia considerar o integralismo como pensamento adequado para aqueles tempos.O temor de um comunismo ateu permitia verdadeiras barbaridades, vistas hoje. Aliás, como bem escreveu o sociólogo José de Souza Martins no Aliás de hoje,a visão reacionária da nossa Igreja ajudou a azedar a ossa relação com os Estados Unidos. Não que fosse algo fácil, mas ficou ainda pior.
Ah, sim, Daniel, posso te pedir um favor? Preciso entrar em contacto com o sociólogo José de Souza Martins, seu colega de Estadão. Você pode me ajudar? Um abraço relaxado, neste domingão que promete bons clássicos ( Inter e Milão, Sansão) para vocês dois.
Comentário de: Sérgio [Visitante]
11.03.07 @ 10:54
Prezado Daniel,

Concordo com você.

Eu tomei Mourão como exemplo pontual. Como ele, para se auto-defender, se encastelou em suas convicções.

Sou, e creio que serei sempre, a favor do Elistimo "pluralista", digamos assim, em termos de Cultura. Que, aliás, não deve, em minha opinião, se contaminar DEMAIS pelas ideologias políticas. Por essa razão eu não lia Mourão. Me cansava.

Acontece que a arte "popular" (o que é isso?) também pode ser extremamente elitista, sem que isso soe como pejorativo. É um elitismo "bom".

Mourão, integralista, (ideologia patética e "macaquita"), quem diria, acabou em Pequim...

Gosto de Bach.
Gosto d'"O Rappa"...

Eu quase não lia Mourão. Apesar dele estar em Pequim.

Preferia Paulo Francis.

Um abraço.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
11.03.07 @ 12:01
Ricardo: pois então; acho que havia artistas de vanguarda de todas as tendências políticas, inclusive apolíticos como Joyce. Não é verdade que ser integralista ou comunista era ser de vanguarda. Sérgio: eu também preferia Paulo Francis. De longe. Mas gostava do contraponto Décio Pignatari x Gerardo Mello Mourão naqueles tempos.
Comentário de: Petrus [Visitante]
11.03.07 @ 13:38
Por falar em escritor, olha só que redação interessante:

(...) Nenhum dos representantes das grifes ~se disponibilizou~ a falar sobre negócios e importação no momento.(...)

http://txt.estado.com.br/editorias/2007/03/11/eco-1.93.4.20070311.11.1.xml

Piza, o estadão já adaptou seu manual de redação aos "novos tempos"?

Comentário de: ricardo moraes [Visitante] · http://paradisecity.blog.terra.com.br
11.03.07 @ 14:00
De qualquer forma, bons os tempos de um Gerardo e um Francis, em relação a essa pasmaceira que são as discussões intermináveis sobre Janine e sua sede de vingança; Daniel, insisto .mas sem pressa, no contacto com o José de Souza Martins. Valeu!
Comentário de: Amigo de Montaigne [Visitante] · http://amigodemontaigne.blogspot.com
11.03.07 @ 14:39
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,/Muda-se o ser, muda-se a confiança;/Todo o mundo é composto de mudança,/Tomando sempre novas qualidades" (L.V. de Camões)

Gerardo,hiper-elitista e néscio.Requiescat in pacem. Discipulus libros Magistri portat.
Comentário de: Antonio Bezerra Neto [Visitante]
11.03.07 @ 15:41

Gerardo Mello Mourão vinha de moirões aristocráticos. Homem enciclopédico brindou o país com uma poesia que rasgava de paixão sua paisagem cearense. Homem de serras, boiadeiro, riquíssimo na infância e juventude, intelectual de porte quis o destino que fosse saudado desde a bela Holanda. Taxá-lo com adjetivos reles é uma grande bobagem. Que possa descansar em paz.

Suas postagens da China para o jornal Folha de São Paulo eram impressionantes. Numa dada ocasião estive com o poeta tête-à-tête o quando de uma visita desse a Dom Eugênio de Araújo Salles em Natal, precisamente na Casa dos Padres de Ponta Negra. Tinha uma ótima dicção e falava como um orador da velha UDN. Um detalhe: foi deputado federal por duas legislatura.
Comentário de: Antonio Bezerra Neto [Visitante]
11.03.07 @ 15:45
Piza,

Como domar um homem que veio das elites. Gerardo escrevia como uma pessoa vinda da Casa Grande. Era um excepcional patrão... Rachel de Queiroz sabia muitos detalhes da vida dele. Os jornais europeus mencionam o passamente de Gerardo. O El Mundo fez matéria de página inteira. Idem El País.
Comentário de: sgold [Visitante]
11.03.07 @ 19:17
caro autor:

enfim li a sua cronica de domingo. leciono ha' muitos anos. nao conheco nem um professor que exige, conscientemente, que seus alunos decorem coisa alguma. mas conheco varios "nao professores" que se arrogam saber o que deve ser ensinado aos alunos para que a escola fosse melhor. seus "debates culturais" em seis meses ficarao tao chatos como uma chamada oral. obviamente, o problema nao e' este.
vale a maxima do malan: "nao ha' problema no brasil para o qual nao aparecam respostas faceis, e equivocadas".
e, respondendo 'a sua resposta 'a minha ultima msg: nao disse que nao me interesso por van gogh, disse que nao sei apreciar. mas sei apontar o que me parece ser um lapso, uma frase vaga e gratuita, um descuido.
o que me interessou, naquele momento, foi saber o que ele acoberta. mas uns preferem debates culturais entediantes, talvez na casa do saber porque nao?
zzzzzzzz

abs
sgold
Comentário de: sgold [Visitante]
11.03.07 @ 19:21
e por falar em van gogh, volto 'a carga: o que vc me diz do theo? vc percebe racismo em amsterdam?

abs
sgold
Comentário de: Antonio Bezerra Neto [Visitante]
11.03.07 @ 20:17

O grande dilema desse e outros bons blogs é a jactância de muitos. O intento é criar de imediato um clima de contestação. Somos todos pequenos nesse universo complexo. Um aviso: o propósito desse espaço vitual é falar de Gerardo Mello Mourão, avis rara do grande estado do Ceará.
Comentário de: sgold [Visitante]
11.03.07 @ 20:39
amem, que descanse em paz.
sgold

Comentário de: sgold [Visitante]
11.03.07 @ 20:44
'a proposito, adorei a citacao em latim do amigo do montaigne. o fino!
sgold
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
12.03.07 @ 06:57
Sgold: é uma pena que nossos professores não estejam interessados em debates culturais. Bezerra: obrigado. Achei muito interessante o que você escreveu sobre Gerardo e vou procurar me informar sobre isso. Ricardo: mando email para você assim que voltar ao Brasil (depois de amanhã), ok?
Comentário de: ricardo moraes [Visitante] · http://paradisecity.blog.terra.com.br
12.03.07 @ 08:58
obrigado Daniel
Comentário de: Alexandre [Visitante]
13.03.07 @ 17:02
Miguel Lenz,

não era o Gustavo Corção o integralista 'nazista' com idéias anti-semitas, mas o Gustavo Barroso. Apesar disso, um bom historiador.
Comentário de: Eliezer Figueira Ex Cabo da FAB punido pela Portaria 1.104/G [Visitante] · http://www.ig.com.br
19.03.07 @ 22:17
“OS EX CABOS RECLAMAM DIREITOS CONCEDIDA PELA LEI DE ANISTIA POLÍTICA”.

Ex Cabos da FAB num total de 633 legalmente anistiados pela Lei 10.559/2002, com portarias ministeriais, e com deferimentos publicados no Diário Oficial da União em janeiro de 2003, ainda aguardam a boa vontade deste Governo no cumprimento da Lei da Anistia, onde os nossos direitos assegurados pela Lei foram arbitrariamente anulados pelo Ministro da Justiça, que em afinidade com o Alto Comando da Aeronáutica, estão contrariando os princípios da Constitucionalidade, o qual ainda continua a perseguição dos idosos ex Cabos em pleno Governo democrático, até quando continuará a procrastinação dos nossos direitos?


599421
Comentário de: José Paulo Malaquias [Visitante] · http://vespanet.com.br
21.03.07 @ 14:35
“INDIGNAÇÃO DOS EX CABOS DA FAB”.

Somos um grupo de Ex Cabos da FAB atingidos pelo o Golpe de Estado de 1º de abril de 1964, que derrubou um presidente democraticamente eleito pelo povo, e implantou alegando a defesa da Democracia uma “Ditadura Feroz” por vinte anos, grupo este que foi e vem sendo brutalmente perseguido, há mais de 40 anos e com a quarta anistias todas descumpridas por certos setores de sucessivos governos que se dizem verdadeiramente democráticos, mais teimam em não acata-las criando ao arrepio da Lei e toda sorte de embaraços ilegais, obrigando quase todos os beneficiados por ela, a procurarem o longo caminho para o judiciário cujo termo final quando atingido, muitas das vezes o anistiado devido a idade bem avançada, não se encontra mais vivo.

Este grupo roga o cumprimento integral de todas as Leis de anistia já promulgadas a começar pela Lei 6.683 de 1979, e logo a emenda nº. 26 de 1985, e a seguir o artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e por final a Lei 10.559 de 2002, para acabar definitivamente com a 2º perseguição aos idosos Ex Cabos pós 1964, uma vez que já foram injustamente perseguidos em todo o período da Ditadura Militar, chega de mais perseguições Presidente Lula, de os nossos direitos que não é favor e sim obrigação de cumprir uma Lei que vem sido descumprida nos quatros anos do seu 1º mandato, será que estar com sede de vingança para matar os Veteranos Ex Cabos da FAB?

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Daniel Piza é colunista de O Estado de S.Paulo. Site: www.danielpiza.com.br. Email: daniel.piza@ grupoestado.com.br





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