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29.11.09

por Daniel Piza, Seção: livros, jornalismo/ crítica 08:12:51.

Baptistão

Eu gostaria que os apocalípticos do jornalismo escrito (em papel ou em tela) explicassem como é possível que, na tal era do “bombardeio de informações” (que mais parece um foguetório de redundâncias), duas das revistas mais sofisticadas do mundo, escritas num inglês elegante e dedicadas à análise, à crítica e a contar boas histórias em tom pessoal, com poucas embora ótimas fotos ou ilustrações, estejam vendendo mais que nunca (cerca de 1,3 milhão cada) e em diversos países. Você pode até achar The Economist presa demais ao receituário neoliberal, mas não pode lhe negar o domínio da arte da argumentação. Você pode até achar The New Yorker correta demais na política e enfeitada demais na cultura, mas não tem como dizer que não é criteriosa e criativa. O sucesso de ambas demonstra que mesmo os bem informados, ou especialmente eles, que consomem notícia em rádio, TV, internet e celular todo dia, precisam de uma visão seletiva e aprofundada ao menos por semana.

Defensores do texto curto e inculto também terão dificuldade de explicar o que tem causado a tendência consistente ainda que limitada do interesse brasileiro pelo jornalismo cultural e pelo chamado jornalismo literário. Livros, debates, iniciativas e conferências têm surgido em sequência, como se muita gente estivesse descobrindo só agora autores como John Hersey ou Truman Capote (Hiroshima e A Sangue Frio foram parar até na lista dos mais vendidos graças à coleção de mesmo nome da Companhia das Letras), Martha Gellhorn (Objetiva) ou Hunter Thompson (Conrad), Gay Talese ou Tom Wolfe – dois que palestraram por aqui neste ano. Como em toda tendência, há exacerbação, mas as vantagens recompensam largamente. Depois de duas décadas de pregação de um jornalismo de manuais de redação e lides previsíveis, eis uma glasnost; é até divertido ver que hoje a defesa da escrita antiburocrática se tornou quase consenso.

E então vemos que jornalistas escrevem livros de reportagem, perfis, biografias, livros de história, crítica e ensaio, ajudando a diminuir lacunas editoriais e a compensar a baixa produção de nossas academias, que parecem achar mais importante o que fazem para o consumo interno do que para o público educado. E vemos publicações se lançarem, como a Piauí e as versões brasileiras de Granta e Rolling Stone. E vemos livros como Elogiemos os Homens Ilustres, de James Agee (fotos de Walker Evans; Companhia das Letras), com as extravagâncias de seu estilo a serviço da descrição dos sentimentos americanos na Depressão, serem publicados – assim como as obras de George Orwell, que não precisou passar por nenhuma redação antes de se tornar o maior de todos. De Paul Theroux, mais um grande escritor de não-ficção, por sinal, acaba de sair aqui um livro de 2002, O Safári da Estrela Negra (Objetiva), excelente descrição de sua incrível viagem do Cairo até a Cidade do Cabo. Sua postura é a de um jornalista em busca dos fatos, os quais sabe complexos.

A definição de jornalismo literário é a parte chata do assunto. O termo foi inventado pelos americanos no início do século 20, mas a prática de um jornalismo com técnicas de narrativa originárias da ficção (diálogos e detalhes que criam clima ao mesmo tempo que transmitem informações) é bem mais antiga e remonta a autores como Daniel Defoe e Charles Dickens. O próprio jornalismo cultural, praticado há 300 anos numa revista como a Tatler (e pouco depois a Spectator), se consolidou como uma forma de levar conhecimento e debate para as ruas e tavernas, o que exige uma linguagem com recursos literários e temperatura jornalística – tal como Machado de Assis faria em suas crônicas e críticas. Samuel Johnson, o ensaísta, ficcionista, poeta, biógrafo e dicionarista cujo tricentenário também se comemora agora, dizia que ninguém desenvolveria um estilo se não lesse aquelas revistas.

Chamar a reportagem com estilo de “jornalismo narrativo” não ajuda muito, porque qualquer matéria narra uma história; e “jornalismo autoral” remete ao cinema “d’auteur” dos anos 60, para o qual a história era quase um detalhe... Muita gente pensa que se trata de um jornalismo metido a literatura, ou subliteratura, e as declarações reacionárias de Tom Wolfe em sua passagem pelo Brasil soaram como comprovações disso (não perceber o prazer de ler Proust e Joyce e dizer que Picasso desenhava mal, my God!), assim como alguns textos afetados com personagens exóticos que têm aparecido na imprensa brasileira. Mas é um gênero autônomo e, como dizia Louis Armstrong sobre o jazz, se você precisa perguntar o que é, não vai entender. Pegue um texto e saberá.

("Sinopse")

 

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Comentários:

Comentário de: Virgínia Santiago [Visitante]
29.11.09 @ 09:32
Pelo simples prazer subjetivo que a boa leitura causa.
Comentário de: sergio marcone [Visitante] · http://acarajazz.blogspot.com
29.11.09 @ 12:18
Descobriram-se os nichos, não? Outro dia também estava me perguntando quem lê isso tudo que está aí abarrotando bancas e livrarias. Confesso que não obtive resposta. De um lado me vem a ideia de que ficamos 'mais rico$'; de outro me vem que não estamos com + grana de jeito algum: vide, ainda, nossos índices de pobreza. Mas houve um despertar, como sempre meio atrasado entre nós, de um tipo de leitura menos qualquer nota e mais afeita ao cotidiano, sem muitas prescrições... Tá ruim, mas tá bom.
Comentário de: Fey [Visitante]
29.11.09 @ 17:15
Sem dúvida o jornalismo literário continua. Ainda lembro quando lia a versão impressa do Estadão. Gostava de ler as reportagens de Wall Street no caderno da Economia, oque era uma novidade a uns 12 anos trás pra nós leitores brasileiros.

De lá pra cá a net possibilitou a exploração de outros canais e jornais do mundo inteiro, de Yomiuri no Japão, a Deutsche Welle na Alemanha passando por NYTimes, Times, Spiegel, entre outros, cada um trazendo textos extensos e profundos não só de informação mas também de análize, e nem por isso intrusiva e tendenciosa. Noto porém que tais portas foram abertas apenas para aqueles tiveram oportunidade de aprender línguas estrangeiras.

Hoje, essa informação aos poucos está se migrando para o Português em busca de mais leitores, trazendo consigo um impacto no jornalismo brasileiro também. Que bom, a nova geração composta por essa garotada que está entrando na universidade (foi quando comecei a ler jornais com mais seriedade) pode desfrutar de textos com mais qualidade e de fácil acesso, caso se interessem.

Quanto a mim, atualmente sou um leitor de revistas científicas e técnicas. Eis aí um outro campo que ainda torço por maior avanço nas nossas editoras. É verdade que já existe 'Scientific American Brasil', e a nossa velha 'Superinteressante' está mais popularizada, mas em matérias mais específicas como aviação e engenharia, ainda me deixa a desejar.
Comentário de: Solange Gomes da Fonseca [Visitante] · http://Site/Url
30.11.09 @ 04:02
O bom jornalista para ser completo tem que anda sempre buscando as informações que sejam do interesse do leitor-ouvinte e, buscar por novos aprendizados, novos caminhos e abrir novas fronteiras do conhecimrento jornalístico para trazer a notícia ao povo.

O própriop bom jonarlista toma consciência de sua missão na mídia escrita e falada e, passa toda sua vida em busca de novos meios e nunca está satisfeito com o seu desempenho.
Às vezes, fico na dúvida do porquê da "extinção" ao curso de Jornalismo, recetemente, anunciado.
A habilidade e a competência linguística desses profissionais, começam dentro das instituições superiores de ensino.
Não sou da área, a minha é Educação, mas acredito muito nas Universidades e, através, desse período de convivência com pessoas de excelentes formação é que desenvolvemos todo um aprendizado.
O único problema que destaco, mas não só para o Jornalismo e, sim para todos os cursos superiores, que não só se aprende com o currículo programado e com o tempo de duração dos cursos superiores.

O que é preciso, sem dúvidas, para qualquer profissional é ter disponibilidade e disposição para estudar ao ,longo da sua vida, priorizando sempre os conteúdos de enriquecimento ao seu saber acadêmico.

A pessoa que ler abre horizontes e compartilha conhecimentos a Nação!!!

Comentário de: C Schlemihl [Visitante]
30.11.09 @ 10:14
Se compreendi o seu "ponto", como agora se usa dizer (longe vai o tempo em que só taxistas tinham um ponto - continuam tendo, que sua vocação argumentativa é imbatível, mas todo mundo parece querer ter pontos agora. Eu tenho treze, no tornozelo, mas não servem para debate.) a tal "revolução da internet" seria, para alguns, a derrota do jornalismo analítico, do texto que não se limita a apontar um dedão pro fato, enfim, de qualquer coisa que supere o telegrama, e o próprio jornalista estaria se apequenando, junto com o público e o jornal.
Bom, você se lembra do tranco que a fotografia deu na pintura, não é? Talvez haja aí coisa parecida.
Outra: se a web é mesmo revolução, é bom lembrar que depois do Terror vem o Termidor e sempre é bom fazer acordo com adversário taludo. Não tem tanto a ver com o caso, mas... paralelamente, vamos dizer.
A primeira comparação, acho eu, apenas faz coro a seu texto (comentaristas de blog me lembram um pouco o coro, o que não nos diminui. Ainda mais aqui, você com essa cara de tenor.) A segunda também, mas com uma tinta meio cínica.
Agora, um "ponto" contrário. Tive marxismo na adolescência e não tratei direito. Por conta disso, fico catando contradição em tudo. Não haverá aí o acirramento de antagonismos que precede a "superação qualitativa"?
Esta última é a de que mais gosto, porque anuncia um mundo Fahrenheit 451 e mostrar um mundo galopando para a barbárie é um jeito bem esperto de pintar a si mesmo como um "erudito sobrevivente".
Mas a primeira, a do Impressionismo, é a que mais me convence, fazer o quê?
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
30.11.09 @ 10:18
A mim também. E o jornalismo analítico tem de fazer como a pintura e buscar modo de sobrevivência, sem medo de assumir suas especificidades: que fotógrafo faz o que Monet fez? Ou, nas gerações adiante, Miró e Picasso e Matisse? E você se engana quando sugere que pinto um mundo galopando para a barbárie. Sou muito mais integrado que apocalíptico... Só não decreto a morte da pintura.
Comentário de: C Schlemihl [Visitante]
30.11.09 @ 11:07
Ah, mas não sugeri. Ali já era uma opinião contrária à sua, que meti no meio, desordenadamente. Tenho sempre várias, para usá-las conforme o estado do fígado.

Por falar nisso, sinto falta do Suplemento Cultural. Aquele, dos anos 70, 80. Não sei quantas páginas e letra miúda. Muito pouco espaço pra espetáculos e entretenimento e páginas até para as ciências exatas mais chatas. Acho que tinha até geometria naquilo. Eu não conseguia ler nem metade. Toda semana, vinha o Suplemento me submeter à humilhação da ignorância. Mas apenas ter aquilo nas mãos, já compensava o vexame. Era como se ser dono das páginas implicasse numa erudição de proprietário. Pena que acabou. Sinto falta de passar tanta vergonha.
Comentário de: Nicholas [Visitante]
30.11.09 @ 12:51
Gostei da idéia da pintura e fotografia. Quando uma passou a existir, a outra de certa forma teve sua importância reduzida. Mas concordo com vc, nem por isso a pintura deve ser deixada de lado. O mesmo acontece hj com essa história de e-books... acho que existirão, mas em paralelo com os bons e velhos de capa dura e papel... Nd substitui o prazer para alguns da leitura com um livro tradicional... Quanto ao jornalismo literário e o jornalismo convencional, da mesma forma, acho que devem coexistir... E há quem diga que o primeiro não exista. Por que são rigorosos assim e puristas? A história não nos mostra o contrário. como mencionou? Por fim, gostaria que se possível lesse um pequeno texto que publiquei no blog da livraria cultura e acredito ter desenvolvido o jornalismo literário. Se puder ver, agradeceria muito.
segue o link: http://cultura.updateordie.com/revista-da-cultura/2009/07/22/discussoes-sobre-bukowski/

Abraços!
Comentário de: Fey [Visitante]
30.11.09 @ 14:47
Solange Gomes da Fonseca,

Concordo com o seu comentário, me permita ser mais específico:

Numa revista sobre economia por exemplo, não é simplesmente escrever os números de crescimento ou crise de empresas de maneira plana, mas ir atrás das histórias das pessoas e causas desses resultados descrevendo-as e perguntando também análize de terceiros, permitido aí expressar até mesmo a percepção do próprio jornalista também, porém sem tentar influenciar o leitor a tomar conclusões precipitadas. Pra um texto tão equilibrado assim é preciso experiência, personalidade, e habilidade de fazer o entrevistador ficar a vontade.

Recentemente estava lendo algumas revistas brasileiras sobre aviação. Em termo de conteúdo não estão mal, porém o estilo, realmente me deixa com uma sensação de falta. Não raro vejo que a maioria dos textos, acabam colocando uma pitada de viés nacionalista falando maravilhas da Embraer e de Santos Dumont por exemplo. Até hoje nunca lí uma revista que ousasse a escrever um defeito minúsculo sequer sobre essas duas entidades. Não que esteja procurando por uma também, mas sinto que falta realismo e me distancia delas pela sua maneira superficial de relatar apenas os resultados ou qualidades positivas. Difícilmente leio sobre os bastidores (os seres humanos e seus dramas) que constróem as máquinas ou as fazem voar.

Em comparação estive lendo o 'Air & Space Smithsonian'. Uma delícia de leitura. E não precisa nem ser especialista no assunto pra entender os seus textos, embora sejam longos e com alguns jargões da área. Muitos dos seus textos são escritos para minha surpresa, por amadores veteranos da aviação com a ajuda de um editor competente. Não são apenas narrações chatas de pessoas do ramo, mas revelações de acontecimentos que nunca ficariamos sabendo se olhássemos apenas números de produções de descrições da máquina estacionada num museu ou aeroporto. E no meio de tudo isso, um toque pessoal das impressões do escritor e das pessoas entrevistadas, sempre lembrando o leitor quem está contando a história e sem pretensões de nos influenciar.

Esses dois exemplos me diz que é difícil um repórter ou jornalista 'buscar as informações que sejam interessantes para o leitor/ouvinte', pois a variedade de gostos pode ser bem ampla, mas ele ou ela pode passar a mesma informação em um grau bem mais profundo e interessante: literário.
Como me carece essa qualidade, acho que não consegui explicar direito, mas como o Piza sugere, é melhor ler um, pra entender...
Comentário de: George Marques [Visitante]
30.11.09 @ 17:10
Piza,

Não faço coro aos que decretam o fim do jornalismo escrito, nada mais longe da realidade. No entanto, acho que uma pergunta válida seria: que tipo de modelo econômico vai permitir sua continuidade em larga escala, como praticado até hoje?

Revistas como "The Economist" e "The New Yorker" têm grande qualidade, isso é inegável, mas acredito que sua força depende muito dos nichos de mercado que ocupam: jornalismo analítico, reportagens sofisticadas, crítica cultural. Jornais diários, como o ESP ou o NYT, podem (e fazem) incursionar nesses nichos, mas seu eixo principal é fornecer notícias, informações, e aos poucos ir pontuando com opiniões, comentários e análises. Esse modelo de jornalismo é o que mais sofre com a concorrência da Internet, cujos sites de informação apresentam notícias de forma quase instantânea e os blogs vão analisando e comentando. Em comparação, as análises da "Economist" e as reportagens da "New Yorker" não têm congêneres no mundo digital (pelo menos, não de forma consistentemente organizada, como a linha editorial daquelas publicações).

Voltando a minha pergunta original: que modelo econômico se encaixaria com o modelo editorial de jornais e revistas "comuns" (não de nicho)? A fotografia não acabou com a pintura como forma de arte, mas a pintura deixou de ser referência para documentação visual, como os retratos de família. Da mesma forma, se a Internet não ameaça as publicações analíticas e sofisticadas, como impedir que ela enfraqueça a indústria jornalística mais tradicional, ainda tão necessária? Sim, porque sem redações e equipes jornalísticas ficamos sem as notícias e reportagens que, em última instância, alimentam a própria internet.

Uma vez que as pessoas se acostumam a não comprar mais jornais (o que é fato comprovado), como garantir o financiamento do jornalismo?
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
30.11.09 @ 17:19
É Exu com Ogun, só isso.
As pessoas estão percebendo cada vez mais a importância da informação. E está fácil demais chegar a ela!
Mas tem que tomar cuidado com o vício. Não pode esquecer os outros orixás.
Comentário de: Solange Gomes da Fonseca [Visitante] · http://Site/UrL
01.12.09 @ 00:32
Parabéns Guilherme Cimino.

Sua colocação metafórica, me fez outra vez viajar ao mundo das ficções literárias e, sentir que o pintor com suas tintas e pincéis cria sua gravura num mundo da sua imaginação e, o fotógrafo com sua câmera registra a imagem para sua prosperidade, mas, cada um no seu espaço.

O que devemos é respeitar e considerar que nesse MUNDÂO de tantas certezas e incertezas têm lugar para TODOS!!!
Basta, querer analisar o "ter" e o "ser". Explico: uma pintor nunca fará com perfeição o trabalho de um fotógrafo e vice-versa...

As pessoas precisam , mesmo, com seu "fígado amargo", é saber discordar de modo linguisticamente correto a colocação do outro numa interação comunicativa , mesmo que virtual.
Não tenho como hábito discutir 'pontos de vistas', antes, de saber ou conhecer como essas "vistas são colocadas nesse ponto".

ABRAÇO FRATERNO À TODOS!!!
Comentário de: F.S. Monteiro [Visitante]
01.12.09 @ 07:07
É claro que publicações como “The Economist” ou “The New Yorker” não desapareceriam com o simples advento da internet. Primeiro, essas revistas tem forte tradição e um público fiel. Depois, elas tiraram proveito da lacuna deixada pelas concorrentes que já quebraram no mundo afora. Por fim - e aqui é preciso dar razão ao blogueiro - textos bem escritos sempre terão seu público. Mas quero ver a coisa daqui a 20, 30 anos, quando o último dos “digital immigrants” tiver esticado as canelas.

Porque a internet é o sistema totalitário que deu certo. Quem não está na rede, além de ser um anacronismo doloroso, é um pária, por não ter o acesso à informação que os outros têm, e um trouxa, porque vai pagar mais pelos mesmos produtos que os internautas compram por menos. Estes, por outro lado, são obrigados pela ditadura informática a fazer coisas que e quando não querem, além de lutarem permanentemente pelo controle do próprio raciocínio. Segundo o neurologista Gary Small, a atividade no computador produz em nós mudanças psicológicas e neurológicas por termos de adaptar nossa forma de pensar. Antes, o pensamento linear, de causa e efeito. Agora, o pensamento em correlações, em rede.

Parece plausível que os “digital natives” já partem com vantagem na adaptação descrita acima. Os outros vão ter que rebolar e precisam de ajuda. Aqui, penso, está uma das funções jornalísticas mais importantes agora: o jornalista será o jardineiro – ou, se quiserem, o faxineiro – encarregado de filtrar, explicar e avaliar a enxurrada de informações pra nós. Que ainda preferimos levar um bom jornal ou livro pra ler na cama, em vez de um laptop.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
01.12.09 @ 07:40
George, os jornais estão dando a volta por cima convertendo-se em grupos multimídia. New York Times e Wall Street Journal têm os sites de notícia mais visitados dos EUA... O negócio ainda não é tão rentável, mas tem tudo para ser. E isso não exclui o jornal diário: mesmo com circulação menor ou até outro suporte (papel digital, por exemplo), eles podem sobreviver, sim, embora não com a mesma força das revistas semanais - que não apenas sobreviveram, mas ficaram ainda mais fortes. Essa história de que a internet se lê diferente é bobagem. Tudo se escreve com sintaxe, com páginas, títulos, parágrafos...
Comentário de: Higor Assis [Visitante] · http://www.entre-atos.blogspot.com
01.12.09 @ 10:08
Sou recem formado em jornalismo (2008). Não atuo na área, pois preciso deste atual emprego. Mas mantenho minha escrita e continuo lendo e me aperfeiçoando. Tentei fazer pós, porém um dos cursos que pesquisei esta muito caro FAAP de jornalismo literário, que é o caminho que pretendo seguir.

Na faculdade alguns professores não davam o caminho do jornalismo literário como bom emprego e nem fonte de renda, mas tratavam ele como algo nobre e que eles um dia também gostariam de atuar. Estranho isso!

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Daniel Piza é colunista de O Estado de S.Paulo. Site: www.danielpiza.com.br. Email: daniel.piza@ grupoestado.com.br





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