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19.07.09

por Daniel Piza, Seção: livros 08:21:09.

Baptistão

Gilberto Freyre é o autor mais influente do Brasil. Suas ideias se veem em muitos dos romancistas brasileiros (José Lins do Rego, Jorge Amado, até Chico Buarque e no tropismo sociológico de tantos mais), na música popular, no cinema (Glauber Rocha, Cacá Diegues, Walter Salles Jr.), na crônica como a esportiva (ele prefaciou O Negro no Futebol Brasileiro, de Mario Filho, irmão de Nelson Rodrigues, que sempre falava na “saúde de vaca premiada” dos jogadores brasileiros). Também se veem na mídia e no cotidiano, como quando as pessoas se gabam da miscigenação (Carlinhos Brown: “O brasileiro nasce com uns pontos a mais no QI por ser uma mistura de raças”). Mesmo a cordialidade que Sergio Buarque criticou como impedimento à necessária separação entre público e privado, três anos depois de Casa Grande e Senzala, foi, sob um ângulo freyriano, distorcida para um elogio da doçura nacional.

É claro que Freyre não é o inventor da noção do brasileiro como um povo diferente, especial, que se distingue do europeu por agir com o coração. “A civilização é triste”, lemos ainda hoje de economistas sérios. E gente como José Sarney, o oligarca, garante: “A maior contribuição do Brasil ao mundo é a alegria.” Oswald de Andrade, que andou às turras com Freyre nos anos 30, no conflito entre modernismo paulista e regionalismo nordestino, disse as mesmas coisas em seus manifestos, influenciado pelos conceitos de Freud como repressão. Esse espírito faz parte, claro, do período da formação moderna da nacionalidade, que seria sintetizado institucionalmente no governo getulista, quando samba e futebol viraram os símbolos ufanistas que são até agora. Mas Freyre foi quem fez a base conceitual de tudo isso.

É claro que tal formação foi um contraponto fundamental ao que se dizia até a República Velha, em ensaios como os de Paulo Prado e Oliveira Lima, cujo teor era que a mistura enfraquecia a raça brasileira e lhe dava melancolia. Como ser contra mestiçagem, alegria, etc.? Mas já está na hora de ultrapassar a idade mítica da identidade nacional e testar com rigor a veracidade dessa auto-imagem. Freyre, por sinal, como todo autor muito citado e pouco lido, é distorcido à beça. Sempre fez questão de dizer que não era a favor do “dionisíaco”, como um Zé Celso, mas de uma combinação entre ele e o “apolíneo”, ou seja, entre a cultura intuitiva e informal com a racional e dedutiva – o que até o fez cometer o equívoco de apoiar a ditadura militar de 1964. De qualquer modo, sua herança se tornou nociva principalmente porque coloca como vetor principal da cultura o perfil racial. E confundi-lo com os costumes, as artes e os esportes nunca fez bem a lugar nenhum.

Exemplo disso tudo é a visão que ainda parece dominante sobre Euclides da Cunha, essa visão “telúrica” (como diria Zé Celso, que adaptou Os Sertões para o teatro), que quer fazer dele um “advogado dos sertanejos” pura e simplesmente, pondo de canto sua visão determinista de progresso, suas contradições, seus dilemas em relação ao Brasil. Euclides continuou social-darwinista até a morte, acreditando que deveria haver um Darwin para a espécie humana e um Newton para a ordem moral. Mesmo no póstumo Às Margens da História, por exemplo, ele elogia o bandeirante Raposo Tavares por ir desbravando o país e escorraçando os índios. No entanto, Freyre fez dele um precursor de sua obra, como se Os Sertões se resumisse a um encantamento pelo “Brasil profundo”, sertanejo, rural. Não.

Como nota Marco Antonio Villa na antologia Os Sertões de Euclides da Cunha: Releituras e Diálogos (Editora Unesp), organizada por José Leonardo do Nascimento (que analisa a força das “frases-síntese” do autor), considerá-lo apenas como “livro de denúncia”, quase como se Euclides tivesse se convertido aos conselheiristas, não dá. Villa descreve as diferenças entre as reportagens de Euclides em Canudos, para o Estado, e o texto final de Os Sertões, cinco anos mais tarde. Simpatias com figuras do Exército desaparecem, comoções com a dor dos sertanejos aumentam; nesse período em que redige o livro, a desilusão com a República brasileira o faz adotar um tom mais grave. Mas Euclides continua a dividir o mundo em raças “fortes” e “fracas”. Que Freyre tente atenuar esse problema não deixa de ser absurdo.

Cada lado do espectro ideológico, na verdade, segue tentando “roubar” Euclides para si. Ele não era nem o panfletário quase bíblico que defende a cultura autóctone, nem o positivista empedernido que confunde progresso e autoridade. Se mostrou que a suposta civilização pode ser mais bárbara que os tais bárbaros, jamais deixou de vê-los assim, como “bárbaros”, embora fortes e adaptados a seu meio. Euclides era mais contraditório, complexo – uma mescla intensa e genial de idealista e fatalista. Numa das frases coligidas em outro lançamento, Migalhas de Euclides da Cunha (editora Migalhas), organizado por Miguel Matos, ele diz com todas as letras: “Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora.” Aqui dá uma volta em Freyre, a quem a civilização também parecia apavorar, não por seus racismos e suas guerras, mas por suas exigências. Mistura racial não assegura vocação democrática. Democracia precisa ser construída duramente contra privilégios senhoriais.

("Sinopse")

 

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Comentários:

Comentário de: Wellerson Pereira [Visitante]
19.07.09 @ 10:15
Uma vez alcançada uma elevadíssima miscigenação, parece-me acertado combater a confusão entre riqueza cultural e diversidade racial.
É importante, no entanto, não deixar esquecer o imenso aporte ao caldo cultural brasileiro que trouxeram, cada quais, os negros, os índios, os orientais etc. ao longo da história.
Comentário de: Gelson Gurgel Gomes [Visitante]
19.07.09 @ 10:47
Indago ao senhor Daniel Piza: Em que, basicamente, sob todos os aspectos, os senhores Freyre e Euclides convergem?
Idem, divergem?
Comentário de: Anna H. [Visitante]
19.07.09 @ 13:52
Não li o artigo todo, vou comentar apenas sobre o que li. A respeito da frase do Carlinhos Brown, uma pequena provocação, eu nunca soube que a miscigenação traz pontos a mais no QI de ninguém, tal ele afirma. Como ele chegou a esta conclusão ? Fez algum tipo de comparação ou tem dados científicos a respeito ? Está certo que se deva combater o racismo e a discriminação, mas nao de forma exagerada, com afirmações improváveis e limitadas, como a do CB. Inteligência, que eu saiba, nao corresponde a cor da pele e dos olhos. Já o meio em que se vive, o estímulo à curiosidade, o debate de idéias e a tendência natural da pessoa para desenvolver suas aptidões, nem sempre hereditárias, sao ao meu ver os principais fatores que levam uma pessoa ser classificada de inteligente. E em grupo, como é possível dizer que um grupo de pessoas é inteligente ?
Comentário de: Sérgio Roswell [Visitante]
19.07.09 @ 14:15
Prezado Piza,

PARABÉNS PELO TEXTO !

Se bem que, num país verdadeiro, numa NAÇÃO que o brazil não é, esse assunto já teria sido esquecido. Assim, como você, como todos sobre o assunto, nos repetimos. VOCÊ nem tanto, pois traz novas ponderações e comparações ( EUCLIDES ) ao assunto.

Como EU já disse :

GILBERTO "ESPERTO" FRE"Y"RE ( pq o "Y" ) aproveitou as malucas idéias do NAZISMO, para INVERTÊ-LAS totalmente. UMA LOUCURA, ou burrice, LEVADA À OUTRA. ( no caso ESPERTEZA ).

EUCLIDES, inteligente, honesto, inquieto, DARWINISTA, viu, "IN LOCO" e nos momentos mais dramáticos QUE O SER HUMANO NÃO É, NÃO É IGUAL... Existem melhores. Existem piores. Existem os mais "ADAPTÁVEIS" que não são, não são, os necessariamente "MELHORES".

GILBERTO FREYRE ( pq o "Y" ) é nósso "MARX SOCIAL", da ignorância, que exalta a MEDIOCRIDADE DAS "TRADIÇÕES" NORDESTINAS, principalmente, A CORRUPÇÃO SULISTA E NORDESTINA.

GILBERTO FREYRE exalta a MISCIGENAÇÃO RACIAL de uma forma TÃO RACISTA QUANTO O NAZISMO.

Como ficam o JUDEU, o ALEMÃO, o JAPONÊS, --- "PUROS" --- etc, etc, nessa "MARAVILHÓSA" MISCIGENAÇÃO ? ?

ESSA ESTUPIDEZ de FREYRE é, sim, UMA DAS CAUSAS DO ATRASO INTELECTUAL E CULTURAL DO brazil-TUPINAMBÁ.

TUDO QUANTO É "ARTISTA", "ESCRITOR" etc, etc, APLICA GILBERTO FREYRE no que faz.

POR QUÊ ?

POR QUE É PO-LI-TI-CA-MEN-TE COR-RE-TO...POLÍTICAMENTE CORRETO !!

E O POLITICAMENTE CORRETO VENDE !

NASCE UM TROUXA A CADA SE-GUN-DO !

GILBERTO FREYRE É ADOLF HITLER AO REVERSO.

OS DOIS SÃO SÍMBOLOS DO ATRASO HUMANO.

HEILL FREYRE !!
Comentário de: Eduardo Grandinetti [Visitante] · http://www.youtube.com/watch?v=lEIij5ltHQY&feature=related
19.07.09 @ 15:30
Caro Daniel,
A minha é a mesma do Gelson, pois sua sinopse foi instigante e proporcionou este questionamento. Achei interessante esta reunião de textos do "Migalhas ", a uma pela edição de bolso muito simpática e em segundo, situa igualmente( ex vi, Questão de Gosto) Euclides para eu como iniciantes que ainda não lerem os sertões
O la musique de hoje é do tecladista romano, Marco Lo Muscio interpretando Caccini

Comentário de: antonio bezerra neto [Visitante]
19.07.09 @ 17:05
Freyre é nossa quintessência. Fui marcado definitivamente pelo seu pensamento. Quando vou ao Recife faço questão de visitar Apipucos. Casa Grande e Senzala é nosso maior livro na área de ciências sociais. A USP (recordo-me) tinha óbices intensos contra Gilberto. Vejo approach entre o antropológico (jamais foi sociológico) e Euclides. Um detalhe: A alegria comentada por Freyre está presente também em outras nações da América Latina. Preocupa-me as ideias ufânicas do pensador pernambucano. Percebi "in loco" que o cubano é mais alegre do que o brasileiro. Nossa alegria hoje é rarefeita.
Comentário de: Breno B. [Visitante] · http://cartasdaqui.wordpress.com
19.07.09 @ 17:06
É realmente curioso que um livro (excelente, sem dúvida) como Casa Grande & Senzala entre tão definitivamente no rol dos "necessários ao entendimento do Brasil" que nos furtamos a contestar as ideias do autor. O determinismo de Freyre é quase sempre visto como mero engano causado por falta de perspectiva histórica, como se não fizesse parte do sumo final que se extrai com a leitura. Sempre que nos lembramos de contestar o incontestável, criamos a oportunidade de desconstruir algumas obviedades não tão óbvias assim.
Comentário de: Daniel [Visitante]
19.07.09 @ 18:51
No meu ponto de vista, sao dois autores diferentes com preocupacoes similares para a incoerencia socio-politica vivida no pais, desde seu descobrimento. A diferenca e' que , como o autor expoe, Euclides da Cunha nao cita o aspecto racial como motivo para tal situacao. Quando escrevendo sobre Canudos, salienta o aspecto subversivo dos habitantes como justificativa para as atrocidades cometidas pelo exercito da republica. Peca porem, em nao ver a capacidade de independencia e prosperidade dos adeptos de Antonio Conselheiro, as quais foram o motivo de seu exterminio. A exemplo de Palmares. Tenso!
Comentário de: Heitor Brinhosa [Visitante]
19.07.09 @ 20:32
Daniel, permita-me vir aqui de forma mui respeitosa, cordial, discordar do que você fala sobre a temporalidade da análise do brasileiro. Minha intenção de forma alguma é atacar Freyre e/ou defender Euclides, até porque cada qual deve ter seu dia diluviano. Quando tu externas essa passagem: "Mas Freyre foi quem fez a base conceitual de tudo isso", fica claro que você acaba por deixar para trás a discussão que Euclides faz em sua obra sobre o HOMEM. Se tiveres essa obra em mãos, Os Sertões, leia a parte intitulada "Complexidade do problema etnológico no Brasil", parte esquecida por todos que trabalham este tema tão importante e donde todos os intelectuais nasceram ou morreram. Essa sopa de Letrinhas Euclidiana foi bebida por muito daqueles que se ergueram como intelectuais gestados pelo Pai Euclides e negadores fiéis da sua paternidade; nessa passagem Euclides demonstra não só a tripla matriz de gestação desse povo novo, alegre, o labirinto histórico da sua manutenção, e principalmente o acúmulo das discussões sobre o tema o que outros não o fizeram para com ele. Fico a espera da sua reinterpretação. Meu email é heitorbrinhosa@gmail.com...
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
19.07.09 @ 20:58
Heitor, sei de cor e salteado o livro. É pioneiro, mas ainda preso aos conceitos do darwinismo social, ao contrário de Freyre.
Comentário de: Henrique [Visitante]
19.07.09 @ 21:03
olá, Daniel.

venho através desse comentário fazer um pedido: as imagens do Sinopse antes vinham reproduzidas aqui em resolução ótima, inclusive usava-as como papel de parede em meu computador e imprimia em grande tamanho para recordação.

agora vem nesse tamanho 3x4, seriam direitos autorais?

as imagens são sempre sensacionais e mesmo escaneando do jornal(sou assinante), nunca vinham com tanta qualidade.

um abraço
e parabéns pelo blog!
Comentário de: Sérgio Roswell [Visitante]
20.07.09 @ 00:25
Prezado Piza,

"Nós brasileiros", dizia-nos um branco, "temos o preconceito de não termos preconceito. E esse simples fato basta para mostrar a que ponto está arraigado no nosso meio social". Muitas respostas negativas explicam-se por esse PRECONCEITO DE AUSÊNCIA DE PRECONCEITO, por essa fidelidade do Brasil ao seu ideal de democracia racial. CONTUDO, uma vez posto de lado esse tipo de resposta, QUE NÃO PASSA DE UMA IDEOLOGIA, A MASCARAR OS FATOS, é possível descobrir a direção em que age o PRECONCEITO". ( Roger Bastide e Florestan Fernandes, "in" "BRANCOS E NEGROS EM SÃO PAULO", Editora Global, 2006, pág. 155, destacou-se).

A FALÁCIA da DEMOCRACIA RACIAL no BRASIL, oriunda da MISCIGENAÇÃO, é uma outra forma de DOMINAÇÃO SOCIAL. E é PAPAGAIADA pelos "ARTISTAS" de ZABUNBA MEU BOI do brazil.

DÁ DINHEIRO DIZER QUE NO BRASIL TODO MUNDO É IGUAL.

PALMAS, neste caso, para CHICO BUARQUE, que não impediu que sua filha casasse com CARLINHOS BROWN.

GILBERTO FREYRE encontra ressonancia no brazil-TUPINAMBÁ pelo OLIGARQUIA DOMINANTE, principalmente no NORDESTE, mas não só, que exalta uma MERITOCRACIA totalmente INJUSTA dada às condições DOS VARIADOS TIPOS DE POPULAÇÃO DO PAÍS, PRINCIPALMENTE DOS NEGROS, que ainda não conseguiram sair do estereótipo do CARNAVAL, SAMBA E FUTEBOL.

E, claro, GILBERTO FREYRE acharia "LINDO" ou "LINDA" a GLAMOURIZAÇÃO DA IGNORÂNCIA E DO ATRASO INTELECTUAL representado por LULLA DA SILVA, o PT e o "BOLSA FAMÍLIA".

TEM TUDO A VER COM O RIDÍCULO "CASA GRANDE E SENZALA", a GLAMOURIZAÇÃO da inferioridade racial dos NEGROS, ( O NEGRO "TEM" QUE SE MISTURAR COM O BRANCO para ser "GENTE"...).

Enfim, como CRISTOPHER LASCH já dizia, HOJE existe uma "CULTURALIZAÇÃO DA REALIDADE". Criamos UTOPIAS. Com sinceridade ou... para enganar os outros.

GILBERTO FREYRE é ADOLF HITLER AO REVERSO.

DOIS PICARETAS.

NASCE UM IDIOTA A CADA MICRO-SE-GUN-DO.
Comentário de: Anna H. [Visitante]
20.07.09 @ 04:04
O que eu acho, Piza (não é seu caso,ok ?), é que estes dois autores-monstros, Gilberto Freire, sorry, Freyre, e Euclides da Cunha, foram e são interpretados muito superficialmente, mesmo no ambiente universitário. Os livros deles são verdadeiros tesouros que necessitam de longas horas de debate para serem explorados devidamente. Transpondo-os para a realidade atual ainda seria mais interessante, mas se tivermos a coragem de aceitar essa realidade como ela é, e não fantasiando a mesma como gostaríamos que fosse (e aí lembro da frase de Carlinhos Brown, mal elaborada, sobre a inteligência do brasileiro).
Comentário de: Antônio Dó [Visitante]
20.07.09 @ 05:03
Freyre nao é Hitler! Piza vc se esquece de detalhes, sutilezas, que fazem toda a diferenca. Freyre nunca propalou a ideia de uma raca superior e nunca afirmou que outras racas fossem inferiores. Ele exaltou muito a "raca brasileira". Isso ele fez!!!...(Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!) E fê-lo num contexto histórico-ideológico ainda totalmente dominado pela ideia da superioridade branca. Quase que desempenhando a funcao de um advogado! Imagine a importância socio-cultural que uma exaltacao dessa magnitude teve e continua tendo. Imagine!!!...
ps Gosto muito do seu texto, mas acho suas conclusoes fracas.
Prefiro o seu "heterônimo" Roswell quando afirma "GILBERTO FREYRE É ADOLF HITLER AO REVERSO" do que vc mesmo quando diz
"De qualquer modo, sua herança se tornou nociva principalmente porque coloca como vetor principal da cultura o perfil racial."

Tem um lugar-comum deveras triste:
"E confundi-lo com os costumes, as artes e os esportes nunca fez bem a lugar nenhum." Além de lugar-comum, trata-se de uma daquelas frases politicamente corretas que tentam barrar a inteligência das pessoas. Cuidado, isso é proibido!

Gente, a que ponto chegou o nosso jornalismo!!!
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
20.07.09 @ 09:42
Antônio, tenha dó. Freyre nada tem a ver com Hitler. Mas colocar a miscigenação como garantia de vocação democrática é insistir numa leitura reducionista das sociedades. Essa história de que os brasileiros são bons em futebol e música por causa da mistura racial é desmerecer o talento dos indivíduos.
Comentário de: Alex [Visitante]
20.07.09 @ 10:00
Piza

"Os Sertoes" é uma obra essencial na literatura brasileira, um marco, tem que ser lido. Acho que nem o proprio autor teve ideia de quao importante seria sua obra para a historia e para o entendimento deste pais. Ponto.

Gilberto Freyre e' interessante tambem, merece ser lido. Mas sua obra aponta um fato que ja' era sabido por todos: o povo brasileiro é uma mistura de racas, tudo bem, mas e dai? Ele conclui que isto é muito bom, mas nao oferece explicacoes para o nosso subdesenvolvimento (justo ele que estudou em Columbia). Se somos tao bons, porque vivemos tao mal? Isto nao interessava muito Freyre. Ele ve esta miscegenacao com os olhos do Sr. de engenho, da sacada de Apicucos. Tudo isto vai muito bem, desde que eu me mantenha onde estou, ou seja, na "Casa Grande". Ai ele imagina que aquelas que estao na "Senzala" devem achar o mesmo, pois sao "alegres" e submissos aos seus senhores, ou seja, a familia Freyre e os demais pares. Com esta pregacao antropologica meio capenga mais interpretacoes ao gosto de cada leitor, ele se tornou um simbolo de um pais atrasado, um pais que prefere achar que tudo esta bem como esta'. Somente os titulos dos seus livros "Casa Grande e Senzala" e "Sobrados e Mucambos", ja' resumem tudo sobre a historia do Brasil e explicam nossa democracia tropical tambem.
Comentário de: jair b. marcatti [Visitante]
03.08.09 @ 15:57
Presado senhor:

Gostaria que agora na comemoraçao do centenario de Euclides da Cunha , nos artigos v.sa se reportasse a Ponte Metalica construida por Euclides da Cunha sobre o RIO PARAIBA DO SUL ENTRE AS CIDADES DE JACAREI E SANTA BRANCA NO ESTADO DE SP, e que se encontra parcialmente destruida , e que embora o DER SP esteja com o Projeto de Recuperaçao pronto, coloque em licitaçao paraa Restauraçao como homenagem do Set. de SP ao grande Escritor e Construtor de Grande s Obras em nosso Pais.
atenciosamente

Jair B. Marcatti
j.marcatti@uol.com.br

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Daniel Piza é colunista de O Estado de S.Paulo. Site: www.danielpiza.com.br. Email: daniel.piza@ grupoestado.com.br





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