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14.04.08

por Daniel Piza, Seção: comportamento, teatro, moda 12:48:28.

Baptistão

O caso da moda brasileira merece análises que ainda não foram realmente feitas, por ilustrar como a obsessão brasileira por “identidade” termina sendo a maior inimiga dessa mesma “identidade”. Nos últimos 10 ou 15 anos, a moda brasileira teve um surto criativo que lançou estilistas, eventos e negócios; acima de tudo, lançou um oba-oba, uma crença em muitos aspectos irrealista a respeito de seu alcance. E aí os tombos vêm. O mais recente foi a criação de uma corporação, chamada Identidade Moda, que anunciou compra e fusão de marcas importantes, foi considerada como um salto no “business” e, aparentemente, não tinha capital para tanto, o que levou criadores como Alexandre Herchcovitch a saírem dela.

O curioso é que Herchcovitch sempre teve a lucidez de não cair no conto de fadas da identidade brasileira, dizendo que fazia seu trabalho de acordo com seus critérios e suas inquietações. Isso que chamam de identidade não passa de um rótulo, de um estigma e, como todo estigma, só acaba aprisionando o estilo. Participei na terça de um seminário sobre o assunto, Fashion Marketing, promovido por Gloria Kalil, e transmiti a Ermenegildo Zegna uma pergunta da platéia sobre o que distingue (ou “diferencia”, como se diz atualmente) uma tal “Marca Brasil” aos olhos do mercado internacional. Ele disse que não existe isso: existem marcas, não uma Marca; o criador tem de buscar seu mercado em função da qualidade do que faz. Sobre a concorrência dos chineses na indústria têxtil, foi claro: façam o que eles não sabem fazer.

Essa ansiedade de definir o brasileiro, já apontei, é um essencialismo que não leva a lugar nenhum. Sim, o Brasil tem uma imagem de país hospitaleiro, caloroso e informal, mas por que um criador precisa seguir essa fórmula? Não será isso que impede que a moda brasileira raramente seja vista como algo além de biquínis e sandálias? Eis a questão. O caso serve de ilustração para outras áreas criativas. Eu mesmo testemunhei o que seria um boom das artes plásticas brasileiras no exterior. Colonizadamente, a imprensa local passou a divulgar o fato – baseado em algumas matérias publicadas no exterior – como se o “Primeiro Mundo” estivesse de joelhos diante da liberdade tupi. Hoje, mais de 12 anos depois, afora dois ou três nomes como Vik Muniz e Beatriz Milhazes, a arte brasileira continua desconhecida, ou conhecida pelo que nem é seu melhor... Os rótulos sempre acabam rotos.

***

Nelson Rodrigues é sempre lembrado quando essa discussão vem à tona. Nos anos 50, ele criticou o “complexo de inferioridade” da crônica esportiva brasileira que idealizava times como a Hungria e outros escretes europeus e não via que a seleção formada por Didi, Pelé, Garrincha e Nilton Santos era a melhor. Seu alvo, inspirado nas teses de Gilberto Freyre filtradas por seu irmão (de Nelson) Mario Filho, eram os que supunham que um povo mestiço não produzisse grandes atletas. Mas a Nelson, mesmo conservador como era, não escaparia que o mesmo complexo de inferioridade é o que alimenta esses entusiasmos semifictícios a respeito da visão do mundo sobre o Brasil. Ele se traduz rapidamente em síndrome de superioridade: se o Brasil perde um jogo decisivo de Copa, jamais é por mérito do adversário...

Seu teatro, afinal, atingiu a grandeza ao captar no mais prosaico cotidiano brasileiro os dramas psíquicos universais. Veja o caso de Senhora dos Afogados, de 1947, atualmente em cartaz no Sesc Anchieta em direção de Antunes Filho, com Lee Thalor e outros no elenco. De sua experiência de repórter policial, somada à influência do teatro expressionista e da obra do americano Eugene O’Neill (em especial Electra de Luto), ele tirou inspiração para uma tragédia familiar em três atos sobre uma irmã que afoga outras duas para ficar sozinha com o pai – e ainda empurra a mãe para os braços do filho dele com uma prostituta que ele matou 19 anos antes.

Por trás dessa sucessão de incestos e homicídios há a visão de Nelson sobre como as paixões que os seres humanos tentam reprimir acabam saindo pelas formas mais tortas. Ele dizia sempre que as pessoas vivem uma vida sem autenticidade e coragem e não negava que seu teatro tinha a intenção de expiar essas frustrações. Infelizmente, a montagem de Antunes tira a coloquialidade das falas e rompe a superfície naturalista em que Nelson pinta os traumas ancestrais. Essa mistura do banal com o mítico é sua “marca” – o modo como revela sob a aparência suave do trato brasileiro as fraturas mais fundas.

***

Lendo os “especialistas” sobre a morte da menina Isabela, jogada do alto de um prédio na semana retrasada, fico pasmo. Eles nem parecem ter lido o Freud das Novas Conferências Introdutórias, que critica o modo como o ser humano renuncia à agressão que lhe é inerente, tornando-se ainda mais agressivo. E estão sempre prontos para generalizar, atendendo à comoção pública, e apontar a “vida moderna” como culpada. Bem, as famílias rodriguianas, tementes a Deus e tudo o mais, são o que se costuma classificar de “estruturadas”... Há contornos de época e lugar em qualquer crime, mas as motivações envolvem áreas de sombra muito além do presente. Por mais que nos queixemos da falta de humanismo atual, a barbárie não cabe em explicações moralistas do tipo “madrastas são más”. Nelson sabia.

***

Também costumo ler gestos de “desagravo”, digamos assim, sempre que alguém aponta problemas na cultura brasileira. Se se afirma, por exemplo, que a MPB perdeu qualidade, pois a geração de Lenine e Carlinhos Brown não tem a qualidade da de Chico e Caetano, logo aparece um defensor da maravilhosa história da canção nacional, etc. O curioso é que sem argumento concreto nenhum para nos convencer de que aqueles nomes se comparam... O mesmo quando se diz que nossas revistas culturais poderiam ser melhores, porque lhes falta ousadia e sofisticação: não demora e um sujeito surge para dizer que “ao menos elas existem”. E quem disse que não? É o mesmo problema da obsessão por identidade ou, no termo corrente, “auto-estima”: em nome de defender algo promissor, fecham-se os olhos para seus defeitos. E eles vêm cobrar.

(Mais Sinopse.)

 

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Comentários:

Comentário de: Paula Tinamente [Visitante]
14.04.08 @ 13:06
Daniel,

Concordo que associar os produtos brasileiros aos adjetivos citados acima é um pouco cansativo para nós, parece que já deu.

Porém, fora do Brasil se isso for bem feito ainda traz resultados. Moro em Lisboa e por aqui a Richards e a Osklen fazem sucesso enorme. As duas usam muito bem do "Brazilian Soul" como chama a Osklen com uma coleção descontraída, passando os valores citados por você. Faz um sucesso tremendo por aqui e são super caras.

Sem falar nos bikinis e nas havaianas que também arrebentam de vendas por aqui.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
14.04.08 @ 13:23
Paula, também não acho que se deva abrir mão dessa boa imagem (os biquínis da Rosa Chá são lindos, por exemplo). Mas há talento suficiente na moda brasileira para ir além disso. Abraço
Comentário de: ANDRE [Visitante]
14.04.08 @ 14:44
Piza,

em um país continental como o nosso e com uma população à beira dos 200.000.000 a diversidade predomina.

Criar marcas que sirvam como um "carimbo brasileiro" lá fora pode até ser benéfico (em sua devida proporção).

Hoje, vejo um mundo onde a padronização de costumes e estilos predomina. Um mundo dominado por poucas e grandes organizações, que massificam gostos, costumes e atitudes.

Nosso desafio é contornar tais barreiras e tentar criar um estilo próprio "do brasileiro" (muito além de biquinis e chinelos), sem bairrismos e sem conceitos pré-impostos.
Comentário de: Adair [Visitante]
14.04.08 @ 15:30
Piza,

Eu concordo com o que você vem escrevendo sobre o caso da menina assassinada menos num ponto. A sua crítica ao comportamento da imprensa, apesar de única, faz coro, na prática, ao que você, como muita propriedade como sempre, desaprova.
Afinal de contas, à sua maneira - única repito -, o assunto é "repercutido", inclusive na imprensa que você faz, ainda que única. Seria o assunto irresistível?
Comentário de: RATU [Visitante] · http://munduidiotaz.blogspot.com/
14.04.08 @ 15:46

SR. PITIÇA BOA TARDE
DEMAIS : BOATARDE TAMBEN



QUALIDADE DE XICU E CAITANU ? TÁ DOIDO HOMI !!!!, OS CARAS TIDOS COMO PERÇIGUIDOS PELA DITA- DURA , COBRAM OJI DOS OTARIOS BRASILEIROS MILHÕES PRA AÇISTIR SEUS XOUS !! TOU FORA DISSO, NADA COMO AQUELA MUSICA , VAI TRABAIAR VAGABUNDU !!!!
Comentário de: ANDRE [Visitante]
14.04.08 @ 16:26
Piza,

apenas algumas "erratas" que servem como "marcas" da desorganização deste país:

- Dilmagate;
- farra em munícipios com royalties do petróleo;
- 99% do caso Isabella resolvido (será???);
- cartões-corporativos;
- dengue;
- re-re-eleição;
- PAC (até agora só discurso);
- sindicatos não precisam prestar contas ao TCU;
- o presidente diz ser "uma metamorfose ambulante", ou seja, diz uma coisa hoje e outra amanhã;
- MST invade e permanece impune;
- filas e empurra-empurra num bazar para comprar utensílios de um traficante;
- créu, créu e + créu;
- prefeitos corruptos presos já foram soltos;
- corrupção, corrupção e corrupção;
- discurso, discurso e discurso;
- impunidade, impunidade e impunidade.

Eis algumas marcas em evidência neste país atualmente.
Comentário de: Diogo [Visitante]
14.04.08 @ 16:30
Piza,

comentando sobre o "Por que não me ufano", da "Sinopse" de domingo, muito me adimira você - que criticou a atitude da mídia em relação ao caso Isabella e ainda assim não deixa de opinar sobre ele - vir contribuir para a condenação pública do ex-reitor da UnB com base no que a imprensa vem publicando de maneira visivelmente parcial. Provas, no sentindo jurídico do termo, ainda não há. E condenar alguém publicamente não é coisa que se faça apenas com suspeitas. De rir-chorar é ver estudantes invandindo prédios públicos em prejuízo de alunos e servidores e ainda cobrar respeito aos direitos humanos por se lhes ter cortado o fornecimento de água e luz.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
14.04.08 @ 16:34
Diogo, há provas materiais e testemunhais. Dinheiro público foi gasto para uma reforma nababesca. Não à toa ele saiu de vez agora, graças à pressão dos estudantes.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
14.04.08 @ 17:43
Moda?

Bom, pra começar,
podemos acabar com o terno e, principalmente, a gravata.
Não prestam pra nada.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
14.04.08 @ 17:46
RATU!

E agora, fio?!

A Ferrinha tomou ferro, ómi!

Ucê num vai falar da Ferrinha?
Comentário de: UBIRAJARA VIEIRA XAVIER [Visitante]
14.04.08 @ 18:23
Criticos são frequentemente acusados de arrasar um livro que não leram, ou mandaram ler suas respectivas esposas.Assim o marketing tem que estar presente: seja nas artes, literatura, atletismo etc.etc.bem como críticos que defendam honestamente todos esses infortúnios.A massa tem a mentalidade de um garoto de 9 anos. Tomam o partido de quem grita mais, diz uma coisa tremendamente esquisita e sem nexo, ou se vale de um achado estravagante.
A arte existe...temos que enxergá-las com nossos próprios olhos. O resto e propaganda comercial da Casa tal e al & talvez!
Comentário de: Pablo [Visitante]
14.04.08 @ 19:24
Caro Piza,

Muito pertinentes - como sempre, aliás - suas observações sobre o ethos essencialista que está por trás de toda essa obsessão contemporânea (não só brasileira) pelo tema da "identidade" . Faz me lembrar, por exemplo, a boa e lúcida crítica que autores(as) como Leyla Perrone Moisés têm produzido em torno da recepção quase acrítica, por parte sobretudo da academia, dos chamados "estudos culturais", "multiculturalismo" etc.

Todavia, confesso que tenho ainda muitos dúvidas sobre a possibilidade de um exílio definitivo dessa temática. Veja, não que eu acredite na miragem das "identidades desencarnadas", alheias ao processo histórico, às contingências da vida e tudo mais. Ocorre que não podemos esquecer também que, se não herdeiros diretos, somos ao menos tributários de uma tradição discursiva que põe incondicionalmente o próprio verbo "ser" ("é", "não é") no centro de qualquer cópula predicativa, portanto no seio mesmo de qualquer argumentação teórica, ainda que contrária. Como nos diz Derrida, "não há nenhuma sintaxe, nenhuma semântica que seja estranha a essa história". Dessa forma, ainda que pudéssemos - e podemos - recorrer a uma linguagem mais experimental (uma obra artística, por exemplo), qualquer reflexão sobre o seu "significado" envolveria a inclusão de certos atributos, de certos predicados. Ou seja: ainda assim teríamos que escolher entre esta, essa ou aquela "definição" (uma identidade?).
É nesse sentido, Piza, que acho um pouco difícil exorcizar essa "obsessão" pela identidade. Não estaria ela na raíz da própria linguagem, na sua forma matricial de operar, no seu jeito de se relacionar com o mundo? Agora: resta saber se queremos sempre a "mesma palavra" para definirmos as coisas. Aí que o bicho pega!

Abraços!
Comentário de: antonio bezerra neto [Visitante]
14.04.08 @ 19:56
Piza, "Pai e Filha", de Ozu é um tributo espantoso ao Japão. O perpassar dos instantes é de uma beleza atemporal. É uma pena que o filme só esteja disponível no site da Livraria da Cultura que cobra um absurdo de frete para encaminhar para o Sertão do Seridó.

O problema desses grandes filmes é a distribuição. Valor do frete: R$ 40,00 + devedê. Isso é um absurdo. Fico na orfandade.

Comentário de: André Felipe [Visitante]
14.04.08 @ 20:06
Caro Daniel,

penso que tem uma distinção importante entre criação nas artes plásticas e na moda. Nesta, ela é mais dirigida ao que os consumidores querem. E acho que isso determina um pouco a necessidade de se ater à uma Marca Brasil.

Os estrangeiros, sem generalizar, querem o "Brasil tropical". É o Romero Britto, é o Olodum. E também a moda praia, que é muito bem feita. Como é um negócio de milhões de reais, e de empregos, acho que essa é uma "tendência eterna". O que não impede a aceitação, é claro, das caveiras do Herchcovitch, por exemplo.


Realmente, a qualidade das revistas culturais tá uma tristeza. A Bravo começou muito promissora. Mas de uns anos pra cá ...
Comentário de: ANDRE [Visitante]
14.04.08 @ 21:03
Piza,

conhece a publicação "Brasil - Almanaque de Cultura Popular" do Elifas Andreato, distribuída nos vôos da TAM?
Comentário de: antonio bezerra neto [Visitante]
14.04.08 @ 21:37

A identidade é um traço que permite a permeabilidade da cultura. Tenho medo das pulsações contrárias a nossa identidade. Piza - que tenho profundo respeito - gosta de suscitar vez ou outra essa questão.

Nossa universalidade passa por Suassuna, Vandré, Bandeira, Cabral, Frevo, Luiz Gonzaga, Gilberto Freyre, Ziraldo, etc. Nossa identidade tem a face das igrejas barrocas de Minas. Não entendo esse coice na identidade. A Antropologia fala insistentemente nesse assunto. Que tal fazer algumas leituras do mestre Antonio Cândido – senhor de têmpera mineira e paulista. A nacionalidade nasce de uma identificação (identidade).

Parece que há um receio em relação a nossa brasilidade. Existe uma cubanidade. Existe uma identidade escandinava, etc.
Comentário de: antonio bezerra neto [Visitante]
14.04.08 @ 21:59

Um reparo: é verdade que há pseudo-identidade permeando o tecido social brasileiro, normalmente fruto do excesso de consumo. Os novos ricos têm uma responsabilidade muito grande por essas tolices.

Os grandes centros inventam coisas desconexas. Os sertões terminam por assimilar.

Comentário de: Pedro [Visitante]
14.04.08 @ 22:36
Senhora dos Afogados não é uma peça naturalista. Se fosse, os espelhos, signo central na trama, refletiriam exatamente a imagem que está à sua frente.
Comentário de: Naodigo [Visitante]
14.04.08 @ 23:44
Identidade e algo que se sente senhor Piza.

Infelizmente vai ver isso e o seu problema.

A sua identidade esta conectada ainda ao primeiro Piza que veio para o Brasil.

A sua identidade e identidade italiana ou europeia.


Nao falo isso como uma critica ou desprezo.

So falo como uma possivel realidade do seu ser.





Comentário de: Tonho [Visitante]
15.04.08 @ 00:24
Os estudantes conseguiram uma vitória espetacular expulsando o vampiro/reitor.Ótimo,beleza pura!Mas e a mídia essa ordiná ria que fez?Parte dela atarantada defendeu os estudantes e outra parte julgou-os delinquentess por terem invadido a sea ra magnifíca de uma reitoria(ou feitoria?Sim porque as univer sidades públicas brasileiras de há muito deixaram de ser do Estado para serem de grupelhos socialistas aguerridos e or ganizados).---Por que essa mídia escrôta não esmiuça em deta lhes como as eleições são feitas nas universidades?Que linhas sociallistas dominam os aparelhos dos diretórios acadêmicos? Por que não diz que a grande maioria dos estudantes são fi lhinhos de papai/mamãe e só estão interessados em farras e ganhar uma grana pra ser mais gastadores?E que não estão nem aí prá quem vai representá-los nas votações ou em quem vai ser eleito?---Por que não foi explicitado que o que houve na uni versidade de Brasília foi uma batalha travada entre hostes so cialistas?E que os socialistas já deram provas mais que sufi ceintes que estão cagando e andando pra roubos e assassinatos, desde que sejam pela causa,por um mundo mais justos para eles abutres?--- É verdade,no mundo sonhado por eles tudo será po dre e haverá carniça para todos.-----As universidade públicas brasileiras podem ser comparadas a um grande elefante tombado, doente terminal e comido por vermes,abutres e hienas,todos so cialistas que só diferem o modus operandi.------- Em tempo: igualmente cafajeste é passagem em brancas nuvens das idenizações recebidas por jaguar e ziraldo por nossa mídia,quen ga de rua.
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
15.04.08 @ 08:56
Pedro: ninguém disse que "Senhora dos Afogados" é naturalista. Mas as falas são coloquiais: Nelson parte disso para chegar ao mítico. Antunes errou ao ignorar tal mistura. Naodigo: é justamente por sentir essa identidade (o primeiro Toledo Piza tenho certeza de que chegou muito antes ao Brasil do que o primeiro Nãodigo...) que não preciso fazer dela bandeira para turista. Bezerra: dividir o Brasil em "grandes centros" x "sertão" é um dos males do essencialismo da identidade. Me sinto brasileiro no Acre ou na avenida Paulista.
Comentário de: Putz [Visitante]
15.04.08 @ 10:50
Piza,
Em relação à qualidade da MPB duas observações:

1º. NA BUSCA PELO BOM, ABRE SE MÃO DO ÓTIMO.

2º. HÁ QUEM DIGA QUE A NOVA GERAÇÃO-MPB É TÃO BOA QTO SUA GENITORA. LOGO, É A "VERDADE" DAQUELES CONTRA A "VERDADE" DESTES.

Independente de "argumentos correto" (ou não) preferencia não se discute, por isso chama se PREFERENCIA.
Comentário de: Cláudia [Visitante]
15.04.08 @ 11:32
Mas será verdade o inverso, que um acriano se sente tão brasileiro no Acre quanto na avenida Paulista?
Comentário de: Daniel Piza [Membro]
15.04.08 @ 11:51
Cláudia: há muitos acreanos na avenida Paulista. Como falam português brasileiro, arranjam emprego, mesmo que informal, e passam o resto da vida aqui, só retornando à terra natal para férias eventuais. São Paulo foi feita por gente assim. É tão brasileira quanto o sertão mais profundo.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
15.04.08 @ 11:58
Putz,
o que ocorre é mais ou menos o seguinte:
lancam-se porcarias amiúde no mercado; ocorre que, com o passar do tempo e a chegada de novas e maiores porcarias, as antigas começam a "cheirar" melhor e ganhar certo valor.

Mas a Nova MPB, convenhamos, não é nem música brasileira, é um apanhado Pop.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
15.04.08 @ 12:01
"Ah, mas como não é música brasileira?"

Ora, se um japonês pegar massa, molho de tomate, queijo
e fizer uma pizza,
ele não está fazendo comida japonesa.
Comentário de: Putz [Visitante]
15.04.08 @ 12:26
Cimnino,

Poderia descrever pra mim, na sua opnião, o que é a Musica popular brasileira?
Comentário de: ANDRE [Visitante]
15.04.08 @ 12:30
Piza,
lendo a notícia "Cubanos lotam lojas atrás de celulares", lembrei de você. Nem Cuba resiste mais às marcas..."Tá tudo dominado"???
Comentário de: Cláudia [Visitante]
15.04.08 @ 13:15
Piza

Sabe que sua descrição dos acreanos ou acrianos que trabalham na Paulista cabe a qualquer imigrante de país periférico que vai tentar a sorte em país desenvolvido, né?
Comentário de: ANDRE [Visitante]
15.04.08 @ 14:34
O problema é confrontar urbano x rural e tratar sempre o rural como "vítima". Cláudia, um "...imigrante de país periférico que vai tentar a sorte em país desenvolvido..." vai por opção, assim como nossos queridos acreanos ou acrianos em SP.

Roraima, Amapá, Acre..."Brasil"???...hoje???...tenho minhas dúvidas.
Comentário de: Cláudia [Visitante]
15.04.08 @ 15:18
E daí que ele vai por opção? Isso não significa que ele irá se inserir perfeitamente na nova sociedade. Ao contrário, o que se vê muitas vezes é a formação de grupos 'étnicos' que reproduzem os costumes da terra deixada para trás. Os nordestinos de São Paulo são um bom exemplo disso.
Comentário de: ANDRE [Visitante]
15.04.08 @ 15:53
Ok, reproduzem sim os costumes da terra deixada para trás.

Mas...acontece também um fenômeno curioso que alguns aqui saibam explicar melhor do que eu:

- torcem para o Corinthians, SPFC, Palmeiras;
- vão aos shoppings consumir nos finais de semana;
- ouvem pagode e funk;
- "tentam" se vestir como celebridades;
- adoram o "tipo BBB";
- etc, etc, etc...

Pq será? Isto não é se inserir na nova sociedade?
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
15.04.08 @ 19:45
Putz,
gosto de distinguir MPB de Música Popular Brasileira.
A MPB é um seguimento da música brasileira que fundiu elementos da música popular brasileira com elementos da chamada World Music. Curiosa e pretensiosamente, apossaram-se da terminologia Música Popular Brasileira, abreviada em MPB.
Acredito que a própria mídia, que até a década passada não dava espaço nenhum à música brasileira (note que o Cartola, por exemplo, gravou apenas depois dos 70 anos de idade) tenha participado deste processo.
Se um extrangeiro perguntar sobre Música Popular Brasileira, ele provavelmente não quer saber de Chico, Caetano, Gil, enfim, ele quer contato com o Samba, o Forró, o Frevo, as Modas de Viola e por aí vai.
A Nova MPB é um movimento de "Classe Média" que funde elementos da MPB com o que há de mais Pop atualmente na mídia. Está muito distante da música popular brasileira; no máximo, um pandeirinho ao fundo (vide a versão da música do Zeca Pagodinho, gravada pelo Seu Jorge meio em ritmo de Blues).

Mas nada contra!
Em Música, quanto mais opções melhor.
Inclusive, essa do Seu Jorge não ficou ruim , não!
Comentário de: Putz [Visitante]
16.04.08 @ 11:21
Cimino,
Respeito porém acho incoerencia sua preferencia em destinguir "MPB" de "Musica Popular Brasileira".
Bem, pra mim, a musica popular brasileira é exatamente isso. Nossa cultura cantada; melodias, ritmos, instrumentos "só nossos."

É verdade que Tom, Chico, Caetano, Gil, João Gilberto, Simonal, Elis, Betania e outros - POUCOS E BONS - cantavam a vida cotidiana com seus encantos e desencantos, conferindo à sua musica
um ar poético - que tanto sentimos falta - revitalizador e, pq nao dizer REVOLUCIONÁRIO.

O "pessoalzinho" de hoje que diz fzr MPB - esses sim concordo com vc, a classe média elitizada, não tem a paixão por compor; compor como forma de protesto; cantando nossas lamúrias, nossas fortunas, nossas paixões.
Falta a essa nova geração a MUSA inspiradora de outrora... Sendo assim topamos uma PENCA de ARTISTAS com uma mistura de ritmos - que não é de todo ruim - letras vazias e pouco relevantes
mudando invariavélmente a cara da MPB antiga - ou seria mais BOSSA NOVA...????

De qualquer maneira, os outros ritmos; samba e pagode, axé, rap, musica sertaneja e os ritmos tipicos do norte e nordeste não deixam de ser MUSICA POPULAR BRASILEIRA, MPB, nossa cultura, porém, de outro nivél.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
16.04.08 @ 12:39
Minhas praias são o Samba, a MPB, a Música Erudita e o Instrumental ...
mas curto de tudo!

Chico é quase um sambista.
Gil é quase Axé e quase Reggae.
Geraldo Pereira é quase Bossa Nova... mas é Samba Raiz.
Adoro os três.
A música brasileira é assim, uma miscelânea mesmo.

Gosto da Rádio USP e da Cultura ...
mas de vez em quando arrisco a Eldorado e até a Nova.

É a vida!
É a música!

Abs.
Comentário de: Biti Averbach [Visitante] · http://www.modasemfrescura.com
17.04.08 @ 23:21
Olá Daniel,

Achei pertinente e lúcida sua colocação sobre a inutilidade da busca dessa famigerada identidade brasileira, seja na moda ou nas artes.
Parece-me que o país teima em se agarrar àquele momento de evidência internacional que aconteceu mais ou menos durante a celebração dos 500 anos. O "Brazil" resgatou a auto-estima, virou "moda", exportou futebol, top models, e chinelos. Mas esse hype passou e o estereótipo está mais do que gasto!
Assisti às palestras do FM. E linkei a matéria lá no meu blog, Moda Sem Frescura.
Um abraço!
Comentário de: Pedro [Visitante]
21.04.08 @ 11:16
Acho que o naturalismo vai muito bem nas novelas da Globo (Pra quem gosta, porque eu acho um tédio), foi muito bem nos dramas teatrais do final do século XIX e início do século XX, mas perdeu sua ligação com a realidade das relações pessoais e sociais a partir das guerras mundiais. As vanguardas modernistas puxaram a fila. Não vejo razão justificável pra se exigir de um artista, nos dias de hoje, que se prenda a esta ou aquela escola. Arte não se prescreve, se escreve. De preferência provocando, no seu público, espanto, estranheza, comoção, indignação, o que for, mas PROVOCANDO alguma sensação forte, que não seja simplesmente a confirmação do que se pudesse esperar dela.

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Daniel Piza é colunista de O Estado de S.Paulo. Site: www.danielpiza.com.br. Email: daniel.piza@ grupoestado.com.br





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