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24.07.08

Nesta semana levei as crianças em férias para ver Wall-E, novo desenho da Pixar. Há dez anos, desde Vida de Inseto, a empresa da Califórnia nos diverte com filmes como Toy Story, Os Incríveis, Monstros S.A., Carros, Procurando Nemo ou o charmoso Ratatouille. O preferido de Bernardo, 2 anos, é Carros e, como o do pai, Procurando Nemo - uma odisséia de um pai traumatizado castrador que muda com a ajuda de uma amiga depois de episódios tragicômicos como o ataque do tubarão, a floresta de medusa, o surf das tartarugas e a conversa com a baleia. Wall-E é diferente, com menos diálogos e peripécias; no entanto, as crianças não desgrudam a atenção. Ele é um robô solitário na Terra devastada, que dá de presente a Eva a última manifestação de vida no planeta. A parte mais engraçada é o retrato huxleyano da humanidade no espaço, um bando de tecno-sedentários que pensam igual. Como o final feliz é mais do que esperado, o filme vive de uma série de achados. Tem uma espécie de poesia trágica, na fronteira de Disney com Spielberg, que vai além do otimismo ecologicamente correto.
P.S. - O curta-metragem que precede o filme, sobre um coelho que se vinga do mágico que não lhe dá a cenoura, é antológico, na linha de Tom & Jerry e Papa-léguas.
23.07.08
Sem Hernanes e Alex Silva, além de Miranda e Borges, o São Paulo teve vários problemas de marcação e saída de bola hoje contra o Internacional no Beira Rio. Juninho falhou de novo, e não sei por que Muricy insiste em Richarlyson como lateral alinhado a dois zagueiros. Os meias e atacantes colorados, mais compactados, pressionaram volantes e laterais e foi depois de uma sequência de roubos de bola que o gol de Nilmar saiu aos 35 minutos. No ataque são-paulino, de novo com a dupla Dagoberto e Éder Luís, as finalizações não levavam perigo. (Aos 22 minutos, justiça seja feita, Dagoberto havia feito um gol de cabeça erradamente anulado.) No segundo tempo, o Inter continuou melhor, o São Paulo foi para cima; Alex e Andrezinho armaram contra-ataque e Nilmar matou o jogo. O São Paulo tentou, chutou, mas não ameaçou de verdade.
Um dos maiores equívocos da opinião esportiva – entrelaçado com bairrismo, ufanismo, clubismo e os outros “ismos” conhecidos – é tirar conclusões a partir de um jogo só. Na semana passada, por exemplo, o Palmeiras tinha perdido do São Paulo e críticas foram feitas à defesa, pois a dupla Jéci e Gladstone não parecia substituir Henrique e Gustavo à altura. Aí o Palmeiras ganhou bem do Fluminense e as “respostas” vieram. No mesmo jogo, Kléber deu uma de Alex Mineiro e fez dois gols de cabeça, o que para muitos foi uma prova de que ele poderia fazer sempre esse papel. Mas na partida seguinte, contra o Goiás, no último domingo, a zaga voltou a falhar e Kléber não marcou gol e ainda foi expulso... Subitamente os elogios foram esquecidos.
No vaivém de chutes, quem fica impedido é o entendimento de quais são os problemas concretos da equipe. A zaga realmente tem falhado, e a proteção de Pierre fez falta. No jogo contra o Fluminense, o reserva Sandro Silva, que marcou Thiago Neves e também avançou algumas vezes, cumpriu bem o trabalho de volante. Mesmo assim, no jogo contra o Goiás, quando o Palmeiras estava em desvantagem, Luxemburgo decidiu tirá-lo para deixar o time mais ofensivo – só que ficou mais exposto e sofreu o terceiro gol. Não é só por isso que o Palmeiras é irregular. A a irregularidade começa no futebol de seus jogadores mais importantes, Valdivia e Diego Souza – e essa irregularidade já tinha sido apontada por algumas pessoas nos melhores momentos do time no Paulistão. Certos consensos não têm consistência casual.
Leitura semelhante ocorreu com o São Paulo. Depois da vitória sobre o Palmeiras, a questão era como ele se viraria sem os gols e a referência de Borges. O time, porém, venceu com segurança o Vitória na casa do adversário, com gols de Éder Luís e Dagoberto. Logo trataram de aclamar o novo ataque. No domingo, no Morumbi, o time jogou mal – foi dominado territorialmente pelo Botafogo, que desperdiçou ao menos três chances claras – e Dagoberto fez gol no final graças a um passe adocicado de Jorge Wagner para a pequena área.
Qualquer pessoa sensata, portanto, vê que a dupla veloz pode funcionar contra times que dão espaço em contra-ataque, mas que na maioria dos jogos ela deixará a dever em pontaria. Muricy sabe, tanto que pôs Aloísio como homem de área antes da virada. O clube também sabe, tanto que contratou André Lima para disputar a posição. Ainda bem que nem todo mundo se deixa iludir por uma jornada de sucesso.
NEGÓCIO DA CHINA
Ronaldinho Gaúcho e seus representantes bem aprenderam a lição chinesa de converter crise em oportunidade e conseguiram uma dupla vitória: o jogador vai para o Milan, jogar ao lado de Kaká, Seedorf, Pirlo e Pato, e antes participará da Olimpíada. Na China, atuará com um time de talentosos jogadores, como o próprio Pato, mas, com o cancelamento de Robinho, será o único craque experiente. No melhor dos seus sonhos e dos patrocinadores, será o comandante dessa equipe sub-23 até a conquista inédita do ouro. Porém, como já tem presença garantida num grande clube europeu, poderá ser de novo o principal fiasco (como em 2000 e 2006). Estou com a torcida brasileira; quero que a primeira hipótese se realize. Mesmo que a imprensa já o esteja endeusando de novo, seu talento merece muito crédito.
22.07.08

Lendo na imprensa os perfis de Radovan Karadzic, o "açougueiro dos Bálcãs", criminoso de guerra sérvio, encontramos traços que são comuns a outros ditadores do século 20, como descrevi em texto sobre Stalin, Mao e Hitler. Médico e psicólogo, de infância triste ao lado da mãe, ele é poeta medíocre e nacionalista ferrenho, capaz de "racionalizar" a violência (os muçulmanos estavam sendo apenas estimulados a voltar para casa...) e pomposo a ponto de parecer ridículo. Sua prisão é motivo de comemoração para qualquer um com aversão a tiranias e racismos.
21.07.08

É curioso como a bossa nova é sempre lembrada como "tradução de época", como expressão de um período supostamente feliz e glamouroso em que o Brasil mostrou todo seu potencial para ser uma civilização-sem-os-problemas-da-civilização. Não resta dúvida de que 1958 foi um ano memorável, com o lançamento de João Gilberto, a consagração de Pelé na Suécia e todo um clima de otimismo em torno de Juscelino Kubitschek. E não resta dúvida de que as formas fluidas da bossa, do futebol-arte ou de Niemeyer foram e são influências poderosas, que marcam todos os criadores futuros por sua descontração, por sua leveza. Mas daí a encaixotar tudo num bloco unívoco, envelopado por nostalgia, é injusto até com eles mesmos. Uma civilização não se sustenta apenas em chavões sobre alegria, tão caros a políticos oligárquicos e narradores esportivos, ou em teses intelectuais sobre o "lado bom da cordialidade" e as vantagens inerentes à mistura racial.
Foi visitando a Rússia em 1999, dez anos depois da queda do Muro de Berlim, que me dei conta de que eles não têm uma memória de democracia - foram séculos de absolutismo e décadas de totalitarismo - e nós, brasileiros, temos, em boa parte dominada pelos anos JK. Por isso, democracia e identidade nacional são palavras que para os russos têm sido contaminadas, confundidas com corrupção e desagregação. A democracia brasileira pós-1985 também está carregada desses problemas, mas a existência de referências anteriores ao regime militar é muito importante, até mesmo para que se cobre grandeza parecida. Isso tudo não significa, porém, que seja bom esquecer os problemas da época, caindo numa mitificação generalizada, e que seja correto associar essas manifestações criativas a um governo específico ou a um ou outro ano específico (1956, afinal, teve obras-primas literárias que 1958 não teve, como as de Guimarães Rosa e João Cabral).
Já escrevi que um dos aspectos mais interessantes da bossa nova, e que o livro clássico de Ruy Castro deixa claro, é que ela nunca foi um "movimento", ou seja, algo que um grupo de pessoas deliberou criar e divulgar para espantar os burgueses ou lançar um projeto de sociedade. Ainda bem. Ela tem influência óbvia da música americana, especialmente de Gershwin e do cool jazz, e ao mesmo tempo pertence medularmente à tradição da canção brasileira, como renovação do samba e até do choro. Logo, é "antropofágica", por ter deglutido uma influência e a devolvido de modo diferente - tanto que muitos jovens músicos, como Brad Mehldau, Stacey Kent ou Esperanza Spalding, veneram a MPB -, mas jamais precisou fazer proselitismo sobre Pindorama, essa terra livre da lógica repressiva dos europeus. Ao contrário de seus admiradores e seguidores, não confundiu arte e sociologia.
Eles também jamais falaram em "ruptura" com a tradição. Ao contrário. João Gilberto é um incansável repetidor das canções dos anos 30 e 40, que reinventa por um meticuloso exercício de aproximações harmônicas e rítmicas, e sempre reverenciou a arte de Orlando Silva, Mário Reis e outros intérpretes precursores. O ídolo maior de Tom Jobim sempre foi Villa-Lobos, tanto o autor de modinhas e valsas quanto o autor de obras orquestrais inspiradas em Bach ou Stravinski. Não só a bossa nova, mas muitas daquelas criações associadas a 1958 são produto de buscas e façanhas realizadas desde os tempos do primeiro Getúlio Vargas, quando samba, futebol e o pensamento de Gilberto Freyre foram incorporados a uma política de Estado. No entanto, surgiram num contexto de uma sociedade mais independente e aberta. JK, afinal, não gostava de João Gilberto, mas de uma toada do folclore mineiro, Peixe Vivo.
Por sinal, João Gilberto sozinho é o melhor antídoto às reduções essencialistas da cultura brasileira, que seria "barroca" ou "dionisíaca" por definição, de Aleijadinho a Glauber, de Gregório de Mattos a Zé Celso. Felizmente a cultura brasileira é mais do que isso e João Gilberto fez na canção o que João Cabral fez na poesia: um trabalho de rigor, de concisão, de uma disciplina tão cultivada que torna ainda mais emocionante aquilo que outros estragam com o esparramar sentimental. E nisso eles tiveram muitos antecessores, como Machado, Drummond e Graciliano. Todos os grandes criadores brasileiros, na realidade, não cabem nessa "verdade tropical" de que a estética nacional se divide em partidários da expressão contra advogados da construção. Todos mesclam doses de ambas, mas sem acreditar no "hibridismo" fácil hoje tão em moda.
A bossa nova também poderia ser tradução de uma época no mau sentido, com suas letras ingênuas, cantadas pela juventude alienada da cidade maravilhosa - e talvez características de uma época que nutria ilusões como a de que a transferência da capital fosse puxar o desenvolvimento para o interior e ao mesmo tempo não preparava o país para o futuro ampliando a educação pública, o planejamento familiar, a distribuição agrária e o liberalismo produtivo. Mas isso seria extremamente injusto, porque arte não tem compromisso ideológico e as letras da bossa eram simplórias por uma procura de swing e simplicidade; tanto é que depois, com Chico Buarque e outros, ganhou uma sofisticação verbal comparável à harmônica. Quem acha o estilo "easy listening" ou "nhem-nhem" é porque não tem ouvido privilegiado ou escutou as gravações erradas. É o mesmo que não se dar conta da consciência tática da seleção de 1958.
Não há nada de errado em querer que o Brasil seja uma "civilização tropical", que tenha um norte a perseguir a partir de uma história em grande parte fabricada - como os EUA fizeram ao dotar a natureza de passado e projetar um futuro ao qual chegaram diligentemente, embora não sem traumas. Sim, nacionalidades precisam de mitos, de metáforas aglutinadoras. Mais fundamental, no entanto, é revê-los em face da realidade, sempre em transformação, até para que tenham uma chance. O Brasil suave dos mitólogos (ou mitômanos) não confere com o noticiário sobre crimes, máfias e injustiças; ao mesmo tempo, não é o apocalipse que espancadores retratam. A bossa nova deve ser circunscrita ao primeiro mundo das artes, porque só a partir dali poderá ser entendida como uma inspiração de "doçura e luz", sempre a desafinar das doutrinas e das hierarquias que tentam lhe impor.
("Sinopse")
20.07.08
O Botafogo foi superior ao São Paulo em boa parte do jogo no Morumbi, mas falhou nas finalizações. Muricy, com desfalques, entrou no 4-4-2 com dois laterais que pouco jogaram, Éder e Alex Cazumba, e o time não conseguiu conter a troca de passes entre Lúcio Flávio, Jorge Henrique e Zé Carlos em sua intermediária. Mas o Botafogo não sabe ser incisivo, e o centroavante Wellington Paulista deixa a desejar. O São Paulo, de volta ao 3-5-2, conseguiu a virada no final, mais uma vez em jogada que nasceu dos pés de Jorge Wagner. Agora o problema maior será encarar a ausência de Alex Silva e Hernanes.
No jogo anterior, o Palmeiras mostrou mais uma vez a irregularidade de seus jogadores, como é comum quando atua fora de casa. O Goiás é limitado, mas a defesa palmeirense - sem Elder Granja - e o futebol de novo opaco de Valdívia e Diego Souza - além do fato de que Luxemburgo retirou Sandro Silva, único jogador de marcação no meio, expondo o time - custaram a derrota. Como no jogo de São Paulo e Botafogo, os lances de técnica e inteligência foram raros.
19.07.08
Fiz em 1994 uma entrevista com Dercy Gonçalves, que morreu hoje aos 101 anos (ou 103, porque levou dois anos para ser registrada), e a partir dali passei a gostar mais dela do que já gostava. Sei de gente que ainda se chocava com aquela velhinha agitada falando palavrões, como se ela fosse apenas isso, mas Dercy tinha uma carreira única, na linha "Theda Bara sem trepar" (sic), e era a última representante da era do teatro de revista e do cinema de chanchada, tão ingênua e desaforada ao mesmo tempo. "Eu sou livre", me disse ela. "Não tem outra igual a mim. Ninguém tem mais moral que eu. E não falo para me acomodar: eu sou mesmo livre." Rainha dos improvisos safados, ela tirava seu humor do fato de que dizia aquilo que em determinados momentos todos querem dizer, mas não têm coragem. Era uma estrela às avessas.

Li muitos dos livros de ficção recém-lançados com grande alarde por causa de eventos como a Flip – livros de David Sedaris, Ingo Schulze, João Gilberto Noll, Richard Price e outros. Mas nenhum substitui uma página de uma novela sem grandes pretensões de Philip Roth como Fantasma Sai de Cena (Companhia das Letras, tradução de Paulo Henriques Britto), que comentei quando publicada em inglês (Exit Ghost). É o último livro com Nathan Zuckerman, o famoso escritor alter ego de Roth, que aqui é um sujeito que decide morar em Nova York de novo depois de muitos anos, aparentemente pela atração que sente por duas mulheres, e acaba vendo na cidade os vultos conradianos do passado (Roth releu todo o Conrad antes de escrever a história).
Há mais uma vez aquela mistura única de descrição com ensaio – comentários que vão das canções de Richard Strauss aos textos de George Plimpton sobre beisebol – e não é difícil ouvir a própria voz do autor na de Amy, quando ela escreve que “a literatura foi expulsa como influência séria sobre a percepção da vida”, criticando o jornalismo cultural que só trata de celebridades, leva a sério cursos de “redação criativa” e ignora que a ficção “requer pensamento”. Poucos escritores influenciam minha percepção da vida tanto quanto Roth.
Outra decepção é o mais recente livro de J.M. Coetzee, Diário de Um Ano Ruim (Companhia das Letras, tradução de José Rubens Siqueira). Coetzee, autor do ótimo Desonra, também tenta aproximar ensaio e narrativa, mas de modo sistemático: seus artigos sobre democracia, música e religião correm pelo alto das páginas, enquanto no rodapé se desenrola uma história narrada por uma imigrante filipina; a idéia é contrapor a racionalização liberal sobre o mundo moderno e o testemunho pessoal sobre suas crueldades. Mas o problema é que, considerando cada parte isoladamente, temos uma coletânea de artigos ingênuos sotoposta por um conto sem muita imaginação, como o próprio Coetzee reconhece ao comparar sua fase com García Márquez.
18.07.08
Nas últimas semanas peguei na locadora DVDs de filmes que não tive tempo de assistir no cinema ou em festivais. Nada me encantou realmente, mas há coisas interessantes:
A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck - Um bom filme, que conta a história de um dramaturgo que tem relações com o governo da Alemanha Oriental nos anos 80 e aos poucos vê amigos e a mulher sofrerem com a patrulha da Stasi. As melhores cenas são as que mostram a degradação da atriz que se submete ao burocrata. Mas terminei com a sensação de já ter visto filme assim algumas vezes.
Não Estou Lá, de Todd Haynes - Não sei se a heterodoxa biografia de Bob Dylan chegou a entrar no circuito comercial brasileiro, então o DVD é ótima oportunidade. Acho muito boa a sacada de contar a vida dele por distintos atores - inclusive Cate Blanchett - que assumem nomes de pessoas que foram influentes na vida de Dylan. Vemos um sujeito que pode ser grosseiro ou embarcar em crenças furadas, mas que é acima de tudo um grande artista, com inteligência acima da média de seu meio, e que como tal tenta escapar às máscaras que tentam colar nele para sempre. Pena que o recurso narrativo canse com o passar do filme.
Sweeney Todd, de Tim Burton - Admiro muito o trabalho pop-gótico de Tim Burton, principalmente em parceria com Johnny Depp e Helena Bonham-Carter. E admiro mais ainda os musicais de Stephen Sondheim, das letras de West Side Story até Passion, etc. Mas o filme é lento em vez de denso, e se arrasta em vez de nos arrastar. As boas atuações não compensam os cantos limitados. Curiosamente, escapou a Burton o tom farsesco do musical, seu humor negro.
Kymera, de Paul Auster - Fraquinho. É como um conto ruim de Auster, cheio de situações e diálogos que se acham mais inteligentes do que são. Desde o início percebemos a identidade da personagem de Irene Jacob que aparece no retiro de um escritor. Nem mesmo a tentativa de momentos eróticos sustenta o espectador.
Elizabeth - A Era de Ouro, de Shekar Kapur - Muitos disseram que o filme vale pela atuação de Cate Blanchett e pelo visual. Blanchett realmente é uma grande atriz (e linda, se bem que aí as mulheres falam do Clive Owen), mas o filme é vazio. A única idéia - mostrar que a rainha é condenada a não viver sua paixão - não se materializa em imagens. Mesmo com os deleites visuais, logo nos desligamos da história.
17.07.08
O Palmeiras jogou muito bem contra o Fluminense ontem no Palestra, lembrando o time de alguns jogos no Paulista. Os alas foram bem, especialmente Leandro; Diego Souza perdeu dois gols no cara-a-cara, mas jogou muito; Sandro Silva fez o papel de Pierre, mostrando também qualidade no apoio; Kléber encarnou Alex Mineiro, com dois gols de cabeça e a vantagem de correr mais. Valdívia começou bem, buscando o gol, mas depois apareceu menos. O Fluminense ora ficava muito atrás ora contra-atacava expondo-se demais, e jogadores como Dodô mal pegaram na bola. A principal diferença tática é que os meias do Fluminense, Conca e Thiago Neves, não roubam bola, e no Palmeiras até Denílson voltou para ajudar. É a diferença entre um time ofensivo com equilíbrio e outro que ao atacar deixa de ser compacto.
Quem também superou seus problemas pelo menos no jogo de ontem foi o São Paulo, que venceu o Vitória em sua casa. Dagoberto desta vez acertou a finalização, e o terceiro gol, de Éder Luís, foi um belo arranque no contra-ataque, mostrando que ele é mais atacante do que meia. Aos poucos o time volta a jogar ao modo consistente do ano passado, com velocidade à frente. Grêmio e Vitória, aparentemente, começam a ceder posições no alto da tabela.
Daniel Piza é colunista de O Estado de S.Paulo. Site: www.danielpiza.com.br
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