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07.12.06
Desde as 154 mortes na queda do jato da Gol que Fernando Gabeira dedica algumas horas de seu dia a investigar o apagão aéreo e procurar soluções. Ele acha que a situação é tão feia que “nem vale à pena falar mal do Waldir Pires (ministro da Defesa) ou de outras autoridades. Esse é um problema para o presidente resolver. Nós temos de nos ocupar de questões que podemos resolver,” disse ele em entrevista ao blogue.
Gabeira acha que a missão imediata é ajudar governo e empresas aéreas a enfrentar as turbulências de fim de ano, quando o tradicional caos relativo pode se transformar num inferno absoluto. “Imagine a confusão normal de fim de ano somada à desorganização que já temos hoje,” diz. Para Gabeira, o governo tem sua responsabilidade para reorganizar os vôos e horários mas empresas aéreas devem ser chamadas a contribuir para amenizar o sofrimento dos passageiros. Como?
“No aeroporto, o poder está no microfone. O passageiro precisa receber informação, sempre. O problema de todo mundo nessa hora é saber o que aconteceu com seu vôo. Se atrasou, quando vai sair. Se foi cancelado, quando haverá uma substituição. Em caso de imprevistos, quais são seus direitos. Até hoje, essa informação é controlada por uma visão militar, de quem acha que as pessoas não precisam saber de nada. E elas precisam saber de tudo.”
Outra idéia é criar serviços nos aeroportos para evitar a tensão e o desgaste nas muitas horas de espera que, em alguns casos, são previsíveis e inevitáveis – seja em Guarulhos ou em Cingapura. “As empresas aéreas precisam oferecer serviços para as crianças. E poderiam oferecer projeção de filmes e mesmo alimentação para os passageiros com bilhete comprado. O que não dá é para deixar todo mundo no abandono, como se ninguém tivesse responsabilidade por nada. ”
Confesso que, ao ouvir essas sugestões, pensei, no início, que o Gabeira estivesse fora da realidade. Mas acho que ele é que está sendo realista -- e que esta discussão, urgente, pode evitar um duplo inferno.
Paulo Moreira Leite é repórter do Estado de S.Paulo. Foi redator chefe de VEJA, diretor de redação da Época, correspondente em Paris e Washington.
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