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10.11.09
A relatora especial da ONU para o direito à moradia, a brasileira Raquel Rolnik, passou 18 dias em sete cidades dos Estados Unidos e encontrou uma situação digna de terceiro mundo. “Fiquei assustada com a situação da moradia nos Estados Unidos”, disse Raquel, que também é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Ela já vinha pesquisando o problema da moradia nos EUA há tempos e esperava se deparar com os estragos da crise das hipotecas subprime. Mas encontrou coisa pior: gente morando em carros, muitos moradores de ruas em “cidades de barracas”, famílias inteiras sem-teto, apartamentos superlotados, com três famílias. “É muito difícil achar moradia acessível, as pessoas estão gastando 80%, 90% da renda com aluguel ou parcela do financiamento”, disse Raquel. “Quando a crise chegou, grande parte da moradia pública tinha sido demolida e não foi substituída em números suficientes.”
Ela esteve em Washington, Nova York, Wilkes-Barre, Chicago, New Orleans, Los Angeles e na reserva indígena Pine Ridge.
A ONU tenta desde 2005 enviar um relator para a moradia para os EUA, mas vinha sendo ignorada pelo governo Bush. Só agora, no governo Obama, mais aberto à atuação de instituições multilaterais como a ONU, é que a relatora recebeu sinal verde.
A direita americana esperneou. Um editorial do jornal conservador Washington Times disse que a visita de Raquel era parte da “usurpação gradual da soberania americana.”e perguntava porque ela não ia pesquisar a moradia no Brasil
“Ela deveria voltar para o lugar de onde saiu”, dizia o editorial. “A culpa burocrática de Miss Rolnik deveria ser dirigida ao Brasil, onde 28,9% da população urbana vive em favelas.”
“É claro que de forma absoluta, o problema da moradia é mais grave nos países em desenvolvimento”, disse Raquel. “Mas, de forma relativa, é igual - nos EUA, são milhões de pessoas sem acesso à moradia, no país mais rico do planeta.”
A relatora da ONU diz ser muito difícil comparar Brasil e EUA. Os EUA tiveram, por muitos anos, uma política de moradia abrangente, que foi sendo desmantelado desde o governo Reagan. O país está em uma trajetória descendente, só amenizada por algumas medidas recentes do governo Obama, ela diz.
Já o Brasil, explica Raquel, nunca deve uma política de moradia popular em grande escala. Eram sempre iniciativas da própria população – favelas, loteamentos irregulares – que então eram substituídas por COHABs ou Cingapuras, mas em escala muito menor.
Raquel está preparando um relatório sobre tudo o que viu nos EUA. Ela visitou projetos de habitação do governo, bairros com muitas casas em execução de hipoteca, locais onde se concentram moradores de rua e as chamadas tent-cities, que reunem sem-teto em barracas. Também promoveu assembléias com moradores e reuniu-se com representantes de ONGs, além de integrantes do governo Obama. Em março, ela apresenta seu relatório diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Comentários:
Comentário de: Kanko [Visitante]
10.11.09 @ 13:42
Ou seja, todo mundo tem um bode na sala, mas nem todos os bodes podem ser removidos, e o pré bode deles era melhor do que o nosso.Deixem o bode onde está pelo menos sabemos de onde vem o fedor.
Comentário de: Fagner Morais [Visitante]
10.11.09 @ 14:37Sem querer ser chato, mas, já sendo, o correto é COHAB - Companhia Metropolitana de Habitação.
Gostei do texto.
Abraços.
Comentário de: patricia [Membro]
10.11.09 @ 17:57Obrigada Fagner. corrigi lá.
Comentário de: Jonilda [Visitante]
10.11.09 @ 19:57Se vc pesquisar foram pedidas milhoes de patentes no ~novo mundo~. O que o resto faz e pq. Para discriminar. O terceiro mundo nao e chegado a patentes, nem sabe o que e. E comum europeu lancar descascador e manga. Varias patentes. Entao vamo s levantar a bola de gente que e e que faz . E facil uma ideologia contagiar, mesmo aos ignorantes, nao sou nazista issso nao me pegou mas sempre fui meio ingles. Se ir vir u;ma maquina, gosto de criar o desenvolviemento.
Mas no terceiro mundo o nome disso e loucura, ninguem cria nada. Fui pego pela ideologia criativa da pos revolucao industrial. Somos loucos, nao somos europeus.
Comentário de: Carlos [Visitante]
10.11.09 @ 20:06Pq nao fazem o que o PT fez no brasil, uma analisee de tendencias, e trabalham, manipulando, facam o que chamam marketing, podemos ter hoje em dia as tendencias e consequentemente qual comportamento adotar, e manipular cientificamente. A ciencia politica identifica ate origem genetica dos envolvidos. O que chama a atencao e que tenho livros que tracam a origem de cada um dos envolvidos no processo politico, com parentesco e ascendencia. Sera que a democracia americana e tao natural, se no brasil eu posso saber quem foi o pai ou avo e ate bisavo de um politico. A ciencia politica pode manipular e muito bem. Nao e feita de gangsters ou opiniao publica.
Empresas de marketing podem manipular o resultado das questoes publicas, e ai, eu pergunto.
Comentário de: Jail [Visitante]
10.11.09 @ 20:21Quando eu ainda era adolescente percebi que eu nao era nenhum trouxa.. Tinha a minha propria maquina de escrever, tinha lido romances de 500 paginas por obrigacao, e filosofia, livros herdados da minha mae, que estudou na Faculdade Nacional do Rio. Mesmo em 80 seria dificil engolir essa ladainha. A revolucao industrial ensinou para mim que nos podemos diminuir o esforco, agilijar, atraves da criatividade. Vamos trabalhar metade do tempo tara produzir e nunca usar o tempo que sobrou para fazer mais, e mais, e mais. E ai cheguei a conclusao, estou fora desse mundo.
Comentário de: jairo [Visitante]
11.11.09 @ 09:13Os Estados Unidos escondem a sujeira debaixo do tapete, isto cria várias bolhas comprimidas dentro do País, de vez em quando estoura uma bolhinha desta, no furacão Katrina, estourou uma, em New Orleans, e quando se mostrou ao mundo aquela quantidade de pessoas desalojadas, e em condições precárias, o mundo não acreditou que aquelas cenas estariam acontecendo nos USA, e sim no Haiti talvez, e em outros casos, já tivemos o quebra quebra em Los Angeles, então existe mesmo um USA dentro de outro USA, sendo problemas socio-econômico, diretamente relacionado com segregação racial, quanto aos negros e quanto aos Latinos, e também muito forte aos islâmicos, que acabam por gerar uma camada social com menos oportunidades.
Comentário de: Abgail [Visitante]
11.11.09 @ 13:11Bom silogismo kanko. Ja saimos do regime.
Comentário de: Niltao [Visitante]
11.11.09 @ 19:13A gente ja sabe que ha perrengues em todo lugar inclusive EUA. O proprio consumismo americano, a forma de comprar que atraves do credito e igual aqui Brasil. Nao admira teram quebrado pois na mao de politicos sempre existe a possibilidade. Mas os politicos e a politica sempre da mais para os necessitados mesmo nao tendo recursos. Ai um ponto a favor da politica pois dividir o bolo nao e facil.
Comentário de: Roberto [Visitante] · http://dialogodepedras.blogspot.com/
11.11.09 @ 23:12Pois é! Todos os países tem seus respectivos "apagões".
Nos EUA, grande parcela da populações foi enganada pelos especuladores dos grandes bancos. Os bancos foram socorridos pelo Governo Federal, mas quem comprou esses imóveis, foram socorridos?
Miséria existem em todo mundo, mas contemplar isso no país mais rico do mundo, incomoda e muito.
Comentário de: Anna H. [Visitante]
12.11.09 @ 13:46Eu queria que ela passasse uns dias em Bruxelas e visse as espeluncas desta cidade, verdadeiras favelas verticais, nada devendo ao terceiro-mundo... Piores que os cortiços da velha Sao Paulo. Prefiro a pobreza nos Estados Unidos que em alguns países europeus, viu ? E os ônibus e tramways ? Sujos de urina e cocô (sorry, escapou), o povo vomita e escarra em qualquer canto, bêbados e drogados desmaiando nos bancos, o inferno de Dante ao vivo. Venha ver, dona Raquel, venha !
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Patrícia Campos Mello é correspondente do Estadão em Washington desde 2006. Ela cobriu toda a campanha que culminou na eleição de Barack Obama, em 2008, e passou um mês no Afeganistão "embedded" com as tropas americanas. Patrícia é formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo e tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. Ela é autora de dois livros: "O mundo tem medo da China", editora Mostarda, e "Índia - da Miséria à Potência", editora Planeta.
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