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21.07.08

Link permanente New Yorker na lista negra
por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs s 12:39:18.

A campanha do Obama vetou um repórter da revista New Yorker que queria acompanhar o candidato no giro Europa-Oriente-Médio. Segundo o jornal inglês The Guardian, o repórter Ryan Lizza, da sucursal da New Yorker em Washington, não conseguiu uma vaga no avião de Obama, que está levando 50 jornalistas.

Na semana passada, a revista saiu com uma capa que "desagradou" a campanha do Obama, para usar um eufemismo. A capa mostra o candidato e sua mulher, Michelle, vestidos de terroristas muçulmanos no Salão Oval. Obama aparece de turbante e vestimentas árabes, fazendo o “cumprimento terrorista” com uma Michelle de cabelo black power e metralhadora AK-47 no ombro. O potencial primeiro-casal é retratado em um Salão Oval onde uma bandeira americana queima na lareira e uma foto de Osama Bin Laden está pendurada na parede. Segundo a revista, o objetivo da ilustração, chamada de “A política do medo”, era fazer uma sátira sobre os boatos que a direita espalha sobre Obama. “A capa satiriza as táticas do medo e desinformação usadas na eleição para desestabilizar a campanha de Barack Obama”, dizia um comunicado à imprensa.

Mas a campanha de Obama não achou nenhuma graça na piada. Bill Burton, um dos porta-vozes da campanha, divulgou o seguinte comunicado. “A revista New Yorker pode achar, como uma pessoa da equipe deles nos explicou, que essa capa é uma crítica humorística da caricatura do senador Obama que a direita tenta criar. Mas a maioria dos leitores vai encara esta capa como uma coisa de mau gosto e ofensiva. E nós concordamos.”

A campanha do Obama argumenta que simplesmente não tinha lugar para o jornalista da New Yorker no avião. Uma blogger do Huffington Post, Rachel Sklar, aponta para o perigo desse tipo de retaliação contra coberturas negativas. Olho por olho, dente por dente. Se já estava difícil conseguir acesso à campanha, agora então...

 


19.07.08

Link permanente O vip do vip
por Patricia Campos Mello, Seção: Estados Unidos s 18:50:55.

Mais de 200 jornalistas tentaram garantir uma vaga no giro Europa-Oriente-Médio do candidato superstar Barack Obama. Só 50 conseguiram. Isso porque a viagem de cinco dias vai sair por pelo menos US$ 15 mil para cada jornalista, segundo informou a campanha. Isso não inclui Afeganistão e Iraque, por onde o senador passa neste final de semana - lá, por motivos de segurança, não haverá essa entourage jornalística.

 


15.07.08

Link permanente Mudança nos comentários
por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs s 18:34:15.

Caros leitores
Como vocês perceberam, mudou o sistema de comentários dos blogs. Isso ocorreu por causa das eleições. É preciso verificar antes se há algo nos comentários que vá contra a lei eleitoral, por isso eles não são exibidos imediatamente, como antes. Peço paciência para vocês e aceito sugestões!
um abraço
Patrícia

 


11.07.08

Link permanente Com amigos como esses.....
por Patricia Campos Mello, Seção: Estados Unidos s 20:11:02.

Esse negócio de "surrogate" é arriscadíssimo. Como os candidatos precisam estar na mídia 24 horas por dia, eles têm vários "surrogates" para representá-los - no caso do McCain, tem a Carly Fiorina e o Phil Gramm falando de economia, o senador Lindsey Graham, o senador Joe Lieberman, e o ex-secretário da Marinha John Lehman falam de Defesa, e por aí vai. O problema é que, vira e mexe, esses representantes tropeçam. O Phil Gramm falou numa entrevista para o Washington Times que os Estados Unidos são uma "nação de reclamões" e que o país vive uma "recessão mental", ou seja, a crise é mais psicológica. Bom, vocês imaginam a gritaria na América Profunda e outros rincões atingidos pela crise de hipotecas e o fechamento de fábricas. A campanha do Obama fez a festa.

No caso do Obama, o boca grande foi o reverendo Jesse Jackson, que é amigo da família e cujo filho trabalha na campanha. Sem saber que o microfone da Fox News (tinha que ser) estava ligado, ele falou que tinha vontade de "cortar as bolas" do Obama quando ele ficava dando lição de moral para os negros (ele falou sobre as responsabilidade que os pais devem ter na educação dos filhos).

Imagine se ele não fosse amigo do Obama.

Falando em gafes com microfone ligado, o Bush (George W) teve uma excelente - durante a campanha de 2000, em um comício, ele avistou um repórter do The New York Times e comentou com o Dick Cheney - "aquele é o fulano do The New York Times, um 'major-league asshole' (difícil tradução, mas algo como um babaca de marca maior, com um linguajar menos elegante).

 


06.07.08

Link permanente Reality show canino
por Patricia Campos Mello, Seção: Variedades s 13:58:04.

Desculpe a recaída, mas preciso voltar aos assuntos caninos que adoro.

Estréia nesta semana um "American Idol" de cachorro aqui nos Estados Unidos. O programa vai se chamar "The greatest American dog" e mostra 12 cachorros de raças diferentes competindo em várias tarefas, ou seja, um reality show canino. Tem um maltês, um schnauzer, um vira-lata, um Russell Terrier, um Boston terrier, um pointer, um boxer, um border collie.

Neste país apaixonado por cães, a CBS aposta em Ibope recorde.

Aproveitando o assunto pets, queria falar de um livro que acaba de sair aí no Brasil "Os Segredos dos Gatos", de Alexandre Rossi e Paula Itikawa. Alexandre escreveu "Adestramento Inteligente", um livro sensacional para educar seu cão. Agora ele mergulha em um desafio - entender os gatos. Promete ensinar o felino a dar a pata e até miar sob comando. Uau.

Teresa e seu Border Collie Leroy, que vão participar do "The greatest American dog"

 


04.07.08

Link permanente Petróleo a US$ 140 - a necessidade é mãe da criatividade
por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs s 15:34:35.

Cerca de 17 mil funcionários do governo do estado de Utah vão começar a trabalhar de segunda a quinta no mês que vem, para economizar gasolina. Na cidade de Nova York, os congestionamentos caíram pela primeira vez em anos. Quem quiser se livrar de sua caminhonete agora e comprar um carro mais econômico vai perder pelo menos 20% do valor de mercado do automóvel. Lojas de colchões e móveis estão oferecendo dois tanques cheios de brinde com qualquer compra. E por aí vai.

É impressionante como os preços recorde da gasolina estão mudando os hábitos dos americanos.Será que a solução virá na queda da demanda americana, em vez de ajuste na oferta, ou o crescimento do uso de combustíveis na China e Índia vai anular esses ganhos?

PS1 - Morreu hoje o ex-senador Jesse Helms, arauto da extrema direita americana, grande defensor do embargo a Cuba, opositor dos direitos dos negors e homossexuais. Nos obituários na TV, a palavra "controverso" é a mais ouvida. Haja eufemismo.

 


26.06.08

Link permanente A internets, esta desconhecida
por Patricia Campos Mello, Seção: Estados Unidos s 15:15:18.

O candidato republicano John McCain confessa ser um "analfabeto" em computadores e diz depender de sua mulher, Cindy, para navegar na internet. Cindy, em contrapartida, não larga do Blackberry um minuto.

Obama é outro Crackberry, que outro dia quase bateu num poste enquanto checava seu e-mail. Segundo sua assessoria, ele sempre leva seu laptop na campanha e conversa com as filhas pela internet. Isso sem falar no site dele, o Facebook do Obama, que é um fenômeno em organização de voluntários e arrecadação de recursos.

Será que um presidente precisa ser um expert em internet? Ou pelo menos saber googlar?
O presidente W., por exemplo, é autor da famosa gafe, seu momento Mussum - chamou a internet de "internets".

 


24.06.08

Link permanente Crise dos alimentos pode ressuscitar Doha
por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs s 13:19:08.

A inflação mundial de alimentos pode ser uma oportunidade para tirar a rodada Doha da UTI.

Essa é a opinião de Jagdish Bhagwati, economista indiano que cunhou o termo “tigela de espaguete” para o emaranhado de acordos bilaterais que está atravancando o comércio mundial, e Arvind Panagariya, também professor da Columbia e ex-economista chefe do Asian Development Bank.

Em artigo no Financial Times, eles apontam um dos únicos efeitos positivos da alta generalizada dos preços dos alimentos. Com a alta dos preços agricolas, o volume de subsídios agrícolas nos EUA vai cair, já que esses recursos são inversamente proporcionais aos preços. Portanto, apesar de os EUA terem aprovado mais uma Lei Agrícola horrenda, o alto nível dos preços vai acabar reduzindo o volume de subsídios.

E como os preços não devem cair tão cedo, os EUA deveriam ficar mais abertos a um compromisso com redução de subsídios. Em tese, pelo menos. Isso, em contrapartida, iria “amolecer” a posição de países como a Índia, que se opõem terminantemente à retirada do apoio a seus agricultores.

Não sei se isso vai para frente. Mas é bem melhor do que a última gafe do presidente George W Bush, que creditou a inflação de alimentos ao maior consumo de proteínas em países emergentes como Índia e China. Em parte, é verdade. Mas a habitual falta de jeito de W. não ajudou. Indianos, irritados, apontaram para a obesidade dos americanos – se eles fossem magros como os indianos, comessem menos, certamente não haveria inflação de alimentos, disse um pesquisador indiano.

 


15.06.08

Link permanente Fênix está chegando
por Patricia Campos Mello, Seção: BRICs, Estados Unidos s 11:41:37.

No fim do ano passado, antes de as primárias começarem, escrevi um post sobre McCain, cuja campanha estava moribunda.

"É uma pena, mas dificilmente John McCain vai ganhar a indicação do partido Republicano. Mc Cain é, de longe, o mais qualificado e razoável dos republicanos para ser candidato a presidente."

Terminei dizendo que McCain poderia ter seu momento Lázaro e que todos estávamos errados, como sói acontecer.

Não deu outra.

Na semana passada, passei três dias no ônibus da campanha de McCain, o "Expresso Conversa Franca", e em seu avião, um Embraer 190.

McCain falou do Brasil - reforçou mais uma vez sua oposição aos subsídios ao etanol de milho, apontou que o milho está na raiz da inflação de alimentos, e apoiou a eliminação da tarifa sobre o etanol brasileiro. Ou seja, pelo menos economicamente, uma pessoa sensata (não vou entrar agora no mérito da guerra do Iraque).

Achei curioso saber que o apelido de McCain, dentro do serviço secreto, é Fênix. Obviamente, por causa da capital do Arizona, estado pelo qual ele se elegeu senador. Mas podia ser por sua capacidade de renascer das cinzas (cinco anos de tortura em Hanói, não consegue pentear o cabelo sozinho, manca) e ressuscitar sua campanha (em julho de 2007, ninguém achava que ele seria o indicado).

Agora, a real manobra Fênix seria vencer a eleição.

Neste ano onde tudo favorece os democratas, e a guerra do Iraque e o presidente Bush têm rejeição histórica, vai ser difícil até para o Lázaro McCain.
Foto: Patrícia Campos Mello

 


09.06.08

Link permanente Tradição, Família e Propriedade - modelo exportação
por Patricia Campos Mello, Seção: Estados Unidos s 17:59:13.

Fala-se muito de exportações brasileiras para os EUA: laranja, etanol sobretaxado, modelos da Victoria Secret's, manicures excelentes, Fogo de Chão, software de segurança, tecnologia para eleições, sapatos, toalhas, e por aí vai.

Mas outro dia me deparei com um produto de exportação inusitado, por assim dizer. Abro o The New York Times e lá estão duas páginas de anúncio da subsidiária norte-americana da Tradição Família e Propriedade (The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, criada em 1973 seguindo os preceitos de Plínio Corrêa de Oliveira, conforme explica o site da instituição).

O anúncio do NYT vem com um título em letras garrafais - "A batalha pela alma americana - como o "casamento " (aspas deles) homossexual ameaça nossa nação e nossa fé - a TFP convoca todos à resistência" .

O motivo do anúncio foi a aprovação do casamento gay pelo Tribunal Supremo da Califórnia, no dia 15 de maio, e a promessa do governador de NY, David Patterson, de reconhecer casamentos gays realizados em outros estados.

Foi demais pro pessoal da TFP gringa.

"A aceitação do casamento entre indivíduos do mesmo sexo é incompatível com o cristianismo", diz o anúncio, e cita vários preceitos católicos e trechos da Bíblia e de encíclicas papais.

"A legalização das uniões homossexuais enfraquece a moral pública e privada"

"Católicos têm a obrigação de se opor ao casamento gay"

"Somos contra a revolução moral homossexual"

"A legalização do casamento homossexual é um pecado que pode gerar punição contra o nosso país " (com ecos de Jerry Falwell dizendo que o 11 de setembro tinha sido punição divina contra lésbicas, gays, e a imoralidade do país).

Ou seja, temos também "intolerância" na nossa pauta de exportação. Que puxa, como diria o Charlie Brown!

Previsão do tempo

No The New York Times de hoje de manhã estava lá a previsão para Washington - oppressive heat (calor opressivo). E não é que era um eufemismo? Hoje estava 36 graus centígrados, mas a sensação térmica era de 40 graus.

 


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Patrícia Campos Mello tem mestrado em Business e Economic Reporting pela New York University. É correspondente do Estadão em Washington.





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