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11.09.09
O caso Piquet/Briatore, muito mais do que a necessidade do piloto e de seu pai em dar o troco no chefão da Renault pela demissão de Nelsinho após o GP da Hungria deste ano, coloca em xeque manobras outras nas pistas que todos nós já vimos ao longo na última década na Fórmula 1. Uma trombada aqui, uma derrapada ali, tudo hoje pode ter sido armado para favorecer esse ou aquele piloto. Qualquer acidente suspeito descerá a credibilidade da categoria. É contra isso que a FIA luta, e tentará provar nos tribunais que a batida deliberada de Nelsinho Piquet em Cingapura para favorecer Fernando Alonso foi uma manobra única em instante de loucura e desespero dos comandantes da Renault e do próprio corredor brasileiro. Por tudo que li nesses últimos dias, Briatore deverá ser banido da F-1, Nelsinho Piquet, excluído para sempre da categoria, mas a equipe manterá seus carros nos grids, se quiser, claro. A Nelsinho, o brasileiro envolvido, os maiores pesares. Como Rubinho disse ontem, se ele aceitou fazer isso, como confessou em relato, não serve para ser esportista. Tentou de maneira sórdida e baixa renovar seu contrato com a Renault, quando poderia fazê-lo dentro das pistas, como deve ser a carreira de quem se propõe a competir, seja no esporte que for. Nelsinho foi um fraco.
18.08.09
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, confirmou ontem o que o blog deu domingo: os clubes e as prefeituras vão bater à porta do BNDES para construir e reformar seus estádios para a Copa do Mundo de 2014. Será, portanto, dinheiro público e não privado conforme foi falado antes da candidatura do Brasil na Fifa.
06.08.07
Bom, muitos não gostam de clima de despedida, mas costumo dizer que quando a sensação que fica é boa vale à pena. E essa gostosa é a que tenho ao me despedir do blog PAN/2007.
E, para finalizar, escrevo sobre um assunto que provocou muito controvérsia: a seleção brasileira feminina de vôlei. Muitos apontaram a equipe como o símbolo da frustração e do fracasso do País no Pan, mas discordo plenamente.
Infelizmente, esse será mais um fardo para as meninas carregarem, após as decepções olímpica e mundial. Só gostaria de lembrar que, antes de se tornar “imbatível”, o time masculino também passou por esta fase e, agora, deu no que deu.
Paciência com as meninas que, logo, logo, chegarão lá.
Um grande abraço a todos. Obrigado pelos comentários e leituras.
Nos vemos no blog Bate-Pronto, onde comentaremos futebol e, claro, os Jogos Parapan-Americanos do Rio que começarão no domingo.
01.08.07
Ontem falei sobre o que deu certo. Hoje, será a vez das falhas.
Confesso que, pelo clima criado antes dos Jogos, esperava que mais problemas ocorressem, apesar de acreditar no sucesso da competição no Rio.
Mas, na questão de ingressos, a organização deixou a desejar. Problemas tanto no início das vendas nas bilheterias quanto na internet. A desinformação para os torcedores foi a principal falha. A história de a qualquer momento poder ter entradas on-line disponíveis foi um terror para quem queria, por exemplo, assistir à final do vôlei masculino.
Alimentação...outro item fundamental que falhou. A rede de fast-food oficial não deu conta da demanda. Além dos preços absurdos, faltou sanduíches e bebidas em quase todas as instalações.
As instalações temporárias do beisebol e softbol também fracassaram. Mas, estas, antes do início do Pan já sinalizavam que teriam um baixo nível técnico. A chuva só fez aumentar o problema. A pista do Morro do Outeiro, para as competições de BMX e Moutain Bike, também ficaram abaixo das outras. Mas, neste caso, a chuva foi a principal responsável pelo caos e, digamos, passou raspando.
E não podia deixar de esquecer o ex-atleta Robson Caetano que, na Cerimônia de Encerramento do Pan, incitou o público a vaiar as demais delegações. Lamentável.
P.S.- Posso ter esquecido de alguma coisa, que depois colocarei.
31.07.07
Passados os Jogos, chegou a hora do tradicional balanço. O que funcionou e o que não funcionou?
Neste comentário vou falar sobre o que deu certo no Pan. Foi notório que o Rio obteve sucesso na realização dos Jogos e conseguiu comprovar mais uma vez a capacidade do Brasil em realizar grandes eventos. Não há dúvidas sobre isso.
As instalações esportivas foram um espetáculo à parte. Os equipamentos permanentes, como a Arena Multiuso, o ginásio do Maracanãzinho, o Complexo de Deodoro, além da Vila Pan-Americana, cumpriram o seu papel de dar um nível olímpico aos Jogos.
As instalações provisórias também. A arena erguida na Praia do Leme, para as disputas do vôlei de praia, e até a polêmica Marina da Glória funcionaram perfeitamente. A única exceção foi para o Complexo Cidade do Rock, local das partidas de beisebol e softbol.
O programa de voluntariado também pode ser aprovado. Não com tanto louvor, mas passou no teste. O excesso de pessoas trabalhando, muitas batendo cabeças, por vezes, prejudicou um pouco o evento.
Nota dez também para o público que compareceu às partidas. Independentemente das vaias, acredito que, se tivesse disputa de bolinhas de gude, o ginásio deste tipo de confronto estaria cheio.
É mais ou menos isso...no próximo comentário escrevo sobre o que não deu certo.
29.07.07
O ministro do Esporte, Orlando Silva, chegou acompanhado pela mulher e a filha Maria, de apenas cinco meses, à Cerimônia de Encerramento do Pan, no Maracanã, neste domingo. O curioso é que até o bebê foi "fichado" pelo Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos CO-RIO. A exemplo do pai, a menina entrou no espaço reservado às autoridades de crachá.
No documento, com direito à foto, a filha do ministro está identificada como Maria Nizinga e no local destinado à função está inscrito: acompanhante.
P.S: Nizinga é uma homenagem a uma rainha angolana.
E nem a quase bicentenária guarda republicana, os Dragões da Independência, escapou das mazelas que acometem o Rio. Uma exemplar da farda de um de seus soldados foi roubada na lavanderia.
Uma pessoa ligada à organização do Pan assegurou que a farda foi levada na sexta-feira e seria usada durante a festa de encerramento dos Jogos, neste domingo, no Maracanã.
O ministro do Esporte, Orlando Silva, e o secretário Geral do Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos, Carlos Roberto Osório, disseram desconhecer o furto.
Os Dragões da Independência usam um fardamento nas cores vermelho e branca, tradicionais da cavalaria desde a Idade Média. Se alguém encontrar, favor entrar em contato com o CO-RIO.
28.07.07
Com essa correria louca do Pan, confesso que ainda não tinha arrumado tempo para comentar algo que será um alento para muitos atletas, se não passar de uma promessa.
No dia 19, o prefeito do Rio, Cesar Maia, publicou em seu ex-blog que concederia uma bolsa de até 14 salários mínimos para incentivar atletas aos Jogos Olímpicos de Pequim. E no dia 23 publicou o decreto no Diário Oficial do município.
A iniciativa é louvável, afinal, em um país carente de recursos como o nosso, qualquer ajuda é fundamental. Mas, com todo o respeito, me parece uma jogada de marketing. A "ajuda" só irá até os Jogos Olímpicos de Pequim. E depois?
Veja a íntegra do decreto:
DECRETO Nº 28218 DE 23 DE JULHO DE 2007.
Institui a Bolsa-Pequim e dá outras providências.
O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais e,
considerando a preparação dos atletas que competiram nos Jogos Pan-americanos Rio 2007 com vistas as Olimpíadas de Pequim;
considerando que a progressão esportiva é um dos elementos decisórios para a escolha da cidade sede das Olimpíadas de 2016; e,
considerando a função de governo, promotora do esporte, como elemento de inclusão social, retenção educacional e divulgação da marca-cidade, neste caso, com custos muito menores que a publicidade formal;
DECRETA
Art. 1.º Fica instituída até julho de 2008, a Bolsa-Pequim com a finalidade de apoiar a qualificação olímpica de atletas brasileiros que participaram dos Jogos Pan-americanos Rio 2007, na Cidade do Rio de Janeiro.
Art. 2.º O valor mensal da Bolsa-Pequim poderá alcançar, no limite, o valor correspondente a quatorze salários mínimos.
Parágrafo único. No caso de atletas cuja origem tiver sido em equipamentos esportivos, sociais e educacionais da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, este apoio poderá ser de imersão para qualificação num país que seja matriz do esporte relativo, podendo, se indicados pela Confederação Brasileira de um esporte olímpico como provavelmente competitivos nas Olimpíadas de 2016, prescindir da participação nos Jogos Pan-americanos Rio 2007.
Art. 3.º A indicação de nomes será primariamente das confederações esportivas nacionais, demonstrando que a performance pan-americana justifica uma expectativa olímpica competitiva em Pequim, o que não impede outras iniciativas individuais ou associativas, desde que lastreadas pelas mesmas demonstrações.
Parágrafo único. A prioridade numero um será alocada a atletas praticantes, na Cidade do Rio de Janeiro.
Art. 4.º Cabe a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer – SMEL receber as propostas analisá-las, observando patrocínios já existentes, e encaminhá-las para decisão do Prefeito, observado o que dispõe este Decreto.
Art. 5.º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Rio de Janeiro, 23 de julho de 2007 – 443.º ano da fundação da Cidade.
CESAR MAIA
27.07.07
Participar da cobertura das competições de saltos e nado sincronizado dos Jogos Pan-Americanos do Rio, no Parque Aquático Maria Lenk, tem sido realmente surpreendente.
Depois de trocarem farpas antes do início dos Jogos Pan-Americanos, Juliana Veloso e o presidente da Confederação Brasileira de Deportes Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, fizeram as pazes nesta sexta-feira.
Antes do início do Pan, Juliana fez reclamou do excesso de mosquitos na Vila Pan-Americana, além do piso da plataforma do parque aquático, que foi trocado a seu pedido. Na ocasião, o presidente da CBDA não gostou dos comentários da atleta.
Ao se encontrarem próximo à plataforma de saltos, o amor falou mais alto. Tudo sob os olhares marejados da técnica de Juliana, Andréia Boehme.
"Ele veio falar comigo e me dar os parabéns pela medalha de bronze que ganhei na quarta-feira. Eu gosto dele. E ele gosta de mim porque sou assim: falo o que penso!", disse Juliana.
Veja o emocionante reencontro:
Jonne Roriz/AE
Na quinta-feira passei por uma situação inusitada no Parque Aquático Maria Lenk. Ao chegar para a competição de saltos fui passar pelo detector de metais e deixar a mochila na máquina de raio-x, mas aí veio a surpresa.
"Pode passar direto que o homem da força não veio", disse um voluntário. Confesso que pensei, à princípio, que o local estava sem luz. Só que o voluntário se referia aos policiais da Força Nacional de Segurança encarregados da revista aos jornalistas.
Peraí! Como assim? O homem da força não veio?
Sei não, mas acho que ainda não é hora de relaxar. Se ontem estivesse com uma bomba na mochila detonava todo o parque aquático e mais alguma coisa.
P.S. - Na manhã desta sexta-feira, ao chegar ao parque aquático, o "homem da força" havia voltado.
25.07.07
O mesa-tenista Hugo Hoyama é supersticioso. Supersticioso e palmeirense fanático. Recordista brasileiro de medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos, o atleta disse que trouxe para a competição do Rio 11 cuecas do seu time do coração. "Estou jogando com cueca do Palmeiras, para dar sorte", afirmou.
24.07.07
Parece até brincadeira, mas o vento que destrói as instalações de softbol, em Jacarepaguá, zona oeste, e apaga a Pira Pan-Americana, no Maracanã, zona norte, está fazendo muita falta às disputas de vela, na Marina da Glória, zona sul. Os velejadores estão implorando aos céus por um ventinho mas nada de ele dar as caras na Baía de Guanabara.
Nesta terça-feira, somente três categorias conseguiram realizar as duas regatas previstas. As outras seis disputaram apenas uma. Tudo porque o vento insiste em não aparecer.
Durante duas horas e meia, os velejadores ficaram parados na Baía de Guanabara à espera do vento. Neste período, alguns deitaram em suas embarcações, outros ficaram conversando e até comendo um sanduíche.
João Carlos Jordão, do J-24, com dores na coluna provocadas por uma hérnia de disco encontrou uma solução mais confortável para aguardar a longa espera. Largou o J-24 e aproveitou a lancha da família para ir repousar dentro de sua cabine.
Na quarta-feira, a intenção é a de tentar fazer três regatas para evitar mais prejuízos à disputa. Para conseguir o objetivo, as competições vão começar uma hora mais cedo, ao meio-dia.
Mas, tudo vai depender dele, o vento.
23.07.07
Escrevo durante a estréia da seleção masculina de vôlei, que já vence por 2 sets a 0 o Canadá, e não tenho dúvidas de que vai ser mais uma vitória para o Brasil. Mas independentemente do resultado final para a equipe, inclusive a medalha de ouro, o Pan ficará manchado pelo episódio envolvendo o corte do levantador Ricardinho.
O que aconteceu foi uma vergonha. A maneira como o caso foi conduzido pelo técnico Bernardo Rezende pareceu coisa de criança. Claro que não acredito nesta hipótese absurda, e nem se o próprio treinador confessasse acreditaria, que a situação foi criada para beneficiar seu filho, Bruno Rezende.
Em minha opinião, Bruninho já está até melhor do que Marcelinho, que ficou com a vaga de titular. Portanto, ele foi convocado por merecimento.
Mas, vamos deixar de lado as preferências e lamentar o ocorrido. A princípio, Bernardinho cortou Ricardinho porque ele estava estressado. Só que, aos poucos, a verdade vem aparecendo.
E, a princípio, o principal motivo para o corte seria a recusa de Ricardinho em dividir com o grupo a premiação por ter sido eleito o melhor jogador da Liga Mundial - uma norma imposta à equipe por Bernardinho, desde que ele assumiu o grupo.
O grande problema é como tudo foi conduzido. Por que Bernardinho não comunicou na Bélgica que Ricardinho estava fora de seus planos para o Pan? Isso ele deveria ter respondido e não respondeu.
E aí, deu no que deu. Ricardinho saiu disparando críticas para todos os lados. Lamentável.
Ficou parecendo cena de filme de terceira. Uma baixaria sem fim. O jogador reclamando de um lado e o treinador colocando panos quentes do outro. E isso tudo pelos jornais, tvs, rádios e afins.
Foi terrível. Infelizmente, essa medalha do Pan do Rio para o vôlei masculino, se vier - porque agora vai depender da cabeça do grupo - terá um gosto pra lá de amargo.
É claro que não podia deixar de comentar as medalhas de ouro das duplas brasileiras de vôlei de praia: Juliana e Larissa, além de Ricardo e Emanuel. Foi show do início ao fim.
Juliana e Larissa não encontraram dificuldades em momento algum do Pan e mostraram o porquê de serem as atuais bicampeãs mundiais. Já Ricardo e Emanuel só tiveram percalços no primeiro set da final contra os americanos Hans Stolfus e Ty Loomis. Mas, nada desafiador para os atuais campeões olímpicos, tetracampeões mundiais e brasileiros.
Foram, com certeza, as medalhas de ouro mais fáceis do Pan. Mas, vale ressaltar, que só foram fáceis por causa da técnica superior das duplas brasileiras. E, em nenhum momento, tanto Juliana e Larissa quanto Ricardo e Emanuel se acomodaram na luta por elas. Lutaram ponto a ponto e mostraram responsabilidade, disciplina, compromisso e categoria.
No comentário anterior falei sobre a fraca exibição da seleção brasileira feminina de basquete na estréia do Pan. Agora, com o time na final, após a vitória de hoje sobre Cuba, dá para dizer que o time melhorou, mas está longe de apresentar o basquetebol de primeira linha a que fomos acostumados.
A equipe vem crescendo na competição e isso é bom. Chegamos na final com o time em um crescente e, de repente, a medalha de ouro não será um desafio impossível de ser superado. Os erros na equipe ainda existem mas, para vencer o Pan, talvez não atrapalhem tanto.
Vamos torcer!
21.07.07
Até agora estou me perguntando o que foi a estréia da seleção feminina de basquete no Pan, na noite de sexta-feira, contra a Jamaica. Apesar da vitória brasileira, por 81 a 69, a equipe abusou dos erros. E a primeira impressão foi a de que, se continuar assim, nem pódio seremos.
Mas, o que anima foi ver a revolta de todos na seleção com a exibição da equipe. O técnico Antônio Carlos Barbosa não escondeu a irritação, principalmente, com os erros defensivos. Janeth ratificou as queixas e lembrou que a tendência é a de o time melhorar, principalmente, com a seqüência de partidas.
Para aqueles que conhecem a seleção sabem que o time ficou devendo muito ontem. Tomara que na partida de hoje, na tarde deste sábado, contra o México, as jogadoras brasileiras reencontrem o seu basquete.
Depois de ficar da noite de terça até sexta-feira de "molho", por causa de uma suspeita de dengue, voltei ontem normalmente ao trabalho. Mesmo sem estar 100%, confesso que foi o melhor dia de trabalho desde o início do Pan, porque comecei a passar mal na Cerimônia de Abertura dos Jogos. Como é possível notar, não é só atleta que se contunde às vésperas ou durante a competição..rs.
Mas, espero não ter mais imprevistos. E neste sábado estou aqui na Arena do Vôlei de Praia, no Leme, esperando ver Ricardo e Emanuel darem mais um show e conquistar o lugar na final deste domingo. O desafio de hoje será contra os canadenses Kruger e Montgomery. Para não perder a piada, diria que o Freddy Kruger, do filme, é mais assustador que os canadenses.
À noite será a vez de Juliana e Larissa decidirem o ouro. As duas, a exemplo dos homens, têm jogado fácil. E as cubanas, apesar de serem as atuais campeãs pan-americanas, só devem fazer pressão. Uma derrota hoje do Brasil seria uma grande zebra. Torço para que ela não venha nadar por aqui.
20.07.07
Na maioria das instalações do Pan os balcões de venda de uma rede de lanchonetes não oferece nota fiscal para os consumidores. Isso não é ilegal não?
Enquanto os atletas lutam por medalhas, os jornalistas também disputam algumas modalidades pan-americanas para conseguir fazer com que o trabalho tenha um resultado satisfatório no fim do dia. Compartilho aqui alguns dos esportes praticados pela imprensa que são desconhecidos do grande público:
Caratê e boxe na zona mista
Os jornalistas precisam se acotovelar em frente à uma grade e disputar a atenção do atleta que precisam entrevistar no que eles chamam de zona mista, mais zona do que mista. Se o personagem é um só e ele acabou de ganhar uma medalha de ouro para o Brasil, vira um pega para capar de braços esticar câmeras, máquinas fotográficas, microfones e gravadores no qual só os fortes, altos ou os de braço comprido sobrevivem. A coisa só melhora na entrevista coletiva.
Revezamento de sono
O trabalho do jornalista não acaba depois que o atleta acabou de competir. Ao contrário. Tudo está apenas começando. As jornadas de trabalho podem varar madrugadas. Alguns colegas da TV me contaram que já chegaram a virar 3 dias seguidos sem dormir aqui no Pan do Rio. Por isso, qualquer momento pode se tornar oportunidade preciosa para um cochilo: pode ser na hora de 'viagem' de ônibus entre Copacabana e a Barra da Tijuca ou os 40 minutos no translado entre o Riocentro e o distante Miécimo da Silva (sem trânsito, é bom esclarecer...). Em alguns dias você se pega negociando com o próprio corpo: "Ok, deixo você dormir mais 20 minutos e esquecemos o café da manhã"....
Navegação no trânsito
Apesar de a secretaria municipal de transportes do Rio ter melhorado um pouco a sinalização, muitos os jornalistas e atletas, em especial os estrangeiros, estão reclamando das dificuldades em encontrar as arenas de competição por falta de placas pela cidade. O Complexo de Deodoro é, de longe, o local mais desafiante de todos. Para quem é de fora, só com mapa....E quando você não encontra a instalação onde quer ir se sente um pouco como um piloto perdido no deserto do Rali Dacar.
Desdobramento de repórter
Normalmente em uma competição como o Pan o jornalista não fica o dia inteiro escrevendo sobre apenas um assunto e, por isso, precisa se deslocar de uma arena para outra com agilidade para não perder nenhum momento importante. Nessas horas, todo repórter gostaria de ter o dom da divino da onipresença para estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O sentimento aumenta quando você está preso no congestionamento causado por uma inoportuna blitz da polícia na frente do ginásio onde está para acontecer aquele jogo que você precisa presenciar.
Teste de paciência e trabalho com obstáculos
Dos voluntários e profissionais que estão no Pan, 95% merecem o adjetivo maravilhosos. Todo mundo (atletas, dirigentes e jornalistas) está elogiando a boa vontade das pessoas do staff em ajudar quem está no Rio competindo ou trabalhando. O problema são os 5% restantes que normalmente se dedicam à função de fazer do seu dia o mais miserável possível. Driblar esse povo é uma importantíssima modalidade pan-americana dos jornalistas. Não sei o que acontece, mas se encontrar segurança chato fosse modalidade pan-americana, eu estava disputando a medalha de ouro para o Brasil: "Não pode ficar nesse degrau (qual a diferença entre aquele em que você está e o outro, distante cinco centímetros, nunca vou saber)", "Não pode ficar parado neste corredor", "Não pode entrar por aqui (e muitas vezes pode mas o segurança é que não sabe)", "Não pode esperar a entrevista coletiva na sala de entrevistas", não pode entrar com copo aqui (mas depois você entra vê que tem um monte de gente com copos ali)"... Haja paciência e jogo de cintura....
Levantamento de peso
O jornalista é sobretudo um forte. Principalmente os fotógrafos. Os repórteres precisam carregar de lá para cá (o tempo todo) nas mochilas computadores, agendas de telefone, papéis, carregadores de celular, cabos dos mais variados, inúmeros plugs de telefone e eletricidade, casacos, bonés, protetores solares e loções anti-mosquito. É preciso estar preparado para qualquer emergência. No caso dos fotógrafos, além de todo esse equipamento é preciso levar a câmera,as inúmeras lentes e tripé. E a bagagem aumenta quando acrescida de uma pequena escada para fazer fotos em melhores ângulos.
Estive ontem no Maracanãzinho acompanhando a disputa da medalha de ouro no vôlei feminino. A derrota da seleção foi daquelas doloridas, que atingem o perdedor na alma. Quando vi Fofão depois do jogo achei que se lhe cravassem uma lança no peito a dor não seria maior. O desafio para quem escreve sobre momentos desse tipo é encontrar o devido equilíbrio entre a absorver a emoção e se distanciar o suficiente para fazer a análise objetiva do fato. O desafio para quem viveu tais momentos é encontrar os por quês.
Por que deu errado? Não acho que o Brasil tremeu diante de Cuba. Como disse o técnico Antonio Perdomo, qualquer um dos dois times poderia ter vencido. Mas por que não o nosso? Na minha opinião, o que aconteceu no Maracanãzinho foi uma batalha no quesito concentração na qual as cubanas venceram por muito pouco. Outro fator que gostaria de ressaltar é que Zé Roberto não pôde contar com reservas capazes de mudar o panorama do jogo. Em confrontos como o de ontem tais figuras são fundamentais. Zé Roberto tentou com Mari, Thaissa e Carol mas não deu certo. Teria ele convocado mal? Sinceramente não sei.
Muita gente fala que o maior culpado da derrota de ontem foi Zé Roberto e que se Bernardinho estivesse no lugar dele o time teria vencido. Discordo. Quem diz isso esquece que foi Zé Roberto quem levou a seleção masculina ao primeiro ouro olímpico e esquece que Bernardinho fundamentou o que hoje é o vôlei feminino mas nunca conseguiu vencer um Mundial ou uma Olimpíada. Antes de todo mundo em 1992, Zé Roberto encontrou a fórmula de um time vencedor. Na olimpíada seguinte, as coisas podem ter saído do controle, mas a semente da vitória estava lá e Bernardinho soube cultivá-la com maestria para colher hoje os frutos da vitória com todos os méritos.
Gostaria de compartilhar uma teoria pessoal um tanto exótica do por quê de o masculino ser hoje mais vitorioso do que o feminino. Certa vez, em uma conversa informal com Zé Roberto, perguntei quais eram as principais diferenças entre comandar uma seleção masculina e uma feminina. Ele respondeu que, além da questão dos hormônios (eles influenciam e muuuuuuito no humor das mulheres), os fatores externos afetam mais as garotas. Por exemplo: se algo não está bem em casa ou na família, a mulher tende a levar isso para o trabalho muito mais do que o homem. Lembrando desse comentário, me ocorreu que o fator que fez o Brasil perder a concentração ontem talvez tenha sido o excesso de vontade das meninas de corresponder às expectativas de todos em volta. Me pergunto se não seria necessário a esta seleção certa dose de egoísmo masculino (no bom sentido), de cada uma estar mais centrada em si, de esquecer de agradar esta ou aquela pessoa, para chegar à vitória...De qualquer forma, acho que a solução do problema do Brasil está em algum lugar do psicológico...
Histórias, informações e curiosidades produzidas pela equipe de Esportes do Grupo Estado.
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