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10.07.09

Fergie, vocalista do Black Eyed Peas: Eu me encontraria com ela em qualquer situação, é só ela marcar data e local
Não sou o escritor inglês Nick Hornby, mas também acredito que é possível descobrir pérolas literárias nas letras da música pop. Claro que é mais fácil encontrá-las em canções do U2 ou do Radiohead, mas acabo de descobrir que elas podem aparecer em qualquer lugar. Até no meio de um hip-hop-rap-funk-house-electro do Black Eyed Peas.
O disco 'The E.N.D.' mistura música eletrônica moderninha com pitadas dos velhos e bons Earth, Wind & Fire e Kool the Gang. É muito bom, diga-se de passagem, principalmente músicas como 'Rock That Body' 'I Gotta Feeling' e 'Missing You'. O público que certamente vai lotar as pistas de dança prestará muito mais atenção ao ritmo da música, mas há mais coisas entre o início e o fim de 'Meet me Halfway' do que imagina a vã filosofia do tum-tum-tum bate-estaca.
O título da canção significa algo como 'me encontre no meio do caminho'. Interpretada pela bela e sexy vocalista Fergie, a tradução da letra vai mais ou menos assim: "Me encontre no meio do caminho/Eu estarei te esperando/Você levou meu coração ao limite/E daqui eu não posso passar".
Profundo como um pires? Nada disso. Altamente filosófico. Talvez você não tenha percebido a sutil metáfora que compara o espaço físico ao estado emocional que separa o casal. Ela quer se aproximar do amado, mas acha que já se doou demais nesse relacionamento. Ela quer ficar com o cara, mas quer que ele tome um pouco de iniciativa. É hora de deixar o egoísmo de lado, é hora de ele mostrar que está interessado.
No fundo, não é isso que desejamos? Conhecer e se apaixonar por alguém que nos encontre exatamente na metade do caminho? Yes.
Todas as pessoas vêm de lugares diferentes, de origens únicas. Todo mundo é fruto de famílias diferentes, de contextos diferentes, de histórias de vida diferentes. E aí, em algum momento, essas pessoas se conhecem, se desejam. Mas isso não é suficiente. Não basta querer o outro, é preciso que o outro também te queira. Você começa então um relacionamento a quilômetros de distância – emocional, claro – e dá um passo de cada vez. As personalidades se atraem como ímãs: ela dá um passo na sua direção, você dá um passo na direção dela. Um probleminha faz você recuar um passo, uma emoção maior faz com que ela dê dois passos à frente.
O espaço entre os dois vai ficando menor, menor ainda, até que o casal se encontra. Será exatamente o meio do caminho? Às vezes sim, às vezes não. Às vezes é mais perto da origem dela, às vezes é mais perto da origem dele. Tudo bem.
O único segredo para dar certo é não forçar nenhum dos dois a caminhar demais. Por uma razão bastante simples: cansa.
Comentários:
Comentário de: Debora [Visitante]
10.07.09 @ 13:03Felipe
Na última frase vc disse tudo!!! Realmente cansa caminhar mais que o outro... vai desgastando até que o amor acaba!
Ah, adoro o seu blog!
Comentário de: LiRa [Visitante]
10.07.09 @ 16:34Olá!!!!
Falou tudo, quando um caminha mais que o outro é sinal que a sintonia esta falhando, que tem coisa errada. O amor sozinho não consegue segurar um relacionamento por muito tempo. O amor precisa de acompanhamentos: compreensão, companheirismo, cumplicidade, entre outros. O amor pode até não acabar, mas o relacionamento, sim.
bjinhos
Comentário de: Regina [Visitante]
10.07.09 @ 20:47Adorei sua interpretação!
Comentário de: Paulinha Costa [Visitante] · http://jogandoconversaforamesmo.blogspot.com/
10.07.09 @ 22:58Felipe,
Você tem toda razão, bela metáfora realmente.
E as vezes cansa mesmo. Em outras vezes uma pessoa tem menos resistência do que a outra e pode insistir mais. Se achar que vale a pena, claro.
Pensando um pouco na loucura em que vivemos este encontro é quase um milagre que deve ser valorizado. O problema é que quando se está no meio dele esquecemos a raridade do acontecimento...e nem percebemos que deixamos passar.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
11.07.09 @ 12:23Débora,
infelizmente não consegui chegar até a última frase,
perdi o interesse no "... Yes.".
A tempos não via algo tão fútil.
Comentário de: Nadia [Visitante]
11.07.09 @ 18:57Bela e sexy essa vampira aí ?
Mas meu caro Felipe, que papo furado que é esse aí, ficou sem assunto depois da FLIP ?
Cansou de ser intelectual e resolveu atacar de panaca ?
Que decepção, não, não não, papo de homem é igual comer doce todo dia: enjoa.
Ah, vá, mas continuo gostando de vc do mesmo jeito: essa sua foto do blog é bem sexy. Bjs
Comentário de: Érika [Visitante] · http://mundinhobonitinho.blogspot.com/
11.07.09 @ 20:47Um problemão faz recusar 10 passos! Faz você perder a esperança! Eita vida complicada...
Gostei do seu texto.
Comentário de: Fekue Duzzi [Visitante]
12.07.09 @ 00:40Filosofias a parte,
essa música é um porre
Comentário de: Carmen [Visitante]
12.07.09 @ 01:53Só por que ele usou uma musica do Black Eyed Peas,pra falar sobre isso você achou fútil,se fosse com base numa do U2,teria lido até o fim.Que besteira!
Comentário de: Alezinha [Visitante]
12.07.09 @ 02:20Hi FM! Td bem?
Então...não concordo...
Pq o "meio" do caminho? Pq não 1/3, 2/5 ou 1/8? Creio que por estipular um “´ponto”, vc já se refere a um relacionamento problemático...
Eu penso que, qd alguém quer realmente começar algo não vai pegar uma fita métrica pra saber quem está a onde...a pessoa simplesmente, vai!
Vai até onde ela achar que deve ir, independente da distância que o outro esteja.
Até pq, passos que podem ser cansativos para uns, podem ser extremamente instigantes para outros. Uns podem parar e sentar, outros se animar e correr...acho muito simplista a visão do "meio" do caminho.
Se uma pessoa tiver que dar um passo a mais ou a menos em direção a quem quer que seja, precisando para isso, se violar, esta pessoa deve procurar outro caminho. Mais curto, mais comprido, mas um caminho que seja realmente bom para ela.Porque se não é bom para uma das partes, não pode ser bom pra nenhuma delas.
Acho a Fergie uma fofa,linda, loira e sexy, mas a letra da musiquinha eu achei um pouquinho mais rasa do que o fundo do pires...
PS: e amei a coluna do Diogo Mainardi esta semana...fala dos livros do Chico Buarque e eu fiquei feliz de saber que existem pessoas que, assim como eu, acham que no caso do Chico escritor, o leite está realmente derramado...
Comentário de: Viviane [Visitante]
12.07.09 @ 17:32Gostei do texto e dessa questão do "meio do caminho". Vejo também que a maioria concorda que quando um começa a andar muito mais que o outro, isso cansa e denota que a relação não está equilibrada.
Contudo, o outro lado de tudo isso é que , "o inferno são os outros" como diria Sartre, e viver junto é acabar dando de cara com brigas, incompatibilidades e desentendimentos de vez em quando.
O problema é que tem gente que não quer ceder, não quer parar, precisa ser o último a falar. Assim, o ideal é que ambos andem juntos, mas um ter que andar mais em certos momentos é perfeitamente normal.
Comentário de: Diego Zanette [Visitante]
13.07.09 @ 14:30Show!
Comentário de: Fernando Paraguassú [Visitante] · http://www.myspace.com/skulkpartitionroot
13.07.09 @ 15:37Concordo com toda a questão de como manter as pessoas caminhando num relacionamento; concordo também que a Fergie, devidamente maquiada e produzida é uma coisinha sensacional, mas discordo bastante no quesito musical: claro que dá para encontrar poesia até nesse popinho sem graça do Black Eyed Peas, o difícil é tolerar esse popinho ridículo que copia a fórmula tradicional de batidinha, refrão grudentinho, jogral entre um ou dois caras e uma gostosa, basicamente o mesmo entre os nossos pagodeiros/funkeiros e poposudas.
Comentário de: Luciana Reale [Visitante]
14.07.09 @ 04:47Tudo que é demais CANSA. Isso é muito claro, e vale não apenas para uma paixão, para um relacionamento dar certo. Por isso a busca do equilíbrio. Sábio(a) quem consegue fazer as coisas sem apatia, mas também, sem exagero.
Comentário de: Priscila [Visitante]
23.07.09 @ 17:49Não sei se o que mais gosto do seu texto é o fato de enxergar poesia na música da Fergie, ou o seu desejo por ela…
Alguns homens podem ser românticamente safados… e isso é encantador. Ou é o meio do caminho?
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Felipe Machado é jornalista, músico e passa o dia tentando entender o que se passa na cabeça das mulheres
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