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14.11.09

por Felipe Machado, Seção: Palavra de Homem 16:46:41.

Paulo Liebert/AE
Geisy Arruda: Na minha longínqua época de faculdade, a gente gostava quando uma garota ia de vestido curto

Sei que ninguém aguenta mais ouvir falar de Geisy, mas você também sabe que se eu não escrevesse sobre ela hoje não escreveria nunca mais. Como já sabemos que Andy Warhol estava certo, o futuro acaba de chegar para a estudante da Uniban: é bom ela aproveitar seus 15 minutos de fama.

Conheci Geisy pessoalmente, ela esteve no estúdio da TV Estadão para uma entrevista. Me pareceu uma pessoa bastante simples. Mora em Diadema, estuda Turismo porque acredita que a profissão vai proporcionar uma vida de viagens e aventuras. Não é linda, mas chama a atenção: é alta, tem olhos claros, corpão. Pareceu sincera quando disse que se sentiu humilhada, que pensou em se matar. Vai saber.

Não estou aqui para julgá-la. Pensando friamente, pode até ser que ela tenha se dado bem com o episódio. Ela deve participar de algum reality show, posar para alguma revista masculina... ou os dois. Mas e daí? Quando os 15 minutos acabarem, quem se lembrará de Geisy Arruda?
No Brasil é tão comum a vítima se dar mal que nem achamos isso tão estranho. Infelizmente, nós, brasileiros, já perdemos há muito tempo a referência do que é Justiça. Pois a garota que correu risco de ser linchada é quem foi considerada culpada, até por pessoas mais instruídas, 'civilizadas'.

'Ela provocou', justificam, exatamente a mesma desculpa usada por todos os estupradores do planeta. Os alunos acharam que Geisy foi vulgar? Reclamem com a diretoria. Conversem com ela. Virem o rosto quando ela passar. Mas não: os castos selvagens que ameaçaram agredi-la são santos e puros, a comissão que a expulsou e depois voltou atrás também. Seria boa ideia apedrejá-la no pátio da escola: o professor de história poderia aproveitar o evento em uma aula sobre cultura medieval.

Geisy se parece com Geni, a famosa personagem de Chico Buarque naquela música que falava também de um certo Zeppelin. E Uniban pode facilmente virar UniTaleban. Não, não fui eu que criei isso: o apelido genial está em toda a internet. Há tempos não vejo um trocadilho tão perfeito.

Fundamentalismo e preconceito não combinam com o que se ensina numa universidade, ou pelo menos, não deveriam combinar. A multidão se esconde com a máscara do anonimato, e aí fico imaginando como tudo começou: alguém grita um comentário agressivo, o outro ri e apoia; quando menos se espera, as vozes isoladas tomam a proporção de um coral fascista. Um aluno sozinho não teria coragem de xingar a colega cara a cara, mas todo fraco vira herói quando sua identidade se dilui na multidão sem rosto. Como não é possível identificar o indivíduo, perdoa-se a covardia das massas. Pelo jeito, personalidade não está no currículo dessa turma.

 

Link permanente Permalink 32 comentários

Comentários:

Comentário de: Alex [Visitante]
15.11.09 @ 16:14
Felipe

Gostei do texto, um dos melhores que eu li sobre o caso Geisy. Nota zero para o bando de alunos que xingaram ela.
Comentário de: tati [Visitante] · http://my.opera.com/rapturedgirl/blog/
15.11.09 @ 18:49
Felipe,
Achei uma tremenda falta de noção o que aconteceu a esta menina, e assim como você comentou aqui o ocorrido, acredito que muitas pessoas brasil afora fizeram o mesmo.

Nunca imaginei que a 'bestialidade' humana houvesse chegado à este ponto.
Eu ouvi o mesmo de uma amiga: 'oras, se ela vestiu tal roupa, ela tem mais é que aguentar as consequências...blablabla' - imagino que alguém que ache ser justo o que aconteceu, faça a linha feminina recalcada, uma pena.

Se o vestido estava curto, comprido ou seja lá o que for, ninguém poderia repreendê-la a não ser a própria instituição, que ao contrário nada fez - pelo menos de imediato - para conter a confusão.

Acho uma hipocrisia tamanha julgar o tamanho da roupa de uma menina sendo que a mulher já está mais que exposta em diversos lugares da mídia pra quem quiser ver.

Acho mesmo que estas pessoas que se colocam como 'maculadas' deveriam ocupar-se delas mesmas e não em julgar a vida alheia.

Acredito sim na liberdade de pensar o que quer, porém jamais sair falando o que bem entende e ofender pessoas ainda mais se não a conhecem.

Se ela colher coisas positivas depois de um episódio como este, ótimo pra ela!!!

Gosto muito de uma frase que diz:
'moralistas são pessoas que renunciam às alegrias corriqueiras para poder,sem culpa e recriminação, estragar a alegria dos outros'
(autor Bertrand Russell)
(http://my.opera.com/rapturedgirl/blog/show.dml/1136902)

bjos

tati
Comentário de: tati [Visitante] · http://my.opera.com/rapturedgirl/blog/
16.11.09 @ 09:47
Felipe olha que sacada da agência de publicidade 'fábrica comunicação', contratar estágios (as) e a obrigatoriedade é vir de vestido curto ;)

http://www.propmark.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=propmark&infoid=56032&sid=2
Comentário de: NÃO SOMOS APENAS ROSTINHOS BONITOS [Visitante] · http://rostinhosbonitos.com
16.11.09 @ 11:51
Bela abordagem sobre o tema, parabéns.
Comentário de: Grazi [Visitante]
16.11.09 @ 13:18
Ótima abrodagem Felipe.
Com certeza são selvagens sem personalidade... Assim como a Uniban que se isenta de alguam forma expulsando a estudante e sendo orbrigada a retomar.
bj
Comentário de: LEIGO [Visitante]
16.11.09 @ 15:08
Até hoje não entendi o que deu nos alunos da Uniban. Geralmente os falsos moralistas são os que mais têm taras e psicoses.
A propósito, na bíblia existe uma passagem onde Jesus perdoou uma prostituta e, ainda, desafiou a multidão dizendo: "...quem não tem pecado que atire a primeira pedra...".

Comentário de: Edson [Visitante]
16.11.09 @ 16:46
Uma faculdade é um lugar de respeito essa aluna não tem respeito não tem religião ela não tem nada por favor amigos ela devia fazer um curso de bom censo e se vestir de um jeito certo para a faculdade a faculdade não expulsou ela por causa da midia norta dez para a faculdade e nota zero para a aluna sem noção
Comentário de: roberto [Visitante] · http://dialogodepedras.blogspot.com/
16.11.09 @ 23:51
Os jovens, hoje em dia, são muito mais conservadores e moralistas que seus próprios pais.

Ontem, no jantar de família, ouvi, também indignado, os comentários das mulheres da família - ah ela não se deu ao respeito. Engoli a seco! Mulheres detonando outras mulheres.

São essas mulheres que criam, ou irão criar os nossos jovens.

Pra quem já tomou porrada do Sr. Erasmo Dias na Puc; pra quem já fez manifestação no MEC contra a diretoria do Colégio que xingou nossa colega de porca, só porque derrubou sem querer, um sorvete no chão, fico cada vez mais indignado com os jovens brasileiros.

Parabéns pelo post!
Comentário de: Helô [Visitante]
17.11.09 @ 02:54
Felipe,
de tudo o que vi, li, ouvi, incluindo as entrevistas da própria - até esta aqui - o seu texto foi o melhor.
Você apenas narrou o fato a partir do bom senso que deve reger todos os nossos atos.
Nada justifica a ação daquela multidão de imbecis, nem mesmo se a postura da moça fosse inconveniente para o local.
Afinal, a minissaia foi criada nos Anos 60!
Mas a vida é engraçada: muitas vezes, o feitiço vira contra o feiticeiro e eis que, sem querer, esta moça pobre virou uma celebridade!
Foi a pessoa mais comentada no Brasil e do Brasil nos últimos dias.
Acabei de saber que ela terá uma participação no Casseta e Planeta da TV Globo, com seu 'vestido do crime', claro, aquela roupinha barata e medonha, que, além das pernas nada mais revela da silhueta feminina.
Como um saco de batatas pode ser sexy?
Sem ser bonita, nem ter um corpo escultural, ela virou até capa de revista séria!
Agora, cabe à loira do vestido rosa ter cabeça para aproveitar a maré.
Se ela apelar, certamente, morrerá na praia, desprezando uma boa dose de sorte que o destino lhe reservou naquela subida de rampa daquela faculdade sem pé nem cabeça, cujos professores não conseguem controlar seus alunos em classe e onde a segurança e a vigilância não existem.
Comentário de: Leonardo [Visitante]
17.11.09 @ 08:55
E nota zero para o seu "português" Edson. Pelo que sei, a reforma ortográfica ainda não excluiu as vírgulas da nossa escrita. Sobre sua "opinião", não merece nem comentários. Provavelmente você deve ser um dos sem rosto e personalidade do coro da Uni'tale'ban. E certamente não teria coragem de defender sua "opinião" diante de outras pessoas.
Espero sinceramente que seu intelecto evolua, para que você possa pensar e escrever melhor.
Comentário de: Ricardo [Visitante]
17.11.09 @ 09:57
tem gente que precisa de um curso, básico, de português.
Vítimas, somos todos, nem Unitaleban, nem Geyse Apu..desculpe, Arruda. A faculdade, sem comentários. A aluna, sem comentários tbm. Quase 2010 e o bom "senso"( de ambos os lados) que vá pros quintos. Tá bom, vamos mudar de assunto.
Comentário de: Renata Fern [Visitante] · http://www.bemavontade.com
17.11.09 @ 11:21
O que mais me deixa indignada é a hipocrisia alheia, em massa, melhor dizendo. Quem diria que isso aconteceria no país do fio dental, no país onde todo mundo "fica" (ou que pelo menos já ficou muuuuuito), no país da putaria quase que generalizada, porque quando se trata de um rave, de uma micareta, de um baile funk, ou até mesmo de carnaval, ninguém é de ninguém, certo? Depois ainda colocam a culpa na bebida, como se isso isentasse o indivíduo de qualquer responsabilidade. Aliás, tenho achado o carnaval o evento mais fraco de todos em termos de pegação... Mas em cidades de interior, isso acontece muito. É uma mentalidade que não consigo qualificar, é mais que provincianismo, é maledicência. Se eu fosse a Geisy não abriria mais mão da minissaia. Que ela aproveite o "upgrade" da malediscência dos outros hipócritas o máximo possível!!!
Comentário de: Renata Fern [Visitante] · http://www.bemavontade.com
17.11.09 @ 11:23
Em tempo, acho que escrevi malediScência em vez de maledicência que é a maneira correta. Foi mal. :P
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
17.11.09 @ 15:35
Agora, a imprensa também adororu, né?!
Nossa, todo mundo chamando a mulher pra entrevistas, parecia até que estavam preocupados com a mulher... E o próprio Felipe falou, daqui a um tempo ninguém mais lembra dela.

Ê imprensinha sensacionalista, a nossa!

Comentário de: Willians tatuagens sadhu [Visitante] · http://tatuagenssadhu.blogspot.com
17.11.09 @ 15:52
Os xiitas da unitaleban,representam a grande massa canalha e covarde das ruas foi feito um teste por uma emissora de tv onde se viu que embora a maioria diga que foi um absurdo o que aconteceu com a garota quandop passa alguem de vestido similar se reproduzia em escala menor a mesma atitude,isso me faz pensar será que é por isso que aceitamos todas as leis que aparecem para tirar nossos direitos como lei da cidade limpa ,lei anti-fumo e pasme existe uma que proibe a venda de ovos com gema mole nos restaurante por causa de um risco ded salmonela ou menos grave diarreia,eles legislam até sobre o " Ú " alheio.
abraço
Comentário de: Rogério [Visitante]
17.11.09 @ 16:14
Eu sou do tempo ( e do lugar ) em que uma mulher gostosa e provocadora era uma benção e não uma ameaça.

Quando rola aquela história de moral e bons costumes geralmente associo com hipocrisia.
O maior absurdo da questão foi o fato de muitos atenuarem a conduta dos agressores, num ambiente teoricamente de elite, numa universidade onde o aplauso a diversidade deveria ser não só desejado como desejado.
A moça estava se exibindo, provocando, dizem, pode ser mas e daí? Será que as sanções implicitas nos código de conduta e proporcionais, se for o caso, não seriam suficientes?
Civilidade e cultura pelo jeito não são suficientes para segurar a onda da besta fera, o nazismo nasceu e floresceu num ambiente teoricamente elitizado, o caso da uniban não pode ser equiparado ao nazismo mas há elementos em comum como a presença do bode expiatório útil para que a massa descarregue suas frustrações, o incitamento de alguns líderes e a massa de manobra que engrossou o coro sem saber exatamente por que, apenas seguindo a manada, a tolerância maquiavelica da agressão ( afinal ela provocou )entre outros.
Comentário de: Rogério [Visitante]
17.11.09 @ 16:20
"Uma faculdade é um lugar de respeito essa aluna não tem respeito não tem religião ela não tem nada"

Está certo Edson, como ela não tem respeito nem religião, então vamos humilha-la e agredí-la afinal ela é boa de apanhar, ela é boa de cuspir não é verdade?
Comentário de: Juliana [Visitante]
17.11.09 @ 17:01
Leonardo,
é isso aí.
Edson,
é exatamente isso que pensam os estupradores.
Se ela quis, vai levar!
A universidade estava tão certa que em vez de educar seus alunos vândalos e exigir disciplina aos seus professoras junto aos alunos, achou mais fácil excluir o problema.
E que problema!
Virou um problemão para a tal universidade.
Diante da corrupção, da roubalheira, da violência, da droga, da impunidade e das injustiças que existem no Brasil, tem gente preocupada com uma moça humilde que quis aparecer, enfiando talvez o seu melhor vestido - coitada! - e querendo dar uma de gostosa na subida da rampa da sua faculdade.
Edson, você é uma vergonha, cara.
Em tempo: o seu 'bom censo' é que está errado!
Felipe, abraços.
E parabéns pelo texto.
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
17.11.09 @ 19:08
Sobre essa discussão com o Edson, ridícula por sinal, gostaria de informá-los que é muito comum meninas prostituirem-se para pagar os estudos, a faculdade, enfim. E, sinceramente, não vejo nehum crime nisso.

Há poucas semanas, a revista Carta Capital mostrou em uma matéria os avanços dos evangélicos nos meios de comunicação e até mesmo no Congresso Nacional, o que sinalizaria um retrocesso da sociedade brasileira, que ao invés de evoluir no sentido de idéias mais liberais estaria se apoiando em arcaicos parâmetros de "moral e bons costumes".
Este acontecimento da Uniban é mais um indício desse fenômeno.
Comentário de: Felizberta [Visitante]
17.11.09 @ 20:30
SOBRE A GEISY: a questão não é a minissaia da garota, como alguns gostam de dizer, mas seu comportamento libidinoso. Uma coisa é uma moça que, deliberadamente, provoca sexualmente seus colegas, mostrando-lhe seus trajes íntimos e insinuando sua genitália, em um ambiente inadequado (o que ficou evidenciado em alguns vídeos do Youtube). Outra, bem diferente, é uma mulher que, estando em casa, no trabalho, na rua ou em qualquer lugar, é abordada por um maníaco e violada. Cada caso é um caso, como se diz. Os dois crimes são abjetos e sem justificativas, óbvio. Mas não se pode negar que a tal Geisy, no caso, não é tão inocente assim. Merecia ser punida? Sim, não agredida, e pela univerisade, não pelos alunos alucinados.
Não se pode negar, também, que determinados comportamentos nos deixam (ainda mais) expostos a coisas ruins. Foi o caso da Geisy, a meu ver. Repito: NADA justifica um estupro. Mas também não podemos (ou não devemos) deixar de lado ou não querer ver TUDO o que aconteceu no polêmico episódio.

SOBRE A UNIBAN: que comportamento esperar de uma instituição bandida? O que eu penso já foi escrito por outros comentaristas.

SOBRE OS ALUNOS: bando de descerebrados. Tiveram liberdade total, por isso não ficaram intimidados. Mais uma falha da Uniban. Da mesma forma que "repudiaram" o comportamento da moça, agiram de forma ainda mais baixa e vulgar.
Comentário de: Yoko [Visitante]
17.11.09 @ 23:27
É, parece que muitas pessoas só ficam satisfeitas quando a vítima se dá mal. Triste constatação...

No blog do Guterman chegaram a afirmar que depois que ela aceitou o convite de posar para a Playboy ela perdeu respeito, e não poderia reclamar de nada.

Talvez ficassem satisfeitos se ela desistisse do curso de Turismo da Uniban, depois de sentir o clima contra ela.
A saída que encontrou foi a melhor que ela pode encontrar. E ninguém devia criticá-la por isso.
Comentário de: Grazi [Visitante]
18.11.09 @ 09:58
Felipe
Cadê vc? Viajando?
Não colocou novo texto... bjs
Comentário de: Rogério [Visitante]
19.11.09 @ 09:21
"Uma coisa é uma moça que, deliberadamente, provoca sexualmente seus colegas, mostrando-lhe seus trajes íntimos e insinuando sua genitália, em um ambiente inadequado (o que ficou evidenciado em alguns vídeos do Youtube). Outra, bem diferente, é uma mulher que, estando em casa, no trabalho, na rua ou em qualquer lugar, é abordada por um maníaco e violada."

Felisberta

Posso concluir então que para não ser molestada a mulher deve seguir um padrão "casto"?
Veja que seu argumento ainda coloca um pouco de responsabilidade por menor que seja, na vítima. o fato dela ter um comportamento provocativo ajudou a formar o tumulto.

Mas é possível outra abordagem, se, os estudantes não fossem tão idiotas ela poderia inclusive "dançar na boquinha da garrafa" ali mesmo que nada aconteceria, não é verdade? Não houve o menor responsabilidade da moça em provocar o tumulto, se dissermos o contrário nos equiparamos em um grau menor àqueles que acham que a culpada pelo estupro é a mulher, que usou um decote ou que simplesmente ousou possuir um par de seios.A culpa é exclusiva dos agressores, é impossível, e não desejável, minimizar o comportamento destes.
Veja bem, exibir-se não é crime, já agressão está tipificada no código penal.
Comentário de: Felizberta [Visitante]
19.11.09 @ 17:00
Boa tarde, Rogério.

A mulher não deve seguir padrão casto ou não casto. Ela pode fazer o que quiser, o que julgar adequado. A meu ver, uma univerisade não é o local correto para uma moça mostrar seus trajes íntimos e insinuar sua genitália, como disse em meu primeiro comentário. Não há nada de errado em uma mulher querer despertar a libido de um homem. Mas creio que isso deva ser feito em situações, lugares e com pessoas apropriadas, não em uma faculdade.

A menina sabia que estava chamando a atenção. Claro que ela jamais esperou que os gritos de "gostosa", que estimulavam seu desfile pela faculdade, fossem trocados por xingamentos e ameaças contra sua vida. Em uma entrevista à revista Veja, ela disse: "Sou bonita e gostosa. Se fosse feia, isso jamais teria acontecido". Isso mostra que a moça, por mais simples que seja, tinha consciência de seu "poder de sedução", e, mesmo assim, não viu problema algum em usá-lo na faculdade. Afinal, como eu disse acima, ela jamais suspeitou que os elogios seriam trocados por ofensas.

Rogério, todos sabemos que determinados comportamentos podem nos deixar mais vulneráveis a maldade alheia. Há coisas que podem ser evitadas, sim. Talvez se ela não tivesse levatando a saia na escada, permitindo que os rapazes vissem e fotografassem sua calcinha, talvez se ela não tivesse andado ao lado do guarda-corpo do mezanino, permitindo que os rapazes vissem e fotografassem sua calcinha, muitas coisas teriam sido evitadas. O que custa ser previdente? Não sabemos onde nem quando podemos encontrar um louco que nos fará mal. Mesmo quando estamos com roupas longas, em casa, na praia, no serviço, estamos expostos à crueldade alheia. Imagina quando expomos nossa intimidade para 700 pessoas ao mesmo tempo! Pergunto às mulheres que aqui comentam: vocês andariam na rua levantando suas saias e mostrando suas calcinhas para os transeuntes?

É claro que nada justifica um estupro. Mas volto a dizer: neste caso, a vítima não é tão inocente (quando digo inocente, quero dizer inconsciente, ignorante).Tanto não é, que em seu depoimento à revista Veja disse saber que se fosse "feia" ou menos "gostosa", não teria sido assediada pelos rapazes. Se ela tem consciência que determinada condição pode expô-la a alguns riscos, por que não evitá-la?

É claro que isso não ameniza, não justifica nem tira do agressor toda a responsabilidade pelo crime. Mas mostra que cada caso é um caso e que todas as circunstâncias e envolvidos devem ser analisados, inclusive a vítima.
Comentário de: Rogério [Visitante]
20.11.09 @ 11:32
Felizberta

Concordo com o que diz, e entendo sua posição, detalhou muito bem, realmente neste mundo de loucos devemos ter cuidado com a exposição e lamento inclusive por esses problemas.

Mas só podemos falar de imprudencia quando há perigo, eliminado o perigo não há o que se falar de falta de cuidado. perigo é que deve ser afastado para que possamos ser mais livres e imprudentes inclusive.

O outro ponto que pode ser levado em consideração seria a possível inconveniência da sua argumentação sobre a conveniência ou não da roupa ou da atitude da moça. Num contexto de agressividade e quase barbárie, a colocação desta argumentação pode ser facilmente associada com a atenuação da responsabilidade dos verdadeiros algozes, devido à existência da argumentação machista típica, não só entre aqueles submetidos à sharia, no Brasil ( comentários em blogs demonstram isso), temos vários exemplos desta mentalidade.
Considero esse argumento inconveniente no contexto, pois pode dar munição aos realmente intolerantes que estão à espreita. Uma argumentação pode ser mal compreendida e até utilizada para justificar algo que o comentárista não quis realmente dizer.
É importante levarmos em conta inclusive a subliminaridade de frases marcantes, a idéia da responsabilidade da vítima tem um peso no subconsciente coletivo de qualquer povo.

Além, interpretar um texto não é sempre uma tarefa objetiva, e é compreensível que a subjetividade do leitor atue fortemente sobre esta interpretação.
Entendo portanto que teria sido mais prudente nesse caso "omitir" a responsabilidade da vítima ( se é que houve ) e concentrar o ataque naquilo que realmente é indesejável; o fenômeno irracional e animal coletivo, que instrumentaliza a intolerância e que pode desaguar em um linchamento ou em uma última e factível instância no genocídio.

Eu colei aqui, mas não saiu, um fato que ocorreu no muro das lamentações em Israel. Umas mulheres utilizando algum tipo de véu que seriam exlusivo de homens foram inclusive presas por estarem agindo daquela forma, ouve tumulto e violência,veja só, o fenomeno é o mesmo em sua essencia ao ocorrido na Unibam, será também que aquelas mulheres religiosas também estavam erradas, foram imprudentes?
Ou apenas não consideraram o perigo por não vislumbrarem tão absurda ameaça?
Comentário de: Priscila [Visitante]
20.11.09 @ 17:38
Eu gosto. Sempre gosto muito como escreve. E pensa.
Comentário de: Renata Sanches [Visitante]
23.11.09 @ 15:05
Concordo totalmente com o Jornalista, fui ao Show do The Killers e achei um absurdo pagar 200 reais e ser tratada desta maneira , o lugar estava lamentavel. Somente comprei o ingresso pois equivocadamente achei que seria no Joquey.
Nunca mais vou a esse lugar horrivel longe, sem infraesturura de estacionamento.
O que salvou mesmo foi o Show que mesmo parecendo um POcket Show de tão curto foi sensacional.
Comentário de: Anderson Ibanez [Visitante]
25.11.09 @ 11:53
Parabéns pelo excelente texto, eu li sobre a notícia pela primeira vez no jornal e fiquei horrorizado, logo percebi que essa noticia teria uma grande repercussão, teve até alunos da Uniban no Superpop, mas o último parágrafo foi perfeito sobre a visão de um aluno qualquer que incita a multidão dos "bobalhões" a seguí-lo, e realmente isso acontece hoje em dia, como sempre aconteceu desde os primórdios... Só uma pergunta, ao mesmo tempo que temos pessoas assim que praticam tal ato, não temos nenhum "herói" do qual poderia intervir por isso? Lá na Uniban não apareceu ninguém para fazer isso pelo jeito...infelizmente acho que não...
Comentário de: Carmen Lucia [Visitante]
26.11.09 @ 12:01
Isso não tem nada a ver com evangelicos,eu sou evangelica,e achei um absurdo isso,acho que se ela tava defraudando alguem deveriam ter conversado com ela de maneira educada,e não fazer ela passar essa vergonha toda,eu acho que essa confusão foi mais uma onda,sabe quando começa uma briga boba e todo mundo vai no embalo?

Muito exagero isso,e pra ser sincera,num achei ela essa coisa toda não!
Comentário de: andrômeda [Visitante]
30.11.09 @ 15:10
Felipe,
Concordo com você, acho que ninguém tem o direito de fazer aquele estardalhaço, afinal este mundo é livre, mas existem pequenas convenções que devemos cumprir, como: ter respeito dentro de uma sala de aula, afinal universidade é para se estudar e não para se exibir, então se por um lado eles agiram mal, ela por sua vez também não agiu certo, ao se expor dessa maneira, tanto que agora pretende aparecer na playboy e ganhar uns trocos, acho a atitude dela ridícula.
Comentário de: desdemona [Visitante]
30.11.09 @ 17:11
Oi.
Comentário de: carol sakurá [Visitante] · http://lepoeteenfleuer.blogspot.com
04.12.09 @ 09:59
Olá!
De fato, qual é a realidade do ensino superior?
A faculdade se coloca como ponte para o conhecimento,mas sem a iniciativa dos discentes fica difícil.
Parafraseando a Caetano"...não entendem nada".
Abs!

Carol Sakurá

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Felipe Machado é jornalista, músico e passa o dia tentando entender o que se passa na cabeça das mulheres





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