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24.07.08
Não sei se alguém se lembra de um post que publiquei aqui em maio. Era sobre um ano da morte do jornalista e publicitário Murilo Felisberto.
(Quem não leu, pode ler aqui.)
Murilo foi o mestre de muita gente. Para homenageá-lo, o ilustrador Daniel Kondo, que foi meu colega na DPZ e trabalhou durante um bom tempo com o Murilo, criou um blog com espaço para boas histórias e lembranças sobre o amigo querido.
Para conhecer o 'Blog dos Amigos do Murilo', clique aqui.
21.07.08

Antes mesmo da Lei Seca eu já gostava de sair à noite de táxi. Fico mais tranqüilo, não apenas porque não terei que dirigir para casa depois de beber, mas também porque não precisarei me preocupar com estacionamentos extorsivos e manobristas metidos a Schumacher.
Há outra razão mais, digamos, psicológica. Acho que os taxistas são belos representantes da sociedade. Não acho que formem um grupo homogêneo, apesar de terem características em comum, como o amor pelo Maluf e a incrível capacidade de incluir um comentário sobre o clima no meio de praticamente qualquer assunto.
Também não sei se é só comigo (não, não é), mas os ‘meus’ taxistas são sempre interessantíssimos, mesmo quando não abrem a boca. Como o cara que me levou outro dia: ele me 'perguntou' o endereço com uma levantada de cabeça, e agradeceu a gorjeta sorrindo sem mostrar os dentes. No dia seguinte foi o oposto: o taxista falava tanto que quase não me deixou dizer o endereço para onde eu queria ir. O pior é que ele tinha a língua mais presa que a do Cazuza. Talvez a língua dele tenha ficado presa... no trânsito.
Mas a experiência que mais me marcou foi uma perigosa viagem até o Itaim. O táxi tinha um cheiro azedo que não distingui se era de suor ou de algum saco de mexericas podres no banco de trás. Aí o taxista abriu a boca: ele estava bêbado. Fiz essa brilhante descoberta não só pelo hálito de álcool, mas porque sua voz estava arrastada e lenta como naqueles áudios que o Fantástico usa para disfarçar a voz de alguém que não quer ser identificado. "Ooondeee o seeenhooor vaaaiii?", perguntou, numa frase que demorou cerca de 45 segundos. Perguntei sua opinião sobre a Lei Seca. Ele era a favor, porque era um absurdo alguém beber e sair por aí dirigindo um táxi, ou melhor, um carro. E garantiu que só havia bebido em duas ocasiões na vida.
Antes de perguntar se eu havia sido premiado com a ocasião número três, cheguei ao meu destino. Não sou religioso, mas fiz o sinal da cruz oito vezes. Talvez um manobrista metido a Schumacher não seja tão ruim assim.
18.07.08

"Meus amiguinhos, os Backyardigans..."
A maioria das pessoas da minha geração deve assistir aos desenhos infantis de hoje e pensar "puxa, na minha época os desenhos eram muito mais legais". Concordo em parte; adoro ver alguns dos clássicos até hoje, como Fantomas e Pica-Pau. Mas as crianças de hoje tem o privilégio de curtir uma turma que até eu sou apaixonado: os Backyardigans.
Claro que comecei a assistir a eles graças a minha filha, que ama MUITO os Backyardigans. E eu comecei a amar também. E não apenas porque adoro vê-la feliz.
Essa turminha foi criada pela canadense Janice Burgess em 2004 para o canal Nick Jr., e hoje passa aqui na TV a cabo no canal Discovery Kids (se bem que para mim não faz diferença onde passa, pois fui obrigado a comprar vários DVDs para não depender do horário da programação). O que eu mais gosto nos 'Backs', além do visual 3D muito bem feito e criado pelo ilustrador infantil Dan Yaccarino, são as músicas. Cada episódio é praticamente um musical infantil completo, com coreografias superbonitinhas e canções de altíssima qualidade escritas por Douglas Wiselman e pelo pianista Evan Lurie, um dos criadores do grupo de jazz vanguardista The Lounge Lizards. Só para se ter uma idéia, The Lounge Lizards foi formado em 1978 e era produzido por Teo Macero, que trabalhou com Miles Davis.
Apesar de gostar de ouvir as versões em inglês, também procuro alternar com as versões da animação em português, e confesso que elas não deixam nada a dever às originais, tanto em relação às vozes brasileiras quanto às letras e traduções dos textos. Parabéns a toda essa equipe.
Os Backyardigans são cinco amiguinhos que moram no mesmo bairro e brincam no 'backyard' (quintal). A sacada genial de Janice foi transformá-los em personagens diferentes a cada episódio, exatamente como as crianças fazem. Um dia, são astronautas; no dia seguinte são vilões e super-heróis; uma semana depois preferem ser vikings e sereias. Ou seja: o quintal pode ser um universo inteiro, infinito, onde eles assumem papéis de acordo com a brincadeira do dia. E todos os episódios acabam da mesma maneira: com a turma indo comer um lanche da tarde na casa de um deles.
Minha turminha favorita é composta por meninos e meninas: Pablo, o pinguim azul, Tyrone, o alce laranja, e Austin, um canguru roxo; e as garotas Uniqua, uma criatura rosa criada por Janice Burgess (segundo a criadora, Uniqua é 'a criança que ela queria ter sido'); e Tasha, uma hipopótama amarela. Correndo talvez o risco de parecer meio bobo, preciso dizer que eles não são fofinhos... são ultra-fofinhos!
(Desculpem, me empolguei)
:-)
A partir de hoje, esses bichinhos canadenses também poderão ser vistos ao vivo em São Paulo. Começa no Credicard Hall a mini-temporada 'Backyardigans - Ao Vivo', evento que depois vai a outras cidades ( mais informações na Ticketmaster ou pelos telefones 6846-6000 ou 0300 789 6846, das 9h às 21h, segunda a sábado).
O endereço do Credicard Hall é: Av. Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro. A temporada acontece nos dias 18, 19, 20, 25, 26 e 27 de julho. Horários: às sexta-feiras, às 18h; aos sábados e domingos, às 11h, 15h e 18h. O espetáculo dura 60 minutos com intervalo de 10 minutos. Crianças com menos de 12 anos só podem entrar se estiverem acompanhadas pelos pais ou responsáveis legais.
Só para terminar: por que será que esse post está na seção 'Eu Queria Ser Esses Caras'? Se você visse o rosto da minha filha quando os Backyardigans aparecem na TV, você não precisaria perguntar.
16.07.08

Aos 37 anos, confesso que tenho dificuldades em ouvir bandas de rock brasileiras. As bandas novas parecem fazer música apenas para adolescentes, com letras cheias de clichês e melodias grudentas e enjoativas. Já as bandas que fizeram parte da minha, digamos, 'geração', ou acabaram ou viraram simulacros de si mesmos. Ver uma turnê com Paralamas e Titãs dividindo o palco pode ser interessante durante cinco minutos, até que a gente percebe que as atenções dos artistas estão meio divididas entre o público e as necessidades bancárias.
Nada contra ganhar dinheiro com música, pelo contário. Fazer música é uma atividade profissional, ou pelo menos deveria ser. Essa bandas têm não apenas o direito de estar na estrada, mas a obrigação, principalmente em respeito aos seus fãs. Mas é que o verdadeiro artista não tem apenas que sair para a etrada: pressupõe-se que ele tenha a necessidade de criar. E já não vemos muito gás ou interesse nas bandas mais antigas na hora de apresentar material novo. Se há, ou eles se esqueceram como se faz ou não estão se esforçando o bastante.
Há, no entanto, uma exceção entre as bandas que costumamos chamar de 'dinossauros'. E essa banda é o Capital Inicial. Não estou dizendo isso apenas porque sou amigo dos músicos (e sou), mas porque tenho prestado atenção na carreira da banda, principalmente em comparação a seus colegas geracionais.
Sim, o Capital renasceu das cinzas graças a um disco acústico da MTV, que marcou principalmente a volta de Dinho Ouro Preto ao vocal depois de um período afastado - Dinho montou uma banda mais pesada, Vertigo, que não foi a lugar nenhum. E o Capital sem Dinho, substituído por outro amigo meu, Murilo Lima, também não deu certo. E isso não teve nada a ver com o talento ou capacidade artística de nenhum dos envolvidos: o Vertigo era uma banda legal e Murilo Lima é um excelente vocalista. Mas a mágica do Capital era, justamente, Dinho e os irmãos Flávio e Fê Lemos JUNTOS, apresentando o repertório do Capital. 'Dinho' sozinho não era tão interessante quanto o 'Dinho do Capital'; o 'Capital' sozinho não era tão interessante quanto o 'Capital com Dinho'. E a banda hoje está ainda mais coesa, desde que o guitarrista Loro Jones (um cara muito legal, mas musicalmente fraco) foi substituído por Yves Passarell, meu ex-colega de Viper.
Bom, análises 'cabeça' à parte, é bom lembrar que antes do 'Acústico MTV', o Capital havia tomado a corretíssima decisão de lançar um disco de inéditas, 'Atrás dos Olhos'. E, apesar do 'Acústico' privilegiar o repertório antigo, claro, a banda apostou suas fichas nas novas canções desse disco. E esse foi um gol de placa: não apagar o passado, mas não (sobre)viver apenas dele. Foi exatamente o erro de outros dinossauros do rock brasileiro: não souberam (ou não quiseram) investir em novo repertório, novas composições, novos públicos. Eles entraram em campo com o jogo vencido, sem lembrar que poderia haver uma prorrogação ou uma disputa de pênaltis (Metaforicamente, claro, ninguém aqui está falando do RockGol :-)
Com isso, o Capital ganhou um público jovem, teen. Claro que a personalidade de Dinho ajudou nisso, já que ele incorpora o papel de rockstar com naturalidade impressionante - e por uma simples razão: ele é um rockstar. Mas mais importante que isso, na minha opinião, foi a empatia entre as canções da banda (escritas principalmente pelo compositor carioca Alvin L., o próprio Dinho e, algumas delas, pelo meu colega Pit Passarell) e esse novo público. 'Natasha', 'À Sua Maneira' e 'O Mundo' foram incorporadas ao repertório dos shows e ganharam o mesmo destaque que 'Música Urbana' e 'Fátima', possibilitando uma transição do tradicional (e envelhecido) 'Rock Brasil' dos anos 80 para um rock mais moderno, leve, assumidamente pop... e legal.
Isso nos traz aos dias de hoje: acabo de assistir ao show do Capital no Multishow e, apesar da amizade com eles, fiquei impressionado. Para mim, foi a coroação dessa estratégia. Se alguém tiver a chance de ver, vai constatar que foi o maior show da história do rock brasileiro, mais impressionante até do que aqueles shows caóticos (e inesquecíveis) do Legião Urbana nos anos 80. O show foi em Brasília, em uma noite maravilhosa; o palco, o cenário e as luzes foram impressionantes e não deixaram nada a desejar a nenhum show internacional de rock. O público foi um caso à parte, cantando e acompanhando os comandos de Dinho sem pensar duas vezes. Parecia um comício pós-moderno das 'Diretas Já', com todas as óbvias diferenças conceituais.
Para não perder o hábito, o Capital apresentou duas músicas novas no show de Brasília. Para que tocar músicas inéditas num show para quase um milhão de pessoas, onde está sendo gravado um disco ao vivo? Não sei. E nem perguntei. Mas suspeito que seja a vontade de mostrar que a vida segue em frente, de entrar em campo sabendo que a partida não está ganha. Principalmente quando se joga para uma multidão.
(Foto: Marcelo Rossi)
14.07.08

A produtora de Brad Pitt se chama 'Plano B'. Está vendo como é importante ter um plano B? Até o Brad tem
Há muitas maneiras de se dar bem na vida. Você pode ser uma pessoa muito inteligente. Também pode ser extremamente talentosa, ou esperta e super bem relacionada. Tudo isso ajudará você a chegar lá, mas a verdade é que nenhuma dessas características é garantia de nada. O que vai levar ao seu sucesso pessoal, independente de outras pessoas, é uma coisa muito simples: um plano B.
O plano B não é apenas uma espécie de fuga quando tudo o mais dá errado. E também não é uma desculpa esfarrapada para o fracasso profissional. O plano B é uma opção de vida. Ele é a certeza de, mesmo quando tudo e todos estão contra você, ainda assim é possível ser feliz. Basta escolher um plano B sincero, que esteja bem perto do seu coração.
Dá para imaginar planos B para praticamente tudo o que você faz na vida, o que significa que um bom plano B é, antes de tudo, um sinônimo de liberdade contra tudo o que você não gosta de fazer. Existe o plano B profissional, o mais comum. Mas também há o plano B da vida pessoal.
Não estou aconselhando você a manter uma amante se for casado, nem para arrumar planos X, Y e Z, namorando várias pessoas ao mesmo tempo. O plano B, na maioria das vezes, nem precisa ser colocado em prática. Ele só precisa existir na sua cabeça e dar segurança para seguir o caminho que você acha que é o melhor. É como aquela pequena e singela bóia no convés do transatlântico. Ela está ali apenas para deixá-lo tranqüilo – a não ser que você esteja no Titanic. E quase nunca é o caso, acredite.
Plano B é, claro, uma expressão simplificada daquela velha idéia de que 'devemos estar preparados para tudo, inclusive para o pior'. O plano B, porém, nem sempre é ruim. Um amigo meu acaba de abandonar uma carreira bem-sucedida na publicidade para tocar outros projetos. E nunca esteve tão feliz. O plano B dele, uma longínqua e minúscula possibilidade utópica há alguns anos, virou plano A.
Não sei se você se lembra disso a toda hora, mas vamos lá: a vida é uma só. Sonhos acontecem geralmente à noite, enquanto você está dormindo. Mas às vezes eles podem continuar durante o dia, depois que o sol nasce.
11.07.08
Amigas e amigos,
um evento legal que pode ajudar bastante gente: pelo quinto ano seguido, o 'Rock no Sangue' promove doações de sangue de roqueiros no Hospital das Clínicas, justamente no Dia Internacional do Rock.
(Por favor, sem piadinhas do tipo: 'Roqueiros que comem cabeças de morcegos, como o Ozzy Osbourne, não poderão doar', etc)
Para quem não lembra, o 13 de julho é considerado o Dia do Rock porque foi o dia em que aconteceu o Live Aid (1985), megashow organizado por Bob Geldof em vários países que teve a renda revertida para a luta contra a fome na África.
Com participação de artistas, fãs, gravadoras, lojistas e jornalistas, o 'Rock no Sangue' tem parceria com a Pró-Sangue e é organizado pelo jornalista Charley Gima.
Quem quiser aparecer por lá:
Rock no Sangue – Campanha de Doação de Sangue
Data e local: 13 de julho no Hospital das Clínicas – SP
Informações sobre doação de sangue: Pró-Sangue: 0800 – 55-0300
10.07.08
A música não é nada de mais; a banda também não. Mas achei tão legalzinho o vídeo de 'Check Yes Juliet', do We The Kings, que resolvi colocar aqui.
Por que eu gostei? Porque me lembraram de quando eu era um adolescente, cujo ponto máximo da existência era convidar uma garota bonita da escola para assistir ao ensaio da minha banda numa garagem. E ela comparecer, claro.
O We The Kings é uma banda de pop rock formada numa cidadezinha da Flórida por amigos de infância. Eles têm apenas um disco, 'We The Kings', lançado no ano passado, e que tem um somzinho despretensioso e divertido. Acho que outra coisa me lembrou da minha adolescência: o visual do vocal/guitarrista Travis Clark, que é a cara do Danny Partridge. Para quem não se lembra, o Danny era o ruivinho baixista da família Dó-Ré-Mi (The Partridge Family, foto abaixo), seriado que passava nos anos 70 e mostrava o cotidiano de uma família de músicos que viajava num ônibus em turnê pelos Estados Unidos. Quer dizer, calma aí, também não sou tão velho assim: só vi a série quando ela começou a ser reprisada, em alguma sessão da tarde dos anos 80. Juro.
09.07.08

Sabe aqueles livros que a gente lê devagar, com pena porque está chegando ao fim? Pois é, 'Eu Falar Bonito um Dia', de David Sedaris, é assim. O escritor americano esteve na Flip (para ver os destaques da Festa Literária de Paraty pelo crítico Ubiratan Brasil, clique aqui) e trouxe na mala seu humor refinado e ultra-sarcástico. Sedaris é dramaturgo, colaborador de revistas como New Yorker e Esquire, tem um programa no rádio e trabalha ainda como humorista estilo stand up comedy.
O título 'Eu Falar Bonito um Dia' (que saiu lá fora em 2000) é uma referência às dificuldades que ele teve para aprender francês, já que se mudou de Nova York para a Normandia para acompanhar o namorado, Hugh. Os problemas do casal gay, inclusive, são temas de várias de suas crônicas, onde ele faz questão de confessar situações pessoais e muito, muito engraçadas.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, ele conta 'causos' da infância, expondo ao ridículo sua família e, principalmente, seu pai. No segundo, os alvos são suas 'aventuras' na Normandia, com todos os choques culturais a que alguém tem direito.
Há várias, mas a crônica mais divertida, na minha opinião, é 'Jesus Sálvia', em que Sedaris fala sobre a sala de aula onde, ao lado de vários outros imigrantes adultos, aprendeu as primeiras expressões em francês. Os textos são bastante politicamente incorretos, como uma espécie de Woody Allen gay. Nesse texto, ele e os outros alunos tentam explicar para uma colega muçulmana o que representa a Páscoa. Mas como ninguém sabe falar francês direito, começa uma série de frases desconexas e gramaticalmente absurdas, típicas de quem está aprendendo uma língua.
Não gosto de dizer que ver um estrangeiro tentando aprender um novo idioma é motivo de piada. Mas reconheço que é muito engraçado ouvir expressões que não querem dizer nada. Não vou usar os exemplos do livro, porque aqui ficarão sem contexto - e sem graça. Mas lembro de uma amiga minha, americana, que veio morar no Brasil e não sabia falar nada de português. Ela passou uns dias na casa de outras amigas minhas e, após uma refeição, resolveu elogiar a cozinheira. Em português.
"Você comida bem", ela disse.
Eu e minhas amigas Marcy, Claus e Sandrola tivemos que segurar o riso com muita, muita força. É claro que, nas costas da americana, choramos de gargalhar. É que o sotaque, aliado a uma ingenuidade própria de quem não sabe falar direito, transforma um adulto numa criança - e uma situação normal em uma situação ridiculamente engraçada.
(Não preciso nem dizer que isso acontece com todo mundo, geralmente quem está no exterior e tenta se comunicar em alguma língua que não sabe direito.)
Quem gostar desse livro do Sedaris deve ler 'De Veludo Cotelê e Jeans', livro de crônicas de 2004, que acabou saindo antes no Brasil pela Cia. das Letras. E também é muito legal.
PS. Esse post poderia estar na seção 'Eu Queria Ser Esse Cara', mas não está apenas porque David Sedaris é gay.
07.07.08

No sábado passado aconteceu uma coisa inusitada: tirei o dia só para mim. Amo a minha família, mas quem é casado e tem filhos sabe do que eu estou falando.
Em primeiro lugar, acordei tarde. Maravilha. Comecei a pensar o que fazer e fiquei ansioso diante de tantas opções. Correr no parque? Almoçar com um amigo? Assistir àquele filme iraniano que ninguém mais quis ver? Tantas possibilidades me deixaram meio tenso. E se eu escolher o programa errado?
Para garantir, comecei com um 'clássico': café-da-manhã-com-jornal-na-padaria. É incrível como um simples pão na chapa e uma vitamina completa podem fazer um homem feliz.
Tudo bem, ótimo início. E agora? Sei lá, vou aproveitar para cortar o cabelo. Cheguei no salão do lado de casa e, enquanto esperava, comecei a folhear aquelas revistas de celebridades. E foi aí que meu dia começou a afundar.
Mostrei para a cabeleireira uma foto do George Clooney e perguntei se ela poderia fazer aquele corte. Ela começou a rir. "Aqui a gente não faz plástica, não". Tudo bem. Vai ter troco. E teve: não deixei caixinha. Mas o estrago já estava feito.
E agora? Correr no clube ouvindo um som me parece um bom programa. Peguei o carro, fui para o clube e me vesti. Só que na hora de ligar o iPod veio a decepção: o iPod estava sem bateria. Tem coisa mais chata do que correr sem música? Bom, tudo bem, vamos lá. Na quarta volta, já com a respiração ofegante, uma abelha entrou na minha boca. Chega. Hora do banho.
Sabe aqueles assoalhos de banheiro de clube? Pois é, minha aliança caiu ali embaixo. Após meia hora e muitos palavrões, consegui alcançá-la.
Fiquei só um pouquinho mais mal-humorado, e decidi almoçar sozinho. Mas como acontece sempre que você quer almoçar sozinho, um conhecido, também sozinho, se ofereceu para me acompanhar. OK, claro. Estranhei porque ele estava vestindo uma gravatinha meio estranha e uma camisa xadrez, meio EMO. Como eu sabia que ele tinha filhos, tentei puxar papo e perguntei se ele ia levar a família a alguma festinha junina. Ele disse que não e perguntou por quê. Eu não sabia onde me enfiar. O clima ficou ruim e ficamos em silêncio até a sobremesa, quando a mulher dele chegou. Ela estava muitos quilos acima do normal e, para ser simpático, disse que ficava feliz em saber que eles teriam outro filho. Pena que ela não estava grávida.
Fui para casa, passei o resto da tarde lendo e rezei para minha família voltar logo. Férias sozinho? Não, obrigado.
04.07.08

Nem heavy metal, nem industrial: minha banda de rock pesado favorita dos últimos tempos é o Nine Inch Nails. O dondo da banda, Trent Reznor, é um dos caras mais criativos, talentosos e loucos que surgiram na música recentemente, e vem mantendo uma carreira em ascensão desde 'The Downward Spiral' (1994), disco de maior sucesso do NIN. E do jeito que ele quer, ou seja: com muita identificação com o público e quase sem influência da indústria fonográfica tradicional.
Desde os anos 90, Reznor deixou um pouco de lado o som totalmente industrial/eletrônico e adotou elementos um pouco mais, digamos, 'orgânicos' (para usar uma palavra que está na moda). Hoje o Nine Inch Nails é uma trilha sonora para o fim do mundo, com mais elementos de rock e menos loops e sintetizadores. Para se ter uma idéia, seria mais ou menos como o som de uma máquina perfeita e exata movida a um coração humano.
A melhor notícia sobre o NIN veio ontem: a banda confirmou um show em São Paulo no dia 7 de outubro, no Via Funchal. Por favor, se algum amigo meu estiver lendo isso e quiser me convidar para algum outro programa nesse dia, esqueça. Agora, quem quiser ir comigo ao Via Funchal, está convidado.
Outra boa novidade sobre o NIN é que o último disco da banda, 'The Slip' pode ser baixado de graça no site oficial. Se preferir ir direto para o cadastro e receber o link para o download, clique aqui. Vale a pena, o disco é sensacional. Ouça '1,000,000' e depois você me diz.
Ah, uma última coisa: se você não gosta de rock pesado, nem perca tempo. Você vai odiar Nine Inch Nails.
Felipe Machado é jornalista, músico e passa o dia tentando entender o que se passa na cabeça das mulheres
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