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31.08.08
TV aberta? O que é isso?
Para uma geração de abastados que já nasceu zapeando entre Discovery Kids, Disney Channel, Globo ou SBT, muitas vezes com computador online para jogar ou conversar no messenger, essa coisa de TV aberta ou fechada não faz sentido algum. Está tudo no mesmo controle remoto.
O Cartoon Network avaliou, pelo terceiro ano consecutivo, o comportamento de sua platéia, gente na faixa dos 7 aos 15 anos, normalmente com alcance a TV paga, internet, MP3 e celular, só pra ficar no básico.
73% desse público acessa a web quase todos os dias, para entretenimento ou comunicação;
23% das meninas e 17% dos meninos têm blog, fotolog ou videolog.
Sim, videolog. Você aí, que se enquadra na categoria dos "migrados" e não dos "nativos" nesse território chamado internet, acredite: 21% dos meninos e 20% das meninas disseram já ter postado algum vídeo no site YouTube.
E 59% dos pesquisados já assistiram a pelo menos um desenho animado na internet, item que motivou o Cartoon a oferecer mais atrações do gênero por meio de seu site.
O Cartoon já sacou o que alguns canais pagos fingem acreditar que ainda vai demorar: a concorrência direta com a internet. Oras bolas, quem dispõe de TV paga é o mesmo público que normalmente tem banda larga em casa, e melhor do que arriscar perder audiência para a web é torná-la uma aliada. A esse propósito, diga-se, constatou-se que o computador é, no quesito "fazer várias coisas ao mesmo tempo", o meio mais usado em combinação com outras atrações (57,5% declaram acessar a web enquanto fazem outras tarefas), incluindo "ver TV".
E, ao contrário, "ver TV" é o item mais praticado isoladamente (48,1% dizem que não fazem mais nada enquanto assistem à TV).
Sete mil questionários foram respondidos por meio do site do canal, que depois confirmou alguns dados com pesquisas qualitativas, como grupos de discussão e visitas monitoradas à casa de algumas crianças.
08.10.07
Alguém no post anterior me questionou por que falei na produção de "Duas Caras" em alta definição e não mencionei que a atual novela da Band, "Dance, Dance, Dance", também foi feita em HD.
Não vi o efeito HD da novela da Band.
Vi o efeito HD da novela da Globo porque a emissora promoveu uma sessão fechada em sala de cinema para exibir o efeito do produto.
Como se sabe, para ter acesso à diferença que a alta definição prenuncia, é preciso ter um televisor ou um receptor que lhe mostre tal diferença. Sem isso, as TVs podem produzir o que quiserem em HD que, para o telespectador, a imagem será a mesma da TV analógica ou, como diria Odorico Paraguaçu em tradução literal, em SD: Short Definition.
Semana passada, emissoras de TV e indústria de eletrônicos se uniram num fórum que pretendia anunciar o andamento da chegada da TV digital, marcada para 2 de dezembro na Grande São Paulo. As concessionárias estão em dia com experimentos, testes, equipamentos e que tais. Já a indústria de eletros... Não sabe responder quando chegam às lojas os televisores compatíveis para se ver TV em HD, não responde qual a média de preço dos novos aparelhos e calcula em R$700,00 (três vezes mais do que a estimativa inicial dada pelo governo) o preço dos conversores.
Com um detalhe: a tão aclamada interatividade da era digital não estará disponível inicialmente, o que levará os mais afoitos, aqueles que comprarem um conversor ou televisor neste primeiro momento, a ter de adquirir outro conversor dentro de um ano.
Do jeito que a coisa vai, é de se esperar que em dezembro, quando o negócio enfim chegar, quase ninguém disponha de receptores capazes de provar o lançamento em questão. Será como naquele setembro de 1950, quando Assis Chateaubriand inaugurou sua TV Tupi: sem aparelhos em casa, o pessoal vai ter de se acotovelar diante de monitores espalhados em praças públicas para perceber a diferença na imagem. Em casa mesmo, meia dúzia de gatos pingados sacará que a TV digital está aí.
20.08.07
Diretor da versão televisiva da "Pedra do reino", de Ariano Suassuna, Luiz Fernando Carvalho agora leva a microssérie a salas de cinema de alta definição pelo País. De 24 de agosto a 6 de segembro, 14 salas em 11 estados terão sessões divididas em duas partes: episódios 1,2 e 3 + intervalo episódios 4 e 5. A platéia poderá ver as duas sessões em seqüência ou em dias distintos.
Dito isso, segue aí uma reprodução do cartaz de cinema que anunciará as sessões. E não é que o homem fez bom uso do hermetismo que abalou a crítica e gerou expressões tão díspares entre os vários veículos impressos?

Em setembro, chega às lojas do DVD A Pedra do Reino, com dois discos e um documentário inédito, de 50 minutos, mostrando todo o processo de criação da séire no sertão paraibano, mais uma galeria de fotos de ensaios e filmagens.
31.07.07
Ao anunciar hoje para a imprensa do setor a programação da ABTA 2007, encontro anual da Associação Brasileira de TV por Assinatura, o presidente da sigla, Mr. Alexandre Annenberg, tentou driblar uma resposta objetiva para a pergunta: a qualidade da TV digital, de alguma forma, não haverá de afetar o crescimento da TV paga?
Annenberg esclareceu que uma coisa nada tem a ver com a outra.
Claro, em tese, nada.
Em números, a TV aberta abocanha 70% da audiência entre os pagantes de TV, ou seja, as pessoas pagam para ver Globo, Record, SBT, etc.
Além do vício cada vez mais frágil, mas ainda vigente, de quem não consegue fugir da TV Globo, muita gente paga para ter uma imagem sem fantasminha, limpinha, como costuma ser a imagem do sinal de TV paga, seja por cabo ou satélite.
E, a considerar que a TV digital promete enviar ao telespectador uma imagem de alta definição, sem cenas tremidas, sob a condição de se pagar uma única vez pelo tal conversor (nada de mensalidade, portanto), não é desprezível imaginar até que ponto a TV digital haverá de afetar os canais pagos. Em geral, muito bem pagos para o conteúdo que oferecem.
07.03.07
Disse aqui outro dia que o atendimento da Telefonica me fazia considerar que a Net nem era tão ruim assim.
Errei, errei e errei, mil vezes me penitencio. Não há nada pior que o atendimento da Net. Estou há UMA HORA no telefone, na minha quarta ligação, quatro atendentes que "vão estar transferindo a ligação para o setor adequado", EM VÃO.
Tentei enviar minha queixa pela internet. Preenchi tudo, só faltou tipo sanguíneo, e a mensagem era sempre "seu cadastro está incompleto". Tentei o clique "ouvidoria". Lá tem o campo: "Protocolo". Cristo, se eu não conseguei ser atendida pelo telefone, bingo, não tenho protocolo. Não consegui enviar e-mail.
Só quero protestar por R$ 50 a mais na minha fatura. Não é inacreditável? Aliás, é desonesto, não há outra palavra. Acaba-se desistindo, claro. Agora, a quarta ligação acaba de cair. Parece mais barato pagar 50 a mais do que passar por isso.
04.10.06
Notícia da Tela Viva online:
Para Boni, interatividade e multicast são complicados.
Na abertura dos seminários do Maxi Mídia 2006, em São Paulo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, fez uma palestra mostrando ao mercado publicitário o que se espera da TV aberta brasileira a partir da sua digitalização.
Boni defendeu o padrão adotado pelo País, ressalvando que se trata de uma novidade no mercado mundial, pois alia o padrão digital japonês de modulação à adoção da compressão MPEG4.
"Na verdade, o Brasil tem um padrão que ainda não existe, precisa de desenvolvimento", explicou. Para ele, o que interessa é o modelo de negócios que vai sustentar tamanho investimento. Segundo o executivo, os investimentos das geradoras para a adoção do novo padrão vão de US$ 4 milhões a US$ 6 milhões, sendo que cada repetidora terá de gastar mais U$ 1 milhão ou US$ 1,5 milhão - e são milhares delas. "Estamos falando de bilhões no total".
Pelo lado do usuário, ele ressaltou o investimento tanto no set-top quanto no aparelho de TV (com a tela em proporção 16:9). Do ponto de vista do conteúdo, Boni diz que os custos de produção só tendem a aumentar, dadas a maior qualidade necessária à imagem, som, cenografia etc. Ele acredita que a tendência de todas as emissoras, assim como a Globo, será adotar o simulcast (transmissão do mesmo conteúdo no canal digital e analógico em toda a fase de transição) em vez do multicast de canais (são quatro canais possíveis dentro da faixa de 6 MHz ou um canal em HD). Boni observou o alto custo das produções em alta-definição.
(...)
Tratando também de desmistificar o lugar-comum que se tornou falar da interatividade que a TV digital proporcionará, Boni afirmou: "TV digital não oferece interatividade; ela só recebe TV, não é capaz de transmitir televisão e, portanto, como canal de retorno, terá de usar o telefone fixo, móvel ou a web".
Peça fundamental na hegemonia alcançada pela Globo, o ex-executivo da emissora dos Marinho dedica-se, há dois anos, à sua rede de TV, a Vanguarda, na região de S. José dos Campos e Taubaté.
Cristina Padiglione gosta de ver TV e tem o péssimo hábito de se interessar pelos bastidores do tubo. Desde 2002 edita o "TV&Lazer", suplemento de TV do Estadão.
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