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13.03.09
(Por José Maria Mayrink, de O Estado de S. Paulo)
Os primeiros exemplares do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) começaram a ser distribuídos nesta sexta-feira, 13, pela Global, editora responsável pela edição da obra lançada pela Academia Brasileira de Letras (ABL) já dentro das normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado, em 1990, pelos países lusófonos, liderados por Brasil e Portugal.
O lançamento oficial será na sede da ABL, no Rio, às 17h30 da próxima quinta-feira, 19, quando a obra estará chegando às livrarias de todo o País, com tiragem inicial de 40 mil exemplares, ao preço de R$ 120,00 o exemplar.
Publicado de acordo com as instruções da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, formada pelos acadêmicos Eduardo Portella, Alfredo Bosi e Evanildo Bechara, o novo Volp, de 976 páginas, tem 340 mil verbetes, com um vocábulo ou expressão por verbete da língua portuguesa, 1.500 verbetes de palavras estrangeiras e 4.487 vocábulos para reduções, com abreviaturas, abreviações, siglas e outras formas de maior uso.
Os verbetes estrangeiros incluem palavras e expressões do inglês, espanhol, francês, latim, alemão, japonês, chinês, italiano e outras línguas. Os verbetes não dão o significado, mas apenas a grafia da palavra, sua classificação gramatical e a ortoépia (pronúncia correta).
09.03.09
(Por Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo)
A quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), já atualizado com as novas regras do acordo ortográfico, será lançada no próximo dia 19.
Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL e principal responsável pelo Volp, especifica os critérios adotados pela comissão: respeitar a letra do acordo, estabelecer uma linha de coerência quando surgiam princípios aparentemente contraditórios, acompanhar o espírito simplificador da reforma e, nos pontos não discutidos no texto, preservar a tradição ortográfica decorrente das reformas anteriores. Ele explica que foram adotadas 15 medidas para dirimir dúvidas ou ambiguidades no texto do acordo:
- Ditongos abertos “ei” e “oi” são acentuados quando ocorrem em palavras terminadas em -r. Exemplos: Méier, destróier, blêizer, gêiser
- Usa-se acento circunflexo nos paroxítonos com encontro "ôo" em palavras terminadas em -n. Exemplo: herôon
- Paroxítonos terminados em -om também devem ser acentuados. Exemplos: iândom, rádom
- Usa-se acento no hiato "ui", quando a vogal tônica é o "i". Exemplo: arguí (1ª pessoa do singular do pretérito do indicativo)
- O acordo afirma que "emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica". As exceções estão limitadas às palavras explicitamente relacionadas no acordo, admitindo apenas formas derivadas e aquelas consagradas pela tradição ortográfica dos vocabulários oficiais (ou seja, presentes em dicionários brasileiros e portugueses). Exemplos: passatempo, varapau, pintassilgo
- Não se usa hífen depois do prefixo an- quando o 2º elemento começa com h-. Exemplos: anistórico, anepático
- Usa-se hífen nos substantivos compostos formados com elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonância de formas onomatopeicas. Exemplo: blá-blá-blá, reco-reco, trouxe-mouxe
- Além das denominações botânicas e zoológicas, que já contam com uma regra clara no acordo, os produtos afins e derivados também devem receber hífen segundo a tradição ortográfica. Exemplo: azeite-de-dendê, bálsamo-do-canadá. Observação: não se acentuam expressões como água de coco e sumo de laranja
- Não se emprega hífen em formas homógrafas de denominações zoológicas e botânicas com hífen. Exemplo: bico de papagaio (quando não designa a planta, mas a doença)
- Prefixo co- não exige hífen. Exemplos: coerdeiro, coabitar
- Prefixos átonos pre-, re- e pro- não demandam hífen. Exemplos: reeleição, propor, preencher
- Nas palavras compostas, quando não há perta de fonema do 1º elemento e o 2º começa com h-, o uso do hífen é facultativo. Exemplo: carboidrato e carbo-hidrato
- Devem ser consideradas locuções (portanto, rejeitam o uso do hífen) as unidades fraseológicas com sentido substantivo. Exemplos: "Foi um deus nos acuda", "Adotou-se o princípio do salve-se quem puder"
- Expressões latinas não empregam hífen, exceto quando estão aportuguesadas. Exemplos: pro labore e pró-labore, in octavo e in-oitavo
- Não se emprega hífen nos casos em que as palavras "não" e "quase" funcionam como prefixos. Exemplos: não fumante, quase irmão.
Por Francisco Marçal dos Santos, responsável pela Área de Controle e Medição de Erros de O Estado de S. Paulo
As mudanças nas regras de uso do hífen promovidas pela reforma ortográfica até que seriam bem-vindas, caso não existissem as exceções. Saber por que paraquedas deixou de ter hífen enquanto para-brisa, para-choque e para-lama ainda usam esse sinal é apenas um exemplo das dificuldades de quem tenta entender as novas normas. Apesar de os gramáticos se esforçarem para explicar que paraquedas perdeu a noção de composição, por ter deixado de ser entendida em seu sentido literal, a aplicação dessa regra não é fácil, por depender de uma avaliação bastante subjetiva. Uma explicação mais clara para isso talvez seja a de que paraquedas apresenta derivativos como paraquedista e paraquedismo, ao contrário de para-lama, para-raio, etc.
Outro caso que deixa dúvidas é o das grafias de palavras compostas ligadas por preposição, como: pé de moleque, dia a dia, queda de braço, que perderam o hífen. Essa regra, porém, também tem suas exceções, como: água-de-colônia, arco-da-velha, pé-de-meia. Igualmente complicada é a regra de uso das grafias bem-feito, benfeito e bem feito. Em sua coluna publicada aos domingos no Estadão, o gramático Evanildo Bechara deu a explicação: benfeito dever ser usado como substantivo, bem-feito, como adjetivo, e bem feito, como interjeição (ex.: Bem feito para ele!). Apesar de parecer simples, essa diferenciação não é fácil de ser assimilada, pelo menos por quem não lida de forma constante com as normas da língua portuguesa.
Pelo que podemos ver, não foi desta vez que as regras do hífen se tornaram mais simples. Mas, mesmo com essas dificuldades, podemos pelo menos tentar seguir as novas normas. Para isso, existem algumas opções: logo que saírem as edições atualizadas, comprar um bom dicionário e um corretor de textos para o computador. Para os mais interessados, também vale consultar o Vocabulário da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, que está para ser publicado ainda este mês.
05.03.09
José Maria Mayrink
Está atrasado o lançamento do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), que incorpora as mudanças aprovadas pelo Acordo Ortográfico assinado em 1990 pelo Brasil, Portugal e demais países de língua portuguesa.
Segundo a Academia Brasileira de Letras, que publica a obra em parceria com a Editora Global, o novo Volp chegará às livrarias dentro de 15 dias. O lançamento estava previsto para 2 de março. As provas finais, corrigidas pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia com a coordenação do filólogo e acadêmico Evanildo Bechara, foram enviadas esta semana à Global. O
Vocabulário terá cerca de 370 mil palavras, ou seja, 10 mil a mais do que a versão lançada em 2004. Uma edição eletrônica no site da Academia (http://www.academia.org.br/) possibilitará aos usuários conferir a grafia correta das palavras pela internet.
04.03.09
(Resposta ao comentário feito no post 'A confusão está armada')
IZETI FRAGATA TORRALVO
Coordenadora de Português do Colégio Bandeirantes
Passo por situações semelhantes às que você relata, pois a reforma ortográfica dispensou, em diversos aspectos, a lógica ou ao menos o bom senso. Não há explicações plausíveis a oferecer aos nossos alunos. Imagino o embaraço de estrangeiros que, por algum motivo queiram estudar Português! Não há lemes seguros que orientem a pronúncia, será necessário decorar, decorar, decorar e ter memória privilegiada, você tem toda razão.
No entanto, talvez nem todos os decretos autoritários determinados pela Reforma Ortográfica prevaleçam; quem sabe gramáticos, filólogos e linguistas possam revogar alguns desses disparates. Essa minha esperança se deve em parte por saber que escritores, como José Saramago, não cederam integralmente às novas leis ortográficas. Assim, em seu último livro - A viagem do elefante – ainda que estejam banidos os tremas, os acentos agudos nos ditongos abertos éu, éi e ói, presentes em palavras paroxítonas e vários acentos diferenciais, permanecem solidamente grafadas as consoantes mudas que, de acordo com o artigo “Das sequências consonânticas”, deveriam ser suprimidas. Não se perdeu, desse modo, o prazer de se penetrar na sonoridade das palavras de Saramago que nos fazem ouvir o sotaque lusitano. Essa possibilidade não diz respeito somente ao encanto de se deixar embalar pela melodia da Língua Portuguesa de além-mar, mas de se preservarem as nuances do discurso original do escritor, completamente compreendido por quem aprendeu Português aqui, em Angola ou Macau. Ao menos isso ainda não nos roubaram e podemos prolongar a agradável sensação provocada pela sonoridade do registro, por exemplo, de: “Uma rainha a chorar é um espectáculo”.
Quem sabe, como tantos decretos brasileiros, algumas leis da nova ortografia não “peguem”?
24.02.09
No domingo de carnaval, o Estado publicou novo artigo do acadêmico Evanildo Bechara, desta vez sobre como fica a ortografia das palavras compostas sob as novas regras da língua portuguesa. O texto está online na seção de conteúdo aberto do Portal Estadão, o que significa que mesmo quem não é assinante do jornal pode lê-lo. Basta clicar aqui.
18.02.09
Portugal deverá começar a aplicar o acordo ortográfico ainda este semestre, segundo o ministro da Cultura português, José António Pinto Ribeiro, citado pela BBC Brasil (leia a reportagem completa aqui).
De todos os países que assinaram o acordo o Brasil é, até agora, o que está mais avançado na implementação das novas regras. Tentativas anteriores de unificar a língua portuguesa falharam por uma nação ou outra não abraçar as mudanças com muito entusiasmo. O acordo atual, incidentalmente, foi duramente criticado em Portugal.
Segundo o ministro português, a data para a implementação está sendo negociada com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, os outros dois países que já ratificaram o acordo.
17.02.09
NÍLSON TEIXEIRA DE ALMEIDA
Professor de português e autor de livros didáticos da Editora Saraiva
Devemos nos acostumar a escrever com base nas regras do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2009. O Acordo padroniza uso do hífen, elimina o emprego do trema e traz algumas mudanças na acentuação gráfica.
Teremos quatro anos para adaptação às novas regras. No entanto, até o fim de 2012, nos concursos públicos e vestibulares, as duas grafias devem ser consideradas corretas. A partir de janeiro de 2013, porém, o “bicho vai pegar” porque serão consideradas corretas apenas as novas regras ortográficas.
O texto do Acordo Ortográfico, ainda polêmico para alguns especialistas, não esclarece alguns pontos, principalmente em relação ao emprego do hífen. Não aborda, por exemplo, a grafia de palavras derivadas por meio do prefixo “–re”, deixando, assim, margem para interpretações subjetivas.
As divergências figuraram em alguns dicionários. Observamos uma verdadeira “Torre de Babel” em recentes minidicionários lançados às pressas no mercado brasileiro. Nas publicações Houaiss (Ed. Objetiva), Aurélio (Ed. Positivo) e Soares Amora (Ed. Saraiva), por exemplo, notamos algumas discrepâncias: entre outras, o substantivo pára-raios virou para-raios no Houaiss e pararraios no Aurélio e no Soares Amora. Neste último, palavras com o prefixo re- são registradas com hífen (re-editar, re-educar, re-eleição, re-embolsar etc.), no Aurélio e no Houaiss, tais palavras aparecem sem hífen.
No final de 2009, a Academia Brasileira de Letras publicou o “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa”, editado pela Companhia Editora Nacional, contendo aproximadamente 33 mil verbetes. Ocorre que, publicado também às pressas, esse dicionário registra uma série de palavras escritas em desacordo com o texto oficial do Acordo. A partir do dia 13 de janeiro deste ano, entrou em circulação a segunda edição desse dicionário, revista e corrigida. Será que desta vez dá para confiar?
Segundo o gramático Evanildo Bechara, membro da comissão de língua portuguesa do Ministério da Educação, aquilo que está registrado na segunda edição do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa será adotado pelo novo Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) com cerca de 370.000 verbetes. Essa obra, conforme prometem, deverá estar à disposição dos usuários no início do próximo mês de abril.
Os minidicionários citados certamente serão reeditados de acordo com as mudanças consideradas definitivas. Esperamos que os “donos da língua” cheguem realmente a um acordo a respeito da nova ortografia de nossas palavras. É por essa razão que as versões completas dos grandes dicionários ainda não foram lançadas no mercado livreiro.
Quanto às gramáticas, os leitores devem ficar tranquilos, já que questões polêmicas não interferem na fonologia nem na estrutura morfossintática da língua portuguesa.
16.02.09
Todo domingo, o Estado publica um artigo onde o gramático, filólogo e membro da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara, responde a dúvidas enviadas para o e-mail vidae@grupoestado.com.br.
O texto mais recente de Bechara, responsável pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa ("Volp"), que vai sacramentar a grafia correta de centenas de milhares de palavras, pode ser lido aqui.
Artigos anteriores também estão disponíveis online, mas apenas para assinantes do jornal.
IZETI FRAGATA TORRALVO
Coordenadora de Português do Colégio Bandeirantes
Cabo Verde e São Tomé e Príncipe prorrogaram por prazo indeterminado a adoção oficial das novas regras ortográficas; Moçambique e Angola não validaram o Acordo; Timor Leste e Guiné-Bissau nem tomaram conhecimento dessas novidades e Portugal, por não julgar prioridade, postergou para 2014 a adaptação às novas regras. Mas, o Brasil, precipitadamente, desde 1.o de janeiro de 2009, pôs em prática o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”. Esse pioneirismo tem causado mais confusão do que esclarecimentos e confirma o senso popular que a pressa é o avesso da perfeição.
É verdade que para a maioria dos cerca de 240 milhões de falantes do Português não importa saber se se deve escrever co-herdeiro ou coerdeiro; se é preferível empregar hífen em ab-rupto ou grafar abrupto. No entanto, para jornalistas, escritores, profissionais do mercado editorial, professores e todos que cotidianamente trabalham com o texto escrito, a confusão está armada. Também não adianta sair correndo em busca de informações seguras, pois até mesmo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia Brasileira de Letras, vacila. Após poucos meses de seu lançamento, os linguistas (sem trema) responsáveis pela primeira edição publicaram uma errata de dezenas de verbetes e admitiram terem interpretado equivocadamente a lei. Sim, são compreensíveis os erros, pois o texto oficial nem sempre é preciso, mas por isso mesmo não seria o caso de ao menos os acadêmicos preservarem o bom senso e discutirem com cuidado e profundidade as normas determinadas pelo Acordo e evitarem inclusive a discrepância entre os registros dos diferentes dicionários?
É, leitor, penso que, se você tem mais de 30 anos, deve ter saudade do tempo em que “Aurélio” era sinônimo de grafia correta. Hoje, desapareceram as garantias e o melhor é ser prudente, não aceitar de pronto o que os dicionários, antigamente consagrados, indicam, pois os ponteiros enlouqueceram e apontam para direções conflitantes. Aconselham os que têm juízo que se deve esperar o VOLP (“Vocabulário da Língua Portuguesa”), cuja função é estabelecer a grafia oficial de aproximadamente 450 mil palavras do Português. Tenham paciência, porque esse compêndio que deveria estar disponível em meados de fevereiro, conforme promessa da ABL, talvez só chegue ao mercado ao final de março. Enquanto isso, serão aceitáveis todos os equívocos!
A mudança ortográfica, apesar de aparentemente simples, ainda desperta dúvidas e sugere discussões. Neste blog, que pretende também ser um fórum, vamos publicar opiniões de professores de diferentes instituições. Você, leitor, também pode enviar suas dúvidas no formulário que aparece no início deste blog. Bom debate a todos!
Teste seus conhecimentos sobre o acordo ortográfico
Este blog vai funcionar como um fórum para discutir a nova ortografia da língua portuguesa. Aqui você vai encontrar opinião de especialistas no assunto e pode também enviar a sua dúvida ou sugestão para debate.
- Março 2009 (5)
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