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12.04.09
PORTO ALEGRE - Nas últimas vezes que entrevistei Alice Braga, ela sempre me falou (bem,) de Harrison Ford e agora o filme que Alice fez com o astro de 'Indiana Jones' entrou em cartaz sorrateiramente. Não diria que 'Território Restrito' é bom, mas gostei de ter visto o filme de Wayne Kramer, que havia feito 'Quebrando a Banca'. Numa época de paranóia, em que George W. Bush falava em construir um muro para separar a fronteira mexicana - aliás, é curiosa essa obsessão por muros e como tanta gente que era contra o de Berlim agora acha esses bacanas; me chocou muito o muro que separa Gaza em Israel, mas eu, enfim, não sou parâmetro para ninguém -, o filme vem discutir a questão do imigrante. São vários no filme. Mexicanos, islâmicos, chineses, africanos. Várias histórias cruzadas - e a personagem de Alice Braga abre e fecha 'Território Restrito' -, todas tendo como eixo o agente de fronteira humanitário interpretado por Ford. Entrevistei-o só uma vez na vida, e foi por 'Segunda Chance', o filme de Mike Nichols, em Veneza. Achei Harrison Ford muito chato, tão politicamente correto - antes que o conceito se impusesse - que me pareceu um mala, mas o respeito como ator. Ele pode representar o mínimo, mas tem, como os grandes astros dos anos dourados, o 'pathos'. Há uma amargura desenhada em sua cara, no rictus de seu sorriso. Ele passa, de forma convincente para mim, um sentimento de desgosto em relação ao mundo. E o filme tem a cara de uma 'América' que se transforma. Logo no começo, a jovem de ascendência árabe faz uma redação escolar tentando entender por que terroristas jihadistas atacaram as torres gêmeas e a casa é invadida pelas brigadas de Bush Jr. O encontro da advogada com a agente-mór expressa pontos de vista inconciliáveis. As histórias se sucedem, culminando na cerimônia de assumir a cidadania. De certa forma, ela é o equivalente do desfecho de 'Independence Day', no qual o alemão Roland Emmerich teceu uma fantasia bélica para celebrar o 4 de julho como a data de redenção da humanidade. Aqui, a celebração é mais intimista. A 'América', como terra da promessa e da liberdade, volta a abrir seus braços para acolher os imigrantes. O próprio hino, cantado a capella, dá um tom mais cerimonioso à cena. Não é só a vida daquelas pessoas que está mudando. 'Território Restrito' tem a cara do que se espera venham a ser os EUA sob Barack Obama. Alice Braga aparece pouco, mas ela é tão intensa que não precisa mais do que esses poucos minutos para insinuar uma personagem que fica com o espectador.
Comentários:
Comentário de: Milton [Visitante]
13.04.09 @ 15:40O filme é horrível, Merten. Horrível. Primário em todos os sentidos. Coleção de clichês. Tão ruim que mal foi lançado nos EUA. Tem que ser muito condescendente pra enxergar alguma qualidade num filme destes. Me desculpe.
Comentário de: Ivan [Visitante]
10.07.09 @ 11:53Sr. Merten, fico realmente impressionado com todo o seu entendimento sobre a setima arte. Creio que o Sr., antes que realizar qualquer texto, deveria se informar melhor sobre atores e diretores. Suas falhas e suas realizações, já que, quem dirigiu Quebrando a banca (21) foi Robert Luketic, e NÃO Wayne Kramer, como dito acima.
Aposto que, como a maioria de criticos chatos, o Sr. não deve ter visto o filme, e provavelmente acha Crash - No limite, de Haggis, uma obra-prima moderna.
Atenciosamente,
Ivan.
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