BLOGS
15.06.09
Olá! Havia abandonado o blog durante dois dias. Fui ver agora qual o último texto que postara para não me repetir e vi que o post sobre Helmut Käutner saiu duplo. No sábado, terminei não (re)vendo ‘Rocco’. Revi em casa, ó céus, 'Três Vezes Amor', com Ryan Reynolds, e mesmo me arriscando a levar pedrada quero dizer que acho aquela comédia romântica uma simpatia. Ontem, trabalhei, Tinha a capa do Panorama do Cinema Francês, que começa amanhã aqui em São Paulo. Aliás, antecipo que amanhã, na Reserva Cultural, haverá um debate com o diretor de ‘Bem-vindo’, Philippe Lioret, do qual serei mediador, à noite. O filme fez sensação na França porque discute a imigração, por meio desse garoto que ganha ajuda de um instrutor para atravessar a Mancha a nado, em busca da namorada na Inglaterra. Espero que a gente se encontre amanhã. Me lembro que, quando entrevistei o Olivier Assayas, em janeiro, em Paris – por causa de ‘Horas de Verão’ –, alguns de vocvês me pediram que não deixasse de publicar a entrevista, independentemente de o filme estrear ou não. O texto está no ‘Caderno 2’ de hoje, mas, se vocês não tiverem acesso, prometo colocá-lo no blog. Ontem à tarde, ao sair do jornal, duas e tanto da tarde, corri ao Shoppinfg D para (re)ver ‘Intrigas de Estado’. Não gostei do thriller de Kevin McDonald, mas tanta gente achou interessante que resolvi me dar – ou dar ao filme – uma segunda chance. Acho legal o elogio da reportagem escrita, da mídia impressa, no fim, mas o filme não me desce e eu, mesmo me expondo ao ridículo, vou ter de admitir que não entendo o desfecho. Caso vocês não tenham visto, parem aqui. Mas, acontece o seguinte, quando tudo parece resolvido, o bravo soldado da notícia, Russell Crowe, empaca na observação que Robin Wright Penn fez, segundo a qual seu marido (Ben Affleck) dormia com a mulher que havia recebido tanto para isso. Crowe dá-se conta de que nunca falou o valor para Robin. Ele corre ao escritório do senador, mas quando entra na sala ele vai logo perguntando quem é fulano e se esquece do detalhe que parecia importante. Devo ter perdido algum elo ao não fazer a ligação entre o detalhe do dinheiro referido por Robin e o sicário a soldo de Affleck 9o cara nem é sicário, é assassino por 'consciência'). As mãos dadas de Affleck e Robin no carro indicam que seria um plano dos dois, usar o ex-soldado para matar e o jornalista para encobrir o crime? Muito complicado, mas nem vou fazer força para entender porque achei o thriller do McDonald bem ruinzinho, sorry. E os personagens? De que lata de lixo tiraram o super Crowe, com aquele visual? E a editora Helen Mirren? Cassem o Oscar dela, pelamor de Deus. Esta mulher está se acabando... Fui rever hoje de manhã ‘Trama Internacional’, de Tom Tykwer, com Clive Owen e Naomi Watts e, comparativamente, confesso que terminei gostando do thriller que não me havia impressionado no Festival de Berlim (exceto pela cena espetacular do tiroteio no Museu Guggenheim). O poder das corporações em um filme, o dos bancos no outro se assemelham, mas eu embarquei no de Tykwer por causa de Owen e Naomi, que fazem toda diferença. Gostei muito de uma cena com Armin-Mueller Stahl, quando ele diz que a ficção tem de fazer sentido,a realidade não. É justamente o que me incomoda em ‘Intrigas de Estado’. Aquela ficção não faz sentido, pelo menos para mim, aquele elogio à imprensa contra a política, ou os políticos, mas ali ninguém é flor que se cheire, como percebe a aspirante a repórter Rachel McAdams, que vai aprendendo na porrada, comprometendo-se com métodos excusos e quetais, só para no fim assinar uma reportagem com Russell Crowe. No final de ‘Trama Internacional’, é a família, por meio da Máfia, que consegue fazer justiça contra o banco. É uma solução de ficção, mas catártica. Quando o entrevistei em Berlim, Tykwer me disse uma coisa que achei curiosa. Havia comentado com ele a importância da arquitetura – e da cor – no filme para expressar esse mundo desumanizado, de vidro, onde tudo é transparente, mas nada se revela. Acho que seria possível pensar o mundo atual só a partir desse detalhe. Todo mundo, a imprensa inclusive, cobra transparência, em tudo. A moderna arquitetura transforma as sedes desses conglomerados em palácios de vidro, mas não há transparência, porra alguma. Muito interessante. A conversa com Tykwer evoluiu nesse sentido e ele me falou num diretor francês cujo nome não ouvia há anos. Quem se lembra de Henri Verneuil? Tykwer me disse que a grande referência, inclusive arquitetônica, em seu thriller, é Verneuil. Fui ao nosso querido Jean Tulard. Vejam o que ele diz – ‘Com seu cinema de sábado à noite, Henri Verneuil não goza de boa reputação junto aos cinéfilos. Mas é tempo de lhe render justiça. Ele conhece sua profissão e não despreza jamais o público que assegurou o êxito de seus filmes.’ Verneuil dirigiu policiais com os maiores durões da França – Gabin, Delon, Belmondo, Ventura. Tem um thriller dele de que guardo uma lembrança forte – ‘A Serpente’, com Yul Brynner, Henry Fonda, Dirk Bogarde e Philippe Noiret, gélido, complexo, perturbador, sobre a caçada a um dissidente da KGB que está desertando para o Ocidente. E ele fez ‘I como Ícaro’, com Yves Montand, que agora, retrospectivamente, me dou conta que talvez tenha sido o modelo de Tom Tykwer para ‘Trama Internacional’. Montand faz op procurador que investiga assassinato de político e descobre uma conspiração. Verneuil se in spirou nas pesquisas do psicólogo norte-americano Stanley Milgram sobre submissão à autoridade. Para Milgram, qualquer indivíduo pode realizar atos contrários à sua consciência ou vontade, desde que se sinta protegido por uma autoridade superior. isso explica muita couisa, não? Jean Tulard está certo. É mais do que tempo de fazer justiça a Henri Verneuil. E quem está começando isso é Tom Tykwer.
Comentários:
Comentário de: Xokito Cunha [Visitante]
15.06.09 @ 20:12Em 'Trama Internacional’ a cena do museu é interessante! Mas um comentário do filme me causou reflexão quando ele diz: que a diferença entre realidade e ficção que é a vida não tem lógica e a ficção tem que ter uma lógica. Às vezes nos deparamos com situações imponderáveis e aparentemente ilógicas em nosso cotidiano e quando lemos ou assistimos uma ficção nosso senso crítico fica querendo entender toda lógica construída pelo autor e ou personagens. Talvez os acadêmicos sejam mais chatos que os críticos/jornalistas. Não sei se tem lógica o que escrevo. Sei lá.
Comentário de: Mário Kawai [Visitante]
16.06.09 @ 12:41A entrevista com Assayas também está no portal do Estadão - dia 15/06.
Basta digitar, na ferramenta de Busca "O Cineasta dos Personagens Nobres".
Merten, no post sobre Helmut Käutner, esclareci que tanto "O General do Diabo" (quarta, 17h00) quanto "Ludwig II" (sábado, 17h00) estão programados. Espero que comentário não tenha sido excluído junto com o post duplicado.
Comentário de: aurelio cardoso [Visitante]
16.06.09 @ 17:45Lembrei de Verneuil pois alguns de seus filmes assisti no final dos anos 70 e gostei principalmente de Os Sicilianos... com uma trinca de atores da pesada, Delon, Gabin e Lino Ventura.
Os Ladrões tabém gostei com Belmondo e Omar Sharif, filmado na Grécia em Atenas, com uma estonteante perseguição de carros.
Boa lembrança... alguns diretores passam e são pouco realçados ... mas tem seus méritos.
E não esquecer que a trilha sonora dos dois filmes citados tem a mão do genial Ennio Morricone
Comentário de: Caio [Visitante] · http://godvsgodard.wordpress.com/
16.06.09 @ 20:35Peloamordedeus, fui eu quem pediu para você postar a entrevista do Assayas no blog.
Faça esse favor para um amigo, porque é a única maneira de acesso pra mim.
Sou eu quem acho ele o maior da atualidade, etc, etc, etc... hehe.
Deixe seu comentário:
- Fevereiro 2010 (11)
- Janeiro 2010 (52)
- Dezembro 2009 (76)
- Novembro 2009 (58)
- Outubro 2009 (64)
- Setembro 2009 (48)
- Agosto 2009 (64)
- Julho 2009 (93)
- Junho 2009 (57)
- Maio 2009 (91)
- Abril 2009 (74)
- Março 2009 (68)
- mais...

Twitters 
RSS