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30.11.09
Comprei, há dias, já havia falado, a edição de outubro, acho que é isso, da revista 'Cahiers du Cinéma', que costuma chegar aqui atrasada. A revista dedica um extenso artigo a 'A Lenda de Lylah Clare', que, pelo visto, acaba de ser relançado na França. Quando o filme estreou, em 1968, um ano antes de 'Triângulo Feminino', muita gente escreveu que Aldrich se vingava do estúdio que lhe fizera expurgar as cenas de homossexualismo de mulheres - um célebre beijo na boca - em 'Pânico em Singapura', de 1954. 'Lylah Clare' tem elementos de 'Um Corpo Que Cai' (Vertigo), até pela presença, carnalíssima, da hitchcockiana Kim Novak, em seu próprio papel, o de uma estrela de cinema mitificada (e destruída pela máquina do cinemão). Sempre fui admirador de 'Lylah Clare', um dos filmes de Aldrich que realmente me pareciam dignos de resguardar, não só por sua ousadia na abordagem das cenas de lesbianismo - embora o tema não seja esse - e mais pelo ataque que o cineasta faz a Hollywood. Me lembro do desconcerto que produziu, na época, o que eu mais adorava - o desfecho com a propaganda de ração para cães na TV e a cachorrada que invadia o estúdio. Lembro-me de críticos que perguntavam o que era aquilo e sentenciavam - Aldrich está louco, acabado. 'Cahiers' agora descobriu que aquilo é genial e discute amplamente o que são aqueles cachorros, ou quem são? O público da era dos reality shows? Aldrich seguiu radicalizando e, em 'Triângulo Feminino', sobre os bastidores da TV, terminou o filme com Beryl Reid mugindo feito uma vaca, depois que a executiva Coral Browne lhe tomou a mulher (Susannah York) e o programa, assassinando a irmã George do seriado (o título original é justamente 'The Assassination of Sister George'). Aldrich sempre foi um dos meus amores, não só pelo que conseguiu fazer, mas pelo que tentou (e foi derrotado em Hollywood). O curioso é que Aldrich, tão rebelde e 'contestador', era filho de banqueiro - como Walter Salles, mas esta é outra história. Tenho de admitir, e não me perguntem por que, já que gosto tanto de Aldrich, que nunca vi seu último filme, 'Garotas Duras na Queda', sobre mulheres e luta livre. Outro dia, alguém me pediu que postasse alguma coisa sobre o filme. Não o fiz por isso. Sei que tem gente que adora 'All the Marbles' (ou 'The California Dolls', os títulos originais, nos EUA e na Inglaterra) e, mesmo sem ter visto, tendo a lhes dar razão. Mulheres duras na queda tinham tudo a ver com Aldrich.
Comentários:
Comentário de: Xokito Cunha [Visitante]
30.11.09 @ 18:07Já que você tocou no assunto de beijo lésbico, gostaria que comentasse sobre o sexo e nu explícito em filmes. O que beira pornô, o que é arte, o que é choque gratuito, ou o que é genial ou banal? A cena inicial de Anti-Cristo é o que? O sexo do filme OS IDIOTAS é o quê? O sexo e o nu explícito de Pasolini é o quê? Não vamos vamos falar de Alexandre Frota, Rita Cadilcac, Leila Lopes, Vivi Fernandes e Gretchen, kkkkkkkkk.
Comentário de: Mauro Brider Prates [Visitante]
30.11.09 @ 19:32Olá Luiz. Eu também adoro Aldrich e não concordo com os que dizem que ele decaiu nas décadas de 60 e 70. Meu filme preferido dele é A morte num beijo, mas amo dois filmes que ele fez na década de 70: O imperador do norte e Os rapazes do coro. Também gosto muito do ousado O último brilho do crepúsculo, um dos mais críticos filmes que já vi sobre a política externa dos EUA.
Um abraço
Comentário de: maristela bairros [Visitante] · http://www.clinicadapalavra.blogspot.com
30.11.09 @ 19:44Oi, Merten. Não tenho teu mail, então vou te passar uma pauta por aqui mesmo: a inovação que o Carlos Schmidt promoveu no Guión, retirando filas de poltronas para dar mais conforto ao espectador. É inédito no Brasil. Aqui na província, a mídia só se preocupou quando ele fechou o Guion Sol. Dá uma olhada aqui no link http://www.guion.com.br/puff3.html
Carlinhos tá pensando em jogar a toalha. É uma lástima. abraços
maristela
Comentário de: Xokito Cunha [Visitante]
01.12.09 @ 07:07Mais uma questão para você comentar, saiu a lista dos filmes que foram fracassos de bilheteria nos EUA na primeira década de 2000:
As Aventuras de Pluto Nash, 2002 (US$ 100 milhões para US$ 4,4 milhões)
A Reconquista, 2000 (US$ 75 mi para US$ 21 mi)
A Terra Perdida, 2009 (US$ 100 mi para US$ 65 mi)
Contato de Risco, 2003 (US$ 54 mi para US$ 6,1 mi)
Ricos, Bonitos e Infiéis, 2001 (US$ 90 mi para US$ 6,7 mi)
Mulher-Gato, 2004 (US$ 100 mi para US$ 40 mi)
Invasores, 2007 (US$ 80 mi para US$ 15,1 mi)
Rollerball, 2002 (US$ 70 mi para US$ 19 mi)
Planeta Terror, 2007 (US$ 60 milhões para US$ 19,8 mi)
The Spirit - O Filme, 2008 (US$ 67 mi para US$ 25 mi)
E no Brasil? Sabe-se lá. Há filmes que não saem em DVD, não ficam em nenhuma sala, não são selecionados para nenhum festival. Há filmes que nem sabemos que foram feitos. É muito difícil!
Comentário de: CELDANI [Visitante]
01.12.09 @ 11:30Merten,
Vez por outra você atende os leitores do blog que solicitam algo sobre filmes antigos. Legal!
Que tal falar um pouco do "Mensageiro do Diabo" - The Night of the Hunter, creio que o único filme dirigido por Charles Laughton. E aquela fotografia do Stanley Cortez?
Abraço.
Comentário de: Bruno [Visitante]
01.12.09 @ 12:03Seu Merten, o sr. pode me fazer um favor? Diz pro Tutty Vasques que o blog dele sem os comentaristas é pior que o cinema nacional.
Obrigado.
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