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23.07.08
PARIS – Não sei se é precipitação de minha parte, mas estou louco para acrescentar o post que começo a redigir agora. O fato de ter visto um velho De Sica – ‘Matrimônio à Italiana’ – e também de ter comprovado o excepcional interesse pelo ciclo em homenagem a Dino Risi – a fila era enorme para ver ‘Perfume de Mulher’, com Vittorio Gassman no papel que Al Pacino recriou em Hollywood -, pode ter me motivado, mas vamos lá. Acho, espero que seja verdade, que algo de novo está ocorrendo no cinema italiano. Órfão de Antonioni, Fellini e Visconti – e financiado em grande parte pela televisão -, o cinema italiano há tempos vem chafurdando na mesmice e quando ocorre alguma exceção é para confirmar a regra. O melhor filme italiano recente que havia visto foi ‘Bom-Dia, Noite’, de Marco Bellocchio, mas também havia gostado de ‘La Meglio Gioventù’, antes que Marco Tullio Giordana decepcionasse com seus filmes seguintes. No dia 8, estréia ‘Meu Irmãos É Filho Único’, de Daniele Luchetti, que amei no ano passado, quando o vi em Cannes – e até incentivei Dona Elda, da PlayArte, para que o comprasse. Um filme que mistura ‘La Meglio Gioventù’ com ‘Rocco e Seus Irmãos’, para falar de família e política (uma política da família?). Em Cannes, em maio, assisti a ‘Il Divo’, de Paolo Sorrentino, e ‘Gomorra’, de Matteo Garrone, ambos com o mesmo ator, o extraordinário Toni Servillo. Os dois filmes estavam em Wroclaw e o de Garrone, especialmente, foi apontado pela crítica polonesa como um dos dois ou três imperdíveis numa programação de mais de 400 títulos. Há um culto a Garrone, considerado o enfant terrible do cinema italiano atual, mas eu confesso que prefiro Sorrentino, de ‘L’Amico di Famiglia’ e ‘Il Divo’, mesmo reconhecendo qualidades que não me haviam impressionado tanto em ‘Gomorra’, quando o vi em Cannes (e a imprensa italiana dava como certa a Palma de Ouro, que não veio, claro). Também em Wroclaw, vi o filme que Ermanno Olmi está dizendo que vai ser seu último – ‘Centochiodi’ – e amei. Entre um veterano como Olmi e jovens como Luchetti, Garrone e Sorrentino, algo de novo está se passando no cinema italiano, que não é só Nanni Moretti (e Bellocchio e, pontualmente, Bertolucci). Fico feliz. O cinema italiano foi tão decisivo na minha formação (Visconti, Visconti e Visconti). Acompanhava com tristeza a sua mediocrização. Ei-lo que ressurge – será?
PARIS – Cá estou eu de novo, pela sexta vez neste ano, na capital mundial da cinefilia. Cheguei ontem e, de cara, vi um filme – ‘A Ilha Nua’, de Kaneto Shindo. Hoje, vi mais um na retrospectiva do cinema japonês, ‘As Flores do Equinócio’, de Yasujiro Ozu, mais um noir, ‘The Spiral Staircase’, de Robert Siodmak, que aqui se chama Deux Mains, La Nuit’, e um filme de Vittorio De Sica. Não me perguntem por que, mas nunca havia assistido a ‘Matrimônio à Italiana’. O filme está sendo relançado em cópia nova. Nos créditos iniciais, consta a informação de que foi restaurado (em 2002) pela Associação de Amigos de Vittorio De Sica, que nem sabia que existia. Sempre ouvi falar que era uma comédia, mas na verdade é um melodrama, e melhor do que ‘Os Girassóis da Rússia’, que De Sica também fez com Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Fiquei agora na maior dúvida. Amanhã, tenho tempo de ver mais um filme antes de ir para o aeroporto, iniciando o caminho de volta para o Brasil. O que verei? ‘Palavras ao Vento’, também em cópia nova, num ciclo em homenagem ao rei do melodrama, Douglas Sirk, ou outro Ozu, ‘Crepuscule à Tokyo’, que não tenho certeza, mas acho que deve ser ‘Viagem a Tóquio’? Se for, é o meu Ozu favorito, com Chisu Ryu, e se não for é mais uma oportunidade de conhecer outras obras do grande diretor. Só quero assinalar uma coisa. Hoje estrearam aqui ‘Cidade dos Homens’, do Paulo Morelli, com críticas simpáticas na imprensa cotidiana, e o Im Kwon-taek que havia visto no Festival de Wroclaw. ‘Beyond the Years’ chama-se, aqui, ‘Souvenir’. É a história de um músico de pansori obcecado pela lembrança da meia-irmã cega (e cantora). Havia amado o filme. Kiko Goifman e Raquel Monteiro, que também estavam na Polônia, foram ver – segundo minha indicação – e acharam que era melodramático, horroroso etc. Comprei hoje as edições de julho de ‘Cahiers Du Cinéma’ – a capa é com Louis Garrel – e ‘Positif’ – um número dedicado a Michelangelo Antonioni. É raro que ‘Cahiers’ e ‘Positif’ cerrem fileiras elogiando os mesmos filmes. Está ocorrendo agora. Ambas as revistas amaram ‘Souvenir’, Chef d’oeuvre, obra-prima, é como definem o centésimo – 100º! – filme do mestre coreano. Kiko e Raquel me desculpem, mas é uma obra-prima. Se não for estrear, espero que pelo menos passe no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.
21.07.08
WROCLAW - Parto amanhã para Paris, onde fico duas noites, antes de regressar para o Brasil. Ainda faço uma última apresentação de um filme da retrospectiva do cinema brasileiro - 'São Paulo S.A.', de Luiz Sérgio Person -, antes de seguir para o aeroporto. Estou escrevendo passado da meia-noite, o que significa que, tecnicamente, já estou no amanhã da Polônia, embora ainda seja 'ontem' para vocês, no Brasil. Acabo de ver o filme de Ermanno Olmi, 'Centochiodi'. Estou siderado. O filme é de 2006, mas é possível que tenha ficado parado estes dois anos. Nunca havia ouvido falar de 'Centochiodi' e a única referência do catálogo é que ele passou em Roterdã, 2008. Olmi fez uma parábola, mais uma, sobre o Cristo. 'Ed venne un uomo', como no seu filme de 1965, inspirado no exemplo do Papa João XXIII. Este homem é um professor - professorino, porque parece um estudante -, que comete uma blasfêmia aos olhos da Igreja (e da Universidade Católica de Bolonha). Ele trespassa livros sagrados com um cravo - cem cravos - como um ato de protesto. Todos os livros que concentram a sabedoria humana não valem um café com um amigo. O velho padre, seu mestre, ama os livros mais do que a humanidade, e quando ele diz ao professorino que ele terá de pagar por seu crime no Julgamento Final, a resposta é que o próprio Deus terá de responder por sua indiferença pela dor humana. Repleto de referências religiosas, o filme é de uma beleza de cortar o fôlego. O professorino, qual um Cristo moderno, integra-se a uma comunidade que vive à beira do Rio Pò e que corre o risco de ser desalojada, porque não é importante aos olhos da sociedade organizada. O legado do professorino para esta gente simples é a cidadania, mais do que a religiosidade. São raros os filmes como este do Olmi, que propõem verdadeiras experiências estéticas, e éticas. Um cinema do humano. havia uma platéia predominantemenjte jovem que aplaudiu 'Centochiodi' durante e após a projeção. O próprio Olmi diz que será seu último filme para cinema. Não entendia o que ele queria dizer, antes de assistir a 'Centochiodi'. Depois, fica claro como água. O filme é o testamento de um homem - de um artista - que acredita na Graça. Tudo o que Olmi queria dizer sobre Deus e os homens, sobre o sagrado e o profano, sobre a natureza - sempre uma personagem forte em seu cinema, como provam 'A Árvore dos Tamancos' e 'O Segredo do Bosque Velho' - está aqui concentrado. Tudo o mais seria supérfluo. Que coisa! Espero que amanhã este encantamento não tenha se dissipado.
WROCLAW - Tive uma programação bem intensa hoje. Pela manhã, descobri que Lee Kang-sheng, o ator de Tsai Ming-liang e diretor de 'Help Me Eros', está hospedado no mesmo hotel que eu. Apresentei um filme da retrospectiva brasileira - 'Carlota Joaquina', de novo -, dei algumas entrevistas (como curador) e fui ver o filme do Sheng. Varios filmes que vi aqui em Wroclaw - 'Les Amours d'Astrée et Céladon', 'Beyond the Years' e 'Sol Negro', tratam do amor eterno, do amor puro. 'Help Me Eros' segue o caminho inverso. Os personagens precisam baixar ao nivel mais sórdido do sexo em busca de uma transcendência. Não morri de amores pelo filme, que já passou na Mostra, mas achei bem interessante e certamente mais atraente do que a visão 'cristã' - a ditadura da culpa - de Zanussi. À tarde fui ver 'Possessão' e tive outra decepção. Não sabia exatamente o que esperar do filme de Andzej Zulawski, mas o que encontrei não me satisfez. O relato de um casamento em desintegração é assombrado pelo fantástico e, no começo, o corpo estranho que 'possui' Isabelle Adjani pode muito bem ser uma projeção de desejos reprimidos. No final, o fantástico parece que assombra o próprio diretor e o seu casal é destruído para que 'duplos' gerados pelo monstro assumam seus lugares. Não gostei e a histeria de Isabelle, em desempenho premiado em Cannes, me deixou pasmo (no mau sentido). Na seqüência, fui rever 'Gomorra', de Matteo Garrone, que os italianos achavam que ia papar a Palma de Ouro em Cannes, em maio, e ficaram furiosos quando o filme ganhou o Grand Prix do júri. 'Gomorra' tem um lado 'Cidade de Deus', mostrando como opera a Camorra, a Máfia napolitana, recrutando jovens para atividades criminosas que incluem o controle das drogas e da indústria do vestuário clandestino, as imitações de grifes famosas. Não havia gostado muito do filme, mas tenho de reconhecer que Garrone, nascido em 1968 e diretor desde 1996, constrói cenas poderosas que explicam sua fama de 'enfant terrible' do cinema italiano atual. E o filme dele tem Toni Servillo, ator-fetiche de Paolo Sorrentino, que também estava em Cannes com 'Il Divo'. É o pelamor de Deus. O prêmio de interpretação masculina para Benicio Del Toro, o Che de Soderbergh, foi a grande cagada - me desculpem a vulgaridade - do júri presidido por Sean Penn. Servillo podia ter ganhado tranqüilamento pelo chefe mafioso de 'Gomorra' como pelo Giulio Andreotti de 'Il Divo'. Com os dois filmes, ele deve ter dado um nó muito grande na cabeça dos jurados, porque são criações tão fortes como não se vêem com freqüência - só muito raramente - na tela. Vou agora a uma recepção para Roger Donaldson, que está aqui participando da retrospectriva do cinema neo-zelandês - e com 'The Bank Job', que adorei. Na seqüência, quero ver 'Centochiodi', de Ermanno Olmi, o mestre de 'A Árvore dos Tamancos'. Olmi já anunciou que este será seu último filme narrativo (para cinema). Ele quer fazer agora só documentários e filmes experimentais para TV e circuitos especiais. Como perder? Afinal, além da 'Árvore', premiado com a Palma de Ouro, nos anos 70, ele fez também 'Il Posto' e 'A Lenda do Santo Beberrão'. Gosto muito do rigor de Olmi, que tem alguma coisa de Bresson, na sua busca da graça (no sentido teológico). Vamos lá!
20.07.08
WROCLAW - Me disseram, antes de sair do Brasil, que os comentarios do blog entrariam via e-mail, para aprovacaoh, que agora eh necessaria. Soh que naoh estaoh entrando po... nenhuma e isso jah estah me batendo nos nervos. Tive uma noite muito agradavel hoje, em Wroclaw. Assisti aa apresentacaoh de musica ao vivo de Michael Nieman, tocando a trilha dele para `O Homem da Camera`. Jah vi tantas vezes o filme de Dziga-Vertov, mas nunca consigo me emocionar com ele. Acho interessante, afinal, eh um experimento, mas nada mais do que isso. Sentei-me ao lado de Joseh Miguel Wiznik, ficamos conversando e ele, com certeza, gostou muito mais do que eu, ateh da trilha do Nieman, composta em 2002 (para o filme de 1929). O curioso eh que pensei muito em `Limite`, de Mario Peixoto. Dziga-Vertov quis criar a experiencia cinematografica pura, livre de toda influencia teatral ou literaria. O conceito do filme dele eh muito interessante. O povo e a cidade, sob o novo socialismo, numa dinamica muito grande. Nada a ver com o lirismo de comediantes como Harold Lloyd, que olhavam, nos anos 20, o carro como bicho domestico. Na mesma epoca, a vanguarda russa via o futuiro como uma coisa real, que jah existia. O progresso em movimento. Depois vieram Stalin e o realismo socialista e comecou o imobilismo. Esta analise nem eh minha, eh do Wiznik, mas assino embaixo, sem me entusiasmar com o experimentalismo de Dziga-Vertov, que, de alguma fdorma, me remeteu a Mario Peixoto. A noite prosseguiu num restauranrten onde fomos todos - um grupo de 13 pessoas - comer harenque com vodca num restaurante da praca grande, onde estah montado o telaoh das projecoes para o grande publico. Foi lindo. O filme era de Roger Donaldson, com Anthony Hopkins, `The Last Indian Runner`, ou coisa parecida. O proprio Donaldson estava lah. Naoh prestei muitas atencaoh, mas as cenas de acaoh - corridas - eram espetaculares. No final o publico aplaudiu calorosamente. Achei emocionante.
WROCLAW - Isto jah virou piada, estou falando desta minha confusaoh com alguns diretores tipo Zulawski e Borowczyk. Outro dia troquei alhos por bugalhos e, querendo falar do diretor de `Possessaoh`, citei Borowczyk, quando eh Zulawaski.A confusaoh prosseguiu hoje quando falei sobre o Zanussi. Ele estah mostrando aqui seu novo filme, `Sol Negro`, producaoh italo-francesa, falada em italiano, com Valeria Golino. Um filme sobre o amor infinito, sobre uma mulher que planeja vingar a morte do marido - tipo `A Noiva Estava de Preto`, do Truffaut - e descobre que a vinganca eh vazia. Ele era um anjo e ela eh que deve morrer, em vez do assassino. Ih, estou contando o final, mas naoh faz mal. Esta eh uma daquelas tragedias anunciadas e o como eh certamente mais importante do que o por que. Acho curioso como varios filmes aqui neste festival, os de Rohmer e Im Kwon Taek tambem, estaoh tratando do amor puro, do amor que desafia o tempo (e a morte). Zanussi sempre foi o diretor mais desconcertante da nouvelle vague polonesa. Fez filmes como `Estrutura de Cristal` e `Illumination`, ambos ligados a temas filosoficos e baseados em estruturas narrativas complexas, como se a linguagem, acima de tudo, fosse o grande assunto de seu tema. O novo filme naoh foge a essa linha, com sua discussaoh do bem e do mal, do Diabo que naoh aguenta tanta beleza do anjo marido de Valeria, e tenta um sujeito qualquer para destrui-lo. Espero poder falar com o diretor, mas tive de sair correndo da sessaoh para passar no hotel e seguir para a Opera de Wroclaw, onde ocorre daqui a pouco a exibicaoh de `O Homem com a Camera`, com acompanhamento ao vivo de Michael Nieman. A confusaoh que fiz com o Zulawski eh a seguinte. Ele tambem estah sendo homenageado pelo festival com uma retrospectiva. Hoje, as 10 da noite, apos o concerto, passa `Possessaoh`. Estou muito afim de quebrar o encanto e ver, enfim, o filme com Isabelle Adjani.
WROCLAW - Havia passado no business center soh para dar uma noticia dos meus ultimos dias aqui no festival de cinema. Tivemos ontem um debate muito interessante sobre o cinema da retomada - depois eu entro em detalhes, mas havia bastante gente interessada na discussaoh -, mais um coquetel promovido pela embaixada do Brasil, logo apos o concerto de Michael Nieman, o compositor de Peter Greenaway, que foi acompanhado de sua soprano, uma australiana maravilhosa, cujo nome preciso descobrir. Naoh imaginava que o coquetel fosse ser taoh bom para mim. Encontrei o Nieman e a soprano dele e naoh resisti. Fui para cima dos dois, seguido pela brasileirada que baixou como um enxame sobre a dupla. Michael foi otimo - hoje ele apresenta o acompanhamento ao vivo de `O Homem com a Camera`, de Dziga-Vertov. Contei-lhe que Greenaway vai filmar no Brasil e ele perguntou o que. Disse-lhe que um filme pornografico, ele fez uma observacaoh que adorei - disse que hah tempos ouve falar deste projeto, mas naoh creh que Greenaway seja o homem para falar de sexo e pornografia. Sexo naoh eh a praia dele (de Greenaway), diz o Nieman, e eu que sempre pensei isso, nas muitas entrevistas que fiz com o cara. Achei finalmente alguem mais proximo do cineasta para ratificar o que secretamente pensava. Tambem estavam no coquetel o Terence Davies, homenageado com uma retrospectiva aqui em Wroclaw, e o Krszyztof Zanussi, de quem falamos outro dia, sobre `Possessaoh`. Vou poder conversar hoje com o Zanussi, no fim da tarde, depois de ver `Black Sun` - e as 10 da noite espereo assistir, enfim, a `Possessaoh`, com a Isabelle Adjani. O papo mais legal foi com Terence Davies, que hah oito anos naoh filmava. Seu ultimo filme, `The House of Myrtle`, baseado em Edith Wharton, foi o maior sucesso de publico de sua carreira e, mesmo assim, ele naoh encontrou produitores interessados em seus novos projetos. Davies falou muito mal do sistema ingles de producaoh. Revelou que, para naoh enlouquecer, se refugiou na poesia e produziu muita coisa ao longo destes oito anos. Fez tambem este documentario sobre `Liverpoool`, sua cidade, voltando-se, mais uma vez, para a musica e para as origens operarias de sua familia. Tantos encontros notaveis. Wroclaw estah sendo o paraiso para mim. Encontrei ateh um representante do Instituto Sueco, Patrik Andersson, que havia conhecido em Faro. Ele estah aqui jah definindo o que serah a retrospectiva que o festival vai dedicar no ano que vem ao cinema sueco, como estamos tendo este ano as do cinema brasileiro e neo-zelandes, mais as homenagens a Terence Davies e Theo Angelopoulos. Como Bergman estah bem mapeado, Patrik vai sugerir uma homenagem a Jan Troel. Apresentei-ao Sergio, do Sesc - sorry, mas tropeco no nome, naoh sei ateh agora se eh Spinelli ou Espinelli -, na expectativa de que resulte alguma parceria e que a gente possa ver em Saoh Paulo um pouco da obra do Troel ou de quem mais for possivel, entre os grandes do cinema da Suecia.
WROCLAW - Desci no business center do hotel, antes de ir para uma sessaoh do festival. Encontrei Joseh Miguel Wiznik, que abriu o terminal e me disse - morreu Dercy Gonalves. Que coisa! dercy foi hom,enageada hah duas semanas, se tanto, no Festival de Paulinia. Estava bem - enfim para os seus 101 anos. Lucida, desabocada como sempre. Duvido muito que alguem da minha geracaoh naoh tenha sido marcada pela presenca de Dercy nas chanchadas, embora `Uma Certa Lucrecia` e `Absolutamente Certo` possuam elementos do genero, mas nmaoh sejam chanchadas puras. E a verdade, tenho de admitir, eh que sempre me diverti mais com Violeta Ferraz, cujo grito de guerra `O petroleo eh nosso`, ateh hoje ressoa no meu imaginario, tal como eh proferido no desfecho do filme de Watson Macedo (espero que seja mesmo dele e naoh do Joseh Carlos Burle, para naoh cometer injustica). Mas Dercy foi uma figura. Enfrentou, e venceu, o preconceito que fazia com que artistas tivessem de usar carteirinhas sanitarias de prostitutas no comeco da carreira dela. Nunca ninguem disse tanto palavraoh na historia do Brasil, nem Leila Diniz, e Decry era adorada por uim p[ublico familiar que naoh queria nem ouvir m..., que dirah pqp, mas ela dizia e as pessoas aceitavam, porque era Dercy. Como Oscarito, Grande Otelo, Mazaropi e Violeta Ferraz, Dercy escrachava nossa identidade, atolando nosso peh no humor chancho. Descansa em paz, Dercy, ou entaoh vai armar barraco no ceu, o que eh mais provavel.
19.07.08
WROCLAW - Tive ontem um dia agitado, dando entrevistas - como curador da retrospectiva brasileira no festival internacional de cinema desta cidade polonesa - e apresentando filmes - o primeiro foi `Carlota Joaquina`, daqui a pouco serah `Terra Estrangeira`. Mesmo assim, tenho tido tempo de assistir a alguns filmes que mere interessavam bastante. Hah temposd corria atras de `Les Amours d`Astree et Celadon` e ontem pude assistir ao filme de Eruc Rohmer. Foi uma experiencia e tanto. O filme baseia-se numa lenda celta, sobre rapaz que eh rejeitado pela noiva ciumenta, lanca-se num rio e eh salvo por ninfas. Por meio de uma discussao do amor fisico e espiritual, Rohmer faz com que seu heroi tenha de se passar por mulher para ficar perto daquela a quem ama. A plateia viu o filme como comedia gay. A garotada ria ruidosamente durante a sessao e eu fazendo, moutra viagem, completamente diversa, no imaginario de Rohmer. Hoje pela manhah jah assisti a `Beoynd the Years`, de Im Twon Taek. Eh o centesimo filme do diretor coreano, inspirado na cultural tradicional - no pansori - como `Chynhyang`. Outra historia de amor impossivel e de distancia, sobre tocador de tambor que foge de casa e passa o filme inteiro tentando se reaproximar da meia-irmah, a quem ama, e que o pai cegou para que ela pudesse expressar toda a dor e melancolia das cancoes que interpreta. Achei o filme lindo, uma reflexaoh sobre o amor e a arte que me tocou muito (e a do amor naoh eh taoh distante assim do filme de Rohmer). Embora naoh esteja conseguindo acessar os comentarios - espero faze-lo na volta - estou curioso para saber o que voces acharam, estaoh achando, do novo Batman, `Cavaleiro das Trevas`. Ateh!
17.07.08
WROCLAW - Estou aqui nesta cidade polonesa, que realiza seu 8.o Festival Internacional de Cinema, um mega-evento com mais de 460 filmes, incluindo homenagens a Federico Fellini, Theo Angelopoulos e ao cinema brasileiro. A viagem foi cansativa, diurna, quase 12 horas até Munique e, depois, mais uma até Wroclaw, fora as esperas em aeroportos. Com a diferença de horário, foi-se quase um dia inteiro. Mas, enfim, cá estou e a noite hoje promete. ÀS 6 locais (1 da tarde no Brasil) ocorre a abertura oficial, com a projeção de 'Quatro Noites com Anna', de Jerzy Skolimowski, que já vi em Cannes e é muito bom. Na seqüência, ocorre o show de abertura, um concerto com o sexteto de José Miguel Wiznik, que já encontrei há pouco, no almoço. Estou aqui cinco horas à frente de vocês, mas o bom é que já vi que a comunicação não vai ser difícil. Meu problema atual continua sendo o mesmo de ontem. Como me comunicar com vocês, isto é, onde estão indo parar os comentários. Sei que o Josafá esteve no debate sobre Bergman, na terça à noite, porque conversamos. De resto, espero que vocês tenham assistido ontem, por mim, a 'Da vida dos Marionetes'. Só estou dando um alô. Deixem as coisas acontecer um pouco por aqui e a gente volta a se falar.
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