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09.11.09

por Livio Oricchio, Seção: Coluna 08:46:17.

09/XI/09
Amigos, esse é o texto de minha coluna, hoje, no JT

A Fórmula 1 pode, mesmo, perder o GP da Grã-Bretanha. Não é uma ameaça de Bernie Ecclestone. Há bons anos, uns 15, ouvi dele próprio algo do tipo: “Quem quer faz, não ameaça”. E ao longo da história o homem que manda na Fórmula 1 vem agindo assim.

Os organizadores do GP do Canadá e dos Estados Unidos ficaram sabendo, através da imprensa, depois de a FIA divulgar o pré-calendário, que não mais fariam parte do Mundial. Achavam que pela importância para os investidores da Fórmula 1, o interesse das equipes e a tradição desse esporte nunca perderiam o direito de promover o evento. Todos viram o que aconteceu.

Mas o que existe por detrás do risco elevado de a nação que reúne o maior número de times e profissionais da Fórmula 1 não poder mais organizar seu GP? É bastante simples a resposta: dinheiro.

O autódromo de Silverstone pertence ao British Racing Drivers Club (BRDC), com sede lá mesmo. Todo promotor de GP deve pagar a Ecclestone uma taxa, a chamada promoter fee. Parte desse dinheiro vai para o fundo onde está o arrecadado com a venda dos direitos de TV, dentre outras fontes de receita da Formula One Management (FOM), de Ecclestone, e parte fica com o dirigente mesmo.

É desse fundo que depois as equipes recebem de acordo com sua classificação no campeonato de construtores do ano anterior, principal critério de distribuição da verba.

As novas nações com direito a organizar um GP, como Abu Dabi, China, Turquia, Bahrein, a cidade de Valência, pagam como promoter fee o valor médio de US$ 35 milhões, todo ano. Ecclestone sabe que não tem como cobrar esse valor de promotores privados, a exemplo de Silverstone, Indianápolis e Montreal, por isso pede menos. Mas não muito menos.

No caso de Silverstone, pela importância da Inglaterra para a Fórmula 1, o BRDC deposita para Ecclestone apenas £ 4 milhões, ou cerca de US$ 6 milhões. O dirigente não suporta mais esse privilégio. Donington pagaria muito mais, mas o projeto deu para trás. Como o BRDC alega não poder pagar mais, a diferença entre a proposta de Ecclestone e a do clube é enorme e o governo disse que não irá investir, a possibilidade de os britânicos perderem seu GP é real.

Estados Unidos e Canadá também pagavam muito menos que a maioria, não tiveram como renegociar e ficaram sem a prova. Canadá deve voltar este ano com auxílio da prefeitura de Montreal. Já a relação entre Ecclestone e Tony George, proprietário do circuito de Indianápolis, ficou tão tensa que o inglês já afirmou que a Fórmula 1 não volta para lá. Como o BRDC, George pagava um valor quase simbólico se comparado aos demais. E alegou não poder desembolsar mais. A diferença entre a Fórmula 1 ficar em Indianápolis e perder o GP dos EUA foi menor de US$ 7 milhões na última negociação, valor bastante baixo para a importância do evento para ambos.

Quanto o conservador Automóvel Clube de Mônaco, cuja suntuosa sede fica na reta dos boxes, pouco antes da freada da curva Saint Devote, paga a Ecclestone? Resposta: nada! O GP tem tamanho peso para a Fórmula 1 que sai de graça. É o único caso do calendário. Naqueles iates ancorados no porto nos dias da prova muitos negocios são encaminhados. É onde o chamado marketing de relacionamento mais se manifesta na Fórmula 1.

Se não houver mesmo uma saída, e hoje parece difícil, a perda do GP da Grã-Bretanha será significativa para a Fórmula 1, afinal a Inglaterra é o país que mais tem a ver com a competição. Mas se existe algo que Ecclestone não é quando a questão envolve dinheiro é ser emotivo.

 

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Comentários:

Comentário de: Esron Vieira [Visitante]
09.11.09 @ 10:13
Simples lei que rege o mercado: oferta e procura.
Garanto que a maioria dos leitores ficaram curiosos como eu. Quanto é pago à FOM, pelo privilégio de receber a F1 em Interlagos?

Esron:
Obrigado por escrever.
Até onde eu sei, US$ 26 milhões por edição do evento, responsabilidade da empresa promotora e organizadora, a Interpro. A Prefeitura investe cerca de US$ 8 milhões na atualização do autódromo e na prestação de serviços durante o período da prova.
Abraços!
Comentário de: Marco Antônio Castro [Visitante]
09.11.09 @ 10:55
A Fórmula 1, hoje, está parecendo um tumor maligno (perdoem-me a comparação).
Cresce, cresce, toma proporções inimagináveis e, bela hora, alguém vai lancetar isso e expurgar o que há de errado dentro dele.
Presidente da FIA envolvido com S&M, com direito a chicotes e prostitutas várias; dono de escuderia criando acidente para beneficiar seu piloto; grandes fábricas errando bisonhamente a torto e a direito; pilotos mentindo descaradamente; piloto mau caráter sendo valorizado ao extremo; escuderias fazendo os dirigentes das entidades que vão beneficiá-las como se nada estivesse ocorrendo e o restante do mundo fosse cego, surdo e idiota; pilotos falidos, desmoralizados, tratados como semi-deuses da mediocridade; circuitos que custam fortunas nababescas mas são incapazes de proporcionar uma corrida decente, com ultrapassagens, lutas pelas posições, mas são deslumbrantes "tendas armadas no oásis do deserto mais próximo"; a Inglaterra, berço do esporte a motor (tem gente que pensa que é a Itália, rs), correndo o risco de ficar fora do calendário por ganância do "titio" Bernie que precisa pagar pensão da(s) ex-mulher(es)...
Uma hora isso acaba e voltamos ao que era a categoria, a expressão máxima da tecnologia automobilísitca, pilotada por homens capazes, inteligentes e corajosos.
Afinal, estamos no séc. XXI!!!
Abraços,
Marcão
Comentário de: Paulo Galvão [Visitante] · http://Paulo Galvão
09.11.09 @ 13:52
Livio, gostaria de saber o porquê de eu sempre ler que o GP do Brasil sempre dá bastante lucro para o Bernie?
Abraços!
Comentário de: Marcelo Nascimento [Visitante]
09.11.09 @ 14:12
Falando sobre interlagos, US$26 milhões por 70000 espectadores dá US$370 por ingresso.
O ingresso é vendido mais ou menos por esse preço e o resto deve vir em propagandas/eventos...
Considerando que o povo britânico é muito mais fanático por automobilismo que o brasileiro e que a Libra vale mais que o dólar, será que os promotores do evento não conseguiriam mesmo recuperar os US$30 milhões?
Comentário de: Telles-SSA/Ba [Visitante]
09.11.09 @ 15:11
Ola, Livio !!!!

Voce tem alguma notícia do Lucas e do Nelson?
Comentário de: Montag [Visitante]
09.11.09 @ 18:32
Livio, por acaso você saberia dizer quanto a organização do GP do Brasil paga a FOM? De qualquer forma a cidade de São Paulo é beneficiada com o evento. Se arrecada muito e há lucro.
Comentário de: PAUL [Visitante]
09.11.09 @ 19:20
Livio, acredito que o mundo do Sr. Ecclestone começa a ruir, os japas dando o fora do mundial, A Europa com menos público, a chantagem do Sr. Ecclestone por maior lucro provas tradicionais pedindo agua.
As provas Arabes não fazem verão.(falta público)
Se o velhinho não manerar vai chupar o dedo LOGO LOGO!!!!!!!!!
Comentário de: André Souza [Visitante]
09.11.09 @ 22:00
Ah, esses jornalistas enferrujados. Falou, falou, falou mas a única informação que nos permitiria tangenciar os valores ao redor do mundo, que seria o valor pago por Interlagos a Ecclestone, não foi mencionado.

Sua resposta está numa das minhas respostas a um dos comentários. Da próxima vez que faltar com a educação seu comentário não será colocado no ar. Sou eu quem disponibiliza todos os comentários.
Livio Oricchio
Comentário de: Alfredo Aguiar, Orlando FL USA [Visitante]
09.11.09 @ 22:58
Olá Lívio

Interessante como para algumas pessoas todo o dinheiro do mundo ainda não é o suficiente.
Um dia ele vai, todos iremos, e o dinheiro todo dessa ganância desmedida não será suficiente para comprar um lugar honrado na história, Piór que não fazer parte da história é fazer parte do lado podre dela!!
Comentário de: Montag [Visitante]
10.11.09 @ 13:46
Obrigado por responder.
Comentário de: Jefferson Ricardo Lopes [Visitante]
12.11.09 @ 05:30
Caro Marcão : É a treva , como diria a jovem da novela.
Comentário de: Marcos Bertolo [Visitante]
12.11.09 @ 17:00
Livio, boa tarde

Concordo com o comentário do nosso amigo Alfredo Aguiar. O Sr. Eclestone esta acabando com a formula 1, pela sua ganância desmedida. Autódrmos tradicionais deixados de lado em troca de fortunas pagas por países que não tem a mínima tradiçao em automobilismo...e o espetáculo..arquibancadas lotadas..festa dos torcedores..alguns porres...churrascos em acampamentos...enfim pessoas se divertindo.

Não sei se estou sendo ingênuo, mas em nome do dinheiro se perde a essência da festa do automobilismo.

Um abraço

Marcos

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