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28.03.09
28/III/09
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne
A simples comparação visual da traseira dos carros da Brawn, Toyota e Williams com os demais já permite compreender que se trata de diferentes princípios de concepção.
Enquanto no modelo F60 da Ferrari e no MP4/24 da McLaren a porção final do assoalho, o difusor, a curvatura para cima na altura da parte final do aerofólio traseiro, percorre o carro linearmente de lado a lado, nos modelos BGP 01 da Brawn e TF109 da Toyota é possível observar que a região central do difusor apresenta uma depressão ou sobrelevação, sua linha final não é contínua, formando uma espécie de V ou U.
Esse detalhe e orifícios criados no assoalho pouco antes do difusor, não visíveis, orientando o ar para percorrê-lo, acelera a velocidade do fluxo de ar sob o carro. Em maior velocidade, o ar exerce menos pressão aerodinâmica, é um princípio físico, por também possuir menor densidade.
O mesmo ar exerce nos demais carros, Ferrari e McLaren no exemplo, pressão maior sob o carro por percorrer o espaço entre o asfalto e o assoalho numa velocidade menor. O formato do seu difusor não acelera o ar como no caso dos modelos da Brawn,Toyota e Williams. Pelo mesmo princípio físico, o ar mais lento é mais denso e exerce pressão maior.
Já foi possível compreender que o ar exerce na parte inferior dos carros da Brawn, Toyota e Williams uma pressão aerodinâmica menor que nos demais modelos da Fórmula 1.
Se há sob eles uma pressão menor, a força aerodinâmica que atua de cima para baixo, decorrente da passagem do ar sobre o carro, é então maior, pois há uma força menor empurrando-o de baixo para cima. É possível, então, se afirmar que a resultante aerodinâmica contra o solo é maior nos modelos da Brawn, Toyota e Williams.
Essa força resultante de aplicação de cima para baixo no carro possui nome em inglês: downforce. Quanto maior sua intensidade, maior será a pressão exercida sobre o carro e maior será a possibilidade de ele percorrer as curvas em velocidades mais elevadas.
Daí se dizer que os modelos Brawn BGP 001, Toyota TF109 e Williams FW31 serem mais estáveis, equilibrados. E, claro, mais velozes, conforme os testes de pré-temporada demonstraram e os treinos no circuito Albert Park, em Melbourne, comprovaram. Mais: devem, salvo surpresas, ser os vencedores da corrida.
A legalidade desse difusor é o grande debate técnico, hoje, da Fórmula 1. Para a maioria dos projetistas, o difusor deve ser linear como os das fotos da Ferrari e McLaren. Para alguns, essas depressões nos difusores são permitidas.
A FIA concorda com os engenheiros da Brawn, Toyota e Williams, embora a entidade costuma associar forte teor político nas suas apreciações, apesar de ser também verdade que o texto do regulamento técnico é mesmo dúbio. O Tribunal de Apelações da entidade dirá quem tem razão antes do GP da China, dia 14, em Paris.
Comentários:
Comentário de: Rama [Visitante]
28.03.09 @ 01:31Independente de qualquer coisa, parte do veredicto final já está dado.
Opção 1: A FIA vai assumir a culpa pela dupla interpretação do texto e dará um prazo para que as 3 equipes façam as modificações. Qualquer penalidade é descartada, pois não houve má fé, pois o erro partiu da FIA.
Opção 2: Nada acontece. As demais equipes que corram atrás do prejuízo.
O fato de comissários e Charles Whiting não terem ficado contra, por unanimidade, moralmente suspende qualquer chance de penalidade às equipes.
Concordam?
Abs,
Rama.
Comentário de: Luiz [Visitante] · http://groups.google.com.br/group/f1forumdeautomobilismo
28.03.09 @ 02:01Acredito q a FIA verá com bons olhos que equipes pequenas estão mais rápidas do que equipes "dominantes" da F1 por vários anos.
Excessão da Toyota, Brawn e Williams são independentes.
E ajudar as independentes é tudo o que a FIA quer.
Em breve as outras equipes terão de redesenhar seus carros...
Luiz
http://groups.google.com.br/group/f1forumdeautomobilismo
Comentário de: Beto Ique [Visitante]
28.03.09 @ 12:25Muito bom o texto postado, mas gostaria de mais uma lição:
- O Tribunal de Apelação pode anular o resultado deste GP com uma decisão retroativa à data da denúncia contras as equipes que usam esse difusor, retirando os pontos delas ou a decisão somente pode ter validade daqui adiante, ou seja, mesmo em caso de condenação ao uso e de declará-los irregulares, mantém-se os resultados e muda-se a concepção da Honda, Toyota e Willians do dia 14 para frente?
Comentário de: Paulo Ribeiro [Visitante]
28.03.09 @ 18:36Livio, também acho que a FIA foi quem não produziu regras definidas, onde as interpretações deram no que deu. Torço para que a decisão seja que a solução da TOYOTA, BRAWN e WILLIANS sejam liberadas para as demais equipes, seria melhor para o desenrolar do campeonato. Grande Abraço a todos!!!
Comentário de: Raphael Bastos [Visitante]
31.03.09 @ 19:22"O fato de comissários e Charles Whiting não terem ficado contra, por unanimidade, moralmente suspende qualquer chance de penalidade às equipes."
Deveria ser assim ne? Mas o Charles Whiting foi perguntado 2 vezes se a devolução de posição do Hamilon no GP da Belgica tinha sido ok pela Mclaren ele respondeu que sim.
Mas eh claro que ninguem achou issa contradição errada. Agora que eh para beneficiar um brasiliero todo mundo lembra das logicas.
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