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15.05.08

Link permanente Nelsinho não está na marca do pênalti na Renault
por Livio Oricchio, Seção: Notas Comentadas s 16:40:10.

15/V/08
Livio Oricchio, de Helsinque

Agora é a vez de Nelsinho Piquet. Ontem foi Felipe Massa. Como era? Criticado pela própria equipe por não ter segurado Lewis Hamilton atrás de si a fim de ajudar Kimi Raikkonen compor a dobradinha? Nada a ver.

Li no site da revista autosport, hoje, que Steve Nielsen, da Renault, criticou Nelsinho. Disse que o piloto precisa reagir como fez Heikki Kovalainen depois de um início de temporada difícil. “Nelsinho teve erros e acertos e necessita acertar mais logo porque Fórmula 1 é um negócio, e um negócio que apresenta como característica a degola. Quem não corresponder é mandado embora.”

Comentou, ainda, ter certeza de que Nelsinho pode reverter o momento desaforável. Viu nos testes e na prova de Barcelona, até errar na corrida, que ele tem velocidade. O que tem a fazer é concentrar-se, manter o foco e transformar sua capacidade em resultado.

A palavra amigo é muito forte, em especial na Fórmula 1. Mas Steve Nielsen, coordenador da equipe, cuja função é mais exercida em Enstone, na sede da equipe, que nos dias de competição, é um antigo professor para mim. Junto de Jacky Eecklaert, hoje na Honda, Gary Anderson, ex-Jordan, Stewart e Jaguar, Geoff Willis, Red Bull, Giorgio Ascanelli, Toro Rosso, dentre outros, são técnicos com que tenho abertura para conversar abertamente sobre muitos temas. De alguns deles tenho até o celular.

O que Nielsen disse não representa nada mais do que ele, você, eu e o mundo sabe: o Nelsinho não passará imune a uma temporada inteira sem resultados, principalmente porque o companheiro, Fernando Alonso, com todas as limitações do carro, vem somando pontos com regularidade.

É um fato: Nelsinho tem de melhorar, rápido. O mais importante: tem potencial para isso. É um bom piloto. Quanto? Só a pista responderá. Mas com certeza é bem mais do que estamos vendo. Hoje, dá para dizer, pelo que vem apresentando nos treinos livres e na classificação de Barcelona, é dois ou três décimos mais lento que Alonso. O que, por enquanto, não é ruim. Ao contrário, para quem está chegando na Fórmula 1 deve ser lido como bom.

Sincero, como sempre, explicou, em Istambul, que sua maior dificuldade é explorar o carro com pneus novos e pouco combustível. E sem se classificar bem, com a quase impossibilidade de se ultrapassar, acaba por fazer sua corrida lá atrás, onde as batidas são mais frequentes e escondendo seu potencial, maior do exposto.

Nos treinos livres está sempre muito próximo de Alonso. Perde, feio, na classificação. Se passar a conduzir com maior confiança naquela volta do tudo ou nada, na tomada de tempo, como fez num traçado que conhece bem, o da Catalunha, vai largar mais na frente e redimensionar suas provas. Terá até chance de marcar ponto, o que precisa fazer com rapidez.

Não corre risco de ser dispensado da Renault. Não está na marca do pênalti. Agora, se continuar assim, mais seis, sete etapas, e Alonso prosseguir somando pontos, como tudo indica, aí sim é capaz de Flavio Briatore, quem manda de verdade na escuderia, começar a pensar num “descanso forçado”, o que não acredito porque Nelsinho, como piloto, é mais do que estamos vendo.

O vi correr na Fórmula 3 Sul-Americana, na Fórmula 3 britânica e na GP2. A questão é trabalhar bem o psicológico para ganhar maior autoconfiança e com melhores voltas lançadas passar para a fase final do treino classificatório, o top 10, o que tornaria tudo muito mais viável. E é perfeitamente possível em razão, de como afirmei, ter potencial para isso.

Posso só imaginar o que a entrevista do Steve Nielsen irá gerar no Brasil. Com certeza vai ter gente afirmando que o Nelsinho está com o pé fora da Renault. Puxa!

 


14.05.08

Link permanente No 1º dia de treinos emPaul Ricard Hamilton confirma o favoritismo em Mônaco
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 17:21:36.

14/V/08
Livio Oricchio, de Helsinque

Início

Ontem foi o primeiro dia de treinos e até sexta-feira as equipes podem apresentar desempenho distinto nos testes de Paul Ricard, visando às duas próximas etapas do campeonato, o GP de Mônaco, dia 25, e do Canadá, 8. Mas ao menos ontem Lewis Hamilton comprovou o que se espera da McLaren dessas duas provas: deverá lutar pela vitória. O piloto inglês foi o que menos voltas completou, 84, no traçado curto de 3.593 metros, ainda assim fez o melhor tempo, 1min05s600.

Nas mesmas corridas, ano passado, a McLaren venceu sem dificuldades. No principado com Fernando Alonso e em Montreal, Hamilton. A Ferrari mudou muito o seu carro de 2007 para cá a fim de reduzir a diferença de performance para a adversária em circuitos de baixa velocidade. Ontem Raikkonen treinou com o modelo F2008. Foram 103 voltas, com 1min05s089 na mais rápida. É uma diferença de 489 milésimos para Hamilton. No fim do dia, o campeão do mundo experimentou o novo bico, com exaustão de ar, a ser utilizado no GP de Mônaco.

Robert Kubica já adiantou que espera ver a BMW muito forte no Canadá, com chance de conquistar para a equipe sua primeira vitória, mas em Mônaco o mais realista é de novo somar pontos. “Bons pontos”, como afirmou na Turquia. Ontem ficou com o terceiro tempo, 1min06177, em 124 voltas. A Red Bull é outro time que pode aproveitar as características da pista de Mônaco para avançar mais ainda este ano. Mark Webber só não somou pontos na abertura do calendário, em Melbourne. Tem 10.

Seu companheiro, o fanfarrão David Coulthard, talvez não disponha este ano de chance de tão boa para recuperar-se na temporada. Não marcou ponto em nenhuma etapa e é a razão de uma racha na associação dos pilotos (GPDA), por seu comportamento agressivo nos circuitos quando tentam ultrapassá-lo. O escocês que deve ser dispensado no fim do ano já venceu duas vezes em Mônaco, em 2000 e 2002, foi segundo em 1996, pela McLaren, e terceiro em 2006, com Red Bull. Costuma andar bem na difícil pista de 3.340 metros.

A Toro Rosso treinou, ontem, com seu novo carro. Sebastian Vettel completou 91 voltas, 1min06s372 na melhor. É o primeiro modelo do time que corre com bandeira italiana, mas é de propriedade de Gerhard Berger e Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, modificado pelo italiano Giorgio Ascanelli, ex-engenheiro de Nelson Piquet e Ayrton Senna. Ele assumiu a direção técnica da Toro Rosso no GP da Malásia do ano passado. O carro é o mesmo usado pela Red Bull, basicamente. A diferença está no motor, Ferrari em vez de Renault, e todos os desdobramentos de um motor distinto, como transmissão, aerodinâmica, em especial nas laterais, por conta de diferentes áreas de radiadores, dentre outras.

O único brasileiro em ação, ontem, foi Lucas Di Grassi, piloto de testes da Renault. O vice-campeão da GP2 só andou menos de Nico Rosberg, da Williams, com 154 voltas e tempo de 1min06s571, o sexto. Di Grassi deu 146 voltas e ficou em décimo, 1min07s430. Todas as equipes testaram muitas pequenas modificações em seus carros, visando às necessidades de elevada pressão aerodinâmica em Mônaco. Sexta-feira elas treinam na versão de traçado semelhante à do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, com menos carga aerodinâmica. Felipe Massa vai assumir o carro da Ferrari.

FIM

 


13.05.08

Link permanente Criticar o Massa sem saber ao certo... Por favor, gente.
por Livio Oricchio, Seção: Notas Comentadas s 17:58:25.

13/V/08
Livio Oricchio, de Helsinque

Amigos:
Sabe o que mais me impressiona em muitos comentários? É como se expressa um juízo de valor cabal, sem dar margem a que talvez não seja aquilo. Mesmo não dispondo de dados suficientes emite-se uma opinião final, taxativa, sem direito a eventualmente ser diferente. E são coisas do tipo tudo ou nada. Capaz ou incompetente. Herói ou vilão.

Cheguei a Helsinque onde farei uma grande reportagem sobre Kimi Raikkonen, como um gostoso bate-papo com seus pais, visita à casa onde cresceu em Espoo, com o banheiro fora, dentre outras pautas. Leia o Estadão domingo. Estará lá. Ah, conversei com o Kimi por 25 minutos quinta-feira em Istambul. Acho que de tanto me ver na primeira fila das entrevistas resolveu me dar uma atenção especial e inesperada. Na realidade tem aí o dedo do Heikki Kulta, finlandês, seu amigo pessoal e, por coincidência, meu também.

Está fazendo um frio danado aqui. Saí para jantar há pouco e regressei depressa para colocar meu casacão de neve. Agora, 23 horas, está uns 2 graus.

Bem, voltando. Senhores, Luca Baldisseri, o responsável pelas estratégias da Ferrari, dentre outras funções, não criticou Felipe Massa, como alguns comentários afirmam categoricamente. Disse, sim, para a RAI, a TV italiana, que se Massa tivesse segurado Lewis Hamilton um pouco mais, Kimi Raikkonen teria sido o segundo colocado.

É apenas uma constatação. Não houve tom crítico. Mesmo porque Massa não dificultou demais a ultrapassagem de Hamilton porque recebeu orientação de Rob Smedley, seu engenheiro, para não resistir. E Baldisseri tem acesso à frequência de rádio de Smedley e de Chris Dyer, o engenheiro de Kimi. Se fosse o caso, diria lá, na hora, “nada disso, segura o Lewis”. E não o fez. A última palavra é dele. Mesmo quando Ross Brawn ainda estava na Ferrari era, no último ano, Baldisseri quem definia as estratégias.

A ordem foi evitar riscos. Todos compreenderam, logo, que Hamilton estava em outra estratégia e sua McLaren estava muito mais rápida. Passou como quis pelo Massa. No circuito de Istambul, não haveria como segurá-lo atrás sem expor-se a um toque, dada a diferença de velocidade. Vocês viram como o Hamilton foi embora depois de passar?

Nós já criticamos bastante o Massa quando cometeu erros na Austrália e na Malásia. Mas é inegável que esteve muito bem nas três últimas provas. Demonstrou equilíbrio ao perder a liderança e continuar seu planejamento de corrida, sem deixar que as emoções lhe pusessem tudo a perder. Essa é a nota positiva para ele no GP da Turquia, numa pista, acreditem, muito seletiva.

A TV não mostra com precisão a topografia acidentada do traçado, o que o torna mais difícil do que já parece. Massa pode até errar em Mônaco e voltarmos a lembrar sua inconstância. Mas, por favor, não busquemos razões para atingi-lo quando não existem, como nesse caso das declarações de Baldisseri.

Ia esquecendo: "Massa é o segundo piloto". Pessoal, acredite, isso não existe. Participe do dia-a-dia do fim de semana de corrida no autódromo, converse com o pessoal da equipe, ouça os pilotos, sinta de perto o ambiente de trabalho. Faça isso com pessoas que você conhece há anos, o sufiente para aprender como as coisas se processam. Resultado: ficaria, de novo, impressionado como estou. Massa e Kimi têm exatamente o mesmo tratamento. Se Massa não for campeão não será por ser preterido no grupo. E se for, não será porque teve as preferências da Ferrari. A hora exige menos leviandade, por favor.

Abraços. Vou aumentar a temperatura do meu quarto no ar condicionado.

 


Link permanente Chega pra lá Mosley
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 17:19:20.

13/V/08
Livio Oricchio, de Helsinque

Li a notícia no site f1technical, o qual recomendo. Meu comentário:

Será embaraçante para Max Mosley e constrangedor para os diretores da maioria das equipes de Fórmula 1: o presidente da FIA vai mesmo ao GP de Mônaco, próxima etapa do Mundial, dia 25. O assessor de imprensa da entidade, Richard Woods, confirmou há dias a presença de Mosley na prova do principado. E a edição de ontem do The Times, diário inglês, publicou que um grupo de representantes dos times se reuniu, na Turquia, a fim de estabelecer uma estratégia conjunta para evitar contatos com Mosley.

O escândalo sadomasoquista em que se envolveu Mosley é o pretexto ideal para tentar afastá-lo do cargo mais elevado da FIA. As montadoras de automóveis há muito não suportam serem mandadas por Mosley sem que seus interesses sejam atendidos. E a exposição das suas imagens com prostitutas, recapitulando campos de concentração nazistas, como fez o News of the World, deu a argumentação perfeita para as donas de equipes da Fórmula 1, hoje, procurarem mandar Mosley para casa.

Dia 3 de junho os membros da FIA votam se concordam com sua permanência à frente da entidade até outubro de 2009 ou exigem sua saída imediata. As montadoras sabem que se até lá não encontrarem uma maneira legal de afastar Mosley, provavelmente ele vence na votação.

Se um simples encontro com Mosley já seria desgastante para os diretores das equipes – ninguém deseja ser fotografado ao seu lado -, conversar com o presidente da FIA em Mônaco seria desastroso. É lá que as empresas que investem na Fórmula mais têm convidados. Mais que isso: os quatro dias são os mais importantes para a competição em termos de negócio. “Não se assina nada em Mônaco, mas muitos dos acordos são costurados lá”, costuma dizer Eddie Jordan, ex-proprietário de escuderia. Será a primeira aparição pública do dirigente na Fórmula 1 depois do ocorrido.

Com certeza os representantes das escuderias vão desejar saber o comportamento do Príncipe Albert com a presença de Mosley na sua nação. O inglês tem uma propriedade no principado e essa foi a sua alegação para informar que irá ao GP de Mônaco. Mais: vão querer saber se o hermético e conservador Automóvel Clube de Mônaco, a autoridade esportiva do evento, receberá Mosley também na sua luxuosa sede localizada na reta dos boxes, como sempre faz.

O isolamento faz parte da estratégia das montadoras para levar Mosley a renunciar, embora o inglês já tenha adiantado que não sai da FIA. O que está por trás dessas ações todas é, em essência, não a condenação por ter imagens comprometedoras divulgadas, mas o interesse das montadoras de Fórmula 1 de resgatar alguns princípios históricos que por iniciativa de Mosley a competição está abandonando. Exemplos: introdução de equipamentos-padrão, como a central de gerenciamento eletrônica, congelamento no desenvolvimento de motores, obrigatoriedade de o motor resistir a dois GPs e o câmbio a quatro, dentre outras.

FIM

 


12.05.08

Link permanente Massa emite sinais de poder entrar na luta pelo título
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 11:40:11.

Texto da minha coluna no Jornal da Tarde, edição de 12/V/08
Livio Oricchio, de Istambul

Início

Se fizermos um gráfico da performance de Felipe Massa, este ano, veremos que apresenta comportamento antagônico. Do tipo quase tudo ou nada. Dois dois abandonos por erros, Melbourne e Sepang, para os 28 pontos dos 30 possíveis em Bahrein, Espanha e Turquia, Massa parece ser outro piloto.

Com 28 pontos na classificação e duas vitórias, diante do mesmo número de pontos de Lewis Hamilton, mas com apenas uma primeira colocação, Massa é o vice-líder do Mundial. Kimi Raikkonen, seu companheiro na Ferrari, somou nos mesmos três últimos GPs 24 pontos. Massa foi superior. A diferença é que o finlandês é mais regular. Ganhou na Malásia e somou um ponto na Austrália com o oitavo lugar, por isso tem 35.

A distância entre ambos, agora, é pequena, 7 pontos, e há ainda 13 etapas para o encerramento da temporada. O que Massa precisa fazer é seguir a receita do parceiro e adversário: somar pontos, não necessariamente o máximo. Ou o máximo para cada condição.

As duas próximas etapas representam oportunidades para Massa sedimentar a impressão geral de que está mais maduro, menos susceptível a equívocos. O desempenho da Ferrari e da McLaren, ano passado, nos GPs de Mônaco e do Canadá sugere que Massa e Raikkonen enfrentarão bem mais dificuldades para ganhar de novo, com vêm fazendo nas quatro últimas corridas.

Se for mesmo o caso de não dar para somar mais 10 pontos, então que seja como Raikkonen ontem. Levou 6 para casa. Como o próprio Massa fez em Mônaco em 2007, terceiro, o máximo que dava para conquistar em razão da superioridade da McLaren.

Quando a Fórmula 1 regressar para a Europa, para as etapas de França, Grã-Bretanha, Alemanha, Hungria, Valência, Bélgica e Itália, a tendência é de a Ferrari impor-se de novo, talvez não como agora, mas possivelmente com alguma vantagem técnica ainda para a concorrência.

Massa tem emitido sinais de que pode de verdade entrar na luta com Raikkonen pelo título. E, quem sabe, Lewis Hamilton também, depois da boa performance da McLaren, ontem. O que Massa não pode fazer é errar sozinho de novo e jogar fora o que a muito custo está reconstruindo, aos poucos: ganhar a confiança de todos.

FIM

 


11.05.08

Link permanente Massa diz que sabe vencer em outros circuitos também
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 18:03:58.

11/V/08
Livio Oricchio, de Istambul

Início

Felipe Massa não gostou da associação que o repórter fez, ao dizer que ele costumava se dar muito bem em alguns circuitos. “Adoro esse traçado, como disse, mas já venci em outras pistas também”, lembrou. Além de Istambul Park, foi primeiro em Interlagos, Bahrein, duas vezes, e Barcelona. Comentou não temer perder a terceira vitória na Tuquia quando Lewis Hamilton, da McLaren, o ultrapassou na 23ª volta de um total de 58. “Eu acreditava que ele estava em outra estratégia, mais leve, e meu engenheiro confirmou pelo rádio. Procurei para me expor demais a riscos para defender a posição.”

Outro bom trabalho do polonês Robert Kubica. Foi a quarta vez seguida que marca pontos ao se classificar em quarto. Ocupa também a quarta colocação no Mundial, com 24 pontos. Nick Heidfeld, seu companheiro na BMW, foi quinto. A equipe, porém, desta vez ficou atrás da McLaren. “Eu era mais lento dos três a minha frente. Por conta disso Raikkonen me ultrapassou no pit stop”, disse Kubica. “Quarto foi o máximo possível hoje.” A BMW ainda mantém-se em segundo, com 44 pontos, seguida pela McLaren, 42. A Ferrari lidera com 63.

“Heikki Kovalainen (McLaren) precisou fazer um pit stop a mais por isso eu fui sexto. Caso contrário teria sido sétimo, a nossa colocação normal”, afirmou Fernando Alonso, da Renault. Seu time, como disse, deixou para trás Williams, Red Bull e Toyota, com quem lutava pelo quarto lugar entre os construtores. Ao menos em termos de desempenho. Os números do campeonato, porém, ainda mostram as três na frente da Renault. Williams, quarta, 13, Red Bull, quinta, 10, e Toyota, sexta, 9, empatada com a escuderia de Alonso. “O importante foi confirmar nosso progresso”, comentou o espanhol.

Dos pilotos em atividade, apenas Kimi Raikkonen já venceu a mesma prova três vezes seguidas como a marca estabelecida por Felipe Massa, ontem, no GP da Turquia. O finlandês foi primeiro na etapa da Bélgica nas três últimas edições, 2004 e 2005, com McLaren, e 2007, Ferrari.

Fama de grande piloto, apesar de possuir apenas 20 anos, o alemão Sebastian Vettel, da Toro Rosso, tinha, essencialmente, um objetivo ontem: terminar a prova, o que não conseguiu nas quatro etapas realizadas até então. Acidentes na Austrália e na Espanha, nenhum por culpa sua, e problemas com o equipamento na Malásia e em Bahrein. “E foi difícil receber a bandeirada hoje”, falou. “Na largada furou um pneu e no primeiro pit stop programado o sistema de reabastecimento não funcionou, obrigando-me a voltar para os boxes”, explicou. Acabou em 17º e último lugar. “Mas pelo menos acabei.”

FIM

 


Link permanente Bruno Senna leva o maior susto da carreira
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 17:18:21.

11/V/08
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

Início
Desde a sua estréia no automobilismo, há pouco mais de três anos, Bruno Senna, de 24 anos, não havia levado um susto tão grande quanto ontem, na segunda corrida da etapa turca da GP2, competição que tem fornecido seus campeões à Fórmula 1. Na 12ª volta de um total de 23, Bruno lutava com Mike Conway pelo quinto lugar, depois de largar em 15º. “É um absurdo o que aconteceu, havia um cachorro no meio da pista, no ponto mais crítico, no topo da subida, na reta, e eu bati nele a 282 km/h”, disse Bruno.

Quando viu o animal, Bruno teve uma fração de segundo para desviar o carro. “Graças a Deus toquei nele apenas com a roda dianteira direita, não sofri nada”, explicou o piloto. Os prejuízos foram emocionais, como disse, e materiais. “O choque danificou não só a suspensão mas até o monocoque (onde se encontra a célula de sobrevivência), terá de ser enviado ao fabricante (Dallara, na Itália) e nossa equipe, ISport, não tem tantos recursos para arcar com as despesas”, falou Bruno.

Viviane Senna, mãe do piloto e irmã de Ayrton Senna, estava abalada com o ocorrido no circuito Istambul Park. “Já na série asiática da GP2 houve problemas com a segurança e agora de novo. Não pode existir uma segurança para a Fórmula 1 e outra para a GP2”, afirmou. Viviane assistia à prova numa TV no motorhome da ISport. “Vi ele entrar no box e imaginei que tivesse tocado no Conway. Mas quando a seguir vi a imagem dele atropelar o cachorro...nossa.” Sua preocupação procedia: dia 4 de agosto de 2006, Christiano da Matta acertou um veado com a mesma roda dianteira direita, durante teste da Champ Car, em Elkhart Lake, parte do animal projetou-se na direção do capacete e a pancada levou o piloto ao coma. Recuperou-se e voltará a competir novamente em breve.

Paul Jackson, proprietário da ISport, pensa em cobrar dos organizadores do evento os cerca de Euros 60.000 que custará reparar o Dallara de Bruno. Um segundo cão entrou também na pista, o que levou Charlie Whiting, diretor de corrida da Fórmula 1, a advertir os responsáveis e exigir fiscalização mais precisa dos controles de acesso ao circuito. Bruno reclamou, ainda, da ação do comissário. “Ele apenas expôs a bandeira amarela, que pode ser tanta coisa, como um carro mais lento. Ele deveria ter sinalizado melhor aquela situação de risco.”

Sábado, na largada, onde era quinto, o motor do carro de Bruno apagou. Conseguiu largar, mas na segunda volta entrou no box. Regressou à pista e terminou em 15º, sempre com as melhores voltas da competição. Largou em 15º, ontem, colocação da prova do dia anterior, e já estava em sexto quando se acidentou. Não marcou pontos no fim de semana, como o ex-líder, Álvaro Parente. Sábado, Giorgio Pantanto venceu a primeira corrida e ontem, Romain Grosjean, agora primeiro e segundo no campeonato, com 24 e 19 pontos. Bruno caiu para sexto, com 11.

FIM

 


Link permanente Massa se emociona e emociona na terceira vitória seguida no GP da Turquia
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 17:14:54.

11/V/08
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

Início

São duas fases opostas. Nas duas primeiras etapas do campeonato, Austrália e Malásia, nenhum ponto e até a ameaça de que se continuasse assim poderia perder a vaga na Ferrari. Mas, nas três provas seguintes, Felipe Massa transformou-se no piloto de melhor desempenho dentre todos: vitória irretocável e emocionante, ontem, no GP da Turquia, pela terceira vez seguida em Istambul, segunda colocação inteligente em Barcelona, e primeiro em Bahrein. “O resultado foi sensacional, ganhei algumas colocações no campeonato e mostrou que o Mundial será muito disputado”, afirmou Massa.

Os turcos não sabem ainda muito bem o que seja a Fórmula 1. O público costuma ser pequeno nas arquibancadas, como ontem. Mas conhecem um piloto em especial, Felipe Massa, muito mais famoso que o campeão do mundo, Kimi Raikkonen, por exemplo, seu companheiro na Ferrari, terceiro, ontem. A razão é simples: faz três corridas que os turcos vêem Massa largar na pole position, dominá-las e sair-se vencedor. Incontestável. Foi a sétima vitória na carreira, a quarta consecutiva da Ferrari.

“Acho que vou pedir o passaporte turco”, disse, rindo, o piloto da Ferrari. E os 5.338 metros do traçado de Istambul estão dentre os mais seletivos do calendário. “Adoro esse país, adoro essa pista, sempre sou muito bem recebido, venci meu primeiro GP aqui, é mesmo um lugar especial.”

Em três etapas, Massa somou impressionantes 28 pontos dos 30 possíveis. “O que fiz de diferente das duas primeiras provas? Nada. Repito, na Malásia eu já havia reduzido os giros do motor para garantir o segundo lugar”, falou Massa. Tanto em Melbourne quanto em Sepang abandonou por errar. Em festa com a incrível empatia com tudo o que envolve a Turquia, dedicou a vitória à mãe, Ana, presente do circuito. Ana acompanhou as voltas finais ao lado do marido, Luis, dentro do box da Ferrari, com um terço na mão.

“O importante é que meu carro esteve perfeito. Cometemos pequeno erro nos pneus. Sexta-feira o do tipo mole pareceia ser o mais indicado, mas hoje, quando coloquei o duro, depois da segunda parada, meu carro melhorou ainda mais”, explicou Massa. A referência de Lewis Hamilton, da McLaren, segundo colocado, ontem, deveria ser mais bem observada, comentou. O inglês realizou excelente prova. Optou por três pit stops em razão de usar o mínimo possível os pneus moles. “Minha McLaren funcionava muito melhor com os duros”, falou Hamilton que, como Massa, chega a 28 pontos na classificação. Massa, porém, tem duas vitórias e Hamilton, uma. Raikkonen lidera com 35.

As duas próximas etapas serão em pistas onde a Ferrari apresentou a pior performance na temporada passada, Mônaco, dia 25, e Canadá, dia 8. “Logo em seguida a essas provas, em 2007, começamos a pensar o que fazer para tornar nosso carro mais eficiente nesses traçados”, falou Massa. Amanhã e quarta-feira, a Ferrari trabalha com as demais equipes no circuito curto de Paul Ricard, na França, visando simular as condições de Mônaco e nos dois dias seguintes, na versão de retas longas, semelhante a Montreal. “Se formos bem na próxima corrida iremos bem em todas as pistas até o fim do ano”, explicou Massa. O convincente segundo lugar de Hamilton, ontem, e a proximidade na classificação deixaram a Ferrari de sobreaviso.

Raikkonen lamentou o toque com o também finlandês Heikki Kovalainen, da McLaren, na largada. “Estava por dentro, fora da trajetória normal, Heikki fechou meu caminho, nos tocamos e perdi uma pequena parte do aerofólio dianteiro”, explicou o piloto da Ferrari.

“Substituí-lo no pit stop me faria perder muito tempo. Diante do problema e do meu erro na classificação (largou em quarto), o terceiro lugar é um bom resultado”, falou Raikkonen. Kovalainen teve de substituir o pneu furado no toque, parou portanto uma vez a mais, e recebeu a bandeirada em 12º. Rubens Barrichello, Honda, foi o 14º no seu recorde de GP, 257, e Nelsinho Piquet, Renault, o 15º.

FIM

 


Link permanente Nelsinho sob pressão da equipe
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 17:03:48.

11/V/08
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

Início

Nelsinho Piquet terminou o GP da Turquia em 15º, depois de largar em 17º. E sua falta de resultados na temporada de estréia está levando a equipe Renault a cobrá-lo. “Existe, sim, pressão. Todo mundo sabe que o Flavio Briatore (diretor do time francês) gosta de pressionar os pilotos, na Fórmula 1 temos de nos acostumar a conviver com isso. Um dia você é um herói, no outro um merda”, afirmou Nelsinho.

Na abertura do campeonato, na Austrália, abandonou com problemas na transmissão, depois de uma estréia tensa. Na Malásia, foi o 11º. Novo problema no câmbio o levou a parar em Bahrein, enquanto na Espanha envolveu-se num acidente com Sebastian Bourdais, da Toro Rosso. A cobrança acontece porque seu companheiro, o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, já somou pontos três vezes: 5º na Austrália, 8º na Malásia e 6º ontem.

“O que está faltando é eu melhorar na classificação, ganhar aquele pouquinho de confiança que falta para arriscar com pneu novo e pouca gasolina”, explicou Nelsinho. “Tenho largado lá atrás e hoje na Fórmula 1, com a dificuldade para ultrapassar, você tem de começar mais na frente.” A diferença de desempenho para Alonso nas corridas provém, segundo Nelsinho, das suas más colocações para o grid.

A expressão de Rubens Barrichello depois da corrida, ontem, contrastou profundamente com a da festa no motorhome da Honda, sábado, para celebrar o recorde de participações em GP. “Um 257 para esquecer”, afirmou. Com 257 GPs, tornou-se o piloto de maior longevidade na Fórmula 1. “Nosso carro não tinha equilíbrio, a equipe me chamou para o pit stop cinco voltas antes do programado, acreditando num safety car por causa da rodada do Sebastian Bourdais (25ª volta), mas que por não acontecer comprometeu tudo”, contou.

Tanto Nelsinho quanto Rubinho treinam no circuito de Paul Ricard, na França, a partir de amanhã, visando as duas próximas etapas do calendário, Mônaco e Canadá.

FIM

 


10.05.08

Link permanente Pole dá a Massa boa chance de vitória
por Livio Oricchio, Seção: Originais do Estadão s 13:14:10.

10/V/08
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

O que conta mesmo é o resultado de hoje, na corrida, depois das 58 voltas. Mas como a disputa entre Felipe Massa e Kimi Raikkonen, a dupla da Ferrari, tem se definido quase na sessão de classificação, as possibilidades de o brasileiro vencer, hoje, pela terceira vez seguida o GP da Turquia cresceram depois da tomada de tempo para o grid, ontem: Massa larga na pole position enquanto o finlandês, apenas em quarto. Entre os dois se classificou a dupla da McLaren, Heikki Kovalainen, em segundo, e Lewis Hamilton em terceiro.

“É sensacional largar em primeiro aqui pela terceira vez seguida. Este é um circuito que eu gosto muito, assim com o lugar, sou sempre muito bem recebido. Agora é dar tudo certo também na prova, mas a concorrência está próxima”, disse Massa. Nos treinos livres de sexta-feira e ontem pela manhã, tanto Massa quanto Raikkonen demonstraram ter melhor ritmo de corrida que os pilotos da McLaren e da BMW. Robert Kubica, do time alemão, sai em quinto.

Assim, se Massa largar bem, como vem fazendo, e Raikkonen não ganhar as posições de Kovalainen e Hamilton, sua chance de reduzir a diferença de 11 pontos para o companheiro de equipe no campeonato são boas. Mesmo que, eventualmente, faça seu primeiro pit stop uma volta antes de Raikkonen, o que em geral joga a favor do adversário.

“Consegui aquecer os pneus corretamente na volta de saída do box, ultrapassei o Fernando Alonso (Renault) para ter pista livre e completei uma bela volta”, explicou Massa, muito feliz. Já Raikkonen comentou o inesperado quarto tempo: “Não aqueci os pneus como deveria, o que aqui é fundamental, e ainda errei na curva que antecede a grande reta (curvas 9 e 10), o que me tirou velocidade na reta”.

Questionou se a McLaren pode enfrentar a Ferrari, hoje, como fez na definição do grid. “Precisa ver quanta gasolina cada um tem no carro.” Tudo é possível, mas ficou mais difícil Raikkonen vencer de novo, como já fez este ano na Malásia e na Espanha. “Tenho de ser realista. Se não der, o melhor será somar o máximo de pontos”, afirmou o campeão do mundo.

Os pilotos temem a temperatura baixa, 16 graus, ontem, em especial se o safety car entrar na pista. “Teremos de procurar aquecer ainda mais os pneus antes da relargada”, falou Massa. “Estamos com alguns problemas para aquecê-los em uma volta”, explicou. É o que pode contribuir para Massa enfrentar dificuldades hoje.

Kovalainen mostrou ter-se recuperado do grave acidente na prova de Barcelona, há duas semanas, ao conquistar sua melhor colocação no grid. “Apenas no começo, sexta-feira, estava um pouco nervoso, mas depois voltei ao normal”, comentou o finlandês. Já Hamilton participou de promoção teatral, volta de exibição no circuito, outros compromissos dessa natureza e acabou atrás de Kovalainen. Parece perder o foco da Fórmula 1.

No GP que irá celebrar a quebra do recorde histórico de participações em corridas de Fórmula 1, 257, Rubens Barrichello, da Honda, larga em 12º. Uma posição à frente do companheiro, Jenson Button. “Estou concentrado na corrida. A festa fica para depois”, disse. “A colocação conquistada é o máximo que o atual modelo da Honda permite.” Nelsinho Piquet, da Renault, não foi bem. “Estou profundamente desapontado. Eu largo em 17º e o Fernando Alonso sem dificuldade avançou para a última parte do treino (obteve o sétimo tempo).” O mau desempenho decorreu do desequilíbrio do carro e de ele próprio não render o que poderia, como reconheceu. A TV Globo transmite o GP da Turquia, ao vivo, a partir das 9 horas.

 


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