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24.07.08
24/VII/08
Amigos, conversei por telefone com o Nelsinho, ontem, e essa entrevista está na edição de hoje do Estadão e do JT.
Ele jura que não mudou, apesar de transmitir na conversa, ontem, alegria não observada por ninguém ultimamente. Nelsinho Piquet falou, ainda, que espera comemorar com o pai, amanhã, na Itália, seu aniversário de 23 anos.
“Não o vi depois do pódio em Hockenheim.” O pai fez de tudo para o filho chegar à Fórmula 1, como por exemplo montar equipes na Fórmula 3 e na GP2. “Domingo, quando subi no pódio, lembrei dele”, falou Nelsinho. Ontem o piloto da Renault treinou em Jerez de la Frontera, na Espanha, como preparação para o GP da Hungria, dia 3.
Como está sendo trabalhar na equipe depois do 2º lugar, domingo. Você mesmo já havia sinalizado que lhe pressionavam por melhores resultados?
Na realidade, o grupo que está aqui em Jerez é o de testes da Renault, com quem trabalhei ano passado inteiro. Conheço todos, sou brincalhão com eles. Enquanto vinham da Inglaterra para cá, domingo, disseram que ouviam a corrida no rádio do caminhão. Quando acabou, pararam na estrada para comemorar. Disseram-me que se abraçaram. Na Hungria voltarei ao grupo dos GPs, acredito que o ambiente deva mudar também.
Ainda em Hockenheim, recebeu algum cumprimento em especial?
Muitos. Depois no meu celular também. O chefe dos engenheiros de pista me falou algo diferente. Disse ‘Tá vendo o que você pode fazer, rapaz?’
Mas e o chefão, Flavio Briatore, quem mais te cobra, conforme você mesmo não esconde.
Eu ainda não vi o Briatore. Ele foi embora logo depois da corrida, na Alemanha. Segunda e terça-feira eu estava de folga e fui para a Itália ver minha namorada, que faz curso de moda. À noite fui jantar e o vice-presidente do Milan (Adriano Galliani)estava lá. Veio à minha mesa, simpático, me cumprimentou, pegou o celular e fez uma ligação, ali na minha frente. A seguir disse-me que a pessoa desejava falar comigo. Era o Briatore. Queria saber o que eu estava fazendo lá, o que fui fazer na Itália, falamos rapidamente pela primeira vez depois do pódio, na frente de todo mundo. Na verdade, fiquei sabendo que ele tentou falar comigo, mas não atendi a nenhuma ligação que não pudesse reconhecer quem era. E o número dele não apareceu no meu celular. Ah, quando fui pagar a conta, disseram que já estava paga.
Seu pai conseguiu falar com você?
Eu estava sozinho em Hockenheim. Ao acabar tudo eu liguei para meu pai, minha mãe, uma porção de gente, precisava dividir aquele momento. No caso específico do meu pai, somos muito frios quando o assunto é automobilismo. Ele se limitou a dizer parabéns, uma breve pergunta como foi, e nada mais, já mudamos a conversa. Mas sexta-feira
Fernando Alonso, seu companheiro, foi cortês com você?
Eu o admiro como piloto. Sempre me achei rápido em curvas de alta. O Alonso me mostrou que sou rápido, sim, mas me alertou também que tenho o que evoluir. No plano pessoal, não nos relacionamos. São conversas breves e estritamente relacionadas ao trabalho. Há respeito, mas uma certa indiferença recíproca.
Dia 3 será disputado o GP da Hungria. Sua maneira de encarar a disputa muda depois de Hockenheim? Você cita que lhe falta, ainda, maior autoconfiança, em especial na classificação.
Ajuda, claro, mas o que está errado, na minha opinião, é eu ter poucos minutos na classificação para decidir meu futuro no treino. Na Alemanha, não tirei tudo de mim e do carro na primeira volta lançada e na segunda, peguei o Sebastian Vettel na frente, que me atrapalhou. Como resultado fiquei de fora e larguei em 17º. Estava arrasado no sábado. Vou defender poder dispor de mais voltas na classificação.
O melhor desempenho de um piloto na história da GP2 foi o seu, em 2006, na Hungria. Duas vitórias, duas poles e duas melhores voltas.
O carro era ótimo, o que não é o caso agora. Só espero que as pessoas não imaginem que posso estar toda hora do pódio. Tive muita sorte na Alemanha para chegar ao pódio.
23.07.08
23/VII/08
Olá amigos:
De volta à redação. Tenho em mãos a publicação do Sportautomoto, semanário italiano sobre competições de automóvel e moto. A edição é a anterior ao GP da Alemanha e traz, em detalhes, o sistema de uma manete a mais das duas tradicionais para troca de marchas e acionamento da embreagem existente atrás do volante do modelo MP4/23 da McLaren.
A terceira permite aos pilotos da McLaren variar, manualmente, o mapa de gerenciamento do motor. Vou explicar depois como isso funciona. Em resumo, dá a Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen a chance de fazer o motor responder de acordo com sua necessidade maior naquele instante. Na prática, melhora a tração nas saídas de curva de baixa velocidade, por exemplo. É legal? 100% legal.
O sistema foi encaminhado previamente a Charlie Whiting e só depois da aprovação utilizado. A McLaren, após o desgaste profundo do ano passado, não deseja mais correr riscos contra sua idoneidade.
A história não é nova. O texto é de meu amigo Paolo Bombara. A informação só ganhou dimensão de notícia sensacional porque Hamilton dominou as duas últimas corridas, em Silverstone e em Hockenheim. Fez diferença nos dois casos? Sem dúvida que sim. Mas o que explica o melhor momento da McLaren em relação à Ferrari não é só isso.
A McLaren incorporou uma série de modificações aerodinâmicas no MP4/23 nos testes realizados anteriormente ao GP da Grã-Bretanha, completada no ensaio de Hockenheim, também na semana anterior à prova. A maior diferença é a aerodinâmica frontal do carro. É isso combinado com a eficiência do controle do mapa de gerenciamento do motor que explica o avanço.
A terceira manete já existia na França, por exemplo, o que gerou a reportagem do Sportautomoto, e nem por isso a McLaren se impôs à Ferrari como nas duas últimas etapas.
O recurso é muito válido. Tanto que outros times trabalham para incorporá-lo. Mas é equivocado atribuírmos a excepcional performance da McLaren apenas ao controle de gerenciamento.
O leitor JC Simonassi comenta sobre a verificação técnica do motor do carro de Hamilton, domingo, pelos comissários da FIA.
JC: Depois de cada GP, assim como durante o fim de semana, a FIA distribui comunicado, regular, para informar os componentes e os carros escolhidos a serem examinados pelo grupo coordenado por seu comissário técnico, Jo Bauer.
A rotina dos comissários não se alterou por causa do trabalho maravilhoso de Hamilton e da McLaren em Hockenheim. Verificar componentes faz parte da rotina do GP. Em outras palavras, não é notícia. Agora, se na inspeção for detectado alguma irregularidade, aí sim a imprensa ficará sabendo e irá divulgar. Em todo GP vários carros são escolhidos para análise, antes, durante os treinos e depois da corrida.
Abraços!
21.07.08
21/VII/08
Livio Oricchio, de Hockenheim
“Em que volta ele vai parar?”, perguntou Flavio Briatore, no muro dos boxes, na 54ª volta, 13 antes da bandeirada, aos demais integrantes da Renault. Foi o que o italiano contou a um pequeno grupo de jornalistas depois da prova. “Eu via o Nelsinho em primeiro, seus ótimos tempos de volta no computador e não me convenci quando me disseram na equipe que ele iria até o fim.”
O dirigente já fazia cálculos na cabeça em que posição ele voltaria à pista depois do splash and go (rápido reabastecimento). “Mas felizmente não foi necessário. Nosso grupo estava certo.” O homem que está colocando Nelsinho sob enorme pressão para produzir mais se rendeu, ontem, ao ótimo trabalho do piloto. “Tivemos importante reunião de manhã. Não esperava performance tão forte do Nelsinho”, disse.
“Sorte, irão dizer, verdade. Mas vocês viram quem ele manteve atrás de si por várias voltas sem um único erro? Massa, Heidfeld, Kovalainen, Kubica. Fez uma corrida incrível.” O italiano acrescentou que o conquistado, ontem, tem importância para a equipe toda.
Denis Chevrier, chefe dos engenheiros, comentou: “Nelsinho provou, hoje, que com um bom carro é capaz de lutar com os melhores pilotos”, disse. “Aconteceu exatamente o que era necessário para ele aparecer lá na frente, safety car no pit stop, mas ele não poderia falhar na sequência. Tinha de ser rápido e consistente, mesmo com todos querendo ultrapassá-lo. E Nelsinho foi capaz.”
Briatore evitou falar do futuro do piloto. “Não é o caso de que ontem não prestava e agora é um campeão. Ele tem de continuar crescendo. No fim do campeonato vamos analisar sua temporada de estréia e decidir.” Nelsinho ajudou a Renault e entrar na luta pelo quarto lugar entre os construtores com os 8 pontos de ontem. A Toyota é a quarta, com 25, seguida da Red Bull, 24, e agora a Renault, 23.
Amigos, esse é o texto da minha coluna, hoje, segunda-feira, no JT.
A equipe considerada a mais rica da Fórmula 1 por muito tempo, a Ferrari, começa a sofrer as consequências de sua falta de estrutura. Não há nenhum equívoco na afirmação. As corridas de Silverstone e de ontem, em Hockenheim, mostraram o que Kimi Raikkonen teve coragem de dizer, ontem: “A McLaren está, agora, na nossa frente”.
Referia-se não ao fato de Lewis Hamilton ter aberto quatro pontos de Felipe Massa na liderança do campeonato (58 a 54), mas à maior evolução do modelo MP4/23 em relação ao F2008 da Ferrari. Depois do GP da França, os ingleses impuseram ritmo bem mais veloz de modificações no carro que os técnicos da Ferrari.
Um dos motivos de a equipe de Maranello não investir tanto na evolução do seu carro é a crença de que ele ainda é superior ao concorrente. Ontem aprenderem que a hora é de rever o conceito. E outro é de ordem estrutural. Há apenas um túnel de vento nas dependências da Ferrari na Itália. “Racionalizamos o uso do nosso túnel”, afirmou Luca Baldisseri, chefe da equipe, em Silverstone.
“Uma hora trabalha o grupo que estuda as necessidades do novo regulamento para 2009 e outra os responsáveis pelo desenvolvimento do carro atual”, explicou. Das grandes, é a única escuderia a dispor de apenas um túnel de vento, essencial hoje na Fórmula 1.
Depois do desastre de ontem, quando foi na média quase 7 décimos de segundo mais lenta que a McLaren, é provável que a Ferrari passe a trabalhar com outro túnel também – as equipes que não tem um segundo alugam – e até mesmo comecem a planejar um novo. Uma coisa é certa: se a Ferrari não reagir já vai perder um campeonato que imaginava quase vencido.
20.07.08
20/VII/08
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Hockenheim
O terceiro lugar de Felipe Massa, ontem, não gerou frustração, apesar de largar em segundo e estar a 4 pontos do líder do Mundial, mas grande preocupação. Não reconheceu como seu companheiro, Kimi Raikkonen, sexto colocado, que afirmou: “Agora a McLaren está na nossa frente”. Massa preferiu dizer que a hora é de trabalhar ainda mais. “Hoje não era o nosso dia. Espero que essa diferença de desempenho para a McLaren tenha uma razão.”
O vencedor, Lewis Hamilton, fez o primeiro pit stop na 18ª volta. Massa, em segundo, estava 11 segundos e 74 milésimos atrás na passagem anterior. Fez sua parada na 20ª. A média é de quase 7 décimos de segundo mais lento por volta. Absurda para a igualdade existente até então entre Ferrari e McLaren.
“Alguma coisa não funcionou no carro, nosso ritmo era inferior não só ao da McLaren, mas de outros times também. No fim, não consegui nem me aproximar do Nelsinho porque estava com problema nos freios”, explicou Massa. “Estou feliz por ele. Lembro do meu primeiro pódio (3º lugar no GP da Europa de 2006), isso pode ajudar um piloto a crescer, evoluir mais rápido como aconteceu comigo e é o que desejo ao Nelsinho.”
A vitória de Lewis Hamilton o levou à liderança isolada do campeonato, com 58 pontos, diante de 54 de Massa e 51 de Raikkonen. Nos testes realizados em Silverstone, antes do GP da Grã-Bretanha, a McLaren introduziu importantes modificações no seu modelo MP4/23 e o programa de desenvolvimento “para se aproximar da Ferrari”, segundo o inglês, teve a segunda fase nos treinos de Hockenheim, na semana anterior à corrida, ontem.
“O Hamilton me ultrapassou sem maiores dificuldades (56ª volta) porque estava muito mais rápido. Resisti pouco para evitar riscos. Eles melhoraram bastante. Mas nós também podemos evoluir. Ainda na França nós estávamos na frente deles.” Na etapa de Budapeste, a próxima, dia 3, as chances de a McLaren se dar melhor são boas tendo em conta a grande vantagem imposta aos italianos ano passado. “Nosso carro é outro, bem superior àquele, e lá costuma ser quente, o que pode ser bom para nós”, comentou Massa. A Ferrari demonstrou maior adaptação ao calor que a McLaren, este ano.
“Precisamos compreender a razão de não termos sido rápidos hoje”, afirmou Luca Baldisseri, chefe da equipe. “Entender se há um ou alguns fatores que justifiquem a diferença de velocidade entre nosso carro e o do nosso principal adversário.” Se compreenderem que esse fator é a maior evolução do modelo inglês, a hora será de reduzir os estudos do carro de 2009 no único túnel de vento da Ferrari para melhorar o atual.
20/VII/08
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Hockenheim
O pessoal da Ferrari esfregou as mãos esperando por nova vitória de Felipe Massa quando a direção da McLaren orientou Lewis Hamilton, líder absoluto, a não entrar no box no momento em que o safety car entrou na pista, na 36ª volta. “Eu também não entendi. Fez a minha vida muito mais difícil”, afirmou o jovem inglês depois da prova em que foi brilhante, como já tinha sido em Silverstone, dia 6.
Hamilton fez o segundo pit stop na 50ª volta, a 17 da bandeirada, e voltou em 5º, atrás de Nick Heidfeld, BMW, também por fazer a parada, Nelsinho Piquet, Felipe Massa, e Heikki Kovalainen. O alemão parou na 53ª volta nos boxes, de forma que Hamilton precisou ultrapassar os três adversários para ganhar o GP da Alemanha. Agradeceu o parceiro por facilitar a manobra, na 52ª volta.
“Tive o melhor carro até aqui este ano. Estava muito rápido mesmo, a equipe fez um trabalho fantástico. Com as modificações, pensávamos em encostar na Ferrari, ficar no mesmo nível, mas aqui fomos melhores.”
Seu ritmo alucinante no início o surpreendeu. “Não tínhamos nenhuma indicação nos testes da semana passada, bem como no fim de semana de que poderíamos abrir essa diferença”, falou Hamilton. Na 51ª volta, depois do seu segundo pit stop, estava 4 segundos e 826 milésimos atrás de Massa.Na 56ª, já estava “colado” na traseira da Ferrari. E na passagem seguinte deixou o brasileiro para trás.
Não quis saber de falar de favoritismo depois de a McLaren demonstrar força para assustar Felipe Massa e Kimi Raikkonen. “Vimos como as coisas mudam rápido no campeonato, não há outra saída a não ser continuar trabalhando como estamos.” Se a Ferrari não reagir já, Hamilton mostrou, ontem, que com sua maior maturidade e o carro que tem terá grandes chances de ser campeão.
20/VII/08
Livio Oricchio, de Hockenheim
Até a imprensa espanhola condenou a reação de Fernando Alonso à segunda colocação de Nelsinho Piquet. “Apenas questão de sorte”, definiu Alonso, 11º ontem. Flavio Briatore, diretor da Renault, o corrigiu: “Sorte, sim, e competência”. Alonso é o 9º no Mundial, com 13 pontos, e Nelsinho o 11º, com 10.
Rubens Barrichello, da Honda, foi político ao falar do toque de David Coulthard, Red Bull, na 51ª volta, obrigando-o a abandonar. “Ele não me viu.” É o enésimo piloto a deixar uma prova na tentativa de ultrapassar o escocês que deixa a F-1 no fim do ano.
Dia 29, em Maranello, todos os chefes de equipe vão estar reunidos com Bernie Ecclestone. Pauta do encontro: discutir os termos do novo Acordo da Concordia, pacto que estabelece, por exemplo, quanto cabe a cada um no arrecadado pela Fórmula 1, e o regulamento técnico do futuro. Detalhe: Max Mosley, presidente da FIA, não foi convidado.
Bruno Senna foi 3º ontem na GP2. Soma, agora, 48 pontos (2º colocado) diante de 63 de Giorgio Pantano, que ontem abandonou. Lucas Di Grassi recebeu forte batida por trás de Pastor Maldonado e parou. Mas é o 4º no campeonato com 28 pontos, mesmo sem disputar três etapas. Alberto Valério foi 15º, Carlos Iaconelli, 17º e Diego Nunes, 20º.
De amanhã até terça-feira as 10 equipes vão treinar em Jerez de la Frontera, na Espanha, visando o GP da Hungria, dia 3. Lucas Di Grassi testará para a Renault amanhã e quarta-feira e Nelsinho Piquet, quinta e sexta-feira. Fernando Alonso fará parte de uma promoção na Polônia.
Livio Oricchio, de Hockenheim
A temporada é mesmo de resgates históricos para o Brasil: o brilhante segundo lugar de Nelsinho Piquet, da Renault, ontem, em Hockenheim, junto da preocupante terceira colocação de Felipe Massa, da Ferrari, quebrou uma série de 17 anos do País sem dois pilotos no pódio. Mas a vitória de Lewis Hamilton, da McLaren, a segunda seguida, deixou um recado duro para a Ferrari: o time inglês tem, agora, um carro mais rápido.
Na França, Massa assumiu a liderança do campeonato, o que não ocorria desde o GP de Mônaco de 1993, com Ayrton Senna. E ontem Nelsinho e Massa reviveram, num certo sentido, o pódio do GP da Bélgica de 1991. Ayrton Senna, da McLaren, venceu e Nelson Piquet, Benetton, foi terceiro. “Eu queria muito que ele estivesse aqui”, disse, emocionado, Nelsinho, ontem, referindo-se a seu pai. “A primeira coisa que me veio à mente quando cheguei ao pódio foi lembrar de todas as pessoas que me ajudaram a atingir esse momento. E nem meu pai, minha mãe, minha namorada, meus amigos, não há ninguém aqui para eu poder dividir”, falou, claramente triste por isso.
“Aprendi uma grande lição. Ontem estava chateado, e mesmo hoje de manhã me sentia para baixo, acreditando que o máximo que daria na prova seria um 14º ou 13º, mas Graças a Deus tive a ajuda do cara lá em cima, deu tudo certo, não tenho como agradecer”, falou Nelsinho. “O fim de semana só acaba depois da bandeirada”, essa a lição aprendida, comentou. O piloto da Renault foi mal na classificação, sábado, ao não passar da primeira parte do treino, e largou em 17º. Fernando Alonso, seu companheiro, em 5º.
Uma sequência incrível de ocorrências favoráveis a ascensão de Nelsinho na prova, combinada com pilotagem de refinada classe, veloz, sem erros, mesmo sob enorme pressão, explica a evolução para o segundo lugar na corrida. Para compreender melhor o que aconteceu ontem: na 34ª volta, todos os pilotos já havia feito seu primeiro pit stop, exceto Nelsinho.
Ocupava o 12º lugar, 51segundos e 155 milésimos atrás do líder, Lewis Hamilton, da McLaren. Timo Glock, da Toyota, era o oitavo, exatamente 10 segundos na sua frente. O GP da Alemanha teve 67 voltas. Enquanto o alemão da Toyota percorria a última curva na 35ª volta, a de acesso à reta dos boxes, a quebra da suspensão traseira direita o lançou no muro interno com enorme violência. Nelsinho encontrava-se algumas curvas apenas atrás. “O chamamos para os boxes imediatamente”, falou Flavio Briatore, diretor da Renault.
O safety car entrou na pista logo depois do acidente. Nelsinho estava no box. Reabasteceu, substituiu os pneus e regressou à disputa. Nessa hora o box fechou, como manda a regra. Só seria aberto depois de todos os carros estarem alinhados atrás do safety car. “Nelsinho estava nessa fila, mas os pilotos deveriam ainda fazer o que Nelsinho fizera antes. Bingo: íamos ultrapassar todos quando entrassem nos boxes assim que fossem abertos”, explicou Denis Chevrier, chefe dos engenheiros da Renault.
Os boxes abriram na 38ª volta, com o safety car na pista. Entraram nada menos de 12 pilotos. Assim, Nelsinho subiu para a 3ª colocação, atrás apenas de Hamilton e Nick Heidfeld, BMW, que não pararam, surpreendentemente. Os dois fariam o segundo e último pit stop nas voltas 50 e 53. Hamilton, que voltou a exibir seus dotes excepcionais de piloto, reultrapassou Nelsinho, líder, então, para vencer o GP da Alemanha. Nelsinho ficou em segundo. Mas seu ritmo, àquela altura, impressionou Briatore (leia o box).
“Tive muita sorte, não quero que as pessoas pensem que já na próxima prova, na Hungria, eu vou para o pódio de novo. Vou tentar, lógico, mas a Ferrari, McLaren, BMW estão ainda muito à nossa frente”, disse Nelsinho. “Esse resultado ao menos mostra que se tiver um bom carro, a equipe me der oportunidade, eu vou conseguir chegar lá. Sei que estou tendo dificuldade na classificação...mas estou evoluindo, o Fernando Alonso copiou o nosso acerto aqui.” Alonso terminou em 11º, prejudicado pelo safety car e erros cometidos.
19.07.08
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Hockenheim
Lewis Hamilton mandou um recado à Ferrari, ontem, com a pole position no GP da Alemanha: sua equipe, a McLaren, está desenvolvendo melhor o carro. O desempenho no fim de semana até agora em Hockenheim somado ao da prova de Silverstone, há duas semanas, deve servir de alerta a Felipe Massa e Kimi Raikkonen. “Eles não haviam ficado para trás. Em algumas pistas nós fomos superiores e em outras eles. Aqui será muito disputado”, explicou Massa, segundo no grid.
Como prova da evolução da McLaren, Heikki Kovalainen, companheiro de Hamilton, larga em terceiro, enquanto o campeão do mundo, Raikkonen, parceiro de Massa, apenas em sexto. “Demos um grande passo adiante”, afirmou Hamilton, líder do Mundial como Massa e Raikkonen, com 48, referindo-se as mudanças introduzidas nos dois últimos testes. Mas apesar de reconhecer a força do adversário, Massa questiona o tempo de Hamilton: “Precisa ver com quanto gasolina eles estão”.
Massa dá a entender que talvez esteja um pouco mais pesado, o que poderá ser uma vantagem hoje, ao longo das 67 voltas da corrida. “Tenho carro para lutar pela vitória. Se não der para vencer, tenho tudo para chegar numa boa colocação.” O piloto da Ferrari tem afirmado que será campeão quem for mais regular. Não gostou de ouvir que prefere que a prova, hoje, seja realizada com asfalto seco. “No kart eu ganhei várias vezes na chuva, aqui eu fui o mais rápido sexta-feira no molhado. Tenho de fazer melhor que na última etapa, sim, mas a chuva não me assusta.”
Raikkonen explicou que já na sexta-feira seu acerto não funcionou bem para os 4.574 metros de Hockenheim. “Mudamos e piorou. Para hoje, de novo, mexemos e ficou melhor. Mas quando colocamos gasolina para a parte final do treino, ficou muito difícil pilotar.” Não costuma demonstrar irritação, como ontem. “Mais que em outras temporadas, o segredo é não correr riscos, mas marcar pontos.”
Alonso ri de um quinto lugar no grid como não fazia quando vencia com a McLaren ano passado. “Que surpresa agradável.” E como seu parceiro, Nelsinho Piquet, quase fica fora já na primeira parte da classificação. “Consegui acertar a volta. Estávamos todos muito próximos.” Na segunda parte, o espanhol de novo avançou. “O que temos de fazer agora é manter esse ritmo em corrida, que tem sido nosso ponto fraco. Se der certo, as chances de um grande resultado serão grandes.” Sua melhor colocação, este ano, foi o quarto lugar na abertura do campeonato, em Melbourne, na confusa corrida. Robert Kubica, da BMW, quarto no Mundial com 46 pontos, sai em sétimo. Como Raikkonen, reclamou de desequilíbrio no carro depois de colocar gasolina para a seção final.
No treino livre da manhã, Nelsinho Piquet obteve o sétimo tempo, mais veloz que na classificação, quando ficou de fora. “Estou muito chateado. Na minha volta final, o Vettel (Toro Rosso) me atrapalhou, ficou à minha frente, que com certeza me fez mais lento. Os comissários, no entanto, acharam que ele não interferiu no meu tempo.” Rubens Barrichello, da Honda, sai em 18º. “Duvido que qualquer outro piloto aqui da Fórmula 1 fizesse melhor com esse carro”, afirmou. A TV Globo transmite o GP da Alemanha, hoje (domingo), a partir das 9 horas, horário de Brasília.
GP da Alemanha
Livio Oricchio, de Hockenheim
Não importa o resultado da corrida, hoje, no circuito de Hockenheim. Em condições normais, por pior que seja a classificação de Felipe Massa e Kimi Raikkonen, Ferrari, Lewis Hamilton, McLaren, e Robert Kubica, BMW, nenhum deles deixará de estar na luta pelo título, ao menos em função do GP da Alemanha. Massa, Raikkonen e Hamilton estão empatados com 48 pontos e Kubica vem logo atrás, 46. Os quatro responderam, em separado, à mesma pergunta relativa à conquista do campeonato e, com exceção de Kubica, que se diz surpreendido com sua colocação, os demais se sentem na briga diretamente.
Qual sua chance de ser campeão?
Massa é o primeiro a falar: “Não disputei o título, ano passado, porque tive problemas na hora errada, como o abandono em Monza, por exemplo, e alguns erros que cometi no começo do ano”, diz. “Agora nosso carro é melhor, estou mais experiente e se continuarmos nesse nível devo atingir o final em boa condição de brigar, meu objetivo profissional”, comenta. “A constância será a chave para chegar ao título, cada ponto será decisivo.”
O companheiro de Massa, Raikkonen era o grande favorito da maioria este ano. Mas na prática as coisas não se desenvolvem como o imaginado por muitos. “O Mundial se ganha na pista” é a resposta, seca, de Raikkonen quando lhe colocam a questão do favoritismo. “Vivo uma fase de acontecimentos que me impede de voltar a vencer”, explica. No Canadá, Hamilton bateu na traseira da sua Ferrari na saída dos boxes, na França quebrou o escapamento e, em Silverstone, a Ferrari se equivocou na previsão do tempo e não substituiu seus pneus.
“Em 2007, as condições eram piores que agora, tinha menos carro e estava bem atrás na classificação. Mesmo assim fui campeão. Agora é só encaixar dois ou três resultados seguidos que tudo ficará mais fácil. Acredito mais no título, este ano, que acreditava em 2007”, diz Raikkonen. “Com todas as minhas dificuldades, ainda estou em primeiro, não tenho do que reclamar.”
O mais recente ídolo dos ingleses na Fórmula 1, Lewis Hamilton, também recorda a experiência de 2007 para falar de 2008. “Eu não fiquei tão abatido como disseram. Era meu primeiro campeonato e acabei vice, o que não é nada ruim”, comentou. “Este ano há menos divisão de forças na equipe, o carro é muito bom, talvez não como em 2007, em algumas pistas, e, claro, me sinto mais forte como pessoa e piloto”, diz. “O importante foi ver como a equipe confia em mim, sinto-me na obrigação de dar 110% de volta a eles. Estamos na briga, não há dúvida. O título ficará com quem errar menos.”
O polonês Robert Kubica, da BMW, é a grande surpresa da temporada. Com sua vitória no GP do Canadá, chegou a lidera a competição. “Não me sinto candidato a ser campeão. Nosso carro não está ainda no nível dos modelos da Ferrari e da McLaren. Há mérito de todos no que conseguimos até agora, mas alguns resultados foram circunstanciais.” Para Kubica, suas possibilidades de eventualmente lutar pelo título serão definidas já até a prova de Valência, dia 24 de agosto. “Se até lá estiver bem próximo dos líderes, o que me surpreenderia, talvez tenha alguma chance porque os circuitos a seguir (Spa-Francorchamps, Monza, Cingapura, Fuji, Xangai e Interlagos) não devem ser ruins para nosso carro.”
Olá amigos! Estamos no ar. A partir de hoje teremos muito o que conversar sobre automobilismo, viagens, de comentários diários a séries especiais, passando pelo Mundo Técnico, exposição didática do fantástico universo tecnológico da Fórmula 1. Boa sorte para nós!
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