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06.11.09

Às vezes acontece de sentirmos saudades de tempos não vividos. E como não sentir vontade de se transportar no tempo para a primeira fila de um teatro qualquer, ansioso para ver no palco uma pianista como Guiomar Novaes? Há quase duas semanas que ouço sem parar um disco que achei perdido pela internet. Anos 40, "Concerto para Piano nº4" de Beethoven, "Concerto nº 2" de Chopin, Otto Klemperer, Sinfônica de Viena. Quando Guiomar morreu, em , o crítico Harold C. Schoenberg escreveu um longo obituário. Lá pelas tantas, escreve: seu repertório era pequeno, mas nele cabia tanta coisa que é como se a cada novo concerto de Beethoven uma nova peça surgisse perante nossos ouvidos. Fiquei louco justamente com a espontaneidade do piano dela, com a riqueza de detalhes, a alternância de climas, os jogos, com aquela sensação que nos dão os grandes de que o piano pertence a eles – e de tal forma que peça, instrumento e intérprete se transformam em uma coisa só. Ouço e fico sentindo falta danada do piano de Guiomar que, claro, nunca vi ao vivo. É que a memória, no final das contas, não é apenas lembrança – é também desejo.
Comentários:
Comentário de: terezinha [Visitante]
07.11.09 @ 08:51joao luiz,vi guiomar novaes ao vivo ,em minha cidade,tinha 12 anos ,mas jamais esqueci ,temos todo ano ,semana guiomar novaes sempre em setembro com espetaculos belissimos.
Comentário de: dos Anjos [Visitante]
07.11.09 @ 11:22Se Guiomar lhe tocou tanto, procure ouvir Schumann e Fauré por Magda. Sua sensibilidade agradecerá emocionada.
Comentário de: TrainsPotta [Visitante]
07.11.09 @ 11:41Caro João,
É verdade, a Guiomar Novaes tem este condão de nos transportar no tempo, sempre tive esta sensação estranha de deslocamento. Eu ouso afirmar que a gravação dela da famosíssima (e belíssima) "Sonata ao Luar" de L.V. Beethoven - acho que da década de 60 - é a mais bela jamais feita, em que pesem os nomes fantásticos que já tiveram o privilégio de gravá-la. Interessante que eu sempre imaginei ali, naquela série de combinações geniais de notas, o prenúncio mais claro do Romantismo, prerrogativa do nosso gênio alemão. E Guiomar Novaes também parecia entender desta maneira, alternando dedos incomparavelmente suaves nas passagens mais dolentes e usando de vigor claro, marcante, quase marcial, durante os movimentos mais incisivos.
Um patrimônio, verdadeiramente.
Até!
Comentário de: gilda [Visitante]
07.11.09 @ 12:32Realmente, Guiomar foi sublime ! Talvez uma das maiores pianistas do sec XX. Pena uma certa competiçao com Magda Tagliaferro. Ambas foram fantasticas, cada uma em seu genero.
Comentário de: gilda [Visitante] · http://yahoo brasil
07.11.09 @ 12:43V. tem razào : Guiomar foi sublime, talvez uma das melhores pianistas do sec XX. Pena uma certa competiçao com Magda Tagliaferro. Ambas fantasticas , cada uma em seu modo.
Comentário de: Alvaro Mattar [Visitante]
07.11.09 @ 13:22Há poucos dias descobri Guiomar Novaes.Precisamos lembrar que ao ser interpretada uma obra musical é recriada. Ela simplesmente foi sublime. O que me causou espanto foi a pouca impportância que nós brasileiros damos a ela.
Comentário de: victoria sarapo [Visitante]
07.11.09 @ 13:40Concordo em grau e numero. Os Brasileiros nao
tao importancia a Guiomar que ela merece. Metade nem sabe quem era. Para variar O Brasil continua
nivelando por baixo...esquecendo dos Brasileiros que tanto nos deram orgulho no estrangeiro! Quem sabe um dia isso muda???
Comentário de: victoria sarapo [Visitante]
07.11.09 @ 13:41Concordo em grau e numero. Os Brasileiros nao
tao importancia a Guiomar que ela merece. Metade nem sabe quem era. Para variar O Brasil continua
nivelando por baixo...esquecendo dos Brasileiros que tanto nos deram orgulho no estrangeiro! Quem sabe um dia isso muda???
Comentário de: Lu Medeiros [Visitante]
07.11.09 @ 14:38João, também sinto falta de tempos não vividos! Leonard Bernstein, imagina só, acompanhar a carreira dele, o trabalho educativo, ver os chiliques... :) Fiquei com vontade de ter sido mais próxima de Jacques Klein também, que eu até poderia ter conhecido mas com quem não tive qualquer contato. Ou de Sérgio Porto, Saint-Éxupery, Humphrey Bogart... Essas nostalgias são bem aquarianas, né?
Comentário de: John Galt [Visitante]
07.11.09 @ 16:37João: eu tenho uma imensa admiração por Mme. Novaes, a Menina do Narizinho Arrebitado, tão grande quanto o esquecimento com nós brasileiros a brindamos.
Voce comprou o disco pela internet ou baixou-o da rede?
Se assim, onde o conseguiu?
obrigado,
Comentário de: Daniel [Visitante]
07.11.09 @ 18:00Somos fruto de uma medíocre sociedade que não valoriza e não cultua verdadeiros patrimônios da Humanidade.
Comentário de: walter neiva [Visitante] · http://www.walterneiva.cng.br
07.11.09 @ 20:08Pois é João
eu também não a vi ao vivo
A primeira peça que me marcou, foi o adagio do
concerto Imperador de Beethoven,(ainda em vinil)
ali senti o que era um genio ao piano
depois descobri a Dança dos Espiritos Abençoados de Gluck(Orfeo)
quando ela toca o solo originalmente destinado a flauta
o legatto que ela consegue e a suavidade, parece
que estamos realmente ouvindo uma flauta
Achei significativo o numero de comentários
Prova que sua memória não está apagada..
walter neiva
Comentário de: LEANDRO CARLOS [Visitante]
07.11.09 @ 21:13Eu também me teletransporto para outras épocas quando ouço Django Reindhart e Robert Jhonson, sei que é muito distinto de Guiomar (que alias, eu admiro muitissimo), mas nesse comentário quero enfatizar como nós somos arremessados para um local no qual nós não vivemos a partir da sensibilidade de artistas iluminados.
Comentário de: marcelo tramontano [Visitante] · http://www.nomads.usp.br
08.11.09 @ 08:45joão, ao fundo dessas palavras suas e dos comentários soa a música de guiomar novaes.
obrigado por essa pausa bonita, e por essa frase no final: "é que a memória, no final das contas, não é apenas lembrança – é também desejo."
Comentário de: GUILHERME CIMINO [Visitante]
11.11.09 @ 13:32Leandro, ri muito com seu comentário!
A música é uma máquina do tempo, sem dúvida.
Quando ouço Satie, sinto-me na presença de Dadá!
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João Luiz Sampaio é jornalista, repórter do Caderno 2 e editor-assistente do caderno Cultura, de O Estado de S.Paulo
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