Você esta em: Paladar > Blogs > Blog do Luiz Horta
Luiz Horta
Luiz Horta

28.11.08

Link permanente Crepusculares

por Administrador , Seção: As crônicas mundanas de Glupt! às 17:22:55 .

O que tem me dado verdadeiro prazer é beber um cálice (taça grande, a maior que tenho, a riedel borgonha, mas com um dedal de vinho lá no fundo, para cheirar mais que beber) de Madeira, Porto, Manzanilla ou um TBA austríaco. Sento na minha cadeira fatal, a espreguiçadeira terminal, da qual é muito difícil querer sair, Frederica no colo, descansando, olhando o jardim, com a chuva caindo. Acho que equivale ao cigarrinho pitado no fim do dia para os fumantes, aquele ponto final na jornada, reorganização de pensamentos, um calibre no centro das idéias…Não existe nada tão complexo pelo preço destes vinhos, especialmente um Madeira Henriques & Henriques Full Rich 5 anos (50 reais!) ou um Lustau Papirusa Manzanilla (85 reais). Porto vou de Tawny Niepoort. TBA é o Kracher, ça va sans dire. É um, gosto ancestral, nasci e cresci em casa com garrafinhas de generosos (no armário mesmo, oxidando infinitamente) que as tias tomavam, com frio ou calor, no meio da tarde. Isto molda uma personalidade!

Este ritual modesto me faz bocejar pensando que tem gente que quer ter um helicóptero, ou algo assim. Tsk, tsk. Como escreveu o Ivan Lessa, a vida não é curta, é perto.

 


Link permanente Days of wines and roses

por Administrador , Seção: As crônicas mundanas de Glupt! às 17:21:39 .

Uma lista de vinhos destes últimos dias, alguns muito bons, outros decepcionantes ou normais. Um Gruner Veltliner Brundlemeyer Kamptaler Terrasen, ainda com muita vida e tipicidade para mostrar, mas já com traços gostosos da uva única austríaca. Depois um Burklin-Wollf Estate, Trocken, 2006, que mesmo com esta palavra trocken no rótulo denunciava na cor amarela e no nariz de botritis um ponto de doçura importante. E delicioso. Mas parece que os alemães sofrerão o mesmo que os alsacianos, o que diz no rótulo pode não coincidir com o que está dentro. O horror dos sommeliers (lembro dos numerozinhos impressos pelo Domaine Zind-Humbrecht, indicando grau de doçura, diante da indefinição da nomenclatura e evitando os atropelos de harmonização.






Dois vinhos do sul da França, meu querido Travers de Marceau de Rimbert e o mais durinho e caladão Remejeanne do Rhone.


E a glória, tanto pela qualidade quanto pelo momento especial. Jacques Trefois, uma das pessoas que respeito e admiro, me apresentou uma taça: “diga o que é isto. Não precisa dizer ano, nada destas coisas, só região…” Cheirei, cheirei, provei, muita fruta madura e escura, ameixas, boa acidez, elegante mas cheio de vólupia. Matei que era do sul, fiquei hesitante entre Languedoc ou Rhône. Não era obviamente Syrah. Achei menos quente que o sulzão, pensei: deve ser do Rhône, mas sul. E era!


Acho que ele ficou orgulhoso de mim. Eu fiquei bem feliz, não pela coisa circense de acertar coisas às cegas, mas por ver que algo venho aprendendo. O vinho era um belo natural, L’Anglore, de Eric Pfifferling. Com uma lagartixona no rótulo. Destes momentos para contar para os netos, eu erraria uns cem em cada 102 vinhos…e este acertei, com testemunhas. Depois explico como fazer o mesmo, é mais lógica que enofilia.

 


busca no paladar