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21.10.09

por Marcos Guterman, Seção: História 00:00:24.

Em "Guerra e Paz", Tolstói argumenta que os protagonistas dos grandes acontecimentos não sabem exatamente qual será o resultado futuro de suas ações, de modo que são atores involuntários daquilo que conheceremos como história. Falando das preocupações comezinhas de Napoleão e do czar Alexandre, além das reações pessoais dos generais na guerra entre França e Rússia no começo do século 19, Tolstói escreve: “Os seus receios, as suas vaidades, as suas alegrias, os seus descontentamentos, as suas críticas vinham de suporem saber o que faziam e de julgarem agir por si próprios, quando afinal não passavam de instrumentos inconscientes da História, realizando um trabalho oculto para eles, mas inteligível para nós”.

Mas será assim mesmo? Será que o todo do momento histórico é tão maior que suas partes? Será que realmente não temos controle sobre o destino de nossos atos ou palavras no futuro? As perguntas vêm a propósito do livro “Anne Frank: The Book, the Life, the Afterlife”, da escritora americana Francine Prose, sobre o famoso diário da menina judia escondida num compartimento de uma casa na Holanda para escapar da perseguição nazista.

Prose afirma, em entrevista à Folha, que a adolescente Anne Frank teve a oportunidade de melhorar seu estilo literário ao longo dos mais de dois anos em que passou refugiada, e que ela usou essas habilidades para reescrever boa parte do diário que ela começara a compor quando era apenas uma criança. Anne Frank reescreveu o diário com vista à história. Para Prose, a ideia era que todo o drama daquele momento fosse preservado, a partir não apenas do que estava ali relatado, mas por ter consistência literária.

Se funcionou, cabe aos críticos responderem. O que nos interessa aqui é que Anne Frank sabia qual era seu papel na história e sabia que aquilo que estava contando nas páginas de seu diário serviria para iluminar os acontecimentos daquele intervalo bárbaro da vida supostamente civilizada do Ocidente. O mesmo ocorreu com Emanuel Ringelblum, historiador polonês que, no Gueto de Varsóvia, se dedicou a reunir tudo o que pudesse documentar aquele momento, para que, no futuro, ninguém fosse capaz de negá-lo. Guardou o material em latões de leite, escondidos nos porões do gueto, com mensagens dirigidas aos “historiadores do futuro”.

De certa maneira, Anne Frank e Ringelblum negaram a tese de Tolstói (e, antes dele, de Kant) de que há um fio condutor da história, invisível aos homens e às sociedades em meio ao choque de paixões que produz os acontecimentos e o “progresso”. A sofisticada consciência da miséria de sua condição os tornou porta-vozes daqueles de quem a humanidade estava sendo roubada. Seu esforço deu a essas vítimas o túmulo que lhes fora negado. Anne Frank e Ringelblum recusaram-se a aceitar que o silêncio, o esquecimento e a inexistência fossem seu destino inapelável. Sua coragem mostrou que é possível ajudar a escrever a história de modo consciente, mesmo no mais hostil dos ambientes, mesmo diante da improbabilidade da própria vida.

 

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Comentários:

Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 00:24
Caramba! Dessa eu não sabia (sexualidade de Anne Frank, etc.) A parte mais dificil de re-escever seu próprio diário: ler o seu próprio diário. Tem coisas lá que voce não quer ler.

Quanto a História, no futuro vai ser como a Economia: vai ter um forte componente de ciencia exata. Isso já foi adiantado por Isaac Asimov na série da Fundação. (Foundation series).
Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 00:45
Caramba! Dessa eu não sabia (sexualidade de Anne Frank, etc.) A parte mais dificil de re-escever seu próprio diário: ler o seu próprio diário. Tem coisas lá que voce não quer ler.

Quanto a História, no futuro vai ser como a Economia: vai ter um forte componente de ciencia exata. Isso já foi adiantado por Isaac Asimov na série da Fundação. (Foundation series).

PS

Isaac Asimov é o que tinha de melhor para adolescentes antes da época de Harry Potter. Isaac Asimov não inventou a vassoura Wind-blows 2000, ele não tinha vara Swish and Flick (point and click), somente a história do futuro nua e crua.

Também me lembro que o professor de educação sexual na sétima série ficou 3 semanas falando e falando e mostrou até filmes de pornografia light heterosexual. Não mencionou sequer uma vez qualquer coisa que tivesse a ver com a minha sexualidade. Pedir que Anne Frank abordasse a sua sexualidade no diário? E diário é lá para essas coisas? Tá perdoada por ter editado aquilo.
Comentário de: Fey [Visitante]
21.10.09 @ 01:02
Elementar Guterman,

O ser humano sempre vai tentar traçar o seu caminho. Se não o fizer, é poque não tem mais objetivos e assim espera a morte tranqüilamente.

Oque é surpreendente nessa história é que tanto Anne Frank como Ringleblum, estavam certos de que não estariam vivos pra observar o fruto de seus trabalhos. Mesmo assim eles apostaram no futuro.

Se os seus esforços valeram a pena, depende de nós pra não deixar a história se repetir. Aparentemente um certo presidente iraniano que nega o holocausto, e um outro presidente brasileiro que o apoia por interesse, não tem contribuído muito nesse sentido.
Comentário de: Bueno de Taubaté [Visitante]
21.10.09 @ 04:53
Poxa, Guterman, desta vez você exagerou. O questionamento que faz no 'post' sobre o papel do indivíduo na História e a consciência que ele possa ter disso vale uma aula de Filosofia. Na Sorbonne, Panthéon, naturalmentem acho que não na Universidade de Brasilia, pelo menos na UnB de hoje...
Comentário de: césar jacques [Visitante]
21.10.09 @ 08:23
Sou maias as palavras de Tolstoi. Se Ringlebum agiu assim, assim também deve, ou devem, ter agido quem escondeu em Qirbet Qumran os conhecidos manuscritos do Mar Morto. Mas, seja uma pessoa ou várias, não escreveu lá seu nome. Foi, ou foram, instrumentos inconscientes da história.
Comentário de: João Só [Visitante]
21.10.09 @ 08:56
Guterman,

talvez eu seuja um pouco indelicado em dizer que ambos certamente sabiam que estavam vivendo uma experiência singular. Não havia na memória histórica lembrança de um momento tão grave amadurecido pela conjunção de tecnologias de morte e de propaganda.

Pena que essa mesma memória histórica dos judeus seja conspurcada por alguns vigaristas.

Outro dia lia no site do Norman Finkelstein, a respeito de uma polêmica sobre a mãe dele ter sido kapo, um texto de uma suposta brasileira chamada Yara Chiara. Ela se dizia ainda uma criança, que trabalhava como zeladora na USP e que com seu salário mínimo pagava um apartamento onde cuidava de seu irmão menor. O pobre Finkelstein deve ter acreditado que a USP emprega menores como zeladores e que um salário mínimo do Brasil é suficiente para pagar aluguel e alimentar duas pessoas.

Procurei mais sobre essa vigarista e descobri que ela era uma referência adorada nos blogs do Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.

Se Frank e Ringleblum vivessem nesses nossos tempos, teriam que ter cuidado com esse tipo de direitistas aproveitadores que durante séculos assassinaram judeus e hoje posam de seus defensores. Apenas para persegui=los novamente assim que possível.
Comentário de: Atma [Visitante]
21.10.09 @ 10:19
1º) Acho que você quis dizer Hegel, não Kant.

2º) Anne Frank escreveu o diário em função da realidade que lhe foi imposta, não é o caso de Napoleão e de Alexandre que impuseram a própria realidade à história.
Comentário de: jairo. [Visitante]
21.10.09 @ 11:08
Mas nunca saberemos o que ocorria em detalhes nos porões dos navios negreiros, dos milhares de mortos nestes porões, nunca saberemos de fato o que passam os orfãos destas famigeradas guerras, nunca saberemos o que realmente ocorreu com vilas totalmente exterminadas por bombas despejadas por F-18 ou apaches, do terror destas crianças a todo momento se deparando com tanques, e tiroteios, dificilmente teremos a descrição correta destes episódios que são tantos, que menciona-los preencheriam páginas, mas o que passaram os nativos da América, após 1500 que viram todo seu território da patagônia ao Alaska sendo totalmente invadido, populações inteiras exterminadas como se fossem ratos ou baratas, tumulos sagrados invadidos para que os Espanhóis furtassem o ouro, nunca saberemos a descrição destes episódios pelo lado violentado, então como disse na história da humanidade são muitos e muitos acontecimentos tristes, que a humanidade viveu nesta sua história na terra, os momentos vividos por estes personagens creio que foram de grandes incertezas quanto ao futuro de suas existências, mas como seres humanos foram colocados a prova em teor máximo de desafios e sobrevivência.
Comentário de: Guterman [Membro]
21.10.09 @ 11:11
Cara Atma

É Kant mesmo, em Ideia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita, embora a mesma ideia esteja em Hegel.

Comentário de: Rogério [Visitante]
21.10.09 @ 11:23
Somente li Guerra e paz por que estava de molho no hospital onde fiquei por tres meses após um terrível acidente de moto do qual escapei por um triz da morte.
Estou aqui e agora existente e vivo graças à sorte mas também e sobretudo à ação do motorista do caminhão que, rápido nos reflexos, freou o caminhão naquela fração de tempo que pode decidir entre o gol e o escanteio.
Após os segundos quase fatais encontrei-me debaixo do caminhão com a roda deste sobre a minha perna, ou seja o motorista freou e arrastou-me junto com a roda travada até parar. Estou vivo devido à sorte ou a ação do motorista?
Acho que devido à ambos, as circunstâncias mesmas que levaram-me a ultrapassar o caminhão antes de uma curva e que colocaram um carro à minha frente foram as mesmas que permitiram que eu sobrevivesse, antes de bater de frente com o Monza ainda desviei um pouco para a direita o que possivelmente posicionou finalmente meu corpo um pouco mais para dentro da estrada na hora da queda e do quase fatal atropelamento. É claro que seu eu não tivesse parado anteriormente para tirar umas fotos das montanhas lá atras na serra do corvo branco não teria acontecido nada.

E graças ao meu velho e querido pai que passado o perigo chegou ao hospital com uma pilha de livros pude ler "war and peace" infelizmente em ingles idioma um tanto dificultoso para este desleixado leitor mas foi possível entender que os generais, entre eles Napoleão, são até certo ponto responsáveis pela vitória ou derrota do seu exército.
A ação do general tem bastante peso no sucesso ou fracasso de uma batalha. Juntamente com seus staff estuda e analisa todos os parametros possíveis, o campo onde se dará a batalha, as características do terreno ( esperaremos o inimigo antes ou depois do rio?), o efetivo disponível e outros fatores menos estáticos como a própria posição e á marcha do inimigo e tantos etceteras quantos caibam nesta complexa situação contamos inclusive com peso da personalidade do general e seu tremendo efeito psicológico sobre o moral das tropas.
Mas uma batalha se vence não apenas planejando mas sobretudo sabendo improvisar no calor da contenda pois as situações vão surgindo e as tomadas de decisões são realizadas tanto no plano individual, nas ações heróicas de alguns soldados que avançam sozinhos contra um pelotão inteiro a fim de motivar seus companheiros a segui-lo, como pelos superiores hierárquicos que sob pressão absurda vão direcionando seus batalhões hora para frente hora tentando atingir os flancos do inimigo. Vejo que é como um jogo de futebol cujo valor dos craques não necessáriamente redundará em vitória, sabemos que é bastante difícil ao Brasil vencer a Bolívia em La paz e etc, dependemos e muito dos fatores externos e aleatórios, no entanto nosso ânimo e vontade e quem sabe algum talento são obviamente a mola mestra de todos os acontecimentos humanos, apesar das circunstâncias.
Podemos inclusive contra todos os prognósticos realizar feitos inacreditáveis como realizou Napoleão ou Alexandre o grande que com um punhado de guerreiros e jogando fora de casa venceu a todos inclusive os antepassado dos Ahmadinejads.

O mesmo se aplica a menina Anne Frank dentro das circunstâncias terrivelmente desfavoráveis, por sorte também conseguiu um abrigo que possibilitou que esta desenvolvesse algo próprio inerente à sua personalidade que peculiarmente reagiu desta forma frente áquelas circunstâncias terríveis.
Não há realmente um script anteriormente traçado a não ser que acreditemos em maktubs no entanto há em comum em todos esses episódios essa linha que nos guia e esta certamente não depende tão somente de nossa razão e cultura, dou o impreciso pitaco que esse fio erante e tortuosa da história é formado pelo instinto vital sobre o qual são erigidas todas as especializações baseadas no intelecto sapiens sapiens. Não consigo ver um exemplo sequer de ação humana que não tenha suas origens neste instinto básico de sobrevivência, nos caso de Anne Frank e Ringenblun por exemplo há uma manifestação deste instinto extrapolado para a necessidade da sobrevivencia de sua experiência, de sua cultura, uma manifestação única na natureza, essa fusão entre nossa existência física e moral, isso explicaria também o aparente absurdo dos atos de alguns notáveis de nossa história civilizada como Jesus e Sócrates que preferiram a morte física à morte moral, ultrapassando "valores" instintivos em prol de uma categoria que se manifesta apenas nos sapiens sapiens, esse peso que adquirem as idéias e crenças indissoluvelmente associados com o ego.

Se caminhamos em direção à civilização o fazemos para atender a esse chamado que a todos une, o instinto básico de sobrevivência que resultou associações dos animais ditos sociais. Mas como inevitavelmente este instinto básico e egoista é a força primária ,mesmo no âmbito das associações animais há o conflito por sexo ( vaidade, narcisismo, cíume e etc), espaço ( cobiça, inveja, avareza..) e etc derivado do conceito mais basico e natural da evolução e adaptação das espécies.
No entanto esse misto de instinto e racionalidade a que estamos submetidos levam inevitavelmente á um retorno mas agora " de caso pensado "dos "ideias" da espécie social principalmente o da cooperação para sobreviver às aleatoriedades da natureza e seus obstáculos naturais. Esse desejo egoista de "felicidade" por ser igual a todos acaba por desaguar em uma civilização que no final pensa da mesma forma e evolui no sentido da cooperação e do bem comum, afinal como dizia o poeta, " É impossível ser feliz sozinho".


Comentário de: Anna H. [Visitante]
21.10.09 @ 12:23
Guterman, gosto do seu blog porque ele nao é somente técnico. Tem outros por aqui que eu nao aguento ler porque só é técnico e nada mais, precisam sair e refrescar a cabeça senao...
Comentário de: Anna H. [Visitante]
21.10.09 @ 12:58
Rogério, seu relato é impressionante, mas eu penso que vivemos no meio do caos mais completo. Que civilização evoluindo para o bem comum nada ! Quem procura fazer o bem conta-se nos dedos, uma pequena parte da humanidade inteira, é óbvio. E depois, quanto a solidao, desde que nao seja em ilha deserta e fazendo o que gosta, o homem pode ser feliz vivendo só e sem ninguém para pegar no pé dele... vaidade e narcisismo sao diferentes em que ?
Comentário de: Dr.Massarandba [Visitante]
21.10.09 @ 13:27
Guterman,
Sera' que eles tinham consciencia mesmo ou era uma maneira d emante=los vivos e ativos?
Comentário de: O Templario [Visitante]
21.10.09 @ 13:46
Sim, foi Kant, embora Hegel compartilhava varias ideias com ele, uma delas? o imperismo.

sds
Comentário de: Paulo [Visitante]
21.10.09 @ 13:57
Será que nos guetos em Gaza ou na Cisjordania existem Palestinos seguindo o exemplo de Anny??? Será que no futuro os que agora submetem os Palestinos a esta condição, pagarão??? tenho quase certeza que sim...
Comentário de: Alexandre Carlos Aguiar [Visitante] · http://www.caminhosdaciencia.ning.com
21.10.09 @ 14:55
Penso que as duas coisas são verdadeiras, você fazendo parte e você sendo o protagonista. Em meio a isso há o acaso, que nos torna ou não celebridades, ou atores principais da História. E, claro, alguém pra contar de acordo com o que vê.
Julio Cesar deve ter medido as conseqüências em ter atravessado o Rubicão? Poderia ser apenas uma dorzinha de barriga, como aquela do Dom Pedro I, que resultou num Independência ou Morte? Obviamente que soaria bem mais estranho Julio Cesar agachado ali, perto do rio, em meio às moitas e gritando "a sorte está lançada".
E se gritasse, também agachado, "Pompeu eu vou te pegar", aí sim ficaria bem mais estranho.
Comentário de: CapEnt [Visitante]
21.10.09 @ 15:29
Fabio Unique,

Jesus! Alguém que leu a série Fundação! Isso é raro hoje em dia.

O que você quis dizer sobre a história no futuro acabar sendo uma ciência "meia-exata" seria a psico-história?
Comentário de: Sorales [Visitante]
21.10.09 @ 15:31
Guterman
Vejo com naturalidade o questinonamento da sexualidade de Anne Frank, assim como a dramaticidade experimentada pela menina-moça quando da primeira menstruação no cativeiro, como expresso em seu diário. No momento em que se manifesta nela o princípio da geração, da perpetuação da vida (a idade da razão?), em um ambiente de morte. Isto me lembra o quadro final, apoteótico, do filme Blade Runner, quando o andróide, "agonizante", tendo diante de si seu algoz (o caçador) à beira do precipício, absolutamente dominado, à mercê da "caça"- que com um toque sutíl poderia dar fim à sua vida, mas que, em dado momento, dentro da máquina manifesta algo aparentemente "racional", realmente inusitado. Pois se ali havia algo que poderia ter algum significado para o mundo do qual se desligaria, nada mais era do que a VIDA. O dom que lhe fora negado, durante todo tempo em que seu "programa" lhe permitiu funcionar. Ele estendeu seu braço forte e salvou o caçador. Mas vejo algo muito mais profundo no drama de Anne. Que tem toda uma metafísica onde a brutalidade da guerra e seu componente selvagem, desumano e bestial, colocava as forças em conflito na condição de autômatos, andróides, movidos pela mística invisível, um "fio", que somente poderá ser revelada aquém dos localismos da História, como ela é cintetificamente conscebida, pela dialética hegleriana e pela epísteme cartesiana. E esse fio, qual moto-perpétuo, continua movendo a humanidade, induzindo-a a sustentar os mesmos antagonismos que produziram a ecatombe, sob a qual Anne contou a sua história.
Comentário de: Marcia Barbosa [Visitante]
21.10.09 @ 16:14

Contar a história é uma coisa, executá-la é outra.

Anne contou o que viu, Alexandre, Napoleão e outros fizeram o que pessoas como Anne narraram.

Não creio que Alexandre e Napoleão refletissem muito do papel histórico deles, pois fazer era mais importante.
Comentário de: Guterman [Membro]
21.10.09 @ 18:02
Caro Dr. Massa (13h27), é uma ótima pergunta. Acho que é um pouco das duas coisas. Anne Frank é um clássico talvez por causa de sua excepcionalidade. Milhares de outras pessoas aceitaram seu destino; ela não, e lutou com as armas que tinha: lápis e papel.
Comentário de: Köhlmeier [Visitante]
21.10.09 @ 18:12
Guterman,

A tese de Tolstói pode não ser infalível, mas ilumina a forma de construção da história (e isso foi escrito no séc. XIX, anteriormente à difusão da história do cotidiano).
O que leva certos personagens de eventos traumáticos a escrever pode variar enormemente, não creio que seja necessariamente por consciência de seu papel como agente da história. Frank teria escrito com tanto cuidado por intuir-se protagonista de um momento histórico único e relevante ou simplesmente por ter pendor para literatura? Há alguma indicação de quem ela imaginava seriam seus leitores? Como você mesmo diz, a ideia era preservar o drama daquele momento não apenas pelo que estava ali relatado (i.e. fatos históricos), mas pela consistência literária (i.e. arte). É possível que ela contasse mais com sua capacidade artística do que com a relevância de sua participação histórica.
Independentemente de consciência, acho que muitos escreveram para tentar entender ou poder acreditar no que se passava. Primo Levi conta de sonhos que tinha em Auschwitz, cuja temática era comum a outros internos: ele estava de volta à sua casa na Itália, conversando com familiares, e começava a contar o que havia vivido, mas as pessoas simplesmente não o levavam a sério. Talvez muitos tenham escrito simplesmente para que seu círculo próximo pudesse acreditar, sem efetiva consciência de seu protagonismo histórico.

PS – acho a imagem de túmulos de papel muito bonita; recentemente li um bom artigo a respeito, sobre o trabalho de uma artista plástica brasileira (Danziger).
Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 18:59
CapEnt,

Claro que é a psicohistória (e li a série dos robôs também, rsrsrsrs) Veja que o inventor da psico-historia era um matemático "amador" (esqueci o nome do personagem) mas que me lembre foi uma fusão de matematica+historia+psicologia.

Abraços!
Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 19:01
CapEnt,

Claro que é a psicohistória (e li a série dos robôs também, rsrsrsrs) Veja que o inventor da psico-historia era um matemático "amador" (esqueci o nome do personagem) mas que me lembre foi uma fusão de matematica+historia+psicologia.

Abraços!

PS - Meio exata porque sabiam que haviam outliers mas deixaram a Segunda Fundação para esses casos.
Comentário de: Stephannie [Visitante]
21.10.09 @ 19:10
tá certo, mas a repercussão destes relatos, mesmo sendo estes orientados para a repercussão, é seletiva.
Anne Frank não foi a única a escrever relatos, e aí eu reencontro o fio-condutor da história do Lênin, já que algo maior do que a sua individualidade a escolhe para fazer parte do rol dos protagonistas.

Comentário de: Guterman [Membro]
21.10.09 @ 19:15
Köhlmeier

Não sei responder, mas gosto de pensar que, em algum momento, Anne Frank sabia que tinha um papel histórico. Victor Kemplerer, o judeu alemão que ficou na Alemanha a despeito do nazismo, escreveu seus diários e depois uma compilação sobre a linguagem nazista (felizmente agora traduzida para o português) porque tinha a intenção de ensinar algo aos alemães sobre a verdadeira natureza do nazismo. Emanuel Ringelblum queria municiar os "historiadores do futuro". Acho que essas pessoas são agentes históricos na medida em que não aceitam que sua história seja distorcida.
Comentário de: Carolina [Visitante]
21.10.09 @ 19:23
Nossa que texto delicioso. Sem duvidas a tese é de que eles sabia que estaria participando da história faz todo sentido. Anne Frank conta em seu livro que ouviu no rádio dizendo que todos os diários seriam usados depois da guerra como relatos, foi ai que ela resolveu passa-lo a limpo escolhendo o que de caráter pessoal ela ia deixar.

Ela escreveu sua historia sabendo que estava escrevendo a parte da História
Comentário de: O Templario [Visitante]
21.10.09 @ 19:54
Guterman
posso sugerir ao colunista que para o proximo topico vc escolha a idade dos orgaos? quem tera direito etc?
estou muito curioso em le-los , caros colegas.
desculpem mudar de assunto.

O Templario
Comentário de: ade [Visitante]
21.10.09 @ 20:29
João só, conheço a Yara "Chiara" Cristoffoli há muito tempo, e posso garantir que ela passou por tudo o que escreveu. Vá procurar o onibus de onde voce caiu antes de falar besteira, ela é muito mais gente do que voce será em sua vida...

(Nota do blog: este texto teve palavras suprimidas, porque eram ofensivas, mas o comentário foi mantido porque se refere a um tópico trazido por outro comentarista.)
Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 20:31
PPS,

Se bem que o livro de Isaac Asimov mais apropriado para esse blog seria "The End of Eternity".

A Eternity Inc. é uma empresa de viagem no tempo (a linha de metrô do tempo não conecta o passado ao presente, ela só conecta o presente ao futuro, por motivos técnicos. Cada século tem uma espécie de estação de metrô.

O que acontece como resultado? O futuro vai se modificando mais e mais até ficar muito parecido com o presente.

Todos insatisfeitos, começam a explorar um outro conceito: várias realidades existentes ao mesmo tempo, e como transitar entre elas.

Não se trata de uma apologia ao revisionismo e sim de perceber que mal sabemos se o tempo é realmente linear. O tempo é linear na cultura Judaico-Cristã, em outras culturas ele é cíclico, e os ancestrais estão presentes naquele momento e podem ser acessados através do Pai/Mãe de Santo ou através do Shaman.

Neurologicamente falando, já sabemos hoje que os nossos pensamentos se formam no cérebro segundos antes de pensarmos os pensamentos concientemente.

O outro lado da moeda: esses segundos foram medidos por um relógio, se invertermos o relógio, a conciência ocorre na ordem "certa", isto é, antes da ação, não depois. Se a nossa percepção é linear por definição, o tempo físico deixa de se-lo.


Enfim, o "state of the art" dessa ciencia revela que não temos o "grip" que achávamos que tinhamos quando falamos de coisas prosaicas como "causa" e "efeito", mal sabemos em que direção está correndo o relógio imediatamente "antes" dos nossos pensamentos e percepções.



Comentário de: Glúon [Visitante]
21.10.09 @ 21:02

Entreouvindo vagamente:

- Eu não entendo o Guterman...
- Não entende o quê?
- Primeiro ele diz: "Cuidado com o que você escreve aqui"
- E depois?
- Recomenda escrever a história, mesmo no mais hostil dos ambientes.
- Sacanagem, né?
Comentário de: Paulo [Visitante]
21.10.09 @ 21:08
Que diferença faz saber ou não, ser agente ou inocente?

Independentemente da tipologia das fontes a história é necessariamente uma versão interpretativa contruida a posteriore dos fatos onde são elementos constitutintes todo tipo de fontes, incluso até as imaginárias.
Comentário de: Francisco Ernesto Guerra [Visitante]
21.10.09 @ 21:21
João Só,

Bem lembrado da vigarista e aplicadora de conto do vigário, conhecida pela alcunha de Yara Chiara. Ela própria se confessa admiradora de um certo Diogo Mainardi, relativamente conhecido lá no colégio Equipe. Ninguém, inclusive eu levava esse beócio a sério, como até hoje ninguém leva, diga-se. Mas, reconheçamos, o cidadão sabe defender bem uns trocos, não é? Pior, ele faz escola, como é ocaso da tal Yara Chiara.
Comentário de: Riolan [Visitante]
21.10.09 @ 21:36
Rogério [Visitante], você foi o único a colocar o problema "destino" x "livre arbitrio" de forma tão contundente e clara. Este é um problema filosófico de 3.000 anos ou mais (mais antigo que a própria filisofia, provavelmente). Parabens, muito bem colocado. Vereremos se mo pessoalzinho que voa baixo, pefceba.

Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 22:07
Riolan,

Mas eu coloquei a mesma questão que o Rogério no meu PPS! Se não ficou claro é porque a questão não está clara. A falta de clareza entre "Causa" x "Efeito" é o que transforma a questão "destino" x "livre arbitrio" num debate que não foi resolvido nesses 3.000 anos.

Comentário de: PSB [Visitante]
21.10.09 @ 22:19
Caro Guterman

Parece-me que Anna em certo sentido teve "sorte" em poder reescrever o diário e guardá-lo para a posteridade. Desculpe-me se estas palavras pareçam exageradas, mas penso que MUITOS, talvez a maioria, queira deixar sua pegada na humanidade : por literatura, pintura, dança, esporte, etc. A diferença é que Anna encontrou uma situação "propícia" para marcar a história: persuguida pelo nazismo e criança.

Ora, penso, quantos relatos de milhares de pessoas não se perderam na humanidade? Quantas pessoas não perceberam que AQUELE momento era peculias, mas não tiveram tempo ou papel para escrever? Ou escreveram, e seu texto se perdeu.

Naturalmente não quero desprezar o sofrimento por que ela passou, só não me parece que ela única em perceber que escrevia parte importante da história.

Lamento, muitos temos a ilusão de que seremos importantes para a história. Ilusão, claro. Quando eu ou outro fazemos nossa dissertãção de mestrado, acreditamos geralmente que nosso estudo TENHA efetivamente contribuído para as pesquisas na área.

Compreendo que um relato sobre o genocídio é mais universal e interessante que uma redação sobre uso de plástico X para embalagens Y. No entanto o autor da dissertação acredita em que esteja escrevendo parte da história.

Digo mais: o diário dela se tornou importante porque deve ser um dos poucos relatos DESSE GÊNERO, suponho. Quero dizer, se houvesse 10 MIL diários de crianças em situações semalhantes a Anna, infelizmente o dela seria apenas mais um diário. Talvez ela tenha tido o papel, o tempo, e uma certa previdência. De qualquer forma, ela escreveu a história porque o diário dela acabou sendo o único ou um dos únicos.

Afinal, que são os blogs e colunas nos jornais? Se houvesse apenas um blog fazendo relato sobre o Irá, certamente ele escreveria a história. Como há blogs, repórteres, entrevistas, reportagens televisivas, testemunhas que estão vivas, um blog sobre o Irã é apenas mais um blog, portanto ele não está "fazendo história".

Por isso tudo, não acho que Anna Frank, que teve sorte de não ter o diário sido destruído, seja "tudo isso" que o jornal faz parecer ser.

Como diria um antigo romano, a Fortuna é senhora de todas as coisas: é possível que eu faça um relato - algo consciente, como Anna ao reescrever o diário - sobre a corrupção no governo brasileito como MILHARES de outros já fizeram, no entanto, se por algum acaso somente meu texto ter sobrevivido, serei considerado uma testemunha insubstituível desse período no Brasil.

Enfim, nós acreditamos estar escrevendo a história, mas a História determinará se o que escremos é relevante. No fundo, Anna achava ter consciência, e para sua "fama" a história aconteceu de um modo que tornou seu diário importante.

Pensemos bem, um texto BANAL sobre a ato sexual entre homem e mulher não é importante hoje e não o será amanhã, pois ainda amanhã o ato sexual - ereção, canal vaginal, penetração, etc. - será o mesmo. No entanto, se daqui 5000 anos a o ser humano evoluir e a reprodução ocorrer por meio de meiose, um texto BANAL, com pornografia BARATA será importante.

O texto dela foi importante porque a era Hitler acabou - e isso foi capital para a "importância" de seu texto. É uma hipótese ABSURDA, sem dúvida, mas, se a Alemanha nazista houvesse dominado o mundo e imposto essa prática e esse terror ao mundo, que importância teria seu diário, já que ele não descreria nada que não conhecêssemos ou sentíssemos na própria pele, vivenciássemos diariamente?

Desculpe-me por ser prolixo, pelo texto talvez um pouco confuso que NÃO foi reescrito - bem, não serei uma Anna Frank certamente.
Comentário de: Fabio Unique [Visitante]
21.10.09 @ 22:37
PSB,

Parei de ler o seu post na seguinte parte:

"Por isso tudo, não acho que Anna Frank, que teve sorte de não ter o diário sido destruído, seja "tudo isso" que o jornal faz parecer ser."

Explico:

Hoje em dia não cobramos Goethe e Shakespeare na idade que ela leu, a conclusão da nossa inferioridade planejada nas escolas, é inevitável.

Comentário de: João Só [Visitante]
21.10.09 @ 23:08
ade,

pelo jeito você deve considerar quem anda de ônibus um ser inferior.

Ando de ônibus com bastante honra. Quem dera houvesse mais transporte coletivo de qualidade para todos. Eu andaria muito mais.

Quanto a ser gente, eu me considero o suficiente. E você?

Pergunto isso porque, se o que o Guterman deixou passar foi isso, imagino o que ficou de fora...

Tive uma ótima notícia ao saber que o amigo Guerra também já ouviu falar na indigitada e me apoiou.

Vou escrever para o Norman e pedir para ele tirar aquele, digamos, texto do site dele.
Comentário de: Tricolor [Visitante]
22.10.09 @ 00:23
Não sei porque, mas me passou pela cabeça que Adílio ainda é o "pobre menino da Cruzada São Sebastião", que Benedita é "mulher, pobre, negra e favelada" e que Jesus,"pobrezinho, nasceu em Belém". Não sei porquê ... Deveria escrever um livro sobre estes meus pensamentos.
Comentário de: Florentina [Visitante]
22.10.09 @ 02:28
A história é uma ciência deficiente.

Tem o narrador (historiador) que passa sua verdade. Sua visão. Não segue nenhuma metodologia.
Por exemplo, podemos ler sobre a Revolução Cubana por historiadores influenciados por ideologias socialistas.
- Fidel será relatado por estes como um herói na luta contra as injustiças sociais.

E podemos ler sobre a Revolução Cubana na visão de um escritor que usa um método científico, com isenção ideológica.
Posso citar como exemplo, Yoani Sanchez (mas têm outros).
Ela segue uma metodologia crítica, cruza informações com análises, estudo da causa e conseqüência, do tempo e do espaço. É daí que define sua concepção.
- Fidel será relatado como o que governou um país cuja população foi proibida de opinião, de expressão. Com líderes de geladeira cheia e pobres de pratos vazios. Com criança alfabetizada mas depois fica proibida de ler.

Enfim, a história depende da fonte.
Mas de qualquer forma, uns fazem e outros contam.
Comentário de: Anna H. [Visitante]
22.10.09 @ 05:19
Também acho que Anne Frank, antes de se tornar um ícone e um símbolo da resistência ao nazismo, foi uma menina curiosa e com a empatia aguçada pelo fato de que, ao seu lado, viviam outras pessoas também curiosas e angustiadas, que passaram para a adolescente um pouco da vivência delas. O diário de Anne é um grande manual de psicologia humana, refletindo os sentimentos de todos à sua volta.
Comentário de: José Benedito Vizioli Libório [Visitante]
22.10.09 @ 07:57
Sabe, Guterman, esse seu texto mexeu profundamente comigo, principalmente pelo fato de que aponta a necessidade da perenidade, do testemunho, de não achar que as coisas são como são e que há uma consciência mais generalizada que dará conta de determinado evento.
Engraçado que eu me lembrei de um trecho do documentário dos irmãos Naudet sobre 11 de setembro no qual ele explicava que , evidentemente, não tinham intenção de fazer um filme sobre uma tragédia mas que foram escolhidos como testemunhas.
Pois é, perenizar os tempos, bons e maus é o que devemos fazer, sempre.
Como diria o escritor inglês (do qual não me lembro o nome): "Bons tempos, maus tempos são os únicos tempos"..
Abraços!
Comentário de: Marcelo Alessandro [Visitante]
22.10.09 @ 08:32
Escreveu pensando no futuro porque acreditava haver futuro: um tempo no qual, se não dos melhores, pelo menos bom o suficiente para ler algo de semelhante jaez.
Comentário de: Rogério [Visitante]
22.10.09 @ 10:42
Anna H

O que veio na minha cabeça para afirmar que há essa tendência da civilização caminhar no sentido da soliedariedade humana foi uma certa avaliação comparada entre a civilização passada e presente. Parece que caminhamos cada vez mais para a cooperação e integração, os grandes blocos economicos são apenas um reflexo deste movimento, uma cultura comum que apara as arestas das diferenças irreconcíliáveis.
Pelo menos as instituições são mais evoluidas atualmente e estas no fundo são reflexos de nós mesmos. Atualmente não vemos ninguém sendo açoitado ou crufixado em praça pública ou sendo solto aos leões para diversão das pessoas, alguma coisa melhorou e parece que a tendência é seguir em direção á uma justiça mais elevada.

Outro sinal que fornece subsídio para este pensamento otimista é a evolução dos sistemas judiciários onde jurisprudências são firmadas baseadas em decisões consagradas pelo bom senso que é inerente á todos os humanos, desde as cavernas já possuiamos está lógica,precisamos apenas retirar a ignorancia de nossas cabeças. Michelangelo quando perguntado como fazia para fazer esculturas tão belas afirmou que a escultura já estava lá dentro da pedra o que fez foi apenas retirar os excessos.

A diferença entre vaidade e narcisismo realmente não sei com certeza mas o narcisismo parece ser algo pessoal e intransferível já a vaidade tem uma conotação mais abrangente, como por exemplo a vaidade dos país corujas ( cuja categoria eu me incluo hehehe) em relação aos seus filhos tão fofinhos.
Comentário de: Rogério [Visitante]
22.10.09 @ 10:45
Riolando

Nem tanto amigo, mas de qualquer forma, obrigado!
Comentário de: Tonho [Visitante]
22.10.09 @ 10:54
Bom texto,principalmente o último parágrafo.Mas uma pergunta me vem sempre à tona,quando vejo razão e sensilbilidademanifestadas com eficiência e distinção na mídia: por que osautores desses escritos não usam seus predicados para revelar
a sociedade que o cerca as agruras do povo?
Sei,existem várias explicações,tais como que nos países colonizadores os jornalistas que têm essa orientação são taxados deanôes demagógicosMas essa atitude é faácil de contestar;é só
dizer(mas principalmente sentir) que o primeiro mundo não é infernal,e as elites não degradam e amesquinham o seu povo.
Uma outra justificativa para esse comportamento insensível,é que não é políticamente correto cobrar e criticar governossocialistas,mesmo quando gastam em festas olimpicas,copas,sub
marinos,navios e aviôes uma grana que diz não terem para hospitaisescolas,esgotos e moradias jogando o povo na sarjeta.
Pelo contrário a crítca só é fluente quando querem menosprezaarum povo sem pespectivas éticas,xingando-o dee corrupto porque
compra dvd e cd piratas.Lembra o tempo da escravidão que essa mesma elite dizia que os negros viviam como animais sem alma,
procriando e comendo sem uso de talheres.Matá-los,portanto nãoera pecado e os sofrimentos a eles infligidos poderia ser encara
do como algo útil para que consiguissem uma condição mais humana.
Essa coisa de lembrar do sofrimento judeu é bom,emociona e é melhorque nada,e o nada para o qual estamos camjnhando apressadamente é
a treva total.Mas fico pensando,nas cenas que já é clichê no cinema,sobre judeus presos que os nazistas botavam os que sabiam tocar
instrumentos para musicar a própia tragédia,e tento fazer um paralelo com o que a mídia e a elite faz com o povo brasileiro,exigindo sua
presença em festas eleitorais,copas e olimpíadas.
Comentário de: Rogério [Visitante]
22.10.09 @ 11:01
"Quanto a História, no futuro vai ser como a Economia: vai ter um forte componente de ciencia exata. Isso já foi adiantado por Isaac Asimov na série da Fundação. (Foundation series)."

Fábio

Concordo, parece que faz sentido. Quando percebemos que as ações humanas individuais são em parte moldadas pela cultura em que está imersa e que esta cultura evolui baseada numa lógica quase matemática no jogo da tentiva e erro.
A civilização é um jogo onde meu filho vai clicando até descobrir as melhores maneiras de jogar.

PSB

Não é tão importante assim que Anne Frank tenha feito ou não tanta diferença, mas é fundamental que haja Annes Franks por aí, a civilização é formada pelo esforço de todos, não apenas dos notaveis.
Comentário de: Rogério [Visitante]
22.10.09 @ 11:15
E depois, quanto a solidao, desde que nao seja em ilha deserta e fazendo o que gosta, o homem pode ser feliz vivendo só e sem ninguém para pegar no pé dele...

Anna

Teoricamente sim, mas depois de fazermos o que gostamos dá uma vontade grande de mostrar para os outros o que fizemos.
Não é muito comum alguém querer se isolar por muito tempo, é bom ficar um tempo sozinho mas nossa natureza é social, neste convívio é que experimentamos toda sorte de paixões prazeirozas ou não, talvez o poeta possa acrescentar a frase " É impossível ser infeliz sozinho" mas até essa infelicidade que invariavelmente surge quando do convívio é importante pois nos desafia e somos obrigados a reagir e possivelmente crescer e superar.

Comentário de: Antonio Jesus Silva [Visitante] · http://vivachavezviva.blogspot.com/
22.10.09 @ 12:05
REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada a elite mundial, é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criou-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndio descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosas quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder Zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história do nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Oswaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam.Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Argnetina,Boliviana, Peruana,Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma , não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King,Malcolm X Viva Oswaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma,Rafael Correa, Fernado Lugo,
Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva osTrabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.Movimento Revolucionario Socialista QUILOMBOLIVARIANO
http://vivachavezviva.blogspot.com/
quilombonnq@bol.com.br
Organização Negra Nacional Quilombo
O.N.N.Q. Brasil fundação 20/11/1970
por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

Comentário de: Larissa [Visitante]
22.10.09 @ 13:19
Não sejamos ingênuos em achar que a História percorre por simples obra do acaso. Os agentes que dela fazem parte, sabem que, de uma forma ou outra, contribuírão para uma possível reprodução de seu momento de vida. Anne Frank sabia o que estava fazendo, a peculiaridade e gravidade de sua situação. Caso contrário, não teria sentido escrever um diário. Historiadores como Walter Benjamin e Hannah Arendt, judeus em tempos de holocauto, desenvolveram obras praticamente impossíveis de serem consideradas sem o contexto histórico e a biografia de seus autores. A História não pretende ser imparcial, muito menos despropositada. Não precisamos ir muito longe, em "Memórias do cárcere", Graciliano Ramos, autor brasileiro preso por Vargas, descreve em sua obra o cenário da repressão política e a convivência com outros presos. Autores latino-americanos que passaram por ditaduras, compuseram obras sobre suas experiências na prisão, na tortura e no exílio. Todos somos parte da História e devemos usá-la intencionalmente. Agradeçamos a esses "personagens" (autores, vivenciadores, agentes, leitores) que nos proporcionam análises tão ricas e importantes do passado.
Comentário de: Larissa [Visitante]
22.10.09 @ 13:24
Não sejamos ingênuos em achar que a História percorre por simples obra do acaso. Os agentes que dela fazem parte, sabem que, de uma forma ou outra, contribuírão para uma possível reprodução de seu momento de vida. Anne Frank sabia o que estava fazendo, a peculiaridade e gravidade de sua situação. Caso contrário, não teria sentido escrever um diário. Historiadores como Walter Benjamin e Hannah Arendt, judeus em tempos de holocauto, desenvolveram obras praticamente impossíveis de serem consideradas sem o contexto histórico e a biografia de seus autores. A História não pretende ser imparcial, muito menos despropositada. Não precisamos ir muito longe, em "Memórias do cárcere", Graciliano Ramos, autor brasileiro preso por Vargas, descreve em sua obra o cenário da repressão política e a convivência com outros presos. Autores latino-americanos que passaram por ditaduras, compuseram obras sobre suas experiências na prisão, na tortura e no exílio. Todos somos parte da História e devemos usá-la intencionalmente. Agradeçamos a esses "personagens" (autores, vivenciadores, agentes, leitores) que nos proporcionam análises tão ricas e importantes do passado.
Comentário de: Jairo Souza [Visitante]
22.10.09 @ 14:45
Existem diários iguais escritos por crianças palestinas. Hoje o holocausto é palestino.

Comentário de: CPP [Visitante]
22.10.09 @ 15:18
Não temos controle nem sobre um post, quanto mais sobre a história. Do inicial do Guterman o que sobrou depois de algumas horas? Napoleão não tinha, se tivesse post não seria post, mas...como é post em francês?... Anne Frank também não, a história que imaginava incluia ela mesma fazendo um road show de seu diário (como seria road show se Napoleão controlasse de fato alguma coisa?). Ainda bem! Ainda bem! Se alguém pudesse controlar a história as ditaduras seriam eternas. O fio, eu sou mesmo pelo fio condutor, com a pequena participação de todos, até mesmo a zeladora improvável e seus patrocinadores.
Comentário de: Moacir de Oliveira [Visitante] · http://www.paralelo17.com.br
22.10.09 @ 17:56
Desculpe-me Guterman, mas nós realmente não sabemos o que fazemos, no andamento do tempo. O fato de Anne Frank haver se dedicado a deixar seu testemunho não lhe informa como ele vai andar pela vida, que influência terá, ou mesmo, qual a importancia da influência.
Comentário de: Margaret (visitante) [Visitante]
22.10.09 @ 21:51
Quero dizer algumas palavras ao Rogério(que sofreu um acidente de moto).Você está vivo porque existe um Deus que o ama muito e que lhe deu mais uma oportunidade de rever seus conceitos sobre a vida.Portanto,caro Rogério, aproveite essa chance e louve ao Senhor fazendo o bem e agindo corretamente com as pessoas que o cercam e que o amam.Abraços e fique com Deus.
Comentário de: Naodigo [Visitante]
22.10.09 @ 23:35
Senhor Marcos

A historia durante os ciclos e escrita,editada,publicada e doutrinada pelos vencedores do momento.

Verdade,certo,justo,bom,ruim nao tem nada ver com historia.

A tendencia de qualquer ser humano e puxar a sardinha para o seu lado.

Com o tempo com a mudanca do poder o que nao interressa ao que esta no poder e mudado e o que nao importa e esquecido ou aceito.

Comentário de: anonimo [Visitante]
23.10.09 @ 03:52
Só uma mente doentia tentaria procurar possíveis aberrações sexuais nas anotações de uma adolecente vivendo um quadro pavoroso daquele.
Comentário de: O Templario [Visitante]
23.10.09 @ 10:33
Larissa.
bem lembrado..O filosofo Benjamim tb escreveu a uns 10 ansos traz um livro, com a ajuda de uma amigo que residia em SP Capital, a respeito do impacto de diferentes "povos" causariam as metropole, neste caso SAMPA. Escreveu, e ficou na historia e hoje podemos ver oque ele via(seu amigo) e uma realidade.
O mesmo a A. Frank. Ela sabia que iria se tornar nao apenas um relato, mas sim um testemunho literario de algo muito distante de uma ficcao, uma realidade que aconteceu.
Claro que ambos judeus sabiam que oque escreviam serviria sim para num futuro proximo, seria lido a teria um impacto.
Comentário de: JúlioMM [Visitante] · http://cinemaedepois.blogspot.com
23.10.09 @ 10:47
Estariam os jornais e qualquer outra midia escrevendo ao futuro, pois nós mesmos já acostumamos com os acontecimentos do dia-a-dia?
Comentário de: Fred [Visitante]
23.10.09 @ 11:15
Verdade ou propaganda antijudaica, o fato é que a ocorrência, no original, de estilos de escrita diversos no diário de Anne Frank reforça a tese de muitos teóricos e literatos, sobre a inautenticidade dos mencionados escritos. Assim, a depender do ponto de vista em que se o esteja analisando, trata-se ou de uma "fraude" ou de interpretações que muito se parecem com elocubrações sociológicas alinhadas às perspectivas quase metafísicas de Durkheim. Fred.
Comentário de: carlos galeno [Visitante]
23.10.09 @ 11:17
gostei nuito do relato do rogerio, que é digno de um filme almodovariano, daqueles que vc sai do cinema nao c/ sabor de pipoca, mas c/ sabor de emoçao
Comentário de: Luiz Nascimento [Visitante]
23.10.09 @ 13:19
Interessante o assunto e os comentários que muitas informações acrescentam a ele, mas não cheguei a ler todos. Entretanto concordo que uns escreveram a história, outros apenas a relataram, porém, quem faz a história são, efetivamente, os vencedores: se Hitler tivesse vencido, Anne Frank não existiria - Santos Dumont ainda é o segundão nos EUA, e a Igreja Católica continua sendo a santa salvadora da humanidade, nos esquecendo de todas as atrocidades que esta realizou para a humanidade até no desenvolvimento científico.
O holocausto foi orgulho de quem o praticou e assim ainda o seria, assim como as atuações de Ghandi e Madre Theresa são, no contexto atual do pensamento social dominante. Os romanos, por exemplo, faziam sexo homo com menores.
A história é mais que escrever fatos ou realiza-los, ou criticá-los e julgá-los. História é compreender e aprender. Controle, só se estivermos no topo da pirâmide.

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Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo





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