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17.02.09
A pesquisadora Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia, informou no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência que os psicólogos estão muito próximos de desenvolver um método eficiente de criar falsa memória, mostra a Wired.
Loftus, que há anos estuda o assunto, disse que sua equipe já conseguiu fazer com que voluntários para suas pesquisas acreditassem, por exemplo, que detestavam sorvete de morango, ou que Pluto, o cachorro da Disney, lambeu suas orelhas quando eram crianças.
Uma outra pesquisa, esta desenvolvida para treinamento de militares americanos, examinou a memória em situação de tensão. O teste é simples. Um voluntário passa por interrogatório no estilo de Guantánamo. Em seguida, um oficial entra na cela, exibindo a fotografia de outro homem na mão, e pergunta ao “prisioneiro” se seu interrogador já havia lhe dado algo para comer. O “prisioneiro” é deixado só. Depois de se alimentar, ele é convidado a apontar, entre nove rostos, qual era o do homem que o havia interrogado. O “prisioneiro” aponta o homem da fotografia, e não seu interrogador. Isso aconteceu em 85% dos casos.
Ou seja: as lembranças visuais podem ser manipuladas por sugestão. Além de ser útil para o Exército, a técnica mostra também o quão pouco confiável pode ser a memória, o que põe em dúvida, por exemplo, o testemunho de crimes.
Ter visto algo com seus próprios olhos, portanto, não é garantia de nada.
Comentários:
Comentário de: jarbas [Visitante]
17.02.09 @ 02:21O testemunho, na minha época da faculdade de Direito, era a "prostituta das provas". Ou seja, a menor delas. Os juristas de longa data já sabem da pouca confiabilidade da memória.
A prova testemunhal quando houver, aliada a outros indícios, é que determina ou não o nexo de causalidade entre um delito e seus possíveis autores. Sozinha, ela com freqüência não se basta.
Comentário de: cesar murilo jacques [Visitante]
17.02.09 @ 07:39Daí, como disse Jarbas, encontrar-se grande quantidade de livros sobre o tema da prova no processo penal.
Comentário de: Chi Qo [Visitante]
17.02.09 @ 08:28Quem sabe um dia vão usar isso para perdermos o medo de nossos vizinhos...
OU...
Podem acabar acirrando nossos temores...
O Ser Humano pode fazer tanto o bem como o mal.
Comentário de: Reik [Visitante]
17.02.09 @ 08:34Mas isso da falsa memória e da manipulação não é nenhuma novidade. Tem gente que acredita que tudo o que viu no cinema aconteceu de verdade. Há décadas que Hollywood faz isso para convencer as pessoas de coisas que até Deus duvida.
Comentário de: Ceu D´Ellia [Visitante] · http://www.ailhadoceu.com.br
17.02.09 @ 08:43Em 1988 exibi pela primeira vez um curta metragem de 9 minutos de animação experimental, para uma plateia monitorada, no MIS, em São Paulo.
Entre outros resultados, alguns vedores declararam ter visto sequências que de fato não existiam.
O experimento incluiu utilizar no filme técnicas não-narrativas que mantivessem constante o interesse de quem assistia. Semelhante à hipnose
Comentário de: Pedro Reis [Visitante] · http://www.farolcomunitario.com.br
17.02.09 @ 09:30Pode-se então presumir que em breve poderemos criar esquizofrênicos, ou curá-los, conforme o interesse. A magia da ciência, não raro sucumbe à pequenez dos desejos humanos.
A propaganda já faz isso com o Compre, Compre, Compre, raramente dito e continuamente insinuado.
Bacana esse post
Comentário de: Parsifal [Visitante]
17.02.09 @ 09:30Huummm
Talvez possamos encontrar uma série de utilidades para todo este conhecimento.
Bem, eu tive um caso intempestivo de amor com a Camila Pitanga, pena que ela nunca soube disso...
Talvez uma hipnose coletiva que faça os corintianos acharem que o timão detém um titulo mundial. Ou quem sabe até o Lula possa usar isso com az zetitez que o acham um populista trambiqueiro. Na faixa de Gaza, palestinos e judeus juram que dançaram e cantaram juntos após uma moqueca baiana...
Provavelmente as testemunhas que incriminam Batistti foram induzidas a acreditar que ele é um assassino frio e o Tarso Genro é imune a esta técnica de manipulação da memória.
Comentário de: Victor Zacharias [Visitante] · http://ongpoint.blogspot.com
17.02.09 @ 09:31Imagine o estrago que a televisão faz na mente dos espectadores com os conteúdos que exibe.
As crianças são uma das principais vítimas dos programas de TV.
Comentário de: Renê de Castro [Visitante]
17.02.09 @ 09:39Daí a conseguirem nos fazer acreditar que o capitalismo é bom, que consumir refrigerantes e gordura trans nos " fast foods " da vida será um passo... e o oxalá o fim das crises nos sistemas financeiros...
Daí a dar sustentação à teses de eugenia, depuração de raças, também não será dificil...
Dai a nos fazerem crer que devemos obedecer cegamente aos messiânicos de plantão...~
Sinceramente não vejo com bons olhos algumas descobertas desse fantástico mundo novo...
Aliás não vejo com bons olhos o homem nesse fantástico mundo novo!
Comentário de: Anna H. [Visitante]
17.02.09 @ 10:14Por isso quando me pedem para fazer o retrato falado de um agressor (no caso de ser testemunha da agressao) eu sempre digo que não tenho certeza...o que vi pode ter sido engano, falha visual,etc.
Comentário de: Beatriz Assumpcao [Visitante]
17.02.09 @ 10:15Isso me dá um pouco de vertigem. A memória, mesmo que seja uma projeção mental, por tanto nao confiável, determina a experiência, e por isso influência na personalidade. Todos sabemos que as aplicações destas técnicas podem corromper, manipular e submeter a pessoas que estão posicionadas contrariamente ao "status quo".... Ao mesmo tempo pode ajudar ao genero humano, o problema é que os investimentos vem em geral para objetivos nefastos.
Comentário de: Leandro [Visitante]
17.02.09 @ 10:43Bem, logo mais estaremos conectando a USB do computador em nossa entrada mini-USB localizada no cérebro. E faremos o download do filme que quisermos assistir (ou melhor... gravá-lo na lembrança).
Comentário de: Paulo [Visitante]
17.02.09 @ 11:00É a técnica usada por Maluf, mesmo que ele não tenha feito a obra, todos se lembram como "obra de Maluf".
Comentário de: Avohai [Visitante]
17.02.09 @ 11:42Condenação? Só por confissão, acompanhado por advogados, para evitar fraudes de interrogadores, prisão em flagrante ou com muitas provas contundentes. Testemunho é meio complicado, como prova esta pesquisa. É um bom exemplo para aqueles que tiram conclusões precipitadas, baseados em noticiários.
Comentário de: Girônico [Visitante]
17.02.09 @ 12:44Ou até mesmo que esse tal de Percival acima é engraçadinho ou até mesmo criativo. Pequeno o cara não?
Comentário de: Rafa [Visitante]
17.02.09 @ 13:07Ta aí a nova tecnologia para controle das massas.
Comentário de: Bolívar Ibargoyen [Visitante]
17.02.09 @ 13:30A manipulação da memória visual não é nada nova na UCLA. há muito tempo, de lá surgiu a PNL (Programação Neurolinguística), que virou moda nos anos 70/80. Parece que as pesquisas evoluíram.
Comentário de: CapEnt [Visitante]
17.02.09 @ 13:31Tem gente confundindo memória com percepção de ética ou "certo e errado".
O fato de você ter uma memória com algo implantado não implica que você invariavelmente irá acreditar aquilo com sendo certo.
Se você implantar um monte de memórias sobre comunismo sobre isto ser bom, mentiras, ainda assim irei continuar sendo um liberal e capitalista.
O máximo que isto conseguiria seria implantar uma duvida em mim, até que eu mesmo desmentisse.
Talvez isso só conseguiria influenciar, a ponto de mudar uma convicção, em uma criança.
Comentário de: 51 com Limão [Visitante]
17.02.09 @ 13:45Hey Guterman, já pensou que´"ótimo" seria se a mídia pudesse usar essas técnicas para manipular (ainda mais) a opinião pública? Iria facilitar muito o trabalho de muitos jornalistas, não?
Comentário de: Edson Primiani [Visitante]
17.02.09 @ 13:56É ao mesmo tempo assustador e fantatisco.
Assustador por abrir a possibilidade de controle da mente humana sem a permissão prévia. Fantastico por imiginar sua aplicação em áreas como a educação. Seria muito interessante lembrar de termos e conceitos técnicos sem precisar dedicar horas de estudo em livros chatos. Quem sabe um dia isto venha a ser possivel.
Comentário de: Filipe Domingues [Visitante]
17.02.09 @ 14:07Tem gente que só acredita vendo. Melhor começar a desconfiar então.
abraços!
Comentário de: Parsifal [Visitante]
17.02.09 @ 18:05Ainda bem que sou Parsifal e não Percival...
Dear Guterman
Realmente interessante artigo. Manda mais...
Um abraço
Comentário de: Threwly [Visitante]
17.02.09 @ 20:10Que bom!!! Finalmente foi desvendado o mistério dos 84% de aprovação do Lula.
Comentário de: José Lima [Visitante]
17.02.09 @ 22:41Por que desenvolver o que é falso? Não seria preferível aplicar essa energia no aperfeiçoamento da memória verdadeira? Melhorar a confiabilidade da memorização.
A falsa memória tira confiabilidade do homem, desgasta o tradicional "fio do bigode".
Essa falsa memória é como o mundo virtual, aumenta as funções mentais mas aproxima do descontrole mental. Administrar tantas trilhas da memória pode virar exercício de doido! Ainda mais quando se tenta provar mais fragilidades humanas embutidas nessas descobertas.
Comentário de: Rodolfo Araújo [Visitante] · http://rodolfo.typepad.com
03.07.09 @ 23:45Olá, Marcos, acabei de escrever um texto falando sobre os estudos da Dra. Elizabeth Loftus. Está em http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/07/experimentos-em-psicologia---elizabeth-loftus-e-o-homem-que-nao-estava-la.html
Espero que goste. Um abraço, Rodolfo.
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Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo
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