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16.12.08

Indiana em choque após atentado: isso não é terror?
Que nome se dá ao ato de um grupo de pessoas que desembarca numa cidade e começa a atirar contra homens, mulheres e crianças, faz reféns e explode bombas em hotéis e estações de trem? A resposta óbvia é “terrorismo”, mas, em tempos de correção política, nem sempre as coisas recebem o nome que deveriam ter.
O “public editor” (espécie de ombudsman) do New York Times, Clark Hoyt, levanta a questão em texto recente, a propósito justamente dos atentados coordenados em Mumbai. Segundo ele, o jornal titubeou em chamar os terroristas de terroristas, preferindo “militantes”, “homens armados” e “agressores”. A ação deles foi classificada de “terrorista”, mas não eles próprios.
Ocioso dizer que o New York Times foi bombardeado por críticas de gente que gostaria de ver escrita a palavra que começa com “t”.
O problema, diz Hoyt, é como classificar organizações que, embora pratiquem atos terroristas, são muito mais do que isso. O caso do grupo suspeito dos ataques em Mumbai é um bom exemplo. O Lashkar-e-Taiba tem uma agenda política e religiosa em relação à Índia, sobretudo na questão da Caxemira, além de servir de eixo para uma série de organizações de caridade. Por essa razão, há quem hesite chamá-lo simplesmente de “terrorista”.
Outro exemplo freqüentemente citado é o do Hamas. Para o New York Times, o Hamas é um grupo “militante” porque é político e social, situação que não mudaria pelo fato de o Hamas explodir bombas em pizzarias lotadas. Um dos editores do Times, Phil Corbett, ponderou: “Se alguém trabalha num hospital do Hamas, essa pessoa é um terrorista?”.
Os jornalistas que defendem moderação no uso da palavra “terrorista” afirmam que, por conta da “guerra ao terror”, ela esconde mais do que revela acerca do grupo a que se refere e acaba contaminando a informação com questões morais e políticas.
Assim, diz James Bennet, que foi chefe da sucursal do Times em Jerusalém, o problema não é começar a chamar agressores de “terroristas”, é saber quando se deve parar – afinal, ele diz, se não há um critério claro, até os meninos palestinos que atiram pedras contra tanques israelenses serão chamados de terroristas. O mesmo se aplica ao outro lado: se um Exército ataca civis deliberadamente, como no caso de Dresden na Segunda Guerra, o termo “terrorismo” talvez seja impreciso – o certo é crime de guerra, para o qual há leis e punições já estabelecidas.
Um bom começo para resolver o assunto talvez seja definir terrorismo. Qualquer ato violento de uma organização irregular destinado a intimidar a população civil de um determinado local, forçando-a a alterar sua rotina para evitar um novo atentado, parece ser uma explicação razoável para terror. E, como diz Hoyt, somente terroristas praticam terrorismo.
Comentários:
Comentário de: Insólito [Visitante]
16.12.08 @ 07:54
"Somente terroristas praticam terrorismo" ?
E nós que nem sabíamos que a "classe" possuia CRT's - Conselhos Regionais de Terrorismo!?
Comentário de: Messenger [Visitante]
16.12.08 @ 08:08Se vamos partir dessa primissa, entao conclui-se que nao existe no mundo sequer 1 grupo terrorista, pois todos os grupos alem do terror e da violencia e do terrorismo , tem uma politica social para seus grupos e pares.
Isso e' uma falsa falacia!
Enfim, lamentavel rotular grupos terroristas como militantes....
Comentário de: Ben [Visitante]
16.12.08 @ 08:12É chamado de terrorista quem tem como objetivo aterrorizar a população. É só isso.
Comentário de: Agnostico [Visitante]
16.12.08 @ 08:30"Terrorismo é um método que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida através de um ataque a um governo ou à população que o legitimou, de modo que os estragos psicológicos ultrapassem largamente o círculo das vítimas para incluir o resto do território". (Wikipedia)
"Em termos gerais, o terrorismo é uma ação violenta que procura, mediante a espetaculosidade do ato, provocar na população uma reação psicológica de medo, um pavor incontrolável, o terror. Ele não é um fenômeno novo, é tão velho quanto a própria guerra, a mesma que acompanha a sociedade desde os seus primórdios. Os Estados, os exércitos, as etnias, os grupos e os homens isoladamente têm empregado o expediente do terrorismo como forma de diminuir a coragem dos seus inimigos, enfraquecer a sua resistência e facilitar a vitória". (Hector Saint-Pierre em http://www.universia.com.br/html/materia/materia_eija.html )
Para os parciais, esta segunda definição não vale.
Comentário de: Rodrigo [Visitante]
16.12.08 @ 09:41Uma moda que começou anos atrás e trouxe apenas hipocrisia ao mundo é o do "politicamente correto". Os advogados talvez possam ajudar, mas pelo que sei, se uma pessoa ajuda ou acoberta um criminoso ela é considerada cúmplice. Assim, se você trabalha para uma entidade que abertamente pratica atos de terrorismo, você tem sua parcela de culpa, pois a princípio está de acordo com o que eles fazem.
O "politicamente correto" apenas mudou a forma de se referir a algum tema, mas não mudou a situação. Ou seja, o "cego" passou a ser "deficiente visual", mas todas as dificuldades que essa pessoa tinha na sociedade permaneceram. Não seria o caso de procurarmos mudar as coisas ao invés de só mudar o palavreado?
Comentário de: Rosana [Visitante]
16.12.08 @ 10:01Volta e meia encontro por aqui gente que não gosta que falem mal do ETA, aqueles terroristas bascos que são mancomunados com os traficantes das FARC e certos bolivarianos. Já estou aguardando a gritaria deles aqui, pela provocação que fiz.
Comentário de: ZéBob [Visitante]
16.12.08 @ 10:39A meu ver, o problema não é só de terminologia. Estamos vivendo uma nova era no mundo (era de aquário?? que gracinha...), que traz em si uma nova ética. Para explicar isso, basta verificar o vazio de significado que nos causa o fato destas organizações no Oriente Médio irem do que conhecemos por assistencialismo ao terrorismo, para vermos que os conceitos segundo os quais fomos educados são anacrônicos. Tentamos explicar esta nova ética, estes novos tempos, com palavras (=conceitos e visões de mundo) de uma era que já se foi. O que se precisa é de um novo vocabulário para definir os dias de hoje.
Abraços, e boa sorte!
Comentário de: Carlos - Mogi Guaçu [Visitante]
16.12.08 @ 10:51Quer dizer que os traficantes que em algumas situações ajudam família, ou que promovem festas pra distrair a comunidade não podem ser chamados de "TRAFICANTES"?
Comentário de: Emília [Visitante]
16.12.08 @ 11:05Os países costumam (nem sempre o fazem, como a História já mostrou) declarar guerra, i.e., avisar os desafetos que se cuidem, usam palavras e marcam a data, coisa que grupos radicais não fazem: os últimos reivindicam os atentados feitos, não avisam que vão fazê-los. É uma prática dentro do banditismo, pois assaltantes e assassinos não marcam hora.
Já os militantes costumam dar a cara para bater, procuram arrebanhar adeptos à luz do dia e tentam ser ouvidos, muitas vezes sem sucesso. Talvez seja isso o que gera o terrorismo: a surdez de grande parte dos governantes. Por isso a maior parte do planeta vive hoje sob o terror.
Longe de mim defender o terrorismo, mas acredito que os três jornalistas citados proponham que se conheça o histórico de tais grupos, pois eles ficam conhecidos pelo mundo a partir de suas atitudes "bombásticas": nem seus governos nem a imprensa lhes dão ouvidos ou voz, eles bradam no vazio até o dia de chamarem atenção para sua existência.
A partir daí, os governos mostram sua força afirmando que não negociam com terroristas, mas não dizem que se recusaram a escutar os militantes para tentar alguma negociação. Então ocorrem os recrudescimentos até se atingir o fundamentalismo, e mergulha-se na guerra total, no tudo ou nada.
Isto é diferente do que aconteceu em 11/09 quando não houve nenhum aviso prévio, configurando um perfeito ato à traição.
Eu concordo com a atitude dos jornalistas do NYT por jogarem alguma reflexão sobre um mundo tão dicotomizado numa tentativa de exergar o próprio fundamentalismo tão condenado quando visto no outro. Mas não dá para esquecer da dificuldade e até da humana impossibilidade de saber o que quer cada grupo, cada subgrupo, cada minoria, cada etnia, cada facção política ou religiosa, cada dissidência, muitas vezes com conflitos entre si e paradoxalmente com ideais comuns.
É mais fácil dicotomizar, generalizar: o Ocidente é o grande outro de todos estes grupos, assim como os gregos foram o outro dos persas, a URSS dos EUA, os cães dos gatos. A diferença é que os últimos conseguem viver bem juntos.
Que jornal faria belas matérias sobre grupos militantes antes da primeira bomba? No dia seguinte já seria matéria velha, não é prático nem vendável. Então espera-se a bomba, porque a consicência sempre vem depois da realidade.
Comentário de: Pedro Reis [Visitante] · http://www.farolcomunitario.com.br
16.12.08 @ 11:17Também sou simpatizante da moderação, até porque não se pode ser conclusivo, apenas a partir de uma notícia. As raízes são mais profundas.
De modo que para ler notícias, talvez seja muito interessante estudar.
al-Zaidi no post abaixo, seria terrorista, embora eu defenda que não, se analisado o contexto em que o fato ocorreu.
É uma abordagem interessante
Comentário de: Orlando.pb [Visitante]
16.12.08 @ 11:41Porquê o NYT cria discussão sobre semântica?
Talvez para justificar os atos perpetrados pelos EUA no Iraque, Afeganistão, Vietnam, Coréia do Norte...
Comentário de: Renato [Visitante]
16.12.08 @ 12:14Pelo dicionário terrorismo é:
"atos de violência praticados contra um governo, uma classe ou mesmo contra a população anônima, como forma de pressão visando determinado objetivo;
modo de impor a vontade por meio da violência e do terror."
Portanto, nesse caso da Índia, do Hamas, das Farcs o que se tem na minha opinião é terrorismo puro, não importa se os terroristas dirigem um orfanato e distribuem sopa, eles são terroristas do mesmo jeito.
Comentário de: I.Go [Visitante]
16.12.08 @ 12:27Marcos: o que se deve entender por "organização irregular"?
"Irregular" em relação a que orientação espaço-tempo?
Obrigado.
Comentário de: Deoclécio A Beloto [Visitante]
16.12.08 @ 13:16Em tempos de mudanças o termo "terrorismo" parece soar como uma forma de reinvidicação social. Somos tão terroristas quanto esses atos, apenas não medimos palavras ou agimos de maneira insensata contra nossos "inimigos".
Comentário de: Adriana Sanches Falavigna [Visitante]
16.12.08 @ 13:37É sempre interessante refletir sobre o assunto ao invés de simplesmente colocar uma etiqueta. O assunto é complexo e não é de hoje, a diferença é que nos diasm atuais temos as informações em tempo real, as fotos falam mais que textos.
A reflexão, quem sabe, possa previnir que essa nossa geração e as futuras cometam os mesmos erros do passado, para isso serve (ou deveria servir) a História. É muito bom saber que há cabeças que estão pensando sobre o que é militância e terrorismo, não obstante ambos teremos consequências maléficas para a vida de muitos inocêntes. Interessante também é que, ainda hoje, muitas pessoas sentem-se ofendidas quando um grupo de pessoas pensam. Parece que pensar (e escrever) ofende ! Mas não - o pensamento joga luz na escuridão que quem sabe seja o caso nessa questão e possa ajudar a lidar com uma situação tão difícil, longe de ser simplista, como alguns gostariam que fossem.
Comentário de: Fábio Amaral Di Fini [Visitante]
16.12.08 @ 13:42É difícil estabelecer-se o conceito de "terrorismo" no âmbito de uma análise por si só; uma vez que a aplicabilidade desse conceito é altamente variável e está intimamente ligada ao contexto no qual o termo é utilizado. Em outras palavras, é muito perigoso qualificar de "terroristas" apenas aos militantes de organizações proscritas qua fazem uso da violência. Não podemos ignorar o 'terrorismo de Estado', o qual, infelizmente, vivenciamos tão profundamente aqui na América Latina, seja na Argentina, aqui no Brasil, no Chile, etc. Também é comum o 'terrorismo de Estado' em muitas outras partes do planeta: China, Israel, Cuba, países africanos, etc. Assim chamar de "terrorismo" apenas os atos violentos de organizações opositoras a regimes estabelecidos, ignorando a violência praticada por Estados consolidados, por exércitos instituídos ou por quaisquer outras entidades sólidas que façam uso da violência é, no mínimo, mostrar-se parcial em relação ao poder estabelecido e condescendente com a violência "oficial", venha ela de onde vier.
Comentário de: Rogério [Visitante]
16.12.08 @ 14:28Negociata : um bom negócio do qual não participamos.
Barão de Itararé
A questão principal não é o receio de ser politicamente incorreto, é semantica, pois os grupos citados não são apenas terroristas também atuam em outras áreas, no entanto o termo irregular também não parece ser específico o suficiente, pois a definição de regulamento pode ser ampla demais, no caso do direito brasileiro por exemplo, regulamento é ato do executivo para dar operacionalidade à leis, sendo portanto inferior a lei.
E a lei por sua vez é hierarquicamente inferior á constituição, a lei não pode extrapolar a constituição e o regulamento não pode ampliar ou restringir a lei. Acredito que " organização constitucionalmente constituida ou constituida sob o arcabouço jurídico de um estado, seja mais específico e correto, pois os gaviões da fiél são regulares e não estão habilitados a espancarem ou jogarem bombas na sede da torcida jovem, a lei irá enquadrar as competências de cada instituição.
O exército e as instituições militares são abrigadas pelo ordenamento da constituição e das leis infraconstitucionais.
Os atos normativos, instruções normativas, ordens de serviço e etc irão detalhar sua atuação e funcionamento, no entanto, se por exemplo um militar tortura alguém ou coloca uma bomba num ambiente público como o Rio Centro, estará cometendo um ato constitucional, legal? Ou terrorismo? Talvez a segunda opção pois se ultrapassa os mandamentos do ordenamento jurídico, passa naquele instante a não fazer parte desta lógica jurídica, apesar de fardado, deixa, no momento de ser um militar, de atuar em nome do exército, e passa a ser um simples terrorista, pois mesmo que recebendo ordens, estas são inconstitucionais, ilegais e o agrupamento ao qual faz parte, não pode imputar este erro à instituição militar, passam a ser considerados uma facção terrorista, pelo menos no meu leigo entendimento .
Um exército legalmente constituido pode estar em situação irregular quando pratica atos covardes contra populações civis desarmadas, pode estar indo contra leis, normas e regulamentos, como por exemplo algum ordenamento da convenção de Genebra, ( acordos internacionais quando ratificados pelo congresso revogam leis contrárias)
Neste momento seria consideado um grupo terrorista? O crime de guerra difere do ato de terrorismo apenas por ser realizado, de forma irregular, por uma organização legalmente constituída. O Hamas é uma organização legalmente constituída? Realmente é difícil afirmar com certeza, pois a lei, não precisa nem ser escrita para vigorar, é o caso do direito consuetudinário, que consagra os usos e costumes como forma de regular uma sociedade, não sei se é o caso.
Acho mais realista definir terrorismo como ato bárbaro e covarde contra populações civis de forma a desestabilizar as instituições de uma sociedade a fim de impor seus valores praticada por grupo CONTRÁRIO aos nossos interesses, tiraria o legalmente constituido ou regular pois a essência está no ato bárbaro e covarde contra populações civis, e portanto indefesas, se a lei constituiu aquela instituição não passa de uma questão formal.
Há que se verificar a legitimidade dos atos, se foi em própria defesa, ou se foi por motivo fútil, como por exemplo, garantir o fornecimento de óleo barato para seus cidadãos, ou garantir o domínio geopolítico de uma determinada região.
Em suma, na verdade o que conta são os próprios interesses, esse sim são a verdadeira mola que impulsiona todas as ações humanas, inclusive o malabarismo semântico.
Comentário de: Vanderlei [Visitante]
16.12.08 @ 14:37Ainda falta o fundamental: definir o que é uma ação terrorista e não só quem eles são. E quanto aos Estados??? Se uma família inteira é dizimada por uma bomba jogada por um helicóptero de guerra, isso é terrorismo ou não? Dizer que não, na minha opinião é puro eufemismo criminoso. O maior ato terrorista da história da humanidade foi o cogumelo sob o Japão. O resto é conversa fiada. Ações terroristas. Não importa de onde parte o detonador.
Comentário de: Florentina de Jesus [Visitante]
16.12.08 @ 14:41Se o jornal precisa dar e comentar a notícia do atentado, é melhor se preservar. Assim sendo, “militante” soa com menor perigo. Menos risco.
Muito fácil xingar o Bush do que quiser. Difícil é sequer comentar um atentado na imprensa.
Jogar pedras contra tanques fica em outro campo. Trata-se de um protesto aberto, às claras, sem esconder um líder. Claro que também violento e justificam-se as devidas punições.
Intrigante como que os atos terroristas estão ligados mais as questões religiosas que simplesmente políticas.
Se todos fossem agnósticos o mundo estaria em paz.
(tô falando agnósticos, não uns fanatiquinhos que tem ai que se diz agnóstico...).
Comentário de: Mari Guterman [Visitante]
16.12.08 @ 15:18Acho que o menino que atira uma pedra não é terrorista, mas pode vir a ser. Hoje ele atira uma pedra, amanhã uma bomba.
Além de fazer com que as pessoas mudem suas rotinas para evitar novos atentados, o atentado terrorista faz com que elas mudem em muitos outros aspectos, principalmente o psicológico.
É só ver a mocinha da foto. Ok, ela muda de bairro, de cidade, de país. Muda a rotina, muda as roupas. Mas nada vai fazê-la esquecer das cenas que presenciou, em que sua família foi dilacerada, sua casa foi colocada abaixo. O terrorismo insere o terror na vida de quem o presencia. A discussão sobre chamar assim ou não determinadas organizações é perda de tempo, já que elas vão continuar atuando independentemente do nome que receberem dos outros.
Comentário de: alexandre [Visitante]
16.12.08 @ 15:44Guterman
Pela logica da BBC se vc explode 1 onibus em Londres vc eh terrorista, em Tel Aviv militante e em Mumbai depende de quem se matou ou de quem eh o jornalista cobrindo.
Tirando o vies da localidade, terrorista eh aquele que pratica atos de terror e chama-los de ativistas, militantes ou qqr outra coisa so legitima a violencia. Se alguem trabalha no hospital do Hamas pra ajudar os pacientes, e so isso eh obvio que nao eh terrorista, mas se ele mesmo sendo o melhor medico/enfermeira do hospital e ajudar a produzir armas quimicas ou recrutar homens bombas ou ele/a mesmo se explodir eh terrorista e ponto. Negar isso eh coadunar com os fatos eh ser culpado nem por omissao, mas por acao de propaganda.
Comentário de: Guterman [Membro]
16.12.08 @ 16:21Caro I.Go
Irregular, no jargão do noticiário internacional, é uma organização de caráter militar que, no entanto, não é um exército formal (portanto, não é "regular"). Grupos guerrilheiros são forças irregulares, por exemplo.
Comentário de: Anna H. [Visitante]
16.12.08 @ 16:35A sua frase final é bastante eloquente, resta saber se as pessoas chamadas de "terroristas" se consideram de fato terroristas... Uma guerra de religiões,por exemplo, com muito ódio e insanidade como ingredientes, seria chamada de terrorismo no início,mas depois lhe dariam o nome de guerra (afinal,com tantos mortos e feridos em atentados!), então acho que o momento é perigoso, melhor ninguém atiçar a ira d os fanáticos pela religião, porque pode causar não somente atos terroristas mas uma sangrenta e irreversível situação de guerra declarada.
Comentário de: CapEnt [Visitante]
16.12.08 @ 16:53Se o atentando visa despertar terror em uma população civil inocentes, a palavra terrorista é perfeita.
O que aconteceu em Mumbai é obra de terroristas. O que aconteceu em 11 de setembro é obra de terroristas. O que aconteceu em Madrid é obra de terroristas.
Não vejo nada anormal designar terrorista como terrorista. Chamar essa corja de militância é exagerar no "politicamente correto".
Comentário de: Rogério [Visitante]
16.12.08 @ 17:09A maior prova de que tem pouco valor o nome e mais a força bruta que o profere, é o evento das bombas de Hiroshima e Nagazaki.
Não foi um ato isolado de um militar que agiu ás proprias custas, a ação foi totalmente abençoada pelo estado americano, atiraram contra um alvo civil para coagir o Japão á renunicar à guerra.
Por todas as convenções e leis que possam existir, foi um ato criminoso, que muitos pragmáticos consideram válido pois alegam cinicamente que evitou mais mortes no futuro, e outros argumentos tão práticos quanto.
Mas e então?, quem foi julgado por este crime? Os EUA pediram pelo menos desculpa, ou indenizaram o Japão?
Para quem conhece a banda Alcatraz, em um show realizado no Japão, eles tocaram uma música chamada Hiroshima mon amour. No final da musica o vocalista diz a seguinte e lapidar frase, "Hiroshima, remember, no more war" nenhum sinal de mea culpa nada, ou seja a guerra é quem foi culpada pelas bombas e não os americanos, é possível entender essa psicologia das massas?
O mais surpreendente é que os americanos não admitem o erro, porém foi realmente um dos atos "terroristas" mais bárbaros e covarde de toda a história.
A destruição do WTC e esse atentado agora na India, foram "fichinha" perto da covardia americana, e daí? Não foi na verdade nem considerado crime de guerra, pois não houve tribunal nem julgamento, para todos efeitos foi um ato de guerra legítmo. Sadan hussein só foi enforcado por que era mais fraco, só isso, o seu maior crime foi ser pego. Não há uma moral superior que comanda as ações humanas, só a força.
É a logica que impera, não podemos falar de terroristas ou mesmo militantes, o que existe simplesmente são soldados lutando por sua causa, e quem poderá dizer qual causa é mais nobre? Infelizmente deus não existe ( se admitirmos que ele é aquele da bíblia, eu diria felizmente )e não poderá atuar como juiz imparcial e os tribunais humanos estão repletos de segundas intenções atrás do discurso moral.
Através da logica do universo na verdade tanto faz se morremos ou vivemos, não há ninguém para aplaudir ou vaiar nossas ações, somos livres e a moral não passa de uma farsa utilizada para manipular os crentes, para manter os normais dentro da linha,um regulamento a mais, o que rege o universo é a força, assim diria Darth Vader.
Comentário de: Cláudia [Visitante]
16.12.08 @ 18:08O problema do uso do termo terrorista é que ele está intrinsecamente vinculado à políticas de dominação e, por isso, totalmente apartado de quaisquer pretensões humanistas.
Um exemplo torna bastante clara essa predisposição no uso da palavra: o que o Ocidente tende a classificar como terroristas, o Oriente classifica como militantes. No entanto, esse mesmo Ocidente não chama terroristas àqueles adolescentes que volta e meia abrem fogo em escolas. Por quê? Por que o seu adolescente é respeitado em sua pessoalidade enquanto o outro é totalmente criminalizado? Que intenção há por trás dessas nomeações?
É nítido que o termo encontra-se totalmente ideologizado e a serviço de objetivos que pouco ou nada tem a ver com liberdade, democracia, etc, etc - embora estas possam até ser alcançadas colateralmente. Existem outras formas, porém, de se chegar a elas, sem que seja preciso alimentar o ódio que gera atos terroristas. Porque o terrorista pode até ser um psicopata, mas a população que o apoia não. São somente pessoas sem voz e que vêem nesses lunáticos seu único fio de esperança. Usar de arbitrariedades para eliminar o terrorismo está longe de ser a solução – o resultado está diante dos nossos olhos.
Dizer que com Bush não houve mais ataques terroristas é a mais insustentável das falácias. Não houve no território dos Estados Unidos. E no resto do mundo? E no Oriente Médio? Da mesma forma que no caso dos adolescente, de novo aqui há uma apropriação e uma distorção dos fatos que só beneficiam um único sujeito. Pois é essa unilateralidade que deve deixar de existir e, sendo o uso do termo terrorista nada mais que um passaporte de interesses unilaterais, deve sim ser evitado.
Comentário de: Florentina de Jesus [Visitante]
16.12.08 @ 18:31Falar em militantes, nesta reunião da Costa do Sauípe na Bahia, a dos Paises da América latina e Caribe, alguns dos presidentes pareciam mais militantes que presidentes.
Só deu EUA como "modelo de exploração etc etc" e muitos etcras.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega lembra muito o Chaves nos discursos( e o sargento Garcia também).
Para acusar os EUA do empobrecimento dos países da América Latina ele usou quase uma hora porque o Lula, com aquele jogo de cintura, e isso ele tem, deu um jeitinho de tomar a palavra.
Gostei do Raul Castro. Foi mais objetivo e destacou a necessidade de sair das palavras para a ação e saber enfrentar a globalização.
O Chaves disse que vão formar um time igual o do Pelé. Fez questão de tirar uma com a sapatada do Bush.
Agora otimista mesmo é o Bharrat Jagdeo, da Guiana. Ele considera que até 2015 a América Latina terá uma economia única.
Comentário de: Rone [Visitante]
16.12.08 @ 18:53Os nomes mudam mas o proposito é o mesmo: MORTE !
Os dois matam!
Só que quem não tem nda ver é que se vai....
Os verdadeiros assassinos levam SAPATADAS, e assim mesmo se desviam!
É dificil matar uma BARATA......
Que ironia levou uma sapatada depois de tantas bombas, explosoes , tiros....
Só uma Sapatada.....
Comentário de: Marcos L. S. [Visitante]
16.12.08 @ 20:30Sra. Cláudia
Achei muito boa a sua colocação, e concordo plenamente com ela. O termo "terrorista" vem carregado de expectativa pejorativa, na qual está intrínseca a finalidade, de induzir a um entendimento "nefasto" do "inimigo", assim retiram-lhe a civilidade e humanidade, e por extensão, se destrói a causa que ele representa, tentando assim reduzir a sua influência em meio a seus seguidores.
É como você disse um termo político, ligado a uma idéia de dominação.
O seu exemplo dos tiroteios de escolas foi perfeito, pois aqueles que simplesmente disparam contra inocentes em salas de aula, "deveriam" ser taxados de "terroristas", mas para surpresa, são sempre intitulados de "atiradores" e a mídia com freqüência os enaltece, divulgando suas mensagens "post mortem" que só fazem alimentar os anseios de possíveis seguidores futuros.
Por que não os chamam de covardes, lhes atribuindo características negativas que pudessem desestimular a repetição de eventos semelhantes futuros ? Poque não chamá-los de terroristas ?
Simples, porque este termo, está reservado àqueles que além de agirem com violência, são inimigos de fato do estado nacional que um governo que quer impor suas verdades a sua esfera de influência, representa ..
Comentário de: Hipocrito [Visitante]
16.12.08 @ 20:41Não existe terrorista, existe uma guerra , onde todos são soldados, os que possuem apaches e F18 os usam, os que possuem pouco mais que o próprio corpo, também as vezes o detonam como veículo para explosivos, aos que não tem como combater tanques e aviões, resta-lhe apenas a sabotagem em forma de terror, que é uma arma de guerra, poderosa, que leva pânico ao inimigo, e não adianta acha-los malvados, pois guerra é guerra, e quem está dentro dela tem que assumir sua posição e seus riscos, e geralmente são regadas em sangue.
Comentário de: Marcos L. S. [Visitante]
16.12.08 @ 21:02Sr. Hipócrito
Também concordo com a sua posição, é uma guerra com combatentes em ambos os lados (os ricos e tecnológicos e os pobres que lutam como dá) pois se assim não o fosse, a América Latina, enquanto neutra nessa guerra, não seria poupada, dos "ataques irracionais" dos apavorantes "terroristas", e isso simplesmente ocorre, porque estes em não sendo tão irracionais assim, respeitam a neutralidade daqueles, que não antagonizam suas causas e ou interesses ..
Comentário de: Florentina de Jesus [Visitante]
16.12.08 @ 21:39"Combatentes em ambos os lados" é uma coisa.
Preparar um explosivo, acioná-lo no mercado, no trem, na igreja, na escola, etc lotado de pessoas que nada tem a ver com guerra é coisa totalmente diferente.
E não tem a ver com guerra de traficantes ou com policiais.
O ato terrorista é planejado especificamente para causar terror.
É esse o objetivo do autor.
O nome terrorismo é dado pelo próprio autor da explosão, cujo objetivo é exatamente causar pânico.
Tem que convencer o autor do "ato militante" que não se trata de terror, porque é ele, o autor que o considera e é seu objetivo causar terror.
O Autor, prepara o explosivo, lava a cabela de um grupo de ingênuos. estes vão ao local público onde ele aprendeu religiosamente que aquelas crianças na escola, ou em outro local, são "demônios" e ele vai ser bonzinho para Deus e eliminá-los. Depois ele ganha o paraiso.
Religião é uma coisa séria.
E fanáticos também.
Comentário de: Marcos L. S. [Visitante]
16.12.08 @ 21:59Sra. Florentina
Concordo que isso seja terror, só acho que atacar "terroristas" em meio a civis utilizando bombas de fósforo branco atiradas por caças ou helicópteros, não tem diferença nenhuma, é tudo "terrorismo" as vítimas inocentes, morrem do mesmo jeito vítimas do homem bomba, ou do sofisticado míssil ..
Comentário de: visitante [Visitante]
16.12.08 @ 23:10Qualquer ato violento de uma organização irregular destinado a intimidar a população civil de um determinado local, forçando-a a alterar sua rotina para evitar um novo atentado, parece ser uma explicação razoável para terror.
Fica de fora, convenientemente, as organizações regulares. Assim, atirar em meninos não é terror.
Esses correspondentes estiveram lá, devem ter alguma razão para pensar desse modo.
Comentário de: Parsifal [Visitante]
17.12.08 @ 13:50Marcos L. S. e Cláudia
Concordo que o adjetivo terrorista possa estar sendo usado conforme a conveniência política de quem faz uma crítica. Mas se buscarmos as definições:
Aurélio Buarque de Holanda
[De terror + -ismo.]
S. m.
1. Modo de coagir, ameaçar ou influenciar outras pessoas, ou de impor-lhes a vontade pelo uso sistemático do terror.
2. Forma de ação política que combate o poder estabelecido mediante o emprego da violência.
Esta é a diferença de alguém que detona uma bomba num aeroporto com objetivos políticos e um lunático que atira a esmo numa escola (SEM NADA PARA REIVINDICAR).
O maluco que colocou uma bomba no avião da TAM que culminou na queda e morte de um passageiro não era um terrorista. Ele é ou era um desequilibrado mental que queria se matar mas pretendia também levar consigo os ocupantes do vôo. Mesmo que todas pessoas morressem, ele não poderia ser considerado um terrorista.
O individuo que coloca bombas no corpo a mando de uma organização terrorista, é tão lunático quanto um estudante que faz tiro ao pombo com estudantes e professores. A diferença é que alguém mandou no trouxa e tem claros objetivos de poder.
Quem age como na clara definição do dicionarista é sim um terrorista, independentemente de suas convicções ideológicas. Via de regra a esquerda de botequim adora classificar os seus terroristas de revolucionários, forças insurgentes e outras asneiras sem tamanho.
Comentário de: Carlos Massaranduba (Direto do Eden) [Visitante]
17.12.08 @ 16:51Da maneira que os comentaristas falam.
Absolutamente todo e qualquer ato de violencia pode ser visto como terrorismo.
Fica a conviniencia do leitor escolher como definir.
O ladrao comum agora virou terrorista pois ele forca a populacao a mudar seu comportamento. Assim como a policia tambem e' pelo mesmo motivo.
Comentário de: Carlos Massaranduba (Direto do Eden) [Visitante] · http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u480725.shtml
17.12.08 @ 20:04Exemplo de terrorismo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u480725.shtml
Comentário de: Cláudia [Visitante]
18.12.08 @ 16:07Bom, Parsifal, pela definição número 1 do Aurélio eu diria que você é um terrorista porque eu, pelo menos, me sinto apavorada com você.
Comentário de: Neto [Visitante]
19.12.08 @ 14:12Como se deve chamar quem, num movimento organizado e consciente explode bomba no Aeroporto de Recife, no meio de autoridades e de cidadãos comuns que nada tinham a ver com política, meros passageiros ou visitantes, inclusive crianças, que eram? Militante? Ou terrorista mesmo?
Quem souber, diga ao Vanuchi, ao Tarso Genro. Provavelmente eles dirão que são heróis. Que bandidos eram os que assim foram mortos e feridos ali em em assaltos a bancos. Aliás, perdão. Assaltos, não. Assalto é coisa de ladrões. Eles expropiavam em nome do povo. Desde aquele tempo e até agora, quando "expropriam" do governo e transportam o dinheiro em cuecas para
os cumpanheiros esquerdistas hoje, incrustrados no serviço público instrumentalizado para o glorioso, limpo e ético PT.
Valha-nos Deus. O verdadeiro, não o deles, o deus lula
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Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo
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