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05.02.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist, América Latina, Europa 01:00:47.

O pesquisador Jacques Balthazart, da Universidade de Liège (Bélgica), retomou a polêmica tese sobre o “gene gay”, relata o jornal Le Monde. Seu estudo, intitulado “Biologia da homossexualidade: gay nasce, não escolhe ser”, sugere que alterações hormonais durante a vida embrionária podem determinar mudanças no comportamento sexual do indivíduo.

Balthazart disse que o efeito de sua pesquisa ajudará a encarar o homossexualismo como natural: “Se a homossexualidade não é um defeito, uma perversão ou uma escolha, não há motivo para perseguir os homossexuais”, afirmou o pesquisador, cuja tese contraria a posição religiosa sobre o tema.

Em dezembro do ano passado, o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan disse que os homossexuais “nunca entrarão no reino dos céus” e que “não se nasce homossexual, mas torna-se um”.

Se gays não entram no reino dos céus, tampouco podem entrar no Exército – como disse o general brasileiro Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. Em depoimento a senadores, o militar de certa forma corroborou a visão segundo a qual a homossexualidade é uma “escolha”, ao dizer: “Não sou contra o indivíduo ser (gay), cada um toma sua decisão”. O general declarou que, em sua opinião, gays não conseguem comandar uma tropa: “A vida militar reveste-se de determinadas características, inclusive em combate, que podem não se ajustar ao comportamento desse indivíduo”.

Em resumo: para o general brasileiro, guerra é para macho. Não é o que pensa o alto comando militar americano, que defendeu recentemente que as Forças Armadas dos EUA passem a aceitar homossexuais declarados.

 


04.02.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 01:23:17.


Calvin e Haroldo: um menino de seis anos traduziu o mundo

Quinze anos depois do fim das tirinhas de Calvin e Haroldo, seu criador, Bill Watterson, resolveu falar – e isso é uma notícia e tanto, porque Watterson era, até a semana passada, o segundo gênio mais recluso do mundo, perdendo só para J. D. Salinger.

Em entrevista ao Cleveland Plain Dealer, ele explicou por que aposentou o adorável menino de seis anos e seu tigre de estimação:

“É sempre melhor sair da festa mais cedo. Se eu tivesse me deixado levar pela popularidade e me repetisse por mais 5, 10 ou 20 anos, as pessoas que hoje ‘lamentam’ por Calvin e Haroldo estariam desejando que eu morresse e estariam amaldiçoando os jornais por publicar tirinhas antigas e entediantes como as minhas em vez de divulgar talentos mais novos. E eu concordaria com eles”.

 


por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 00:37:28.

Um estudo recém-publicado nos EUA mostra que recomendar abstinência sexual a adolescentes pode ser mais eficiente para evitar gravidez precoce do que ensinar a fazer sexo de modo seguro. Para o Washington Post, as conclusões podem encorajar o governo americano a alterar suas políticas voltadas para evitar a gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis.

A pesquisa, ao contrário do que parece, não corrobora a antiga política do governo Bush, que só repassava fundos federais a programas que recomendavam abstinência sexual “até o casamento”. A experiência atual fala em adiar as relações sexuais até que o jovem se sinta “preparado”. Mesmo assim, é improvável que o tema seja visto de forma natural num país em que a sexualidade dos jovens é assunto explosivo. Dois exemplos recentes ilustram isso.

O minúsculo condado de Culpeper, na Virgínia, decidiu banir das escolas primárias locais o livro “The Diary of a Young Girl: The Definitive Edition”, com as memórias completas de Anne Frank – a garota judia que escreveu seu diário escondida num porão, quando tentava escapar da perseguição nazista. Não se trata de negacionismo do Holocausto ou outra estupidez do gênero. É que pais reclamaram da passagem do livro que faz referência à “natureza sexual” da vagina.

Há alguns dias, na pequena cidade de Menifee (Califórnia), o dicionário Merriam-Webster foi banido das escolas depois que um pai descobriu nele a definição de “sexo oral”. O dicionário estava sendo usado por meninos de 9 a 10 anos de idade. Outro pai reclamou: “O que faremos em seguida? Baniremos as enciclopédias porque elas listam partes da anatomia humana, como pênis e vagina?”

 


03.02.10

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist, Europa 00:42:52.

Um sujeito identificado somente como “Abel R.” está sendo acusado de ter assassinado a própria mãe em Portugal. O jornal Público fez um resumo do caso. A seguir, os melhores momentos, mantida a grafia original:

No despacho de acusação (...), o MP refere que mãe e filho viviam juntos desde abril de 2008, mas a sua convivência “era conflituosa”, sentindo o arguido que a vítima “exercia sobre si coacção psicológica, que o tentava manipular contra o pai, que o restringia na sua liberdade, controlando-o”.

“Idealizou, então, uma forma de pôr termo à vida da mãe, ideia que foi amadurecendo ao longo de vários dias e semanas, arquitectando a forma e meios de o concretizar”, lê-se no documento.

Segundo o MP, “no princípio do mês de agosto de 2008, num fim-de-semana”, aproveitando a saída da mãe à noite, Abel R., sabendo que “aquela, habitualmente, quando chegava a casa, bebia uma chávena de leite”, desfez cerca de 40/50 comprimidos ansiolíticos, que colocou num pacote de leite no frigorífico.

Quando chegou a casa, a vítima bebeu o leite, deitando-se de seguida, tendo o arguido, durante a madrugada, por várias vezes, ido ao quarto da mãe para verificar se ainda respirava.

O despacho de acusação sustenta que na manhã seguinte “a ofendida chamou o filho, solicitando-lhe ajuda, uma vez que não se sentia bem”, tendo depois ficado no sofá da sala.

Quando a vítima adormeceu, o arguido tentou asfixiá-la com uma almofada e um edredão.

“Uma vez que a vítima resistia, debatendo-se, o arguido agarrou num cutelo de cortar carne (...), batendo várias vezes com o mesmo na cabeça”, relata o MP, acrescentando que, “como ainda fazia movimentos, o arguido pressionou novamente o edredão e a almofada, sufocando-a”.

No dia seguinte, o arguido “tentou levar o corpo para a arca frigorífica”, o que não conseguiu, “pelo que decidiu cortar o cadáver em pedaços” com uma faca eléctrica.

Como não alcançou o objectivo, Abel R. foi comprar, entre outros objectos, uma serra de cortar ferro.

De regresso a casa, o arguido cortou as pernas, braços e cabeça da mãe que, juntamente, com o tronco colocou na arca, desfazendo-se de seguida dos artigos supostamente usados para cometer os crimes, incluindo a roupa que usava e o sofá onde morreu a mãe, na lareira de casa, num pinhal e numa lixeira.

 


01.02.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 10:28:54.

O governo do presidente Barack Obama tem um plano para privatizar as operações da Nasa, a agência espacial dos EUA. A ideia é deixar que as empresas privadas cuidem dos voos espaciais enquanto a agência fica livre para se fixar em objetivos de longo prazo.

A proposta, como observou o Wall Street Journal, abre um novo capítulo da história da conquista espacial. Por outro lado, é mais um sintoma da falta de fôlego do Estado americano para manter gastos e projetos que lhe garantiram a hegemonia global no passado recente.

 


29.01.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 18:23:27.

O site de relacionamento gay Mancrunch.com quer veicular na TV CBS o anúncio abaixo no caríssimo intervalo do Super Bowl, o jogo final do futebol americano – aquele esporte em que vários homens musculosos se jogam uns sobre os outros. A CBS ainda está avaliando se aceita.


 


por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist 13:43:34.

É realmente desconfortável, para quem é assalariado como nós, saber que alguém consegue ganhar R$ 1 milhão por mês só para jogar futebol. Robinho ganhará quase isso no Santos, e, para muitos santistas, trata-se de uma afronta.

De fato, é. Mas o mundo do futebol está mesmo fora de órbita, como mostrou recente reportagem no Estadão a respeito da pindaíba de boa parte dos “poderosos” times europeus, e o astronômico salário de Robinho faz parte disso – ou seja, não é exatamente uma anomalia. Paga quem quer.

O Santos pagará (não o Santos, claro, mas um “pool de empresas”, expressão mágica que usualmente significa que um time é pobre demais para ter autonomia em relação ao contrato de seus jogadores). E decidiu pagar porque, se de um lado terá de arranjar R$ 1 milhão mensais para repatriar o astro, por outro tem 1 milhão de motivos para fazê-lo.

Fiquemos com apenas três: Robinho é o jogador que melhor representa a época de ouro do Santos na década – é o equivalente de Pelé no imaginário do torcedor santista com menos de 40 anos, um craque que fez muita gente sonhar acordado; mesmo em má fase, ele ainda é titular da seleção brasileira e está louco para assegurar sua vaga na Copa, o que garante que ele pelo menos atuará com vontade; e, finalmente, as defesas adversárias já devem estar com insônia, diante da terrível perspectiva de enfrentar Robinho e Neymar, seu clone melhorado.

 


por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist, Oriente Médio 13:32:44.

O líder da organização genocida islâmica Al Qaeda, Osama Bin Laden, agora está preocupado com o aquecimento global. Ele responsabilizou os EUA pelas mudanças climáticas e pediu um boicote aos produtos americanos, com o objetivo de prejudicar a economia do país. Para ele, somente “soluções drásticas” salvarão o planeta da destruição.

Segundo o Washington Post, é o primeiro discurso de Bin Laden em que ele tenta seduzir uma audiência além dos militantes islâmicos. E o pior é que é bem capaz de dar certo.

 


por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist, América Latina 00:20:45.

Na semana passada, o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, sugeriu que o terremoto no país tinha sido resultado de “macumba” e que “todo lugar que tem africano tá fodido”. Naquela oportunidade, parecia que todos os limites haviam sido superados.

Mas não. O deputado federal mexicano Ariel Gómez León conseguiu ir ainda mais longe. Em seu programa de rádio, León reclamou da ajuda de seu país ao Haiti – que significou um desconto no salário dos parlamentares. Disse que os haitianos que aparecem nas filas recebendo donativos “não têm cara de necessitados, mas de abusivos insaciáveis”. Afirmou ainda que, “como todos são negros e se parecem tanto”, os haitianos deveriam ser marcados “com uma tinta indelével, para que não recebam ajuda duas vezes”.

(Dica da amiga Marta Cury Maia)

 


28.01.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 01:21:40.

Um estudo que acaba de ser publicado pelo Pew Research Center mostra que, entre 1970 e 2007, cresceu significativamente nos EUA o número de mulheres que têm educação e conta bancária superior às de seus maridos.

Em 1970, as mulheres que ganhavam mais que os maridos eram 4% do total; em 2007, esse número saltou para 22%. Já em relação ao preparo educacional, o percentual passou de 20% para 28%.

Segundo o Pew, trata-se de uma “mudança significativa na instituição do casamento”, numa inversão dos tradicionais papeis na relação. Para um especialista ouvido pelo New York Times, os homens sempre precisaram do casamento para manter o bem-estar mental; agora, precisam também para manter o bem-estar econômico.

 


27.01.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 00:41:46.

O governador da Califórnia e Exterminador do Futuro, Arnold Schwarzenegger, sugeriu que seria bom construir penitenciárias no México para abrigar os imigrantes ilegais que estão encarcerados atualmente em seu Estado – e que representam 19 mil dos 171 mil presos locais.

“Nós pagaríamos a eles (os mexicanos) para construir as prisões no México e então mandaríamos esses imigrantes ilegais para lá. E tudo isso por metade do custo para construir e administrar as prisões (nos EUA)”, disse Schwarzenegger.

Um dos grandes problemas californianos atualmente é a superlotação dos presídios, que custam US$ 8 bilhões anuais ao combalido Tesouro estadual. Segundo Schwarzenegger, seria possível economizar US$ 1 bilhão com a medida – o porta-voz do governador disse que não sabe de onde ele tirou esse valor.

 


23.01.10

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist 00:46:58.

A pobreza mundial está caindo de modo dramático. Estudo publicado pelo Vox, site especializado em economia ligado ao britânico Centre for Economic Policy Research, mostra que a porcentagem da população do planeta que vive com menos de US$ 1 por dia recuou de 26,8% em 1970 para 5,4% em 2006.

A população mundial cresceu 80% no período, diz o texto, mas o número de pessoas pobres, de acordo com esse critério, passou de 967 milhões para 350 milhões. Por regiões, o índice despencou 86% no sul da Ásia, 73% na América Latina e 20% na África. A riqueza global cresceu entre 128% e 145%.

O texto não especula sobre as razões pelas quais a pobreza está diminuindo. Afirma somente que a distribuição de riqueza melhorou de maneira significativa, segundo todos os parâmetros. Mas o período estudado coincide com a consolidação daquilo que se convencionou chamar de “globalização”, um dos grandes vilões dos movimentos de contestação do capitalismo.

 


21.01.10

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist, América Latina, História 02:26:47.

Avatar, de James Cameron, é monumental em pelo menos dois sentidos: nunca na história do cinema tantos clichês foram reunidos em um único filme, e nunca isso foi tão irrelevante – a experiência sensorial de Avatar, afinal, compensa todo o resto e ameaça até mesmo alterar os atuais padrões cinematográficos. Mas a superprodução interessa aqui não em seu sentido, digamos, “artístico”, nem como documento dessa época em que a defesa das plantinhas e dos ursinhos polares se tornou capital político e ideológico. Interessa porque, aparentemente pela primeira vez, um filme de Hollywood toca naquele que talvez seja o grande problema da política externa dos EUA: a inabilidade de compreender as gentes que o país pretende ajudar.

A “trama” de Avatar coloca um fuzileiro naval americano na pele de um Na’vi, habitante de Pandora, uma lua no sistema de Alfa Centauro. O objetivo do projeto é fazê-lo ganhar a confiança dos nativos para facilitar a exploração de um mineral bastante lucrativo. Esqueçamos por um instante a indigência da alegoria que remete à ambição dos EUA sobre os recursos naturais do resto do mundo, motivo de incontáveis guerras. Importa somente o resultado da relação entre o marine e os selvagens: em pouco tempo, o soldado se envolve com os Na’vi ao ponto de realmente se tornar um deles, e não somente um “avatar” – que, na linguagem do mundo virtual, significa uma personificação apenas imaginária.

A partir dessa forte ligação, o soldado compreende a profundidade da cultura Na’vi e, por conseguinte, os erros cometidos pelos EUA em sua relação com os nativos. Como sempre, diz a mensagem do filme, os americanos supõem saber quais são as necessidades do resto do mundo, apresentando-se como guardiães insubstituíveis dos valores universais e da viabilidade econômica do sistema. A noção de “state building”, isto é, de construção de uma estrutura de Estado em lugares “atrasados”, seja em Pandora ou no Haiti, ganha sempre contornos messiânicos e intervencionistas quando os protagonistas são os EUA.

No caso do devastado Haiti, por exemplo, a Casa Branca declarou que somente os americanos poderiam prover a ajuda na escala necessária e tratou logo de despachar a cavalaria – milhares de soldados dos EUA logo se materializaram em Porto Príncipe, ocupando o aeroporto e inspirando o habitual antiamericanismo bolivariano que ora contamina o Itamaraty e alhures.

É inegável que cabe aos americanos a liderança da recuperação do Haiti – entre outras razões, pelo imenso poderio dos EUA em relação aos demais países da região. Se Washington não tivesse se mobilizado para socorrer os haitianos, seria prontamente acusado de omissão. Por outro lado, os ruídos decorrentes da ação americana são, em grande medida, resultado dessa certeza moral que move os EUA desde sua formação como nação, lá pelos idos do século 18. A ideia de tornar o mundo “livre”, à imagem e semelhança dos EUA, e de proteger os interesses do país como se fossem os interesses de todo o planeta impele os americanos de modo irresistível, sem maiores considerações sobre as singularidades dos povos que eles pretendem socorrer.

Mesmo a suposta sofisticação de Barack Obama, seriamente empenhado em melhorar a imagem dos EUA perante o mundo a partir de uma relação menos subordinada, não parece ser suficiente para desanuviar a sensação de que houve atropelo por parte dos americanos no Haiti. Uma boa providência, de saída, teria sido coordenar os esforços com os militares brasileiros, que há anos conhecem o cotidiano haitiano e, a partir dessa experiência, desenvolveram a sensibilidade necessária para recuperar o país segundo as particularidades locais, e não de acordo com o modelo americano – tanto mais problemático quanto se considera o passado de intervenção brutal dos EUA na região.

Para resumir, e pegando carona na ideia de James Cameron, os EUA precisam de um “avatar” no Haiti, para enfim perceber que as reais necessidades locais vão muito além da reconstrução da infra-estrutura e da alimentação de seus habitantes. Os haitianos clamam por um país que os respeite como sociedade autônoma e que funcione segundo suas experiências históricas, e não como um punhado de bocas famintas desacompanhadas de alma e de coração.

 


24.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist, Religião 00:15:00.

A conversa não é nova, mas tomou ares de disputa bíblica nos EUA: o Natal se tornou uma data meramente comercial?

Para os grupos ultraconservadores americanos, não há dúvida. Um deles, o Focus on the Family, convidou seus simpatizantes a avaliar a postura das lojas em relação ao Natal: se são “amistosas”, “negligentes” ou “ofensivas”. No site da organização, é possível ver a lista das lojas e sua respectiva votação.

Uma das campanhas de maior sucesso, que já tem quatro anos, é a Advent Conspiracy, que propõe “adorar mais, gastar menos, dar mais e amar a todos”. Para o movimento, o Natal se tornou uma “época de estresse, congestionamentos e listas de compras” – e, quando tudo acaba, fica-se com as dívidas a pagar e com a “sensação de um propósito perdido”. “É isso o que queremos do Natal?”


Por outro lado, já tem gente que vê nessa polêmica uma boa oportunidade comercial. A Boss Creations, empresa de decoração, oferece árvores de Natal que mostram a cruz de Cristo, como dá para ver abaixo. É uma maneira de “recolocar Cristo de volta no Natal”, como diz seu slogan.

 


por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 00:00:17.

Desesperada porque não conseguia fazer o filho de 14 anos parar de jogar videogame, uma americana de Massachusetts ligou para o 911, o telefone de emergência da polícia.

Ela conta que tomou a decisão ao ver o filho jogando às 2h30 da manhã, horas depois de ter mandado que ele fosse dormir. “Eu chamei a polícia porque, se você não respeita sua mãe, o que será da sua vida?”, explicou.

O policial que atendeu ao chamado conversou com o garoto por telefone e conseguiu convencê-lo a desligar o jogo e ir dormir.

 


23.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist, América Latina, Ásia 15:01:03.

A revista americana Newsweek publicou suas previsões para o ano que vem. As principais:

1) Fidel Castro vai morrer, e os pilares do regime cubano – perseguição a opositores e homossexuais, censura e prisões arbitrárias – deverão ser atenuados, em nome da transição e da aproximação com os EUA.

2) Haverá um novo golpe de Estado na Venezuela. Segundo a revista, o projeto socialista de Chávez está fazendo água e deve ser desafiado pela força.

3) A China vai afundar em 2010. Em seu lugar, o Brasil surgirá como a potência emergente número um, com crescimento de 8% e dividendos preciosos do petróleo.

 


22.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist, Religião 21:02:42.


Homer e Deus, num encontro casual: teologia

No 20 º aniversário dos Simpsons, o jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, fez rasgados e inusitados elogios à série.

Embora admita que muitas vezes o desenho é violento e usa linguagem pesada, a Santa Sé acha que os Simpsons são um bom exemplo de humor e ensinamentos filosóficos, aos quais deu o nome de “teologia simpsoniana”.

Segundo o jornal, a ignorância religiosa de Homer Simpson – que muitas vezes conversa diretamente com Deus – na verdade “espelha a indiferença e a necessidade que o homem moderno tem em relação à fé”.

Um dos episódios comentados pelo Osservatore é aquele em que Homer pede uma intervenção de Deus: “Normalmente não sou um homem religioso, mas, se você está aí em cima, salve-me, Super-Homem!”

 


18.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Estados Unidos, Zeitgeist 00:33:02.

Shelly Ross é uma famosa blogueira americana, titular do Blog 4 Mom, no qual relata sua vida de mãe de quatro filhos e mulher de um militar. Ela está no centro de uma enorme polêmica na internet dos EUA desde a morte de seu filho Bryson, de 2 anos. O motivo: ela contou em seu twitter, quase em tempo real, que seu filho havia se afogado na piscina.

As violentas críticas ao comportamento de Shelly não tardaram. Em resumo, ela foi acusada de privilegiar o Twitter em vez do filho. “Seu menino ainda estaria vivo se ela interagisse com ele como interagia com os seguidores no Twitter”, escreveu um comentarista, conforme relato do blog Motherlode.

Por outro lado, diz o Motherlode, a atitude de Shelly é perfeitamente defensável. Segundo o blog, o Twitter significa uma rede social que serve para dar conforto e senso de comunidade em momentos de grande tristeza, apreensão e dúvida. Prova disso é a multiplicação de blogs sobre a maternidade, “criados por mulheres precisamente porque elas se sentem isoladas em seu novo papel”. Ou seja: “Desse ponto de vista, os tweets de Shelly não são um exemplo do mau uso da internet, mas sim a prova de seu potencial e de seu poder”.

 


16.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist 23:56:06.


A menina presidente: feminismo sem sutileza

É possível falar de feminismo para crianças? Algumas autoras nos EUA e na Europa acreditam que sim. As obras criam uma lista de leitura “anti-princesas”, negando a maioria das fábulas tradicionais que, segundo elas, tratam as mulheres de maneira inferior.

Assim, surgem títulos como “Call me Madame President”, “Girls Think of Everything” e “Girls Will Be Boys Will Be Girls” – este último discute o papel de cada gênero.

Mas há quem veja isso como um exagero. “Eu não acho que se deva ler de um jeito feminista para se tornar uma feminista”, diz a autora feminista Natasha Walter, que prefere o clássico “Pipi Meialonga”, de 1944, para começar. Para quem não conhece, Pipi é uma menina de nove anos sem pai nem mãe, que é muito forte e realiza suas aventuras de maneira criativa e destemida. Lembra a boneca Emília, de Monteiro Lobato, uma espécie de precursora do feminismo divertido e sem afetação.

 


15.12.09

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist, Oriente Médio, África, Europa, História 23:19:58.


Negra iraquiana pede esmola em Basra: inferior

Quando se fala em racismo contra os negros, a primeira coisa que vem à cabeça é a violência cometida pelos brancos em sociedades ocidentais. Mas há outro tipo de racismo contra negros, muito antigo e ainda mais violento, e que nem por isso merece a atenção dos movimentos de defesa dos direitos humanos ou da opinião pública “progressista” do Ocidente. Trata-se do preconceito dos árabes contra os negros.

O tráfico transatlântico de escravos, associado à colonização das Américas pelos europeus entre os séculos 14 e 19, é geralmente tido como o paradigma do racismo, a partir do qual todo o imaginário da segregação racial foi construído. Mas o tráfico de escravos feito majoritariamente dentro do mundo islâmico na África e no Índico negociou pelo menos o dobro de negros, e isso só acabou em meados do século 20.

São os descendentes desses negros trazidos pela escravidão que formam minorias perseguidas em países árabes, como Egito, Iraque e Iêmen. No Iraque, como relatou o New York Times recentemente, eles são chamados ainda de “escravos” e o mercado de trabalho lhes nega o direito de realizar mesmo tarefas braçais. A situação desse grupo social, que constitui 10% do total da população iraquiana, é resumida por um defensor dele: “Os negros daqui vivem apavorados”.

Foto: Atef Hassan/Reuters

 


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Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo





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