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08.02.10
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, inaugurou um novo programa de rádio, que se chama “De repente com Chávez”, informa o jornal El Universal.
O programa não tem hora para ir ao ar. Por isso o nome é “De repente com Chávez”.
O sonho de um mundo livre de armas nucleares, já vocalizado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, foi objeto de recente colóquio em Munique, intitulado “Is Zero Possible?”. Ross Douthat, do New York Times, argumenta que essa é uma falsa questão, movida pelo “provincianismo” americano. Segundo ele, é ingênuo supor que a corrida nuclear será interrompida quando as superpotências, mormente os EUA, abrirem mão de seus arsenais.
“Na verdade”, diz Douthat, “a nuclearização é resultado de preocupações regionais” – e os exemplos de Israel, Paquistão e Índia provam isso. Para o articulista, se EUA e Otan anunciarem o desarmamento, países como Japão, Coreia do Sul, Turquia , Egito e Arábia Saudita, desprovidos do “guarda-chuva nuclear” de que hoje dispõem graças a tratados de defesa com os americanos e os europeus, se verão obrigados a construir seus próprios arsenais.
Em artigo no El País, o historiador Timothy Garton Ash diz que esse é justamente o atual problema: em meio ao debate claudicante sobre o "zero global", "estamos perto de chegar ao ponto sem retorno da proliferação nuclear".
06.02.10
O bispo Edir Macedo disse em seu blog que a sede da Igreja Universal do Reino de Deus em Porto Príncipe sobreviveu com “pequenas avarias” ao terremoto que devastou o Haiti. Macedo sugeriu que seus seguidores foram favorecidos pela fé: “Na hora do tremor, os pastores, obreiros e membros da Igreja estavam evangelizando e escaparam ilesos”.
Nos comentários ao post de Macedo, havia várias manifestações como “Deus nunca desampara os seus”. Os mais de 200 mil mortos no terremoto que o digam.
05.02.10
O pesquisador Jacques Balthazart, da Universidade de Liège (Bélgica), retomou a polêmica tese sobre o “gene gay”, relata o jornal Le Monde. Seu estudo, intitulado “Biologia da homossexualidade: gay nasce, não escolhe ser”, sugere que alterações hormonais durante a vida embrionária podem determinar mudanças no comportamento sexual do indivíduo.
Balthazart disse que o efeito de sua pesquisa ajudará a encarar o homossexualismo como natural: “Se a homossexualidade não é um defeito, uma perversão ou uma escolha, não há motivo para perseguir os homossexuais”, afirmou o pesquisador, cuja tese contraria a posição religiosa sobre o tema.
Em dezembro do ano passado, o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan disse que os homossexuais “nunca entrarão no reino dos céus” e que “não se nasce homossexual, mas torna-se um”.
Se gays não entram no reino dos céus, tampouco podem entrar no Exército – como disse o general brasileiro Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. Em depoimento a senadores, o militar de certa forma corroborou a visão segundo a qual a homossexualidade é uma “escolha”, ao dizer: “Não sou contra o indivíduo ser (gay), cada um toma sua decisão”. O general declarou que, em sua opinião, gays não conseguem comandar uma tropa: “A vida militar reveste-se de determinadas características, inclusive em combate, que podem não se ajustar ao comportamento desse indivíduo”.
Em resumo: para o general brasileiro, guerra é para macho. Não é o que pensa o alto comando militar americano, que defendeu recentemente que as Forças Armadas dos EUA passem a aceitar homossexuais declarados.
Ao contrário do senso comum, o gasto militar americano está caindo, se colocado em perspectiva histórica. Em contrapartida, está aumentando o gasto com saúde e serviços básicos. É o que se depreende dos gráficos disponibilizados pela Casa Branca para explicar o projeto orçamentário do presidente Barack Obama.
No gráfico abaixo, entre 1962 e 2015 (projeção), o gasto militar está em vermelho, e o gasto com saúde e serviços, em azul claro.
04.02.10

Calvin e Haroldo: um menino de seis anos traduziu o mundo
Quinze anos depois do fim das tirinhas de Calvin e Haroldo, seu criador, Bill Watterson, resolveu falar – e isso é uma notícia e tanto, porque Watterson era, até a semana passada, o segundo gênio mais recluso do mundo, perdendo só para J. D. Salinger.
Em entrevista ao Cleveland Plain Dealer, ele explicou por que aposentou o adorável menino de seis anos e seu tigre de estimação:
“É sempre melhor sair da festa mais cedo. Se eu tivesse me deixado levar pela popularidade e me repetisse por mais 5, 10 ou 20 anos, as pessoas que hoje ‘lamentam’ por Calvin e Haroldo estariam desejando que eu morresse e estariam amaldiçoando os jornais por publicar tirinhas antigas e entediantes como as minhas em vez de divulgar talentos mais novos. E eu concordaria com eles”.
Dean Pierson, de 59 anos, era meio caladão e taciturno, segundo seus conhecidos, mas era também um bom fazendeiro e trabalhava duro, 15 horas todos os dias, em Copake (Estado de Nova York). No último dia 21 de janeiro, porém, Pierson fez algo que surpreendeu a todos, conforme relato do New York Times: após a ordenha, ele pegou uma espingarda e, metodicamente, matou todas as suas 51 vacas leiteiras, uma a uma, com um tiro na cabeça. Em seguida, se suicidou.
No bilhete que deixou, Pierson disse que se sentia deprimido por causa dos problemas financeiros. A situação é semelhante à de muitos fazendeiros americanos por causa da crise do ano passado, diz o Times. “Eles são um pessoal resiliente, mas um bocado deles está desesperado”, disse um comentarista de TV especializado em agricultura.
Além disso, ele fazia o trabalho todo sem ajuda. Ordenhava sozinho, todos os dias, todas as 51 vacas. Um amigo disse que Pierson matou os vacas porque, para ele, não haveria quem as ordenhasse depois de sua morte.
Um estudo recém-publicado nos EUA mostra que recomendar abstinência sexual a adolescentes pode ser mais eficiente para evitar gravidez precoce do que ensinar a fazer sexo de modo seguro. Para o Washington Post, as conclusões podem encorajar o governo americano a alterar suas políticas voltadas para evitar a gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis.
A pesquisa, ao contrário do que parece, não corrobora a antiga política do governo Bush, que só repassava fundos federais a programas que recomendavam abstinência sexual “até o casamento”. A experiência atual fala em adiar as relações sexuais até que o jovem se sinta “preparado”. Mesmo assim, é improvável que o tema seja visto de forma natural num país em que a sexualidade dos jovens é assunto explosivo. Dois exemplos recentes ilustram isso.
O minúsculo condado de Culpeper, na Virgínia, decidiu banir das escolas primárias locais o livro “The Diary of a Young Girl: The Definitive Edition”, com as memórias completas de Anne Frank – a garota judia que escreveu seu diário escondida num porão, quando tentava escapar da perseguição nazista. Não se trata de negacionismo do Holocausto ou outra estupidez do gênero. É que pais reclamaram da passagem do livro que faz referência à “natureza sexual” da vagina.
Há alguns dias, na pequena cidade de Menifee (Califórnia), o dicionário Merriam-Webster foi banido das escolas depois que um pai descobriu nele a definição de “sexo oral”. O dicionário estava sendo usado por meninos de 9 a 10 anos de idade. Outro pai reclamou: “O que faremos em seguida? Baniremos as enciclopédias porque elas listam partes da anatomia humana, como pênis e vagina?”
03.02.10
Um sujeito identificado somente como “Abel R.” está sendo acusado de ter assassinado a própria mãe em Portugal. O jornal Público fez um resumo do caso. A seguir, os melhores momentos, mantida a grafia original:
No despacho de acusação (...), o MP refere que mãe e filho viviam juntos desde abril de 2008, mas a sua convivência “era conflituosa”, sentindo o arguido que a vítima “exercia sobre si coacção psicológica, que o tentava manipular contra o pai, que o restringia na sua liberdade, controlando-o”.
“Idealizou, então, uma forma de pôr termo à vida da mãe, ideia que foi amadurecendo ao longo de vários dias e semanas, arquitectando a forma e meios de o concretizar”, lê-se no documento.
Segundo o MP, “no princípio do mês de agosto de 2008, num fim-de-semana”, aproveitando a saída da mãe à noite, Abel R., sabendo que “aquela, habitualmente, quando chegava a casa, bebia uma chávena de leite”, desfez cerca de 40/50 comprimidos ansiolíticos, que colocou num pacote de leite no frigorífico.
Quando chegou a casa, a vítima bebeu o leite, deitando-se de seguida, tendo o arguido, durante a madrugada, por várias vezes, ido ao quarto da mãe para verificar se ainda respirava.
O despacho de acusação sustenta que na manhã seguinte “a ofendida chamou o filho, solicitando-lhe ajuda, uma vez que não se sentia bem”, tendo depois ficado no sofá da sala.
Quando a vítima adormeceu, o arguido tentou asfixiá-la com uma almofada e um edredão.
“Uma vez que a vítima resistia, debatendo-se, o arguido agarrou num cutelo de cortar carne (...), batendo várias vezes com o mesmo na cabeça”, relata o MP, acrescentando que, “como ainda fazia movimentos, o arguido pressionou novamente o edredão e a almofada, sufocando-a”.
No dia seguinte, o arguido “tentou levar o corpo para a arca frigorífica”, o que não conseguiu, “pelo que decidiu cortar o cadáver em pedaços” com uma faca eléctrica.
Como não alcançou o objectivo, Abel R. foi comprar, entre outros objectos, uma serra de cortar ferro.
De regresso a casa, o arguido cortou as pernas, braços e cabeça da mãe que, juntamente, com o tronco colocou na arca, desfazendo-se de seguida dos artigos supostamente usados para cometer os crimes, incluindo a roupa que usava e o sofá onde morreu a mãe, na lareira de casa, num pinhal e numa lixeira.
O mundo árabe e islâmico é insensível ao sofrimento de países e povos fora desses limites. É o que diz o intelectual palestino Khaled Hroub, que leciona em Oxford, em contundente artigo publicado no jornal Al-Hayat.
Segundo Hroub, a ausência de ajuda governamental substantiva vinda do mundo árabe e muçulmano para os haitianos “é uma desgraça no pleno sentido dessa palavra”.
Ele criticou os milionários árabes “que gastam milhões em festas e consumismo” e que se ausentaram da lista dos que colaboraram para minorar o sofrimento haitiano.
“Mesmo a mídia árabe”, segue Hroub, “não deu e não dá importância suficiente para a tragédia.” Nisso concorda a comentarista Octavia Nasr, da CNN, que escreveu em seu blog: “Com exceção da imprensa escrita libanesa, que deu destaque para o Haiti na primeira página, a mídia árabe fez menções modestas à devastação e à tragédia humana. Nos maiores canais de TV, como a Al-Jazeera e a Al-Arabiya, o terremoto e suas conseqüências foram citados como uma notícia entre outras tantas, internacionais e regionais. Nos jornais da Jordânia, a morte de três soldados jordanianos da ONU era a manchete que introduzia a tragédia haitiana. O mesmo aconteceu na Tunísia”.
Hroub atacou ainda o fato de que a imprensa árabe preferiu enfatizar a “ocupação” do Haiti pelos soldados americanos: “Muitos analistas árabes defenderam a ‘soberania’ do Haiti com mais zelo do que os próprios haitianos ou o governo haitiano, que estavam implorando pela ajuda dos EUA e de outros países do mundo”. Além disso, segundo ele, leitores em sites da mídia árabe produziram “comentários asquerosos” que diziam que “Allah puniu esse país pobre e seu povo por causa de sua corrupção”. “Nossa tortuosa mentalidade religiosa e nossa noção de recompensa divina nos inculcou um modo doentio e mecânico de pensar que não deixa espaço para nenhum sentimento humano. Essa desgraça é uma das características do que pode ser visto como nossa vergonhosa era árabe.”
Hroub fez críticas também à cínica instrumentalização política do episódio haitiano. “Um detalhe interessante é que, na lista (de países que ampliaram a ajuda ao Haiti), estão ausentes todos os que brandem a espada contra o ‘imperialismo’. Chávez, o guerreiro revolucionário, que discursa tanto contra os EUA na América Latina, não colocou a Venezuela entre os países que ofereceram ajuda substancial. O mesmo se aplica ao Irã.” Segundo ele, a retórica da ajuda como uma obrigação divina “está confinada à ajuda aos muçulmanos”, e “a dor dos não-muçulmanos não merece atenção”.
Ele diz que muitos, no mundo árabe, defenderam que o socorro destinado ao Haiti deveria ser enviado a Gaza, o que, em sua opinião, é uma inversão óbvia de prioridades. “O desastre do cerco a Gaza, e o papel árabe em perpetuá-lo, são uma desgraça em si. O sofrimento de centenas de milhares de moradores de Gaza sob o cerco israelense e ocidental é condenável. No entanto, nossa solidariedade a Gaza não deveria eliminar nossa sensibilidade para a catástrofe dos outros, especialmente quando o sofrimento deles é muito maior do que o nosso.”
02.02.10
O presidente da África do Sul aparentemente conseguiu uma proeza e tanto: polígamo, Jacob Zuma teve uma filha fora dos casamentos, segundo reportagem do jornal The Sunday Times.
Se a história for confirmada, será o 20º filho de Zuma. A suposta mãe é filha de um dos organizadores da Copa do Mundo.
E a notícia pegou Zuma em plena campanha pelo sexo seguro – com camisinha e com apenas um parceiro – para frear a epidemia de Aids no país: 17% de todos os casos da doença no mundo estão na África do Sul.
Que Hugo Chávez caminha a passos largos para se tornar um ditador de perfil paternal-nacionalista, bem ao estilo dos governos latino-americanos de ultradireita nos 70, parece algo fora de questão. Sua estridência, contudo, acaba facilitando o discurso conservador que, em nome da “democracia”, hostiliza qualquer movimento político que defenda um Estado forte para prover o mínimo às camadas pobres da população – Lula e seu criticadíssimo Bolsa-Família que o digam. Mas essa é, afinal, uma falsa questão, que serve somente para alimentar rancores ideológicos empedernidos. A questão mais importante é a qualidade da democracia que esse processo de redescoberta do Estado está criando, após o suposto triunfo definitivo do liberalismo nos anos 90. E há surpresas aí.
A “democracia” bolivariana, no projeto capitaneado por Chávez, engole e destrói instâncias de poder que serviriam como contraponto ao governo e como aperfeiçoamento político. Não há possibilidade de representação desatrelada do Estado – pior, não há representatividade nem mesmo dentro do Estado, uma vez que o Estado deixou de ser mediador e passou a ser tutor, exatamente como no fascismo. O chavismo se apresenta como elemento de unidade absoluta – a adesão a ele é a única forma de abrir algum canal de acesso ao Líder.
Para não deixar dúvidas sobre isso, Chávez recentemente declarou: “Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba!”. Amalgamado com o “povo”, o presidente venezuelano transforma cada crítica a seu governo como uma crítica a esse “povo” – devidamente militarizado e pronto a reagir violentamente em caso de contestação. É uma massa crescentemente conservadora e que quer manter intocada a “sua” Venezuela, cuja imensa máquina burocrática só funciona por meio da corrupção e do autoritarismo.
A representação política ampla, nesse cenário, é uma impossibilidade óbvia. No Brasil de Lula parece estar ocorrendo semelhante processo, ainda que de modo bem mais sutil. O presidente brasileiro, montado em uma imensa popularidade e em suas certezas morais, considera que a melhora das condições de vida das classes mais pobres do país seja suficiente para considerar sua missão cumprida. Trata-se de um reducionismo típico desses tempos de utilitarismo político: o PT surgiu como o partido que daria voz àqueles que não tinham, dentro das regras do jogo democrático; hoje é somente uma máquina voltada para se garantir no poder, transformando o projeto de inclusão e diversificação política em um arremedo de democracia, que cheira a bonapartismo – a massa ultraconservadora criada pelo Bolsa-Família é, assim, uma barreira natural às reivindicações políticas de progressistas que contestem os (maus) usos e costumes do centrismo pragmático do lulismo, a começar por sua leniência em relação à corrupção e ao parasitismo.
Assim, tanto Lula quanto Chávez, guardadas as proporções, oferecem uma visão desabonadora do bolivarianismo no que diz respeito ao espírito da democracia gerada por esse modelo. Uma exceção, no entanto, parece ser Evo Morales.
O presidente boliviano vem cumprindo sua promessa de dar poder à grande maioria da população de seu país, os índios, que passaram séculos sob escravidão e exploração sistemática. Ainda que seja um chavista de coração – e isso significa que é avesso a alguns dos pilares democracia, como imprensa livre –, Evo vem revolucionando a Bolívia ao redesenhar o mapa político para tornar os índios atores dessa transformação. O poder está sendo descentralizado, de modo a fazer de comunidades indígenas unidades administrativas com autonomia, e a legislação indígena será reconhecida como válida tanto quanto o sistema oficial. Some-se a isso sua austeridade fiscal e seu programa diversificado de investimentos, que ganharam a simpatia da classe média, e temos a equação que torna o governo de Evo um dos mais estáveis, populares e bem-sucedidos do universo bolivariano. Considerando-se que a Bolívia era aquele país que até outro dia tinha um presidente de manhã e outro à noite, e em que os índios não existiam como cidadãos, é um feito e tanto.
01.02.10
O escritor peruano Mario Vargas Llosa, conhecido por suas posições conservadoras, criticou as manobras governistas colombianas para permitir uma nova reeleição ao presidente Alvaro Uribe.
“Acho que Uribe tem sido um magnífico presidente, e seu governo vai terminar como um dos maiores da história da Colômbia. Acredito que essa marca extraordinária seria afetada se ele se apresentasse novamente à reeleição”, declarou Vargas Llosa. Para ele, a Colômbia conta com gente competente o suficiente para continuar a luta contra o narcoterrorismo.
Vargas Llosa considera que um presidente “não pode alterar as regras do jogo em proveito de si mesmo sem deteriorar a democracia”.
Sobre o Brasil, o escritor argumentou que não é justo dizer que Lula é parecido com Chávez. Para ele, Lula é democrático, e Chávez não. “A Venezuela hoje não é uma democracia. Dissidentes são perseguidos, emissoras de rádio são fechadas e a oposição é reprimida. Isso é o que o comandante Chávez chama de socialismo do século 21, que é a ditadura de sempre, que tantos males trouxe para a América Latina.”
O governo do presidente Barack Obama tem um plano para privatizar as operações da Nasa, a agência espacial dos EUA. A ideia é deixar que as empresas privadas cuidem dos voos espaciais enquanto a agência fica livre para se fixar em objetivos de longo prazo.
A proposta, como observou o Wall Street Journal, abre um novo capítulo da história da conquista espacial. Por outro lado, é mais um sintoma da falta de fôlego do Estado americano para manter gastos e projetos que lhe garantiram a hegemonia global no passado recente.
29.01.10
O site de relacionamento gay Mancrunch.com quer veicular na TV CBS o anúncio abaixo no caríssimo intervalo do Super Bowl, o jogo final do futebol americano – aquele esporte em que vários homens musculosos se jogam uns sobre os outros. A CBS ainda está avaliando se aceita.
É realmente desconfortável, para quem é assalariado como nós, saber que alguém consegue ganhar R$ 1 milhão por mês só para jogar futebol. Robinho ganhará quase isso no Santos, e, para muitos santistas, trata-se de uma afronta.
De fato, é. Mas o mundo do futebol está mesmo fora de órbita, como mostrou recente reportagem no Estadão a respeito da pindaíba de boa parte dos “poderosos” times europeus, e o astronômico salário de Robinho faz parte disso – ou seja, não é exatamente uma anomalia. Paga quem quer.
O Santos pagará (não o Santos, claro, mas um “pool de empresas”, expressão mágica que usualmente significa que um time é pobre demais para ter autonomia em relação ao contrato de seus jogadores). E decidiu pagar porque, se de um lado terá de arranjar R$ 1 milhão mensais para repatriar o astro, por outro tem 1 milhão de motivos para fazê-lo.
Fiquemos com apenas três: Robinho é o jogador que melhor representa a época de ouro do Santos na década – é o equivalente de Pelé no imaginário do torcedor santista com menos de 40 anos, um craque que fez muita gente sonhar acordado; mesmo em má fase, ele ainda é titular da seleção brasileira e está louco para assegurar sua vaga na Copa, o que garante que ele pelo menos atuará com vontade; e, finalmente, as defesas adversárias já devem estar com insônia, diante da terrível perspectiva de enfrentar Robinho e Neymar, seu clone melhorado.
O líder da organização genocida islâmica Al Qaeda, Osama Bin Laden, agora está preocupado com o aquecimento global. Ele responsabilizou os EUA pelas mudanças climáticas e pediu um boicote aos produtos americanos, com o objetivo de prejudicar a economia do país. Para ele, somente “soluções drásticas” salvarão o planeta da destruição.
Segundo o Washington Post, é o primeiro discurso de Bin Laden em que ele tenta seduzir uma audiência além dos militantes islâmicos. E o pior é que é bem capaz de dar certo.
Na semana passada, o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, sugeriu que o terremoto no país tinha sido resultado de “macumba” e que “todo lugar que tem africano tá fodido”. Naquela oportunidade, parecia que todos os limites haviam sido superados.
Mas não. O deputado federal mexicano Ariel Gómez León conseguiu ir ainda mais longe. Em seu programa de rádio, León reclamou da ajuda de seu país ao Haiti – que significou um desconto no salário dos parlamentares. Disse que os haitianos que aparecem nas filas recebendo donativos “não têm cara de necessitados, mas de abusivos insaciáveis”. Afirmou ainda que, “como todos são negros e se parecem tanto”, os haitianos deveriam ser marcados “com uma tinta indelével, para que não recebam ajuda duas vezes”.
(Dica da amiga Marta Cury Maia)
28.01.10
Bill Clinton foi a Davos para pedir dinheiro para o Haiti. Mas, como diz o blog de economia do Le Monde, o ex-presidente americano “nunca esquece os próprios interesses”.
Ele é o convidado de honra de uma recepção que a direção da Coca-Cola dará numa festança exclusivíssima em Davos. Não se sabe qual será o cachê para “William Jefferson Clinton, 42º presidente dos EUA”, como consta no convite.
O governo do Irã – aquele país que o Brasil de Lula considera democrático – arrumou um jeito bacana de lidar com os opositores: basta matá-los.
Nesta quinta-feira foram dois. Eles eram acusados de querer derrubar o regime islâmico. Foram condenados por serem “inimigos de Deus”.
Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo
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