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01.07.09
Amigos, estou tirando duas semanas de férias a partir de hoje. Vou publicar os comentários, mas não haverá posts novos até o dia 17. Um grande abraço a todos e até a volta!
Protesto em Honduras contra o presidente deposto, Manuel Zelaya. Mas bem que podia ser em Brasília.
Foto: Reuters
30.06.09
Um site na Alemanha, o spickmich.de, tornou-se febre no país ao permitir que alunos, protegidos pelo anonimato, avaliassem seus professores. As notas são as mesmas dadas nas escolas aos estudantes – de 1 a 6, sendo 6 a pior avaliação.
Uma professora de alemão cuja média ficou em 4,3 entrou na Justiça para pedir a suspensão do site, sob o argumento de que invadiu sua privacidade. Na terça-feira, o tribunal considerou sua reclamação improcedente – a liberdade de expressão dos alunos, nesse caso, é soberana.
Para a maior parte da imprensa alemã, a decisão foi correta. Afinal, se hotéis e restaurantes podem ser avaliados pelos consumidores anônimos em sites na internet, professores também podem.
O YouTube acaba de inaugurar uma página em que reúne depoimentos de jornalistas americanos sobre técnicas e dicas de reportagem. É um achado – funciona como uma escola virtual. Entre os “professores” estão gente do calibre de Bob Woodward, Nicholas Kristof e Ariana Huffington.
A idéia do YouTube é ajudar os chamados "jornalistas cidadãos" a melhorar a qualidade do que difundem. Ou seja: para o bem ou para o mal, a atividade jornalística cada vez mais tende a ser apreendida longe das escolas formais.
A página pode ser vista AQUI.
O governo americano enviou ajuda militar urgente à Somália, que luta contra milícias islâmicas apoiadas pela Al Qaeda. O temor, óbvio, é que os muçulmanos fundamentalistas tomem o poder, como fizeram no Afeganistão, e transformem o estratégico país no Chifre da África num novo abrigo do terror.
A Somália, abandonada pela comunidade internacional, não tem governo formal desde 1991. A administração do país é feita por um consórcio de forças mediadas pela ONU.
29.06.09
O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto no domingo pelo Exército, a pedido do Judiciário. Em linhas gerais, foi um golpe de Estado, pronta e adequadamente condenado pela comunidade internacional, inclusive pelos EUA, cuja história de influência sobre Honduras não é nada edificante.
Dito isso, é preciso, no entanto, olhar o caso de perto e perceber que a coisa não é assim tão simples. Seguindo o modelito chavista, Zelaya estava a caminho de dar ele mesmo um golpe de Estado, ao mudar a Constituição para se permitir a reeleição indefinida. O instrumento para isso seria o referendo popular, velho instrumento chavista para dar verniz democrático a rupturas institucionais. Foi flagrado no meio do caminho pela Suprema Corte e pelo próprio Parlamento hondurenho, que se recusaram a realizar a consulta popular. Diante da insistência de Zelaya, a destituição foi a culminação óbvia desse processo.
Golpes de Estado deveriam fazer parte de um passado distante na América Latina, e causa espécie que ainda ocorram. A ruptura hondurenha deve ser objeto da mais veemente crítica e repúdio. Mas não podemos perder de vista que não há inocentes nessa história.
27.06.09
Mohammad Hassan Ghadiri, embaixador do Irã no México, acusou a CIA de estar por trás do assassinato de Neda Agha-Soltan, a mártir da oposição iraniana.
Além de ser, como bem lembrou Pedro Dória, mais uma indecência do governo iraniano nessa crise, a declaração de Ghadiri alimenta o mito ridículo da infalibilidade da CIA, tão apreciado por regimes de vocação totalitária.
Se a agência de inteligência dos EUA tivesse todo o poder que os antiamericanos atribuem a ela, não teria ocorrido o papelão da Guerra do Iraque, e as Torres Gêmeas provavelmente ainda estariam de pé.
25.06.09
Michael Jackson, que acaba de morrer, era um sujeito em crise com seu tempo - confuso e amoral - e talvez por isso tenha sido um de seus grandes representantes.
Abaixo, alguns dos itens de sua coleção pessoal, que quase foram a leilão recentemente. Nada mais eloqüente sobre sua personalidade.





“Há vezes em que um aborto é necessário. Eu sei disso. Quando você tem um negro e uma branca. Ou um estupro.”
RICHARD NIXON, em frase lapidar, gravada em 1973, quando ainda era presidente americano. O registro foi recentemente publicado nos EUA.

Extrato dos mapas da repressão no Irã: itinerário do terror
Uma usuária do Google Maps, que se apresenta como Xárene Eskandar, está colocando no ar, diariamente, mapas com a localização dos protestos em Teerã e informações atualizadas sobre mortes, espancamentos e outros desdobramentos da crise.
Apesar de virtual, toda a tensão está ali.
24.06.09
Desde que começou, o governo Obama tem se empenhado em ampliar a ação do Estado na vida dos cidadãos americanos, e não somente no aspecto mais vistoso, o econômico. Para desespero dos conservadores, que vêem nisso uma intromissão indevida nas liberdades individuais e no desenvolvimento da responsabilidade pessoal, Obama tem estimulado os americanos a se “comportar melhor”.
Como mostra o Wall Street Journal, a ambição do governo vai desde os grandes impasses ambientais até as pequenas questões cotidianas, como cuidar da saúde. Por meio de ações de “esclarecimento”, os americanos têm recebido informações sobre como seu comportamento pode influenciar, positiva ou negativamente, o bem comum.
O Journal lembra que a idéia não é nova nos EUA. Reagan, por exemplo, fez campanha pessoal contra as drogas. Já no Brasil, a tentação do Estado de orientar coletivamente a sociedade para moldar seu comportamento em nome do “bem comum” teve um exemplo significativo na ditadura militar.
A Aerp (Assessoria Especial de Relações Públicas), órgão responsável pela formulação da imagem do “novo país” que a ditadura estava pretendendo criar, bolou campanhas cujo objetivo era educar os brasileiros para um ambiente “harmonioso” e “saudável” – portanto, impermeável às influências desagregadoras da subversão da ordem.
Uma das campanhas mais duradouras foi a do personagem Sujismundo, que pode ser vista abaixo. A mensagem vinculava a “limpeza” – sanitária e moral – ao “desenvolvimento”, que significava a construção de uma identidade coesa para o “Brasil Grande”.
Para quem se interessar pelo assunto, o melhor livro sobre o tema é “Reinventando o Otimismo – Ditadura, Propaganda e Imaginação Social no Brasil”, do brilhante historiador Carlos Fico.
23.06.09
O moderado Mir Hossein Mousavi é a face política do levante iraniano. Mas há quem veja nele um embuste. Said, poeta alemão-iraniano, expressou seu ceticismo em entrevista ao jornal Die Welt:
Die Welt – Mousavi era descrito como pró-Ocidente durante a campanha.
Said – A mídia ocidental vendeu Mousavi como reformista, e isso é inaceitável. O sujeito foi primeiro-ministro nos anos 80, os piores anos. Ele sabia das prisões, dos assassinatos e das execuções. A pergunta é: por quanto tempo pode-se enganar todo um povo?
Os funcionários públicos da cidade de Brooksville, na Flórida, receberam um novo conjunto de regras de conduta. Para resumir, agora eles são obrigados a usar desodorante e roupas de baixo.
O único voto contrário à decisão foi do prefeito, Joe Bernardini. Para ele, ser obrigado a usar cueca “tira a liberdade de escolha”.
22.06.09
Dezessete mortos depois, e contando, será que nosso presidente ainda acha que a crise pós-eleitoral no Irã é “coisa de vascaínos e flamenguistas”?
A menina Colby Curtin, de dez anos, doente terminal de câncer, queria desesperadamente assistir “Up”, novo desenho da Pixar que, por enquanto, está apenas nos cinemas. Ela havia visto um trailer do filme, quando ainda não havia adoecido, e ficara impressionada – a produção é sobre um velhinho viúvo que resolve atar balões à sua casa para viver uma aventura nos céus. Ver “Up” tornou-se o último desejo de Colby.
Ao saber da história, a Pixar despachou um funcionário para a casa de Colby, em Huntington Beach, Califórnia, com um DVD do filme, feito para que a menina assistisse.
Colby não pôde ver o desenho, porque a dor impediu que ela abrisse os olhos. O filme foi narrado pela mãe. Sete horas depois, Colby morreu.
Abaixo, o trailer de “Up”.
20.06.09
Está havendo uma curiosa inversão de papéis entre EUA e Europa no que diz respeito ao Irã. Desta vez, não é de Washington que partem a pressão e as críticas contra o regime dos aiatolás por conta da suposta fraude eleitoral e da violenta repressão à oposição. Pelo contrário: toda vez que abre a boca para comentar a crise, Obama parece pisar em ovos.
Já os líderes europeus, que costumam trabalhar com uma margem de manobra diplomática maior que os americanos, estão pegando pesado. O francês Sarkozy classificou a eleição iraniana de “fraude”. A alemã Merkel manifestou preocupação com a “onda de prisões” e os “sinais de irregularidades”.
Conforme notou o Wall Street Journal, os diplomatas europeus estão amando seu novo script.
19.06.09
Modelo-graveto desfila na São Paulo Fashion Week
Alexandra Shulman, a poderosa editora da Vogue britânica, deu um puxão de orelha nos mais importantes estilistas da Europa e dos EUA. Em carta, obtida pelo Times, ela os acusa de forçar as revistas de moda a escolher cada vez mais modelos com “ossos salientes e sem seios ou quadris”, dando-lhes roupas “minúsculas” para as sessões de fotos. Segundo ela, a revista costuma retocar as imagens para dar um pouquinho mais de massa para as moças.
Em tempos de modelos “tamanho zero” e anorexia adolescente, é uma iniciativa e tanto. Para a modelo Erin O’Connor, o fato de uma pessoa tão forte no mundo da moda como Shulman tocar no assunto faz com que o debate se torne “compulsório”.
Foto: Mauricio Lima/France Presse
18.06.09
Os norte-coreanos comemoram a classificação: geopolítica do futebol
E a Coréia do Norte está de volta a uma Copa do Mundo. O país mais fechado do planeta jogará na África do Sul, 44 anos depois de sua última participação em Mundiais e em meio a enorme pressão da comunidade internacional por causa de sua agressividade nuclear. Será curioso ver um eventual confronto com a Coréia do Sul e o Japão, também já classificados, ou com os EUA, que ainda disputam uma vaga.
Será interessante saber também como está o futebol norte-coreano, que surpreendeu o mundo na Copa de 1966 ao chegar às oitavas-de-final. Na Inglaterra, a Coréia do Norte eliminou a Itália, ganhando por 1 a 0, naquela que é considerada até hoje a maior zebra da história das Copas.
Abaixo, o trecho de um documentário inglês, de 2002, sobre aquela seleção.
Foto: Associated Press
Joel Santana, técnico da África do Sul, mostra que a língua não é uma barreira:
Dica do Bascchera!
Samuel Wainer, Paulo Francis, Carlos Castelo Branco, Hélio Fernandes, Barbosa Lima Sobrinho, Boris Casoy, Herbert Moses, Fernando Pedreira, Claudio Abramo, Carlos Lacerda.
Dessa turma aí de cima, nenhum passou por faculdade de jornalismo. Pelo jeito, para eles e muitos outros o diploma não fez e não faz falta. Assim, a decisão do STF que derrubou a obrigatoriedade do diploma é correta.
Eu estudei jornalismo – sou formado na Cásper Líbero. Foi uma época divertida, principalmente pelos porres com os amigos no bar de uma chinesa na alameda Campinas, ao lado do Maksoud. Aulas mesmo, só valeram a pena as de Direito Jornalístico, com o grande professor Clóvis de Barros Filho, e as de Ética, com o mestre Carlos Alberto Di Franco, além das provocações sempre pertinentes de Marco Antonio Gomes de Araújo, um professor tão bom que virou meu amigo e se tornou meu padrinho de casamento.
Do resto, me lembro vagamente que tive aulas de Economia, em que o professor achou importante explicar que “salário” vinha de “sal”; ou então aulas de Taquigrafia, que até hoje não sei se tive mesmo ou se foram fruto de um delírio meu, por causa dos porres.
Reminiscências à parte, posso assegurar que o pouco que sei de Jornalismo aprendi em duas décadas de redação, acompanhando o trabalho dos mestres e errando um bocado. E só fui ter algum estofo acadêmico ao me formar em História, quando já era jornalista profissional. Um semestre na História tem uma bibliografia básica mais extensa do que quatro anos de Jornalismo, de longe.
Ademais, o curso de Jornalismo não é garantia de formação de bons jornalistas, como querem os corporativistas. A maioria dos profissionais envolvidos na infame cobertura do caso da Escola Base certamente possuía diploma de Jornalismo, e deu no que deu.
Mas a melhor notícia nessa história toda é que, afinal, caiu mais uma excrescência jurídica do regime militar. Quem preza as liberdades individuais e o Estado de Direito está comemorando.
Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo
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