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15.05.08

Link permanente Réquiem para um sonho...A Valsa de Bashir
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 16:39:37.

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Marcha da Vida. Seqüência 4. Cena 1

Cannes - "Sou contra todas as guerras. Nenhuma delas foi ou jamais será justificável. Todas são inúteis."

A máxima não veio de nenhum ativista pela paz ou de um civil revoltado com o clima constante de estado de 'quase' guerra em que vivem tantos no Oriente Médio. Veio de um ex-soldado de Israel, que lutou contra o Líbano em 1982 e viu de perto o que de fato foi (e o papel de Israel, ainda que tenha sido se omitir) o massacre de palestinos em Sabra e Shatila, durante o conflito, no Líbano. "Nao fiz o filme pensando em lanca-lo justamente no ano dos 60 Anos de Israel. Simplesmente aconteceu. Trabalho neste projetos ha muitos anos. Desde quando minha propria memoria come'cou a me intrigar sobre o que de fato eu tinha visto nesta guerra, neste massacre. Decidi voltar a minhas memorias. E, para isso, decidi filmar um documentario animado", declarou o diretor quando questionado se seu filme 'e mais uma das `boas desculpas' para que possamos refletir sobre o significado da cria'cao do Estado de Israel.

Em vez de transformar sua experiência em mágoa, revolta, em um livro, o diretor Ari Folman preferiu transformar em um filme. Melhor, em um documentário. Melhor ainda, em um documentário animado. E o resultado é Waltz With Bashir (Valsa com Bashir), o único filme em animação que concorre à Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano.

Assim como foi o Persépolis da iraniana Marjane Satrapi (que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França neste ano), o filme de Folman é pura adrenalina em película.

Em vez de fazer discurso, criar teses e/ou tomar conclusões presunçosas, Folman narra sua experiência de uma forma muito pessoal. Apaixonado e apaixonante. Tracos artesanais, criados pelos animadores depois que estes assistiram 'as imagens filmadas pelo diretor, dao o tom aos sentidos, sentimentos e impressoes de garotos diante de uma guerra real e nao somente ideologica ou politica.

Na conversa com jornalistas, meu ego de repórter que acaba de desembarcar de Tel Aviv direto para a cidade litorânea francesa, não resistiu e perguntou: "Senhor Folman, você pensou no público jovem do seu país quando decidiu criar este documentário em forma de animação? Porque esta linguagem é tao jovem e, ao mesmo tempo, tão real? Estive até ontem em Israel, percorrendo o seu país, aprendendo, tentando entender quem são e o que pensam os jovens israelenses. Os mesmos que querem a paz com os palestinos são os mesmo que carregam muitas vezes suas metralhadoras e fuzis até mesmo quando vão a um restaurante. Como criar com 'apenas' um filme um debate, como falar aos corações que defendem a guerra?"

Folman olhou com surpresa e respondeu, tão passional quanto seu filme, quanto a pergunta que lhe fora feita: "Entendo sua surpresa com o que viu em Israel. Em geral as pessoas pensam que lá ou é só guerra ou é um paraíso. Ou é um pais que não deixa o debate livre. Você viu. Israel é um país onde todos podem se expressar. E eu estou tentando fazer isso. Se, com meu filme, e com minha experiência de alguém que já foi jovem, e despreparado, para uma guerra, mesmo depois de anos de treinamento, eu conseguir debater e dialogar com um jovem israelense que o seja, já vou me dar por satisfeito."

Pois bem, Mr. Folman, a julgar pelo vazio no estômago que tomou conta de quem assistiu ao filme hoje de manhã (seja quem andou pelas Colinas de Golan há alguns dias, seja quem jamais passou perto de uma trincheira), pode considerar seu dever cumprido.

No mar de monólogos surdos em que nos encontramos atualmente, em que (quase) todos querem somente usar o espaço que existe para pregar suas crenças pré-estabelecidas e não para tentar ouvir antes de falar, pensar antes de julgar, sentir antes de concluir, o réquiem para um sonho de paz de Folman é sinfonia para os olhos.

Que Cannes lhe traga ainda muitas palmas. E uma Palma merecida.

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13.05.08

Link permanente A insustentável leveza da bolha de sabão
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 21:40:21.

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Marcha da Vida. Seqüência 3. Cena 3
Tel Aviv - “Israel é uma bolha de sabão. Um microcosmo delicado. Este estado foi construído do nada, do pó. E ao pó pode voltar a qualquer momento”, disse Husseim, o taxista palestino enquanto me levava de Jerusalém para Tel Aviv.
E quando haverá paz nesta bolha de sabão? “Nunca”, disse ele. “E sabe por que? Porque a guerra está no sangue do povo judeu. Eles não querem dividir Jerusalém. Querem tudo. E há palestinos isolados em Gaza que não podem nada. Nem iluminar suas casas. Não podem viver em paz.”
Você tem amigos judeus? “Sim. Eu até trabalho com judeus. Como eu, há tantos. Você vê palestinos servindo as mesas, dirigindo carros, comerciantes. Estão por toda parte. São cidadãos israelenses”, respondeu meu condutor, que fala ‘shalom’, mas abre um sorriso imenso quando escuta um grato ‘shukrán’. “Afuã”, responde ele, dispensando o ‘bevákashá’ hebraico para dizer ‘não tem de quê”.

“Está no sangue...”

Hussein me deixou no meu destino. Encontraria novos, e únicos em sua generosidade, amigos judeus. Próxima parada: As Colinas de Golan.
No caminho, a pergunta novamente: Quando haverá paz por aqui? A mesma resposta: “Nunca. Está no sangue palestino estar sempre em guerra. Eles não querem negociar a paz. As autoridades de Israel já tentaram de tudo.”
‘Corta para’ Taxista Palestino: “E sabe por que os palestinos não conseguem negociar a tal paz? Porque as pessoas são boas, mas os governos não são. Os governantes árabes não querem ajudar a Palestina. Querem mantê-la isolada porque têm medo que os extremos de cada país se unam.”
‘Volta para’ cena do carro em direção a Golan. A próxima pergunta: “Vocês têm amigos árabes?” “Até que sim, mas é difícil ter. As culturas são muito diferentes.” Mas como tão diferentes? Como um palestino diz muito bem ‘shalom’? Onde está este sangue de guerra em cidadãos árabes que chegam até mesmo a servir o exército israelense? “Boa pergunta. Cedeu lugar à vida. Aqui (e não na Palestina, não em Gaza, não no West Bank) eles têm uma vida boa. Têm os mesmos direitos dos cidadãos judeus. E não são obrigados a servir o exército. Com uma vida assim garantida, quem, por puro patriotismo, quer se mudar para Gaza?”


Quem quer ficar sem luz?

Boa pergunta. Quem? “Ninguém quer ajudar os Palestinos extremistas. Nem os vizinhos árabes.” Quem quer ficar sem luz? “Isso da luz (há alguns dias, dezenas de fotos clicadas por grandes agências de notícia revelaram as manifestações nas ruas da Palestina contra o corte do fornecimento de luz em Gaza) é mentira. Recebemos um e-mail que mostra que havia luz. As fotos tiradas de outros ângulos mostram que foi tudo maquiado. Isso não é certo. Lutar pelos direitos é legítimo. Manipular fatos assim é crime”, bradou meu anjo-da-guarda ‘israeli’, provando por ‘a+b’ que Israel vai muito além de fronteiras disputadas a tiros, de garotos desfilando com suas ‘personal weapons’, do sabor estranho que fica na boca toda vez que, na porta de um restaurante turístico, tem de se abrir a bolsa para provar que só se carrega mesmo câmeras fotográficas e souvenirs.

“Seu presente pode ser uma bomba”

Os caminhos de Israel vão muito mais além que suas muralhas reais e fictícias. Mas como não se arrepiar ao ouvir, após uma hora de revista e interrogatório da polícia do aeroporto israelense: “O que você está fazendo sozinha aqui? Por que o interesse por Israel? Está levando algo daqui para o Brasil? Alguém te deu algo?” A vontade é responder: “Além de abrir as portas de casa (e do país) e um imenso sorriso, nenhum israelense me deu nada para levar. Nada além de um grande aprendizado.” Mas limito a responder: “Não. Por que? Há algum problema?”
E me limito a calar ao ouvir: “Todos! Podem ter te dado um presente. E este presente, no fundo, pode ser uma bomba.”
Que mundo é este? Presentes de grego... Um dia antes, enquanto percorríamos os túneis que se abrem em um labirinto histórico nos subterrâneos da Velha Jerusalém, mais uma pergunta: Quem vai, ao fim, iluminar a Palestina, a questão Israel?

A insustentável leveza da bolha de sabão

Fazendo as contas em dólares, shelins, euros, reais, a dúvida: Quanto custa manter intacta a redoma da bolha de sabão? Quanto têm de se equilibrar os soldados das fronteiras para manter, em delicada suspensão, a bolha? Quanto se perde ao romper esta bolha? Quanto se ganha em conservá-la? Quanto fôlego se emprega a cada sopro de ajuda internacional para manter a bolha longe do chão minado de questões pontiagudas?
A superfície da bolha desta aldeia global israelense é sensível a bombas e ventos fortes. E quantos, de fato, conseguem romper a bolha sinestésica do turismo ‘fast food’ e podem se dar ao privilégio de descobrir o que de fato comem, sentem, sonham, esperam e por quê lutam os israelis de todo o mundo? Quanto de santa ainda tem esta terra prometida?
Quantos vêem em um comerciante palestino de Jerusalém a ‘outra face’ árabe? Quantos vêem nos rótulos dos vinhos das Colinas de Golan o esforço de um povo para ter reconhecido seu ‘terroir’? “Este é um país pobre de gente rica”, diz a tia israelense para o sobrinho. “Não. Este é um país rico de gente pobre. Veja o preço da gasolina como está alto. Mais de 6 shekels! Mais de dois dólares!”, rebate o tio.

“Você não pensava que Israel fosse assim, né?”

“Você não pensava que Israel fosse assim, né? Então, escreve a verdade. Israel não é só guerra, conflitos, atentados. Escreve que temos lindas paisagens, ótimos vinhos, ótima indústria”, pede o amigo. Pois bem, ótima gente, ótima comida, os clássicos mel e leite mais saborosos que já provei. Os morangos e as cerejas mais vermelhos que já vi... Ótimas estradas, com placas em árabe, inglês e hebraico. Sinalizam os caminhos pavimentados com 60 anos de trabalho, obstinação, doações, contradições e nuances tão variadas quanto as cores do pôr-do-sol da litorânea cidade de Akko. E um futuro infinito a ser pavimentado. Tantos povos vivendo em paralelo. Mas, não esquecer: as paralelas se encontram no infinito.
E seja feita Sua vontade. Seja a de Alá, Deus ou Ashem. Mundo, vasto mundo.... Para a “questão Israel-PalestinaI’, isso seria uma rima. E não uma solução. Mundo, vasto mundo. Mais global é meu coração.
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Link permanente Entre cerejas e tanques...
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 08:15:53.

Marcha da vida. Seqüência 3. Cena 2

Colinas de Golan - Antiga base militar nas Colinas de Golan, próxima à Tríplice Fronteira (Síria, Jordânia e Israel) que hoje é ponto turístico. Além de descobrir como viviam os soldados durante as guerras com a Síria, a Jordânia pelas fronteiras estratégicas do território (que já foram palco da Guerra dos Seis Dias, nos anos 60; e da Guerra do Yom Kippur, nos anos 70), o turista pode comprar um boné do "Israeli Army" e tomar um chá de nana (hortelã) com vista para os tanques de guerra e as plantações de cereja da vizinha Síria.
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11.05.08

Link permanente Don't worry... Be Jewish!
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 20:07:47.

Tshirts

Marcha da Vida. Seqüência 3. Cena 1

Jerusalém - A Marcha da Vida cumpriu seu caminho. As turmas, uma vez chegado ao destino, tomaram rotas diversas... Alguns voltaram para casa. Alguns percorrem outros caminhos históricos de Israel. Outros, como eu, 'dão uma passadinha' pela Tríplice Fronteira (Síria, Jordânia e Israel), que hoje se encontra em relativa tranqüilidade e pelas Colinas de Golan (que rende boas uvas e bons vinhos)... Ou passeia pelas vielas do Suq (o mercado árabe da Velha Jerusalém) e encontram baratinho, baratinho, mimos e souvenirs como o da foto acima. Pela pechincha de 40 Shekels (cerca 15 dólares) você pode adquirir este belo souvenir e desfilar feliz com sua t-shirt "Don't Worry, Bush. Be Jewish!"
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09.05.08

Link permanente A senhorita das armas
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 18:35:27.

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Marcha da Vida. Seqüência 2. Cena 3
Jerusalém - Hannah tem 19 anos. Adora videogames, cartoons (principalmente as Garotas Superpoderosas), dançar e seu trabalho: Segurança particular.
Esta é a 'arma a tiracolo' que Hannah usava para manter a ordem durante as comemorações dos 20 anos da Marcha da Vida e dos 60 Anos de Israel ontem. O que será que Sidonia teria achado do 'toque pessoal' que Hannah deu à sua 'personal weapon"?

 


08.05.08

Link permanente Feliz Aniversário...
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 21:06:29.

Feliz
Marcha da Vida. Seqüência 2. Cena 2
Jerusalém - Yeli completou 60 anos hoje. Para comemorar, montou um pique-nique com sua família em plena praça aos pés do muro da velha Jerusalém. Para sua festa, poucos, e bons, amigos e sua família foram convidados. Mas mais de 10 mil pessoas acabaram passando pela mesa montada no jardim de Yeli. Enquanto percorriam os últimos quilômetros da Marcha da Vida 2008, os jovens judeus de todo o mundo saudavam Yeli com o tradicional ‘shalom”! E cantavam o hino de Jerusalém... E pulavam ao som de canções folclóricas e gritos de ordem. E celebravam.

“Vencemos o Holocausto”

Enquanto não cortava seu bolo (vide foto), Yeli servia aos velhos, e novos, amigos os mais tradicionais pratos da cozinha judaica, as frutas secas da região e a cerveja local. Tudo kosher, é claro. “Mas porque você escolheu fazer a festa justo hoje, quando esta multidão ia passar por aqui”, perguntei, enquanto saboreava a rara hospitalidade da família, e um dos morangos mais saborosos que já provei. “Eu não escolhi. Eu nasci hoje. Nasci no dia da Independência de Israel. A Marcha é que passou por aqui no nosso dia”, brincou o jovem senhor. “Então, por que você não se junta à Marcha e comemora no epicentro de Jerusalém? No Muro das Lamentações?”

Show must go on...
A resposta não caiu tão bem quanto a tâmara que me fôra servida por Hannah, a mulher de Yeli, mãe de três belos filhos e avô de outros cinco meninos e meninas. “Todos nasceram aqui. É nosso maior orgulho”, dizia Hannah enquanto enchia minha mão de tâmaras cinematográficas.
“Porque, apesar de termos vencido o Holocausto, a Marcha não faz parte do meu caminho. O que nasceu como uma peregrinação hoje, a meu ver, é muito mais showbusiness. E eu não transformo minha fé em negócio”, disse Yeli, fazendo mais uma vez soar o alarme da contradição tão alto quanto soam os alto-falantes dos moezins que chamam os muçulmanos de Jerusalém para rezar cinco vezes por dia. A resposta ecoou pelos cantos da Terra Santa. Mas o barulho e os gritos de guerra (ou melhor, de paz) dos jovens que percorriam, felizes, crédulos e autênticos, a Marcha, não deixou que eles ouvissem a resposta de Yeli.

“Como assim vocês venceram o Holocausto?”, perguntei. Pergunta óbvia. Resposta clara: “Oras, veja tudo isso e me diga se não virou uma bela indústria do entretenimento. Você sabe quando lucram os organizadores da Marcha? Milhões. Não concordo. Fé é coisa séria. Acho maravilhoso que estes garotos estejam tomando consciência de sua história e suas origens, mas não vou eu sacolejar e dar pulos diante de palavras de ordem ou shows de música pop. Prefiro cortar meu bolo com minha família.”

Yeli é da safra de seres como Sidonia (a jovem senhora polonesa-americana). Destinados a explicar para confundir. Confundir para explicar. Enquanto digeria a contradição imposta por este engenheiro (filho de uma família que imigrou para Israel logo após o término da Segunda Guerra, fugida de campos de concentração. Desta vez, na Alemanha, de onde não conseguiam sair - e onde continuaram ‘morando’ mesmo dois anos após o fim da guerra - porque ninguém os queria em parte alguma), a Marcha, e o dia, seguia.

“Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa”

Todos os caminhos dos cerca de 10 mil participantes da peregrinação, que na última semana percorreram os caminhos da guerra na Polônia e, nesta semana, percorreram os caminhos da paz (e da guerra também) pela Terra Santa, conduziram ao Muro das Lamentações. “Fiz o meu pedido de paz. Sempre me perguntam o que eu, como judeu e brasileiro, que segue a linha ortodoxa e anda de quipá na rua em plena São Paulo, acho dos conflitos de Israel com a Palestina, das condições dos árabes na Faixa de Gaza, das condições de vida na Cisjordânia... Eu acho que não há como comparar uma situação real de conflito, em que os dois países, exércitos, ou nações, têm condições de lutar. Uma coisa é uma guerra, uma batalha. Outra coisa é um genocídio. O Holocausto durante a Segunda Guerra foi um genocídio. Hoje, a situação é outra. E eu, antes de qualquer outra coisa, sou judeu. E como judeu, também não deixo de ser brasileiro. Meu papel na volta ao Brasil é o de defender e combater a ignorância que há aqui e no mundo. E pretendo fazer isso com garra”, disse, do alto de seus 16 anos, Maurício, jovem paulista que terminou a sua primeira Marcha hoje.

Verde, amarelo, azul e branco

Maurício não provou o bolo de Yeli. Yeli não vestiu a camisa de Maurício. Yeli e Maurício são diferentes em suas igualdades. Denominador comum: o quipá. Yeli também segue a linha ortodoxa, usa quipá e defende um estado legítimo que assegure abrigo aos judeus em todas suas angústias. A bandeira de Yeli é azul e branca, que ele não carrega nas costas, mas com as quais enfeita seu bolo de aniversário. Já na bandeira de Maurício, uma das mais cobiçadas no ‘mercado de pulgas do troca-troca de prendas entre os países’, vai uma pitada de verde-e-amarelo. “Para quebrar a mesmice e botar um pouco de feijão no caldo.”
yeli

gm

 


07.05.08

Link permanente Israel, 60. E ainda sexy....
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 21:47:10.

Tel Aviv - "Israel, 60. E ainda sexy....", dizia uma camiseta de um cidadão israelense que festejava na noite de hoje os 60 anos da criação do Estado de Israel. Análises políticas e históricas deixadas a cargo de quem é de fato especilista neste assunto fascinante e controverso, a camiseta (foto será postada aqui em breve, assim que o dono da camiseta 'autorizar' a publicação) do garoto que nasceu em Tel Aviv e entra para o treinamento militar israelense assim que terminar os estudos, fala em poucas palavras o espírito da festa. "É o nosso carnaval. É o dia em que nós, israelenses, comemoramos com alegria, e não só com obrigação, a existência de um lar", disse Gael, o dono da 'grife'.
Gael e mais cerca de 25 mil pessoas lotaram hoje a Praça Rabin no centro de Tel Aviv para comemorar, assistir a shows de astros-pop do país e a uma queima de fogos digna de reveillon carioca. 60

 

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Link permanente "O mundo não é o Brasil"
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 21:23:21.

Marcha da Vida. Seqüência 2. Cena 1
Jerusalém - “Não faça esta cara tão desapontada. Tente fingir um pouco. Você está assim porque ficou triste com o que aconteceu aos brasileiros em Varsóvia? Não deveria estar. Eles aprenderam muito com isso.”
A pergunta de Sidonia Lax (vide post abaixo), a sobrevivente de Auschwitz que hoje vive em Los Angeles e que percorre a Marcha da Vida com o grupo de jovens americanos caiu como uma luva, e um peso, sobre esta que aqui vos escreve. A cara de desapontada se referia à visão de uma garota de 16 anos empunhar uma metralhadora para um amigo da turma. A turma de Los Angeles hoje passou o dia conversando com jovens voluntários que integram o exército de defesa de Israel, ouvindo sermões sobre a importância da fundação do Estado de Israel (que completa 60 anos nesta semana) e comentando o quanto ficaram surpresos com o ‘quase’ atentado aos novos amigos brasileiros na manhã de segunda. Os jovens americanos estavam no mesmo hotel, o Holiday Inn, mas haviam saído, em direção ao aeroporto, cerca de 20 minutos antes do ‘quase’ terrorista entrar no hotel.
A propósito, relembrando, o que aconteceu aos brasileiros foi este ‘quase’ atentado do filho do embaixador do Kwait aos garotos cariocas que percorrem a Marcha e estavam hospedados no Holiday Inn.
A resposta soou como provocação à senhora que nasceu na Polônia, declarou-se ‘sem pátria’ no fim da Segunda Guerra e adotou os Estados Unidos como lar quando para lá emigrou aos 17 anos, em 1948. “Não é pelos garotos brasileiros que me desaponto. É pela falta de preparo para achar natural ver uma adolescente carregar nos ombros uma metralhadora como se fosse uma bolsa de grife.”

A tiracolo, uma bolsa de grife e uma metralhadora...

Sidonia não se deu por vencida e rebateu, exagerando um tanto: “Só aqui você vê estas garotas do exército. Elas são exemplo para nossos jovens. Elas lutam contra perigos reais, como o árabe que invadiu o hotel de vocês e quase provocou uma tragédia.”
Diante da resposta, não houve como não rebater: “Não é natural para um brasileiro lidar com este assunto, ainda que tenha sido um incidente e não atentado nenhum. Brasileiros temem a violência urbana. Terrorismo e conflitos como este entre Israel e Palestina, que provocam tanta controvérsia, é assunto de página de jornal e não do cotidiano.”
Sidonia, a ‘jovem’ mais espevitada da turma de L. A, não recuou: “Vocês não fazem guerra porque não têm inimigos. Os EUA lutam por todos. Lutam contra terroristas reais. E o mundo não é o Brasil. Aqui a realidade é mais complexa. Vocês precisam aprender isso.”
É, o mundo não é o Brasil. Enquanto digeria a aula de Sidonia, parei para comprar uma bureka (espécie de folhado de origem húngara, mas muito popular na cozinha do Oriente Médio). Boa e barata, a bureka seria o menu ideal para um almoço no dia em que todos os restaurantes fecharam pontualmente às 11horas (hora exata de todos pararem tudo que estão fazendo e, por um minuto, lembrarem-se dos soldados israelense mortos em conflitos).

Shalom... shukrán

O dono do boteco da bureka era muçulmano (informação deduzida pelo número de inscrições sagradas do Islã penduradas na parede) e me recebeu com um “shalom”. Um provável árabe que mora em Jerusalém e fala hebraico. Para quem acompanha com afinco o noticiário e a história da região, nada mais natural. Para quem descobre que ‘vamos lá’ em árabe e em hebraico é a mesma palavra (grosseiramente, a palavra é ‘yala’), um misto de surpresa e estranhamento. Na hora de pagar a conta, outra surpresa: Fica de presente. Não é todo dia que entram aqui e nos dizem ‘shukrán’ em vez de ‘toda haba’.
As duas palavras significam em, árabe e hebraico, a mesma sensação: gratidão.

Yala...
As duas fronteiras entre dois mundos quebradas em um ‘yala’, uma bureka de presente, um árabe que nos recebe com um ‘shalom’.
Sidonia não estava lá para presenciar. Sidonia não conhece a violência urbana no Brasil. Sidonia é sobrevivente de Auschwitz, cidadã americana e mesmo assim diz que a ‘guerra é necessária’. Sidonia se diz cidadã do mundo. Mas, como ela bem o disse, ‘o mundo não é o Brasil”.
Mundo, vasto mundo. A bureka caiu muito bem. Como uma rima. E não como uma solução. O suficiente para aplacar por ora as contradições e preparar o estômago, e o espírito, para a festa de 60 anos de Israel, que parou a capital Tel Aviv hoje e há pouco reuniu milhares de pessoas na Praça Rabin para uma celebração com cara de show de rock e noite de Ano Novo em Copacabana.
A Marcha chega ao fim amanhã, com o encontro de todos que a percorrem este ano em frente ao Muro das Lamentações. Seja qual for o mundo de cada um dos participantes, não vai haver frestas suficientes para os bilhetinhos pedindo o que mais se ouve desejar por estas bandas: “Paz.”

 


Link permanente O Senhores das Armas - Parte 2
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 20:42:53.

Seguranças fazem a escolta da turma de jovens paulistas que chegaram ontem à Jerusalem, para completar em Israel, a última fase da Marcha da Vida 2008 Metralhadora

 

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Link permanente Os senhores das armas
por Flávia Guerra, Seção: notícias s 20:25:15.

Jovens de Los Angeles conversam com jovens voluntários no exército Israelense em Tel AvivGarotas

 

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Flávia Guerra é repórter do Estadão e dá dicas de cultura na Rádio Eldorado AM. Faz de reportagens no Capão Redondo a entrevistas em Hollywood, com direito a caminhadas pelos Campos de Concentração da Polônia. Apaixonada por História e histórias, desta vez faz a trilha da Marcha da Vida. A caminhada refaz a Marcha da Morte dos judeus durante a Segunda Guerra e a transforma em uma celebração da vida. A Marcha comemora neste ano seus 20 anos e termina seu percurso em Israel, que festeja neste mês seus 60 anos. Acompanhe aqui todos os passos desta jornada.





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