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30.11.09

por Gustavo Chacra, Seção: Geral 13:17:52.

Os países do mundo árabe podem ser divididos em três grupos. Primeiro, existem os do Magreb, que historicamente sempre foram próximos da Europa, inclusive geograficamente. A Argélia era uma Província da França. O Marrocos fica praticamente grudado na Espanha. O segundo grupo, descrito como Levante, congrega as antigas regiões otomanas tradicionais. Além disso, eram berços de civilizações antigas, como o Iraque, Líbano, Síria, Egito e os territórios palestinos.

O terceiro grupo sempre foi ignorado pelo resto do mundo ao longo de séculos, a não ser por Meca. As áreas onde hoje estão o Kuwait, Qatar, Bahrein, a maior parte da Arábia Saudita e os Emirados Árabes eram praticamente ignoradas pelos europeus até a descoberta do petróleo. De pescadores a tribos nômades, lugares como Dubai e Abu Dhabi se transformaram em algumas das cidades mais ricas do planeta.

O impacto que nós brasileiros tínhamos ao desembarcar nos Estados Unidos até os anos 1980, quando vivíamos em uma economia fechada, é quase o mesmo que um americano sente hoje ao visitar Dubai. Esta cidade praticamente inexistia na cabeça de qualquer brasileiros uma década atrás. Sua emergência foi inacreditável. Tratava-se de uma empresa com uma estratégia de marketing ultra bem sucedida que ocupou a capa da revista Caras e conseguiu se tornar tema de reportagens da Hebe ao Amaury Jr.

Mas Dubai não era como nenhum dos seus vizinhos e tampouco como os árabes do Levante. Os libaneses sempre tiveram uma tradição bancária conservadora. Inclusive, assim como Israel, superou a crise financeira internacional sem grandes problemas, apesar de ser um país em conflito. O mesmo não se pode falar de Dubai. Em primeiro lugar, esta cidade-Estado é administrada como uma empresa. Tem um dono, que contratou profissionais do mundo todo para conseguir se manter como os seus vizinhos, sem possuir a mesma quantidade de petróleo. Investiu em portos, turismo e um boom imobiliário. O problema é que deixou pouco de reserva. Ao contrário de seu irmão, Abu Dhabi, que preferiu se focar em seu mega fundo de investimentos e manteve o conservadorismo de suas finanças sem o deslumbramento de Dubai.

Agora, esta cidade depende de seus vizinhos para ser resgatada. O problema é que todos estavam cansados das gastanças de Dubai. E, ao mesmo tempo, se tornaram rivais. Manama quer Dubai. Doha quer ser Dubai. Todos querem atrair investimentos estrangeiros. O irônico de tudo isso é que, não fosse a Guerra Civil Libanesa, Beirute seria o que Dubai é hoje. Mas mais cosmopolita, autêntica e infinitamente mais bonita do que a dos Emirados.

Obs. Estou de volta a Nova York e amanhã começo a postar no Twitter. Mas me busquem como Guga Chacra. E desculpem pela foto do Maradona

Obs2. A Daniela enviou mais respostas para as perguntas de vocês na entrevista

 

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Comentários:

Comentário de: Bueno [Visitante]
30.11.09 @ 13:49
Gustavo,
Nao entendi seu comentario:
"O irônico de tudo isso é que, não fosse a Guerra Civil Libanesa, Beirute seria o que Dubai é hoje."
Comentário de: Hagá [Visitante]
30.11.09 @ 15:05
Nunca senti qualquer entusiasmo por Dubai. Tinha a impressão de muito deslumbramento, desperdício e boçalidade. Melhor seria que tivessem investido na Educação do povo daquela região e na recuperação ecológica dos desertos, se é que teriam capacidade e boa vontade para isso. Reduzir desigualdades sociais é o sinal de melhor desenvolvimento auto-sustentável.
Comentário de: Sica [Visitante]
30.11.09 @ 15:59
A maior prova de que os outros emirados estão se lixando para Dubai foi o pedido de ajuda feito a Abu Dhabi de 20 bilhões. Vão receber só 5 e a longuíssimo prazo. Ou seja, Abu Dhabi tem o dinheiro pra salvar Dubai, mas não quer dar.
Comentário de: le [Visitante]
30.11.09 @ 16:26
Gustavo, tenho um prima que vive em Dubai, ela e libanesa, ela falou que so esta la por causa de dinheiro, realmente e uma cidade totalmente artificial com clima ruim no meio do deserto, e um lugar sem futuro, e quando acabar o petrolho vai piorar ainda mais, lugares com agua e terra boa e onde investir , um bom exemplo e o Brasil,
abraço
Comentário de: José Antonio [Visitante]
30.11.09 @ 16:43
Beirute pode ser tão linda como vc. fala. Será que a influencia islamica é que a fez perder o bonde da história. A briga entre irmãos que não são tão irmãos assim, deixou Beirute a deriva. Conheço muitos libaneses em SP que dizem que a desgraça do Libano advém dos islamicos. Claro são todos cristãos. Eles os odeiam mais que Israel. Para eles Israel não tem nada a ver com a desgraça do Libano. Sei que não vai concordar, mas o dia que pudermos fala a sos concordará. A força islamica não permite falar isso em publico. O Libano lida entre o progresso cristão e o feudalismo islamico, ele não passaram pelo iluminismo, não conseguirão entender, só daqui a 500 anos.A Jordânia por ser um pais islâmico com dirigentes ocidentais é a mais progressista de todos. O rei, e a rainha se comportam de um modo ocidental. Lá as mulheres não precisam apanhar ou serem assassinadas por crimes comuns. Se o mundo arabe se espelhar na Jordania economizaremos centenas de anos no progresso do oriente. Todo esse progresso humano da Jordania devemos a educaçào de seus mandatários e a presença israelense na fronteira. D us proteja Abdullah II e Rania. Eles tem muito o que temer
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.11.09 @ 16:45
Bueno, você tem razão. Poderia ter deixado mais claro. Na época, antes da Guerra Civil, os árabes costumavam enviar dinheiro para os tradicionais bancos libaneses. O problema é que o conflito estourou justamente durante o boom do petróleo. Aos poucos, Dubai assumiu o posto de Beirute

Hagá, todos os países da região têm realizados investimentos pesados em educação, levando instituições como NYU e Georgetown

Sica, concordo

Le, no caso de Dubai, não há muito petróleo
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.11.09 @ 16:53
José Antonio, discordo do que você escreveu. Em primeiro lugar, os sunitas hoje estão com mais dinheiro do que os cristãos no Líbano (família Hariri está aí para provar). Em segundo lugar, os cristãos libaneses (e eu tenho esta origem, como você sabe) são extremamente divididos. Os seguidores do Michel Aoun odeiam os do Samir Gaegea e vice-versa. Dizer que os muçulmanos vivem em sistema feudal é um equívoco grave. Os sunitas, os cristãos ortodoxos, os armênios e os judeus sempre foram os povos das cidades libanesas. Os cristãos maronitas e os druzos que são povos que poderiam ser descritos, no passado, como feudais. E os libaneses sempre tiveram orgulho de o país ser multireligioso - o que incluia também os judeus. Hoje, todos se dão bem com cristãos. A disputa se dá entre sunitas e xiitas, com os cristãos presentes nos dois lados. Sobre Israel, os libaneses em geral não gostam. Diria que alguns libaneses odeiam mais a Síria do que Israel. Mas, no fundo, odeiam os dois (e o Irã também). Mas a Síria sempre será uma irmã para qualquer libanês. Enquanto Israel arrasava o Líbano, os sírios receberam dezenas de milhares de libaneses em suas casas. Para completar, a Síria respeita as mulheres tanto quanto ou mais do que na Jordânia
Comentário de: José Antonio [Visitante]
30.11.09 @ 17:00
Dubai, quis mudar o estereotipo arabe de subdesenvolvimento. Só que não tem petroleo suficiente. Aqueles que o tem não querem mudar nada. O povo não é o dono dessa fortuna, quando deveria ser. A idéia das familias descendentes de Muhamed ou de Ali fazem eles ficarem quietos quanto ao seu destino. Não é o Ali do Blog que é meu amigo, aqui arabes e judeus são amigos apesar de tudo.Engraçado um sirio de familia que tem parente morto pela guerra estupida entre arabes e judeus é mais cordial e menos antissemita, que acho que ele nem sabe o que é, do que quem nem é arabe muito menos conhece o OM e vivem querendo ter a sabedoria de roubos judeus e hegemonia da palestina. Obrigado Ali, apesar de nossas diferenças vc. sabe que um dia a nossa terra será compartilhada de um modo melhor. Enquanto isso vamos dando lucro a Ambev
Comentário de: Ali Chams [Visitante]
30.11.09 @ 17:01
Em outras reportagens dizem o mesmo, que a cidade é artificial. Sendo a maior parte da população estrangeira vinda do Oriente Médio ou de outras partes do mundo, uma fachada externa que segue as regras de um mercado aberto e livre dirigido pelo Estado. Mas o que o Gustavo fala é verdadeiro, Dubai não possui a história do Líbano, nem o charme do mesmo, nem a influência ocidental que com que o europeu ou o brasileiro não se sinta um alienígena cercado por um povo que não conhece.

Mas caro josé, sua colocação não faz muito sentido. Voce fala essas aberrações porque não conhece a história do Líbano direita e não conhece os muçulmanos nem um pouco. Para você tudo se resume a uma orda de tribos. Os muçulmanos não querem levar o Líbano de volta ao feudalismo, o Líbano antes mesmo da ascensão dos xiitas no país, já era um Feudo. Como o Walid Jumblat já disse certa vez, o Líbano não é um país, é um lugar onde vários tribos foram obrigadas a habitar e que agora brigam para conviver. E isso não é culpa dos mçulmanos. Os cristãos são assim, os drusos também, os sunitas e os xiitas também.

Abraços,

Ali.
Comentário de: José Antonio [Visitante]
30.11.09 @ 17:19
Gustavo, eu não falo dos cristãos que vivem lá e sim dos que estão aqui a muitos anos. A visão deles é bem diferente. Eles analizam o que aconteceu na década de 40 ou 50 quando sairam de lá. Eu não conheço estes paises e talvez caia na mesma idéia errônea dos que comentam no blog sobre Israel. Eu só conheço Israel. Ano que vem pretendo ir aos países arabes pra não cometer mais equivocos. O sr, Farhat já se ofereceu para ser meu monitor, se isso for possivel acho que terei uma visão diferente.
O Libano é um pais diferente que acho que eles mesmos não entendem. Os outros são mais fáceis de entender. São todos com maioria islâmica. Mais ainda acho que a Jordania é o pais que se aproxima mais de um progresso compartihado que os outros.
Comentário de: Jose Koy [Visitante]
30.11.09 @ 17:40
Gustavo,

Encaminhei uma resposta ao Fahart no "Qual a sua solução para o conflito entre israelenses e palestinos?" que foi postada.
Gostaria de saber se poderia coloca-la ou prefere que encaminhe aqui, pois achei que as informacoes dele necessitam de replica.
Grato,

Jose
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.11.09 @ 17:46
José Koy,

Pode deixar que vou publicar naquele post

Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
30.11.09 @ 18:01
Talvez alguns fatos ajudem a melhorar a visão que se tem de Dubai, especialmente essa história de que Dubai é uma excrescência.

Dubai teve petróleo e gás. Ambos estão acabando. Acredita-se que não existirá mais petróleo nesse emirado em particular em 2030. O histórico da cidade de uma economia baseada no petróleo não a credenciava para nenhum futuro. Foi quando se desenhou um novo modelo econômico: a de cidade baseada em serviços.

A questão imobiliária é só o lado mais vistoso de Dubai e seu cartão postal. Dubai é também um poderoso centro financeiro regional. A capitalização da bolsa de Dubai é só 5% da capitalização da Bovespa. Mas quando se considera que esta bolsa foi aberta há menos de 10 anos, a coisa muda de figura.

Outro aspecto relevante. 83% da população de 1,2 milhão de pessoas de Dubai é de expatriados que foram lá ganhar a vida. Quinze anos atrás a população total do emirado era metade disso. Não se absorve esse povo todo do dia pra noite. Mesmo assim, o nivel de escolaridade lá é alto. As escolas são públicas e são pra todo mundo. Dubai é uma zona franca educacional. Ou seja, qualquer um (estrangeiro ou não) pode abrir uma universidade sem pagar imposto e repatriando os eventuais lucros. Resultado, 24 novas universidades abriram as portas só nos últimos 3 anos. São 32 no total. E elas vem de países tão distintos quanto Irá, Russia, Inglaterra, França, Índia, Austrália, Paquistão, etc. Ou seja, tem educação de sobra, de alta qualidade e sem sectarismo religioso ou ideológico.

Dubai é uma zona livre de impostos para desenvolvimento tecnológico. Quem está lá desenvolvendo softwares? Microsof, Oracle, IBM, etc. O parque tecnológico está crescendo.

Dubai está rapidamente se tornando um centro de cultura mista no Oriente. Criaram um Distrito de Cinema, uma espécie de parque cinematográfico à lá Bollywood. Criaram também um Distrito para Pesquisas Tecnológicas em Saúde, que hospeda centros de pesquisas de laboratórios farmacêuticos internacionais.

Inventaram um tal de Dubai Desert Rock Festival. Quem é que foi lá tocar? ColdPlay, Elton John, Shakira, Phil Collins, Santana, Aerosmith, Mark Knopfler... turminha da pesada. Aproveitaram e engataram também um festival de esportes radicais. Esse tipo de evento atrai gente de toda a Ásia.

E por aí vai. Ou seja, Dubai não é uma brincadeira de empreiteiros malucos. É um projeto complexo de se implantar uma economia do século 21 justamente em oposição às economias centradas em petróleo, com seus poucos Sheiks bilionários e uma imensa população pobre.

Seu erro foi fazer o mesmo que o Brasil fez nos anos 70. Financiar todo o investimento com recursos de empréstimo. Aí quando o mundo se retrai e a economia mingua, falta capital para repagar os empréstimos. Pode-se criticar Dubai por isso mas é muito simplista reduzir seu projeto desenvolvimentista a um delírio de construção civil.
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
30.11.09 @ 18:22
Tem alguma construtora, ou grupo, inclusive financeiro, que liderou essa explosão imobiliária em Dubai?
Comentário de: Henrique [Visitante]
30.11.09 @ 18:48
Se os arabes usassem um pouco dessse dinheiro que sobra para ajudar seus irmãos palestinos, ainda continuariam sendo muito ricos e os palestinos menos miseráveis.

Ou será que eles ajudam, mas o dinheiro foi roubado pelos dirigentes do Hamas, pelo Yasser Arafat e outros?

E se o Irã ao inves de exportar foguetes expostasse material hospitalar, maquinas industriais, tratores, estufas, maquinas dessalinizadoras, será que também não ajudaria?

Coitado dos palestinos; quem tem esses amigos que eles têm, não precisa de inimigos.
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
30.11.09 @ 19:15
A impressão que se tem é de que o capital empregado ali foi meramente especulativo. Se Dubai tem petróleo até 2030 talvez não seja tão difícil refinanciar sua dívida, ainda mais que o preço desse produto só tende a aumentar quanto mais próxima a sua escassez. O problema maior é sua sustentabilidade/viabilidade no longo prazo. Hoje em dia se tende a acreditar que os serviços vão substituir o trabalho, a produção, e até agora isso não foi comprovado. Ou, o início de um modelo econômico, teria que, necessariamente, suplantar outro. Em outras palavras, o capitalismo teria que ser superado, mas estamos assistindo, antes, a sua ruína, motivada principalmente pela superprodução.
A superprodução tem duas facetas: aumenta o custo das matérias-primas e reduz o preço das mercadorias o que diminui muito a lucratividade das empresas.
Mesmo que Dubai fosse uma boa idéia, não podemos esquecer que ela está inserida dentro de um cenário econômico mundial muito desfavorável.
Comentário de: Jose Koy [Visitante]
30.11.09 @ 19:28
Henrique,

Talvez voce nao saiba, mas ratifico algumas informacoes sobre o que voce mencionou: a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) está desenvolvendo um trabalho profundo junto aos palestinos, com vastos recursos da região petrolífera mais rica do planeta, e que só não há sucesso maior, ou seja, todos os palestinos longe de tendas similares ao MST, por que Israel faz todo o possível contra.

Segundo Karen Abu Zayd, Alta Comissária da UNRWA, a agencia hoje está enfrentando um déficit de U$ 84 milhões e terá outro de U$ 140 milhões em 2010. A ponto de recentemente um grupo de 16.000 funcionários em Judéia, Samaria e Gaza realizaram uma greve de um dia para exigir melhores salários.

É surpreendente a diferença colossal entre a retórica do discurso dos paises árabes (e o Persa) e a realidade árabe palestino.

Em 2008, 19 dos 20 maiores doadores de fundo geral da UNRWA foram do Ocidente, com a UE com mais de $116m, EUA com US $ 94m e outros, como Reino Unido e Suécia, cada um deu mais de US $ 35 milhões. Apenas um país árabe - Kuwait – apareceu entre os top 20 da UNRWA c/apenas US $ 2,5 milhões. Só que no mesmo período, as receitas de petróleo do Kuwait cresceram 44%, para quase U$ 78 BILHOES.

Ou seja: 0,003% da sua receita!!!

Comparado aos outros cinco estados árabes que compõem o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) - Bahrein, Omã, Catar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos - os kuwaitianos podem se vangloriar de muito generosos: Em 2008, o faturamento combinado dos Estados do CCG foi um colossal $575 BILHOES.
No entanto, sua contribuição CONJUNTA para o orçamento regular da UNRWA foi um pouco mais de U$ 3,6 milhões.
Destaca-se o Bahrain com $50MIL (não milhões), Omã c/$25.000 e a Arábia Saudita com ZERO.

Ou seja: 0,0006% da sua receita!!!

Repetindo -> Arabia Saudita, maior produtor de petroleo. Contribuicao = ZERO!!!

Esta organização tem sido um veículo para perpetuar o problema dos refugiados palestinos bem como uma alavanca para pressionar Israel.
Cooperando com o poder dominante, o Hamas em Gaza, e servindo como um veículo publicitário muito eficiente anti-Israel e anti-ocidental.

Tal fato foi inclusive confirmado inclusive pela Daniela Kresch ao dizer que: que a UNRWA reclama muito apesar de receber doações robustas do Ocidente. E que ela ajuda a perpetuar o problema dos refugiados palestinos, que acabam permanecendo na condição de refugiados em países como Jordânia e Líbano, onde a segunda e a terceira gerações de palestinos continuam à margem da sociedade local. Tenho realmente muitos questionamentos em relação ao papel político da ONU por aqui e o destino das verbas. Os palestinos são o único povo a ter uma agência da ONU dedicada a eles há 60 anos. Se os retirantes nordestinos tivessem recebido, em todos esses anos, um décimo da contribuição dos países ricos à UNRWA, o Brasil de hoje talvez fosse menos pobre.

Do mesmo jeito que o Lula gosta de manter seu povo de origem com bolsa miseria, ao inves de atacar o problema de frente, os brimos do petroleo querem mais é que a turba palestina continue na penuria como otima propaganda contra os interesses deles.

E os palestinos, povo dominado por lideres no conforto de sua Brasilia/Damasco, acreditam que seu inimigo é Israel
Comentário de: Yoko [Visitante]
30.11.09 @ 19:36
Para complementar, você poderia falar um pouco da população de Dubai. Sei que muitos profissionais vão lá trabalhar, não apenas na área de serviços, mas como especialistas mesmo, como engenheiros. Mas isto seria porque há uma falta demão de obra especializada ou a falta é mesmo de pessoas mesmo?
Comentário de: José [Visitante]
30.11.09 @ 19:42
Gustavo:
Esqueceu de dizer que alem dos muitos libaneses que odeiam israelenses,sirios e iranianos,existe os que odeiam os palestinos,que acham que estes trouxeram a guerra para o Libano quando atacavam o norte de Israel nos anos 80, retribuindo a hospitalidade libanesa fazendo uma plataforma de ataque a Israel.
Quanto aos xiitas no Libano,é igual FHC ou LULA,ou se ama ou se odeia.
Para uns resistencia e orgulho,para outros a desgraça que trouxe a destruição em 2.006 e pode trazer outra pior se resolver atacar Israel sem consultar "ninguem" como em 2.006,por um projeto "ideológico" relaçionado ou não há um ataque de Israel ao Irã.
Comentário de: José Antonio [Visitante] · http://politicageral1.blogspot.com
30.11.09 @ 19:45
Henrique, além de dinheiro, que aos poucos vai minguar visto a gastança, o Iran não pode exportar nada além de tapetes. Eles não produzem nada além de armas copiadas da Coréia do Norte, que já são copiadas da Russia e China. A própria China nem consegue produzir as turbinas dos seus aviões, um produto complexo e de alta tecnologia que precisa ser altamente confiável. Até a Airbus tem que colocar nos seus aviões maiores, turbinas de fora da união europeia como as americanas, inglesas ou canadenses, GE, Rolls Royce ou Pratt Whitney.
Comentário de: José Antonio [Visitante]
30.11.09 @ 19:51
Gostaria que alguém me explicasse o que a troca de produção por serviços tem a ver com o fim do capitalismo. Essas viuvas de Stalin não tem jeito.
Comentário de: João Braziliano [Visitante]
30.11.09 @ 19:52
Mas peralá!!!!!!!!

Guga, vc disse: "não fosse a Guerra Civil Libanesa, Beirute seria o que Dubai é hoje."

Faltou dizer de quem foi a culpa, quem deu o "start" da guerra civil e porque o deu.


Zé Antônio,
Os muçulmanos do Líbano, em sua ampla maioria, são democráticos e liberais. Portanto seus amigos cristãos estão, no mínimo, equivocados.

Abraços
Comentário de: carlos 3m [Visitante]
30.11.09 @ 20:33
gustavo,

sua obs 2: eu nao recebi. to ficando ciumento.

quanto ao titulo do presente topico. a queda de dubai se deve a que o dono nao foi realista. se ele tinha uma situacao diferente a dos vizinhos, ele deveria ter adotado uma politica economica adequada ao seu perfil. as famosas torneiras de ouro sao um exagero que em algum momento se paga.

eu nao tenho duvida que o melhor investimento que um pais pode fazer eh em educacao de qualidade, o que inclui senso critico. em sociedades tribais isto nao eh estimulado entao fica mais facil gastar em torneiras.

o que vejo em comum no "mundo arabe" independente da regiao em que se observe eh em geral (calma. ha execoes) um sistema de governo autocratico ou uma pseudo democracia, onde ha restricoes a liberdade de expressao.

quanto a essa de "irmaos", o koy 30.11.09 @ 19:28 apresentou dados que confirmam que eh melhor os palestinos fazerem seu dever de casa logo e sem depender dos seus "irmaos". iria mais longe ainda, e diria que se os palestinos se comportasem de forma menos propensa a violencia e mais a criar um clima de confianca mutua, eles teriam muito mais chances de receber ajuda efetiva de israel do que dos seus "irmaos" da liga arabe, ate porque culturalmente sao mais proximos. mas sao so devaneios da minha mente.

Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
30.11.09 @ 20:36
José Antonio, vamos lá.
se observarmos a História, notamos que a o escravagismo foi substituído pelo modo de produção feudal, mais eficiente. Posteriormente o feudalismo foi suplantado pelo capitalismo e para isso foi necessária a Revoluçao Burguesa, liderada por Bonaparte. Finalmente chegamos aos dias atuais, com a crise do capitalismo (redução dos lucros, endividamento dos Estados, etc) tem surgido uma 'tese' de que os serviços são superar o capitalismo. Basta ver na postagem de Fabio Nog que essa é mais ou menos uma aposta feita por Dubai.
Depois eu contextualizei Dubai/Serviços no cenário mundial.

Quanto a isso de 'viúvas de stálin', infelizmente não vou poder ajudá-lo, não entendo desse assunto. Prefiro SEMPRE deixar o debate num nível elevado.
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
30.11.09 @ 20:39
Gustavo,
no meu post anterior ficou uma frase truncada, em vez de 'são' leia-se "vão superar..." se puder corrigir.

Obrigado
Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
30.11.09 @ 20:43
Mauro

1. A economia mundial é basicamente de serviços hoje em dia. Há países inteiros cuja produção industrial é pequena e seu alto nível de vida deriva de uma economia toda baseada em serviços: Suiça, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Nova Zelândia, Finlândia e Monte Carlo, para citar alguns.

2. A produção de petróleo de Dubai é muito pequena. A produção corrente é de 240.000 barris / dia. Nesse ritmo, acaba em 20 anos. Comparativamente, o Brasil consome 2,8 milhões de barris / dia e a produção da Petrobrás é mais ou menos isso também. As receitas de petróleo de Dubai são mínimas.

3. Produção industrial é sempre necessária para gerar os bens que nós usamos. O que acontece é que o progresso tecnológico permite aumentar a produção com redução de empregos. Isso se chama produtividade e é um conceito básico em economia para explicar geração de riqueza. Em consequência, a indústria e a agricultura absorvem parcela cada vez menor de mão de obra. O que garante empregos é o setor de serviços (normalmente comércio é incluído nos serviços). Daí se falar em economia de serviços em oposição à economia industrial. Isso independe do controle dos meios de produção. Um país totalmente comunista pode também ter sua economia estruturada sobre serviços.
Comentário de: José FARHAT [Visitante]
30.11.09 @ 20:43
Gustavo.
Levante é invenção dos franceses. Para os árabes a expressão que separa o oriente do ocidente, o local onde nasce e onde se põe o sol é Mashriq, em oposição a Maghrib. O Mashriq inclui toda a Península Arábica, além daquilo que os franceses chamam de Levant.
Hagá,
Dubai investiu e investe em educação. Em qualquer bairro de Dubai há uma mesquita e em no dito bairro há uma escola. Sou testemunha disto. Tem mais: não há desigualdade entre dubaianos há isto sim, entre estes e aqueles que lá trabalham, vindos de fora. Antigamente, poucos anos atrás, até mesmo desde os britânicos até os bangladeshianos tinham acesso grátis à saúde; hoje, só os primeiros e estes pagam uma mensalidade módica para o seguro saúde. Educação é grátis.
Sica,
Sua fonte de informação não está correta. Os Emirados Árabes como um todo e os países do GCC na sigla em inglês para: Cooperation Council for the Arab States of the Gulf já acertaram, desde agosto (quando sentiram que a crise se aproximava) um plano de sustentação do Emirado de Dubai. Ninguém “está se lixando”, pois o Emir de Dubai é vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos e seu Primeiro-Ministro. O que você diz é o que muitos querem, mas não terão. Dubai sairá da crise antes de muitos países que se dizem importantes, para inveja da oposição que não chega aos pés de Dubai. Dubai não tem e nem precisa de armas nucleares, sabia?

Le

Peça a sua prima para voltar para o Líbano, ela não está percebendo o que está acontecendo em Dubai. Esta não é uma cidade artificial, é a cidade onde os Emirados e o GCC mostram a sua cara, com toda a liberdade.

José Antonio,
Mais uma vez sua percepção do Líbano está errada. O Líbano está à beira de reformas, entre as quais a política, que acabará com a divisão confessional: este o resultado do acordo nacional levado a cabo pelos libaneses, encorajados pelo acordo entre Síria e Arábia Saudita. Muita gente vai tirar as calças e pisar em cima.
Comentário de: poeta [Visitante]
30.11.09 @ 21:28
Tem banqueiro libanês conservador instalado na esquina da Paulista com a Augusta... um prédio marrom... tradição secular de segurança...
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
30.11.09 @ 23:23
Fábio,
obrigado pela informação, realmente a produção de petróleo de Dubai é mínima, e eles estão procurando se mexer.
É verdade que a balança parece tender para os serviços. Mas se analisarmos, quase todos eles estão de algum modo ligados ao setor produtivo. Note que você mencionou países desenvolvidos, que acabam explorando a mão-de-obra, mais barata, em países periféricos. É como se, grosso modo, as fábricas ficassem nos bairros e os escritórios no centro.
Vi uma entrevista sobre café com um dos donos do grupo DePaschoal, na qual ele (não me lembro o nome) afirmava ser obrigado a vender o café em grão para países que detém a tecnologia de torrefação e conservação, e acabam ganhando mais do que nós.
E aqui ouso dizer que, em última análise, administram nossa produção.

Um outro ator importante neste momento é a China, que com sua produção super subsidiada tem produzido uma verdadeira legião de desempregados nos outros países. Não sei até quando vão aguentar neste ritmo, porque, seguramente, o endividamento do governo chinês deve estar atingindo níveis perigosos.

Tudo indica que vamos ter ainda muitas reviravoltas na economia global.

Tem uma questão ainda, a produtividade afeta também os serviços, veja o caso dos bancos a oferta de mão-de-obra neste setor tem caído vertiginosamente.
Comentário de: Henrique [Visitante]
30.11.09 @ 23:30
Gustavo, não me censure, só estou dando a minha impressão (perfeitamente lógica) de um fato em evidencia.

Outra coisa (meio fora do topic), mas essa troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas mostra bem o valor que os palestinos dão a si mesmos.
Senão vejamos:
1 soldado israelense esta valendo 1.000 palestinos. Eu disse MIL por um.
É isso mesmo ou estou enganado?
Se essa contabilidade é normal entre os árabes, pode ser essa uma das causas da bancarrota de Dubai.
Comentário de: Bueno [Visitante]
01.12.09 @ 04:30
Gustavo,
depois de ler sua muito interessante reportagem fiquei com vontade de me informar mais sobre Dubai. Descobri varias coisas que aqui ja' foram mencionadas. Mas notei que ninguem mencionou o abuso dos direitos humanos dos trabalhadores estrangeiros. Isto esta' em varios sites inclusive do Human Right Watch.
Voce acha que com essa crise os trabalhadores estrangeiros serao ainda mais mal tratados?
Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
01.12.09 @ 07:37
Mauro

O mundo vai aguentar isso pra sempre porque tem sido assim desde o início dos tempos. A lógica de baratear continuamente os insumos é o que gera riqueza. Realmente, a produção industrial está-se deslocando para a China porque lá o custo é mais baixo (não é só mão de obra. Quase todos os insumos também o são). Um dia, toda a produção se deslocará para a África. E um dia lá no futuro não haverá seres humanos em fábricas, só robôs.

A questão da educação se insere justamente neste contexto. Um país que está no início do seu processo de industrialização pode-se dar ao luxo de não ter uma mão de obra muito qualificada. Basta o treinamento técnico para você empregá-la. Mas quando a ecoomia amadurece e encarece, a mão de obra deixa as atividades produtivas e vai cada vez mais para o setor de serviços. E aqui não basta ter o primário ou o colegial. Ninguém vai contratar um pesquisador, um arquiteto ou um analista de sistemas que não tenha boa formação.

Quando se exige melhoria da educação no Brasil não é para se fazer produtos melhores nas fábricas. É para permitir que o país entre em outro patamar de desenvolvimento econômico. Mas as antas que nos governam e enfiam dinheiro na meia e na cueca estão mais preocupados com o roubo do que com o futuro da Nação.

Dubai investe muito em educação. Qualquer lugar do mundo com um projeto sério de desenvolvimento investe. Infelizmente nosso país não é nada sério
Comentário de: Fatima [Visitante]
01.12.09 @ 08:40
oi Gustavo ,
Quanto tempo !!!
Ando sem tempo , mas de vez em quando dou uma espiadinha no teu blog.
O tema Emirados eh interessante , vivi em Abu Dhabi e em Dubai.
No comeco fiquei deslumbrada ,com o luxo , extravagancia e estilo , mas com o passar do tempo comecei a me decepcionar, principalmente com Dubai.
Eh como aquela mulher bonita , siliconada e retocada , que chama atencao por onde passa , mas que com o tempo mostra falta de conteudo.
Eh tudo muito artificial e exagerado , encanta no inicio mas com o dia a dia cansa.
Abu Dhabi eh mais familiar , mais low profile.
Os estrangeiros nao tem nenhuma estabilidade , sao maquinas , que podem ser substituidas a qualquer momento , pois a demanda eh alta. Voce trabalha muito , ganha bem , mas gasta muito tambem , entao na verdade nao existe qualidade de vida.
Comentário de: José FARHAT [Visitante]
01.12.09 @ 08:57
Todas as bolsas fecharam em alta esta manhã.
Comentário de: Hagá [Visitante]
01.12.09 @ 09:45
Já que a economia de serviços, muitos virtuais, com redução de empregos no setor secundário, implica um exército de mão-de-obra reserva maior e muitos desempregados permanentes, inclusive como tendência, o que se tem feito em Dubai ou nos países árabes com respeito ao PLANEJAMENTO FAMILIAR?

Existe lá como no Brasil um comportamento omisso e negligente com relação a esse assunto? Lembro que Planejamento Familiar não se confunde com Controle de Natalidade, e é inclusive um Direito Social previsto na Constituição do Brasil.
Comentário de: Hagá [Visitante]
01.12.09 @ 09:52
Enquanto os políticos do DEM, do PSDB e do PPS ficam se engalfinhando com seus inúmeros Mensalões, com Dinheiro escondido na Meia etc., o Financial Times elogia a política econômica do governo brasileiro, diante da crise de Dubai. Só é preciso ter prudência, para refrear o capital especulativo. Ponto para o governo Lula em aumentar o IOF sobre aplicações em Bolsa, evitando novas bolhas, apesar da histeria obtusa de alguns.

Emergentes viram "porto seguro" contra calote após Dubai, diz jornal da BBC Brasil Uma reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal britânico "Financial Times" ("FT") afirma que, diferentemente do passado, os títulos de países emergentes, como o Brasil, viraram "porto seguro" para investidores preocupados com uma possível rodada de calotes soberanos motivada pela crise em Dubai.
No artigo, intitulado "Investidores rasgam as velhas regras de comportamento", o influente diário financeiro observa que "a regra de vender os ativos de países emergentes e comprar os de países desenvolvidos, mais seguros, virou de ponta cabeça após a suspensão do pagamento da dívida [anunciada] pelo emirado na semana passada".
"Os títulos de países emergentes, como China e Brasil, têm visto entradas de investimentos na medida em que são considerados pelos investidores como portos seguros dada a saúde de suas finanças públicas."
Para o "FT", "isso, mais que nada, sublinha uma mudança na dinâmica da economia global".
Por causa de seus "baixos níveis de endividamento e gerenciamento econômico prudente", prossegue o artigo, muitas economias emergentes "combateram a crise financeira de maneira muito mais eficiente que as nações mais ricas". O artigo compara os níveis de endividamento de Brasil e China (46% e 65% em relação ao PIB, respectivamente) com o de Grécia e Irlanda (que devem atingir 111% e 80%).
Os dois países europeus têm sido citados como os mais vulneráveis a possíveis sobressaltos financeiros motivados por falta de confiança em suas finanças. Segundo o "FT", o Japão é o país com maior relação dívida/PIB - 200%. Já nos EUA e no Reino Unido, essa relação é de 97% e 89%, respectivamente. "Novamente, a velha regra de que as economias emergentes são mais arriscadas que as desenvolvidas tem sido rompida nos mercados", diz o jornal. "Investidores consideram que Grécia e Irlanda apresentam mais risco de dar um calote em seus títulos que a China, Brasil e Polônia", afirma o artigo, notando, no caso chinês, que os riscos na maior economia emergente do mundo não são maiores, por exemplo, que no Reino Unido.
Comentário de: José Antonio [Visitante] · http://politicageral1.blogspot.com
01.12.09 @ 11:38
Existem três Dubais diferentes, girando em torno uma da outra. Há os estrangeiros, há os emirados, liderados pelo sheik Mohammed; e há a sub-classe de estrangeiros que construiu a cidade e que está presa lá. Ficam escondidos à vista de todos. Você os vê em todo lugar, em uniformes azuis sujos, tomando broncas dos superiores, como uma gangue de presos -- mas você é treinado para não olhar para eles. É como um mantra: o sheik construiu a cidade. O sheik fez a cidade. Trabalhadores? Que trabalhadores?
Todas as noites, as centenas de milhares de jovens que construiram Dubai são mandados de ônibus dos lugares de construção para um bairro de concreto que fica a uma hora de viagem, onde entram em "quarentena". Até anos recentes eles iam e voltavam em caminhões de gado, mas os expatriados [os executivos estrangeiros que são atraídos por altos salários em Dubai] reclamaram que a cena pegava mal, agora os trabalhadores são transportados em ônibus de metal que funcionam como estufas no calor do deserto. Eles suam como esponjas lentamente espremidas.
Sonapur é um bairro de quilômetros e quilômetros de prédios idênticos de concreto. Cerca de 300 mil homens vivem amontoados aqui, em um lugar cujo nome em hindu significa "cidade do ouro". No primeiro acampamento em que eu paro -- com cheiro de esgoto e suor -- os homens me cercam, dispostos a dizer a alguém, a qualquer um, o que está acontecendo com eles.
Sahinal Monir, um homem magro de 24 anos, é de um dos deltas de Bangladesh. "Para fazer você vir, dizem que Dubai é um paraíso. Mas quando você chega vê que é um inferno", ele diz. Há quatro anos, um agente de emprego chegou à vila de Sahinal no sul de Bangladesh. Ele disse aos homens que havia um lugar onde poderiam ganhar o equivalente a 400 euros por mês trabalhando das nove às cinco em construção. Era um lugar onde eles teriam acomodação, comida de qualidade e onde seriam bem tratados. Tudo o que teria que fazer era pagar adiantado o equivalente a 2.300 euros por um visto de trabalho -- um pagamento que Sahinal recuperaria rapidamente depois dos primeiros seis meses de trabalho. Então, Sahinal vendeu a terra da família e fez um empréstimo para seguir para o paraíso.
Assim que ele chegou ao aeroporto de Dubai, o passaporte foi tomado pela companhia construtora. Ele nunca mais viu o documento. Foi informado bruscamente de que trabalharia 14 horas por dia no calor do deserto -- onde os turistas ocidentais recebem a recomendação de não ficar nem mesmo cinco minutos no verão, quando a temperatura atinge 55 graus -- pelo equivalente a 90 euros mensais, menos de um quarto do salário que havia sido prometido a ele [em Bangladesh]. Se você não gostar, foi informado, pode ir para casa. "Mas como posso voltar? Vocês estão com o meu passaporte e eu não tenho dinheiro para a passagem de volta", ele disse. "Então é melhor trabalhar", foi a resposta.
Sahinal ficou em pânico. A família dele -- filho, filha, mulher e pais -- estava esperando pelo dinheiro, animada com a realização de Sahinal. Mas ele teria de trabalhar dois anos só para pagar o custo da viagem até aqui -- e tudo para ganhar menos do que ganhava em Bangladesh.
Ele me mostra o quarto. É pequeno, com beliches de três andares, onde ele vive com outros 11 homens. Todos os seus pertences estão na cama: três camisas, uma calça extra e um celular. O quarto cheira mal, porque os lavatórios no canto do acampamento -- buracos no chão -- estão entupidos com excrementos e nuvens de mosquitos negros. Não há ar-condicionado ou ventilador, assim o calor é "impossível. Você não dorme. Tudo o que você faz a noite é suar e coçar". No alto verão, as pessoas dormem no chão, no telhado, onde quer que possam rezar por alguma brisa.
A água é entregue no acampamento em grandes recipientes e não é dessalinizada apropriadamente: é salgada. "Nos faz doentes, mas não temos nada mais para beber", ele diz.
O trabalho é "o pior do mundo". "Você tem de carregar tijolos e blocos de cimento de 50 quilos no pior calor imaginável. É calor como nada. Você sua tanto que não faz xixi, por dias ou semanas. É como se todo o líquido saísse de você pela pele e você cheira mal. Você fica zonzo e doente mas não pode parar, a não ser por uma hora, à tarde. Você sabe que se derrubar alguma coisa ou se escorregar pode morrer. Se você tira um dia por causa de doença, seu salário será descontado e você ficará preso aqui por mais tempo".
The Independent - London
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
01.12.09 @ 13:07
José Antonio, os cristãos libaneses do Brasil que conheço (e são muitos na minha família) não compartem desta opinião. Tampouco foi o que percebi em palestras no clube Sírio e no Monte Líbano

Fabio Nog, ótima análise

Mauro Souza, justamente a Dubai World, que é o foco da crise atual

José Koy, obrigado pelos dados

Yoko, há falta de mão de obra especializada. Além disso, os habitantes locais costumam ocupar os empregos públicos, com menos horas de trabalho

José, bem lembrado

Carlos 3M, depende. No Líbano, há liberdade de expressão, assim como no Qatar. Mas nos outros há menos. E investe-se muito em educação no mundo árabe. A Arábia Saudita inaugurou recentemente um dos mais avançados centros científicos do mundo. E, como disse, citei a Georgetown, Cornell e NYU com filiais no golfo

Farhat, obrigado pela correção

Henrique, o tópico aqui é Dubai. Na entrevista da Daniela, abordamos a questão da troca dos prisioneiros

Hagá, o DEM e o PSDB não têm absolutamente nada a ver com o blog

José Antonio, obrigado pela descrição
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
01.12.09 @ 13:19
Fábio,
acho também que o mundo vai agüentar, mas não sem profundas modificações. Tem sido sempre assim, e este modelo no qual vivemos está dando mostras de esgotamento.
Ok, Dubai isenta empresas tecnológicas que correm para lá, mas isso gera um problema no país da matriz, concorda? Recentemente a Microsoft pressionou o governo americano para que flexibilizasse as leis de imigração, endurecidas no pós-atentado, e precisa de mão-de-obra mais barata.
Dubai tem pouco petróleo, para se tornar atrativa comercialmente renuncia a impostos... de onde vem sua arrecadação? Teriam que taxar principalmente o consumo e os salários, mas a população também é pequena. Não é à toa que está tão endividada.
Por um lado, as empresas precisam dos Estados para continuarem a existir, mas para isso estes se endividam brutalmente e começam a ter a sua própria existência ameaçada. Existe uma clara contradição aí.
Se os Estados começam a dar mostra de não conseguir pagar suas dívidas, também não vão conseguir dinheiro fresco no mercado. Aqui no Brasil, essa relação bancos/Estado beira o parasitismo.
o item dívida/PIB colocado aí em cima mostra o tamanho do buraco e eu desconfio que nos EUA a dívida seja ainda maior, pois não sei se também somaram ali as dívidas dos estados e dos municípios.
Problemas à vista: governos endividados vão ser obrigados a imprimir dinheiro = inflação e derivados.
Os serviços públicos tendem a escassear e tudo indica que o caldeirão político vai ferver. Tivemos uma pequena amostra disso, por exemplo, no massacre de Tien An Men, na China.
Comentário de: Mauro Souza [Visitante] · http://umemeio.blogspot.com
01.12.09 @ 13:35
desculpem se estou me alongando, mas gostaria de dizer mais umas coisas ainda.
o barateamento dos insumos só é possível se você tem abundância de recursos, uma vez que o mercado funciona com o binômio oferta/procura.
O boom chinês tem aumentado o preço das matérias primas e, ao mesmo tempo, barateado as mercadorias, já que estão saturando os mercados.
Para garantirem suas margens de lucro, as empresas são obrigadas a cortar custos, o que inclui os salários, o que, por sua vez, retrai o consumo.

Na esfera dos serviços, a qualidade do emprego tem caído muito, a maioria das empresas de TI, por exemplo, obrigam seus 'funcionários' a se tornarem pessoas jurídicas e, emboram estes tenham todas as obrigações, não têm os benefícios de um funcionário CLT, como 13º, seguros saúde e desemprego, vales tranporte e refeição, fundo de garantia. Em outras palavras, arcam com os custos e com isso a renda caiu muito. O pior, é que para entrar nessa área de serviços a maioria das pessoas precisa investir durante alguns anos na própria educação, e não é barato.
Comentário de: Flavio Augusto Ferraz [Visitante] · http://flavioferraz.blogspot.com
01.12.09 @ 23:40
Gustavo, morei no Qatar e conheço bem Dubai por seus êxitos fabulosos e seu lado negro.

Considerar o comentário de Fabio Nog uma "ótima análise" é uma visão distorcida de ambos do que acontece em realidade lá. Os 83% de expatriados não é composta de pessoas com alto nível de escolaridade.

Ao contrário, tem em sua maioria pobres imigrantes indianos, nepaleses, filipinos, etc, que saíram de seus países com a ilusão de ganhar a vida em Dubai e hoje muitos estão na mão de "sponsors", que são praticamente donos de suas vidas.

Vocês conhecem como funciona o sistema trabalhista nos Emirados e no resto do Golfo? Talvez a imprensa brasileira consiga breve mostrar algo a mais do que Amauri Jr. e Hebe mostraram.

Violação dos direitos humanos é outra máscara que precisa cair nos países dos Sheiks bilionários do petróleo. Senti na pele essa problemática e não foi uma experiência muito boa.

Grande abraço e parabéns pelo blog!

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O jornalista Gustavo Chacra, 33, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de "O Estado de S. Paulo" em Nova York. Já fez reportagens de Beirute, Damasco, Tel Aviv, Jerusalém, Gaza, Nablus, Ramallah, Cairo e Amã quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Também já trabalhou como correspondente da Folha na Argentina





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