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29.10.09
O New York Times publicou recentemente uma reportagem dizendo que associações de corredores querem impedir os retardatários de disputar a maratona na cidade. Isto é, seria colocado um limite máximo de tempo. Por exemplo, depois de seis horas, os corredores não poderiam completar a prova. Um absurdo. Eu assisti várias vezes a corrida em Nova York. A vez que mais me emocionou foi em 2007, quando fiquei para ver a chegada dos últimos colocados. Na época, escrevi o email abaixo para a minha família e amigos
"Ontem, dia da maratona de Nova York, fui para a linha de chegada após mais de 30 mil corredores já terem terminado a prova (entre eles, seis horas antes, o primeiro brasileiro, a quem eu, dentro do Central Park, incentivei gritando "Vai Marilson, você está em quinto!", apesar de ele estar em oitavo).
Passadas oito horas da largada, começa a ser desmontada a festa. As bandeiras de mais de cem países já haviam sido retiradas. Não tinha mais segurança. O parque estava escuro. E qualquer um podia entrar na pista e seguir por uns duzentos metros e cruzar a linha de chegada como a Paula Radcliffe, vencedora entre as mulheres, havia feito horas antes. Quando cheguei para assistir aos retardatários, cerca de 40 pessoas estavam presentes, entre membros do staff da prova, parentes de corredores que ainda corriam ou andavam pelas ruas de Nova York, e alguns nerds como eu que apenas queriam incentivar os últimos colocados.
O relógio marcava 8h15. Um chinesa-americana cruzou a linha de chegada, fez pose para a foto oficial e recebeu a medalha. "For the victims of September 11th", dizia a sua camiseta. Uma senhora de uns 65 anos, enrolada no cobertor de alumínio que os corredores recebem ao chegar para não perder calor, esperava pelo marido que, segundo ela, teria ficado para trás. "Eu ganhei dele", esnobava para as pessoas ao redor, com um certo tom de vingança. Uma outra, também nos seus 60, não havia corrido. Mas, vestindo uma japona marrom, segurava uma maquina fotográfica descartável enquanto esperava o filho de 30 anos. Ele havia ligado pela ultima vez há 4 milhas (cerca de 6,5 km), mas depois o celular dele parou de funcionar. A mãe e a máquina fotográfica descartável, porém, seguiam firmes.
Os corredores continuavam chegando. Um homem, de muleta, cruza com dois amigos que o acompanharam do começo ao fim da prova. Todos com a mesma camiseta, com os dizeres "Go Jimmy". Uma moça, de uns 35, gordinha e talvez solteira, pois não tinha nenhum marido esperando, chega e, a poucos metros da linha, começa a chorar. Todo mundo bate palma. Uns choram. Ela chega. Recebe a medalha. Fica orgulhosa. Em seguida, vem uma outra no mesmo estilo. Mas ruiva e sorridente. Pinta de professora de matemática de high school. Ultrapassa a linha. 8h32. Ao entregar a medalha, a moça do staff pergunta se ela quer gatorade ou água. "Me dá um abraço”, ela responde. Inacreditavelmente, três velhinhos são os próximos. E não estavam juntos. Os três ainda disputavam posições. Faziam os movimentos de corrida com as mãos. Um estava estiloso, de sapato e tudo. Mais aplausos.
A mãe e a máquina descartável continuavam lá. A senhora esperando o marido também. O membro do staff (que falou na minha frente em japonês, alemão, turco e espanhol) pediu o nome dos parentes. Ele entra em uma cabine com o número das inscrições deles e volta com as informações. O marido da senhora já havia chegado com 6h42. Na frente da esposa, por sinal, que achava que tinha superado o marido. Quem sabe, ele pegou um atalho no parque só para não fazer feio. Com raiva, a senhora foi para o hotel. Já a mãe não teve boas noticias. O filho ainda não havia cruzado. Devia estar em algum lugar do Central Park. Mas ela seguia firme, com a japona
Chegam três homens carregando a bandeira auri-negra do Fenerbace, time mais popular da Turquia. São recebidos com parabéns em turco pelo membro do Staff (o poliglota). Uma mãe chega e pega a filhinha e umas flores antes de cruzar a linha. O marido tira foto orgulhoso. Uma americana vem na sequencia, arrastando um pneu com um latão de lixo em cima. Dentro, várias coisas, como plásticos e metais de ferro-velho. E uma faixa dizia que era o "homem poluindo a mãe terra". Uma ativista pelo visto. Não sei se muita gente notou, tadinha. Mas eu, pelo menos, recebi o recado. O homem esta poluindo a terra com o aquecimento global. Deve ser seguidora do Al Gore.
E nada do filho da mãe da máquina fotográfica.
Nove horas de prova. O fotógrafo oficial desmonta o tripé. Mais luzes são apagadas. E o supremo da humilhação - o chip da linha de chegada é retirado. A partir de agora, quem chegar não terá mais tempo oficial.
Lá longe, aparece uma mulher, com um moleton rosa e os dizeres "Go Tara". Uma outra, na linha de chegada, que havia cruzado pouco antes, conta orgulhosa: "Ultrapassei ela na First Avenue". Como se tivesse deixado o Paul Tergat para trás. Mas a Tara também fez pose ao agradecer os aplausos. Uma verdadeira lady.
A próxima parecia aquela maratonista nas Olimpíadas de Los Angeles, que chegou toda torta, com caimbras. Havia umas quatro amigas, a mãe e o irmão esperando. Tirou fotos pelo IPhone. As amigas disseram que enviariam depois. Unidas, com o irmão chorando compulsivamente, todas foram embora com a heroína da turma.
Mas faltava ainda o filho da mulher da máquina. Quase ninguém mais passava. Já fazia cinco minutos que a última pessoa havia cruzado a linha de chegada. O pessoal do staff não conseguia informações. A mãe lá, meio envergonhada, com a máquina descartável. Coloquei na minha cabeça que esperaria ate 9h30 de prova. 9h28, 9h29, 9h30. Nada, só a mãe com a máquina descartável e a japona marrom. Todo o mundo tenso. Não havia sinal. Decidi cruzar a linha de chegada pelo lado oposto (isto é, em direção ao local onde as pessoas corriam) em busca de algum menino de 30 anos. Fui até a Central Park South e voltei. Nada.
No caminho, apenas mais um corredor. Um senhor de 70, andando e recebendo incentivo de alguns skatistas que decidiram acompanhá-lo. "Go Grandpa", diziam. Talvez fossem netos. Voltei à linha de chegada. A mãe ainda estava lá. Parte do staff tinha ido embora. Eu também precisava ir. Tinha marcado um jantar com meus amigos que não paravam de ligar porque eu estava atrasado. Fui embora. A mãe, tadinha, ficou lá esperando o filho corredor com a máquina prontinha para a foto que viraria quadro em algum apartamento de New Jersey ou de Nova York para mostrar aos netos e aos amigos a façanha do filho. Nunca vou saber o que aconteceu."
Comentários:
Comentário de: Ivan DR [Visitante] · http://www.conflitonooriente.blogspot.com
29.10.09 @ 23:11Oi, Gustavo. Sempre acompanho o seu blog, mas só agora criei coragem pra fazer algum comentário.
Muito legal este seu e-mail. É muito difícil encontrar nos jornais esportivos este tipo de texto. E é muito triste ver que os organizadores da maratona vão cortar o barato de várias pessoas que veem nesta corrida uma forma de superar seus limites e provar para si mesmas que são capazes, e não como uma competição pura e simplesmente.
Abraços
PS: tenho um blog sobre o Oriente Médio. Se você, ou qualquer um que tiver lendo este comentário, puder entrar e deixar sugestões, eu ficaria agradecido.
Comentário de: EDIO DOIDAO [Visitante]
29.10.09 @ 23:17
Guga, legal o texto, mas muito longo prometo ler depois qdo tiver mais tempo. Mas parece interessante.
Comentário de: Juli [Visitante]
30.10.09 @ 00:07Lamentável a proposta, além de antiesportiva. Tomara que não aconteça. Ao menos existem "nerds", além de skatistas animados, dispostos a incentivar os retardatários.
As suas descrições nesse e-mail foram ótimas, deu pra perceber que também foi bem divertido. Esposa brava com marido, professora de matemática de High School fique, velhinhos estilosos faltou só um padre escocês usando kilt pra derrubar alguém.
Comentário de: Hazem [Visitante]
30.10.09 @ 00:40José Antonio,
Enviei um comentário em resposta a algumas coisas que você escreveu no post anterior
Comentário de: carlos 3m [Visitante]
30.10.09 @ 00:47
fantastico relato. fiquei curioso com o final final da corrida, mas principalmente exausto so de me imaginar no meio daquela mundalha que voce tao bem descreve.
por isto, vou continuar a corrida via travesseiro. boa noite.
Comentário de: gisela [Visitante] · http://www.taxiamarelo.com.br
30.10.09 @ 03:01Guga, esse seu email não só me deixou emocionada, na época, como também me fez decidir que eu queria ir ver os retardatários na próxima maratona. Vamos?!
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 07:44Ivan, vou entrar no seu blog. E participe mais aqui. Você encontrará muita gente para debater o Oriente Médio e, se quiser, posso te incluir na lista dos leitores que se reúne mensalmente em São Paulo para discutir a política da região. Eu não participo, porque moro fora do Brasil
Edio, realmente, é meio grande, mas leia quando der
Juli, obrigado pelo elogio
Hazem, tem que participar também quando o tema não é Oriente Médio
Carlos 3M, você também foi retardatário no debate de ontem
Gisela, podemos ir. Eu vou mais cedo, porque tenho que acompanhar o Marílson
Comentário de: Mariana Ferreira [Visitante]
30.10.09 @ 09:02Este texto me emocionou na mesma proporção que as suas inesqueçíveis matérias da época em que você estava no Oriente Médio. Este está mais para uma crônica, com detalhes ricos e uma boa dose de humanidade.
PS: Vc não pegou o e-mail, o nome e nem o tel da senhora da japona? Aiii, meu Deus, o que será que aconteceu com o cara?
Comentário de: isabel [Visitante] · http://isabelchacra@gmail.com
30.10.09 @ 09:50
guga qdo eu era atleta eu queria vencer meus adversarios...hoje tantos anos passados, sinto necessidade de vencer meus limites, competir comigo mesmo...li a reportagem do NYTimes e naquela manhã fui ao Central Park e vi a chegada de uma corrida de amadores e senti inveja daquelas pessoas chegando felizes,aplaudidas, suadas e metidas com suas roupas coloridas e o numero de inscrição no peito. QQ. maratona vai ficar sem graça se proibirem a participação e vibração dos figurantes (mais lerdinhos)e seus orgulhosos familiares/amigos...
Comentário de: MarioS [Visitante]
30.10.09 @ 10:58Não entendi Gustavo. O que significa impedir que retardatários disputem a maratona na cidade? Alguém só se torna retardatário ao completar a prova.
Seriam impedidos de participar da seguinte ou seria exigido um tempo máximo em outra prova para a inscrição?
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 11:02MarioS, tempo máximo. Isto é, pessoas que corram para mais de seis horas seriam impedidas de completar, sendo obrigadas a prova
Comentário de: Daniel [Visitante]
30.10.09 @ 11:08Cara, belo texto...concordo com vc que os 'ultimos emocionam muito mais que os primeiros. Para eles, completar uma prova com a maratona de NY é a mesma coisa que para o Marílson vencer.
Mandou bem
Abs
DB
Comentário de: Sica [Visitante]
30.10.09 @ 11:11"Vai Marilson, você está em quinto!", apesar de ele estar em oitavo"
Chorei de rir com essa parte hahaha
Uma dúvida: Em que esses retardatários atrapalham os profissionais? Afinal de contas, eles saem no pelotão de trás, como na São Silvestre, certo?
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 11:16Daniel, orbigado pelo elogio
Sica, os corredores que não querem não são os profissionais. São aqueles que correm para 4 horas. Eles ficam enciumados que alguém que correu para 8, 9 horas também possa esnobar que completou a maratona
Comentário de: Tolerância -5+ [Visitante]
30.10.09 @ 11:38Nada contra retardatários, mas muitos deles são daqueles tipos só que entram na competição para zoar para lentes de jornais. Aparece com vestimentas esdruxulizadas, se travestem de jacaré, colam placas de anúncios no corpo...
Outro problema, que vira-e-mexe acontece, é a despreparação física e cárdica... Muitos morrem por falta de uma checagem da organização.
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 11:43Tolerância, o número de mortes não está relacionado ao tempo da pessoa. Há corredores profissionais que podem ter um problema no coração no meio da prova
Comentário de: Tolerância -5+ [Visitante]
30.10.09 @ 11:50Sim,avo,como o nosso ilustre Paulo nunes, ex jogador do seu Palmeiras, que se viu envolvido com AVC aqui em Goiânia numa maratona.Mas tudo terminou bem...
Comentário de: Sica [Visitante]
30.10.09 @ 11:51Tolerância, muito pelo contrário até. Quem faz em 9 horas provavelmente andou em boa parte da prova, logo, tem menor probabilidade de ataque cardíaco.
Sobre as placas e fantasias, não sei como é em NY, mas aqui em São Paulo, são eles que fazem valer a pena assistir, pelo menos a largada.
Um cara que fez faculdade comigo em 2007 foi de telefone grampeado.
Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
30.10.09 @ 12:18Sica, como exatamente um cara se fantasia de telefone grampeado? rsrsrsrsrsrs
Comentário de: Tolerância -5+ [Visitante]
30.10.09 @ 12:35Sica: é verdade! Mas existem os fominhas despreparados que ,desejosos e impacientes pela chegada triunfal, "abrem o gás" que não tem e...
Muito engraçado essa do cara do telefone grampeado.Sou esportista. Gosto mais do desafio da competição aos "pagadores de mico".
Comentário de: Tonho [Visitante]
30.10.09 @ 13:01Correr,correr,correr sem se estar fugindo ou atrás de algo?Apenas por correr á exaustão,qual o ser vivo que pratica tamanho despropósito?
Isso e outra s atividades como homens e mulheres deformaddos pela prática de ficarem a jogar discos e pesos á distância, correr pra saltar,e
ainda outros que ficam a jogar dominó batendo as pedras para á qualquer momento começarem uma gritaria injuriosa,sempre me deixaram curioso por
tais preferências.
Sobre essa coisa de correr alucinadamente,por coicidência,recebi vários estudos de renomados cientistas que vieram endossar a minha velha opinião,de que alem de ser maluquice faz aml à saúde.Pois é os estudos indicaram que o ser humano(e também o desumano)tem uma memória atávica,isso todo mundo tá careca de saber,mas é que essa memória dos tempos imemoriais,diz que
se o vivente começar a correr como prática,ele estará mandando mensagens pra todo o organismo de que é preciso sobreviver e que todo o resto é puro detalhe,incluindo a reprodução,daí que os praticantes do esporte ficarem agros,muchos,sem atrativos para o sexo oposto.Pros homens até que é bom dimunue a concorrência,mas para as mulheres é uma grande perda pra humani
dade.Mesmo para as tribufús,que assustarão nas ruas.
Sempre gostei das multidões dançando e cantando,mas correndo,desatinadas?
Nada tão deprimente quanto um coletivo de doidos infelizes!
Comentário de: Petkovic [Visitante]
30.10.09 @ 13:15Gustavo
Eu pessoalmente acho válida a proposta de determinar um tempo de competição; que se dê lá um diploma atestando que o indivíduo participou da maratona dizendo quanto ele percorreu durante 06:00 h por exemplo 5 Km, tá bom demais. E o pessoal da organização: médicos, bombeiros, policiais, enfermeiros e todos demais volte para sua rotina depois de uma determinanda hora estipulada.
Comentário de: Sica [Visitante]
30.10.09 @ 13:33Ele foi de celular ao estilo "bananas de pijama" com a cabeça saindo pelo bocal. E um clip de papel enorme pendurado na região da cintura.
Eu tinha a foto no mail do grupo da faculdade, vou ver se reencontro aqui.
Comentário de: Sica [Visitante] · http://www.conflitonooriente.blogspot.com
30.10.09 @ 13:37Muito bom o blog do Ivan. É uma coleta de pequenas iniciativas pela paz nos dois lados. Bem legal
Comentário de: Dr.Massarandba [Visitante]
30.10.09 @ 13:46Gustavo,
isso faz mal para os joelhos!
Comentário de: Christina [Visitante]
30.10.09 @ 13:59Oi Gustavo,
Lindo o seu relato, e a parte onde voce sente-se mal em ter que ir embora e nao poder acompanhar o que aconteceu com aquela mae e seu filho que nao chegava, eh muito sensivel.
Comentário de: fabio [Visitante]
30.10.09 @ 14:44é isso ai, a corrida de NY é uma festa com grde partipação popular (pessoal de Manhattan) que incentivam os participantes a terminar (go, go go, go, go) ; participei em 2006 e qdo estava na etapa final, entrando no central park, eu senti que estava entre os primeiros colocados, pois a torcida é grde (as calçadas das ruas ficam lotadas de gente) e muita gritaria .....pessoal isso é após 4 horas da largada.....
it´s amasing!
Comentário de: Marcos [Visitante]
30.10.09 @ 14:46Guga,
Muito bonito seu email.
Realmente uma babaquice das associações de corredores essa iniciativa. Corrida é um desafio pessoal de cada um, e não só uma competição...
Abs, Marcos.
Comentário de: Carol Queiroz [Visitante]
30.10.09 @ 16:27Guga,
Um absurdo fazerem isso. Todos, em seu tempo, tem o direito de terminar a prova. Lembro muito bem desse dia, e-mail e não acredito que vc não pegou o tel/e-mail da mãe com a máquina.
Comentário de: Fernando [Visitante]
30.10.09 @ 16:29Excelente esse post. É a primeira vez que leio o seu blog e apreciei o teu texto por transbordar humanismo. Parabéns!
Comentário de: Yoko [Visitante]
30.10.09 @ 16:32E onde vai parar o espírito esportivo, se tolher os retardatários?
Comentário de: Ali Abdulhamid [Visitante]
30.10.09 @ 16:33Eu acho que o garotão chamou a namorada pra fazer "coisinhas" na casa que ele divide com a mãe. Aproveitando que a senhorinha estava esperando o cretino no final da prova.
Comentário de: Christiane [Visitante]
30.10.09 @ 16:39Gustavo,
ótimo texto!
Tomara que os retardatários continuem a proporcionar leveza e diversão ao final das provas em NY...e juro que fiquei com vontade de acompanhar o fim emocionante (depois de algumas horas da largada) de uma prova assim como vc! Me programarei para a próxima corrida aqui no Rio!
Um abraço
Comentário de: Bruno Martins [Visitante]
30.10.09 @ 16:42Pôxa, Gustavo!
Agora NÓS não saberemos nunca o que aconteceu com o "filho da mãe" com a máquina descartável!
Texto muito legal!
Comentário de: Daniela Franco [Visitante] · http://istoouaquilo.zip.net
30.10.09 @ 17:04Em 1989 corri a Maratona de Nova York em um pouco mais de 4 horas. No dia seguinte a maratona, mais ou menos na hora do almoco, estava passeando no Central Park e encontrei uma senhora de muletas que estava completando a corrida. Ela estava sendo acompanhada por um grupo que seguia os retardatarios, nao me lembro o nome deles. Não da para proibir as pessoas de realizarem os seus sonhos!
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 17:34Mariana, obrigado pelo elogio. De vez em quando, tenho que sair do tema Oriente Médio
Isabel (mãe), concordo com você
Daniel, valeu pelo elogio
Tolerância, o que houve com o meu ídolo Paulo Nunes? Não sabia desta história
Tonho, pegou pesado com a turma da corrida. Mas está registrado
Petkovic, tem pessoas que são mais lentas, mas querem cumprir o desafio
Sica, também gostei. Deixei um comentário
Massaranduba, concordo. Por isso, prefiro a natação
Christina, me arrependo de não ter ficado
Fabio, chegar com o pessoal das 4 horas é o melhor. Acho que é o tempo médio, certo?
Marcos, obrigado pelo elogio
Carol Queiroz, e você foi justamente a responsável por eu ir embora. Afinal, o jantar era com você e outros amigos
Fernando, também tem que participar nos outros debates
Yoko, gostei do uso da palavra “tolher”
Ali, pegou pesado com o rapaz. Ele falou com a mãe depois de correr mais de 30 km. Você que ainda aguentaria a namorada?
Christiane, no Rio é meia, certo? Ou já tem a maratona completa?
Bruno, nunca soube o que ocorreu. Mas domingo estarei lá de novo
Daniela, dessa eu não sabia. No dia seguinte?
Comentário de: Paulo [Visitante]
30.10.09 @ 17:44Agora além dos posts ponderados do Fabio Nog terei que acompanhar os de nosso novo visitante Tonho.. hahaha... como disse o poeta Manoel de Barros em Matéria de Poesia:
...As coisas que não levam a nada
têm grande importância
Cada coisa oridinária é um elemento de estima
Cada coisa sem préstimo
tem seu lugar
na poesia ou na geral
...
Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para a poesia
Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre-diabo é colosso
Comentário de: Sica [Visitante]
30.10.09 @ 17:46Paulo Nunes aka Zé Voadora passa bem agora. A verdade é que ex atletas ao executarem uma atividade fisica correm mais risco de AVC que pessoas comuns.
Comentário de: Ivan DR [Visitante] · http://www.conflitonooriente.blogspot.com
30.10.09 @ 17:49Gustavo, adoraria participar deste grupo de discussões. Você me passa um contato?
Sica, obrigado pelo elogio. Fico feliz que tenha gostado do blog.
Comentário de: Sica [Visitante] · http://pt.wikipedia.org/wiki/Maratona_de_Nova_York
30.10.09 @ 17:53Um detalhe interessante. No wikipédia em português há um registro de quantas pessoas largaram e quantas chegaram. Em 2006 38368 largaram e 37840 chegaram. É um numero impressionante pois mostra que, apesar dos 42 km de prova apenas um pouco mais de 500 desistiram. Um belíssimo exemplo de determinação.
Comentário de: Tolerância -5+ [Visitante]
30.10.09 @ 17:57Foi durante a 1ª Maratona de Revezamento do Centro-Oeste, em 2005, meu líder! Nosso amigo Paulo Nunes teve uma pequena convulsão e arritmia cardíaca.Mas tudo terminou bem.Noutro dia estive com ele no campo do Goiás.Estava batendo futvolei com Alex Pantaneiro, Eri Johnson e cia...
Comentário de: Gustavo Chacra [Membro]
30.10.09 @ 18:04Ivan, me envie um email no blogdoorientemedio@gmail.com com seus dados
Sica, não sabia desses dados
Tolerância, o Paulo Nunes conquistou a Libertadores para o Palmeiras em 1999. Esse não precisa provar mais nada
Comentário de: Ali Abdulhamid [Visitante]
30.10.09 @ 18:14Olha Guga, ligar depois de 30 km foi o suposto certo? Ele poderia ate ter ligado do quarto dele.. e namorada mesmo ta dificil viu, e o problema não é nem que eu nao aguento, acho que elas que não me suportam
Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
30.10.09 @ 18:57Menos, Ali .. menos ... vc tá mesmo precisando de uma namorada. No encontro de amanhã vamos promover um arrastão no buteco pra te arrumar alguém que lhe ajude a se livrar dessa ansiedade toda ...rsrsrsrs
Comentário de: Francisco Ernesto Guerra [Visitante]
30.10.09 @ 20:34Caro Gustavo,
Parabéns por este post. Foi muito legal, Estivesse lá, festejaria muito mais o último a chegar do que o primeiro, como suspeito que era seu desejo (meio) inconfessado. O primeiro ganhou por dinheiro, patrocinadores, bandeiras, marca de tênis, de pasta de dente e outras quinquiliarias. Mas o último ganhou para si próprio. Ganhou por aqueles que imaginam que podem ganhar das adversidades. A vitória do último, do derradeiro é a nossa verdadeira vitória. No momento de maior cansaço, a força que o empurrava para a frente era o nosso sopro. Esta é a força dos pobres e desamparados filhos de Deus, que não se conformam com sua própria fraqueza e limitação. Há da parte dos seus (humanos) pares uma cumplicidade e solidariedade não combinada mas espontãnea.
No fim da linha, qual foi o maior prêmio? O checão de ... tantos dólares. Ou o abraço e a foto da esposa, mãe, filho ou amigo?
Os antigos e esquecidos profetas diziam que os últimos serão os primeiros. Nada mais verdadeiro.
Taí a prova, presenciada e testemunhada pelo garoto Gustavo.
Comentário de: Francisco Ernesto Guerra [Visitante]
30.10.09 @ 20:47Caro Paulo,
Li seu comentário sobre o Tonho. Já no post anterior destaquei a presença dele aqui.
Trata-se de alguém com uma visão surpreendente e inusitada da realidade. O texto de hoje é um baita de um deboche do "status quo".
O resposta do Gustavo ao comentário dele é engraçada e descabeçada. O Gustavo não percebeu do que e de quem se trata.
Alguns meses atrás, o Tonho escreveu no blog do Guterman um breve tratado sobre as lombrigas. Foium dos textos mais maluco que já li na minha vida e olha que sou leitor voraz. Maluco, mas provido de lógica.
Comentário de: DrSallere [Visitante]
30.10.09 @ 23:14Gostei dessa história.
Afinal, não é pra qualquer uma que consiga completar os 42 km mesmo que leve horas pra cruzar a linha de chegada e que para muitos desses participantes é de mérito pessoal.
Um cardiologista meu, participou algumas vezes dessa maratona e uma das fotos que pendurou na parede é ele cruzando a ponte de Brooklyn (me corrijam caso eu esteja errado).
Parabéns.
Comentário de: Fred Leal [Membro]
31.10.09 @ 01:06muito bom, gustavo. belo texto.
Comentário de: Meg [Visitante]
31.10.09 @ 01:27Oi Chacra,
Nossa, achei que essa historia ia terminar com algo tragico, tadinha da mae de japona marrom!!
Comentário de: gilberto barros lima [Visitante]
31.10.09 @ 08:10Eu sei o que é correr uma maratona, pois já completei 23 oficiais. Os últimos colocados ou retardatários são mais que vencedores porque necessitam de esforço dobrado para completar os quarenta e dois quilometros. Saibam que eles sofrem muito, mas não deixam a tristeza e o cansaço interromper o objetivo maior que é cruzar a linha de chegada. Por favor esperemos por esses grandes heróis.
Comentário de: Ranieri Carlos [Visitante]
31.10.09 @ 11:46Excelente texto, pena que vc não tenha ficado até o final para ver aquela mãe, esperando o filho!
Comentário de: Barbara Lopes [Visitante]
31.10.09 @ 12:14Bom dia Gustavo.
Sou uma dessas universitárias-atletas, com seus 20 anos; e sempre me emociono com histórias de velhinhos terminando a prova e mães orgulhosas esperanso seus filhos triunfarem ao vê-los cruzar a linha de chegada.
Adorei o seu texto e foi um dos melhores que já li sobre o assunto, creio que está certo!
Os "vencedores" da maratona não são somente aqueles que chegam primeiro, com seus recordes e aplausos, mas também são aqueles últimos que vencem seus próprios limites, coroados por nós, vencedores.
Obrigada pelo texto!
Continue sempre escrevendo!
abraço
Barbara lopes
discente de Relações Internacionais.
Comentário de: Fabio Nog [Visitante]
31.10.09 @ 13:33É incrível como o povo confunde as coisas. As vezes acho que é de propósito. Maratonas como a de Nova Iorque ou qualquer outra são disputadas por dois grupos distintos de pessoas: os atletas e os não atletas. Os atletas são profissionais. São os que chegam na frente. Eles não estão lá pela mamãe ou pelas fotos. Estão lá pelo treinamento. Esse é o meio de vida deles. Tipicamente eles largam antes, como aqui na São Silvestre. Estes competem uns contra os outros. E é óbvio que são patrocinados. Eles são humanos e precisam comer também. Maratona não dá salário. O patrocinador é que dá.
Os não atletas competem contra si mesmos, contra suas dificuldades, seu próprio relógio, suas marcas anteriores, seu desejo de atingir determinado objetivo. A platéia torce por estes e não pelos profissionais. Os relatos emocionados também se referem a estes. Profissionais terminam a prova, descansam 3 dias e voltam a treinar para a próxima maratona. Não profissionais terminam a prova, descansam um mês e tem história pra contar pelo resto da vida.
Não se pode confundir nem comparar os profissionais com os amadores.
Comentário de: Hazem [Visitante]
31.10.09 @ 15:15sobre o comentário 31.10.09 @ 13:33
Normalmente um maratonista participa apenas uma a três maratonas ao ano, pois o desgaste é tremendo. Os treinamentos que fazem logo após uma maratona, não são parte do treinamento para a próxima, mas um processo de recuperação da maratona anterior.
Comentário de: Antonio Prata [Membro]
01.11.09 @ 11:24To chorando de emocao.
Amei o texto.
bjs
Paula
Comentário de: blenda [Visitante]
01.11.09 @ 12:45Guga, cada vez que leio o que escreve parece que estou vivendo, naquele momento, a situação. Realmente uma pena se fizerem valer esssa restrição. Em 1998 corri a maratona e NY e completei em 5h40, foi uma grande alegria.Poucos sabem que para fazer uma maratona há uma outra a ser cumprida, o treino! Infelizmente temos o hábito de valorizar a performance, poucas vezes o processo de esforço e persistência tão necessärios para enfrentar as maratonas do dia-a-dia...Fazer uma maratona, para aqueles que gostam, é uma bela matáfora da vida. Cada um chega ao seu objetivo de acordo com seu ritmo.
Maravilhoso, humano e caloroso o seu relato. Obrigada
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O jornalista Gustavo Chacra, 33, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de "O Estado de S. Paulo" em Nova York. Já fez reportagens de Beirute, Damasco, Tel Aviv, Jerusalém, Gaza, Nablus, Ramallah, Cairo e Amã quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Também já trabalhou como correspondente da Folha na Argentina
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