BLOGS
24.07.08

O Three Hugger (abraçador de árvore, na tradução literal) é um completo - e divertido - blog sobre sustentabilidade. Foi eleito um dos 50 blogs mais poderosos do mundo pelo jornal britânico The Observer. Traz úteis e, às vezes, estapafúrdias dicas para que pessoas comuns se tornem "green" (verdes), ou seja, adquiram hábitos ambientalmente sustentáveis no seu dia-a-dia. Como, por exemplo, na sessão How to Go Green in Your Sex Life (como tornar "verde" a sua vida sexual). Coisas como usar camisinhas biodegradáveis e comprar uma cama de bambu. O post de hoje traz as melhores cidades americanas para se viver, a pé. Nas demais, a opção é utilizar carros movidos a energia renovável (foto).
Let's go green!
16.07.08

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, admitiu o uso de um emblema falso da Cruz Vermelha no resgate de Ingrid Betancourt e 14 reféns mantidos pelas Farc, no dia 2 - pelo menos um oficial da força de segurança que atuou na operação vestia um casaco com o símbolo da organização humanitária. O uso indevido do emblema da Cruz Vermelha viola o Protocolo Adicional II, das Convenções de Genebra, de 1949, e portanto fere as leis internacionais e os instrumentos interamericanos de direitos humanos.
O símbolo da Cruz Vermelha serve como espécie de visto de acesso às zonas de guerra para agentes humanitários que atuam na proteção e assistência às vítimas, principalmente civis não envolvidos nos conflitos. Seu mal uso pode colocar em risco a vida dos agentes e prejudicar o trabalho, uma vez que atinge a credibilidade da organização que, para realizar a ajuda humanitária, assume uma posição de neutralidade política frente aos conflitos.
“O emblema da Cruz Vermelha deve ser respeitado em quaisquer circunstâncias e seu uso sem autorização é proibido”, disse Yves Heller, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Colômbia. O governo colombiano pediu desculpas à Cruz Vermelha pelo “incidente” e informou que o oficial agiu "por nervosismo" e sem autorização. Os reféns foram resgatados em um helicóptero militar Mi-17 pintado de branco e os agentes colombianos vestiam roupas de civis - alguns tinham camisetas estampadas com o rosto de Che Guevara. O uso do emblema da Cruz Vermelha foi primeiro noticiado pela CNN.
10.07.08
A Justiça brasileira mantém presos, pelo menos, 134 mil pessoas que poderiam estar soltas. Isso porque os crimes que cometeram são de baixo ou médio potencial ofensivo, cometidos sem uso de violência ou grave ameaça. Isso significa que eles poderiam aguardar em liberdade até o julgamento, no caso dos presos provisórios, ou terem a prisão substituída por uma pena alternativa, no caso dos condenados. Eles representam mais de 30% dos 422.373 presos do País.
Esse foi o tema de uma reportagem que publiquei, sábado, no Estadão (leia a íntegra aqui). Achei válido voltar ao tema, hoje, para botar alguma lenha na fogueira do assunto mais discutido do dia: o habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao banqueiro Daniel Dantas, sua irmã, Verônica, e mais nove pessoas ligadas ao banco Opportunity.
Para a mesma reportagem, entrevistei a promotora de Justiça Federal Fabiana Costa. Em 2006, ela terminou a análise de 2.600 processos em cinco capitais brasileiras e atestou, em quatro delas, diferenças muito expressivas no tempo de prisão provisória entre aqueles que têm condições de pagar um advogado particular e aqueles que esperam pela defesa pública. No Recife, por exemplo, presos com advogado particular ficavam atrás das grades, em média, 93 dias, contra 208 dias daqueles sem condições de pagar por um. Sua conclusão: “As pessoas ficam presas não porque precisam, mas porque são pobres”, disse.
“A maioria dos pedidos de liberdade que fazemos é negado. O que percebemos é que quanto maior a vulnerabilidade social do acusado, maior a chance de sua prisão provisória ser mantida", disse a defensora Eleonora Nanni Lucenti, da 10.ª Vara Criminal de São Paulo, em outro texto (leia a íntegra aqui).
09.07.08
No Iraque, 60.000 pessoas fogem da guerra todos os meses - são 2.000 por dia, mais de uma por minuto. Refugiam-se, principalmente, nos vizinhos Jordânia e Síria. Nesse apelo, o International Rescue Commitee (IRC) pede aos internautas que assinem uma petição pela proteção dos refugiados, que vivem escondidos, sem acesso a educação ou renda, muitas vezes sem coisas básicas como alimentação e remédios, porque estão em situação irregular. Para cada internauta que assinar a petição, os financiadores do IRC doarão U$ 1 às vítimas.
04.06.08
Quando Bush ingressou à Casa Branca, encontrou um país em paz, com um superávit primário alto e uma imagem de nação a ser preservada. Quando deixar o posto, entregará a seu sucessor um país em guerra, que atravessa uma crise econômica e precisa reconstruir sua imagem junto ao mundo. Aqui, o que pensam os candidatos, agora definidos, sobre alguns temas globais:
EUA E O MUNDO
Em uma pesquisa, feita em 2007 pelo Program on International Policy Attitudes (PIPA) e BBC, em 26 países, 51% dos entrevistados responderam que os Estados Unidos exercem influência negativa sobre o mundo. Os principais motivos são a guerra no Iraque e o Guantánamo.
Obama – Em discurso de posse, ontem, Obama disse que os EUA devem agora focar no poder da diplomacia. “Eu irei me encontrar não apenas com nossos amigos, mas com nossos inimigos, não apenas os líderes de quem eu gosto, mas aqueles de quem desgosto.” Em outra declaração, ele disse: “Não conversar (com os inimigos), não nos faz parecer fortes, mas arrogantes, e nos nega a oportunidade de fazer progressos, e torna mais difícil para a América conseguir suporte para a uma posição de liderança mundial”.
McCain – Acredita que Obama é ingênuo e inexperiente e que discutir com inimigos só “legitima uma pessoa que tem muitos, muitos anos – décadas de histórico de crueldade e opressão das pessoas de Cuba”, usando como exemplo Fidel Castro.
RELAÇÕES COM A ONU
A investida military unilateral no Iraque, sem a aprovação da ONU, causou tensões entre a ONU e os EUA. Os EUA são os maiores financiadores da organização, mas também os maiores devedores. Todos os anos, o Congresso americano aprova um orçamento menor do que aquele necessário para manter as operações da ONU. O débito chega a U$ 2 bi.
Obama – Declarou que a habilidade dos EUA de liderança na ONU é prejudicada quando o país não cumpre com suas obrigações financeiras assumidas com a organização.
McCain – Propôs em um artigo à Foreign Affairs a criação de uma nova organização, uma Liga de Democracias, para “complementar” a ONU.
TORTURA
A administração Bush legitimou o uso de técnicas de investigação e interrogação que saem dos limites estabelecidos pela Convenção Contra a Tortura, da ONU. Os prisioneiros são mantidos sem julgamento em Guantanamo Bay.
Tanto Obama quanto McCain declararam-se contra a tortura e prometem fechar Guantanamo Bay. Na prática, no entanto, MacCain votou, em Março, contra uma lei que proibiria o uso de “waterboarding” e outras técnicas de interrogação.
GENOCÍDIO EM DARFUR
A crise na provincial do Sudão teve início em 2003 quando grupos rebeldes iniciaram ataques a alvos do governo, porque a região estaria sendo negligenciada. O governo revidou com uma campanha que já matou centenas de milhares com bombardeios aéreos à área e o suporte a milícias árabes conhecidas como janjaweed, que promovem ataques por terra às comunidades de Darfur. Em Setembro de 2004, os Estados Unidos classificaram como genocídio os eventos em Darfur. Isso significa que a comunidade internacional pode agir contra o país, inclusive com força militar. Mas apesar da retórica, os EUA têm falhado em garantir o fim do genocídio. O país segue sendo o maior aliado e parceiro comercial da China, que fornece armas para o governo do Sudão e tem barrados qualquer tentativa de ação militar no país com seu poder de veto no Conselho de Segurança.
Obama – Prometeu liderar as discussões pelo fim do genocídio, defendeu uma “ação efetiva” da NATO, Conselho de Segurança e União Africana, e disse que os EUA devem intensificar a pressão sobre a China e estarem preparados para impor sanções contra o Sudão.
McCain – Prometeu assumir uma posição de liderança contra o genocídio e “considerar o uso de todos os elementos de poder”dos EUA para acabar com as mortes em Darfur.
CORTE INTERNACIONAL
Criada no fim do século 20, é a primeira Corte mundial permanente e independente para investigar e condenar indivíduos acusados de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Presidente Bill Clinton assinou o Tratado de Roma, que criou a Corte, mas Bush voltou atrás – com sua decisão de invadir o Iraque ilegalmente, ele próprio corria o risco, embora absolutamente improvável, de ser levado à Corte.
Obama – Declarou que seria “prematuro” comprometer-se com o tratado porque a Corte ainda é nova e, embora mereça suporte, ainda não é clara sua forma de funcionamento. Uma antiga consultora de Obama em relações internacionais, Samantha Power disse em março, em entrevista ao The Irish Times, que os Estados Unidos precisam, antes de assinar o tratado, fechar Guantánamo e sair do Iraque.
McCain – Defendeu o ingresso dos EUA à Corte.
Fonte: As posições dos candidatos foram dadas em resposta a um questionário da organização não-governamental Citizens for Global Solutions e publicadas na Foreign Policy In Focus.
Foto: REUTERS/Jason Reed
Liguei a TV para assistir as notícias do dia na BBC, como faço todas as noites, no exato momento em que Barack Obama anunciava a vitória como candidato democrata à Casa Branca. Estranha a sensação de presenciar um momento histórico, daqueles que serão registrados nos livros e estudados nas escolas, ao vivo, no exato momento em que ocorre. Quarenta anos após o assassinato de Martin Luther King, Obama será o primeiro negro a concorrer à Presidência dos Estados Unidos. "Vocês escolheram ouvir não às suas dúvidas ou medos, mas às suas maiores esperanças e mais altas aspirações”, declarou.
Ainda que não chegue à Casa Branca - o que eu, particularmente, acho improvável a essa altura - ele já teria ralizado uma façanha. Não só por ser negro, mas jovem e filho de imigrante, chamar-se Obama (e assumir o nome, que soa exatamente como o Osama, de Bin Laden), ter Hussein como um de seus sobrenomes (o mesmo de Saddan) e pelo fato de 15% dos americanos ainda acharem que ele é muçulmano.
Os americanos querem mudança. Finalmente! Em resumo, é o que essa vitória significa. Uma mulher na Casa Branca já seria mudança e tanto em favor dos que defendem a igualdade de direitos, mas Hillary não deixaria de ser uma Clinton a revezar-se com um Bush na Casa Branca. Esse filme, nós já vimos.
23.05.08
Foto: EFE/Oliver Weiken
Em sua última coluna no New York Times, Nicholas Kristof enxerga um sopro de esperança para a China, devastada pelo terremoto de Sichuan, que matou 80 mil pessoas, feriu 300 mil e deixou outros 5 milhões desabrigados. Kristof argumenta que a reação do governo chinês à tragédia sinaliza uma, ainda que pequena, "evolução do regime autoritário para um modelo de menor controle do Estado", ainda longe de uma democracia, mas que tem se mostrado "mais sensível à opinião pública".
Kristof conta que, imediatamente após o terremoto, o Departamento de Propaganda do governo tentou proibir jornalistas chineses de viajar às áreas afetadas, mas eles simplesmente ignoraram a determinação, que acabou sendo banida no dia seguinte. Diante da presença massiva da imprensa internacional, o governo passou a tentar 'fazer bonito' diante das câmeras. O Primeiro Ministro, Wen Jiabai, voou imediatamente para o local do desastre e passou a acompanhar as operações de resgate, diante das TVs, num claro sinal da importância que a opinião pública mundial ganhou em uma China fechada - e pouco preocupada com a sua imagem além das muralhas - até muito pouco tempo atrás.
Foto: Reuters/Nir Elias
Os jornalistas chineses, por sua vez, mostraram-se menos temerosos. Notícias sobre o terremoto - e críticas ao governo chinês - aparecem nos mais de 75 milhões de blogs da China e, hoje, os protestos são mais comuns, segundo Kristof, que junto com a mulher, Sheryl WuDunn, também repórter do Times, ganhou um prêmio Pulitzer pela cobertura do massacre contra estudantes que pediam democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.
"Ainda é mais provável que dissidentes do regime vão parar na cadeia do que nos jornais, mas o terremoto traz alguma esperança aos otimistas", escreveu Kristof. Ele conta ter ficado impressionado com a população que se antecipou ao governo e foi para as zonas mais afetadas ajudar a remover os entulhos das ruas, além de levantar U$ 500 milhões em doações.
*
O casal Kristof e WuDunn viaja pelo mundo com os três filhos, escrevendo livros e reportagens para o Times. Já viveram nos cinco continentes e conhecem todas as províncias da China. São autores de China Wakes: The Struggle for the Soul of a Rising Power e Thunder from the East: Portrait of a Rising Asia, sem tradução para o português.
28.04.08
19.03.08
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Imagem da desolação em um hospital de Baghdad, flagrada por Max Becherer/Polaris, para o The New York Times.
Cinco anos depois e o balanço da guerra ilegal do Iraque soma 89.760 civis inocentes mortos. São 50 por dia, em média. O número é subestimado. As forças de ocupação lidaradas pelos Estados Unidos simplesmente ignoram os dados sobre mortes de civis iraquianos. Contam somente as mortes de militares de seus países. Por isso, voluntários americanos e ingleses contrários à invasão criaram a ONG Iraq Body Counters (Contadores de Corpor do Iraque, em tradução literal).
O IBC soma as mortes violentas de civis registradas aqui e ali pela imprensa e informações que conseguem dos hospitais, funerárias, ONGs locais e das forças armadas, e cruzam os dados para evitar sobreposição. O contador é atualizado diariamente.
Ainda assim, acredita-se que os números sejam muito maiores. Muitos são mortos por insurgentes, desaparecem, são largados pelas ruas ou encontrados muito depois em algum depósito de lixo.
Para quem tem estômago, o New York Times criou o blog Baghdad Bureau alimentado por jornalistas que estão no país ou já passaram por lá. São imagens tristes e chocantes de uma guerra que só tornou o mundo todo mais inseguro.
14.03.08
Desculpem insistir no tema, mas recebi hoje este email, que mostra o consumo semanal de alimentos por famílias de diversas partes do mundo. O levantamento foi feito pela escritora Faith D’Aluisio e o fotógrafo Peter Menzel. Durante cinco anos, eles visitaram famílias em 24 países, investigando que tipo de comida e quanto consumiam. O resultado foi publicado no livro Hungry Planet: What the World Eats (sem tradução para o português).
Alemanha: Família Melander, de Bargteheide
Gasto semanal com alimentos: 375,39 euros (R$ 999,72)
Estados Unidos: Família Revis, da Carolina do Norte
Gasto semanal com alimentos: 341,98 dólares (R$ 581,76)
Itália: Família Manzo, da Sicília
Gasto semanal com alimentos: 214,36 euros (R$ 571.17)
Polônia: Família Sobczynscy, de Konstancin-Jeziorna
Gasto semanal com alimentos: 582,48 zlotys (R$ 438,55)
México: Família Casales, de Cuernavaca
Gasto semanal com alimentos: 1.862,78 pesos mexicanos (R$ 294,50)
Egito: Família Ahmed, do Cairo
Gasto semanal com alimentos: 387,85 pounds egípcios (R$ 120,76)
Equador: Família Ayme, de Tingo
Gasto semanal com alimentos: 31.55 dólares (R$ 53,73)
Butão: Família Namgay, da Vila de Shingkhey
Gasto semanal com alimentos: 224.93 ngultrum (R$ 8,57)
Chade: Família Aboubakar, do Campo de Refugiados de Breidjing
Gasto semanal com alimentos: 685 francos (R$ 2,09)
Adriana Carranca é jornalista e mestre em políticas sociais pela London School of Economics
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