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26.11.09

Saúde, Sarney

por
Caio Camargo
, Seção: Geral 17:45:12.

No momento em que escrevo, José Sarney repousa, placidamente, na mansão do Lago Sul, em Brasília. Hoje, teve um desconforto intestinal. Iria se encontrar com uma delegação chinesa. E antes mesmo da degustação de qualquer "biscoito da sorte", o presidente do Senado percebeu que algo não estava bem. A barriga dele borbulhava. Flatos incontidos? "Bem agora, durante uma cerimônia tão importante", deve ter pensado com os botões do seu terno-jaquetão predileto.

Rapidamente, os serviçais entraram em ação. Parem as máquinas, os hinos, hasteamento das bandeiras, o intermitente circular de bandejas com as gostosuras orientais. Cessem tudo. O "homem" tá passando mal. Abram as alas que vamos passar rumo ao Serviço Médico da Casa. Previdentes, outros assessores deixam de stand by um jatinho no aeroporto. Afinal, reza a lenda que o melhor hospital de Brasília é o Instituto do Coração, que fica em São Paulo!

Providencia aí um sorinho, na veia, pra abrirmos os trabalhos. Depois, uma ecografia. Na sequência, exames minuciosos com raios X. Quatro horas de cuidados intensivos. Conclusão: gastroenterite. Doença provocada por vírus, que afeta o estômago e o intestino. Nós mortais temos a popular dor de barriga. Aquele momento único que todos já passamos, uns mais outros menos, e desejamos esquecer. Mas qualquer autoridade é acometida por gastroenterite. Chique.

Enquanto descansava no reservado, e era submetido a exames, recebeu duas visitas. Isso mesmo, o pessoal é rápido no gatilho. Epitácio Cafeteira, do PTB maranhense quis manifestar solidariedade líquida e certa. Cafeteira é aquele político que se desloca pelos corredores do Senado, a mais de oitenta quilômetros por hora, a bordo de uma cadeira de rodas. Elétrica. Renan Calheiros, do PMDB, também bateu ponto. Esse dispensa apresentações.

José Ribamar é um sobrevivente em todos os sentidos. Ficou conhecido pela corruptela do papai. Quem é esse menino? É Zé do Sir Nei. Virou Sarney. Entrou pra Política há mais de cinquenta anos. Fez fortuna. Foi Presidente da República. Amargou uma inflação mensal de oitenta por cento. Elegeu a filha, o filho. Comprou televisão, rádio, jornal. É o maior empresário de comunicação em seu Estado. Mas não adianta nada disso quando o intestino apita, não é mesmo?

Portanto, senador, convém não ter ódio no coração. Esse é um sentimento muito difícil de ser digerido. Seria interessante deixar pra lá, por exemplo, a censura que sua família impõe ao jornal O Estado de S. Paulo. Lá se vão longos 118 dias. Que tal esquecer? Virar a página? Nunca se sabe o que pode ocorrer quando somatizamos aspirações pouco nobres. Prometa que refletirá sobre o assunto. Pode ser até naquele momento, entre quatro paredes, ao lado do lavatório, quando irromper a sensação de que, dessa vez, liberou geral. Saúde.

3 comentários

Comentários:

Comentário de: Claudia [Visitante] · http://www.terra.com.br
27.11.09 @ 11:36
Boa Caio!

Acho que pela primeira vez ele foi para o "trono" sabendo que lá é um lugar de muita reflexão e sabedoria, e que seu único aliado era um simples rolo de papel.

Abraços,
Claudia
Comentário de: João Predo Ribeiro Campos [Visitante]
28.11.09 @ 19:38
O senador José Sarney passaria como herói à História do Brasil se mandasse seu filho desistire da ação judicial (censória) que move contra o jornal O Estado de S. Paulo.

E daria, ainda por cima, um belo passa moleque no Supremo, aquele órgão máximo de nossa Justiça (Justiça?) que só é ágil ao decidir a libertação de banqueiros corruptos. Fá-lo em regime de plantão, sábados, domingos e feriados. Seu Presidente despacha até na calada da noite, se preciso for. Como foi.

“Mais fácil um burro voar...”, diria minha avó.

Mas eu tenho grande Fé no poder da meditação realizada nos tronos, sobretudo quando intervém Alfredo.

Quem sabe José Sarney, após essas longas meditações a que se viu obrigado, se convença que esta solução, por mim proposta, bate de 10 x 0 sua alternativa. Que será ver o Supremo, quando Deus for servido, decidir que essa censura é inconstitucional.

Tanto eu, como o ministro Joaquim Barbosa, acreditamos que o Supremo tem solução. (De tanto acreditar que o Supremo tem salvação, alguns colegas passaram a apelidar Barbosa de Cirilo, o moleque ingênuo do Carrossel) .

A propósito, quando eu era estudante, brincávamos que “inconstitucionalissimamente” seria a maior palavra da língua portuguesa. Ela não deve mais estar nos dicionários, ou o Estadão já teria dito que nossa Justiça está agindo “inconstitucionalissimamente”, nesse episódio.
Comentário de: Damaris [Visitante] · http://dadapoulain.blogspot.com/2009/11/mordaca-no-jornal.html
30.11.09 @ 16:18
É um absurdo o Sarney estar na politica ainda, francamente hein..
Até parece que estamos na Era Vargas...mesmo com problema intestinal a unica coisa que ele vai fazer vai ser merda (desculpe o palavriado).

Abraço Caio,

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