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12.11.09

Lobão e as ovelhinhas

por
Caio Camargo
, Seção: Geral 16:33:41.

O blecaute de ideias persiste no País. No momento em que escrevo, quase quatrocentas mil pessoas estão sem água na Grande São Paulo. Reflexos ainda da queda na energia elétrica. Os bairros mais altos acabam sendo prejudicados. Até que haja o bombeamento e as caixas residenciais adquiram um nível razoável, o pessoal se vira como pode. Banho de canequinha. "Água, água, água mineral. Você vai ficar legal", ensina o bom baiano Carlinhos Brown. Só que isso significa grana despendida. Muitas vezes a peso de ouro. Mas essa é outra história.

O que me deixa pasmo é a postura do Ministro das Minas e Energia. Ele decidiu encerrar as discussões sobre o assunto. "Tomamos todas as medidas necessárias. Descobrimos as causas do incidente em tempo recorde. Não vamos mais falar sobre isso. A vida segue". Menos para aqueles mortais que ainda são diretamente atingidos pelo apagão, senhor Ministro. Edison Lobão disse que raios, trovões e ventania, na distante Itaberá- 320 quilômetros de São Paulo- desligaram o Brasil. Mas essa afirmação foi rebatida por técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE. Pra eles, os fenômenos meteorológicos na região citada não foram da magnitude sugerida pelo governo.

Pior ainda foi a entrevista do Ministro da Justiça. Ele classificou todos os dissabores vividos por milhões de brasileiros, em dezoito Estados, como "microincidente". Ora, senhor Tarso Genro, o que seriam então problemas macro na sua ótica? Houve prejuízos significativos no comércio, indústria e para os consumidores. Números ainda serão divulgados. Mesmo assim, o que interessa para os ventríloquos de Lula é comparar." O apagão de hoje nada tem a ver com a crise energética do governo anterior". É bom comunicar aos petistas que Fernando Henrique Cardoso deixou a Presidência da República em 31 de dezembro de 2002. 2002!

Não serei leviano a ponto de acusar essa ou aquela autoridade. Mas é penoso acreditar na versão oficial. Raios, ventos e chuva devem afetar diariamente as linhas de transmissão de todo País. Se isso for verdade, mais uma vez São Pedro, já tão sobrecarregado, terá de ser invocado diretamente. A mensagem subliminar dos envolvidos é: Oremos! Será mesmo que um linhão de energia elétrica poderia causar o estrago em cadeia vivenciado por todos nós? E o sistema de emergência? Também não funcionou? E a demora em restabelecer a normalidade? O problema não ocorreu no horário de menor carga?

São perguntas que ficaram literalmente às escuras. Convém aproveitarmos a proximidade das eleições pra cobrar uma outra política energética. Seria interessante diversificar as fontes em matrizes energéticas limpas. Cadê a tal biomassa? Energia eólica? Solar? Essas alternativas têm se prestado somente a discussões durante as campanhas. Depois, padecem de timidez administrativa na implantação. Por ora, difícil não concordar com as críticas. Falta mais investimento no setor energético, além de manutenção e qualidade no serviço. Deixaram um Lobão tomar conta das ovelhinhas. Vocês sabem quem são elas? Bééééééé!!!!

8 comentários

Comentários:

Comentário de: Oleg Schevciw [Visitante]
12.11.09 @ 22:32
Prezados Repórteres da Radio Eldorado,
Lembro-me bastante bem que há alguns anos atrás a Dna. Dilma Roussef apareceu em entrevista na televisão referindo-se com a costumeira atitude de escárnio, a um apagão ocorrido nos EUA, afirmando categoricamente que tal apagão “jamais” ocorreria no Brasil, pois a principio o Brasil tinha uma tecnologia melhor(?). Bem! É difícil acreditar que isto refletisse qualquer traço de lógica, uma vez que a energia elétrica tal como conhecemos atualmente foi um desenvolvimento basicamente norte americano. Problemas de auto estima aparte, convém ressaltar que os EUA estão já anos luz a frente dos outros países no que tange ao conhecimento de geração e transmissão e emprego de energia elétrica, visto que nos últimos tempos tem alertado as autoridades brasileiras em relação a possibilidades de Black outs. Aparentemente o Sr. Hugo Chaves da Venezuela é incapaz de fazer isto. Nesta hora é melhor encarar a verdade de frente, e justificar que o Black out ocorrido foi de causa c , e não a ou b, é absolutamente irrelevante, uma vez que foi gravíssimo, pois levou ao desligamento da unidade geradora (Itaipu) e seguiu o efeito cascata tão comum a este tipo de ocorrência (apagão). Favor entender e registrar (no caso de nossas autoridades) que nossa matriz energética é relativamente frágil e sempre esteve potencialmente a beira de um colapso, portanto gritos de guerra tupiniquins não vão impressionar quem está armado com fuzil, melhor baixar o tacape e procurar fazer a coisa certa, que é trabalhar para o aumento do potencial elétrico instalado.
Causas “atmosféricas” segundo nosso ministro Lobão é no mínimo curioso, pois parece que não pintou o “clima certo”. Talvez melhor alegar intempéries ou fatores climáticos, porem “atmosférico” parece imputar um aspecto aéreo a causa, algo próximo do mundo das nuvens. Coisa para assustar os três porquinhos.
Em função das altíssimas taxas tributárias aplicadas no Brasil e contas de energia elétrica e água a níveis escorchantes é melhor que nossas autoridades constituídas se preocupem mais em fornecer um serviço de muito melhor qualidade e mais competência, além é claro de postar-se com humildade perante os problemas a serem enfrentados e perante as reais necessidades do Brasil para futuro.
Por fim pergunto: Dna. Dilma Roussef, como ficamos agora? De fato nunca teremos Black outs de energia? Infelizmente parece que o Brasil l transformou-se no país dos Black outs. Tem ocorrido Black outs na segurança pública, na justiça, na saúde, na ética, na moralidade e principalmente na vergonha na cara. Parece também que o Black out tornou-se tão comum e apreciado que o mesmo tem sido estendido aos jornais e meios de comunicação através da horrenda garra da censura!
Sem mais, um cidadão brasileiro,

Oleg Schevciw R.G. 6.244.786
Comentário de: monica sobolewski [Visitante]
12.11.09 @ 23:01
Caio eu e minha filha somos suas fãs todas as manhãs. analises e comentarios bem dosados. Lobao e as ovelhinhas melhor ainda. abraços , se cuidem
Comentário de: João Prado Ribeiro Campos [Visitante]
14.11.09 @ 14:59
Prezados Caio Camargo, e demais “vivandeiras alvoroçadas”:

Entupi seu Twitter de referências internacionais sobre apagões provocados por raios, no Canadá, nos USA, na Ilha de Guam, tão perplexo que fiquei pelas explicações do Prefeito de Itaberaba (DEM_SP), promovido, por este noticiário, ao grau de PH.D. em raios e trovões. Por um átimo dei-lhe o benefício de “não saber de nada”.

Não concordo que o PT atribua o desabamento do Rodoanel Mário Covas à incompetência da gestão do governador José Serra, que Deus o tenha. Nem mesmo o desabamento dos túneis da linha 4 Amarela do metrô. Prefiro crer que estas foram fatalidades de percurso, imprevisíveis, seja por este, ou por aquele partido político.

Mas tudo isto me faz sentir uma certa saudade daquele que diz, pela TV: ” Minhas obras não desabam”. Embora muito caro nos tenham custado, estas obras. Mas não desabam; isto é fato.

Agora, vem cá, Caio: o tratamento jornalístico que vocês dão ao blecaute (não é apagão, apagão é quando falta capacidade de geração de energia) exige de todos nós, que não somos “vivandeiras alvoroçadas”, um enorme grau de paciência, paciência de Jó, com a sagrada liberdade de imprensa.

“Não concordo com uma palavra do que você está dizendo, mas seria capaz de lutar até a morte para garantir seu direito de dizê-lo”, já disse alguém, “de cuyo nombre no me quiero acordar” (Cervantes).

Mas haja paciência, Caio Camargo, haja liberdade de imprensa. Vá distorcer os fatos assim na casa do chapéu !

Não me diga que você não sabe, Caio Camargo, com seus 32 anos de experiência em jornalismo, que blecautes têm ocorrido, periodicamente, nos USA, no Canadá, na Ilha de Guam, nas Oropas, e alhures. E até por causa de raios.

Como você consegue, Caio Camargo, do alto de seus 32 anos de experiência, estabelecer uma relação de causa e efeito entre o blecaute de 2003 em território nortemericano - que segundo o Primeiro Ministro do Canadá foi provocado por um raio - que afetou 50 milhões de norteamericanos, e o “aparelhamento do Estado”? Quando nem mesmo Bush conseguiu vislumbrar sinais de “ataques terroristas” naquele episódio ?
Comentário de: Caio [Membro]
14.11.09 @ 15:25
Oi, João: em primeiro lugar, inclua-me fora das vivandeiras. Usando seu raciocínio tortuoso, poderia classificá-lo como carpideira do Maluf. Depois, pergunto de forma direta: no meu texto acima, em que momento, elaboro relação de causa e efeito com o blecaute de 2003? Quem sabe você padeça da síndrome Tarso Genro e tenha feito uma micro-leitura do post. Por último, mas não menos importante: livre-pensar é só pensar. Liberdade de Imprensa nunca é pouca. Vide o Estado de S. Paulo, censurado há cento e seis dias.
Comentário de: João Prado Ribeiro Campos [Visitante]
14.11.09 @ 18:27
Em primeiro lugar a censura ao Estadão é uma VERGONHA. Vergonhosa a Justiça brasileira que não dá uma basta nesta questão. Se é que “questão” aí devesse haver.

Folgo em saber que você se autoexclui do grupo das “vivandeiras alvoroçadas”. E lamento que tenha entendido corretamente esta minha mensagem cifrada. Como o fez, deve ser velho pacas...

A relação de causa e efeito está implícita em seu artigo, e não explícita. Sugerida, não declarada. Como bom jornalista que é você sabe muito bem que as entrelinhas dizem muito mais do que as linhas. Fiz uma micro leitura de seu artigo sim. Atentando ao que ele sugere, além do que diz.

Se ao menos você reconhecesse que em outras paragens, em países por nós considerados “desenvolvidos” Primeiros Ministros, até no Canadá, também atribuíram - não sei se acertada ou erradamente - blecautes binacionais, como o de 2003, a raios e trovões, sua reportagem seria bem mais fiel aos fatos.

Como ela está, dá a impressão que uma asnice foi dita por nosso Ministro Lobão. Se “asnice” foi dita por ele, esta mesma “asnice” já fora dita pelo mundo afora, por políticos respeitados, e por técnicos internacionalmente renomados, o que o coloca dentre os maiores “asnos” mundiais.

O fato fático é que linhas “caem” (no jargão dos eletricistas) por causa de raios no Mundo todo, e vez por outra provocam o desligamento em cascata de áreas enormes. Foi isto que aconteceu no Brasil? Não sabemos, ainda.

Pode ter acontecido ? Claro que pode ! Pode ter havido um erro de manobra da rede? Claro que pode! Mas isto só pode ser conjecturado no campo das especulações. Até que se diga qual foi o tal do erro, onde e quando ocorreu, documentadamente. Já que tudo que ocorre na rede elétrica fica registrado, como nas caixas pretas de aviões. Até os raios !

Deve-se tomar medidas para minimizar o risco de que esse “efeito dominó” torne a ocorrer ? Claro que sim! Como fizeram os EUA/Canadá em 1965, 1977 e, novamente, em 2003.

Melhorou para eles ? De certa forma creio que sim. Levou doze anos entre o primeiro desastre norteamericano e o segundo, e vinte e seis anos entre o segundo e o terceiro.

Existe no Mundo rede de distribuição elétrica infalível, como o Papa em questões de Fé? Creio que ainda não.

Quanto ao tempo de religação de Itaipu você foi muito injusto com nossos técnicos brasileiros.

O blecaute de 1965 em Nova York aconteceu dia 9 de novembro às 17h27. Às 23h00 só uma pequena parte do Brooklin teve sua energia restaurada. Nova York só voltou à inteira normalidade às 07h00 do dia seguinte. A imprensa americana relata que 25 milhões de pessoas ficaram sem luz por 12 horas.

No blecaute de 1977 os problemas começaram às 20h37 do dia 13 (outro dia 13..) de julho. O efeito cascata foi se alastrando - apesar das frenéticas tentativas de impedí-lo - até que às 21h36 o sistema da Con Edison - que abastece Nova York, - foi totalmente desligado. Metade de Nova York ficou sem luz até às 13h45 do dia seguinte (14). A outra metade continuo no escuro e só teve sua energia restaurada às 22h39 do dia 14.

O blecaute de 2003, que afetou 45 milhões de americanos e 10 milhões de canadenses, começou no dia 14 de agosto às 16h15 aproximadamente. A energia só começou a retornar, parcialmente, em Nova York, às 05h00 do dia seguinte (15). Os aeroportos de Nova York só voltaram a operar no início da noite do dia 15, e a normalidade só foi restabelecida totalmente na América do Norte no dia 16.

E o restabelecimento aqui no Brasil (realizado em 4 horas) foi LERDO ? Lerdo em relação a quê ?
Comentário de: Caio [Membro]
14.11.09 @ 18:42
Lerdo em relação ao fim do mundo. 2012. Temos que correr bastante. Ao menos é o que tentam fazer os aproveitadores de sempre. Os coronéis de linhas, linhetas e linhões. Questão de fundas, digo de Furnas: quando haverá unificação de métodos???
Cada região fala uma língua. Em termos de manutenção, distribuição e congêneres. E não venha me dizer que o Operador Nacional do Sistema regula de forma eficiente a bagaça. Em termos técnicos, quem merece respeito é o professor Maurício Tolmasquim, da EPE. Mas ele também deve estar farto. Afinal, a "carga" tem sido muito pesada.
Comentário de: monica camargo neves [Visitante]
17.11.09 @ 19:35
e já lí que ontem teve outro apagão.o grande problema,é no mínimo,o pessoal de Brasília estar politizando tudo,ao invés de esclarecer tudo,aos eleitores,ao público
Comentário de: monica camargo neves [Visitante]
17.11.09 @ 19:40
sobre o que a ministra(ela,a de bons bofes(!!!) disse que NUNCA teríamos um apagão,só me fez lembrar outro na história,que garantiu ao povo que a cidade deles jamais seria bombardeada.E foi.ele também conduziu uma censura-queimou todos os livros-o Estadão está sob censura,ou não?e, para completar,esse mesmo é famoso por dizer,por usaruma estratégia política interessante:diz a mentira tantas vezes que ela começará a ser entendida como a verdade. Sabem de quem estou falando?

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