Alá, meu bom Alá
Luiz Inácio Lula da Silva adora um morde-assopra. Faz isso com os colaboradores mais próximos. Estende sempre a postura pra chamada base aliada. Agora, decide que é o melhor método a adotar em termos de diplomacia internacional. A pretensão brasileira não conhece limites. Deseja mediar a paz no Oriente Médio. Pra tanto foram recebidos o presidente de Israel, Shimon Peres e o dirigente máximo da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
As metáforas futebolísticas de Lula ganharam corpo e podem até se materializar. Ele sonha realizar, no mês de março do ano que vem, um amistoso pela paz. Entre os dias 10 e 16 de março de 2010 Lula visitará Israel, Jordânia e territórios palestinos. E quer patrocinar o jogo de futebol do time de Dunga e um combinado de israelenses e palestinos. Nos mesmos moldes da partida realizada no Haiti, em 2005.
Abbas e Peres concordam em ajudar Lula nessa empreitada diplomata-desportiva.
Mas a criatividade tupiniquim não se esgota. O Presidente da República deu mais uma demonstração clara ao receber o polêmico colega iraniano. Ao lado de tantos sorrisos de boas vindas, Lula defendeu o programa nuclear de Mahmoud Ahmadinejad.
Disse, de forma enfática, que o cidadão pode enriquecer urânio pra gerar energia. Igualzinho como faz o Brasil. Ahmadinejad, que teve problemas na tradução para o farsi, ensaiou risos tímidos e só pode mesmo agradecer o beneplácito.
Novamente a velha tática apareceu. Recebo todo mundo. As figuras mais controversas. Saio bem na foto. Apoio. Retrocedo. Elogio. Tasco uma crítica velada. Certo? Errado. Num editorial, o New York Times classifica a visita de Ahmadinejad como uma cotovelada em Barack Obama. E mais: isso pode comprometer a aspiração do Brasil de se tornar um agente importante no cenário diplomático mundial. Leia-se a eterna procura pela cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU.
A viagem do iraniano só trouxe um efeito positivo. Luiz Inácio resolveu cumprir a agenda sem atrasos. A rigidez se explica pela prática do Islamismo, que determina cinco orações ao dia. Uma delas próximo ao almoço. O iraniano nem quis saber das mesuras brasileiras. Interrompeu compromissos políticos para seguir as obrigações religiosas dele.
"Estou com muita pressa: vou falar poucas palavras e sair correndo porque vou receber o presidente do Irã. Temos um horário a cumprir, pois o Ahmadinejad precisa rezar às 13h em ponto", explicou Lula. Ao menos essa preocupação com a pontualidade poderia perdurar até o fim do mandato dele. Quem já levou o tradicional "chá-de-cadeira" sabe do que estou falando. Alá, meu bom Alá.
1 comentárioComentários:
Comentário de: monica camargo neves [Visitante]
25.11.09 @ 23:10it´s just business! o Brasil procura expandir seu comércio.sabia que a bala Juquinha já está em 40 países? o que achei interessante,entretanto,foram os manifestos que a sociedade civil fez.as pessoas estão começando a entender e participar um pouco mais no processo político.





