BLOGS

06.05.09

por David Moisés, Seção: Os anos Obama 11:07:25.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

A improvável eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos só agora, para esse brasileiro-americano, parece se tornar realidade. Estamos na marca dos primeiros 100 dias do PRESIDENTE Obama, e ouvindo jornalistas e comentaristas referindo-se a ele como "presidente" martela nesse cérebro antigo, a nova realidade política na América.

Parece mesmo ter sido necessária a "Perfect Storm" político-social no país para propiciar esse divisor de águas na história americana, a vitória de Obama: o desastre claro e abrangente que foi o governo de George Bush em todas as áreas que afetam o povo em geral, desde a economia, às guerras desnecessárias com seus enormes gastos, as invasões aos direitos humanos do cidadão na forma dos abusos do Patriot Act (escuta eletrônica indiscriminada) e direitos de minorias (vide, gays), extremismo religioso evangélico, desrespeito aos tratados internacionais, descrédito ao problema de aquecimento global e talvez a pior ofensa que foi estabelecer o critério de apoio ao partido republicano como a maneira de conseguir postos na administração federal.

Mesmo os mais conservadores eleitores sentiram o baque desse incrível país atingindo o fundo do poço e levando consigo milhões de pessoas e seus "American dreams".

Quando Obama anunciou sua candidatura há dois anos e meio em Springfield, estado de Illinois no mesmo patamar que o venerado Abraham Lincoln o havia feito em 1863, minha reação (eu apoiava Hillary na época) foi uma de "esse cara ainda é jovem, deve esperar por sua vez" e esse era o refrão de muitos observadores menos arriscados. Eu, mais convencional, achava que a tal de inevitabilidade de Hillary deveria ser respeitada e ponto final.

Aos poucos, através dos debates e comícios, Obama começou a mostrar seu pedigree ímpar: seus pronunciamentos, opiniões e ideias fugiam do tom de "politics as usual" e sua aceitação começou a subir.

Em setembro de 2007, na pequena cidade de Bend em Oregon, o pequeno grupo da campanha de Barack Obama nos cativou e todos os dias parecia que finalmente estávamos no início de um período adulto da historia eleitoral americana: os adversários foram expostos por suas posições mais baseadas em pesquisas do que em convicção de princípios morais e intelectuais ao passo que Obama se firmava, aos poucos, na mente e no coração desse povo, que de idiota não tem nada.

Após os dois partidos definiram seus candidatos, ficou claro que John McCain, herói da guerra do Vietnã e senador de prestígio, estava fora dessa competição por falta de preparação e credibilidade. Com a economia explodindo na realidade do país em setembro de 2008, McCain declarou que "os fundamentos de nossa economia estão sólidos", e esse foi o começo do fim de sua candidatura. Obama, calmo e perspicaz mostrou sua qualidade de liderança, fazendo pronunciamentos baseados em fatos e possíveis soluções.

A vitória em 4 de novembro foi uma apoteose nacional e só ultrapassada pela inauguração de 20 de janeiro nos degraus do Congresso nacional em Washington. Brancos, negros, latinos, asiáticos, gays e todas as classes da minoria que formam esse gigantesco arco-íris americano com braços entrelaçados e olhos marejados de lágrimas de orgulho aguentaram o frio do inverno de Janeiro para saudar o novo presidente.

Os primeiros 100 dias foram uma confirmação que o país não errou em sua escolha e o índice de aceitação do jovem presidente continua nos níveis de FDR, Eisenhower e Reagan que foram três dos mais populares presidentes do ultimo século.

As passagens de programas como o estímulo econômico (sem 1 único voto da oposição) e do novo orçamento federal demonstram a força de Obama que agora só tende a aumentar com a mudança de partido do senador de Pennsylvania, Arlen Specter para o partido Democrata.

O maior desejo de Obama e sua promessa de campanha mais séria é a reforma do sistema de saúde publica e que agora poderá finalmente acontecer. 47 milhões de americanos, até agora ignorados e sem nenhum sistema de seguro hospitalar terão esperança de uma vida digna.

Barack Obama exemplifica um ser humano com valores humanos baseados em realidade e condição espiritual apurada. Ele e sua família não cometem gafes grosseiras e os pronunciamentos dele e de Michelle, sua incrível esposa, são medidos e autênticos.

Os Estados Unidos começam a ser, mais uma vez respeitados internacionalmente, agora que temos um "diplomat-in-chief" dando o tom para a diplomacia. Sem ameaças vazias, mas com voz firme e razoável. Se os primeiros 100 dias forem uma amostra do que Obama será durante o resto de seu primeiro termo, aleluia!

Americano agora se orgulha de seus país por razões de intelecto e equilíbrio emocional. Desaparecem os vazios gritos de "we are number one" que excluía o resto do mundo. Agora somos parte do planeta mais uma vez. Agora sim, teremos uma chance de reaver a tradicional liderança americana que o resto do mundo tanto aprecia.

 


04.05.09

por David Moisés, Seção: Os anos Obama 14:27:53.

comentário de Thaise Adams, do Colorado

Após a demissão do meu marido, o primeiro mês foi muito difícil. Fizemos todos os cortes extras possíveis, diminuímos o plano de minutos do celular e cortamos a mensalidade de dez dólares da academia. Não temos TV a cabo, então nem precisamos nos preocupar.

Entramos em paranóia, ups and downs, noites acordadas, e uma fixação com o computador. Afinal, não queríamos deixar passar nenhuma oportunidade de mandar o currículo. O seguro desemprego só paga o financiamento da casa.

No segundo mês nos acalmamos mais. Procuramos todas as ajudas do governo possíveis: plano de saúde, lanche escolar e possível refinanciamento. Somos responsáveis e não temos nenhuma dívida de cartão de crédito, por enquanto.

Após muitos currículos enviados, finalmente eu e meu esposo, coincidentemente na mesma semana, recebemos convites para entrevistas de trabalho.

Abrimos uma frestinha da porta. O pé na porta seria a nossa contratação, e "os dois pés" manter o emprego. Entrei, ele não.

Em meados do terceiro mês, fui contratada como recepcionista de uma grande empresa, trabalhando 50 horas por semana. O salário vai ajudar a pagar os gastos mais básicos, e o plano de saúde oferecido é menos uma preocupação. Se conseguir subir de andar, melhor ainda.

Porém, a região está cada vez pior. O preço das casas continua baixando, a nossa baixou 10 mil em meio ano. Mais amigos estão também perdendo o emprego, e outros estão devolvendo as casas para o banco porque não podem mais arcar com o financiamento.

O governo atual realmente herdou um desastre. O Obama pode falar o que quiser, mas no fundo a tensão que estamos sofrendo não tem diminuído. Estamos à espera do estímulo ao cidadão.

 


03.05.09

por David Moisés, Seção: Os anos Obama 10:11:18.

comentário de JACQUELINE M. MORAIS*, de Connecticut

Para alguns o governo de Barak Obama é aquilo que teria sido o de Robert Kennedy, se este não tivesse sido assassinado, para outros a política externa do governo atual ainda não se posicionou e não apresentou nenhuma mudança concreta quando comparada a do governo W. Bush, afinal todos os integrantes deste setor do governo poderiam ter sido vistos no governo anterior (com exceção de Clinton acredito eu).

Talvez todas essas hipóteses ainda circulem entre as mais diferentes correntes de cientistas políticos porque 100 dias não sejam suficientes para julgar um governo. Mas o que ninguém discute é o tom diplomático e sempre moderado que o novo presidente dos EUA apresenta (visto na coletiva de imprensa da última quarta-feira), mesmo quanto arguído sobre os mais espinhosos desafios do governo atual, e a lua-de-mel que ainda existe entre Obama e a opinão pública nacional e internacional.

Acredito que não se pode e não se deve comparar o governo de Obama ao que teria sido o de Bob Kennedy, diferentes contextos históricos, 40 anos os separam. Entretanto, apesar da política externa do governo Obama não ter sido definida em algumas esferas (existe um medo real e fundamentado para países como o Brasil da política protecionista democrata), acredito que Guantánamo e o fato não declarado (digamos sugerido) do governo atual adimitir que precisa da ajuda européia para resolver a atual bomba que vem se instaurando no Paquistão diz muito sobre o que podemos esperar da política internacional desse governo.

Sem dúvida, o que pôde ser percibo no dia a dia dos cidadãos comuns deste país foi uma verdadeira mudança (certamente no discurso e para muitos já de comportamento), que talvez há um ano atrás pareceria impossível até para os mais otimistas.

É absolutamente animador ver as pessoas falando sobre economizar, não só porque a taxa de desemprego é assustadora, mas também porque muitos abriram os olhos para a necessidade de poupar não só seus US dólares, mas também o planeta. No noticiário local vi pessoas declarando que estão indo de bicicleta para o trabalho, confesso que não teria acreditado se não tivesse visto.

Outro ponto importante, as pessoas têm se conscientizado da necessidade de acabar com o tal consumo desenfreado, visto como um direito quase que divino, instaurado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O trabalho voluntário, sem dúvida não só bandeira política, mas realidade vivida pelo presidente Obama tem inspirado estudantes universitários que estão de malas prontas para países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento onde irão trabalhar durante as férias de verão em campanhas de melhoria na saúde pública ou na implementação de fontes de energia renováveis (hoje vou participar de um jantar para arrecadar fundos para uma dessas estudantes a caminho de Uganda, onde irá trabalhar na instalação de um centro de energia solar).

Os estudantes universitários estão declaradamente orgulhosos da mudança que eles ajudaram a dar início, e expressões do tipo, “não somos todos os estúpidos e alienados que o resto do mundo pensa de nós e Obama representa isso” foram ouvidas nos debates promovidos sobre os 100 dias de Obama.

Após os tal 100 dias, ninguém ouve falar do Sr. Bush, que parece ser um passado que todo mundo (democratas e republicanos) fazem questão de esquecer. Discute-se qual será seu futuro, palestras ao redor do mundo, como Clinton? Quem se habilita a ouvir? Quanto ele cobrará para discurssar suas pérolas? Ainda é um mistério.

Onde estão os republicanos nesta história e quem será a força de oposição do governo atual (o que sem dúvida é algo necessário para o fortalecimento de qualquer democacria) também é outra dúvida. Seria o plano de investimento em fontes de energia renováveis e mudanças no sistema de saúde só retórica?

A crise econômica atual é mais do que conveniente ao governo Obama, que pode quando uma certa recuperação acontecer, sair na foto como o salvador da pátria? Dúvidas que com certeza terão suas respostas nos próximos 4 anos.

O que já é certo é a mudança de prioridades deste país, o laboratório de pesquisa em que trabalho, assim como outros que conheço estão otimistas com os fundos (alguns bons milhões de dólares) que o governo federal forneceu a NIH (National Institutes of Health) para o investimento a partir de setembro em pesquisas consideras de absoluta necessidade, como controle e tratamento do diabetes e outras doenças relacionadas a obesidade, terapêutica do câncer (inclusive via uso de células tronco, banidas do investimento público pelo governo W. Bush) e quanto perguntado sobre o tema aborto na coletiva da última quarta-feira, Obama respondeu em claro e bom tom, este tema não faz parte das prioridades atuais deste governo.

Alguém ainda duvida que os próximos 4 anos serão melhores do que os últimos 8?

* Farmacêutica, pós-doutoranda na School of Pharmacy, University of Connecticut.

 


02.02.09

por David Moisés, Seção: Os anos Obama 18:36:27.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

Os problemas da economia americana são gigantescos e quase ninguém sabe na verdade qual o melhor caminho para sair desse labirinto. Diversos são economistas premiados com o Nobel de Economia que opinam, mas aparentemente, sem grande convicção. Um livro interessantíssimo, "Free Lunch" de David K. Johnston descreve o sistema americano no qual as grandes multinacionais se enriqueceram de forma fantasmagórica (Wallmart, por exemplo) através de subsídios, isenção de impostos e toda a sorte de facilidades governamentais.

Todo esse dinheiro oferecido a essas gigantescas companhias é ultimamente bancado por pelos governos de municipalidades, dos estados e também do governo federal, ou seja, o contribuinte americano. Como chegam essas multinacionais ao contato íntimo com os políticos? Entram em cena os famigerados "lobistas" (dos quais, o mais famoso aqui é Jack Abramoff, agora na cadeia depois de levar milhões de dólares nos últimos 8 anos) que são verdadeiros predadores soltos pelos corredores do poder em Washington. Enquanto essas firmas e lobistas enriquecem, os cofres públicos empobrecem.

Barack Obama, que Deus o abençoe, pegou um rabo de foguete que nem ele sabe até onde vai. As más noticias aparecem diariamente, com desemprego e novos balancetes indicando perdas enormes. E durante todo esse drama, os Republicanos que nos últimos 8 anos carimbaram todos os pedidos de mais dinheiro pelo governo Bush para guerras no Oriente Médio, agora se enchem de brio, bloqueando os programas que Obama insiste, são necessários para tirar esse jipe do atoleiro.

"Um trilhão de dólares" gritam os estapafúrdios e apopléticos republicanos na Câmara Federal! "Como podemos dar esse prejuízo todo aos nossos netos e aos netos deles?" repetem sempre os políticos nos Jornais de Televisão. Logo esses que, presidiram sobre a execução do maior déficit da história americana depois de encontrarem um superávit após a gestão Clinton.

Nada é de graça e no fim, parece que esse sistema está mostrando uma podridão difícil de ser contida. Que as pessoas de boa vontade e de suprema inteligêcia prevaleçam para que esse fabuloso país possa retomar o seu rumo.

 


18.01.09

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 23:03:57.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

Acabei de assistir, na tarde desse domingo 18/1, um show ao vivo na HBO em frente ao monumento a Lincoln em Washington DC. Os convidados de honra, Barack Obama e sua família com sorrisos largos, semblantes alegres. A ocasião, a apenas dois dias da posse do novo presidente mostrou o espírito americano hasteado mais uma vez pelo sentimento coletivo de orgulho e esperança, para que esse sofrido país surja à frente da classe, mais uma vez. De Tom Hanks, a Stevie Wonder, Bono e o U2 e ao filho de Martin Luther King desfilou uma verdadeira constelação de astros do mundo artístico americano, pagando tributo ao presidente eleito.

No começo de 2008, os EUA já começavam ter uma mostra da força de inspiração e liderança que era Obama. Hillary Clinton ainda estava na competição e a disputa era árdua. De estado em estado, primaria após primaria Obama foi ganhando os pontos suficientes para tornar-se o candidato oficial dos Democratas.

E agora, estamos prestes a ver esse jovem intelectual ser empossado no cargo de presidente dos Estados Unidos contra todas as medidas históricas que existiam desde o começo dessa república. A alegria e a emoção de jovens e velhos, brancos e negros, latinos e asiáticos enfim da maioria da comunidade americana é visível e palpavel.

Nas telas de televisão, nas ruas, nos cafés, nos restaurantes vemos os sorrisos, as lágrimas. "Hope" é a palavra chave que Obama usou durante a campanha e que agora parece destrancar o coração desse povo que nem sempre é tão demonstrativo.

A enormidade dessa ocasião lembra um pouco o breve momento da candidatura de Robert Kennedy em 1968, um ano trágico com o país mergulhado numa guerra sem fim e sem sentido. Aquele sonho durou pouco e o país vem procurando um líder capaz e inspirador desde então: Obama parece ser tal pessoa.

Eu sei que tudo isso é coberto em grande detalhe no Brasil e pelo que ouço, tambem em muitas outras partes do mundo. E no pequenino estado do Oregon, a pequena população se junta ao resto do mundo para saudar o novo "cara"!

 


17.01.09

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 22:58:06.

comentário de THAISE ADAMS, do Colorado

Semana passada, numa manhã de sol em pleno inverno, olhamos pela janela da cozinha, e quase derramando nossas xícaras de café, vimos duas raposas em cima do depósito no quintal. Uma imagem extraordinária e quase irreal. Há quase 6 anos morando na região não havíamos cruzado com tais magníficos carnívoros. Fiquei com a imagem das raposas a semana inteira.

Alguns dias depois, meu esposo recebeu a notícia de que foi dispensado da empresa por reestruturação. Após quase dez anos de dedicação, lhe deram duas caixas para limpar o escritório e o acompanharam para fora do prédio. Mesmo sem nenhuma justa causa, eles não têm piedade, a prioridade é o capital. O comitê executivo decidiu, e pronto! Rua!

E ainda há muitos desses comitês de executivos à solta, que só aparecem de vez em quando. Oportunistas como as raposas, eles ficam escondidos e aparecem na hora de dar o bote. Alguns continuam lucrando com contratos milionários, ou investimento à custa dos outros.

Mr. "Financial-Guru" Madoff tá lá, em seu "apartamentinho" em prisão parcial. Outros ainda estão escondidos. Um executivo tentou fugir no seu "aviãozinho" e forjar a própria morte para não ser preso por fraude. Se deu mal!

Imaginem quantos estão nas tocas, sem querer botar a cabeça pra fora. Mas eles estão por perto, sempre por perto, esperando a oportunidade.

É, as raposas estão soltas!

 


por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 22:52:37.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Antes de o Obama ser eleito, nenhum amigo meu que mora no Brasil acreditava nessa possibilidade. Todos, sem exceção, me diziam que os EUA jamais elegeriam um negro para presidente. Afinal de contas, insistiam, os EUA é um país muito racista.

Esse um ponto falado, discutido e argumentado incessantemente e, infelizmente, não se chega a nenhuma conclusão. E sabe por quê? Porque esse não é, como nada na vida, um assunto preto e branco (desculpem o trocadilho). O brasileiro acha que o americano é racista. O americano acha que o Brasil é um país sem nenhum preconceito, o exemplo do melting pot.

Na realidade, a discriminação é inerente ao ser humano (sei que esta sentença irá causar muita controvérsia), tribal. Vem desde os tempos pré-históricos quando as tribos se defendiam dos ataques de outras tribos. Um exemplo muito claro é a religião. Desde que o mundo é mundo as pessoas se matam, entram em guerra e aniquilam outros países (grupos de pessoas, áreas geográficas) em nome de Deus. Meu Deus é melhor do que o seu, por isso tenho que matá-lo.

Quando mudei do Rio de Janeiro para Los Angeles, Califórnia em 1984 levou algum tempo para que eu conseguisse racionalizar a diferença. Achava que a cidade era mais branca. Quando me mudei para Fort Lauderdale, Flórida, perto de Miami, percebi que na realidade, Los Angeles era mais asiática. Somente depois de alguns dias na Flórida foi que notei que não via nenhum asiático.

Quando mudei de Los Angeles para o interior do Colorado, percebi a ausência de mexicanos e negros. Um amigo nosso nos aconselhou a não dizer que éramos da Califórnia porque as pessoas nos olhariam de lado devido ao grande número de californianos que mudam para Colorado.

Nunca me senti discriminada por ser latina, mas custei a aceitar que aqui, não sou considerada branca. Latino não é branco. Sou totalmente contra a hifenização dos nomes afro-american, afro-descendente, cubano-americano. Gostava muito mais do nosso sistema antigo no Brasil - nasceu no Brasil é brasileiro. Afinal de contas, quando uma pessoa perde o hífen? Quando passa a ser brasileiro, americano, etc.?

Acho que esta 'preservação das raízes' na realidade, só faz separar as pessoas, isso sim é um modo de racismo. Até uns 30 anos atrás, as famílias emigravam para outros países e a primeira coisa que os pais faziam questão era que seus filhos falassem o idioma do país e se integrassem totalmente. Semana passada conheci uma pessoa de 37 anos, filho de imigrantes mexicanos, que não fala uma palavra de espanhol.

Sempre defendi os EUA, não por achar que o país seja perfeito, muito pelo contrário, simplesmente por entender que em todos os lugares do mundo, todos temos as mesmas necessidades e preocupações. Com os nossos filhos, trabalho, moradia e bem estar.

Adorei quando Obama se declarou um 'vira-latas', pois há de chegar um dia, e esse dia está cada vez mais próximo, quando todos nós seremos 'vira-latas'.

 


21.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 16:42:44.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

Esse filme inglês (O menino dos pijamas listrados) lançado recentemente aqui nos Estados Unidos, conta a história da família de um oficial alemão durante a Segunda Guerra. As cenas iniciais se desenvolvem em Berlin mostrando como a vida do cidadão comum parecida plácida e normal, apesar de alguns vestígios da violência que estava por vir; soldados em guarda em edifícios do governo e algumas demonstrações contra os judeus.

O oficial nazista recebe uma "promoção" e é obrigado a mudar a família para o campo, local de natureza linda e aterrorizante, uma vez que a realidade mostrava que a mudança seria porque em razão dele ter sido elevado ao posto de Comandante de um campo de concentração.

O esforço desse oficial em defender sua missão perante sua família era paralelo ao de muitas outras famílias da Alemanha que "tapavam o sol com a peneira" insistindo que a "pátria mãe estava sob assalto dos "vis e miseráveis judeus".

O filho de 8 anos aborrecido com a falta de amigos começa, contra a vontade da mãe, a explorar os arredores e depois de uma caminhada pela linda floresta se depara com uma cerca de arame farpado: do outro lado da cerca estava o "menino de pijamas listrado" e mais à distancia, as barracas do campo com outros judeus prisioneiros vivendo a tragédia daqueles anos hediondos do período nazista.

A amizade entre esses dois meninos de mundos totalmente opostos é o que une todos os personagens adultos do filme e o desfecho é emocionante, inesperado e chocante. A tensão emocional entre pai, mãe e filhos é palpável e fascinante.

Ao sair do cinema, triste e arrasado, fiquei a pensar como as populações civis se comportam em países que atravessaram períodos de ditadura, de abuso ao ser humano em nome de sobrevivência nacional.

O trigésimo aniversário do AI-5 no Brasil me transportou aos nossos próprios "anos de chumbo" e muitos artigos, no Brasil e nos Estados Unidos mencionaram o fato de que boa parte da sociedade brasileira, principalmente a empresarial, foi beneficiada por favores de isenção de impostos para seus gigantescos investimentos na emergente economia brasileira que em 1973 foi tachada como o "brazilian miracle".

Esses mesmos artigos pouco mencionam da violência sofrida por muitos brasileiros que tinham suas prisões arbitrárias feitas sem nenhuma revisão judicial - o ponto central do AI-1 dava ao presidente da república autoridade sem limites para determinar qualquer arbítrio (tortura era aceita sem restrições), usando métodos violentos que aterrorizavam aqueles que com os abusos, não concordavam. Tudo sob a contestação que "atividades subversivas contra a soberania nacional" deveria ser eliminada a qualquer custo.

A maioria da população brasileira não se prestava a reagir ou meramente questionar os abusos. Contanto que os benefícios pessoais continuassem, empresários brasileiros entusiasticamente participavam (e obtinham diplomas de graduação) das escolas superiores de guerra que o Exercito Brasileiro patrocinava das principais cidades brasileiras.

O contexto de violência contra seres humanos sempre encontra o respaldo e justificação para "defender o interesse nacional". Infelizmente no Brasil, punição aos responsáveis não aconteceu até agora (Argentina e Chile fizeram muito mais para responsabilizar e condenar os que mereciam).

Imagino que o mesmo irá acontecer aqui nos Estados Unidos quando começarem a apurar as denúncias de extrema violência à população civil durante as ocupações do Iraq e do Afeganistão. O povo americano parece aceitar que o estado constante de guerra é um fator de vida normal desse país. Quantos mais "Meninos de Pijamas listrados" serão necessários para que as pessoas de boa vontade deixem de aceitar a violência?

 


18.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 16:33:28.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

Um dos maiores contrastes entre a minha vida brasileira e minha atual vida americana é o inverno, principalmente onde vivo, na área do Oregon Central. Nessa ultima semana, a temperatura caiu para 14 graus abaixo de zero... Em contraste com os 30 graus na minha cidade natal de Santos, no litoral paulista.

Nas freqüentes conversas com amigos e familiares da baixada santista, são inúmeras as expressões "você está louco, morar num frio desses" e "vixe Maria, antes você do que eu"!...

E mesmo assim existem diversos brazucas nessa área, pessoas que aprenderam a gostar do clima da região. O verão traz uma variedade incrível de atividades de lazer, trilhas, rios para pescar e nadar, montanhas para escalar, enfim um "outdoor's paradise" como dizem os nativos.

No inverno, a mágica neve cai tranqüila "como uma pétala de flor" lembrando que talvez seria como Jobim descreveria esse fenômeno. E a vida continua, cada povo com sua realidade, todos nós convivendo nesse esplendoroso planeta e talvez algum dia, em paz.

 


por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 08:31:11.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Por quanto tempo os jornais podem continuar a entregar as notícias?
Para cortar os custos, dois jornais de Detroit entregarão os jornais somente três dias da semana.

JAMES RAINEY
Tradução Tania Britto Amaral
17 de dezembro de 2008

Esta pode ser a semana que tirou os jornais de circulação.

Dois jornais diários de Detroit anunciaram na terça-feira que pretendem reduzir a entrega dos jornais para três dias por semana. E a organização dos editores de jornais marcou para abril uma votação se devem remover a palavra "paper" do nome "newspaper".

A idéia nos dois casos é adotar totalmente a mudança de muitos leitores e publicidade para a Internet, onde muitos executivos de notícias acreditam que o setor deve se voltar e finalmente dar início ao término do serviço de entrega de jornais que já existe há 400 anos.

Os chefes do Detroit Free Press e do Detroit News dizem que irão economizar milhões de dólares com a impressão e entrega dos jornais que estão gradativamente perdendo circulação.

Eles dizem que é melhor alterar o sistema de entrega do que despedir o pessoal da redação.

O anúncio de terça-feira foi feito após a recente informação de que o Christian Science Monitor passará a ser editado somente online e que os jornais dos subúrbios de Detroit e de Phoenix cortarão também a entrega.

Estou preocupado com o fato das organizações de notícias cortarem suas edições impressas possam cortar também o cordão umbilical de um dos mais potentes bens que eles têm - os antigos e leais leitores que ainda quer a palavra escrita e que iriam preferir ouvir a Hora do Brasil a ler as notícias na Internet.

Os leitores me dizem o quanto eles gostam do jornal impresso em papel. "Não posso começar o meu dia sem ele", muitos dizem.

Estes fiéis do jornal não são anciões nem têm fobia de tecnologia, pois na verdade, eles expressaram seus pensamentos através de email. Eles simplesmente têm uma conexão visceral com a palavra impressa que normalmente está associada à uma xícara de café ou ao amado com quem eles compartilham o jornal.

Os jornais de Detroit estão apostando que estes leitores leais não os abandonarão e concordarão em receber o jornal nas suas portas somente nas quintas, sextas e domingos.

Eles querem acreditar que os leitores comprarão o jornal nas bancas ou navegarão nos dois websites da Internet que deverão ser ampliados e melhorados.

"As pessoas estão nervosas", disse o repórter investigador Jim Schaefer. "Isto vai ser muito difícil de reverter. Não é a mesma coisa que uma revista ou novas seções do bairro, usamos estes truques durante anos e depois paramos. Isso vai ser uma coisa que pode dar certo ou muito errado.

"E, vou te contar, estamos todos querendo que dê muito certo".

O pessoal dos jornais tende a ser assim hoje em dia – esperam que alguma coisa funcione, porque eles adoram o seu trabalho e o consideram muito importante.

Schaefer e seu parceiro de reportagem, M.L. Elrick, foram os primeiros a noticiar as mensagens de texto do Prefeito de Detroit, Kwame Kilpatrick, para o seu chefe de gabinete.

"Espero que esta mudança nos ajude a manter o nosso trabalho", disse Schaefer.

Dave Hunke, chefe executivo do Detroit Media Partnership, responsável pelas operações dos seus jornais, disse que a redução dos dias das entregas era uma necessidade e que os jornais estavam "lutando pela sobrevivência".

"Não acho que possamos ter dois jornais na rua", disse Hunke, "dirigir mais de 300.000 milhas por noite entregando os jornais todos os dias da semana e ainda manter os preços. Se continuarmos a fazer isso, teríamos que cortar o conteúdo e nunca tomar a decisão de avançar nossas iniciativas digitais".

Ele concordou, no entanto, que a mudança, apesar de "energizante" provocou muitas emoções de "remorso" e "um pouco de tristeza".

Os editores de jornais dos EUA terão a chance de indicar o quão preparado estão para tais mudanças em abril durante a reunião em Chicago para decidirem se devem mudar o nome da organização conhecida há mais de 80 anos como a American Society of Newspaper Editors (Sociedade Americana dos Editores de Jornais).

Com a mudança do nome para American Society of News Editors (Sociedade Americana dos Editores de Notícias), a organização pode aceitar as publicações online, pois "cada vez mais as notícias estão sendo produzidas exclusivamente para a Web", explicou a presidente do grupo Charlotte Hall em um e-mail para os membros na terça-feira.

A mudança do nome não vai afetar nada e se trouxer mais pessoas para a área do jornalismo, melhor ainda.

Mas eu tenho a mesma preocupação que Alan Mutter, um ex-repórter que em breve será professor de um curso na Faculdade de Jornalismo da UC Berkeley Graduate sobre como a notícia tem continuidade em uma era de "tecnologia disruptiva".

"Não entendo porque os jornais de Detroit eliminaram os seus melhores leitores com a esperança de eles irão sair para comprar os jornais", Mutter disse. "Não dá para entender".

Mais de 300 pessoas comentaram sobre a mudança no website do Free Press até à noite de terça-feira e muitas apóiam uma mudança se fosse para ajudar os jornais a sobreviverem.

Outras pessoas reclamaram online, como um senhor que disse não poder dividir a tela do computador com a sua esposa, pois ela lê muito rápido e iria rolar a tela sem esperar que ele terminasse de ler.

"A Internet NUNCA irá substituir o jornal", ele disse. "Posso levar o jornal comigo para ler em qualquer lugar. A leitura de um jornal impresso vai durar para sempre".

 


17.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 08:29:11.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Acabei de fazer uma interpretação para o departamento de Fraude de Internet aqui dos EUA sobre o site

ORKUTEMSN.COM

Para vocês que têm conta no Orkut, prestem atenção, o site acima é fraudulento e foi criado somente com a intenção de roubar ID de login das pessoas. Nunca respondam a nenhum e-mail que venha deste nome.

 


15.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 15:02:32.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

O Estadão e muitos outros jornais publicaram a notícia sobre entrevista coletiva do Bush em Bagdá nesse fim de semana: um jornalista iraquiano dando uma sapatada no Bush, que se esquivou da primeira; o jornalista tentou mais uma com seu outro sapato, mas Bush mostrou seu jogo de cintura e se abaixou enquanto o sapato do jornalista voava centímetros acima de sua cabeça.

Depois do incidente, Bush reassumiu sua pose de cowboy e decretou que não havia sentido nenhum medo ante a ameaça que acabara de sofrer. Insistiu que esse tipo de evento demonstra a liberdade da democracia etc e tal.

Fica esse evento como exemplo vivo de como os povos do mundo (e principalmente do Oriente Médio) chegaram a esse estado de desespero: os Estados Unidos, através do governo Bush, dizendo uma coisa e fazendo outra, ou seja, instalando governos baseados em lealdade partidária mas sem habilidade administrativa alguma.

A incompetência que assola tantos dos departamentos federais nos Estados Unidos (FBI, Ministério da Justiça, FEMA do caso Katrina), parece também se manifestar nos países hoje em dia ocupados pelas tropas americanas.

O jornalista iraquiano claramente havia chegado ao fim de sua tolerância ao ver seu pais abusado pelos controvertidos ocupantes do governo. Que o Pato Manco (lame duck, como são chamados governantes em fim de seus mandatos) saia logo e de mansinho, pois temo que o próximo jornalista talvez tenha uma mira melhor...

 


12.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 12:05:22.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Como é mesmo aquele ditado popular? Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão?

Rod Blagojevich assumiu o cargo de Governador de Illinois em 2003 prometendo uma limpeza no governo do seu antecessor George Ryan. Ryan cumpre uma pena de 6 anos por corrupção e fraude.

Blagojevich passou o dia 8 de novembro em frente à câmeras culpando o Bank of America pelo fechamento de uma fábrica de portas e janelas de Chicago. Ao final do dia cortou a conta do governo no Bank of America até o banco liberar uma linha de crédito para a fábrica.

No dia 9, o governador foi preso como resultado de uma investigação iniciada há cerca de 30 dias sobre a conspiração de 'venda ou troca' da cadeira do Senado ocupada por Barack Obama que ficou vaga com a sua eleição para presidente.

Blagojevich também é acusado de ameaçar reter a assistência do estado ao Tribune Co., proprietário do Chicago Tribune, caso o jornal não demitisse os jornalistas críticos da sua administração.

O FBI apresentou um documento de 76 páginas contra o governador democrata de 51 anos, onde o departamento detalha os grampos realizados nos últimos 30 dias. No dia 3 de novembro o governador disse que "se ninguém vai me oferecer nada que valha a pena, é melhor que eu assuma o cargo". A idéia é que, como Senador dos EUA, ele teria mais influência e até teria mais bala na agulha caso ele fosse indiciado.

Essa história está sendo um escândalo sem proporções mas, afinal de contas, como diz um amigo meu (e me desculpem os moradores de Chicago), vindo de Crook County (Cook County é o nome correto) tudo é possível.

 


10.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 17:36:07.

comentário de CARLOS (CHARLIE) WYSLING, do Oregon

Volta e meia fico a imaginar qual seria o número de brasileiros na América que ainda seguem o futebol brasileiro e quais os times prediletos desse povo todo... Depois que a Globo (com seu canal de futebol PFC) e Record se estabeleceram no mercado americano, fica bem mais fácil seguir o apaixonante futebol do Brasil.

Antigamente eu era obrigado a seguir os campeonatos europeus, mas nesses últimos dois anos confesso que o Brasileirão foi o meu prato do dia. Sendo sãopaulino rouxo, desde "criancinha", ajuda, pois esse time vem sendo sensacional (dentro do nível geral meio baixo).

O que eu sinto é que morando fora eu aprecio o total do nosso futebol e me interesso por todos os times... até o Coringão, que agora vai ter Fenômeno em seu ataque. Tomara que Ronaldo possa retomar seu vigor físico e trazer aquele maravilhoso futebol para o nosso estado.

 


09.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 14:10:14.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Max Rameau é um ativista que está pondo em prática o seu próprio plano de resgate financeiro: ajudando os sem-teto de Miami a mudarem ilegalmente para casas que estão vazias e sendo retomadas pelos bancos.

Rameu dirige um carro velho, normalmente não faz a barba e veste-se de tal maneira, que pode ser confundido com um sem-teto. Ele invade as casas para mostrá-las para os 'clientes' que não têm um tostão furado.

Rameau trabalha com um grupo 'Take Back the Land' (Tome a terra de volta) que também ajuda os novos 'inquilinos' com móveis usados, material de limpeza e até na limpeza do quintal. Ele já ajudou seis famílias a mudarem para casas vazias e a lista de espera atualmente tem nove nomes.

"Sem tetos de todo o país estão tomando casas vazias. E a questão é: isso vai ser feito com desespero ou ordenadamente?", disse Rameau. Os sem-teto normalmente invadem as casas à noite, quando ninguém vê. O trabalho de Rameu de "libertar as casas desocupadas" é um fenômeno nunca visto.

Ativistas em Cleveland, Ohio, estão tentando convencer a cidade a permitir que os sem-terra se mudem e consertem casas vazias dilapidadas. Em Atlanta, alguns proprietários pagam aos sem-teto para morarem nas suas casas abandonadas como medida de segurança.

Rameau ajudou Marie Nadine Pierre a se mudar com sua filha de colo para uma casa abandonada. Marie é sem-teto há um ano, pois não consegue arrumar trabalho. O imóvel escolhido pertencia a uns amigos de Rameu que compraram a casa por $430 mil dólares em 2006 e a abandonaram por não poder pagar a hipoteca.

Rameau diz que está fazendo um favor para os proprietários, antes de Marie mudar para a casa, ladrões já haviam roubado o ar condicionado central do quintal. "Em pouco tempo esta casa estaria toda limpa e tomada por traficantes".

Ele não tem medo de ser preso, "É uma necessidade real e existe uma desconexão entre a necessidade e a lei. Ser preso é somente uma conseqüência em potencial do que estou fazendo".

As autoridades de Miami oficialmente não sabem o que Rameau está fazendo, mas também não estão fazendo nada para evitar que isso aconteça. Kelly Penton, porta-voz da cidade de Miami declarou através de um e-mail que: "A cidade não está tomando nenhuma medida quanto a isso, mas não se esqueçam que a invasão de propriedades é um crime e se o proprietário quiser pode tomar medidas legais para remover estas pessoas".

Marie pode ser processada por arrombamento e invasão de domicílio e vandalismo, mas Rameau garante que conhece advogados que a defenderão de graça. Duas semanas após a mudança, Marie encontrou as fechaduras trocadas e a casa vazia – sem comida, roupas e até suas fotos.

Mas Rameau não desiste facilmente, Marie já está de volta na casa e até já decorou a porta com motivos de Natal. Até o momento, a polícia ainda não se manifestou.

 


05.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 13:41:39.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Quando me inscrevi no site da campanha do Barack Obama em outubro deste ano fiquei bem impressionada com a sua qualidade. E, durante a campanha, não me espantei de receber notícias da campanha. Na realidade, pensei, é simplesmente uma desculpa para pedir dinheiro.

Depois das eleições, continuei a receber updates do site, mas não prestava muita atenção. Agora, todas as vezes que o presidente eleito Barack Obama nomeia alguém para o seu gabinete, recebo uma mensagem da campanha, com toda a informação e sempre um link para o vídeo do comunicado de Obama.

Hoje, percebi que estou gostando da idéia. Todos os sábados o presidente faz um discurso pelo rádio e qualquer um pode ter acesso a essa informação. Mas, agora, recebo a informação diretamente por e-mail, daí, tenho a opção de clicar no link e ver diretamente o discurso do presidente.

A internet tem um poder muito grande e a administração de Obama continua a utilizá-la totalmente.

 


04.12.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 10:50:56.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado





Nascida nos EUA, Anna He viveu a maior parte da sua vida em Memphis, Tennessee. Hoje, com nove anos de idade, Anna mora na China e se sente uma estranha pois não fala chinês.

Anna foi o centro da maior disputa de custódia da história dos Estados Unidos que durou de 2000 até 2007, quando a menina voltou para a guarda dos seus pais biológicos.

Desde que mudou para a China, Anna já freqüentou três escolas em duas cidades. Seus pais se separaram e a mãe matriculou a menina e seus dois irmãos em um colégio interno. "Não gosto de morar na escola", diz Anna em voz baixa em inglês.

Após nove meses na China, Anna não tenta se comunicar porque "ninguém entende mesmo". Em inglês, ela conta sua história, "Eu gostava da América, e gostava de ir à escola. Gostava de matemática e de ciências. Eu tinha muitos amigos".

Auto-retrato de Anna em 2004

E quais são três coisas que você gosta na China? "Bem, deixa eu pensar, eu tinha uma amiga mas ela mudou... Uma coisa, agora, a segunda coisa que eu gosto na China. A segunda coisa, é... não sei... tem muito carro, e muita gente fuma. Eu odeio isso".

Anna deveria estar na quarta série mas teve que entrar para a terceira série por não falar chinês. "Odeio balé, mas gosto de piano... gosto de música, tira os problemas da minha cabeça".

Você tem muitos problemas? "Tenho". Que tipo de problemas? "Ahh, não gosto de escola". O que você gostaria que acontecesse? "Que todo o mundo falasse inglês", ela responde rindo.

Quando perguntada sobre seus pais americanos, Anna cobre o rosto com as mãos e diz que esqueceu tudo que aconteceu antes dela voltar para seus pais biológicos. "Nem me lembro se era feliz ou não".

 


29.11.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 11:57:26.

comentário de THAISE ADAMS, do Colorado

Os estacionamentos lotados e carros abarrotados de mercadorias mostram todos os anos que o povo cai fácil na mira do marketing compulsivo.

O moço vai brigar na loja por um dos três laptops disponíveis por US$350, e vai para a casa com US$1.000 endividado porque comprou o resto da promoção, por estar em promoção. Para o consumidor, esse dia é o 'Red Friday', sai do 'negro', para entrar no vermelho.

Na quinta-feira de Thanksgiving, já havia pessoas acampando em frente às lojas esperando encontrar a melhor oferta, principalmente de eletrônicos. Famílias inteiras passaram a noite no frio contando as horas para as portas abrirem às 4 ou 5 da manhã.

O Wal-Mart sempre sai ganhando, mas esse ano a megaloja se saiu muito melhor que todas as outras, pois o consumidor quer economizar. E nesse tal de economizar, as pessoas viraram monstros, os monstros do consumismo.

Em uma loja do Wal-Mart em Nova Iorque, um empregado foi pisoteado e morreu, outras quatro pessoas precisaram de atendimento médico, inclusive uma mulher grávida de oito meses.

Quando a gerência anunciou que iria fechar a loja por causa dos acontecimentos as pessoas se recusaram a sair. É o absurdo do absurdo.

"Comprem, comprem", é o mantra até o final do ano, "seja o que for".
E agora, o movimento também é: "COMPREM MADE IN USA". No Wal-Mart? Difícil, hein?

 


28.11.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 17:20:52.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado



Essa foi a foto que o Los Angeles Times publicou como ilustração de um artigo no dia 26 de novembro sobre o mercado imobiliário no Brasil.

A legenda da foto diz "Fotografias de mulheres cobrem as paredes de casas em um bairro do Rio de Janeiro. Vendas de casas e apartamentos novos no Brasil subiram 25% este ano até setembro, mas está cada vez mais difícil conseguir um empréstimo".

Estou revoltada!

 


27.11.08

por David Moisés, Seção: Eleições presidenciais 17:14:23.

comentário de TANIA BRITTO AMARAL, do Colorado

Texto de Esmeralda Bermudez – LA Times
Tradução Tânia Britto Amaral

24 de novembro de 2008

No intervalo para o almoço, suado e coberto de fuligem após o trabalho duro da manhã, Ramon Maestas observa um homem vindo em sua direção em um Subaru Outback. Com um cabelo longo e um adesivo no pára-choque dizendo: "Amem a mãe natureza".

"Ei, meu irmão", o estranho chama com uma voz amiga o rapaz de 23 anos. "Obrigado pela ajuda contra o incêndio. Vocês estão OK? Precisam de alguma coisa? Uma carona?".

"Não", disse Maestas, com a testa franzida, como não acreditando na oferta. "Não precisamos de nada não".

O homem vai embora, deixando uma cortina de poeira na estrada de terra e Maestas dá um largo sorriso.

"Isso nunca teria acontecido em Los Angeles", ele disse. "Lá as pessoas me vêem e correm para trancar as portas".

Um ano depois de entrar para uma brigada temporária de combate a incêndio que ajuda ex-membros de gangues a começar de novo, Maestas ainda é afetado por suas duas personalidades. Em Echo Park, onde mora, ele é o Reizinho, o gangster temido. Aqui, no meio da Floresta Nacional de Shasta-Trinity, ele é Ramon Maestas, o bombeiro herói.

Reizinho amedronta as pessoas com o seu andar emproado na Avenida Echo Park, suas meias brancas até os joelhos, e cabeça raspada com uma tatuagem de lábios vermelhos. Pura arrogância.

Ramon Maestas, o bombeiro, passa a sensação de segurança. Ele conquista estranhos com o seu empoeirado uniforme verde e amarelo. Estes mesmos estranhos lhe oferecem comida e dizem: "Obrigado por salvar nossas casas".

Enquanto muitos residentes fogem com medo do incêndio na floresta, Maestas entra no meio das labaredas, coma esperança que as chamas limpem o seu passado turbulento. Certos momentos – quando um desconhecido abre a sua porta para ele ou as pessoas de uma cidade penduram uma faixa de agradecimento – ele pode ver o outro lado da vida, ele pode ver o seu futuro como bombeiro em tempo integral.

Algum dia, quem sabe, o seu trabalho e não o seu nome de gangue traga o respeito dos outros.

"Nunca fui tratado assim antes", disse Maestas. "Fico emocionado".

No verão de 2007 Maestas se viu diante do juiz por porte de arma. Sua ficha policial o acompanhava desde os 15 anos, quando o magricelo que se chamava de bobão, foi preso pela primeira vez por roubar um carro. Durante oito anos ele entrou e saiu da cadeia por roubo de carro, pichação de paredes e porte de arma.

Hoje, por estar em liberdade condicional, um só erro e ele volta para a cadeia por pelo menos cinco anos.

"Se eu cuspir para o lado errado, melou", disse Maestas.

Ele nunca parou de pensar no futuro. O pai morreu de overdose antes de ele entrar para o segundo grau. A mãe sumiu e voltou até desaparecer para sempre. Suas tias e tios - alguns membros da gangue de Echo Park – pediam para que ele saísse da rua. Seus avós, por quem foi criado, faziam o mesmo.

Mas Maestas cresceu orgulhoso da gangue do bairro e, se alguém falasse mal dela, o garoto respondia com os punhos.

Há mais ou menos um ano, o destino jogou Maestas na linha do fogo. Ele foi preso em Castaic por porte de arma, e a sua ausência estava matando sua avó aos poucos. A mulher de 66 anos que o defendeu durante toda a vida e buscou por ele nas ruas de Echo Park no meio da noite quando ouvia uma sirene, ficou doente.

Maestas ficou apavorado. Alguns anos antes, quando foi preso por violar sua liberdade condicional, seu avô ficou doente e morreu. Maestas não pode ir ao enterro. Ele não conseguia nem pensar na possibilidade de perder sua avó e não poder se despedir dela.

"Fiquei muito mal por magoar minha avó", disse Maestas. "Sabia que tinha fazer a coisa certa. Dar um jeito na minha vida. Procurar uma carreira e andar direito".

Quando saiu da cadeia, através de um primo, ficou sabendo do Levante Asteca (Aztecs Rising), um programa de intervenção de gangues que treina os jovens para bombeiros. A idéia de lutar contra incêndios o empolgou.

Ele marchou para a sede do programa em Lincoln Heights com dois camaradas, disse o Diretor Executivo Enrique Hurtado. Maestas tinha ficha criminal, mas nenhum crime violento que poderia ter impedido a sua participação. Se ele trabalhasse bem poderia seguir o exemplo de outros participantes e conseguir um trabalho permanente no Serviço Florestal dos EUA.

Quase 2.000 jovens de ambos os sexos se formaram desde que Hurtado deu início ao programa em 1994. A grande maioria deles saiu das ruas e conseguiu trabalho permanente. Ex-membro de gangue, Hurtado mudou de vida após ser contratado pelo Serviço Florestal.

Ele regressou a Los Angeles após combater incêndios em todo o país, determinado a convencer outros gangueiros a seguir o seu exemplo. Em breve ele conseguiu unir 50 homens – muitos de bairros rivais – que se reuniam nos parques locais. Em 2000, a cidade passou a patrocinar o programa que, até hoje tem dificuldades para se manter vivo.

Os participantes passam a ter um estilo de vida paramilitar criado para canalizar a lealdade para com as gangues para a equipe de bombeiros, com um treinamento físico intenso durante seis meses. Eles também aprendem sobre a física do incêndio, curso dos ventos, combustíveis e topografia. São testados até o limite com os líderes de equipe berrando nas suas caras.

"O 'camarada' não morre nunca", Hurtado diz para eles. "Mas o estilo de vida de gangueiro levam vocês para o cemitério, prisão ou hospital".

Após algumas semanas de treinamento, Maestas e dois amigos foram repreendidos por jogarem cartazes de gangue em Echo Park. Logo depois, seus amigos colaram em uma prova escrita e foram expulsos. Maestas deixou uma má impressão em Hurtado, que o retira da brigada de incêndio.

Mas Maestas voltou determinado a não cair outra vez. Ele promete seguir as regras. Ele pareceu sincero e, após uma longa conversa, Hurtado decide lhe dar uma segunda chance.

Imediatamente Maestas começa a brilhar e a se destacar.

"Com alguns trabalhos mais", Hurtado diz, "Maestas pode facilmente conseguir uma vaga no Serviço Florestal. É com ele mesmo".

Após participar do Front Country Crew 6 em três incêndios, Maestas é promovido a líder da brigada. Ele conquista seus colegas com a sua risada de menino e um rosto levado, e faz com que trabalhem mais duro.

"O programa", diz Maestas, "é a minha última chance. É por isso que estou tão motivado".

Durante um workout matinal, alguns deles estão para desistir, com as pernas queimando de dor, mas Maestas não quer nem saber.

"Vamos nessa, brother", ele grita, com as pernas tremendo. "Não desiste, meu irmão. Pense em outra coisa. Pense na nossa equipe".

Os bombeiros do Crew 6 sob o comando dele são na maioria latinos e se destacam na base da brigada de incêndio criada pelo Serviço Florestal em um terreno do Condado de Trinity, perto de Redding. Os caras vieram da cidade grande, não das cidadezinhas bucólicas de maioria branca, residência de grande parte dos bombeiros. Poucos deles saíram de Los Angeles.

Maestas e a brigada vão para Hayfork, um comunidade minúscula de pessoas tementes a Deus e caçadoras, que se reúnem em um armazém local. Durante o verão, o incêndio em Lime Complex consome mais de 95.000 acres.

Lá em cima da montanha, Maestas caminha com sua ginga. Ele não removeu a tatuagem do CEP do seu bairro, 90026, do seu estomago. Sua cabeça continua raspada e o nome "Echo Park" pode ser visto em uma de suas luvas manchadas de fuligem.

"Preciso ficar de olho nos meus camaradas e na minha boca suja", ele disse. "Eu falo muito palavrão".

No dia 28 de agosto o trabalho na floresta de Shasta-Trinity termina. O Crew 6 volta para Los Angeles.

Maestas acorda na manhã seguinte meio brincalhão. Ele grita "Terremoto!" e se joga em cima de um companheiro meio sonolento. Dobra um cobertor dos Dodgers e começa a fazer a mala. A missão de acabar com pequenos focos de incêndio com pás e picaretas foi bem sucedida.

Maestas chega à casa verde de reboco da sua avó em uma noite quente de sábado. As semanas seguintes serão um grande teste – tão sério quanto os incêndios.

No burburinho das ruas mornas Maestas, o bombeiro, desaparece. Maestas, o ex-condenado volta para casa. Ele tem que se recolher às 21h00 e não pode sair do Condado de Los Angeles. Se for pego falando com outro membro de gangue, volta para a cadeia.

Muitos dos seus amigos de infância que ainda são membros de gangue moram praticamente em cada quarteirão de Echo Park. Ele dá uma volta na Avenida Echo Park, entrando em botequins e restaurantes. A qualquer momento ele pode esbarrar em um amigo.

Ele passa a maior parte do tempo na casa da avó ou da namorada. De vez em quando, faz uma caminhada com seus companheiros da brigada para ficar em forma. Dá passos calculados: se arrisca a ser visto com seus primos gangueiros para comemorar o aniversário de 50 anos de um tio.

Um calor seco cerca Los Angeles em outubro. Mais uma vez os ventos de Santa Ana varrem tudo, ameaçando causar incêndios arrasadores. Dois em San Fernando Valley destroem várias casas. Maestas fica em casa, esperando o telefone tocar, mas nada acontece.

Novembro chega e o mau humor de Maestas aumenta. Ele pensa até em procurar outro tipo de emprego e começa a duvidar do seu futuro como bombeiro, quando o Santa Ana começa a soprar outra vez.

Incêndios penetram o Sul da Califórnia destruindo centenas de casas em Los Angeles e três outros condados.

Sexta-feira à noite o telefone toca. Maestas e a brigada Crew 6 têm que se apresentar na sede de San Bernardino na manhã seguinte. Entusiasmado, ele coloca o seu uniforme verde e amarelo de bombeiro e seu cobertor dos Dodgers em uma mochila vermelha.

"É como se fosse Natal", ele diz.

Alguns dias depois ele está indo para Sylmar – para mais uma chance para a redenção.

 


:: Próxima página >>

 

A visão particular de quem vive de perto o momento histórico de Barack Obama na Casa Branca

Se você mora nos EUA, mande seus comentários: editor@estadao.com.br





Todas as Palavras
Qualquer Palavra
Toda a frase