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01.07.09

Não existe time mais estruturado dentro de campo no Brasil do que o Corinthians. É, sem dúvida, o melhor do País. A conquista do título da Copa do Brasil em pleno Beira-Rio é merecida, e Mano Menezes, principalmente, deve ser enaltecido.
O trabalho de Mano Menezes no Corinthians é espetacular. Ele pegou um clube totalmente desarticulado no início do ano passado. Em pouco tempo, o treinador reformulou o elenco e montou a base que nesta quarta-feira se sagrou campeã.
Em 2008, o título da Copa do Brasil bateu na trave, com a derrota para o Sport Recife. Este ano, porém, o time alvinegro não deu chance para o azar e superou o Internacional de maneira soberana.
Agora, a meta do Corinthians é segurar Mano Menezes para o ano do centenário, porque ele é um treinador com todas as qualidades para a disputa da Copa Libertadores, título este que é o grande sonho alvinegro. Que venha 2010.
30.06.09
Emblemática a foto abaixo. Não é ilusão de ótica. Foi tirada com um painel colocado Estádio Santiago Bernabéu para a apresentação de Kaká no Real Madrid.

Será que ele conseguirá chegar a entrar para a galeria histórica do time? É provável. Futebol para isso ele tem. A ser maior que esse nome? Não. Mas pode se igualar, tornar-se parceiro.
29.06.09
27.06.09
Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras na noite de sexta-feira por causa da venda de Keirrison sob a alegação de quebra de hierarquia por ter dito publicamente que não aceitava a situação. Que o jogador deveria lhe dar satisfação. Ele está certíssimo nisso. O que ele não fala é que não é dono do time e o tratamento que ele exige não é recíproco.
Há tempos o técnico exige o comando total do futebol nos clubes em que trabalha. Quer resolver tudo, do mordomo ao médico. Os diretores que apenas assinem o cheque. E é aí que está o problema. É isso que tem tornado seu relacionamento com diretores cada vez mais complicados.
Numa empresa séria - coisa que nossos clubes estão longe de ser - ele presta satisfação sobre tudo. Luxemburgo faz isso. Só que é preciso perguntar se deve fazer ou não algo. E isso não lhe é habitual. A decisão é dele e só dele. O verbo correto deveria ser "a decisão tem de ser dele, com nossa opinião. Este foi, talvez, o principal problema que enfrentou no Real Madrid.
Luxemburgo é um dos técnicos com melhor visão de jogo neste País. Ainda é. Quem não ficou encantado com seu trabalho nos anos 90? A virada de século só lhe trouxe problemas. Está em decadência? Acho que não. O nível técnico de nosso futebol permite esses problemas.
A hierarquia que deve existir sabemos muito bem qual é. Ele só precisa ser técnico, se preocupar com o bom e velho "quem joga e quem não joga, como joga e não joga". Nisso ainda é mestre.
22.06.09
Estes são os melhores jogadores escolhidos pelos jornalistas do estadao.com.br após os doze jogos da primeira fase da Copa das Confederações de 2009. Ao término do torneio, publicaremos os melhores de toda a competição.
21.06.09
19.06.09
Se a memória não me trair - e ela costuma me iludir mais do que pessoa pérfida -, numa entrevista pouco antes da Copa de 1994 Carlos Alberto Parreira afirmou que gol era um “detalhe”. O técnico tetracampeão do mundo levou um vareio de críticas por causa dessa constatação, então considerada uma ode ao retranquismo. Mas não é que tinha razão? Só nesta quarta-feira, houve três jogos decisivos em que a danada da bola na rede fez diferença mastodôntica.
Vou pela ordem cronológica. No começo da noite, no gramado devastado do Estádio Centenário, o Palmeiras sentiu como pesou o golzinho que levou do Nacional, quase no fim do duelo travado três semanas atrás no Parque Antártica. O empate de 1 a 1 em casa e a incapacidade de fazer um golzinho em Montevidéu jogaram o Palestra paulista na vala comum dos desclassificados. Adiós, Libertadores!
Já o Grêmio, no Olímpico,um pouco mais tarde se beneficiou do golzinho marcado contra o Caracas, da homônima cidade venezuelana, na igualdade por 1 a 1. Deixou suas redes intactas, mas saiu de campo com a vaga assegurada para a semifinal continental.
Decisivos também os dois golzinhos que o Corinthians lascou pra cima do Internacional no Pacaembu. A bola levinha colocou toneladas de responsabilidade sobre os ombros gaúchos para o clássico de volta, no dia 1º, no encerramento da Copa do Brasil. O Inter pode tomar como exemplo o Sport, que em 2008 também caiu diante do Corinthians, na primeira parte da final. Mas existe diferença marcante entre esses jogos: os pernambucanos fizeram um golzinho na derrota (3 a 1). O detalhe tão pequeno, como cantaria o rei Roberto, permitiu ao Sport faturar o título com 2 a 0 na volta.
O Inter precisa ganhar por 3 a 0 para ficar com o título no tempo normal. Ou 2 a 0 para empurrar tudo para os pênaltis. Cá entre nós, a primeira hipótese é missão difícil. O Corinthians não perdeu por diferença de 3 golzinhos em nenhum de 110 jogos sob o comando de Mano Menezes. Mérito de sistema defensivo eficiente, com participação equilibrada de zaga e meio-campo. Em segundo lugar, porque tem Ronaldo - o que não é pouco. Aliás, é muito.
O Fenômeno zanzou pelo gramado como quem não queria nada, se fingiu de morto, deu uma voltinha, quase parou para um cafezinho. Em dois lances, quando a zaga do Inter havia esquecido de sua presença letal, deu o ar da graça. Na tentativa inicial, apareceu de repente, na cara do gol e Lauro fez defesa antológica. Na segunda, arrancou depois do Índio, chegou antes, cortou pra dentro e fez o golzinho que lacrou o resultado. Desconcertou o adversário e cumpriu parte da promessa do dia anterior: a de que iria “emagrecer” dois quilos, que em sua linguagem significa marcar duas vezes. “Nunca duvide da palavra de um gordinho”, me disse com conhecimento de causa Paulo Amigão Soares, companheiro do todas as noites na ESPN.
Eis outra diferença gigantesca: o Corinthians tem um definidor acima da média, que desata nós mesmo fora de forma. O Inter não teve, mesmo com o louvável esforço de Taison e Alecsandro. Muito menos teve o Palmeiras, com Keirrison de novo assustado e Obina a desperdiçar duas benditas chances. Depois dizem que Ronaldo (assim como Romário) faz golzinhos fáceis. Fácil pra quem sabe. Quem não sabe, volta pra casa cheio de explicações pro fiasco: a grama irregular, o frio, a torcida rival, o cansaço, o cisco no olho, a gripe, a dor lombar. A bola...
* Esta coluna é publicada todas as sextas-feiras no jornal 'O Estado de S. Paulo', na seção 'Boleiros'
16.06.09
Quero acreditar que seja uma brincadeira, uma isca. Mas também penso que pode ser inocência. Este quadro abaixo estava na beira do campo do estádio de Rustenburg, na África do Sul, no treino da Nova Zelândia. E mostra o posicionamento e as mudanças do time titular para o decisivo - para eles - jogo contra a África do Sul, nesta quarta.

A imagem já rodou o mundo, é de Halden Krog, da EFE. E chegará nas mãos do técnico Joel Santana. O time da esquerda é a seleção neozelandesa, com as mudanças que o técnico Ricki Herbert deve fazer, pois precisa ganhar. E o da direita, amarelo, com seus reservas, seria a África do Sul, com o posicionamento do jogo de estreia na Copa das Confederações. É só ver pelos números dos botões.
Entenda assim o time da África do Sul (sem contar o goleiro): 12 - Modise, 2 - Gaxa, 7 - Davids e 6 - Sibaya; (sem número) - Mashego (na verdade, 21), 9 - Mphela, 3 - Masilela, 10 - Pienaar e 1 - Modise (na verdade, o 12); 8 - Fanteni (18).
E a Nova Zelândia (também sem o goleiro): 1 - Mulligan, 2 - Iuan, 3 - James, 5 - Bertos, 8 - Boyens, 9 - Killen, 10 - Tony, 11 - Simon, 12 - Jeza, (sem número) - Smeltz.
Pela inocência do futebol do time da Nova Zelândia nos 5 a 0 tomados contra a Espanha, não duvidaria que seja uma bobeada. Mas, pelo histórico do futebol, tem a malandragem. Não sei. Ainda acho que tudo é possível e a melhor coisa que essa seleção da Oceania tem é seu uniforme, um dos mais bonitos do mundo - não só o conjunto branco, como a camisa de goleiro, verde, além da histórica camisa da seleção de rúgbi, os "All Blacks". É aguardar e conferir.
LOS ANGELES * - Como falei a vocês no primeiro post sobre as finais da NBA, a cidade de Los Angeles parece não se importar com os Lakers, campeões da principal liga de basquete do mundo pela 15.ª vez em 30 finais disputadas.
Voltei para a cidade californiana após o jogo 5, em Orlando, que decretou a vitória da equipe de Phil Jackson e Kobe Bryant. Andei pelas principais ruas, como a famosa Figueroa, e nada de chamativo foi visto pelos meus olhos, a não ser alguns banners no Staples Center, ginásio utilizado pelos Lakers.
Mesmo assim, a prefeitura da cidade espera mais de um milhão de pessoas para a celebração do título, que terá como ponto final do Coliseu, estádio utilizado na Olimpíada de 1984. O temor é que as cenas de vandalismo do último domingo se repitam.
A polícia, no entanto, garante que algo parecido não deverá acontecer, já que gangues (o que não falta por aqui) estariam por trás do vandalismo praticado e não teriam a mesma liberdade para fazer o mesmo numa celebração com início marcado para às 11 horas (horário local).
A falta de “comprometimento” dos fãs dos Lakers tem uma explicação muito plausível. Durante o vôo de Atlanta para Los Angeles, tive uma conversa interessante com alguns cidadãos da cidade dos anjos, e eles disseram que a torcida já está acostumada com títulos e que só mostra o quanto gosta da equipe somente em momentos decisivos. A derrota para os Celtics, na final da temporada passada, também teria sido muito dolorosa e, assim, os torcedores mantiveram suas bandeiras e camisas em casa até ter certeza que os Lakers estariam no topo da NBA mais uma vez.
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
15.06.09
A Copa das Confederações começou com Brasil, Itália e Espanha fazendo o que era esperado: vencendo. E vitórias dignas de aplausos.
Imagino que você deve se perguntar ‘como aplaudir a seleção brasileira, que estava empatando por três gols com o Egito depois de ter vantagem no placar?’ Digo que merece o aplauso pelo bom futebol apresentado até então e por ter conseguido vencer mesmo com estes problemas. Achou um pênalti no fim? Pode ser. Mas não se esqueça que se o defensor egípcio não põe a mão na bola esta entrava e era... 4 a 3, do mesmo jeito.
A mesma história vale para a Espanha. Um baile sobre a fraquíssima Nova Zelândia. David Villa é mesmo um grande jogador e Fernando Torres faz gols de categoria. Aplausos efusivos por salvar o domingo depois do horroroso 0 a 0 do jogo de abertura entre África do Sul e Iraque. Péssimo jogo, 90 minutos arrastados.
Os mesmos aplausos vão para a Itália. Ganhou bem dos Estados Unidos por 3 a 1 e tem uma revelação que pode ser aquilo que tanto tem faltado à seleção: um artilheiro. Esse é Rossi, que nem joga mais no país do ‘calcio’, mas sim no Manchester United. É verdade que sofreu, saiu perdendo com um jogador a mais em campo. Mas merece os aplausos pelo bom resultado. A seleção norte-americana é a mesma de sempre. E pode incomodar.
GOL A FAVOR
Zidan, do Egito. É piada recorrente e não das melhores, mas inevitável. Outro ‘Zidan(e)’ atrapalhou a vida do Brasil (como o craque francês, agora diretor do Real Madrid, que tirou a seleção nacional das Copas de 1998 e 2006).
GOL CONTRA
Joel Santana e Jairo Leal (auxiliar) batendo boca com Bora Milutinovic e seu auxiliar no vestiário. Não se sabe o que falaram, mas os boatos de que o brasileiro cairá e o sérvio será seu substituto na África do Sul foram fortes nesta segunda.
ORLANDO * - A tietagem na NBA é conhecida. Após a conquista do título da NBA pelos Lakers, jornalistas aproveitaram para celebrar o título no vestiário, tirar fotos e quebrar o protocolo estipulado pela liga, pedindo autógrafos e fotos com os atletas.
Bem, até aí, isso era esperado por tudo o que uma final de NBA engloba. A minha surpresa, no entanto, esta num pequeno italiano, de pulôver na tórrida Flórida (fazia mais de 30.º C no horário do jogo), que chamou minha atenção.
Olhei uma vez e neguei. Olhei a segunda e não tive mais dúvidas. O italiano que estava atrás de uma oportunidade de conversar com os jogadores dos Lakers era o jogador da Juventus, Del Piero. Meio sem jeito, o jogador de futebol foi percebido e passou de mero fã para ídolo, pelo menos para o jogador Adam Morrison (sim, este atleta é campeão da NBA, acreditem), dos Lakers. Morrison pediu para tirar fotos com Del Piero, dizendo que era fá de carteirinha. O italiano atendeu ao pedido e tirou a foto.
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
ORLANDO* - Nada que um título não faça. Agora que Kobe Bryant é campeão da NBA pela quarta vez, eis que Shaquille O'Neal dá um jeito de aparecer. Em seu twitter, um dos mais famosos, Shaq congratula seu ex-desafeto, dizendo que o número 24 dos Lakers mereceu o título e que está entre os melhores de todos os tempos.
Tranquilo, Bryant não quis entrar na questão, mas não deixou de declarar o quanto é bom finalmente deixar para trás os comentários de que só havia vencido os três primeiros títulos de sua carreira graças à presença de Shaq. “É como se um macaco tivesse saído das minhas costas. É um alívio tremendo”, disse o jogador, após a conquista do quarto título com o time de Los Angeles.
Shaq também não esqueceu mais um desafeto: o técnico Phil Jackson. O pivô, que hoje joga pelo Phoenix Suns, disse que seu ex-treinador é o maior de todos, mas deu sua cutucada: “Isso serve para mostrar que quando o general não entra em pânico, o time não entra em pânico”, disse o jogador de 36 anos. Para bom entendedor, meia palavra basta.
NOVA CASA
Além de dar parabéns aos desafetos pela Internet, Shaquille O’Neal parece que voltará a jogar na Conferência Leste, especificamente o Cleveland Cavaliers, que procura desesperadamente por um astro para jogar ao lado de LeBron James e, assim, conquistar seu primeiro título da NBA.
A troca começou a ser cogitada pouco antes do All-Star Game da temporada que terminou, mas o acordo não aconteceu. Agora, especula-se que o Cleveland daria Sasha Pavlovic e Bem Wallace pelo grandalhão.
O Phoenix Suns não estaria interessado em tais atletas, mas sim em se desfazer do salário de Shaq, que é mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 38,4 milhões).
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
14.06.09
12.06.09
ORLANDO* -No ano passado, tive a oportunidade de acompanhar um jogo de futebol americano entre o Pittsburgh Steelers e o Washington Redskins, em Washington. A rivalidade entre os dois clubes é notória. Mesmo assim, pude que os torcedores estavam juntos e, apesar da bebida alcoólica ser liberada, nenhuma briga foi registrada.
Eu percebi a mesma coisa em todos os jogos das finais da NBA. Em Los Angeles, a torcida do Orlando Magic fez muito barulho e chegou a receber algumas falas mais ríspidas de torcedores dos Lakers, mas não passou disso.
Em Orlando, não constatei uma aglomeração de torcedores dos Lakers, mas alguns perdidos no meio da multidão. E, quando Fisher acertou a belíssima cesta de três para levar o jogo 4 à prorrogação, eu pude vê-los pulando, xingando e tudo mais o que pensava em fazer. Nenhum torcedor do Magic tentou revidar. E, depois da derrota, todos foram embora; chateados e cabisbaixos pelo lado do Orlando e felizes pelo lado dos Lakers.
Aí, eu fico alguns minutos no ginásio, pensando em como seria sensacional que nossa “cultura esportiva” permitisse isso. Eu já vi briga até em jogo entre colégios. O estranho é que a cultura americana é norteada por conflitos e guerras, enquanto a nossa não chega nem perto disso. Mesmo assim, somos extremamente intolerantes com pessoas que pensam diferente de nós. Neste caso, que torcem para outra equipe.
É hora de todos começarem a agir de forma diferente. Sejamos mais tolerantes. Sejamos mais respeitosos para com aqueles que estão chateados. Sejamos mais inteligentes. Com o tempo, as torcidas organizadas perderam força e não terá motivo algum para que a idéia de jogo de uma torcida só aconteça. Isso é burrice e só serve para postergar a solução do problema. Tolerância, amigos.
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
09.06.09
ORLANDO* - Que Orlando é uma cidade muito visitada por brasileiros, disso eu não tenho dúvidas. Basta uma volta na International Drive para se deparar com pelo menos três famílias felizes pelo passeio no mundo mágico da Disney, mas pegar um ônibus de maioria brasileira é novidade para a minha pessoa.
A NBA oferece transporte para a imprensa até o local do jogo. Neste caso, a Amway Arena. Bem, lá estou eu em meu assento, pensando sobre o jogo 3, quando me deparo com a comissão brasileira da CBB, que foi convidada pela NBA para acompanhar alguns jogos da final entre Los Angeles Lakers e Orlando Magic.
No trajeto do hotel até a arena - cerca de meia hora - fico de ouvidos para o papo do pessoal. Quem sabe não vem aí alguma bomba, nunca se sabe, mas o papo, obviamente, era informal e muito divertido entre o pessoal e um representante da NBA. Assim que o ônibus parou, eu me identifiquei e trocamos algumas ideias sobre o nosso basquete e as melhorias que precisam ser feitas. Haverá uma conversa mais séria e acredito que teremos boas novidades. É aguardar e conferir!
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
ORLANDO* - Jogaram a toalha. A imprensa dos Estados Unidos já comemora o título do Los Angeles Lakers, que vence a série melhor de sete por 2 jogos a 0 diante do Orlando Magic. Após a vitória do time de Los Angeles na segunda partida, na prorrogação, vários jornalistas começam a falar sobre a "dinastia" dos Lakers nesta década, esquecendo de forma descarada o San Antonio Spurs. Alguns já apostavam no título dos Lakers por 4 jogos a 0.
A confiança ficou ainda mais clara, para a minha pessoa, quando me deparei com o espanhol Pau Gasol. Cheguei para a coletiva do Kobe e Gasol havia sido entrevistado antes e já estava à procura da saída do Staples Center. Mais forte, o pivô espanhol andava com um largo sorriso no rosto, no melhor estilo de Hollywood, muito diferente do ano passado, quando chegou no meio da temporada, oriundo do Memphis Grizzlies, e foi presa fácil para Kevin Garnett, do Boston Celtics. Para ele, o título já é dos Lakers.
Enquanto a confiança dos Lakers cresce cada vez mais, a minha epopéia também. Num roteiro “alternativo”, passei a última segunda-feira no ar, parando de aeroporto em aeroporto. Finalmente cheguei em Orlando na madrugada desta terça, dia da terceira partida da final.
Obviamente não consegui perceber a movimentação da cidade em relação à final. A única coisa que queria era chegar ao meu hotel, arrumar minhas coisas e colocar o pensamento em dia. Para ter uma idéia de como estou pra lá de Bagdá, consegui realizar a façanha de forçar a porta, por cinco vezes, do quarto errado, às 2h45 da matina. Passei uns cinco minutos pedindo desculpas para a pessoa, que acordou assustada, pensando que era algum bêbado com algum xaveco barato.
A gafe me fez pensar sobre as finais da NBA. Às vezes, não olhamos para o óbvio e batemos na porta errada, com eu fiz no hotel, seja por cansaço ou porque simplesmente achamos que estamos certos. Os comentaristas americanos já adotaram os Lakers como os legítimos campeões. Uma coisa é você achar e, pelos números, apontar o time de Los Angeles o favorito. Outra é você simplesmente esquecer que existe um adversário, e é o que acontece nos bastidores. E acho que o jogo 3 pode ser uma porta errada para eles. É esperar para ver.
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
08.06.09

LOS ANGELES* - As finais da NBA começaram de forma fria. Como disse no primeiro post, a cidade de Los Angeles parecia não estar interessada, mas o cenário mudou completamente com as duas vitórias dos Lakers sobre o Orlando Magic.
Agora, qualquer pessoa que encontro na rua diz que os Lakers já conquistaram o 15.º título da NBA. É euforia total, o que também ficou evidente após o jogo 2, quando a torcida ficou mais de uma hora em frente ao Staples Center fazendo festa e, acredite, arremessando objetos numa equipe de televisão durante sua transmissão, numa atitude sem classe e desnecessária.
Este, no entanto, foi o único incidente que pude perceber. Existe a rivalidade, os palavrões e as vaias, mas é isso. Quando o assunto é esporte, o respeito é mútuo. É respeitado o minuto de silêncio (o jogador Randy Smith faleceu no fim de semana) e o hino é escutado do começo ao fim. Algo, que particularmente, acho muito bonito. Não me conformo com a ideia de alguns jornalistas em acabar com o hino nacional em eventos realizados no estado de São Paulo. É negar nossa história, nossas origens. Isso, como diria Boris Casoy, é uma vergonha!
Dentro deste pensamento, acredito que a CBF deveria realmente organizar o Campeonato Brasileiro, não apenas fazer a tabela, definir a arbitragem e passagens. É preciso mais, muito mais. Investimento pesado, uma parceria de verdade com quem tem os direitos de transmissão, eventos para promover o campeonato, envolver os jogadores em ações comunitárias, realizar comerciais informativos.
Resumindo, fortalecer a marca CAMPEONATO BRASILEIRO. Falamos com orgulho que temos os melhores jogadores do mundo, mas certamente a organização do Brasileirão está longe de ser profissional. Gostaria que todos tivessem a oportunidade de ver como funciona a estrutura das Finais da NBA, desde o respeito para com a imprensa, assim como para com o torcedor. Ainda sonho em ver jornalistas do mundo inteiro reunidos para cobrir as finais do Brasileirão. Ah, espere, o campeonato é por pontos corridos...
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
LOS ANGELES* - A rivalidade Brasil-Argentina não tem fim, mesmo. Não temos brasileiros e muito menos argentinos na final da NBA entre o Los Angeles Lakers e o Orlando Magic. Mesmo assim, a rivalidade sul-americana não cessa. Tive o prazer de trabalhar nos jogos 1 e 2, em Los Angeles, ao lado de um jornalista argentino, que trabalha para a revista especializada em basquete. Pessoa muito educada, com ótimas histórias. Até aí, cordialidade hermana (só faltaram alguns alfajores). Mesmo porque seria hipocrisia da minha parte falar mal dos argentinos, sendo que meu pai é um deles.
Bem, a rivalidade não apareceu no primeiro jogo. Mesmo porque os Lakers venceram por 25 pontos de vantagem. Mas eis que ela surgiu quente no último quarto do segundo jogo, quando Lakers e Magic trocaram de liderança. Sem dar nome aos burros, eu, brasileiro, discretamente comemorava a cesta de um time e questionava as faltas dadas para o outro. Já meu amigo portenho fazia justamente o contrário. Na hora, meu sangue subiu. Imaginei um taco de beisebol em minhas mãos, no melhor estilo Michael Douglas, para acabar com aquela troca de comemorações baratas. Depois, achei que a melhor solução fosse um leve empurrão para que ele caísse de cara em algum assento da primeira bancada do Staples Center.
Eu sei. Ridículo de minha parte pensar assim, mas era um argentino do meu lado torcendo contra, e não pude pensar no time de basquete argentino sendo campeão olímpico enquanto o nosso não consegue fazer outra coisa a não ser dar vexame.
Depois de meus pensamentos sórdidos e da partida terminada, minha animosidade para com o compadre jornalista terminou. Afinal, era apenas um jogo, nada mais, e ainda por cima ele não irá acompanhar o restante dos jogos, então não tenho que me preocupar com olho gordo de amante de Maradona. Mas, na hora de nos despedirmos, ele, como argentino que é, atacou: "Desejo a você toda a sorte do mundo", disse num tom irônico e com aquele sorriso de lábios grudados, de um psicopata que sabe o que faz para acabar com sua vítima. Eu fiquei lá, vendo-o ir embora, e imaginando quando será minhas férias para fazer uma visita pessoal a ele, em Córdoba. Com o taco de beisebol, é claro.
* Enviado especial do 'estadao.com.br' aos Estados Unidos
07.06.09
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